Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

A minha última aula, a aula que hoje não dei e que amanhã já não darei. Uma história de trilemas, uma história de incompatibilidades entre Democracia e neoliberalismo - Parte IV (Final)

Júlio Marques Mota

 

União Europeia: mudar de rumo

 

Mudar de cateto, mudar de lado do nosso triângulo, é pois a proposta em questão. Mas surge de imediato uma pergunta: qual dos outros dois catetos do triângulo escolher? A resposta pode ser ainda encontrada pelo esquema de Rodrick:

 

Embora teoricamente se possa admitir que se pode avançar para mais democracia e mais globalização, o trilema sugere que isto exige a criação de uma comunidade política global que seja claramente muito mais ambiciosa do que alguma vez tenha sido até agora vista ou que provavelmente possa ser vista nos tempos mais próximos. Tudo isto exigiria a elaboração de novas regras exigidas pela democracia e exigiria igualmente níveis de responsabilização e de consciencialização que estão muito para além do que no contexto presente se possa fazer. Uma governança global democrática é no contexto presente uma pura quimera. Há muitas diferenças entre os diferentes Estados-nação para que as suas necessidades e preferências se possam acomodar com regras comuns e instituições comuns. A grande diversidade que se regista no nosso mundo actual torna a hiper-globalização impossível.

 

É o próprio Rodrick que nos exclui o cateto do lado esquerdo pelo menos por enquanto e portanto, excluído também este cateto, é de novo a globalização que está posta em questão, pois do cateto do lado direito já nós sabemos o que nos pode esperar, que é, nem mais nem menos, do que continuar pelo mesmo caminho que à crise nos acabou por nos levar e aí nos deixar. E na linha de raciocínio deste mesmo autor podemos afirmar, que Democracia e Estado-nação podem triunfar sobre a hiper-globalização. As democracias têm o direito e a obrigação de proteger as suas organizações sociais em que se fundamentam e quando estes direitos e organizações se desrespeitam, quando se rompem sob as exigências da globalização é esta que passa a ser determinante. Dito de forma mais directa e mais simples: a saída é enviar-nos no quadro da economia global para o cateto inferior do triângulo, definido por espaço nacional e exigências de aprofundamento da Democracia, tal como aconteceu durante o período do compromisso de Bretton Woods. Citemos então o autor por extenso: “O reforço das democracias nacionais poderá dar uma nova base, mais saudável e mais segura, para a economia mundial. Um pequeno conjunto de regras de âmbito internacional a deixar suficiente espaço de manobra para os governos nacionais é a melhor globalização. E pode assim tratar-se desta globalização bem doente enquanto se preservam vantagens económicas substanciais. Nós necessitamos é de uma globalização mais inteligente e não da globalização máxima”. Por outras palavras, só há um cateto possível e credível: o cateto inferior mas este é reenviar-nos para a situação de espaço nação e aprofundamento da Democracia, ou seja, para a situação de Bretton Woods, para o período que antecede a globalização selvagem a que se foi submetido nos últimos 30 anos e que se acelerou fortemente na última década com a entrada na China na OMC, ou seja, com o aprofundamento da globalização.

 

Outro nível de análise pode ser feito a partir deste. Consiste em considerar a UME o equivalente ao Estado-nação e analisar o seu enquadramento na economia global. Isto pode ser abordado quer no plano político quer no plano económico.

 

Quanto ao primeiro, considere-se que o nosso espaço nacional é agora o espaço da UME e o vértice de elevada integração se refere agora à integração política ao nível mundial.

 

 

 

 

Quanto ao plano económico, o vértice Estado-nação representa de novo a UME enquanto o vértice de elevada integração económica representa aqui a economia globalizada.

 

 

A tese de Rodrick é que a opção é, de novo, o compromisso de Bretton Woods com uma globalização limitada ou condicionada. Mas estes factos pressupõe que as organizações de Bretton Woods respondam aos princípios e funções para que foram inicialmente criadas e não às necessidades impostas pela actual globalização como agora acontece. Um longo trabalho a fazer, um grande objectivo a reter, no fundo, um conjunto de ideias no plano político a bem defender. Só assim é possível responder à crise, quer a nível global, regional e nacional. Só assim é possível que as instituições regionais como as da União Europeia, em conjunto com os Estados-membros, venham a ser uma garantia colectiva da existência de uma verdadeira soberania dos Estados face aos múltiplos mercados globais e nacionais.

 

 

 

publicado por siuljeronimo às 23:00

editado por Luis Moreira às 23:03
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Professores - A escola não tem que ser democrática.

Luis Moreira

Fernando Savater, uma voz sensata, um líder de opinião que muito inspira,esteve em Portugal para falar de educação e da necessidade de uma revolução profunda. (revista Expresso)

A criação de uma disciplina de Educação Cívica que introduza a capacidade de agir em democracia, pois se a escola não o faz será a televisão a fazê-lo. A religião e moral, aconteceu em ditadura, no seu livro "Ética para um jovem" pretendeu que a ética servisse de alternativa à religião.A ética é para todos, não é exclusiva dos religiosos.

A escola não é democrática, nem deve sê-lo, a escola é a preparação para a democracia. A aula é hierárquica, o professor deve estar acima dos alunos que os prepara para serem cidadãos.

A escola sempre viveu em crise, anda atrás da sociedade, na medida em que os professores foram educados no passado e têm que educar para o futuro. A teoria que diz que os alunos são iguais aos professores leva a que percam o respeito pelo professor.Se a autoridade não é exclusiva dos professores a aula não funciona.

No "Panfleto Anti-Pedagógico" de Ricardo Moreno Castilho, cujo prefácio foi escrito por Savater, defende-se que a aula não é uma reunião de amigos nem um recreio, é o um lugar onde se transmitem conhecimentos. Ninguém coloca em causa a autoridade de um treinador de futebol que todos aceitam que deverá dar ordens aos seus jogadores.

Um ignorante segue tudo o que é prometedor, se lhe acenam com mais dinheiro, mais carreira, mais mordomias, a tendência é seguir os demagogos que promentem o céu e a terra, não é seguir quem é sério e promete mais trabalho e mais exigência.

Este é o grande problema da democracia! E da escola, acrescento eu.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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