Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Dia das Beiras - Beirões ilustres

Luis Moreira

 

 

Amato Lusitano

 

Amato Lusitano, de seu nome João Rodrigues de Castelo Branco, nasceu em Castelo Branco em 1511 e faleceu em Salónica em 1568.

Começou, desde muito novo, a mostrar aptidões excepcionais para MEDICINA o que lhe permitiu fazer medicina nos hospitais de Salamanca onde estudou. Querendo voltar para Portugal, mas temendo a Inquisição, vagueou por vários países europeus, convivendo com homens de ciência e espalhando rapidamente por toda a Europa a fama da sua erudição e dos seus processos clínicos. Recebeu convites de vários governos para exercer a medicina nos seus países, optando pela Itália onde se fixou.

Foi professor de Anatomia em Ferrara e o seu nome ficou especialmente ligado à descoberta da circulação do sangue, tendo sido ele que descobriu as válvulas venosas. Devem-se-lhe notáveis observações cirúrgicas e médicas, foi naturalista e extraordinário terapeuta, muito versado em Botânica Médica.

Vítima de perseguições em Itália por seguir a religião hebraica, veio a falecer em Salónica, onde se refugiara. Amato Lusitano é considerado pelos modernos tratados da história da Medicina como o tipo de médico erudito no séc. XVI, dominando tanto a cultura clássica como a latina. Escreveu inúmeras obras, muitas das quais se perderam, onde expôs as suas doutrinas sobre Medicina nos campos da Anatomia, Patologia, Epidemiologia, Terapêutica, etc.

Grão Vasco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Vasco Fernandes (Viseu, ~1475 — ~1542), mais conhecido por Grão Vasco, é considerado o principal nome da pintura portuguesa quinhentista. Nasceu provavelmente em Viseu e exerceu sua atividade artística no Norte de Portugal na primeira metade do século XVI.

Grão Vasco
Detalhe do São Pedro pintado por Vasco Fernandes para a Sé de Viseu, hoje noMuseu Grão Vasco em Viseu.

 

 

A primeira referência a Vasco Fernandes data de 1501, quando se iniciou a feitura do grande retábulo da capela-mor da Sé de Viseu. Nessa empreitada, que durou de 1501 a 1506, Vasco Fernandes trabalhou junto ao pintor flamengo Francisco Henriques, trata-se de uma obra oficinal colectiva, sendo dificil determinar com rigor o papel que Vasco Fernandes desempenhava. Mais tarde, entre 1506 e 1511, trabalhou em Lamego pintando o retábulo da capela-mor da , nesta obra toma a responsabilidade individual sendo auxiliado por entalhadores flamengos. Esteve depois em Coimbra (cerca de 1530), onde pintou quatro retábulos para o Mosteiro de Santa Cruz, dos quais sobrou apenas um magnífico Pentecostes na sacristia do mosteiro. Mais tarde se instalou novamente em Viseu e realizou vários retábulos, considerados suas obras mais importantes, para a Sé e o Paço Episcopal do Fontelo, junto com seu colaborador Gaspar Vaz. Vasco Fernandes foi um pintor de transição do Manuelino, pintura flamenga e renascentista à custa do humanista D. Miguel da Silva, que com o seu conhecimento e biblioteca lhe cria influências renascentistas. Além dos traços italianizantes é também a utilização de uma iconografia humanista que mostra o impacto que os ideias de D. Miguel da Silva tiveram sobre a oficina de Viseu.

A maior parte das pinturas de Vasco Fernandes estão no Museu Grão Vasco, em Viseu, com obras da sua primeira e última fases artísticas. No Museu de Lamego estão cinco das vinte tábuas do retábulo da Sé de Lamego, desmontado no século XVIII. Na igreja matriz de Freixo de Espada à Cinta, construída na época manuelina, assim como no Mosteiro de Salzedas, encontram-se outros importantes grupos de pinturas de Vasco Fernandes. Finalmente, na sacristia do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra pode-se apreciar o Pentecostes.

Vasco Fernandes esteve casado duas vezes, a primeira com Ana Correia, e a segunda com Joana Rodrigues, e teve vários filhos. Apesar de essas duas mulheres, tinha uma diferente, todas as noites.

 

Pero da Covilhã

 

 

 

 


João Pêro nasceu, talvez em 1450, na Covilhã, burgo empoleirado nos contrafortes da Serra da Estrela, virado a Oriente. Portanto, virado a Espanha. Em Dezembro de 1468 vento, muito frio e neve. Um espanhol arribado há pouco à Beira Baixa pergunta a João Pêro qual o seu nome de família. Ele tem 18 anos e responde, galaroz pimpão:

- Covilhã es el nombre de mi familia, que es la fundadora deste burgo.

A rapaziada que os cerca desmancha-se a rir com a atoarda. Só por causa da galhofa é que o espanhol se dá conta da mentirola. João Pêro move-se na vida como num palco, papéis para desempenhar é o que mais lhe apetece. Muito humilde será certamente a sua família, por isso o mancebo levanta a arrogância como um escudo.

O espanhol deslocara-se à Covilhã para comprar panos grossos e lanifícios por ordem do seu amo, D. Juan de Gusman, irmão do Duque de Medina-Sidónio, um dos mais conceituados fidalgos de Sevilha. Cativa-o a desfaçatez do rapaz.

- Entonces tu nombre es...
-
Mi nombre es Pêro da Covilhã.

 

O andaluz larga-se a rir, dá uma palmada nas costas do moço. D. Juan de Gusman precisa de servidores desembaraçados. Donde o convite para o jovem ir servir em Sevilha. João Pêro aceita a proposta, também cavalo emprestado, vai de viagem a tentar a sorte porque sombrio é o seu futuro na Covilhã, dias e dias sempre a fiar e a tecer, moedas poucas por panos prontos.

 

Em Sevilha o papel que lhe atribuem é o de espadachim e ele assume-o. Na sala de armas de D. Juan de Gusman aprende a agilidade de aparar e devolver golpes de espada, estocadas fatais. Ainda bem que aprende porque, nos próximos seis anos, a sua vida, em ruas tortuosas, passará a ser de emboscadas, brigas sangrentas e rixas nocturnas contra o bando de Ponce de Leon, fidalgo rival dos Gusman.

Bem impressionado com a desenvoltura de Pêro da Covilhã, D. Juan de Gusman propõe que ele se engaje nas embarcações de D. Henrique, seu irmão e Duque de Medina-Sidónio. A este os portugueses chamam o Pirata Espanhol pois, com a tolerância papal, dedica-se a saquear as praças recém-descobertas ou conquistadas pelos lusitanos. Pêro da Covilhã recusa o convite; apesar de bem treinado não lhe apetecem as pelejas fratricidas, só as outras.

publicado por Luis Moreira às 22:00
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