Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Os irmãos Marçal: três alentejanos de Olivença com Napoleão



Carlos Luna

É um assunto pouco referido, mas portugueses houve que integraram as forças de Napoleão. Nem sempre voluntariamente, diga-se. De qualquer forma, não é justo que sejam hoje tão esquecidos que muita gente desconhece o facto.

Vamos recordar três deles, três irmãos alentejanos que estiveram entre os soldados de Napoleão que morreram nos campos de batalha da Rússia.

Em 1807, a Primeira Invasão Francesa ocupara Portugal. Logo se organizara uma Legião Portuguesa, sob o comando do Marquês de Alorna, para servir Napoleão. Era este, aliás, um procedimento comum nos países ocupados por ordem do Imperador nascido na Córsega.


A Legião Portuguesa partiu para Espanha em 1808, concentrando-se em Salamanca em princípios de Maio, e seguindo depois para França, salvo um pequeno regimento que ficou em Saragoça, procurando, em vão, ao lado de tropas francesas, conquistar a cidade, rebelada contra os invasores napoleónicos.

As tropas portuguesas estavam no Sul de França em princípios de 1809. Nela havia soldados de todos os cantos de Portugal. Chamavam a atenção três irmãos, de apelido Marçal, capitães de Cavalaria de Olivença, nascidos na década de 1770: António, Vicente Luís, e Francisco. A sua história já tinha tido muito de rocambolesco, pois a sua terra natal fôra ocupada pela Espanha em 1801, por instigação francesa, e o seu regimento, denominado "Dragões de Olivença", tinha sido obrigado a abandonar a localidade ocupada, andando em bolandas durante seis ou sete anos... razão por que um ou outro autor pretenderam que a terra natal dos três irmãos seria outra que não a Terra das Oliveiras...

Agora, o mesmo Napoleão, que estivera por detrás da conquista de Olivença, considerava-os portugueses, oriundos dum regimento exilado há seis ou sete anos, como já foi salientado. Ironias da História.

Foi-lhes dado o posto de alferes. Em Março de 1809, organizou-se um corpo de elite sob o comando do General Carcome, incorporado no exército do General Oudinot, que invadiu o Império Austríaco. Tal corpo participou nos preliminares da Batalha de Wagram, bem como na batalha em si. Os três irmãos Marçal distinguiram-se pela sua bravura, e um deles, Francisco, foi condecorado com a Legião de Honra.

Em 1811, Napoleão organizou de novo o corpo português, que em 1812 integrou o exército que invadiu a Rússia. Os três irmãos integraram o 1º e o 2º Regimentos de Infantaria.

O exército napoleónico foi avançando sem grandes dificuldade até Moscovo. Todavia, num dos poucos combates travados então, em Smolensk, a 16 de Agosto de 1812, caía para sempre António Marçal.

Ocupar a Capital antiga da Rússia czarista ( que era então São

Petersburgo) não foi também muito difícil. Desgraçadamente, foi então que, a 7 de Setembro de 1812, numa escaramuça, tombou Vicente Luís Marçal, pelo que ficou apenas vivo um dos três irmãos, Francisco.

Os russos incendiaram parcialmente a sua antiga capital. Napoleão, desesperado, teve de retirar-se, em pleno Outono e Inverno rigorosos.

Ao alcançar, com o seu semi-gelado e fatigado exército, os arredores da cidade de Viazma, as tropas russas, que até então apenas o haviam perseguido, atacaram de surpresa. O Exército francês escapou-se, mas com pesadíssimas baixas. Na retaguarda, destacamentos isolados, sob o comando do Marechal Ney, tentavam minorar o desastre e castigar os atacantes, para depois se tentarem reintegrar no grosso da coluna. Um destes destacamentos bateu-se desesperadamente, comandado pelo alferes Francisco Marçal. Este lutou até terem caído todos os soldados que o acompanhavam. Moribundo, com o corpo crivado de balas, foi trazido ao Comando Militar gaulês, falecendo quase de seguida (6 de Novembro de 1812 ).

Refira-se que, dos 600 000 homens que participaram nessa invasão, só sobreviveram cerca de 10 000, que em 10 de Dezembro de 1812 alcançaram a fronteira da Polónia ( Rio Niémen ). As loucuras dos ditadores custam, geralmente, muito caro aos seus próprios povos... bem como aos povos vizinhos e estrangeiros em geral !

Embora a "saga" destes três irmãos seja referida por vários autores, não há, nem mesmo na sua terra natal, uma simples placa a recordá-los, como se um anátema os perseguisse. Justificar-se-á este esquecimento ?









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publicado por Carlos Loures às 09:00
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