Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

Lançamento do livro de poesia "Águas de Ternura", de António MR Martins, em Ansião

 

 

DIVULGAÇÃO

ASSOCIATIVA

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TEXTO DO AUTOR

 

 

 

 

Amigo(a),

 

Numa iniciativa do Município de Ansião e no âmbito da 15ª.Feira do Livro local, o meu novo livro de poesia "Águas de Ternura" será apresentado no Centro de Negócio de Ansião, no próximo dia 12 de Junho de 2011, pelas 16 horas. O Centro de Negócios está localizado na zona industrial de Ansião, à cerca de 2 km da vila, no Parque do Camporês, Chão de Couce, Ansião.

 

Obra e autor serão apresentados pela Drª. Teresa Leonor Falcão Ramos, directora da Biblioteca Municipal de Ansião e nesta sessão ocorrerá um momento musical a cargo do maestro António Simões, onde um poema do autor António MR Martins terá a sua interpretação, cantada e tocada.

 

Espero que possa estar comigo neste momento de empatia com a palavra e com a poesia.

Traga mais amigos consigo.

Para além de poderem conhecer a bonita vila de Ansião, terão a oportunidade de visitar a Feira do Livro, a funcionar no local da apresentação.

 

Aguardo a vossa presença!

 

Meu abraço 

--
António MR Martins

 

Paula Trindade Duarte

 

 

 

 

 

 

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4 Site | www.apescritores.pt | * info@apescritores.pt    

( Tel | (+ 351) 21 39718 99

6  Fax | (+ 351) 21 397 23 41

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publicado por João Machado às 09:00
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine


Capítulo XXII

Etapa 9: De Ansião a Alvorge

Parece que caminho dentro de um aquário. O ar é líquido. As árvores e arbustos pingam, o meu cabelo está molhado, o roteiro tem as páginas moles e enrugadas. A visibilidade é ínfima. Atravesso um pinhal, passo pela aldeia de Netos, volto ao pinhal. Devia chegar a um olival, que não encontro, virar à esquerda, viro de facto à esquerda, descer bruscamente, desço bruscamente, por um caminho escorregadio, a dor no joelho torna-se aguda, porém em vez de encontrar outro olival e seguir um muro de pedras até Freixo, encontro uma estrada de terra. Convém virar à esquerda ou à direita? Viro à esquerda. O joelho dói-me cada vez mais. Vejo cogumelos extraordinários mas estou inquieta demais para os pormenorizar – ou mesmo fotografar. Caminho um mau quilómetro, entretanto acabo por reflectir, tendo em conta a direcção de onde eu vinha e aquela para onde vou, devera antes ter virado à direita. Volto para trás. Mais um quilómetro. O mesmo. Em sentido inverso. Como se não chegassem os trinta, acrescento mais dois ou três... Passo pelo lugar onde virei à esquerda, sigo em frente, começo a ouvir um ruído de estrada, paralela àquela por onde ando, encontro um cruzamento, chego ao alcatrão. Avisto ao longe, no cimo de uma pequena encosta, uma placa com o nome do lugar, tento ler, o nevoeiro persiste, eu fixo a tabuleta, não é Freixo, é Venda do.... Não, não é Freixo, dou mais uns passos, consigo por fim ler: Brasil.

Venda do Brasil?!

Pagaria para ver a minha cara no instante em que li o nome daquela terra. Paro para folhear o roteiro, viro o mapa em todas as direcções: não encontro a Venda do Brasil.



Onde ficou o meu caminho? Mais assustador: quantos quilómetros terei de andar para além dos trinta? Não convém perder tempo à toa, senão chego a Condeixa de noite. (Regra básica de segurança: não caminhar nunca de noite à beira de nenhuma estrada.)

Mas anda gente a apanhar azeitona naquela zona do aquário. Corro. Pergunto a uma rapariga como se vai para o Freixo. Ela quer logo saber a quem eu pertenço. Explico que não tenho família no Freixo. Ela fita-me com um espanto crescente. Vejo-me no olhar dela: saída do nevoeiro com o cabelo a pingar e as botas cheias de lama. A perguntar sem razão por uma terreola com vinte casas.

- Mas vai para onde?...

- Para já: vou para o Rabaçal. E depois para Condeixa. E a seguir para Coimbra.

- A pé?...

- Sim: a pé.

Ela respira, mais aliviada.

- Ah! Vem de Fátima! Se for para o Freixo, volta para trás. Para o Rabaçal é por essa estrada. Sempre em frente. Vá com Deus!

Caminho alguns metros, cinquenta, se tanto, chego a um cruzamento. Surpresa. Prodígio dos prodígios: encontro-me onde devia ter chegado depois de atravessar o Freixo. Tudo bem, portanto. Viro para a aldeia da Granja e, a partir dali, atravesso uma das mais belas paisagens que até agora percorri. Pena é que me doa, da coxa ao calcanhar, toda a perna esquerda. Amparo-me no bordão. Distraio-me olhando para a paisagem. Primeiro um caminho entre muros cobertos de musgo e fetos, grandes cavalhos com troncos e ramos sinuosos, também cobertos de musgo e fetos, aqui e além cogumelos de todas as cores e tamanhos. Depois vinhas com tons prodigiosos, muito vivos, amarelo canário, vermelho intenso, cor-de-rosa, cor-de-laranja, violeta...

Chego a uma encosta muito inclinada, onde encontro um camponês de antigamente, seco (os de agora são gordos disformes), com mais de oitenta anos. Sai de uma courela com um toco de sobreiro e um braçado de folhas de couve: prepara-se para fazer o almoço. Na fogueira.

- Então a menina vai para onde?

- Para o Rabaçal.

- Também lá fui muitas vezes. Por aí... Passa em Vale Florido. O caminho é mau...

- Basta não haver carros para eu o achar bom. À beira da estrada somos atropelados, não é?

Ele concorda comigo.

Para além dos não-camponeses nos arredores de Santarém, pai e filho, citadinos de outra condição, este homem é o único que não pergunta se tenho medo.

Entro em Alvorge por um caminho que passa ao lado do cemitério, de onde vem uma multidão a sair. Inquiro quem morreu, responde um homem.

- O meu tio. Tinha oitenta e seis anos.

Vou replicar uma banalidade porém, antes de eu falar, ele explica-me:

- Não estava doente. Foi atropelado à porta de casa.

E acrescenta que o condutor não parou para socorrer a vítima. (Nem a propósito: a minha conversa com o Camponês de Antigamente. O qual sem dúvida já conheceria o sucedido àquele vizinho da mesma idade.) A insegurança rodoviária: em Alvorge como em qualquer outra terra.
publicado por Carlos Loures às 10:00
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Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Novas Viagens na Minha Terra


Manuela Degerine

Capítulo XXI

Etapa 9: Na saída de Ansião

Apesar de bem instalada na camarata feminina dos bombeiros voluntários de Ansião, durmo pouco: acordo à uma hora, volto a adormecer às cinco, levanto-me às sete e meia. Sinto-me cansada. E dói-me o joelho esquerdo. Não só... Descubro uma bolha no calcanhar esquerdo. Mau... Então até as botas fiéis me aleijam?!... Serei capaz de caminhar mais trinta quilómetros? Pergunta retórica, eu sei. Uma vez começada a etapa, não será fácil interrompê-la, mesmo querendo, por não haver meios de transporte. Seguirei portanto até ao fim.

Tomo uma refeição que, pela quantidade de comida ingerida, não posso designar como pequeno almoço: duas enormes sanduíches com queijo do Rabaçal em fatias grossas, o melhor do mundo, garante a dona do café, dois copos de leite e um bolo quente. Depois, enquanto me dirijo para a saída de Ansião, ainda como duas tangerinas e um pedaço de chocolate preto com avelãs.


Parto sem visitar Ansião, com muita vontade de regressar; porém hoje busco experiências que não se cruzam com a viagem turística. Passo por uma ponte antiga, admiro a horta-jardim de uma casa.

Há um nevoeiro muito denso. A visibilidade é curta, vou distraída a manducar e a verificar o caminho, para não me perder, com o nariz no roteiro e os olhos nas placas das ruas, alternadamente, claro, presto pouca atenção ao resto, sinto de repente um toque na anca direita. Viro-me: um bull dog!

Agressivo.

Claro que trago comigo o bordão. Mas neste transe prefiro até escondê-lo. E faço das tripas coração.

- Olá, o que andas tu aqui a fazer?... Tão cedo? Sozinho? Fugiste? Não está bem... Devias voltar para casa... Os teus donos vão-se zangar...

Canto eu num tom mavioso.

Não paro. O monstro começa a correr à minha volta. De súbito, prende-me as calças com os dentes. Consigo soltá-las, devagarinho, sem contudo parar, como posso, atenta aos dedos, uma dentada, lá fico eu maneta. E sempre a chilrear:

- Não te zangues, com licença, se não te importas... Recupero as calças e vou andando, tenho trinta quilómetros para palmilhar, a pé, claro, palmilhar é sempre a pé, senão dizia conduzir, convém sermos rigorosos, tu ladras ou rosnas, tens uma linguagem pouco variada, percebo-te aliás muito bem, não te preocupes, mas fica aí, não é preciso vires até Condeixa, aliás nem vale a pena tentares, não és capaz, tens muitos músculos e pouco treino...

O animal continua a rosnar. Descreve outro círculo à minha volta. Eu continuo a andar. E a entoar a ladainha. Paz na Terra aos cães de boa vontade. Amemos os bull dogs como a nós mesmos mas não cobicemos as feras do próximo. A certa altura, que não terá passado de um minuto depois, embora me parecesse interminável, compreendo que ele abandona o serviço, já me afastei o suficiente da casa e não é alimentado para guardar a dos vizinhos.

Apoio-me no bordão para não cair. (Outra utilidade deste objecto que, de início, me parecia supérfluo.) Sempre a andar. E, não obstante os tremores, acelero daqui para fora.

Pela primeira vez desde o início desta viagem a Santiago de Compostela, interrogo-me se não abandono o projecto já aqui neste momento: antes de ser devorada por alguma besta sanguinária. Tantos cães ladram, algum há-de morder. Porém abandonar é passar em sentido inverso pelo bull dog.

Avante.

Dali a um bocado, mais refeita do susto, telefono a um andarilho que já percorreu milhares de quilómetros a pé. Confio-lhe a minha angústia. O quê? Nos caminhos portugueses há cães? Isso é aborrecido... Tive o mesmo problema na Roménia. Sabes qual a melhor táctica? As rodelas de chouriço.

(Amanhã, outro amigo, este português, o Vítor Borges, aconselhar-me-á igual remédio.)

Pois! Bastava pensar nisso... É o ovo, não: o chouriço de Colombo.
publicado por Carlos Loures às 10:00
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo XIX

Etapa 8: De Caxarias a Ansião

Decorreram duas semanas e meia durante as quais fiz companhia à minha mãe nas Sarzedas do Vasco, um espaço isolado de tudo e até, tanto quanto possível à face deste planeta, da poluição: a estrada acaba ali e os velhos que lá vivem servem-se de adubos, pesticidas, herbicidas e motores com relativa moderação. O silêncio tem vento nas árvores, castanhas a cair, badaladas do sino na aldeia vizinha.

Por razões de calendário escolar, a última vez que ali estive no Outono acabava de fazer nove anos; vivi então dezoito meses em casa dos meus avós. Só agora redescobri com estas cores e odores o espaço tão conhecido: o pinhal é um cor-de-rosa imenso de urze em flor e muitos cogumelos também exibem tons que contrastam com os verdes: roxo, amarelo intenso, branco luminoso, cor-de-laranja... Passaram-se quinze dias num ápice. Apanhei castanhas. Apanhei azeitonas. Escrevi. Li. Fiz uma caminhada – muito curta, apenas oito quilómetros, entre Castanheira de Pêra e Sarzedas do Vasco. Conversei com parentes; ali todos o são.

Fui feliz junto da minha mãe.


No dia 8 de Novembro, um Domingo, o meu irmão vem buscar a minha mãe e deixa-me em Tomar, de onde saio no dia 10 para Caxarias, prevendo caminhar trinta quilómetros até Ansião. Uma etapa comprida. Sinto-me ainda com pouco treino; porém entre Caxarias e Ansião não há onde possa pernoitar. Impõe-se portanto eu avançar até ao fim da etapa. Chego a Caxarias por volta das nove horas. O meu amigo António Pereira, que me deu boleia, até me leva à igreja: o ponto de partida da oitava etapa.

O céu encontra-se um pouco coberto, como convém, a temperatura é também agradável e nem falta uma brisa refrescante. Trago uma mochila nova, com bolsos exteriores, pretensamente ergonómica; a verdade é que agora sinto mais o peso das bagagens. E, como a nova mochila tem espuma nas alças e nas zonas que aderem às costas, molha-se com a transpiração – isto torna-a depressa desagradável. Às bagagens da precedente viagem acrescentei outra camisola, um saco-cama espesso, bastantes bolachas com gérmen de trigo e vitaminas, que não encontrarei em qualquer supermercado, o meu favorito chocolate preto – um vício. Mais um litro de água. Peso total: seis quilos. Isto é... Muito mais que 10% do meu peso. Vou portanto demasiado carregada. Seis quilos no regresso do supermercado não são nada, ao longo de trinta quilómetros tornam-se, para a minha fraca pessoa, uma carga bruta. Mas avante. Terei ao longo do dia boas razões para comer mais alguns pedacitos de chocolate... Isto é: aliviar a carga.
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publicado por Carlos Loures às 10:00
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