Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
Beijinhos, beijos e bêjotaesses - Augusta Clara

 

 

Estou farta de beijinhos. Recebo dúzias por dia e já não sinto nada. É que não são só os beijinhos, são também os beijos e os bêjotaesses, esses velozes e incansáveis estafetas,  cavaleiros andantes, caixeiros viajantes…o sequeira, como diz o Carlos Loures com o seu fino humor, que, para que as mensagens não percam tempo nem oportunidade, percorrem as nossas caixas de correio em loucas correrias de megabytes, para cá e para lá, de manhã à noite. Por isso são magrinhos e não anafados como os beijinhos e os beijos.

 

Esta minha insensibilidade perante a beijoquice que passamos o dia a trocar com uns e outros – sim, porque eu também caí na armadilha -, só é comparável ao que me aconteceu quando tive que fazer uma intervenção cirúrgica a uma perna e, devido à posição do gesso, tinha que ser injectada na coxa. Também já não sentia nada, embora quem assistia fizesse caretas como se aquilo fosse alguma tortura. Assim se passa com os beijinhos, beijos e bêjotaesses. Gerou-se uma insensibilidade total.

 

Onde andam aqueles reconfortantes abraços que nos deixavam mais quentinhos e com uma sensação de terna amizade? Pois é, passaram de moda.

 

O problema põe-se é quando queremos mandar um beijo a sério,  especial, daqueles que não se esquecem. Mas como é que se explica isto a alguém no mundo virtual quando a inflação das osculações ultrapassa em muito a da moeda? É que um a sério, como todos nós sabemos, não é brincadeira nenhuma e, para além das questões anatómicas, tem integrada muita sabedoria de vários quadrantes. Ainda por cima quando as camadas cronológicas se foram acumulando.

 

Já imaginaram o que é explicar por escrito, e não pelas vias de que a Mãe Natureza nos dotou para tão nobre e, já agora que ando nesta, tão deliciosa tarefa? Nada mais, nada menos do que um mundo de incomensuráveis complicações e de grande complexidade.

 

Como é que eu me vou despedir dando a entender a alguém que lhe estou a mandar um beijo-beijo e não um simulacro? Podia fazer alusão à técnica, mas não chega porque isto das camadas cronológicas implicam muito do antes e não só do durante, e todas as subtilezas, e a neurobiologia…que falta me faz o Damásio que ainda não li até ao fim! E, depois, técnica é técnica, virtuosismo é outra coisa.

 

Fica mais fácil sair de casa e ir levar o beijo ao destinatário, sob pena da despedida por escrito ser maior do que a mensagem propriamente dita e da polícia dos costumes me vir bater à porta.

 

Mas continuem a mandar-me beijinhos, beijos e bêjotaesses porque agora já estou viciada.

 

 

 

 



publicado por Augusta Clara às 18:00
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Sexta-feira, 18 de Março de 2011
O beijo primaveril por Luis Moreira

O Beijo do Raul Iturra é um belo texto, faz-nos pensar nesse gesto que se tornou tão trivial e a que pouca importância damos nos dias de hoje. Curiosamente, hoje fui passear para as margens do Rio Tejo e lá estavam mil jovens aos beijos. Beijos ao Sol de Lisboa, um dia como só há em Lisboa, com a luz tão especial devida ao espelho das águas calmas do "mar da palha".

 

Logo pensei na Primavera que faz com que as hormonas andem furiosamente fora de controlo; tentei lembrar-me do meu primeiro beijo que nunca esquecemos mas do qual frequentemente não temos memória nenhuma, tão insípido ele é ; lembrei-me das mulheres "mignonnes", gráceis, que se beijam com delicadeza e das mulheres "valquírias" que se beijam com ardor (convem trazer uma garrafa de oxigénio a tiracolo...)

 

O beijo abre e fecha as portas do amor e da paixão. Ao primeiro beijo logo se adivinha o futuro do romance, a química tem que lá estar senão adeus, não há segundo. Dizem que para alguns (no qual me incluo) o cheiro é que estraga tudo, mesmo escondido atrás de fortes perfumes cada um de nós tem o "seu cheiro" e beijo sem cheiro adeus, não há segundo. Será?

 

O que eu vejo é os adolescentes beijar como se o mundo fosse acabar amanhã, tal o ardor e a entrega, desconfio que não há lugar nem para a química nem para o cheiro, embora eles não saibam mas o tempo vais-lhe ensinar isso que o beijo é coisa estimável como o GPS da paixão, orienta, acelera, retarda, acalma, rompe...

 

Até os actores e actrizes inventaram o chamado "beijo técnico" que se dá perante as câmaras de cinema e televisão e, que, frequentemente, é tão técnico que leva a divórcios. Quantos romances entre gente do cinema começaram e acabaram "à luz da ribalta"? Isto faz pensar que a técnica não é importante, é mais a química e o cheiro, pois de "técnica" estão eles cheios de cursos e mestrados.

 

Depois há o beijo da "tia" assim a dar para o ar "uam, uam" muito querida, muito tudo, mas que envergonha o beijo dado com carinho, eu faço tudo para parecer muito moderno e dou beijos nas mãos das senhoras, isto é, encosto a mão da "lady" à minha cara tudo para fugir ao cheiro que, já se viu, tem dado cabo da minha vida afectuosa...

 

Alguma coisa havia de ter a culpa toda e, cá está, é o beijo, em vez de beijar andei a cheirar. Olha lá, não tivesse metido o nariz onde não era suposto ser chamado!

 

 

 

 



publicado por Luis Moreira às 21:00
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011
Beijinhos, beijos e bêjotaesses, por Augusta Clara de Matos




 

 


 

 

 

 


Estou farta de beijinhos. Recebo dúzias por dia e já não sinto nada. É que não são só os beijinhos, são também os beijos e os bêjotaesses, esses velozes e incansáveis estafetas,  cavaleiros andantes, caixeiros viajantes…o sequeira, como diz o Carlos Loures com o seu fino humor, que, para que as mensagens não percam tempo nem oportunidade, percorrem as nossas caixas de correio em loucas correrias de megabytes, para cá e para lá, de manhã à noite. Por isso são magrinhos e não anafados como os beijinhos e os beijos.

Esta minha insensibilidade perante a beijoquice que passamos o dia a trocar com uns e outros – sim, porque eu também caí na armadilha -, só é comparável ao que me aconteceu quando tive que fazer uma intervenção cirúrgica a uma perna e, devido à posição do gesso, tinha que ser injectada na coxa. Também já não sentia nada, embora quem assistia fizesse caretas como se aquilo fosse alguma tortura. Assim se passa com os beijinhos, beijos e bêjotaesses. Gerou-se uma insensibilidade total.

Onde andam aqueles reconfortantes abraços que nos deixavam mais quentinhos e com uma sensação de terna amizade? Pois é, passaram de moda.

O problema põe-se é quando queremos mandar um beijo a sério,  especial, daqueles que não se esquecem. Mas como é que se explica isto a alguém no mundo virtual quando a inflação das osculações ultrapassa em muito a da moeda? É que um a sério, como todos nós sabemos, não é brincadeira nenhuma e, para além das questões anatómicas, tem integrada muita sabedoria de vários quadrantes. Ainda por cima quando as camadas cronológicas se foram acumulando.

Já imaginaram o que é explicar por escrito, e não pelas vias de que a Mãe Natureza nos dotou para tão nobre e, já agora que ando nesta, tão deliciosa tarefa? Nada mais, nada menos do que um mundo de incomensuráveis complicações e de grande complexidade.

Como é que eu me vou despedir dando a entender a alguém que lhe estou a mandar um beijo-beijo e não um simulacro? Podia fazer alusão à técnica, mas não chega porque isto das camadas cronológicas implicam muito do antes e não só do durante, e todas as subtilezas, e a neurobiologia…que falta me faz o Damásio que ainda não li até ao fim! E, depois, técnica é técnica, virtuosismo é outra coisa.

Fica mais fácil sair de casa e ir levar o beijo ao destinatário, sob pena da despedida por escrito ser maior do que a mensagem propriamente dita e da polícia dos costumes me vir bater à porta.

Mas continuem a mandar-me beijinhos, beijos e bêjotaesses porque agora já estou viciada.

 



publicado por João Machado às 08:00
editado por Luis Moreira às 01:39
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