Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Encontros Imaginários nº 7 - Hélder Costa

Em principio este é o ultimo aviso .

Dia 2 de Maio, 21, 30 no Bar da Barraca -  Encontro com Damião de Góis, Mussolini e Marilyn Monroe

Confronto entre o humanista Damião de Góis e o fascista Mussolini seduzidos pela beleza de Marilyn .

Que, surpreendentemente , não entra nas anedotas das loiras burras..o que não deixa de ser uma agradável novidade para todos os seus admiradores.

RESERVAS : 213965360

 

 

 

DAMIÃO de GÓIS (1502 – 1574)

 

 

Fidalgo de Alenquer, dirigiu a feitoria de Flandres, foi aluno de Erasmo e da Universidade de Pádua e reitor da Universidade de Lovaina, onde foi preso durante um ano pelos invasores Franceses.

 

 

 

 

 No regresso a Portugal foi professor do príncipe herdeiro, filho de D. João III, e mais tarde responsável pela Torre do Tombo.

 

Entre outras obras escreve a Crónica de D. Manuel, o que o levará a cair nas garras da Inquisição, sendo condenado a reclusão no mosteiro de Alcobaça, e posteriormente assassinado numa estalagem durante a noite. Considerado um dos músicos mais importantes do seu tempo, foi pintado por Dürer e trouxe para Portugal “ As Tentações de Santo Antão” de Bosch, sinais claros da sua intima ligação aos movimentos culturais da sua época.

 

BENITO MUSSOLINI  ( 1883 -1945)

 

 

 

Politico e jornalista Italiano, foi o “duce” do fascismo.

Em jovem foi socialista revolucionário e chegou a director do “ Avanti”, órgão oficial do partido socialista.

Com a 1ª Grande Guerra começou a sua transformação ideologica apoiado por D’Annunzio, criando  os “fascio”, grupos de combate financiados pelos terratenentes do Sul e pela alta burguesia industrial da Lombardia.

Aliado de Hitler durante a 2ª Grande Guerra foi preso e fuzilado pela Resistência Italiana na aldeia de Dongo, perto do lago de Como.

 

 

 

MARILYN  MONROE (1926 – 1962)

 

 

Marilyn Monroe é um verdadeiro mito.

Em meia dúzia de anos ganhou o mundo e fez-se a si própria, repudiando o comercialismo gratuito de Hollywood e lutando pelo seu aperfeiçoamento profissional e intelectual.

Estudou com Charles Laughton e Strasberg e trabalhou com Billy Wilder e Lawrence Olivier, assinalando a história do cinema com papéis inesquecíveis.

De vida privada tumultuosa, teve dois casamentos falhados com DiMaggio, herói do baseboll, e com Arthur Miller, célebre escritor e dramaturgo .

Colocou-se ao lado de Miller na época do McCarthismo, não cedendo às chantagens de Reagan e Nixon, na altura respectivamente presidente e advogado do sindicato dos actores.

Foi encontrada morta no dia 5 de Agosto de 1962 e poucas mortes terão merecido tanta especulação.

Ficou para sempre um ícone imperecível dos anos 60, época de utopias e transformações Universais.

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 10:00
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

500 ANOS DA LOUCURA DE ERASMO, E DAMIÃO DE GÓIS, por Sílvio Castro

 


 

 


 

 

                   Neste abril de 2011 trascorre o V Centenário da publicação do Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdam, um dos grandes clássicos do Renascimento europeu.

 

                   Na abertura da cena, assim falou a Loucura, não como um orador qualquer, mas recoberta de vestes femininas, feéricas, ainda mais no alto daquela pequena tribuna que domina o público lá embaixo:

 

“Apesar de toda e qualquer coisa que digam os homens de mim habitualmente (sei muito bem de fato como seja ruím a fama da loucura até mesmo entre os loucos), o tema que estou por expor basta suficientemente para demonstrar que sou eu quem está aqui presente. Eu aqui presente, digo, e nenhum outro, a alegrar homens e deuses com a minha potência divina. Eis a prova: não apenas me apresentei a falar nesta reunião plena de expectadores, todos os rostos improvisamente se iluminaram de uma nova e incomum alegria; haveis alçado a fronte, me haveis aplaudido com um riso amável e pleno de benevolência“.

 

A mulher multicolorida não fala como um pregador e não usa a sua pequena tribuna como um púlpito. Mas, recita palavras e conceitos aparentemente absurdos, mas que cedo tomam em mãos todo o público, homens e mulheres felizes, alegres, raptadas pela mensagem insólita –

 

“A inteira vida dos mortais, no final das contas, o que é senão uma comédia na qual diversos atores se adiantam com máscaras diversas e recitam cada um deles a sua parte, até que o diretor não os faz deixar a cena? Muitas vezes depois faz com que se adiante a mesma pessoa maquilada diversamente, de maneira tal que aquele que antes recitara como um rei vestido de púrpura agora represente o servoem mulambos. Tudofalso, certamente, mas não de outra forma se entra em cena.“

 

            Assim, desconcertante, se apresentava naquele 1511 pelos tipos de uma pequena editora parisiense, a Jehan Petit, um apólogo paradoxal, Moria encomium, Erasmus declamatio. A partir de então o Renascimento europeu apresentava uma sua nova face, não mais carregada de dúvidas e ambiguidades, mas aberta a todas as invenções que a existência humana pode conhecer, desde que disponível à partipação com a Loucura.

                  O Elogio da Loucura, de Erasmo, logo se faz um clássico e passa a indicar caminhos.

 

                   O jovem Erasmo deseja aperfeiçoar seus estudos humanísticos na Itália. Assim, em 1506, encontra-se em Turim, onde obtém o doutorado em Teologia. Noperíodo 1505-1508 se fixa em Veneza, hóspede do grande editor Aldo Manuzio. Na Sereníssima República, Erasmo aperfeiçoa o seu grego e publica, com o seu amigo editor, a segunda edição das famosas Adagia, recolha e comentários de provérbios antigos, mais de três mil, alguns dos quais mais tarde desenvolvidos em tratados. Deixando Veneza, parte para Roma (1508-1509) e, em seguida, para a Inglaterra, onde se fixa mais longamente (1509-1514). Na sua demorada estação londrina, conhece as peripécias iniciais em que cai o reinado de Henrique VIII, bem como convive em grande amizade intelectual com o humanista inglês, Thomas More. O Elogia da Loucura e a Utopia,  de More, serão os dois marcos que conduzirão os homens a um renovado espírito renascimental.

 

                   Damião de Góis, um dos máximos humanistas portugueses, soube desde logo deixar-se acativar pela Loucura. Tomado de admiração pela obra de Erasmos – além do Elogio da Loucura, igualmente, ainda que em outra direção, pelo erasmiano Ciceronianus, de 1528 – o jovem cavaleiro português, em serviços de seu Rei pelo Norte da Europa, toma os primeiros contatos com o sábio holandês em abril de 1533, com o pedido de um primeiro encontro pessoal.  Erasmos acolhe muito bem os desejos expressos por Damião de Góis. O encontro estava fixado, porém um evento eccepcional impede o jovem estudioso português de imediatamente ir de encontro ao seu escolhido Mestre: tendo sido designado por D. João III, por indicação de seu amigo João de Barros para seu substituto no posto de Tesoureiro do Reino, encargo que o máximo Cronista-Mór então deixava, Damião de Góis não pode senão regressar de imediato a Lisboa. Porém, o seu desejo de encontrar Erasmos e deixar-se guiar por ele nos seus estudos humanísticos não se arrefece. Poucos meses depois o jovem estudioso conseguiria recuperar a  meta anteriormente desejada. Antes do findar de 1533, alcança a benevolência do Rei para não continuar no honroso cargo. Podia, desta maneira, retomar a sua peregrinação cultural.

 

                   Damião de Góis soube escutar os ditos da Loucura, e assim renunciava ao poder e aos benefícios materiais, em favor dos ideiais que sempre cultiravara. Pelos conselhos-guias de Erasmos ele parte para Pádua e ali conquista definitivamente aqueles valores que fazem dele uma das vozes maiores do Renascimento português.

publicado por João Machado às 11:00
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Dia de Lisboa - Falemos então da lumiosa urbe.

Carlos Loures


Olisipo se chamava antes de ser tomada pelos Romanos, que a baptizaram de Felicitas Julia Olisipo. Os Árabes vieram depois chamaram-lhe Aschbouna. Olisipo, Felicitas Julia, Aschbouna. Tanto faz. É, teimo eu, pois sou quem manda e tudo pode no território desta crónica (já que não mando em nada mais), uma nave orgulhosa. E guardada por dois corvos. Assim dizem as suas armas inspiradas na história, ou, se melhor preferirmos, na lenda de São Vicente, ou talvez mesmo em ambas as cousas.

Segundo a Legenda Aurea, um texto hagiográfico que o frade dominicano Iacopo de Varazze escreveu na Itália do século XIII, nos alvores do quarto século da era Cristo, talvez em 304, um clérigo de nome Vicente, nascido em Huesca, oriundo de uma família ilustre, foi nomeado arquidiácono da diocese de Saragoça, na romana província Tarraconense. O seu superior, o bispo diocesano, que sofria de um defeito na fala, pois seria gago, encarregara Vicente de falar em seu nome aos fiéis. Ouvindo rumores de que as prédicas de Vicente eram demasiado eloquentes e podiam predispor o povo contra o domínio romano, Daciano, o magistrado encarregado de executar as leis imperiais e os éditos de Roma naquela região, mandou que o bispo e o arquidiácono fossem trazidos à sua presença.


Vicente falou pelo bispo gago e por si mesmo, reafirmando as suas convicções. O resultado não foi o melhor: o tartamudo apenas foi desterrado, mas Vicente foi barbaramente torturado em Valência por ordem de Daciano, tendo-lhe sido dilacerada a carne com garfos de ferro em brasa, deitando-o depois os torcionários numa cama feita também de ferro que previamente aqueceram até ficar incandescente. Meteram-lhe depois o torturado corpo num cárcere de reduzidas dimensões, com os pés apertados em cepos de madeira.
Na Legenda Aurea conta-se que, em dada altura, a cela ficou inundada por uma incandescente luminosidade e que as estacas pontiagudas que revestiam o sobrado se transformaram num colorido tapete de flores. Em redor, os anjos entoavam cânticos divinos... Em suma, eu imagino que deve ter sido tudo muito bonito. Neste ponto, um descancarado diabinho que me povoa a mente e que dá pelo nome de lucidez, sussurra-me que o martirizado corpo de Vicente e o seu cérebro atormentado pela tortura, o levaram a estas celestiais alucinações. (…)

Prossigamos. Diz-se que Daciano, ouvindo falar destes prodígios, ainda ordenou que tratassem os ferimentos ao arquidiácono e deixou mesmo que os cristãos o visitassem. Contudo, o mal estava feito – Vicente não resistiu às torturas que sofrera e morreu. O seu corpo destroçado e ensanguentado, embora exposto, por ordem de Daciano, ao apetite das aves de rapina e dos carnívoros necrófagos, permaneceu incorrupto, pois nenhum dos animais que o veio farejar o ousou devorar. Ante este insucesso, Daciano mandou então que os restos mortais de Vicente fossem metidos num saco a que foi atada uma grande pedra, e lançado ao mar. Contudo, também o mar se recusou a tragar o corpo e Vicente foi trazido pelas ondas até à praia. Consta que os pedaços de tecido das suas roupas, manchados de sangue seco, foram depois piamente recolhidos por alguns crentes e, segundo se diz, terão também produzido diversos milagres.

Quando os Árabes ocuparam a Península, no oitavo século da nossa era, o primeiro emir omíada de Córdova, Abderramão I decretou que as igrejas cristãs fossem transformadas em mesquitas e que as relíquias dos santos fossem destruídas. Os despojos mortais de São Vicente foram então sigilosamente trasladados para um cabo no extremo ocidental do Algarve. Al-Idrisi, o geógrafo árabe, apontou mesmo para o origem do topónimo Cabo de São Vicente, no Algarve, o facto de o corpo do santo ali ter estado depositado, escondido e protegido de islâmicas profanações. Segundo a narrativa do cónego Estêvão, no século doze, pensa-se que em 1173, para evitar a profanação por parte dos maometanos que teriam dado com o esconderijo, o corpo de São Vicente foi trasladado do Algarve para Lisboa num navio. Dois dos muitos corvos que, dizia-se, pousavam sobre o secreto túmulo do santo no também chamado Cabo Sacro, vieram até Lisboa vigiando o corpo. (…)


No brasão de armas mais antigo que se conhece da cidade, figura um navio com dois corvos, um postado à ré e outro à proa. El-rei D. Manuel ordenou que o brasão passasse a ser um escudo partido, arvorando de um lado as armas reais e, do outro, em cima, um navio. Em baixo, a esfera armilar, simbolizando o guia que tem orientado as nossas navegações. Mais tarde, voltou a ser apenas de um galeão com as vergas em funeral e ladeado por dois corvos, pois um douto arcebispo de Lisboa disse avisadamente: «Temos de tornar Lisboa ao Santo Mártir por padroeiro seu, e por armas a nau, em que o santo lhe foi trazido, com os dois corvos, que vieram seguindo, em memória dos quais perseveraram sempre nesta sé outros semelhantes». Teve nestas palavras razão o arcebispo: e assim voltaram os dois simpáticos corvos a pousar no brasão de armas da nossa cidade.

Outra curiosa lenda sobre Lisboa, se de lenda se trata, é a que nos conta Damião de Góis – sábio e honrado varão que tenho o privilégio e a honra de conhecer em pessoa e de muito estimar e admirar – na sua Descrição da Cidade de Lisboa (Urbis Olisiponis Descriptio), fala-nos sobre tritões e sereias, dizendo que, segundo Plínio em Naturalis Historiæ, tinha sido visto e ouvido em determinada gruta um tritão a cantar com uma concha, apresentando-se com o aspecto tradicionalmente atribuído aos tritões. Diga-se que o aspecto que lhes era conhecido seria o de possuírem escamas espalhadas por quase todo o corpo. Segundo Góis, ainda «nos nossos dias» existem homens-marinhos, habitantes da área litoral, que apresentam esses vestígios da sua antiga raça.

As sereias eram também frequentemente avistadas. Refere ainda que nos Antigos Arquivos do Reino, de cuja chefia estava nessa altura o douto Damião encarregado, existia ainda um manuscrito de um contrato celebrado entre el-rei D. Afonso, o terceiro de tal nome, e Paio Peres, mestre da Ordem dos Cavaleiros de São Tiago, segundo o qual se determina o imposto a pagar pela referida Ordem pelas sereias e outras espécies animais pescadas nas suas praias. Daqui, acrescenta Damião, «se deduz obviamente que as sereias eram então frequentes nas nossas águas, visto que sobre elas se promulgou uma lei». De tágides, ninfas do Tejo, nos falaram André de Resende e outros jovens poetas, como esse talentoso Luís Vaz, vate de que tanto agora e mui justamente se fala. Lisboa, era terra de muitos e variados prodígios.

Como sempre acontece nestes casos, destrinçar a lenda da verdade histórica, onde começa o nebuloso território de uma e o diáfano império da outra termina, não é tarefa fácil. Por isso, o cronista, para mais se, como eu, for um simulacro de cronista, sujeito a crises de cepticismo, se deve limitar à sua função de descrever aquilo que ao seu conhecimento vem chegando, sem muito cuidar de distinguir a verdade da ilusão, o corpóreo do invisível, o real do irreal. Como alguém que, na praia, vá colhendo elementos: peixes, estrelas-do-mar, medusas, seixos, búzios, espuma, o sibilar do vento, a canção das ondas e o odor a sal, sem pretender estabelecer qualquer diferença entre a natureza fisicamente perene de uns e a constituição, efémera e volátil, dos outros. (…)


Quanto aos corvos, aves geralmente consideradas de mau agouro, talvez por serem negras, mas que os lisboetas carinhosamente adoptaram e passaram a tratar por «vicentes», podemos vê-los às portas de algumas das muitas tavernas da cidade, crocitando as suas filosofices ou dizendo uma ou outra palavra, inconveniente ou mesmo inocentemente obscena.


(Excertos do Antelóquio de O Hortelão de Palavras)
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Ouçamos estas


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publicado por Carlos Loures às 12:00
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