Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Luta armada contra a ditadura (2) – por Carlos Loures

 

Já vimos que os comunistas estavam bem organizados. E os anarquistas?

 

Os anarco-sindicalistas estavam, sobretudo, filiados na Confederação Geral do Trabalho. Tinham tido grande implantação entre as classes trabalhadoras, mas aos poucos, o PCP ia-lhes reduzindo o espaço de manobra e hegemonizando as organizações de classe. Em todo o caso, ainda estavam activos, mesmo depois de todas as suas estruturas terem sido ilegalizadas pelo golpe de 1926. Prepararam um atentado contra o ditador que, por muito pouco, não resultou.

 

Na manhã de 4 de Julho de 1937, na Av. Barbosa du Bocage, em Lisboa, Salazar saiu do carro que o transportara até junto da capela particular de um amigo para assistir á missa dominical quando a escassos metros rebentou um engenho explosivo. O atentado fora preparado com cuidado, estudando a rotina do ditador nas manhãs de domingo, a bomba fora colocada, sob o pavimento, no local onde o carro costumava parar e seria accionada manualmente por elementos escondidos num prédio vizinho.

Tudo correu como o previsto, só que o carro estacionou a metros do local habitual e o visado apenas apanhou um susto. Emídio Santana (1906-1988), um dos autores do atentado, foi perseguido. Fugiu para Inglaterra onde acabou por ser preso e, entregue às autoridades portuguesas. Foi condenado a 16 anos de prisão.

 

 

 

 

Em 1943, o Partido Comunista criaria o Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista, o MUNAF, uma organização de massas destinada a enquadrar politicamente antifascistas não comunistas (o mesmo conceito que, cerca de duas décadas depois, levou à constituição do MDP). No seio desta organização foram criados os GAC – Grupos Anti-Fascistas Armados – vocacionados para a acção armada. Não chegaram, no entanto, a desencadear qualquer operação  de luta armada.

 

Durante a II Guerra Mundial, não se verificaram movimentos armados dignos de menção. Talvez porque os oposicionistas depositavam toda a esperança em que de uma vitória das forças aliadas  resultaria o fim do regime salazarista. Esperava-se, pois, que o fim do nazi-fascismo acabaria com as ditaduras de Franco e de Salazar. Já perto do final do conflito, em Janeiro de 1945, foi anulada uma tentativa de golpe militar contra o Estado Novo. Tratava-se de uma coligação de oficiais monárquicos e de republicanos conservadores. Com o final da guerra, em Maio, chegou tal o truque de prestidigitação – Salazar transformou a ditadura em «democracia orgânica». Os Aliados, mais preocupados com o comunismo do que com o fascismo residual da Península, fecharam os olhos.

 

Em 11 de Outubro de 1946, uma coluna do Regimento de Cavalaria 6, do Porto, comandada por oficiais milicianos, dirigiu-se a Lisboa com a intenção de derrubar o regime. O vice-almirante Mendes Cabeçadas, um dos homens do 28 de Maio, aderira à revolta, estando prevista a adesão de diversas unidades militares. Na Mealhada, a coluna foi detida por forças fiéis ao governo, acabando por se render. Os oficiais de Cavalaria 6 foram julgados e condenados em Março de 1947.

 

Em 10 de Abril de 1947, foi desmantelada antes da sua eclosão outra revolta. O seu principal dirigente, o general José Marques Godinho, morreu na prisão vítima de ataque cardíaco. Durante muitos anos, mais de uma década, a oposição ao regime esteve mais orientada para iniciativas de carácter cívico.

 

Em 18 de Dezembro de 1958 foi neutralizada a tentativa de golpe militar organizada pelo general Humberto Delgado. Delgado, fraudulentamente derrotado nas eleições presidenciais de Junho tentou a via «putschista». Em 11 de Março de 1959, foi descoberta a «Revolta da Sé», assim designada porque os conspiradores se reuniam na Sé de Lisboa. Foram presos elementos militares como os majores Luís Cesariny Calafate e Pastor Fernandes e o capitão Almeida Santos. À conspiração estavam também ligados o advogado Francisco Sousa Tavares e o católico progressista Manuel Serra.

 

1961 foi, pode-se dizer, um «annus horribilis» para o regime salazarista. Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, um comando do DRIL (Directório Revolucionário Ibérico de Libertação), composta por portugueses e por galegos ex-combatentes republicanos da Guerra Civil, dirigido por Henrique Galvão e Jorge Sottomayor, pôs em marcha a «Operação Dulcineia», tomou de assalto o paquete de luxo Santa Maria, ao largo do mar das Caraíbas e crismando-o de «Santa Liberdade» (ver desenvolvimento no dia 22).

 

 

O navio esteve em poder dos revolucionários até 2 de Fevereiro, acabando por desembarcar no Rio de Janeiro os passageiros e por se entregarem os assaltantes às autoridades brasileiras. O presidente Jânio Quadros recusou-se a entregar os revoltosos às autoridades portuguesas, concedendo-lhes asilo político. Mas, fora de Portugal, mais precisamente nas colónias, iria acontecer algo de decisivo para acelerar a degradação do regime.

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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