Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

Toponímia

António Sales

Dos variados acontecimentos nacionais, pequenos e grandes, já nada me espanta que aconteça pelo que, na prática, vivo sem surpresas, sobretudo para as coisas más. Mas eu não venho escrever sobre a crise e o OE, coisas sobre as quais todo o bicho careta se pronuncia mesmo com ignorância total na matéria. A questão que me trás aqui é outra.

Na romagem ao cemitério do Alto de São João, um dos actos oficiais em memória dos fundadores da república, foi orador da cerimónia António Valdemar que, segundo um jornal diário, chamou a atenção para o facto da Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Lisboa ainda ter despachado uma proposta que tem desde 2003 para dar o nome de João Chagas e Mário de Azevedo Gomes a ruas de Lisboa.

Esperam despacho, paulatinamente há 7 anos, estas duas almas para que tal aconteça. Entretanto, uma praça em Benfica, foi “honrada” com o nome de um juiz do Tribunal Plenário que, como sabemos, no tempo do Salazar, funcionava em estreita colaboração com a PIDE para salvar a nação de uns sujeitos malignos que comiam criancinhas ao pequeno almoço.

O nome do juiz não é referido na notícia e foi pena. Tal sujeito sabia, via e consentia aquilo que se passava nos julgamentos dos presos políticos a presidia e, consequentemente colaborava com todos os métodos e práticas execráveis usados pela PIDE para com os presos, muitas vezes abusos cometidos no próprio tribunal. As testemunhas eram os próprios agentes, os elementos de provam eram obtidos sobre torturam ou, se preciso, forjados. Os juízes do Plenário sabiam disto e pactuavam com isto.

Provavelmente o juiz aqui em causa terá sido homem bom na freguesia de Benfica a merecer memória em lápide de praça sem referência, naturalmente, ao tribunal onde exerceu a profissão. Mas por muito generoso que tenha siso para com os fregueses de Benfica nada justifica que se perpetue o seu nome para quem puniu, impiedosa e injustamente, os cidadãos que lhe caíram nas mãos.

Sei, e isto prova, que o 25 de Abril encolheu as unhas perante os tribunais, juízes e magistrados dos Tribunais Plenários. Não lhes tocaram, nem sequer os mandaram para casa desempregados. Continuaram a julgar, agora presos comuns, a prosseguir nas suas carreiras, a receberem boas reformas e a morrerem tranquilos na cama com perpetuação da memória em actos públicos.

Ao mesmo não têm direito o João Chagas e o Mário de Azevedo Gomes.

O 25 de Abril ainda não está feito na cabeça das pessoas, ou seja, na mente, no cérebro, na cultura. Lá para o ano 2050 tal os portugueses já se tenham libertado da herança demoníaca.
publicado por Carlos Loures às 21:00
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