Quarta-feira, 2 de Março de 2011

A República nos livros de ontem nos livros de hoje - 1, por José Brandão

A Acalmação e Dom Manuel II

 

 

Augusto Ferreira do Amaral

 

 

Empresa Nacional de Publicidade, 1966

 

 

 

 

 

 

 

De há já a tempo que se contava entre as minhas ocupações a de aproveitar o facto de haver na posse da minha família cartas régias para realizar um estudo histórico sobre um período que para mim tinha triplo interesse – o período durante o qual meu bisavó paterno, o almirante Ferreira do Amaral, presidiu ao ministério que foi o primeiro do reinado de D. Manuel II. 

 

 

 

Triplo interesse porque três são os especiais motivos de atracção que me fizeram embrenhar nesse labor. Por um lado, o facto de estar na fruição de elementos inéditos de evidente valor histórico; por outro, o de se tratar de uma época de relevância acentuada no destino da Monarquia, instituição que já contou com as minhas simpatias; e, finalmente, por ser figura principal desse período um membro da minha família, para mais caluniado pelos que posteriormente analisaram o papel que desempenhou.

 

publicado por João Machado às 17:00

editado por Luis Moreira às 17:27
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Jean-Léon Gérôme - por Manuela Degerine


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Concluíram-se esta semana em Paris duas grandes retrospectivas que atraíram multidões: a obra de Claude Monet. E, facto mais surpreendente, a obra de Jean-Léon Gérôme.

 

Este pintor especializou-se na chamada pintura de história e as suas imagens da Antiguidade continuam mundialmente conhecidas por o cinema as ter reproduzido: a morte de César, o combate de gladiadores, o cristãos lançados às feras... Pela nitidez da imagem, pelo rigor arqueológico, pelo sentido da encenação e do movimento, valores cinematográficos, Gérome atraiu – e mesmo formou – o olhar dos realizadores, de Enrico Guazzoni (1913) a Ridley Scott. E dos espectadores...

 

Enquanto vivo, Jean-Léon Gérôme foi dos artistas mais cotados, teve todas as honras, sucessos e poderes hierárquicos no mundo da pintura – e soube tirar partido económico disto. Casado com a filha de um editor, o proprietário da empresa Goupil, Gérôme não inventou a reprodução mas deu-lhe projecção mundial. Claro que lhe interessava vender ao duque de Aumale, à família do Imperador ou a milionários americanos mas, negociada uma obra, restavam-lhe ainda os produtos derivados... Não menos lucrativos. Assim, por exemplo, vende o óleo sobre tela dos gladiadores (Pollice  Verso, 1859; que agora pertence à colecção do Phoenix Art Museum) e depois, pelo mundo inteiro, a quem que não pode comprar originais, isto é, à maioria, vende milhares de cópias, da mais barata à mais onerosa: postais, gravuras, fotografias, bronzes com as mesmas figuras. Gérôme beneficiou de um sucesso opulento enquanto os impressionistas morriam de fome; talvez também por isto tenha mais tarde suscitado tão imenso desdém.

 

Gérôme manteve a exigência de nitidez na imagem e a fascinação de um além, que tanto se podia situar no tempo, a Antiguidade ou a cena bíblica, como no espaço (viajou pelo Egipto e Palestina, pintou – no atelier – cenas de rua) ou até no imaginário (alegorias como Tanagra ou a Verdade a sair do poço), por conseguinte rejeitou o que considerava vazio, trivialidade ou inacabado na pintura que passou a ser designada como Impressionismo. Simetricamente os impressionistas e posteriores vanguardas, a partir do momento em que se tornaram estética dominante, troçaram da sua pintura, negando-lhe todo o valor, qualificando o pintor como pompier, "bombeiro", por verem capacetes metálicos nas cenas de circo.

 

Esta exposição do Museu de Orsay foi a primeira desde a morte de Jean-Léon Gérôme em 1904. Passou-se entretanto mais de um século... E o próprio Claude Monet já em 1926, quando faleceu, fazia figura de comendador perante as vanguardas – mesmo com Nymphéas, a fascinante obra, quase abstracta, que legou ao Estado. Por consequência agora, tendo inevitavelmente visto imagens impressionistas reproduzidas até à saturação em canecas e caixas de chocolate, numa época que quase aboliu a pintura e se compraz, há cem anos, em instalações mais ou menos inventivas, podemos observar a pintura de Gérôme com outros olhos. Em primeiro lugar, as cenas da Bíblia ou da Antiguidade interessam-nos pelo que representam no imaginário do século XIX e pela influência que vieram a ter no cinema; também é interessante verificar como Gérôme consegue, com frequência, inventar um ponto de vista novo em temas tão exaustos como – por exemplo – a Crucifixação (1867): os últimos espectadores desaparecem na primeira curva do caminho pedregoso que desce na direcção de Jerusalém. E, no cimo do monte, projectadas no chão, vemos a sombra de três cruzes...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gérôme é mais do que um pintor académico. Descobrimos  na exposição retratos de figuras contemporâneas: por exemplo do arquitecto da ópera de Paris – Charles Garnier – ou da actriz Sarah Bernardt. Ou imagens que se ligam com o imaginário decadente, simbolista e expressionista do fim-de-século: Cabeça feminina enfeitada com cornos (1853) mostra uma bela e enigmática rapariga; A Verdade a sair do poço (1896) é alegorizada através de uma figura feminina cujo rosto exprime o horror. Gêrome foi igualmente exímio nos jogos de espelho, as obras que contêm outras obras, assim como nas metamorfoses e passarelas entre criação e realidade: um trabalho que ainda nos fascina. Após Pigmalião e Galateia (1890) continua a aprofundar este trabalho. Vejamos o caso da escultura Tanagra... Tanagra é o local onde no século XIX os arqueólogos encontraram graciosas figuras gregas que agora vemos nos museus e que, como muitas outras escultura da Antiguidade, conservam vestígios de policromia. Ora Gêrôme representou alegoricamente este espaço arqueológico através de uma figura feminina nua e sentada num bloco de argila – fazendo portanto parte dele – no qual começam a surgir as tais estatuetas. E Tanagra mostra ao espectador uma destas esculturas (inventada pelo artista). Mas Gérôme também pintou um auto-retrato no qual vemos o artista no atelier acabando o polimento desta escultura com, ao lado da obra, a rapariga que serviu de modelo (O Trabalho do Mármore, 1895). E, noutro quadro, Sculpturae vitam insufflat pictura (1893), representa um atelier onde, na Grécia antiga, se fabricam e vendem as figuras de Tanagra: não só uma rapariga – alegoria da pintura – pinta exemplares da figura de Tanagra por ele inventada, mas até a própria escultura Tanagra aparece exposta no balcão... para ser vendida. Não se pode dizer que os auto-retratos de Gerôme sejam convencionais. Em La fin de la séance (1886) volta a representar-se no atelier de escultura, no momento em que acaba de concluir o trabalho do dia: para a argila não secar, a modelo, ainda nua, com um gesto gracioso, cobre a obra de panos húmidos enquanto, de cócoras, o artista lava o material... A minúcia e dinâmica da representação contém afinal uma grande modernidade, impondo Gérôme como antepassado desta arte plástica ainda por inventar: a banda desenhada.

 

Decorrido um século após a anátema de Gérôme, deixamos de opor este artista aos impressionistas e podemos devolver-lhe o lugar que teve no imaginário e criatividade do século XIX. Reconhecemos Gérôme e Monet como antepassados: sem um ou sem o outro não seríamos os mesmos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 23:55
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