Domingo, 7 de Novembro de 2010

Domingos Rebelo (1891-1975)

Clara Castilho

Para mim começou por ser o Tio Domingos, um velhinho de cabelos brancos que era casado com a Tia Fifi, irmã de minha avó. E com ar de quem vivia na lua… Quando me afagava a cabeça, ficava sempre a duvidar se ele sabia quem eu era…

Fui crescendo e percebendo o respeito com que outras pessoas falavam dele, encaixando o que ele fazia e tinha feito. Mas continuava o lado afectivo das visitas à sua casa de Alvalade, onde, para além da doçura era recebida com línguas de gato e rebuçados de hortelã pimenta.

E ficavam as relações com os primos de minha mãe e sua descendência.



                                                        Josefina de Oliveira Correia Rebelo
                                                       (colecção particular)


Domingos Rebelo, nasceu em Ponta Delgada a 3 de Dezembro de 1891 e faleceu em Lisboa a 11 de Janeiro de 1975. Com o apoio de individualidades açorianas que lhe reconheceram o valor, foi prosseguir os seus estudos em Paris, com 15 anos de idade e onde permanecu durante seis anos. Frequentou várias Academias e foi discípulo de mestres parisienses Conviveu com grandes nomes da pintura portuguesa que iam passando por Paris, como Amadeu de Sousa Cardoso, Santa Rita Pintor, Emmerico Nunes, Dórdio Gomes, Eduardo Viana, Manuel Bentes e Pedro Cruz. Foi nesse meio artístico, onde se fazia sentir a originalidade dos modernistas Paul Cézanne, Henri Matisse e Amedeo Modigliani, que Domingos Rebelo aperfeiçoou a sua formação técnica.

Foi autor de algumas das imagens mais emblemáticas da iconografia dos Açores, com destaque para Os Emigrantes.

Entre os vários prémios que recebeu destacam-se os «Silva Porto» e «Roque Gameiro» assim como a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Está representado nos Museus de Arte Contemporânea de Lisboa, nos de Viseu e de Caldas da Rainha, no de Arte de Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e no de Carlos Machado em Ponta Delgada

Há uns meses, em pesquisas na internet, descobri um neto que tinha feito uma página dedicada a seu avô. Depois de termos entrado em contacto, juntámo-nos uma noite destas. Noite de troca de memórias, de fotos, de recortes de jornais, de informações mais actualizadas sobre os caminhos de cada um…

A tarefa a que s propôs Jorge Rebelo – a recolha de tudo o que se relacionasse com o pintor Domingos Rebelo – emocionou-me. O labor com que a esta proposta se dedica é visível nos inúmeros ficheiros que tem no computador, nas relações que vai fazendo entre as várias pistas que vai encontrando, entre fotos de família, quadros, entre testemunhos de vida de outras pessoas e as cartas que possui, a informação e fotos que recolhe em viagens a locais onde o avô estudou e habitou.

A noite ia longa e contagiava-me com o entusiasmo com que, por exemplo, comparava dois quadros que retratavam a mesma situação – os emigrantes – as suas diferenças de perspectiva, de técnica, as fotos de família que serviram de modelo às pessoas representadas, etc., etc.

Serve isto para reflexão sobre o que fazemos com as obras de pintores. Muitas das “produções” de Domingos Rebelo são de dimensões tais que só cabem em espaços enormes, nunca numa casa de habitação. Muitas delas estão enroladas e, cada vez que se vão abrir, se vão desfazendo um pouco mais…As diligências para que os serviços estatais do Governo dos Açores tomem a seu cargo a construção de uma “Casa” onde tudo possa ser junto, não têm surtido efeito.

Deste autor, obras podem ser vistas no Salão Nobre da Assembleia da República. Retratam épocas da nossa História, “conquistas” de territórios…


A Tomada de Ceuta. - 1942, Mural a fresco - Salão Nobre, Palácio de S. Bento, Lisboa


Na Igreja de S. João de Deus. Há um ano encontrei um belo retrato de uma feira, no Museu Amadeu de Sousa Cardoso, em Amarante.

No entanto, não é com esta parte da sua obra que me sinto em sintonia. Alguns dos retratos são muito bons e transmitem-nos a “alma” de quem esteve à sua frente. São as suas paisagens, mais desconhecidas, que me fazem a mim, ignorante nestas áreas, sentir transportada para outros locais, esquecer o tempo e mergulhar em vivências difíceis de transportar para palavras.



Fazia ressaltar seu neto que muitos dos seus quadros são o testemunho de como era, por exemplo, Ponta Delgada no início do século XX.

Exemplos como este, quantos haverá? Se tratamos tão mal o presente, não admira o que fazemos com o passado…





(Colecção particular)












publicado por Carlos Loures às 19:30
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