Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

A independência da Galiza e a restituição de Olivença

Carta de Carlos Leça da Veiga a Carlos Loures



Meu Caro Carlos Loures,

Para realizares um bom exercício de literatura - o que te vai a matar
- estás a dar-me cabo da cabeça.
Enviei-te um texto com tonalidade telegráfica e tu respondes com um texto imenso e, para mim, esgotante. Meios demasiado desproporcionados!
Pouco terei para dizer-te e, esse pouco, condenso em quatro pontos:

1º) Escreveste "Quanto à Galiza, penso que devemos deixar os Galegos decidirem sobre a sua independência. Se a querem". Não será por eles quererem, ou não, que vou deixar de insistir em que têm de querer.


Nunca ouvi que tu fosses favorável à manutenção da escravatura pela razão de, durante tempos infindos, os escravos aceitarem sê-lo. O fenómeno da alienação das populações nunca foi uma matéria que tenhas considerado feliz inclusive, por não teres compaginado com essa dissonância social, tiveste de provar a cadeia. Não se têm opiniões em função do grau de alienação dos circunstantes.

No mundo, há populações a quem a cultura foi roubada a ponto de perderem a própria noção da sua autonomia, por desígnio, a da sua Nacionalidade (com maiúscula). Não pode nem deve aceitar-se que assim possa acontecer. A Democracia (outra com maiúscula) não cumprirá o seu papel se, entre muitos outros, esquecer que, também, tem de esforçar-se por querer rectificar todos os erros históricos que estiverem ao seu alcance. A absorção da Galiza por Castela, só foi conseguida pela força das armas e do direito dinástico e na sua forma mais acabada não é tão antiga como parece. Tudo inaceitável.

2º)A Andaluzia, tal como a Galiza, tem todas as razões para ser um Estado independente e não uma região, melhor dito, uma colónia de Castela. Todas as razões invocadas para contrariarem esta minha asserção não têm valor político porquanto foram construídas depois dos tais reis católicos terem conquistado aquela zona da Hispânia e, à posterior, terem-na moldado à custa das maiores violências de que a da inquisição não foi a menos despicienda.

3º)A coerência de quem descolonizou - tanto por ser obrigado como, também, por querer fazê-lo - obriga a querer impor essa mesma condição a todos os demais. A auto-flagelação, tão do gosto dos esquerdalhos portugueses, não tem o mais pequeno cabimento no combate pela Democracia que, esse, não pode ser objecto de avaliações ou interpretações tácticas.

4º)Mesmo tendo mais para dizer-te não o faço. Cansa-me e, por igual, nenhuma discussão, por melhor argumentada que esteja, far-me-á abandonar o que penso sobre as Libertações Nacionais.

Com amizade, segue mais um abraço do

Carlos Leça da Veiga
publicado por Carlos Loures às 19:30
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