Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Dia de Lisboa - António Gedeão, Maluda, Joaquim Pessoa, José Fanha, Carlos Mendes e Alberto Ribeiro (e nós com eles) despedem-se de Lisboa.

E assim, 24 horas depois, chegamos ao final deste "Dia de Lisboa".  Agradecemos todas as ajudas que nos foram dadas neste trabalho. Saudamos em particular o blogue "Lisboa no Guiness" onde recolhemos a canção do Alberto Ribeiro e desejamos que a campanha de Vítor Marceneiro seja coroada de êxito. Todo o material que aqui apresentamos, está ao seu dispor. Por agora, chegamos ao fim.

Três despedidas e um bilhete postal - António Gedeão, o grande poeta que vivia dentro do corpo do cientista Rómulo de Carvalho, oferece-nos um poema - "Adeus a Lisboa", cujo manuscrito podemos ver
abaixo, á direita. Carlos Mendes, com música sua e poema de Joaquim Pessoa, sob o mesmo título, brinda-nos com uma bonita canção, Alberto Ribeiro, o eterno cantor de "Coimbra", sela a despedida com o seu adeus. Tudo escrito nas costas de um lindo postal de Maluda que, nascida em Goa, não podia ser mais lisboeta.

António Gedeão (1906-1997)

 - ao lado: manuscrito do poema


Adeus, Lisboa




Vou-me até à Outra Banda
no barquinho da carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
Planta-se o homem no leme.
Tudo ginga, range e treme.


Bufa o vapor na caldeira.
Um menino solta um grito;
assustou-se com o apito
do barquinho da carreira.
Todo ancho, tremelica
como um boneco de corda.
Nem sei se vai ou se fica.
Só se vê que tremelica
e oscila de borda a borda.




Chapas de sol, coruscantes
como lâminas de espadas,
fendem as águas rolantes
esparrinhando flamejantes
lantejoulas nacaradas.
Sob o dourado chuveiro,
o barquinho terno e mole,
vai-se afastando, ronceiro,
na peugada do Sol.




A cada volta das pás
moendo as águas vizinhas,
nos remoinhos que faz,
nos salpicos que me traz
e me enchem de camarinhas,
há fagulhas rutilantes,
esquírolas de marcassites,
polimentos de pirites,
clivagens de diamantes,


Numa hipnose colectiva,
como um friso de embruxados,
ao longe os olhos cravados
em transe de expectativa,
todos juntos, na amurada,
numa sonolência de ópio,
vemos, na tarde pasmada,
Lisboa televisada
num vasto cinemascópio.
O sol e a água conspiram
num conluio de beleza,
de elixires que se evadiram
de feiticeira represa.
Fulva, no céu incendido,
em compostura de pose,
a cidade é colorido
cenário de apoteose.
Há lencinhos agitados
nos olhos de todos nós,
engulhos de namorados,
embargamentos na voz.
Nesta quermesse do ar,
neste festival de tons,
quem se atreve a acreditar
que os homens não sejam bons?




Adeus, adeus, ribeirinha
cidade dos calafates,
rosicler de água-marinha,
pedra de muitos quilates.
Iça as velas, marinheiro,
com destino a Calecu.
Oh que ventinho rasteiro!
Que mar tão cheio e tão nu!
Ó da gávea! Põe-te alerta!
Tem tento nos areais.
Cá vou eu à descoberta
das índias Orientais.
Não tenho medo de nada,
receio de coisa nenhuma.

A vida é leve e arrendada
como esta réstea de espuma.
Toda a gente é séria e é boa!
Não existem homens maus!
Adeus, Tejo! Adeus Lisboa!
Adeus, Ribeira das Naus!
Adeus! Adeus! Adeus! Adeus!


Uma canção com o mesmo título, com poema de José Fanha e música de Carlos Mendes. Canta o Carlos Mendes.



Alberto Ribeiro, uma voz muito conhecida e admirada, o cantor de «Coimbra» , intérprete com Amália Rodrigues do filme «Capas Negras», despede-se também de Lisboa.



Adeus Lisboa! Adeus Amigos, até já. Encontramo-nos, sabem onde? - No Porto. O "Dia do Porto" será em Novembro, em data que anunciaremos oportunamente.
publicado por Carlos Loures às 23:55
link | favorito

Dia de Lisboa - Joaquim Pessoa e Carlos Mendes

[Error: Irreparable invalid markup ('<um [...] <strong>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<um <strong="" de="" poema=""><strong>Joaquim Pessoa</strong></strong><br /><strong><br /></strong><br /><strong>Primeira canção em Lisboa</strong><br /><br /><em><span style="color: blue;">Em Lisboa é que nascem as gaivotas.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">Que pena, meu amor, o mar não ser</span></em><br /><em><span style="color: blue;">um copo de água pura. De água para</span></em><br /><em><span style="color: blue;">a sede que em Lisboa eu vi nascer.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">Em Lisboa. Capital do vento sul.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">Coração do meu povo. A doer tanto</span></em><br /><em><span style="color: blue;">que a dor se tornou cor. E é azul</span></em><br /><em><span style="color: blue;">como a ganga dos homens do meu canto.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">Em Lisboa a gente morre sem idade.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">Devagar. Como se faz uma canção.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">E há um pássaro que voa. É a saudade.</span></em><br /><em><span style="color: blue;">E uma janela aberta. O coração</span></em><br /><br /><span style="color: blue;"><span style="color: black;">Outro poema de <strong>Joaquim Pessoa</strong> com</span> </span><span style="color: black;">música de<strong> Carlos Mendes</strong>, que canta:</span><br /><span style="color: black;"><br /></span><br /><strong>Lisboa meu amor</strong><br /><br /><iframe frameborder="0" height="360" src="http://www.dailymotion.com/embed/video/x2z2rj?additionalInfos=0" width="480"></iframe><div class="blogger-post-footer">www.estrolabio.net</div>
publicado por Carlos Loures às 11:00
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links