Domingo, 4 de Julho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 47

Carlos Leça da Veiga


Carlos Leça da Veiga

Quem submete Portugal? (Continuação)

A ligação à OTAN, para o estado português e, por necessário, para a sua população, não só acarreta custos políticos completamente inconvenientes como é, isso tem de insistir-se, um desrespeito grosseiro com o disposto na Constituição, cujo não cumprimento só pode considerar-se altamente desprimoroso para Portugal. Como se já tudo não bastasse, anos passados, a governação portuguesa, sem que os demais Órgãos da Soberania a contradissessem, ofereceu o exemplo desprestigiante de, sem tino nem sentido, decidir-se contra o pensamento político transportado pela Constituição e, como assim, apresentar-se a dar cobertura – colaborar – no inicio e na manutenção, reconhecidamente lamentáveis e reprováveis duma agressão militar, por parte dos EUAN/OTAN, a um estado soberano com quem Portugal nunca tinha anunciado qualquer diferendo, muito menos, pronunciado o mais pequeno desagrado, que este, muito razoavelmente, até poderia ter sido devido, a avaliar-se por uma indesejável ordem político-social interna. Para cúmulo, a governação portuguesa aceitou aprovar uma agressão militar feita sem qualquer razão que não fosse a dum mero expansionismo desencadeado sob pretexto falso, tudo tendo em vista conquistar uma exploração petrolífera pertença dum outro país e, sem mais nem menos, com despudor total, assenhorear-se dos respectivos lucros.

Para vergonha nacional demonstrou-se, mais uma vez, que a actual Constituição Política portuguesa está mal engendrada quanto à obrigatoriedade de ser cumprida e não mostra préstimos políticos designadamente sociais, económicos e culturais que sejam significativos para a maioria dos portugueses. O texto fundamental, tal como está feito, permite que a governação tenha a possibilidade de interpretar e contornar-lhe a letra para, conforme quiser, poder proceder e, assim – tem de lamentar-se – poder conseguir fazê-lo, com a mesma desfaçatez política – o autoritarismo – dos prosélitos salazaristas.


Se a dependência da OTAN não pode aceitar-se, aquela outra da UE, a prazos médio e longo, só trará dissabores políticos, económicos e sociais. Passada a euforia consequente à chegada dos subsídios europeus e dos inexplicados enriquecimentos daí derivados, passou-se àqueloutra da sujeição á falência, mais ou menos pronunciada, das economias centro-europeias que, por seu intermédio, arrastam a população portuguesa para um beco donde as governações por cá instaladas não têm ordem, muito menos mérito, para encontrar uma saída favorável.

A entrada para as Comunidades Económicas Europeias (CEE), para além duma intencionalidade maçónica, só pode entender-se como uma fuga para a frente dum soarismo politicamente perdido e sem capacidade para enfrentar, com coragem socialista, a situação política e económica nacional. Foi dada uma manifesta preferência aos subsídios europeus em vez de aceitar-se uma necessária reformulação da redistribuição do rendimento nacional cuja inevitabilidade, se já vinha de trás, depois da Descolonização, tornou-se numa circunstância imperiosa. Para não ferir interesses económicos gerados por anos de injustiça social preferiu manchar-se a Independência Nacional sob a desculpa, impossível de comprovar-se, que doutro modo não haveria uma sobrevivência com suficiente abastança económica antes sim, para amedrontar, ameaçava-se a população com o espectro dum terceiro-mundismo que, por fim, de facto, acabou por chegar e instalar-se – está á vista, é sentido – por via da tal adesão á Europa franco-germânica, a mesma que prometia um novo eldorado.

Sob o pretexto falacioso do bom entendimento internacional dos estados europeus (a maioria deles com Nacionalidades oprimidas) e duma necessidade fantasiosa de construir-se um estado europeu – uma pretensão velha dos expansionismos centroeuropeus – os portugueses viram-se transformados num povo ainda mais dependente do que quanto já era na época salazarista.

A União Europeia, uma evolução perigosa, indesejável e recusável da CEE, enquanto fosse uma mera confederação – jamais a federação que é – podia ter a sua legitimidade contudo, sempre, sob a exigência de que cada uma das suas múltiplas Nacionalidades – quantas oprimidas – ser reconhecida como um Estado soberano representado com autonomia total na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas.

Portugal, um Estado em que só há uma Nacionalidade, tem obrigação de defender activamente que todas as Nacionalidades devem seguir-lhe o exemplo de tal maneira os europeus passem a ter uma realidade política democrática com um respeito efectivo dos Direitos do Homem.

A União Europeia, como característica mais frisante, não passa doutra coisa mais que não seja um cóio do capitalismo expansionista europeu cuja existência está destinada a defender, representar e fomentar, de sobremaneira, os interesses dos seus estados centrais cujos, para conseguirem sobreviver como potências económico-políticas face aos EUAN e aos BRICAS (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul) estão propostos a uma resistência sem tino, nem senso, nela envolvendo o compromisso duma multidão de pequenos estados europeus, por regra, em tudo, alheios à questão.

O tempo demonstrará que, na verdade, a chamada União Europeia não passa, senão, dum verdadeiro IV Reich dominado pelo consórcio de dois estados continentais do centro europeu que, ao contrário do anterior, de tão má memória, por agora, com astúcia bastante, permanece contente na imposição, com aparência pacifica – o Parlamento Europeu dá cobertura a tudo – da sua vontade omnipotente sobre os estados europeus desprovidos de potencial económico sensível e, grande vantagem, providos com dirigentes submissos. Os “Quislings”, como herança do nazismo, esses, sempre tem havido!

Sob o manto diáfano dos subsídios facilitados, os continentais centro-europeus garantem aos governantes – aos “Quislings” – dos estados economicamente mais débeis as possibilidades destes títeres assegurarem, anos a fio, o controlo eleitoral das governações dos seus estados e os concomitantes benefícios para os grupos sociais possidentes sem esquecer aqueles de ordem vária distribuídos, directa ou indirectamente, pelos os seus “rapazes” e pelos seus aparelhos partidários.

Nas condições consequentes às deliberações dos estados continentais centro-europeus que dirigem a União Europeia, o Povo Português tem sido arrastado para um declive económico que, como era esperado, não deixa de acentuar-se.
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 8

Carlos Leça da Veiga

A presença e a acção articulada duma opção política de aceitação da dependência externa, tanto da OTAN como da União Europeia, por parte das sucessivas governações portuguesas, que não, a da procura duma necessária e saudável interdependência mundial assente, esta sim, como deve ser, no quadro estratégico dum velho universalismo português, faz com que da dependência política, económica e militar em curso decorram todos os acontecimentos de penúria económica, mutilação democrática, apagamento político internacional, deformação cultural e retrocesso social que, ao contrário do propalado, são uma realidade objectiva sentida por uma porção muito vasta da população que, para sua infelicidade, só tem à sua escolha, nos momentos eleitorais, os próprios fautores da sua desgraça revestidos, cada qual, de variadas cores partidárias.

É bom recordar que todas estas cores, bem vistas as coisas, se dizem não haver qualquer sujeição a Bruxelas – convêm-lhes dizer que a União Europeia é uma Democracia – e, também, se, como regra, não aparecem a reclamar-se do neoliberalismo destilado e instilado pela gerência dessa União, apesar disso, não deixam de ajustar-se com facilidade às imposições do mercado que, na prática, acabam por aceitar como soberano no ditar das regras.

Aos olhos de todos, todas essas cores políticas, não deixam de colaborar na legitimação, de facto, dessa sujeição política e económica porquanto, todos eles, não dispensam o seu assento no chamado parlamento europeu e, também, acordam na obtenção das respectivas mordomias tal como, por igual, todos eles – mesmo os que insistem em negá-lo – acabam por aceitar, ou ser coniventes, com o desenvolvimento económico de feição capitalista neo-liberal cuja legitimação está amplamente assegurada por essa sua simples permanência nesse chamado parlamento europeu e, também, tem de dizer-se, no nacional, que é donde sai o aval político para a sujeição nacional. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!

A dependência aceite por quantos têm governado, legislado e presidido, ao arrepio das suas prédicas e da suas constantes hipocrisias, só tem manietado deliberadamente o incremento, no espaço mundial, das possíveis influências política e cultural do nosso país que, bem sabido, são particularidades estratégicas de importância extrema para as quais, nos tempos que correm, há condições políticas ímpares e muito favoráveis para fazerem sentir-se, porém, salta à vista, são completamente desaproveitadas, melhor dito, absolutamente ignoradas.

Por força das coordenadas político-económicas impostas seja por Bruxelas seja por Washington torna-se evidente a menoridade colonial a que Portugal foi votado.

O que foi feito do prestigio internacional português conseguido por uma sua Descolonização que, afinal, foi a única conseguida sem vestígios de neocolonialismo?

Se Portugal é um estado que, por completo, deixou de dominar e oprimir quaisquer Nacionalidades tem, então, o direito próprio de exigir, “aequo animo”, que vários estados, os europeus desde logo, sintam obrigação de seguir o exemplo português e libertarem as Nacionalidades que, no caso europeu, prosseguem oprimindo. Lamenta-se ter de dizê-lo mas nunca nenhuma governação portuguesa, nem sequer, qualquer voz parlamentar ousou pronunciar-se em favor da Libertação de quaisquer Nacionalidades oprimidas na Europa e procurar para Portugal o papel de farol das Libertações Nacionais, um papel que no contexto europeu – porque não no mundial? – tudo indica ser lícito poder reivindicar-se. Nada disto acontece.

Mais uma vez, na História portuguesa, a salvaguarda dos interesses dos possidentes e aquela dos seus fâmulos de serviço, optou pela subserviência ao estrangeiro. A dependência nacional, não haja dúvidas, é um facto lastimável.

Mais outra vez, como em 1580, os grandes possidentes, representados pelas forças partidárias dominantes, aceitaram vender-se por um prato de lentilhas!

O 25 de Abril não merecia ter tido o rumo que os políticos oportunistas conseguiram imprimir-lhe, designadamente e muito em especial, a opção inaceitável pela subserviência ao estrangeiro, fosse de que lado fosse. Digam o que quiserem, há medida que os anos passam e que a crise económica exorbita, vai-se tornando evidente para um número maior de portugueses que quem decide dos destinos nacionais não são eles próprios, outro sim, são forças instaladas no exterior. A título dum mero exemplo cite-se o jornalista Pires Aurélio que já em 1988, sem que fosse contestado, podia escrever num semanário de grande circulação, “porque não é Portugal que condiciona a politica africana da Europa, é a Europa que condiciona a política africana de Portugal”.

Para população portuguesa que vive, substancial senão em absoluto, do magro rendimento conseguido pela força do seu trabalho – um dos piores rendimentos da Europa – o tão necessário e desejado desenvolvimento socioeconómico não é compatível com a submissão aos ditames políticos ditatoriais do capitalismo expansionista centro-europeu, mormente à arrogância das suas imposições políticas de feição sub-reptícia e bem disfarçadas nos seus variados eufemismos como, entre outros, é aquele do apelo constante a uma harmonização económica e política da Europa quando, ao mesmo tempo, as cabeças de cartaz do comando europeu ficam indiferentes ao baixíssimo rendimento dos portugueses, particularidade de importância extrema e nada consentânea – nada em harmonia – com o rendimento nacional distribuído naqueles outros estados patrões.

É o tratamento dado aos colonizados.
publicado por Carlos Loures às 21:00
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