Sábado, 4 de Setembro de 2010

Se foi Deus quem criou o Universo, então quem criou Deus?

Adão Cruz

Um amigo pôs a seguinte questão:


Se foi Deus quem criou o Universo, então quem criou Deus?

Se foi o Big-Bang que criou o universo, então quem criou o Big-Bang?

Outro amigo, disse:

Se perguntar a um cientista “porque é que” a Terra se move em torno do Sol ele, para ser honesto, terá de responder que não sabe, embora saiba muito bem “como.” O relato bíblico da criação tem sempre subjacente um propósito que é a centralização do universo no Homem, mas o “como” deixa a desejar e quantos problemas não tem causado e ainda causa.


A Igreja Católica tem dado passos significativos e que me parecem honestos em aceitar e conviver com o discurso científico (o exemplo mais notável talvez seja a aceitação do evolucionismo de Darwin), mas numa organização pesada a evolução é lenta. A Ciência também demorou algum tempo a libertar-se do optimismo racional e acolhe com respeito os contributos provenientes de outras áreas.

As Ciências Exactas têm assistido nos últimos tempos a um relativo sucesso (em grande parte devido ao sucesso da Tecnologia – que não é mesma coisa que Ciência!) precisamente por o seu âmbito de estudo ter sido limitado. Esse sucesso é capitalizado pelos publicitários para venderem detergentes de eficácia cientificamente comprovada e dentífricos clinicamente testados, através de anúncios protagonizados por respeitáveis senhores vestindo a credibilizadora bata branca. Inferir estes sucessos para áreas que estão fora da esfera de acção das Ciências Exactas é uma falácia.

Ao primeiro amigo respondi:

Penso que as duas dúvidas estão bem colocadas. No entanto, em minha opinião, a primeira parte de um princípio que nada nem ninguém comprovou, em termos científicos (se foi deus…), ficando portanto fora da razão, e que parece nunca ser possível comprovar. Na segunda, tenha sido ou não o Big-Bang (tudo leva a crer que sim), há forte fundamentação científica de que algo semelhante tenha sido. Saber quem criou o Big-Bang, está na decorrência da investigação científica. À ciência não compete antecipar-se irracionalmente nem dar voluntariamente passos em falso, com soluções no ar. Cumpre-lhe, tão somente, a prova dos passos que vai dando.

A A este segundo amigo respondi:

Caro amigo, nunca fui adepto do termo de ciências exactas. E também não faço qualquer distinção entre ciência e tecnologia, dado que esta é uma peça fundamental da ciência, e não só. Para mim, humilde cientófilo, por natureza, estou-me nas tintas para tudo o que está para além ou por fora da investigação científica e da razão. Apesar de ser um apaixonado pela mente, pelo mundo neurobiológico e por toda a esfera das emoções e dos sentimentos, da poesia e da beleza, por tudo o que há de mais belo no chamado “espírito” do ser humano, a minha paixão está dentro de uma concepção materialista, claro, o que nada invalida o mais nobre valor da essência humana. Não aceito de forma alguma que os passos da Igreja católica sejam honestos. Respeito mas com todo o respeito todas as crenças, venham elas de onde vierem, mas não tenho qualquer respeito pelo obscurantismo e por toda e qualquer manobra que pretenda atirar areia aos olhos das pessoas menos acauteladas, com a intenção de as cegar e daí retirar todos os lucros possíveis.

Vamos imaginar que um qualquer de nós, encontrando-se num qualquer ponto do macrocosmos, no seio do Universo, a milhões de anos-luz de distância, resolve vir por aí abaixo (ou por aí acima!) dar um passeio. Vai-se aproximando, aproximando, passa por triliões de estrelas e por outros tantos triliões de outros corpos celestes, e ao fim de biliões de quilómetros encontra uma pequenina bola de berlinde a que chamam Terra. Pára um pouco para pensar e chega à conclusão de que a Terra, afinal, é um pequeníssimo e quase desprezível grão de areia no meio do Universo, sem qualquer valor ou significado. Continua a viagem, aproxima-se, aproxima-se um pouco mais, e repara que sobre essa bolinha chamada Terra se mexe uma multidão de pequenos bichinhos chamados homens, e para mais a assistir a uma porrada de missas. Pára novamente para pensar e definitivamente se convence de que o Homem, afinal, não é, rigorosamente, o centro de nada. Vai-se aproximando, aproximando ainda mais até penetrar dentro do próprio Homem. Conclui, então, pelo que lhe parece, que o Homem vive entre duas poderosas forças. Uma força antropocêntrica, que o atrai e o arrasta para a sua natureza, para a sua condição humana e para a sua esfera relacional, da qual não pode, de forma alguma, libertar-se, e uma outra força de sentido oposto e centrífugo dentro da permanente expansão do Universo, que tende a projectá-lo em cada momento na dimensão universal a que pertence. Nesta zona de divergência, nesta interface, na fronteira entre estas duas poderosas forças, reside, a meu ver, a verdadeira vida, a vida que procura fugir e transitar da sua natureza palpavelmente biológica, para um estádio que, sem deixar de ser material e biológico, cada vez mais se integra na natureza cósmica da sua origem-destino. Nesta zona de divergência, nesta poderosa interface reside, em minha opinião, a mente, a verdadeira ponte entre as duas naturezas, que o são apenas na aparência. E quem diz a mente diz o desenvolvimento mental, quem diz o desenvolvimento mental diz o desenvolvimento cultural, e quem diz o desenvolvimento cultural diz o desenvolvimento da expressão artística, talvez o maior vector humano nesta força de projecção universal. Toda a natureza humana muda e altera em cada momento as relações do seu microcosmos, podendo fazê-lo de forma negativa ou positiva, isto é, cortando ou abrindo as asas da mente. Só as alterações e mudanças que levam ao saldo positivo da mente permitem o salto positivo da mente, a travessia desta ponte, para além da qual se dá a verdadeira evolução do Homem, a que conduz ao equilíbrio da sua concomitante expansão como ser do Mundo e do Universo e à preservação da harmonia cósmica da nossa existência. Que tem deus do Universo, a ver com esta infinitesimal partícula, a ponto de se considerar este micróbio o seu filho dilecto, Ele o seu pai e rei, e o filho a razão de ser desse mesmo Universo? Rei da Terra e do Universo, pai de todos nós, filhos do Rei e Pai. Rei, com ministros e representantes na Terra, do calibre de Paul Marcinkus, monsenhor De Bonis, Castillo Lara e tantos outros, que apesar de “ministros de deus” são procurados e investigados pela justiça do homem, por crimes económico-financeiros de lesa-pátria e lesa-humanidade.

Qualquer cientista se ri e não encontra maior expressão de ridículo em lado algum.

Se um cientista sabe como a Terra se move à volta do sol, mas não sabe porquê, só mostra honestidade. Lá chegará. Será por não saber que deve ir
ao Vaticano pedir que lhe expliquem?
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publicado por Carlos Loures às 23:55
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Há espaço para Deus nas teorias sobre a criação do Universo?

Através de um nosso colaborador, sócio da Associação Ateísta Portuguesa, recebemos esta carta, que transcrevemos na íntegra

Prezados consócios:

A Associação Ateísta Portuguesa não pode deixar de congratular-se com a afirmação do eminente cientista inglês, Stephen Hawking, de que não há espaço para Deus nas teorias sobre a criação do Universo.
O cientista usado pelas Igrejas para mostrar que, à falta de argumentos, as crenças têm quem as defenda, exibiam a sua enorme inteligência com a beata insinuação de que os ateus não estavam à sua altura, como se isso provasse a existência do deus criado pelos homens e à custa do qual vivem as religiões.

A afirmação de que o Big Bang foi apenas uma consequência das leis da Física sem qualquer papel de Deus, deixa os vendedores de ilusões mais sós. A teoria do professor Stephen Hawking surge no seu novo livro, intitulado The Grand Design, e contraria as posições assumidas anteriormente pelo cientista, que chegou a defender que a crença num Criador não era incompatível com a Ciência, num livro publicado em 1988.
A AAP reitera a sua satisfação pela conclusão de Stephen Hawking a respeito do Big Bang e subscreve as palavras de outro grande cientista e referência dos ateus, Richard Dawkins, a esse respeito: «Obrigado Hawking. Disseste alto e bom som o que todos nós já repetimos sem fim: deus não faz parte da explicação do mundo em que vivemos».

Saudações ateístas.

Carlos Esperança
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publicado por Carlos Loures às 16:30
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