Sábado, 29 de Janeiro de 2011
Tenha uma aventura extra-conjugal - por Ethel Feldman

Recebi, por email o anúncio de uma revista electrónica cujo destaque tinha o título: TENHA UMA AVENTURA EXTRA-CONJUGAL, com o seguinte lead: Por vezes a resposta para a monotonia do casamento acorda todos os dias ao seu lado. Veja se é esse o seu caso.

Volta e meia, aparecem estas preciosidades, lixo que ainda não consegui me ver livre. Neste caso o título é sugestivo. Está claro que a revista aconselha um roll-play entre o casal. Transforme o seu casamento numa relação proibida e veja o fogo reacender-se como nos primeiros tempos de namoro. Finja que o seu marido é seu amante. Minta ao seu filho que vai à uma reunião. Informe a sogra que vai à reunião dos escoteiros. Ao seu marido, pisque o olho e diga que vai sair com a Catarina. O bom do Augusto, pisca o olho e diz com ar de parvo: Vai, filha, vai... Os pombinhos traidores, encontram-se às escondidas num motel modesto, que o dinheiro não sobra. De vez em quando a senhora olha disfarçadamente para a cábula tirada na revista. A cama é bem pior que a de casa, mas o quarto do motel tem um espelho gigante no teto...

De repente, a cerimónia toma conta do ambiente. E não há fogo que reacenda o casal!

Não seria melhor mentir a sério e sair às escondidas com o vizinho?



publicado por Carlos Loures às 10:00
editado por Luis Moreira em 28/01/2011 às 22:00
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010
Esposas por correspondência
Charles Oliver Hinton & Minnie Ann Oliver North
1893 (foto de casamento) --
Tawas City, Iosco County, Michigan, EUA

Carla Romualdo

Há uns tempos descobri na internet um livro que me pareceu de grande interesse: “Histórias Verdadeiras de Noivas por Correspondência na Fronteira” (“Hearts West: True Stores of Mail-Order Brides on the Frontier”,  lançado em 2005, nos Estados  Unidos, e da autoria de Chris Enss. 

Não estivesse eu a atravessar uma cura de desintoxicação da compra compulsiva de livros e já me tinha posto a fazer contas ao câmbio do dólar para mandá-lo vir. Sendo assim, resigno-me apenas a imaginá-lo. A resenha que li interessou-me: histórias reais de casamentos acordados por correspondência no velho Oeste americano. E, ao que parece, há lá de tudo: casamentos felizes que duraram décadas mas também desilusões que levaram a moça a regressar ao fim de uma hora com o seu prometido.

Imaginem-se, caros leitores masculinos, algures no selvagem Oeste, garimpeiros sujos e solitários, à espera do golpe de sorte que vos vai fazer descobrir o Eldorado. Quando regressam para o vosso pardieiro, já noite escura, encontram quatro paredes frias e manchadas pelo fumo do tabaco, uma caçarola suja, ainda com a crosta da refeição anterior, uma cama gelada na qual nem as ceroulas de lã vos impedirão de tiritar.  E para quê tanto esforço árduo se, ainda que venham a fazer fortuna, não terão com quem partilhá-la? Que fariam, amigos leitores, num cenário destes?

Sentavam-se à luz de um coto de vela e garatujavam um anúncio. “Mineiro solitário e honesto, com boas perspectivas, procura esposa para partilhar fortuna”. E depois era esperar pelas respostas e concertar os encontros que poderiam mudar a vossa vida para sempre.


E com a chegada das noivas por correspondência, as cidades enlameadas do Oeste começaram, pouco a pouco, a mudar. Para além dos bares e dos bordéis que já existiam (ninguém disse que não havia mulheres por lá, apenas faltavam “esposas”), construíram-se casas familiares, escolas, teatros, bibliotecas, lojas, igrejas. A civilização, tal como a conhecemos. Para a maioria, o El Dorado nunca apareceu mas a vida dos garimpeiros adoçou-se bastante.

Tal método de casamento parece irracional à luz dos nossos valores actuais? Desumano? Um acordo comercial despojado de romantismo? Meus amigos, se dizem isso é porque não assistiram a um divórcio feio. Aposto que nenhum dos casamentos feitos naquelas circunstâncias e que tenha acabado mal teve um final tão feio como os casamentos em que a paixão deu lugar ao ódio. Aqueles em que as pessoas sabem demasiado bem o que fazer e dizer para magoar o outro e não se inibem de fazê-lo até à saciedade.

Leio regularmente e com o maior dos interesses a secção dos classificados de jornal normalmente designada como “Outros” e na qual cabem coisas tão díspares como a venda de uma auto-grua de lança telescópica ou o anúncio do homem de ciência que procura um sócio capitalista para desenvolver uma tecnologia de leitura das auras que permitirá conhecer a resposta a todos os mistérios que atormentam a Humanidade desde que esta surgiu sobre a face da Terra. 

É nessas páginas que normalmente se publicam os anúncios que levam por título “Cavalheiro”, e nos quais os ditos cavalheiros, habitualmente maiores de 60 anos e quase invariavelmente “com situação económica estável” procuram senhoras de idade semelhante, sem vícios nem compromissos, para relação séria.  São os nossos garimpeiros de hoje, estes a quem talvez as paixões já tenham oferecido uns quantos fracassos amorosos, e que se  resignaram a confiar no acaso,  e a esperar a esposa que lhes toque na rifa e venha, com mão suave e decidida, bater-lhes à porta de solitários empedernidos.  


publicado por CRomualdo às 19:30
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