Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
VERSOS QUE EU FAÇO, por ÁLVARO FEIJÓ

 

 

 

 

 

 

Escrevo, muita vez, molhando a pena

no amargo fel da minha própria dor

versos gritantes em que ponho em cena

fantasmas de ilusões, versos sem cor.

 

De rubro e negro, pela dor absortos,

como notas vibrantes de clarim,

finda a batalha, abençoando os mortos,

são os versos que eu faço para mim.

 

Mas outros há, rebeldes como potros,

onde a graça anda imersa, estua e ri,

feitos prò Mundo rir, neles, dos outros,

quando, afinal, neles se ri de si.

 

Outros, que mal escrevo e andam dispersos

na voz-cristal das moças do lugar,

incontestavelmente os melhores versos

que faço, porque neles sei pintar

 

verdes de esperança, azuis do céu da calma

que dentro de nós sorri,

rubros de coração, vermelhos de alma,

esses, que mal escrevo e andam dispersos

na voz-cristal do povo,

                                  são os versos

que eu faço para Ti.

 

 

Outubro de 1937

 

De A Poesia de Álvaro Feijó, de João José Cochofel, Portugália Editora, Lisboa, 2.ª edição, 1961.



publicado por João Machado às 10:00
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
DO ALTO MAR e A NAU PERDIDA, de Álvaro Feijó

 

 

 

 

 

 

 

 

DO ALTO MAR

 


Tripulação!
às gáveas e às enxárcias;
ao leme e aos cordames;
atenta à tempestade
que anda no Mar
e vai
no nosso coração.

Tripulação!
Ajuda a tempestade...
Deixa ruir o mastro da mesena!
Lança à boca das ondas o sextante!
Deixa ao sabor das vagas o navio!
Não tenhas pena!

Quando haja só convés ao raso de água:
Tripulação...
Atenta.


Coimbra, 1939

 

 

 

A NAU PERDIDA

Pobre, lá vai! Que rombo no costado!
Como a água a penetra aos borbotões!
Açoita-a, em fúria, o Mar. Adorna ao lado.
Anda à mercê das vagas, dos tufões!
Mas segue, segue em frente. O vento a ajuda!
Galga nas ondas, que doidinha, olhai!...
Julga-se, ainda, a nau que dantes era,
por levar, no porão, uma quimera,
por ir, do vento na refrega aguda,
ovante e sem saber per'onde vai!

Julga-se, ainda, a nau que dantes era...
– o que passa não torna ..
Na pobre nau perdida
a água entra e a adorna.
Vai sendo, aos poucos, pelo mar sorvida.

Na agonia estrebucha. Num desejo
de vida e luz, arfante, desesperada,
busca furtar-se ao comprimente beijo
do Mar que a envolve. – Após, é o Mar e nada...

Doirado como um astro,
haste esquecida em campo onde as mondas
colheram tudo, o topo do seu mastro
fica esperando ainda sobre as ondas.

Na rota pelo mundo
– ao deus-dará na vaga azul e infinda –
nós vamos – nau perdida em Mar profundo –
joguetes do tufão;
mas conservando, ainda,
na última Esperança a última Ilusão.

Outubro de 1937

 

 

(Obrigado ao Projecto Vercial e à Universidade do Minho)



publicado por João Machado às 10:00
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
Álvaro Feijó

 

 

 

 

 

 

 

Álvaro Feijó

 

 

João Machado

 

 

Álvaro Feijó, de seu nome completo Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó,  nasceu em Viana do Castelo, em 1916. Morreu em Coimbra em 1941, vítima de tuberculose. Oriundo de famílias de estrato social elevado, era estudante de Direito na capital do Mondego. Desde a adolescência que praticava a poesia, sem dúvida que sob a sob a influência do tio-avô, o diplomata e poeta António Castro Feijó. A influência romântica, com relevo para António Nobre, terá sido grande na sua obra. O conhecimento da vida e da sociedade fez-se sentir decisivamente na sua obra, apesar de tão curta, e fê-lo aproximar-se do neo-realismo. Publicou Corsário, em 1940. Os Poemas de Álvaro Feijó integraram o Novo Cancioneiro, tendo sido publicados em 1941, poucos meses depois da sua morte. Leiam a seguir dois poemas deste poeta que foi tão significativo, apesar da sua vida tão breve:

 

 

 



publicado por João Machado às 23:55
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