Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Belcanto - 11. Carlo Bergonzi - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

Dizem  as lendas familiares que Carlo Bergonzi (nascido em 1924, em Vidalenza,  perto de Parma) foi levado pela primeira vez à ópera quando tinha seis anos, por iniciativa dos seus pais melómanos. A impressão produzida no pequeno foi tal que na manhã seguinte os pais foram dar com ele na cozinha, a reproduzir, como sabia, a ária “Di quella pira” que ouvira na noite anterior. 

 

Os seus estudos musicais começaram cedo e foi admitido no Conservatório de Parma  aos 14 anos, tendo-lhe sido reconhecida uma voz de barítono.  No ano seguinte irrompia a Segunda Guerra Mundial, e Bergonzi passaria alguns anos como prisioneiro num campo alemão.  Após a libertação retomou de imediato os seus estudos musicais e em 1947 faria a sua estreia como barítono. Ainda cantou alguns anos,  mas sentia-se insatisfeito e, em 1951, acabaria por apresentar-se pela primeira vez como tenor, em Andrea Chenier. É  então que a sua carreira verdadeiramente se lança.


 




 

Durante a década de 1950, Bergonzi estreia-se nas mais importantes salas operáticas do mundo e começa a ser reconhecido como intérprete verdiano de excelência.  Tem como rivais Del Monaco, Corelli e Di Stefano, mas ao longo das décadas de 1960 e 1970, os rivais entram em declínio e Bergonzi consegue preservar  o seu belo timbre e dicção perfeita.


 

Bergonzi é, de resto, um exemplo de longevidade no canto e a sua última aparição em palco, no concerto de homenagem ao maestro James Levine,  no Metropolitan de Nova Iorque, revelou um tenor surpreendentemente em forma aos 72 anos.


 

Nos últimos anos, Bergonzi retirou-se para o seu “I due Foscari”, o hotel de que é proprietário em Busseto, perto de Parma, mas continua a dar aulas, tendo formado vários jovens tenores.


 

Conhecido sobretudo pelas suas interpretações de Verdi, Bergonzi foi uma das mais destacadas vozes do “Verismo”,  um estilo de ópera italiana que floresceu no final do século XIX, e na qual se inscreve I Pagliacci, a famosa ópera de Ruggero Leoncavallo, compositor italiano (Nápoles, 1957 – Montecatini Terme, 1919), que ficou sobretudo conhecido como autor de “I Pagliacci”, mas que foi também um destacado libretista.


 

A ária mais famosa desta ópera é, sem dúvida, “Vesti la giubba”. Nela Canio, o palhaço, prepara a sua entrada em palco após descobrir a infidelidade da sua mulher, sabendo que ao público pouco importa o sofrimento que o artista possa sentir. A ária entrou na cultura popular como um símbolo da condição do artista, um hino que ilustra a velha máximo que nos recorda que “o espectáculo tem de continuar”. 

 

 

 

 


publicado por CRomualdo às 22:00

editado por Luis Moreira às 14:14
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links