Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Lotte Lenya canta Alabama Song de Kurt Weill e Bertolt Brecht

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 21:00
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Prazeres - texto de Eva cruz. Ilustração de Adão Cruz.

 


 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

Gosto particularmente do mês de Janeiro. Talvez por ser em Janeiro que iniciei a minha vida. Os dias começam a crescer, o sol despede-se de nós mais tarde, os pequenos bolbos e raízes deitam cá para fora os primeiros rebentos e as primeiras folhas. Aqui e além atrevem-se algumas flores a sorrir.

 

Na lareira crepitava a fogueira, um lume de vides ateado por algum tição de Natal que por lá restou. Saboreava umas maçãzinhas assadas, pequeninas, rafeiras, das últimas da macieira. Sem ponta de açúcar, pareciam feitas de mel. Fiz um cacau quente com limão e canela que soube à minha mãe. Acabei de ler o livro "Caim" de Saramago e confirmei a genialidade do seu autor, a profundidade da sua simplicidade e ironia.

 

Uma tarde de Domingo perfeita.

 

Recordei Brecht , ao gosto dos amigos do blog e lembrado há dias pela minha boa amiga Augusta Clara.

 

 

Vergnügungen

 

Der erste Blick aus dem Fenster am Morgen

Das wiedergefundene alte Buch

Begeisterte Gesichter

Schnee, der Wechsel der Jahreszeiten

Die Zeitung

Der Hund

Die Dialektik

Duschen,Schwimmen

Alte Musik

Bequeme Schuhe

Begreifen

Neue Musik

Schreiben, Pflanzen

Reisen

Singen

Freundlich sein.

 

B. Brecht

 

Prazeres

 

O primeiro olhar pela janela fora de manhã

O velho livro reencontrado

Caras alegres

Neve, o mudar das estações

O jornal

O cão

A dialéctica

Tomar banho, nadar

A velha música

Sapatos cómodos

Compreender

A nova música

Escrever, plantar

Viajar

Cantar

Ser amigo.

 

 

Que Brecht me perdoe a tradução, se lhe falseei a simplicidade.

publicado por João Machado às 08:15
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Bertolt Brecht - o analfabeto político

Luis Moreira

 

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Bertolt Brecht (1898-1956)

 

É disto que cá temos, uma coisa que jamais compreenderei é como a maioria dos nossos políticos chegaram onde chegaram, sem curriculum académico e ou profissional, a única explicação é que naquele momento era o que melhor correspondia às necessidades de quem realmente manda. Não é só cá, olha-se em volta e percebe-se que a actual geração de políticos é do pior, nenhum político sai da mediania, completamente tolhidos por uma sistema que não compreendem e não controlam, tudo acaba nas mãos de quem mobiliza grande volume de votos, grandes interesses económicos ou poderes corporativos há muito cimentados na administração pública.

 

Estou em crer que a actual situação, cavado o enorme fosso entre uma minoria opulenta e uma maioria com dificuldades acrescidas não serve a ninguém, nem sequer aos detentores da riqueza, conscientes como estão que se sentam num barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. A maior lição que podemos tirar destes últimos 30 anos é que não podemos entregar as nossas vidas, nem ao mercado da mão invisível que tudo toca e torna perfeito nem ao Estado que tudo pode, porque embora podendo, torna-se cego,surdo e mudo, conforme as forças em presença. A sociedade civil tem que ter uma posição cada vez mais forte, interveniente e participativa, desde um sistema de sufrágio que aproxime eleitos dos eleitores, até à descentralização efectiva do poder, entregando ao poder autárquico e local vastas áreas de responsabilidade, com os necessários e imprescindíveis meios técnicos, financeiros e humanos.

 

O estatismo, o centralismo e a impunidade a que se chegou nos estados modernos faz destes uma parte do problema! Bem sabemos que não podemos estar nas mãos da ganância dos mercados mas que dizer do flagrante falhanço dos Estados, das instituições de supervisão? Como é que três (3) empresas de notação financeira, todas elas de raiz Norte-Americana, que contribuíram com a sua cumplicidade para este desastre global, continuam a manipular os ratings dos países como se nada tivesse acontecido? Como se não tivessem responsabilidades e não estivessem envolvidas na fraude? Não deveriam ser chamadas a dar explicações e a sua credibilidade reduzida a zero?

 

E a UE, ela própria, não tem a sua instituição de rating que classifique bancos e países, no estrito cumprimento de um serviço público e não na manipulação dos mercados e no processo de ataque às dívidas soberanas. Não tem porquê?

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011

Bertolt Brecht




João Machado


1898 - 1956


Bertolt Brecht foi um dramaturgo, encenador e poeta alemão. Pelas descrições que lemos da sua vida percebemos que esteve sempre ligado ao teatro, e que este foi sempre o seu grande interesse. Teve de fugir da Alemanha com o advento do nazismo, viveu e trabalhou nos EUA e na Europa, e voltou a Berlim em 1948, onde fundou o Berliner Ensemble. A sua relação com o regime vigente na RDA foi contraditória; viu o partido comunista ordenar a retirada de cena da peça A Condenação de Lúculo, mas posteriormente atribuíram-lhe o prémio Estaline; os seus detractores acusam-no de lealdade ao regime, mas nunca terá aderido ao partido comunista. O que é inegável é que foi um autor de primeira importância. John Willett (1917-2002), um dos estudiosos da sua vida e obra, que traduziu várias das suas peças para inglês, no artigo que escreveu para a Enciclopédia Collier's, sublinha que Brecht foi acima de tudo um poeta com um grande domínio sobre as formas e os estilos, o que lhe permitia transmitir ao seu trabalho, sobretudo na sua fase mais madura, como que uma simplicidade forçada, com uma força verbal e uma energia que marcavam decisivamente as suas peças. A sua característica principal era o modo aperfeiçoado como conseguia combinar os elementos componentes do seu teatro (as palavras, a música, o enredo, a montagem, a encenação, a teoria) num todo, com tudo relacionado com a sua visão do mundo, marxista, plebeia e antimilitarista (os termos são de Willett). 

Brecht é considerado como a figura maior do teatro do épico, que difere de outras correntes por procurar incutir ao espectador a ideia de que o que está a ver é apenas uma peça de teatro, afastando-se através de um efeito de distanciamento a possibilidade de alienação pelo espectáculo. Brecht também produziu trabalhos teóricos sobre o teatro, dos quais o principal terá sido o Kleines Organon, escrito em Zurique em 1948. Transcrevo a seguir o último dos 77 pontos da obra, que Willett traduziu para inglês, e agora eu traduzo para português:
"Isto quer dizer, as nossas representações devem ficar em segundo lugar em relação ao que está a ser representado, a vida do homem em sociedade; e o prazer que sentimos na perfeição do nosso trabalho deve transformar-se no prazer mais elevado que se sente quando as regras que sobressaem desta vida em sociedade são tratadas como imperfeitas e provisórias. Deste modo o teatro permite aos seus espectadores ficarem construtivamente dispostos quando o espectáculo acaba. Tenhamos a esperança de que o teatro lhes permita gozar como um entretenimento o terrível e infindável trabalho que lhes deveria assegurar a sobrevivência, em conjunto com o terror da sua incessante transformação. Deixemo-los organizar as suas vidas da maneira mais simples; porque a maneira mais simples de viver é na arte".
E vou terminar por agora, oferecendo-vos versos de Brecht, que nos mandou a Augusta Clara:
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de
arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer
natural nada deve parecer impossível de mudar.


Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.

                                              

publicado por João Machado às 08:00
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