Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Será necessário reestruturar as dívidas soberanas europeias? Parte I - Por Dominique Plihon

 Enviado por Julio Marques Mota

 

                                                                                     Dominique Plihon

 

Será necessário reestruturar as dívidas soberanas europeias?
Domique Plihon
Os Economistas Aterrados
5 de Janeiro de 2011

As economias europeias correm o risco de mergulharem numa recessão com carácter duradoiro acompanhada de um forte aumento do desemprego de massa. Esta evolução inquietante será o resultado das políticas de rigor orçamental e das políticas salariais aplicadas conjuntamente pelos governos da União Europeia para tranquilizar os mercados e para tentar impedir a degradação das finanças públicas. Esta sombria perspectiva e estas políticas de rigor são inaceitáveis! É necessário libertar as economias europeias do jugo da dívida e dos mercados. Isto implica reestruturar a curto prazo as dívidas soberanas na Europa, implica atacar frontalmente o poder dos mercados e implica lançar as bases de uma outra Europa, solidária e ecológica.

A recessão e o desemprego para “tranquilizar” os mercados: uma estratégia perdedora

Para fazer face à subida das dívidas soberanas, uma consequência da socialização das dívidas privadas que conduziram à crise em 2007-2008, as autoridades europeias encontraram uma e só uma solução: o endurecimento das políticas neoliberais. Ou seja, políticas de austeridade orçamental e salarial destinadas a restaurar o mais rapidamente possível (em três anos) as capacidades de reembolso e de refinanciamento dos Estados europeus nos mercados. Esta poção amarga foi imposta a todos os países europeus e mais particularmente aos países mais fragilizados pela crise (Hungria, Grécia, Irlanda). Estas políticas estão claramente destinadas a preservar, antes de mais nada, os interesses dos credores e de fazer suportar pelos contribuintes o essencial da carga dos ajustamentos daí decorrentes. A estratégia “de saída de crise” levada a efeito na Europa não é sustentável porque ela é ao mesmo tempo socialmente injusta e economicamente ineficaz. Socialmente injusta, porque são as categorias sociais mais desfavorecidas que pagarão o tributo mais elevado. Economicamente ineficaz, porque a espiral recessiva que vai atingir os países mais frágeis reduzirá a sua capacidade de reembolso da sua dívida; esta capacidade depende, com efeito, do crescimento (que condiciona a evolução dos recursos do Estado) e da taxa de juro da dívida (resultante designadamente do prémio de risco). De resto, os mercados — que pedem sempre mais — “não foram acalmados” pelas políticas de austeridade praticadas: os prémios de risco da Grécia e da Irlanda não se reduziram de maneira significativa apesar dos seus planos de austeridade drástica, dado que no fim de Novembro de 2010 as taxas de juro a 10 anos exigidas pelos investidores atingiam respectivamente os 11.9% e os 9.3% para estes dois países, enquanto a Alemanha (que é a melhor assinatura) pagava apenas 2.7% sobre a sua dívida soberana…

 

A reestruturação das dívidas soberanas na Europa: uma solução inevitável e desejável

Sair rapidamente da espiral recessiva é uma necessidade imperiosa. A curto prazo, isto impõe aliviar o peso do serviço da dívida organizando a sua reestruturação. A reestruturação consiste no reexame de todas as características do contrato de emissão da dívida soberana. Esta operação pode assumir várias formas: um reescalonamento da dívida (prolongamento dos prazos), uma dispensa de pagamento dos juros ou e uma redução da própria dívida (incumprimento).

 

Desde o início de 2011, a questão não é a de saber se a Grécia e a Irlanda — ou outros países europeus — deverão reestruturar as suas dívidas, porque isto aparece como inegável e inevitável. Certos dirigentes europeus, nomeadamente alemães, tomaram consciência deste dado, como mostram as decisões recentes do Conselho Europeu (ver mais à frente), o que significa admitir que os credores devem contribuir, nem que seja marginalmente. A verdadeira questão é então a de saber se esta reestruturação vai ter lugar em função do interesse das populações ou é negociada segundo a boa vontade da indústria financeira.

 

Três séries de argumentos podem ser avançados a favor (ou a desfavor) da reestruturação das dívidas soberanas:

 

 

publicado por Luis Moreira às 20:00
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Domingo, 10 de Abril de 2011

Biografia de Dominique Plihon - professor at the Department of Economics of Paris-Nord University

 enviado por Julio Marques Mota

 

 

BIOGRAPHY

 

 

Dominique Plihon is Professor at the Department of Economics of Paris-Nord University (France). He is in charge of a Master Program in Banking and Finance. He has been Dean of the Department of Economics from 1995 to 1997.

Dominique Plihon graduated from Paris University ( M.A. in economics in 1969) and from the State University of New York at Albany (United States) (Ph. D. in economics in 1974).

Dominique Plihon worked at the Banque de France (central bank) (1974 – 1983) and at the Commissariat du Plan (national planning agency) (1983 – 1988). He became full time Professor in 1988. He had consulting activities at the Banque de France (1992 – 1995) and at the Banking Commission (Bank Supervision Agency) (1996 – 1998). He was member of the Counsel of Economic Advisers attached to the Prime Minister from november 2001 to december 2004. Dominique Plihon is also chairman of the scientific committee of Attac France since 2002.

 

Dominique Plihon has published widely in the fields of banking, international finance, european economics. Among his publications : « Risk management by credit institutions : macroeconomic modelling attempts », in « Economic modelling at the Banque de France », Routledge, 1996. « The banks , new strategies », a book published (in French) in 1998 by the Documentation Française. « Exchange rates », a book published (in French) by La Découverte in 1999. And the « New Capitalism » published (in French), Flammarion, Paris, 2001. More recent publications edited with other economists are : « Financial crisis » , (Documentation Française, 2004), « The new banking economics » (Edward Elgar, 2007), and “Knowledge and finance – ambivalent relationships at the core of modern capitalism” (La Découverte, 2009). In January 2011, he completed a Report for the Counsel of Economic Advisers on “Central Banking in the aftermath of the financial crisis”. He has a forthcoming publication in collaboration with Robert Guttmann (Hofstra University) “Whither the Euro ? History and Crisis in Europe’s Single-Currency Project” to be edited in a Handbook on Crisis at the Cambridge University Press.

 

PS: na semana que vem vamos ter textos do Professor Dominique Plihon

publicado por Luis Moreira às 23:00
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