Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Dia das Beiras - O Mosteiro da Batalha

Luis Rocha

 

Quando não acompanhada de qualquer outra designação, é associada a uma de duas realidades: a batalha de

Aljubarrota (Agosto de 1385) e o Mosteiro de Santa Maria da Vitória.

 

Como o evento dessa tarde de Agosto de 1835, haveria de marcar o futuro das gerações vindouras, também a construção da imponente igreja e seus anexos moldaria a arte portuguesa. Na sua verticalidade, com agulhas floridas a recortarem-se no azul do céu ou a surgirem como fantasmas dos bancos de nevoeiros, o seu fascínio ainda hoje prende a tenção de arquitectos e construtores.

Com a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, vulgarmente conhecido como Mosteiro da Batalha, dá-se inicio ao segundo ciclo da arquitectura gótica portuguesa.

 

A edificação do Mosteiro ficou a dever-se ao voto feito por D. João I, em memória do êxito alcançado na Batalha de Aljubarrota, travada uns escassos quilómetros a sul, devendo-se muito certamente a sua invocação ao facto de o embate se ter dado na véspera da festa de Santa Maria.

Segundo alguns cronistas e historiadores D. João I quis que a obra fosse um emblema do seu reinado e marcasse claramente o seu poder, como o testemunham as obras de arte, e particularmente as de cariz arquitectónico. A Batalha estará assim para D. João I, como os Jerónimos para D. Manuel e Mafra para D. João V.

 

A Batalha foi a grande escola da arquitectura portuguesa durante mais de um século. Os melhores técnicos do Reino trabalhavam no estaleiro batalhino, cada um no seu mister, não só no campo da arquitectura, mas também no da escultura, marcenaria, vidraria, etc.

Graças a trabalhos de pesquisa arquivística do patriarca Frei Francisco de S. Luís, o cardeal Saraiva e Sousa Viterbo, são hoje conhecidos os principais arquitectos que dirigiram as diversas fases da construção do Mosteiro. O Primeiro, a quem se deve o plano inicial, foi Afonso Domingues, que em 1402 já tinha falecido e que era natural de Lisboa, onde vivia em casa situada na freguesia da Madalena. Seguiu-se-lhe Huguet, que já desempenhava o cargo em 1402 e que faleceu em 1438. Deve ter vindo relativamente novo para Portugal, casando-se aqui com Maria Esteves. O terceiro arquitecto foi Martim Vasques que se julga ser natural de Évora. O seu sobrinho tomou a seu cargo o grande estaleiro. Chamava-se Fernão de Évora e trabalhou como tal até 1477. Foi no seu tempo que se construiu o Claustro de D. Afonso V e os seus anexos. Sucederam-lhe Mateus Fernandes e depois João de Arruda.

A Abóbada da capela do Fundador, de tipo estrelado, representa uma inovação na arquitectura portuguesa, que se deve ao arquitecto Huguet. O Claustro real da batalha é da autoria de Afonso Domingues, sendo considerado o mais harmonioso de todos os que se edificaram nesta época. Os vãos de grande beleza são já da época Manuelina. As capelas imperfeitas são também obra de Huguet por ordem de D. Duarte para seu panteão, não tendo sido acabada, sobretudo devido à curta duração do seu reinado (1433-1438).

 

No Mosteiro da Batalha estão, entre outros, os túmulos de D. João I e D. Filipa de Lencastre, do Infante D. Henrique, D. Duarte e D. Leonor de Aragão e do Arquitecto Mateus Fernandes.

 

Tumulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre

 

Também neste mosteiro estão sepultados dois soldados que morreram em combate durante a 1ª Guerra Mundial.

O monumento do Soldado Desconhecido encontra-se na Sala do Capítulo, com a presença permanente de dois soldados que ali se encontram imóveis e em silêncio, como guarda de honra a este túmulo.

 

(in “História da Arte em Portugal”, Lisboa 1986 – Professor Pedro Dias)

 

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publicado por siuljeronimo às 14:00

editado por Luis Moreira em 25/01/2011 às 02:27
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