Domingo, 12 de Junho de 2011

As agências de rating dizem não aceitar as propostas de renovação da dívida - por Julio Marques Mota

Introdução a notícias sobre a Europa dos nossos descontamentos, dos nossos desapontamentos.

Os ladrões mandam a sua guarda avançada avançar e esta avança enquanto a Comissão Europeia recua. Numa fuga de informação posta a circular por Bloomberg  que não traduzimos para deixar intacto o texto do relatório da Troika, lê-se: "The recession appears to be somewhat deeper and longer than initially projected ... There is evidence that the rebalancing of the economy is ongoing and the quarter of deepest contraction have already been passed ... However, a further contraction in real GDP is still expected in the second half of 2011, as the need for additional fiscal consolidation and liquidity constraints will postpone the recovery for a couple of quarters. The real GDP growth for 2011 is now projected to be -3.8 percent. Positive, though moderate, growth rates are projected from 2012 onwards." O sublinhado é nosso.

 

Essa  é a política verdadeiramente assassina que a União  Europeia, em nome das taxas impostas pelos capitais, está a realizar na Grécia, na Irlanda e  algures, mas mais ainda, estes meracdos dizem-lhes agora da forma mais arrogante que se possa imaginar: senhores políticos façam o que fizeram, só será feito o que os mercados quiserem. Democracia? Onde?

Coimbra, 7 de Junho de 2011.
Júlio Marques Mota


As agências de rating dizem não aceitar as propostas de renovação  da dívida

As tentativas da UE para avançar   ela  própria  no sentido de uma resolução da crise - com a renovação "voluntária" (rollover)  " da dívida -  sofreram ontem  um grande revés . Depois da recente baixa de notação da Moody's, Fitch Ratings  esclareceu ontem como é que esta  agência encarava  qualquer oferta de troca de títulos da dívida grega. "A troca de títulos da dívida em que se oferecem  novos títulos com condições que são piores do que as condições  contratuais originais da dívida existente e onde a entidade emitente soberana   está a enfrentar dificuldades financeiras ... poderão ser considerados  pela Fitch como  constituindo  uma forma  "coercitiva" ou, mais geralmente  conhecida como sendo  " uma troca de dívida em dificuldades"  e a  Fitch deixou claro que essa troca inevitavelmente provocará uma baixa da sua  notação  para o nível de lixo.

 

A Moody's  desceu a notação da  Grécia para uma classificação já abaixo  do estatuto de investimento  e a Standard & Poor's disse recentemente que o  seu índice de referência para avaliar uma troca de dívida seria  saber se  os investidores estavam ou não realmente a agir    voluntariamente.  "Em situações em que os investidores consideram  que um incumprimento pode ser possível e onde a notação  tenha descido torna-se  mais difícil concluir que os investidores estão a trocar  títulos de forma voluntária."  A S& P esclareceu ainda que uma troca voluntária, cuja rejeição implicaria consequências negativas para os investidores, será  considerada como uma situação de incumprimento.

Por outras  palavras, cada opção discutida na semana passada pela Comissão poderá ser   considerada como uma situação de incumprimento, incluindo os vários compromissos que tentaram  fazer a ponte entre as posições da Alemanha e do BCE.

publicado por Luis Moreira às 20:00
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Domingo, 17 de Abril de 2011

Agências de Rating em tribunal? por Luis Moreira

 As Agencias de Rating têm um poder absoluto que ninguem sabe de onde vem. Não são eleitas, não são nomeadas, e sabemos agora que se trata de agências que se limitam a dar informações não vinculativas. Limitam-se a praticar a Liberdade de Expressão!

 

É com este argumento que têm ganho todas as participações em tribunal,os seus empregados nem sequer são considerados "técnicos" porque se fossem técnicos já poderiam responder pelos erros e pelos prejuízos que causam em todo o mundo. Mas se não são técnicos para responder em tribunal como podem os seus pareceres influenciar como influenciam tudo e todos?

 

Na véspera do recente referendo na Islândia em que os cidadãos iam aprovar ou não o pagamento aos clientes privados dos bancos a agência Moody´s  ameaçou a Islândia que remeteria a classificação do país para "lixo" se o referendo apoiasse, como apoiou, o não.

 

De onde vem este poder? No que é visivel, vem da legislação dos estados ditos independentes e democráticos. São os estados que com a legislação conveniente, permitem a existência destas aberrações e, também da não regulação do seu comportamento  criminoso . Por um lado os estados intrometem-se na vida dos cidadãos e já consomem 50% da riquesa criada mas, no que às suas competências diz respeito, como ter uma Justiça eficaz e legislação que defenda o interesse geral, aí estão de cócoras .

 

Os estados largaram mão das suas competências de guardiões do bem geral e de todos para o entregarem à mão invisivel dos mercados que, diga-se, de invisivel nada tem pois o seu rosto está bem representado por estas agências. Estamos nas mãos de um poder não democrático e não escrutinado que tem força para fazer vergar países um após outro com a complacência dos estados democráticos. O que se passa na UE é profundamente perturbador!

 

A UE nem sequer ter capacidade para, no mínimo, criar a sua própria agência de rating !

 

As três agências de raíz americana controlam 90% do mercado o que lhes dá um poder dominante para quem se apresenta como simples prestadores de informações a partir dos dados que são públicos. Entretanto, o FMI, após décadas de defesa da livre circulação do dinheiro vem agora dizer que o mal é esse mesmo e propõe o seu controlo "em certas situações".( podem começar pelas off-shores...)

 

Os estados modernos são parte do problema, dominados por interesses alheios aos cidadãos. 

publicado por Luis Moreira às 23:00
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