Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo XLI

Décima primeira etapa: na Mealhada

A rapariga desculpa-se por não ter avisado: há no ginásio, das oito às nove, um jogo de básquete, por conseguinte, como é necessário varrer o chão, pois há, aqui e além, excrementos dos pássaros, convém começarmos a arrumar as bagagens. Não é o que mais nos apetece neste momento... Claro que sorrimos à rapariga, declaramos não haver problema, arrumamos tudo, sem demoras; os bombeiros não são obrigados a acolher-nos e, num ginásio, é mais natural jogar básquete do que dormir e secar roupa. Enfiamos as camisolas, cuecas e peúgas em plásticos, dobramos os sacos-cama, pomos tudo nas mochilas, arrastamos os colchões para o canto onde os encontrámos e, depois do que caminhámos durante o dia, resignamo-nos a calcorrear a cidade.

Ao fim de meia hora, demos a volta completa à Mealhada, uma hora depois, palmilhámos duas vezes as ruas do centro, tirámos meia dúzia de fotografias, mirámos todas as montras, admirámos na pastelaria os bolos de aniversário, entrámos num café para comprar sumos de fruta... Falo à Maria do Luso, do Buçaco, dos vinhos e dos leitões da Bairrada; mas não fazem parte desta viagem. (E até, no que me toca, cochinillo... Não gosto.) As ruas estão desertas. Sentimos frio. Sentimo-nos cansadas. Apesar disto tudo, rimo-nos da situação, cada vez mais cómica…

Regressamos aos bombeiros. Espreitamos para dentro do ginásio: o básquete não acabou. Sentamo-nos no bar. Falamos da violência urbana. Às nove e meia, entramos no ginásio – ainda encontramos três tipos a lançar bolas ao cesto. Vão-se por fim embora.

Voltamos a instalar os colchões, a estender a roupa na baliza, a pôr ao alcance da mão os objectos necessários. Prendemos a porta com o baraço. Notamos que, lá em cima, perto dos pássaros, haverá janelas ou outras aberturas – sentimos o vento. Antes de nos metermos nos sacos-cama, vestimos toda a roupa seca de que dispomos, mesmo assim, é como se estivéssemos na rua: temos frio. Também ouvimos passar muitos camiões e, antes da madrugada, já os vizinhos pássaros nos fazem grande chilreada... Para mim é a terceira noite consecutiva sem dormir. Mas não tenho que ir dar aulas, pois não?... A ideia basta para me dar ânimo.

Mais do que na redução das necessidades ao conteúdo da mochila, experimento nestas situações a minha capacidade de adaptação.
publicado por Carlos Loures às 10:00
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