Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

O Dia do Brasil - belo e rico, belo e pobre - por Luis Moreira

 

 

 Esse país abençoado por Deus e pela natureza ainda não se livrou dos pecados dos homens. Nos últimos 20 anos saíram da pobreza 40 Milhões de brasileiros, mas ainda há muito injustiça social e muita miséria.

 

Incompreensível num país que é dos mais ricos e cresce a dois dígitos!

publicado por Luis Moreira às 16:00
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Cinquentenário da morte de Blaise Cendrars - por Sìlvio Castro

 

 

 

O cinquentenário da morte do poeta e romancista suiço-francês, Blaise Cendrars, além do valor intríseco da sua obra literária, da importância de sua ação na história dos modernismos internacionais, do fascínio sempre provocado por ele no imaginário de diversos ambientes literários, nos permite igualmente de considerá-lo em relação ao Brasil e ao Modernismo brasileiro.

  

Frédéric Louis Sauser (em arte, Blaise Cendrars) nasceu em 1 de setembro de 1887 em La Chaux-de-Fonds (Neuchatel) e morreu em Paris aos 21 de janeiro de 1961. Pelas muitas viagens que realizou na sua vida mereceu o epíteto de “giramundo”, isso também porque essas viagens já tem início na sua infância, quando se encontra em Nápóles, aonde frequenta uma escola internacional. Em 1904 parte para a Rússia, mais justamente em São Pedroburgo, alí permanecendo até 1907. Durante esses três anos  vive como aprendista da famosa empresa fabricante de relógios, M. Leuba, e tem oportunidade de assistir na cidade de Pedro, o Grandem o histórico “domingo vermelho” e a revolução russa de 1905.

  

Retorna à sua cidade natal em 1907 e se dedica a uma intensa preparação literária e cultural. No mês de abril de 1911 retorna em Rússia e dali parte para Nova Iorque para reencontrar sua futura mulher, Féla Poznanska.

 

A partir de 1912 passa a chamar-se Blaise Cendrars, e neste mesmo ano escreve o seu primeiro grande poema, Páscoa em Nova Iorque. Neste mesmo 1912 retorna a Paris onde conhece Apollinaire, Robert e Sônia Delaunay, frequentando com assiduidade Modigliani, que o retrata em 11 oportunidades. Dentro do espírito geral das vanguardas novecentistas, Cendrars dá grande importância a uma intensa interrelação das artes, o que igualmente condiz com a sua natural predisposição de auto-afirmação constante, que o caracterizará sempre. Daí a sua frequentação de poetas e artistas como Soutine, Chagall, Léger, Cocteau, Max Jacob, Arthur Cravan. Mantém principalmente estreita relação com Apollinaire, com o qual sonha vários projetos, jamais realizados, entre os quais aquele de uma revista de literatura e arte que já tinha um nome, Zones. Porém esses são momentos de grande criatividade para o poeta Cendrars. Em 1913 sai publicado em Paris o seu poema mais famoso, Prosa da Transiberiana, ilustrado por Sônia Delaunay e dito o “primeiro livro simultâneo”, segundo a linguagem da vanguarda expressionista.

 

Partecipa desde o início, como voluntário, na Guerra de 14-18, a mesma que leva Apollinaire à morte. Cendrars tem melhor sorte: depois da perda da mão direita no front, em setembro de 1915, reentra convalescente a Paris, alargando sempre os seus contactos, agora com o conhecimento de Picabia, Sattie e Braque. Neste mesmo período se naturaliza francês e aprende a escrever com a mão esquerda.

 

Depois da frustrada experiência cinematográfica de 1921, em Roma, se recupera com a sua descoberta do Brasil, que ele intensificará de tal maneira a fazê-la transformar-se na sua “Utopia”.

 

Intenso e frequente se faz o relacionamento de Cendrars com o Brasil e com os Modernistas brasileiros, principalmente a partir de sua amizade com Oswald de Andrade. Será este que propiciará as viagens de Cendrars a São Paulo. Apoiando-se no messianismo de Eduardo Prado e sua família, Oswald de Andrade conduz Cendrars a integrar-se na revolução do Movimento Modernista de 1922. Isto permite um intercâmbio de grande interesse para as duas partes: para Oswald e Tarsila do Amaral (que também retratou o poeta), uma mais intensa e profunda participação com os nomes da vanguarda internacional próximo a Cendrars, e a este o conhecimento de um movimento e de um país novo que virá enriquecer a sua estrutura poética. Depois de todos esses encontros, será possível reconhecer na obra de Cendrars um possível “modernista brasileiro”.

 

O poeta suiço-francês faz do Brasil e da sua literatura um sistema formativo que lhe permitirá principalmente de desenvolver uma nova escritura narrativa. Os romances de Cendrars a partir de então apresentam grandes afinidades com as invenções narrativas modernistas de um Oswald de Andrade, de Memórias Sentimentais de Joâo Miramar, e de um Mário de Andrade, em Macunaíma. Mas igualmente a poesia cendrariana se aproximará fortemente daquela do primeiro Modernismo, principalmente do primeiro Carlos Drummond de Andrade. Já no Congresso Internacional “Brésil: L’Utopiland de Blaise Cendrars”, realizado em agosto de 1997, em São Paulo, pela Universidade de São Paulo (USP), tais interrelações foram assinaladas tanto por estudiosos brasileiros, como por acadêmicos franceses, entre o quais podemos citar: Adalberto de Oliveira Sousa (Universidade Estadual de Maringá), “A poesia brasileira de Blaise Cendrars”; Jean Bessièrre (Université Paris III – Sorbonne Nouvelle): “Cendrars et le Brésil: lectures rétrospectives e prospectives de la réference brésilienne dans l’ouvre de Blaise Cendrars”; Jacqueline Bernard (Université Standhal):; “Brésil, Blaise, braise: une déclinaison créatrice”; Michel Autrand (Université Paris IV – Sorbonne): “Deux français en utopie:Claudel et Cendrars au Brésil”; Mirella Vieira Lima (Universidade da Bahia): “Do vasto mundo inteiro: Cendrars et Drummond”; Colette Astier (Université Paris X – Nanterre): “Le Brésil dans le Lotissement du ciel”.

 

publicado por Carlos Loures às 17:00
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Sábado, 29 de Janeiro de 2011

ANTÓNIO BOTTO NO BRASIL – 12– por António Sales

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Últimos Anos de Infortúnio

(continuação)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O caso Martinez, a doença e o internato, têm o seu quê rocambolesco. Segundo o próprio Botto explica pelo seu punho (BNL,espólio A.B.-cota E12/175) num apontamento a lápis tomado numa toalha de mesa em papel, da Casa Atlântica da Avenida Copacabana. Foi internado na enfermaria (sublinhado meu) 268 da Real Benemérita Sociedade de Beneficência Portuguesa que viria mais tarde a público explicar tratar-se não de enfermaria mas do quarto particular nº 268. O certo é que Botto tece fortes queixas à assistência na instituição pelo que no dia 6 de Novembro passam-no para o quarto particular nº 254. Mas o poeta afirma que em todo este tempo em vez de melhorar piora e troca os cuidados do Dr. Paulo Brás pelos do cirurgião Renato Machado. Afinal, que doença, ou doenças, atacam António Botto a um ponto de tal gravidade?

 

A garganta e os ouvidos sabemos serem órgãos frágeis neste homem que sempre os tratou mal. Os exames radiológicos mostraram opacidade nos seios da face e do crânio e a última análise deu maus resultados mas desconhece-se a origem. Nada é possível garantir e a polémica da assistência prestada pela Beneficência Portuguesa arrastou-se pelos jornais ao ponto daquele hospital prestar esclarecimentos públicos, informando que não sendo António Botto sócio da instituição ali foi internado gratuitamente. Acusações aparte, Botto acabou pedindo ao ministro Lafayette de Andrade, simultaneamente provedor da Santa Casa da Misericórdia, transferência para esta instituição, que lhe foi concedida e concretizada no dia 29 de Dezembro daquele malfadado ano de 1955. Cabe ao médico Luciano Rossi assisti-lo e logo no dia 10 de Janeiro de 1956 uma análise ao sangue não vaticina nada de bom, mas desconhece-se a doença.

 

Na Misericórdia o poeta é instalado no quarto nº 18, da 14ª enfermaria, aquele onde viria a ocorrer a célebre entrevista de José Alberto Teixeira Leite, com fotos de Alberto Ferreira, publicada em 19 de Maio de 1956, no nº 20 da Revista da Semana, do Rio de Janeiro, entrevista onde afirma que aos sete anos partira para Inglaterra e com dezoito incompletos principiava «a publicar no Suplemento Literário do jornal The Times Square os [seus] primeiros ensaios sobre escritores daquele tempo». Confesso, António, que fiquei perplexo com esta colaboração desconhecida, certamente por ignorância minha e de muitos outros que escreveram sobre a tua obra e a tua pessoa. Penitencio-me, até porque não fui confirmar tal colaboração ao Times Square, assim como a história de teres sido matriculado numa «escola de comprovada categoria», a fim de tirares um curso de arquitectura, são efabulações para brasileiro ler.

 

Eras assim, um contumaz esbanjador de grandezas pois nem sequer reconheceste, perante o jornalista, as tuas dificuldades económicas: «Não estou na indigência, de modo algum. Tenho ainda as minhas propriedades em Portugal e meus livros publicados em várias editoras (…) rendem-me direitos autorais». Uma parte era verdade, outra ficção. Não estarias na indigência, é facto, mas o teu senhorio, Manuel Vitorino, preparava-se para te fazer as malas com uma acção de despejo. Quanto aos estudos, frequentaste em Lisboa a escola primária e pouco mais visto o resto ter sido resultado do autodidatismo o que não é nenhuma desonra.

 

A leitura da entrevista traduz um tom ameno e até uma certa boa disposição, o que não invalida a exigência de cuidados com a saúde do poeta, sendo operado, em Outubro de 1956, no Hospital da Gambôa (Cais do Maná), por qualquer razão que se desconhece. D. Carminda, mulher fidelíssima e de indiscutível solidariedade para com o seu marido, por essa ocasião rondando os setenta anos, é assaltada dentro do hospital pelo método do esticão, ficando sem a mala, dinheiro e documentos. António Botto, após a operação regressa à Santa Casa da Misericórdia sendo surpreendido por um carta do ministro Lafayette de Andrade, que o transfere para o Hospital de Nossa Senhora do Socorro no dia 23 de Novembro de 1956, no desejo de proporcionar maior conforto ao doente.

 

No fim desta infeliz trajectória hospitalar o autor de Baionetas da Morte regressa a casa, na Almirante Alexandrino, onde o espera o senhorio com um rol de rendas em atraso, aliás, contestadas pelo inquilino, num processo que ser-lhe-á desfavorável obrigando-o a abandonar a casa em Abril de 1958. Tinham corrido no Brasil onze anos de malfadada sina, agora faltavam-lhe apenas onze meses para a chegada da malfadada morte.

 

(continua)

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Escolhemos hoje mais um poema de António Botto, desta vez cantado por Teresa Silva Carvalho, "Choram meus olhos" .

 

 

 

publicado por João Machado às 23:55
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011

António Botto no Brasil, obra inédita de António Sales

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na próxima segunda-feira, dia 17 de Janeiro, às 23.55, vamos iniciar a publicação da obra António Botto no Brasil, do nosso amigo e colaborador António Sales.

 


Autor da obra António Botto, real e imaginário (1997 ), a mais completa biografia do grande e controverso poeta, António Sales vai oferecer-nos "António Botto no Brasil", obra inédita que publicaremos numa série de 17 partes com início em data e horário a anunciar nos próximos dias.

 

Como diz António Sales no Preâmbulo:

 

«Com este trabalho desejo transmitir aos leitores a última fase da vida de um homem, grande poeta, que viveu o derradeiro acto do seu drama longe da pátria e mesmo depois de morto ainda foi para essa pátria um embaraço».

 

 

 

 

António Sales nasceu em 1936 em Torre Vedras. Foi colaborador da «Visor», da «Imagem» e da «Vértice», escrevendo sobre cinema. Em 1956, foi um dos fundadores do Cineclube de Torres Vedras. Entre 1961 e 1964, coordenou um “Suplemento Cultural” no jornal “Badaladas”. Interessou-se também por teatro e levou à cena “O Doido e a Morte” de Raul Brandão. Durante 15 anos, publicou crónicas semanais no diário «A Capital». A suas principais obras são: Diário de Espectador de Cinema (1961), A Primeira Manhã, contos (1964), Uma longa e Estranha Pausa, seu primeiro romance (1970) , Barcelona, Cidade na Catalunha, (1972), crónicas suscitadas pelas suas deslocações à capital catalã durante as quais privou com o grande escritor Manuel de Pedrolo (1918-1990), Requiem pelos fiéis defuntos, (1976), contos inspirados nos que viveram os tempos do fascismo, Corpo Enigmático (1993), Uma Mulher no Papel (1996), seu segundo romance, António Botto, real e imaginário (1997 ), biografia do grande poeta, Os Guardadores do Tempo, (2007), um grande painel sobre a vida em Torres Vedras no princípio do século XX, e Roteiro Turístico de Torres Vedras, (2008).

 

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publicado por João Machado às 12:30
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Terminamos ho je a publicação da Cartilha do Ziraldo - páginas 20 e 21



publicado por CRomualdo às 16:00
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