Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

O pepino europeu - por Luis Moreira

Não fosse a pressa da Alemanha da senhora Merkel não tínhamos um pepino europeu que anda para ai a infestar pessoas. Tínhamos uma infecção que tem uma origem desconhecida como tantas outras, mas não, foi preciso arranjar um "bode expiatório" e agora do pepino espanhol passou a todos os verdes produzidos na Europa.

 

Os países que compram as armas alemãs, os submarinos e os TGVs, para a Alemanha são os PIGs, até os pepinos são maus, e se não servem para mais servem para levar com as culpas de tudo o que de mau acontece na europa. Estamos à rasca? Tudo por causa do pepino!

 

A senhora Merkel não faz o que deve a nível europeu por que anda a levar com "pepinos" nas eleições internas? PIGs....

 

Passados uns dias chega-se à conclusão que a origem do surto é o norte da Alemanha, local comum a todos os que estão infectados com a E.Coli, o bichinho que, por ser alemão, tem características muito mais perigosas que os seus irmãos mais comuns.

 

A Alemanha está a resvalar para uma soberba que já deu muito maus resultados, os governos da Espanha e de Portugal e, outros, estão a preparar-se para pedir indemnizações que compensem os elevados custos que estão a ter devido aos embargos de produtos verdes.A Rússia aproveita e diz que "da UE nem verdes nem maduros" os produtos estão ao nível dos "produtos do terceiro mundo".

 

A delicadeza da senhora Merkel é a do elefante num campo de produtos verdes!

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
link | favorito
Sábado, 26 de Março de 2011

De uma capitulação a outra: dos tempos de Weimar aos tempos de hoje - 1

Júlio Marques Mota

 

São múltiplas as referências aos anos trinta, ao período que precedeu a tomada do poder por Hitler, que se podem fazer no contexto da crise económica e política também, acrescente-se e diga-se de passagem, que está a abalar a Europa. Assim é devido à  massa de desempregados de longa e de curta duração, ao bloqueio total no acesso a empregos para as camadas mais jovens e isto numa situação de beco sem saída a que a União Europeia está a levar os seus Estados-membros, numa situação de precariedade que atravessa todos os Estados-membros, com a pauperização relativa e também absoluta de que começam a ser vítimas grandes franjas da população em cada Estado-membro, mesmo na Alemanha. Curiosamente, o texto de Henri Sterdyniak faz referência a uma carta de John Monks, o presidente da Confederação Europeia dos Sindicatos, dirigida à Comissão Europeia em Janeiro de 2011, onde se afirma: para avisar que a Confederação Europeia dos Sindicatos achará impossível apoiar a acção da UE neste quadro, ou propostas sobre a governação económica, e qualquer novo tratado que as contenha, que se assemelhem em alguns aspectos às disposições de reparação (castigo) do Tratado de Versalhes, e que reduzam o papel dos Estados membros a um estatuto quase colonial”. Esta é a visão que os sindicatos estão a ter da actual política europeia, esta é também a nossa perspectiva, como a seguir se verá. A este texto, o porta-voz do comissário Olli Rehn respondeu, e o texto é de antologia, ou de cinismo político, diríamos nós com toda a franqueza. Diz-nos:

 

Há circunstâncias excepcionais implicando excepcionais decisões e particular responsabilidades para as Instituições nacionais, Europeias e Internacionais. Antes de concluirmos as recomendações de políticas, concebidas a partir das informações recolhidas junto dos Estados-membros, os parceiros sociais nacionais são consultados. A subsequente monitorização da sua aplicação faz parte do mandato da Comissão Europeia. Escusado será dizer que as regras do Tratado e as competências dos parceiros sociais nacionais devem ser totalmente respeitadas a este respeito.

 

O diálogo social, e a criação de relações construtivas são no presente verdadeiramente fundamentais e devem ser baseadas no sentido da responsabilidade colectiva, incluindo em face das actuais iniciativas. É difícil ver como é que um agressivo e injustificado ataque sobre este processo - associado a referências histórias que lhe não estão adequadas, poderá ajudar a encontrar respostas aos problemas muito difíceis que os governos, os parceiros sociais e a população de cada país referido estão a enfrentar hoje.

 

 

Na mesma linha da visão de Monks encontramos num texto publicado pela Fundação Robert Schuman que passamos a citar:

 

A história ensina-nos que as recessões económicas tendem a degenerar em crises sociais que, por sua vez, podem criar fortes perturbações políticas. A analogia inevitável é a dos anos 30, quando o mal-estar económico e as turbulências sociais na Alemanha conduziram à ascensão do nazismo. Um desemprego em massa, que deverá atingir os 26,5 milhões de pessoas na União Europeia poderá levar à agitação popular, a manifestações e violência anti-governamental (como na Lituânia em Janeiro de 2009).

 

Mas a autora acalma-nos dizendo que se trata apenas de um paralelo porque ao desespero, à raiva das situações que se passam, que milhões de pessoas vivem hoje nesta Europa, contrapõem-se um outro mecanismo que impede que a situação de desespero nos leve a manifestações violentas e nos conduza a situações próximas das que se viveram naqueles tempos antes da chegada de Hitler ao poder. Diz-nos a autora em questão:

 

Além do mais, a comparação com os anos 30 parece enviesada e de várias maneiras ou pontos de vista. A crise social era nessa época muito mais grave, os governos não estavam tão convencidos como o estão hoje da importância de conservar uma certa disciplina internacional e as catástrofes em cadeia dos anos 30 ainda não estavam inscritas no imaginário e gravadas na consciência europeia. Por outras palavras, enquanto a cólera pode constituir uma emoção muito forte, ela é sem dúvida contrabalançada por uma outra emoção, igualmente muito forte, ressentida pelas opiniões públicas: o medo. O medo de uma deterioração da situação ligada a acções irreflectidas e a políticas de isolamento tem tido, parece-me, um efeito moderador. Assim, é de espantar e é significativo que a deterioração das condições económicas em França não tenha conduzido nem a manifestações em massa nem a um reforço das forças anti-Sarkozy[1].

 

Aqui podíamos nós acrescentar que é igualmente de admirar que dadas as políticas seguidas pelo actual executivo português, algumas delas por nós analisadas numa carta endereçada a Durão Barroso, que a degradação das condições de vida dos portugueses, a modernização dos neoliberais, não tenha dado origem a manifestações maciças e a uma escala maior do que as que se têm dado, nem a um reforço significativo das forças políticas seja anti-Sócrates seja anti-Durão Barroso, anti-Manuela Ferreira Leite ou anti-Cavaco Silva, uma vez que a situação presente se deve às políticas de que nos últimos anos ambos os partidos por estas figuras representados são os verdadeiros responsáveis.

 

Em suma, na linha da autora agora citada, ou estamos próximos dos mecanismos de instabilidade que conduziram à tomada do poder por Hitler ou não estamos e se não estamos então é porque há um outro mecanismo que nos condiciona, que nos impede: o medo. Que estranha democracia esta em que o mecanismo estabilizador é o medo! Mas infelizmente não podemos deixar de estar de acordo com a autora: vivemos uma sociedade de medos e contrariamente à autora citada pessoalmente achamos que vivemos num barril de pólvora. As políticas de austeridade levarão a que o mal-estar social aumente, a manifestação dos jovens, única em Portugal, é disso já um bom exemplo. Quando assim é, o sistema defende-se, reage, endurece-se, embrutece-se, e a utilização maciça dos seus mecanismos repressivos ir-nos-á fatalmente conduzir ao que nós e a autora citada não queremos sequer admitir. Perante isto, encontrar-nos-emos, assim, face ao que os italianos consideram já como “o equivalente funcional do fascismo”, se uma saída não for encontrada. No nosso caso, pela mão de socialistas levados, aqui ou em Espanha, por exemplo, mas a realidade é a mesma qualquer que seja o país escolhido.



[1] Justine Vaiesse, “Les implications de la crise economique pour l’Union Européenne, vues de l’Amerique”, Fondation Robert Schuman, Questions de l’Europe, n.º 139, Junho de 2010.

 ______________________________________

 

 

 

 

O caso de Espanha

 

 

 

O caso da Irlanda 

 

 

O caso de Portugal

 

  

O caso da Grécia

  

 

 

 

publicado por siuljeronimo às 20:00

editado por Luis Moreira às 01:36
link | favorito
Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Carta aberta a Durão Barroso - 6 - por Júlio Marques Mota

(Continuação)

 

Da Estratégia de Lisboa a uma outra política, a uma outra Europa, à Europa do futuro

 

Senhor Presidente, com a Estratégia de Lisboa em 2000 à União atribuiu-se um novo objectivo estratégico para a década seguinte: “Tornar [-se] no espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social”. A partir deste objectivo sobre o qual tantos louvores se escreveram, pensámos, a partir daí, que o modelo europeu ia assentar na deslocalização da produção de bens salariais e de tecnologia pouco evoluída para África, para o sueste asiático e em particular para a China. Paralelamente, faria investimentos maciços na educação, na investigação, na formação, assistir-se-ia a um forte aumento do seu “capital imaterial”, o nível de desenvolvimento científico e profissional, assistir-se-ia a um aumento crescente de produções de alto valor acrescentado e teríamos desencadeado o mecanismo da troca desigual, possível sobretudo nas economias globalizadas, entre países de baixos e altos salários para os mesmos níveis de qualificação e com os capitais produtivos completamente móveis à escala internacional. A União Europeia iria, pensávamos, assegurar a obtenção do pleno emprego, com altos salários médios por hora de trabalho e a taxa de lucro igual à do resto do mundo, como resultado da concorrência dos capitais à escala mundial, iria assegurar os mecanismos de riqueza adicional a que se chama de troca desigual. A União Europeia iria crescer fortemente, assente quer nas políticas de pleno emprego quer no resultado do excedente comercial obtido também com o mecanismo da troca desigual: venda de produtos caros, resultantes dos altos salários, compra de produtos baratos devido aos baixos salários dos países produtores destes bens. Por esta via, instalar-se-ia um novo imperialismo, imperialismo não financeiro, imperialismo comercial e tanto mais assim quanto não há no quadro internacional os mecanismos desejáveis de compensação, mas se a saída fosse essa, a Europa seria também outra e generosa poderia compensar estes mecanismos via a ajuda externa. Enganámo-nos redondamente.

 

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por Luis Moreira às 14:55
link | favorito
Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Notícias do IV Reich?


O ÚLTIMO COMBATE
Como a Europa arruina a sua moeda


Diz a capa do SPIEGEL. Reparem na bala que se dirige a Portugal...
publicado por Carlos Loures às 23:00
link | favorito
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Noctívagos, insones & afins: Carta aberta a Angela Merkel,

Rolf Dahmer

Carta aberta à Chanceler da República
Federal da Alemanha

“A estratégia sem táctica é o caminho mais lento para a vitória.Táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota.”

Sun Tzu (544 – 496 A.C. – General chinês e um dos maiores estrategas militares de todos os tempos e autor de “A arte da guerra”)

Cara Sra. Merkel,

A situação no país, na União Europeia e no mundo, torna-se cada vez mais
confusa. As velhas regras deixam de estar em vigor e as novas ainda não
nasceram. A ameaça de que as coisas fiquem fora de controlo é cada vez maior e a
perda de poder da Pax Americana – god’s own country and his partners in
misleadership, a UE, nós – torna-se cada vez mais óbvia. Basta pensarmos como
há pouco, em Copenhaga, os líderes do sistema de líderança da Pax Americana,
incluindo o Presidente Obama, foram afrontados e humilhados. Um acontecimento
ultrajante que, no futuro, deverá repetir-se cada vez com mais frequência – se não
agirmos.

E não é só pelo país fora que isto se sente. Também pelo aspecto cansado da
senhora se pode notar que luta, cada vez mais em vão, contra os mecanismos de
correcção cibernéticos da natureza – invisible hands de sinais contrários –, contra
os quais não pode ganhar. Sobretudo se continuar a dispersar-se perdidamente e a
atacar todos os problemas materializados individualmente, em vez de identificar e
resolver o problema central – com a “espada” e não mais com os “dedos”.
Aumentar a quantidade das suas queridas mensagens sms? Esqueça, isto só iria
piorar a situação ainda mais.
Que tal se experimentasse quebrar finalmente o seu tabu férreo e tentasse uma
simples mudança de estratégia?




Em 26 de Agosto 2007 escrevi-lhe – e ao mesmo tempo ao Sr. Barroso – sob o
assunto “Um “New Deal” para o Terceiro Mundo, a União Europeia e a Alemanha
― três grandes objectivos que se excluem?”, uma carta pessoal na qual, entre
outros, lhe chamei a atenção para o seguinte problema central: a estratégia linear,
e por isso errada, da União Europeia e, naturalmente, a dos seus mandantes nas
capitais europeias – sem os quais o Sr. Barroso não dá nenhum passo para a frente
e prefere concentrar-se em coisas tão importantes como a poibição de venda de
lâmpadas incandescentes e foscas.

Acerca do referido problema central que faz estagnar a UE, escrevi-lhe:
“Para isso, é preciso admitir primeiro, com toda a sinceridade, que o objectivo da
agenda de Lisboa de Março 2000 ―“tornar a UE no espaço económico mais
dinâmico e competitivo do mundo, baseado no conhecimento e capaz de garantir
um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos e maior
coesão social” ― está errado. Errado, porque constitui um objectivo primariamente
introvertido e egocêntrico, cuja perseguição conduz a efeitos e resultados errados,
por não ser recompensado pelo meio envolvente em que a Europa se insere.” Com
efeito: "Se o objectivo principal for de definição errada, também todos os
posteriores passos dirigidos na direcção daquele objectivo o são, mesmo que
fossem correctos se dirigidos na direcção de um objectivo diverso. O facto de se
poder alcançar sucessos passageiros com o consequente uso de vistas curtas, não
altera nada na sua nocividade a longo prazo", ensinou-me o meu professor, o
investigador de sistemas Prof. h.c. Wolfgang Mewes, criador da “Teoria da Gestão
Cibernética (EKS)”E depois o princípio de aproximação à solução do problema: „... O novo objectivo poderia ser: “...tornar-se (a UE), através dos seus Estados membros, de perfis e de know how social e técnico diversos e multíplices, (tal como um canivete suiço multifunções), a preferencial parceira e solucionadora de problemas para os países do mundo menos desenvolvidos, contribuindo para desenvolvê-los sistematicamente em virtude de um New Deal...“

Infelizmente a minha carta caiu, juntamente com o meu esboço estratégico – New
Deal –, nas mãos de um dos seus assesores na Chancelaria, o qual não foi capaz de
distinguir uma matéria de importância para o patrão, de um assunto de chacha.
Talvez na altura a hora ainda não tivesse chegado, mas com a rapidez com que as
coisas actualmente se precipitam, muito em breve até propostas de solução de
problemas totalmente disparatadas e descabeladas – talvez um qualquer „metodo
de borras do café“ !? – poderão passar o referido „filtro“.
E tinhamos ainda a Europa, a Europa dos objectivos sublimes e nobres de outrora,
que eu conhecia na minha juventude e defendia com fervor, recomendando-a
também desde 1964 aos meus amigos na minha segunda pátria – Portugal. Que
aconteceu com esta Europa? Ora, depois de três décadas de comportamento linear
e de crescente falta de liderança, o sistema se encontra de candeias às avessas.
Em vez de avançar com o topo da pirâmide, tenta avançar com a base, através de
esforços cada vez mais sobrehumanos e vãos. E depois dos europeus – os seus
líderes impotentes e sem rumo agarraram-se ferreamente ao comportamento linear
– terem perdido a capacidade de superar a unidade polar entre espírito e matéria,
indispensável para garantir o equilíbrio do sistema, o espírito esgueirou-se. O que
restou foi mera matéria – dinheiro! “O espírito que se dane, venha cá o “cacau” de
Bruxelas ou a Alemanha e o resto é conversa”, é o que hoje porventura pensa a
maioria do povo. É por isso que agora o “cacau” começa a mirrar.

Foi já desde o início dos anos 90 que adverti os meus amigos portugueses, e não
só, contra as consequências dessa falta de estratégia, em cartas, conversas, mails
e artigos de jornal, reafirmando sempre de novo: “... quando uma União Europeia
às avessas, que de outrora extrovertida e alterocêntrica virou introvertida e
egocêntrica, chegar ao fim da linha, serão os seus subsistemas menos
desenvolvidos os primeiros que terão que passar pelas armas”. A título de
prevenção – de Bruxelas, já na altura sem perfil nem liderança – não vieram sinais
nenhuns, já então recomendava aos portugueses no meu artigo de 1997 “Porque
vale a pena apostar em África” , que criassem, finalmente, um claro perfil sócio-
económico de país solucionador de problemas para um determinado grupo-alvo no
mundo e que desenvolvessem e executassem neste sentido uma estatégia,
independentemente de Bruxelas. Eles um dia viriam a precisar disto urgentemente.

Todavia, as minhas repetidas advertências e os meus postulados não foram
percebidos nem seguidos. Pois é, tal como já sabia Friedrich von Schiller é “contra
os subsídios que até os próprios Deuses lutam em vão” – ou terá dito “contra a
estupidez?”
Infelizmente o meu vaticínio cumpriu-se e a primeira vítima, Grécia, já se encontra
no trampolim de dez metros, debaixo de si uma piscina sem água. E Portugal já
vestiu o calção de banho, também a Espanha já anda à procura dele, na esperança
desesperada de não precisar dele. Who is next?
Diga-me, cara senhora Merkel, já alguma vez reparou que também a Alemanha,
um dos principais co-responsáveis desta marcha sem rumo, se encontra na mesma
fila, só um pouco mais atrás? Já reparou que nos encontramos à beira de uma
negativa reacção social em cadeia, capaz de pôr fim a toda esta fantochada? Como
física doutorada, certamente tem conhecimentos de cibernética – pequenas causas,
grandes efeitos. Mas sabia que também em sóciosistemas valem essas mesmas leis
da natureza? Já teve a ideia de que em todos os sistemas naturais é sempre a
estratégia que determina tudo – “Structure follows strategy”- S.C.Chandler – e que
a actual estratégia, a nível supranacional da UE e aos níveis nacionais, pode estar
totalmente errada?

Seria bom que pensasse sobre estas coisas. E particularmente sobre o facto de que
a senhora é, em Berlim, a responsável principial e em Bruxelas a principal co-
responsável, por um sóciosistema outrora aberto e bem sucedido que pouco a
pouco se transformou num sistema fechado, já não receptivo a sinais externos e
em vias de fracasso, que só funciona quando alguém entra com um cheque sempre
que a crise aperta?

Com efeito, não são a Grécia, Portugal e outros os responsáveis pelo desastre que
se vislumbra. Pelo contrário, os responsáveis são aqueles que durante décadas
perderam oportunidades de efectuar mudanças de estratégias eficazes em
Bruxelas, ou mesmo as impediram por motivos egocêntricos e delegaram o governo
em gente medíocre. Ambos os referidos países, e outros, puderam fazer o que
fizeram porque tiveram o poder para tal, precisamente porque Bruxelas anda sem
liderança e sem rumo. Ora, os referidos países naturalmente são co-responsáveis,
pois houve certamente uma altura em que tiveram a oportunidade de criar, eles
próprios, e mediante uma mudança de estratégia auto-responsável, aquilo que o
Prof. Hans-Werner Sinn, Director do ifo-Institut de Munich, numa recente entrevista
em SPIEGEL-Online designou de um “modelo de negócios” (inexistente). É pena,
pois em caso de sucesso até poderiam ter emitido um sinal positivo a nível da UE,
promovendo uma mudança.

A senhora, a não ser que queira demitir-se, agora tem – do ponto de vista linear –
duas hipóteses: 1) Insiste na sua estratégia, que na realidade não passa de mera
táctica, até ao fim amargo. 2) Insiste, face ao desastre que cada vez mais se
aproxima, numa reforma da UE não baseada em princípios sistémicos-holísticos,
que na realidade não passaria de uma pseudo-reforma (combate aos problemas
singulares que agora surgem em catadupa, com meios materiais-mecanicistas,
continuando a não considerar as suas causas imateriais-psíquicas).

Todavia, ainda existe uma terceira hipótese, a não linear, dinâmica: a senhora
finalmente deixa de brincar às tácticas e começa a introduzir estratégia, a par com
a arte de liderança cibernética. Isto poderá ter lugar reconhecendo primeiro que a
sua estratégia é inexistente ou errada. Seguidamente, começa a planear uma
realização de grande impacto, a qual já em 2005 acariciou (Prof. Kirchhof!?). Na
actual situação, porém, terá que tratar-se de vender algo aos alemães e à UE que
tenha como consequência uma grande realização libertadora: a reorientação da UE
e da Alemanha para objectivos novos, extrovertidos e alterocêntricos no sentido do
meu esboço estratégico do qual, a pedido, lhe poderei enviar um novo exemplar.
Isto seria o “factor mínimo” externo, o decisivo por dizer respeito a necessidades
“candentes” de um determinado grupo-alvo. Lembro, pois, que se trata de eliminar
a armadilha da pobreza do 3º mundo pela qual a UE é uma das principais co-
responsáveis, fazendo com que cerca de 3 mil milhões de recebedores de esmolas
no mundo se tornem os nossos parceiros de trocas e clientes (cf. “New Deal” ).

Que gigantesco desafio para a os povos da UE e que grande oportunidade para todos nós, que hoje só olhamos para os nossos botões, voltarmos a ser úteis. A nossa aconteceria – esta é a notícia menos boa – de maneira tão dura e drástica e no meio de graves turbulências sociais – insurreição! – que a senhora entraria na
história como administradora de declínio, mal sucedida, da Alemanha e da Europa.
Porém, se estiver disposta e na posição de enveredar pelo caminho sistémico-
holístico do são juizo humano, transformando assim o actual sistema fechado
novamente num sistema aberto, criando ainda novo crescimento orgânico, então
causará – repito – nova confiança, fé, entusiasmo e motivação, a par com uma
vibrante atmosfera de alvoroço e de abalada para novos horizontes. O sublime e
nobre espirito europeu, indispensável para o equilíbrio do sistema, então voltaria
retomando a sua acção benéfica de outrora. Tanto a nível da UE, como em Berlim,
Paris, Londres, Madrid, Lisboa, etc. e no mundo.

Cara senhora Merkel, ponha um fim ao „tempo do adiamento, das meias medidas,
dos expedientes apaziguadores e frustrantes, dos atrasos“ – cf. abaixo – dos
últimos anos. Deixe para trás os lugares comuns e palavras ocas, em que já
ninguém acredita. Deixe de reagir e comece finalmente a agir. Pense, face à actual
situação mais que desesperada, no famoso discurso de Sir Winston Churchill de
1936 sobre o appeasement: “O tempo do adiamento, das meias medidas, dos
expedientes apaziguadores e frustrantes, dos atrasos, está a chegar ao fim. No seu
lugar, estamos a entrar num período de consequências.” Está a reconhecer o seu
perfil no discurso? Contudo, pense também, como sinal de esperança, nas palavras
do nosso grande Rei da Prússia, Frederico II: "Quem apelar à fantasia e à mente do
homem, vencerá aquele que tenta apenas influir sobre a razão".
Aja, senhora Merkel! Se agir terá uma boa hipótese de dar a volta por cima às
coisas na última da hora, tornando-se Líder de Renovação bem sucedida – na
Alemanha, na UE e com impactos benéficos em todo o mundo. A decisão é sua –
ainda.
Com os melhores cumprimentos de Estoril / Portugal
Rolf Dahmer
publicado por Carlos Loures às 03:00
link | favorito
Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Não é Turco é Alemão!


Luís Moreira

A equpa de futebol da Alemanha tem cerca de metade dos seus jogadores, oriundos da imigração.Nada de novo, já vimos a equipa da França ser campeã Mundial com dois brancos, todos os outros jogadores eram oriundo de países Africanos .

Acontece que para os alemães isto é mais complicado, para os movimentos para-nazis existentes no país ver um negro vestir a camisola nacional é um sacrílegio, enquanto para os mais liberais, esse mesmo facto significa um bom sinal de integração.

O jogador que mais dá nas vistas é o descendente Turco Özil, que é particularmente acarinhado pelos descendentes Turcos, mas que leva a "mãe turca a não entender porque o seu pequeno filho tem a bandeira Alemã à janela e o jogador a não jogar pela Turquia."

"Para os fascistas somos estrangeiros, para os anarquistas...bem não sei bem o que somos...diz um pequeno comerciante Turco, enquanto os Nazis dizem :"Oxalá a equipa seja eliminada o mais cedo possível", porque defendem que a equipa seja baseada na pureza étnica, e vão ao extremo de ver quem canta ou não o hino no ínicio dos jogos.

No jogo contra o Gana foi Özil "teve que ser um turco a salvar-nos" diz um idoso enquanto o jornaleiro, na sua banca, corrige "não é um Turco é um Alemão".

Esta equipa perturba toda a visão do mundo!
publicado por Luis Moreira às 13:30
link | favorito
Terça-feira, 6 de Julho de 2010

A república alheada!

“Mehr Licht !” ―as últimas palavras de Goethe,no sentido de mais instrução, ciência, verdade !


Segue uma tradução ligeiramente abreviada de um ensaio de Richard David Precht* publicado em DER SPIEGEL 26/2010 de 28.06.2010, “Die entfremdete Republik”. O ensaio, quanto às linhas mestras e estratégicas, em minha opinião não só reflecte o estado da democracia na Alemanha mas também o da União Europeia e de todos os seus estados membros, incluindo naturalmente Portugal. Artigo original em alemão em:
http://www.spiegel.de/spiegel/0,1518,703254,00.html

*Nascido em 1964, o filósofo e escritor alemão Richard David Precht escreve para vários jornais, entre eles o semanário Die Zeit. É conhecido, sobretudo, pelos seus livros de divulgação da Filosofia, como “Quem sou eu e, se sim, quanto?”, que vendeu 800 mil exemplares e foi traduzido para 23 idiomas. Mais sobre o autor:

http://www.presseurop.eu/pt/content/author/99971-richard-david-precht

Ensaio: A República alheada

Na eleição do Presidente Federal trata-se de algo mais do que apenas um cargo ou uma pessoa.

Por Richard David Precht



A forma como os pais da constituição quiseram eleger o Presidente Federal, quanto aos pormenores deixaram-na em aberto. Apesar das propostas que faziam as fracções, em princípio cada membro do grémio eleitoral - Convenção Federal – podia escrever num papel quem considerava o melhor – se nomeado ou não.


Segundo a ideia, as democracias são formações vivas, elas transpõem a vontade da maioria de um povo. São atenciosas e vivem do interesse de uma população pelo bem comum. São – formulado mais pateticamente – a correspondência política de uma ética sem preconceitos desde os dias de Aristóteles: a oportunidade para uma vida realizada para tantas pessoas quanto possível.

Esta promessa encontra-se representada no nosso país? (…) O testemunho que muitas pessoas passam à nossa democracia, não é expressão de uma baixa de disposição. Porque sofreria a população colectivamente de vacilações hormonais só porque a contemplação contínua de Guido Westerwelle ou de Angela Merkel a deprime? Pelo contrário, trata-se do atestado de um crescente alheamento.

A tentativa cada vez mais obstinada em preservar uma política de ontem (...)

Hoje, fazem-se às pessoas na Alemanha imensos inquéritos sobre tudo e elas podem escolher muitas coisas: começando pela tarifa premium dos telemóveis e indo até às tarifas dos caminhos de ferro – como cliente, cada alemão vive na ilusão de participação ou co-determinação. Na internet pode avaliar tanto a máquina fotográfica adquirida como a participação na guerra do Afeganistão. E no chat pode irritar-se tanto com uma amiga como com a Angela Merkel. Todavia, a sensação de sucesso que sente na votação para o Song Contest da Eurovisão, é-lhe vedada na eleição do Presidente Federal. Podemos eleger a Lena mas não o Gauck ou o Wulff.

O alheamento entre políticos e cidadãos é mais do que uma questão de co-determinação negada. É, também, a tentativa cada vez mais obstinada em preservar uma política de ontem, na forma e no conteúdo. Encontra a sua expressão mais forte na ideologia do crescimento que nos quer fazer crer que devemos continuar a destruir o meio-ambiente e a consumir recursos para produzir ainda mais bens de consumo. Na realidade, o crescimento económico há muito deixou de fomentar a prosperidade e passou a arruiná-la. Cada nova auto-estrada aumenta o nível sonoro, cada novo centro comercial expropria a classe média e o prémio de abatimento de automóveis é pago pelo contribuinte e pelo meio-ambiente.

Tal como um dinossáurio o estado cambaleia em direcção ao seu fim evolucionário.

Como é que é explicável tal irresponsabilidade dos políticos? Porque é que não corrigem o rumo quando a sociedade dopada com hormonas de crescimento se movimenta a todo o vapor para o “Absurdistão”? Porque não é da competência de ninguém. Determinar e alterar o rumo geral não é da competência de ministros. Os problemas e as necessidades dos pelouros seguem procedimentos pré-estipulados. De facto, quando todos correm na direcção errada, aquele que averte irrita, tal como um condutor que circula em contramão.

Tal como um dinossáurio o estado cambaleia em direcção ao seu fim evolucionário. Pressente o iminente impacto de um meteorito, mas não tem nada para contrapor-lhe: nada à explosão das dívidas, a qual enfrenta com medidas cosméticas, nada ao fosso cada vez maior entre pobres e ricos, nada à desertificação dos municípios, nada à poluição psíquica do meio-ambiente mediante a publicidade, não falando dos perigos da mudança do clima. Aceita a era do cretácio ecológico, monetário e social como um facto fatal.

Numa situação destas, à política também falta a vontada de mudar seja o que for. O pessoal de liderança política pouco se distingue dos banqueiros da econonomia de falências que ainda aproveitaram o que puderam agarrar: alguns últimos privilégios, um pouco de sensações de poder, alguns direitos de pensão.

O problema sociológico da elite de liderança política é a falta de auto-observação. Os sistemas tornam-se frágeis quando deixam de conseguir ver-se a si próprios com outros olhos. A auto-cegueira não apenas impede a inovação mas também induz a não compreender a gravidade da situação: tal como 1933 em Weimar e 1989 em Berlim Leste.

Acresce que também os alegados guardiões da nossa democracia, os medias de massa, mal fazem justiça à sua função. Com efeito, os noticiários e os programas de informação política há muito tratam a política como um tema de yellow press: quem com quem, porque e porque não – um programa de diversão de fraco interesse com poucos protagonistas interessantes.
Até quando os cidadãos toleram isto?
Todavia, enquanto o público mostra cada vez menos interesse nestes folhetins diários, os protagonistas políticos das séries tomam o seu papel mediático pela realidade e a sua imagem por eles próprios. Os políticos, em primeira linha, interessam-se por outros políticos – por concorrentes e aliados, membros dos partidos e outros inimigos, para alianças úteis e comunidades de proporção.
Um político daqueles não conhece o povo. E não precisa conhecê-lo, quando muito o seu condensado nos inquéritos dos investigadores da opinião pública. No dia-a-dia não nota a população porque nada e ninguém o obriga a tal, excepto talvez nas campanhas eleitorais. O teatro da democracia ao fim e ao cabo também funcionaria sem público. O que falta é a interdependência, o refresco, o intercâmbio, a ligação à terra, a sustentabilidade e o sentido social para a realidade.


Quando um político se dirije efectivamente “às pessoas” que não conhece, para maior segurança escolhe as formulações mais estúpidas. No entanto, para um político de topo que p.ex. quer mandar os desempregados limpar a neve nos passeios, só se recomenda uma coisa: fazer uma cura da realidade. Por exemplo: um ano de trabalho social numa cidade empobrecida do leste alemão.
Porém, porque é que “o povo” ou “as pessoas” continuam a aceitar tudo isto? Porque ninguém é “o povo” ou “as pessoas”, mas em caso de dúvida apenas um tele-espectador que no fim de cada talk show decide que definitivamente não voltará a gramar tal coisa. E também já não participa em eleições, por não se sentir representado. Nenhum partido é tão forte na Alemanha como o dos abstencionistas. É ele o novo partido do povo. Os políticos podem viver com esta situação – a nossa democracia não pode.
Quando o governo e os governantes já não representam a vontade do povo, na questão do clima, do Afeghanistão, no desejo por mais democracia directa, quando criam uma Europa que por um lado consegue normalizar os pepinos mas por outro não consegue realizar forças armadas comuns, nem assistência a países subdesenvolvidos ou uma política de energia e clima, pergunta-se de onde eles recebem a sua legitimação. Para que nível a taxa de abstenção deve descair até os regentes deixarem de sentir-se como os representantes do povo – 40 por cento, 30 ou 20?
A nossa democracia já não é reflectida
A vigilância que distinguiu a política alemã federal até 1990, foi-se. A nossa democracia é coisa tão natural que deixou de ser reflectida. Nos monopólios de fé e de opinião – assim escreveu o filósofo britânico John Stuart Mill em 1859 –, a fé ou a opinião tornava-se rapidamente uma frase não mais vivida: “tanto os professores como os discípulos adormecem nos seus postos, assim que nenhum inimigo esteja à vista.”
Porém, o “inimgo” já está cá há muito. Não agita bandeiras, nem grita slogans e não ameaça com exércitos. Chega com os pézinhos de lã da mudança do clima, a desagregação deslizante da Europa, o solapamento da moral através das marés da indústria financeira internacional, do marasmo dos sistemas de segurança social. Segundo Mill, uma democracia precisa no seu nível superior de liderança, peritos de provas dadas e incorruptíveis. Só se governassem os melhores dos melhores, seria admissível que não fosse o próprio povo a agitar o ceptro do poder. Porém, os peritos na realidade da democracia alemã encontram-se bem camuflados e entulhados detrás de montes de peritagens não lidas, pregam em livros que nenhum político lê, ou afundam-se no quotidiano das nossas universidades.
Em contrapartida, os nossos políticos parecem-se com caminheiros errantes. Os mapas que seguram nas mãos já não condizem com a paisagem. O que lhes marca o rumo são veredas trilhadas e não o sentido de orientação. Como sinal itinerário servem-lhes os lobistas de todos os quadrantes, que entram e saiem na Assembleia da República.
E todos juntos e uns contra outros colocam os seus holofotes e sujam a luz do conhecimento moral. Qual metrópoles à noite, criam o seu próprio cone de luz que torna impossível ver o céu estrelado.
Será que até temos os políticos que merecemos?
Os lobistas conseguem a política que eles querem, quer através de donativos aos partidos, amabilidade assídua ou ofertas de empregos para ocupação secundária e para depois. Os Sres. Clement, Bangemann, Althaus, Fischer, Schröder e em breve presumivelmente Roland Koch – estes já não são elder statesmen mas elder salesmen.
Quando se encontram um conhecimento e um interesse contrário, é o interesse que ganha. Mas até quando os cidadãos aceitarão isto?
Ou será que até temos os políticos que merecemos? Quem se indigna sobre a mudança climática da mesma maneira como com o aumento do preço da gasolina, não precisa de sentir-se melhor que o pessoal que o representa. E a anastesia local do cérebro, isto é, a satisfação através da satisfação da indústria recreativa, deixa vestígios: não satisfação mas descanso.
A revolta das pessoas na internet e noutros lugares em favor do “seu” candidato a Presidente da República Joachim Gauck, fala uma língua diferente. Poderá constituir um sinal, mesmo que e precisamente então, se Gauck perdesse. Um símbolo que é maior que o homem. Um fanal para a reconstrução do nosso estado, alimentado pela fantasia e a inteligência de multidão dos seus cidadãos. Mais responsabilidade para todos nas cidades, nas empresas e mais referendos – é aí onde se encontra a frente.
“Por toda a parte a autoridade e a tradição devem admitir a questão da sua justificação … Não menos mas mais democracia – é esse o postulado, o grande objectivo ao qual todos e sobretudo a juventude nos temos que dedicar”. Quem disse isto era um grande Presidente da República: Gustav Heinemann. As suas palavras ainda continuam válidas e sempre de novo.
tags:
publicado por Luis Moreira às 13:30
link | favorito
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Flat tax - 25% para todos!


Rolf Damher

Em 07.06.2010 o Prof. Dr. Dres h.c. Paul Kirchof*, ex-juiz no Supremo Tribunal Constitucional Federal alemão e actual professor catedrático da Faculdade de Direito Fiscal da Universidade de Heidelberg, deu uma entrevista à SPIEGEL ONLINE. Na entrevista voltou a apresentar a sua proposta de 2005 para uma taxa plana (flat tax) de 25 por cento para todos, como um importante contributo para a saída da crise. Ontem escrevi-lhe uma cartinha que abaixo passo a traduzir.


Quem apelar à fantasia e à mente do homem,vencerá aquele que tenta apenas influir sobre a razão.

 Frederico II (O Grande) da Prússia





Exmo. Sr. Kirchhof,


Senti uma grande alegria quando li recentemente em SPIEGEL ONLINE que não desarmou e que continua a postos com a sua excelente e prometedora proposta de uma flat tax. A postos, para o momento quando aos nossos protagonistas de políticos e administradores de declínio se lhes acabar de vez a esperteza. Não deverá faltar muito até isso acontecer, a não ser que se tente ir até ao fim amargo, arriscando mesmo que o poder caia na rua. Neste caso será o caos.

Em 09.02.2005 tinha mencionado o seu modelo fiscal prometedor, com estofo para um grande efeito libertador, no meu artigo „Como sair da crise — uma abordagem diferente“, publicado no „Semanário Económico“. Precisamente como parte de uma estratégia sistémica-holística – princípio de solução de problema – que poderá contribuir de forma decisiva para que os nossos sistemas sociais – Alemanha, UE, etc. – voltem a ficar com os pés na terra. Aqui um pequeno excerto:


“(...) Para elucidar a situação, vejamos o exemplo do Prof.Paul Kirchhof que foi designado para futuro ministro das finanças pelo CDU/CSU alemão, caso este partido venha a ganhar as eleições antecipadas de 18 de Setembro. Ele identificou o tal "factor central" a eliminar, no actual estatismo pululante, em combinação om uma legislação fiscal asfixiante. Consequentemente, postula, além de uma radical simplificação do IRS/IRC, a introdução de uma "flat tax" de apenas 25% para todos, a par do corte de todos os subsídios e esquemas legais de fuga ao fisco. Assim,segundo Kirchhof, serão libertadas as energias sociais que hoje nos faltam (...).

Sobre isso e no sentido de um efeito estratégico verdadeiramente eficaz e sustentável, ainda gostaria de expor, como segue.

A Alemanha e os seus parceiros da União Europeia são actualmente desafiados por um enorme “estrangulamento”, o qual não pode ser superado com meios materiais mecanicistas-monetários. A solução só será possível colocando a alavanca nas causas imateriais- psíquicas e espirituais do problema. A título de dica passo a citar as seguintes palavras de Friedrich von Schiller:


„Não o que se faz anunciar com vitalidade e vigor é o terrível e perigoso. É o vulgar,o eternamente de ontem, o que sempre foi e sempre volta, valendo amanhã porque foi verdade hoje ! Wallenstein em „A Morte de Wallenstein“ I, 4, de Friedrich von Schiller.

Com outras palavras: as pessoas sentem o crescente vazio de sentido e a insensatez dos seus actos e estão simplesmente fartas. E este estado de espírito não poderá sustentavelmente ser alterado com mais dinheiro, viagens de férias de longo curso, carros de luxo, práticas de “hedonismo de algibeira” e a substituição repetida e sistemática das respectivas caras metades. O sentido e a verdade terão que voltar a fazer parte do sistema. Isto só é possível fazendo-se – extrovertida e sóciocentricamente – algo para o próximo e recebendo-se algo em troca.

Todavia, em todos os „estrangulamentos“ (problemas centrais que impedem o desenvolvimento) existem sempre dois factores a considerar para conseguir uma solução sustentável: o determinante “factor de estrangulamento externo” – primazia! – considera os problemas ‘candentes’ de um determinado grupo-alvo que com as suas necessidades se encontra de frente da Alemanha e da UE.

Se o respectivo grupo-alvo for identificado, primeiro aproximadamente e mais tarde com maior precisão, e se seguidamente o “estrangulamento” do mesmo for resolvido, então são libertadas enormes energias de desenvolvimento – em grande escala. Esse “factor de estrangulamento externo” descrevi no meu esboço estratégico “New Deal”. Trata-se de nada menos do que permitir a cerca de 3000 milhões de pessoas no terceiro mundo, que de recebedores crónicos de esmolas cada vez mais pobres e doentes se tornem nossos parceiros de trocas e clientes – sob exclusão das entidades estatais para Cooperação e Desenvolvimento e da “indústria dos bons samaritanos” que tanto dano têm causado a essas pessoas nas últimas décadas. (Não falo da ajuda humanitária de emergência). E também não podem entrar em jogo para o propósito descrito no meu esboço, milhares de milhões de euros ou dólares, pois neste caso voltariam a aparecer os “abutres” de costume e estes fundos mudariam de meio para um fim para um fim em si mesmo – com os necessitados continuando a ver navios. (Diga-se de passagem que o Prof. Dr. Dr. Franz-Josef Radermacher, da Universidade de Ulm, membro do Club of Rome e co-fundador da iniciativa Global Marshall Plan, com o qual estou em contacto, persegue uma estratégia semelhante).

Quanto ao “factor de estrangulamento interno”, este visa a questão: o que a Alemanha e/ou a UE devem fazer ou que conhecimentos devem adquirir para ficarem aptos para a solução do “factor de estrangulamento externo”, isto é, o do seu respectivo grupo-alvo? E aí começam as dificuldades. Com efeito: “Se penso durante a noite na Alemanha não posso conciliar o sono”, já escrevia o nosso grande poeta Heinrich Heine há mais de 150 anos. E se penso nos nossos compatriotas de hoje apenas vejo , apesar das aparências diversas, uma “tropa” medrosa, introvertida, egocêntrica, sem norte e liderança, a qual já vencida em espírito vai deslizando para o declínio, na vaga esperança de que os gigantescos problemas desapareçam por si próprias.

No entanto, existe sempre uma saída. Pelo menos enquanto o poder não tiver caído na rua e os invisible hands em contra-mão não nos obriguem implacavelmente àquilo contra o que actualmente ainda nos opomos em vão pela via linear: à mudança. Neste sentido estou convencido que chegará uma nova visão do mundo, logo que os actuais líderes políticos e económicos ou ganhem juizo ou sejam varridos pelos acontecimentos. Mais provável é a segunda hipótese. Então seremos obrigados de novo – tal como em Maio 1945 – a fazer o mais indicado, seguindo a divisa: quem precisa urgentemente o quê e o que preciso eu para satisfazer essas necessidades?

Resumindo: podemos ter a certeza que a estratégia acima descrita, isto é, uma nova orientação de introvertido-egocêntrico para extrovertido-sóciocêntrico, se ela for aplicada, rapidamente travará a espiral negativa, transformando-a numa espiral positiva. Irá decorrer uma enorme reacção em cadeia social e no fim teremos novo crescimento orgânico e uma nova ordem superior. E isto terá lugar em todos os casos, com ou sem explosões sociais porventura intercaladas. Sou incondicionalmente pela segunda hipótese, pois é, ainda, perfeitamente possível dar a volta por cima às coisas. E se os parceiros da UE não quiserem alinhar? Não há problema, a Alemanha será capaz de dar exemplo sozinha e todos os restantes seguirão – o bom velho dilema funciona sempre, pois baseia-se nas leis naturais.

Por favor,continue a manter-se atento. Com a crescente pressão, aqueles que definem a vida apenas em números e por centos, não vendo a parte determinante imaterial, perderão o poder. Assim, já muito em breve procurar-se-á desesperadamente soluções efectivamente capazes. E então, antes que no seu desespero e na sua ignorância se aceite um qualquer método obscuro de “borras de café”, porque não experimentar a "flat tax" de profundos e surpreendentes efeitos cibernéticos?


Com os melhores cumprimentos do Estoril / Portugal



Rolf Dahmer
______________

* http://www.bcsdportugal.org/files/

518.pdf pág.23














.
publicado por Luis Moreira às 11:00
link | favorito
Domingo, 13 de Junho de 2010

Empobrecimento!

Luís Moreira





O país vai entrar num ciclo de empobrecimento que ainda poucos ou ninguem consegue medir. Só em juros da dívida bruta vamos pagar cerca de 5% do PIB ao ano, qualquer coisa como 2/3 do SNS!( andará pelos 8% do PIB).

Como vem acontecendo há pelo menos 10 anos a nossa economia não cresce, diverge dos outros países europeus que vêm crescendo afastando-se de Portugal.Pequena e aberta ao exterior a nossa economia depende do comportamento das outras economias, especialmente da Alemanha, motor da economia europeia e que agora, pela voz da Senhora Merkel, anuncia um pacote de medidas duríssimas, cuja primeira consequência vai ser arrefecer a economia.Arrefecendo a sua própria economia, não vai ter para já o efeito de arrastamento que estavamos à espera, para que a nossa alavancasse!

Percebe-se mal esta política seguida pela Alemanha, se a UE funciona-se como um todo, a melhor política seria atacar os diversos déficites dos países do Sul da Europa e, ao mesmo tempo, acelerar as economias mais fortes, invertendo as prioridades. Assim, aumentando impostos e com isso diminuindo a capacidade da procura interna e, cortando na despesa, a Alemanha pode estar a contribuir para uma situação de recessão que é bem mais perigosa do que todos os déficites razoáveis e, em alguns casos, virtuosos, como são os da Alemanha.E aproveitava para as suas exportações o enfraquecimento do euro face ao dólar!

Entretanto, cá no país, o FMI anda por perto o que é sinal sério de problemas, oxalá não se confirmem as muitas dúvidas que assomam aqui e ali quanto ao conhecimento real da nossa situação financeira.A grande questão é que neste quadro o Estado Previdência não é sustentável, o conceito "usador/pagador" vem aí em força como já se está a ver nas SCUTS e a seguir virá a saúde e a educação.A Segurança Social, com o desemprego em alta e a demografia a inverter a relação jovem/idoso a favor deste, não aguenta cinco anos, prazo que não é suficiente para a economia começar a crescer e o desemprego diminuir para valores muito mais baixos.

Estamos numa situação muito dificil e é pena que os nossos governantes tenham andado a mentir-nos sobre a real situação, com a desculpa de gerir as expectativas.

PS: tambem publicado no Aventar
publicado por Luis Moreira às 11:00
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links