Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

China - fábricas de propriedade privada

Luis Moreira


Quem nos recebe nas fábricas são os membros do partido Comunista Chinês e nas paredes lá estão penduradas as fotografias dos seus principais dirigentes. A propriedade é muito condicionada, desde logo porque os investimentos têm que contribuir para as grandes metas fixadas pelo governo.

Os seus proprietários são pressionados a reinvestir grande parte dos lucros em intervenções de caracter social (construção de escolas profissionais que são entregues ao estado ou ao municipio).Por outro lado, estas empresas privadas recorrem ao crédito em bancos fortemente controlado pelo estado e, se pensarmos que no interior dessas empresas estão presentes quer o Partido quer o Sindicato, percebe-se bem que o poder do accionista privado é muito limitado.

Neste equilibrio, joga-se a relação entre os baixos salários e o dumping social , alavancando a modernidade tecnológica numa perpectiva mais ampla do interesse global de toda a nação. Dito sem pruridos, os aumentos salariais a curto prazo não podem comprometer os objectivos estratégicos fundamentais a longo prazo duma nação que, conta com o crescimento económico para refrear os "planos do imperialimo ou da hegemonia" ocidentais.

Os empresários tambem são aceites nas fileiras do partido, o que é visto por alguns como a "porta aberta para o aburguesamento" do partido, o qual deveria garantir o sentido da marcha socialista da economia de mercado.Claro, que os empresários aceites no Partido são uma gota de água nos 80 milhões de militantes, trata-se duma presença simbólica. Mas estes empresários são fundamentais, porque reduziram a margem entre a capacidade tecnológica da China e o exterior.

continua
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

China - socialismo de mercado

Luis Moreira

É socialismo o "socialismos de mercado" teorizado e praticado pelo Partido Comunista Chinês? A área da economia do Estado foi restringida e a área da economia privada alargou-se. Estaremos na presença da restauração do proceso capitalista? Os comunistas chineses fazem notar o papel central e dirigente do Estado.

O panorama económico da China de hoje caracteriza-se por: propriedade do Estado, propriedade pública; ( neste caso não é o Estado o proprietáro mas por exemplo, um municipio);sociedades por accões onde o Estado ou a propriedade pública detém a maioria absoluta, ou então uma maioria relativa, ou ainda uma percentagem significativa; propriedade cooperativa; propriedade privada.

Nestas condições é muito dificil calcular a percentagem da economia que continua nas maõs do estado e pública. Mas calcula-se que o Estado controla 3/4 da economia chinesa. Há ainda a acrescentar que o estado mantem a propriedade do solo; os camponeses podem ter o seu usufruto, que podem vender, mas não podem vender a propriedade.

No que se refere à industria outros cálculos referem um peso mais reduzido do Estado, mas a tendência é que as empresas propriedade do estado dominem de modo crescente a economia. Afigura-se que no próximo passo ( o desenvolvimento do oeste) o papel da propriedade privada será bem mais reduzido.

A entrada da iniciativa privada contribuiu para que a burocracia fosse aliviada, tendo com isso, favorecido as empresas estatais e a concorrẽncia melhorou a competitividade e a inovação. Quatro dos dez bancos mais importantes mundiais são Chineses.Esses bancos estão de excelente saúde e os dirigentes são nomeados pelos dirigentes chineses e ganham uma fracção dos seus colegas ocidentais.

A economia do Estado e pública não é sinónimo de ineficácia, e os bancos não têm que pagar como nababos aos seus gestores para serem competitivos no mercado interno e internacional . Mas a propriedade privada tornou mais fácil a introdução da tecnologia mais avançada dos países capitalistas: em muitos casos são os chineses do ultramar que fundaram as empresas privadas: estudaram no estrangeiro, obtendo excelentes resultados e acumulando algum capital.

continua
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

China - reflexões do filósofo Domenico Losurdo

Luis Moreira

De 4/10 a 19/10 estive de visita à China de onde enviei várias crónicas, fazendo eco do que via e, mais do que isso, do que parecia. Na verdade não é em 15 dias que se avaliam as potencialidades de um sistema político - um país dois sitemas - ainda para mais de um país com a dimensão da China e com a importância que tem no concerto mundial.

Consciente disso, não me cansei até encontrar uma visão daquele país que fosse substancialmente diferente da minha e que fosse credível. Mão amiga fez-me chegar um documento - Uma viagem instrutiva à China - reflexões de um filósofo - de Domenico Losurdo. Fez esta viagem a convite do Partido Comunista Chinês tendo feito parte de uma comitiva onde estão representados vários partidos comunistas europeus (Portugal,Grécia,França,Linke da Alemanha e de Itália).

Fica assim cumprida um dos princípios fundamentais do Estrolabio. Dar voz a todas as correntes de opinião.

É, pois, uma visão de um homem que olha para a China, interessadamente, procurando encontrar domínios onde se descubra a esperança num modelo que tenta fazer a ponte entre um Estado Comunista e uma economia de mercado.É um testemunho corajoso onde denuncia pontos fracos e antevê, também, lacunas e problemas.

Estamos, pois, confrontados com duas visões distintas, as mesmas realidades são vistas por mim, como opções já experimentadas sem resultados (partido único, estado militar, milhões de pessoas na pobreza, economia a crescer a dois dígitos) e para Domenico Losurdo, um sistema económico que assenta mais do que tudo na propriedade pelo Estado de todo o sistema financeiro e das riquezas do país consideradas estratégicas, de uma actividade privada orientada pelos macros objectivos do Estado,com regras de comportamento sociais muito bem compreendidas.

Mas ouçamos Losurdo: " A primeira coisa que salta aos olhos no decurso do encontro com os representantes do Partido Comunista Chinês e com os dirigentes das fábricas, das escolas e dos bairros visitados, é a tónica autocrítica, digamos mesmo a tónica autocrítica de que dão provas os nossos interlocutores. Neste ponto, é evidente a ruptura com a tradição do socialismo real. Os comunistas Chineses não deixam de sublinhar que o caminho a percorrer é longo, e numerosos e gigantescos são os problemas a resolver e os desafios a enfrentar, e que, apesar de tudo, o seu país continua a fazer parte do terceiro Mundo"

continua
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sábado, 23 de Outubro de 2010

China - devemos ajudar o "dumping social"?

Luis Moreira

Uma China muito rica com milhões de chineses muito pobres, é uma situação lamentável mas que nós europeus ajudamos e muito, comprando baratíssimos os produtos chineses que sabemos que resultam de "dumping social", mantendo na miséria muitos trabalhadores sem quaisquer direitos, incluindo crianças.

As boas intenções nem sempre dão bons resultados, ter as fronteiras abertas e participar na livre circulação de produtos e bens e pessoas, tem sido uma política que ,generosa, nos seus principios, não tem dado frutos e não tem contribuído para um mundo mais justo. Ao contrário, o que se vê é que as situações de miséria se mantêm na origem e a Europa recolhe problemas gravíssimos a que urge deitar mão. Merkel e Sarkozy dão sinais que a circulação livre de pessoas tem os dias contados.

Não é de todo possível que pessoas e mercadorias com origem no exterior, não estejam enquadradas na Lei vigente no país de destino. Daí resultam situações que não só não são aceitáveis, como colocam os naturais em inferioridade face à Lei. Ora, o primeiro principio de um Estado de Direito é que todos estão sujeitos ao cumprimento da Lei e ninguem está acima dela.

Se dúvidas houvesse que a glozalização e o neo-liberalismo sem regras e sem regulação não respondem aos problemas globais, a situação que se vive na China é mais que suficiente para se perceber que não é uma Europa de cócoras perante os que a querem destruir nos seus principios e modos de vida, que resolve situações internas de países longínquos que não querem largar mão das suas vantagens, mesmo que isso corresponda à manutenção de situações de profunda injustiça.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

China - tal como no Chile de Pinochet não há milagre

Luís Moreira

Ter um Estado que domina os recursos estratégicos do país, um partido único que domina com mão de ferro qualquer manifestação de democracia, assentar a economia em baixos salários e amordaçando os trabalhadores que não têm qualquer representatividade sindical, ja foi experimentado no Chile de Pinochet. Aqui, com a diferença importante de ter entregue as riquezas naturais ao poderosos vizinho do norte.

O "milagre" não é nenhum, apesar de vermos uma economia a crescer a dois dígitos, enquanto as economias ocidentais definham a 2% com a provável excepção da Alemanha que vai crescer 4%. Nós também somos uma excepção mas é para pior, crescemos 1% que não resolve nada, nem cria riqueza nem postos de trabalho...

A Quadratura do Circulo não foi resolvido com os dois sistemas da China, a miséria é muita, há largas partes de país que não partilham do sucesso e, assim, é fácil. Basta ver que nos governos de Salazar a economia crescia a dois dígitos, até tínhamos a segunda maior reserva mundial de ouro, nas estava tudo assente na miséria de grande parte do povo, nos baixos salários, era como um pai guardar dinheiro no banco e enriquecer e não mandar os filhos à escola e ao médico.

Já pagamos para este filme! Dizia um dos guias, controlador e agitador ideológico do partido comunista, que a prioridade era matar a fome a um povo que representa 21% da população mundial e que só tem 8% da terra arável e que isso explica a falta de liberdade de expressão e a justiça que é implacável.

Por enquanto não há soluções milagrosas, há soluções que têm que ser evolutivas, graduais,no sentido do equilíbrio. Mais uma razão para sermos implacáveis com os especuladores gananciosos que não hesitam em lançar o mundo numa crise sem precedentes.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sábado, 16 de Outubro de 2010

A Grande Muralha - 10 - Luís Moreira na China

A poluição absoluta de cimento, carros, pessoas, no meio de prédios com 60 andares onde não corre brisa pequena ou grande, um inferno!

Milhares de lojas com milhões de produtos tudo se compra e vende num rodopio sem fim. Desde os produtos que obrigam a fechar as lojas quando se esta a negociar (pelo seu alto valor) ate aos produtos vendidos a peso, num afã febril. É mil vezes pior do que Macau,  menos opulenta no que diz respeito aos hotéis e casinos. Nas verdejantes montanhas circundantes erguem-se prédios de 60 andares destruindo sem consciência o pouco da natureza que resta, não ha um palmo de terra a vista, tudo e aproveitado para construir.

Pontes juntam as margens da baia bem como tres túneis submersos com cerca de 12 km cada. E uma colmeia humana onde não ha uma réstea de paz e sossego, um pequeno jardim no centro da cidade quase que pede desculpa por ainda se manter por ali, embora esteja bem tratado e seja bonito. Há gente de todas as raças, os ingleses são frequentes, vem ver a memoria colonial, uma cidade que utilizaram para controlar o mar, numa estratégia que passava pelo controlo dos grandes caminhos marítimos como era este estreito onde se situa esta cidade.


Tudo e igual ou parecido, grande, muito, alto, enquanto os chinesess vivem e dormem em casas onde as três camas para a família tem que estar sobrepostas.

Para que tudo se complique, os trabalhadores franceses decidiram entrar em greve o que poderá impedir o meu regresso no dia aprazado.
publicado por Carlos Loures às 16:30
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

A Grande Muralha – 9 – Luís Moreira na China


Macau, um calor sufocante espera-me nas ruas, enquanto no hotel o ar condicionado faz lembrar a Sibéria...tudo esta montado na energia, e incrível o desperdício, a opulência, "muitas e desvairadas gentes" cruzam-se aqui, para o jogo e o turismo. Deitei-me por volta da uma e quando me levantei, `as 8 horas, o jogo continuava. No nono andar ha um clube selecto que, a ver pelas meninas, deve ser muito selectivo, o elevador privativo não para...

Encontrei um jovem português com um pequeno restaurante, deixou a pátria madrasta para ter trabalho, vende "pastéis de bacalhau" e tinto, não esta nada arrependido o negocio floresce, os guias que falam português encarregam-se de levar la os compatriotas ávidos de comida portuguesa. Mais um que em vez de se lamentar e andar em manifestações a querer mais, deitou mãos ao trabalho.

O lugar está transformado por prédios cada vez mais altos e mais opulentos, embora as colunas de mármore dos casinos sejam de "plástico, pontes juntam as ilhas à China, tudo à grande e com a Fórmula 1 a ser preparada para aqui ocorrer em Novembro.

O hotel onde estou "O Grande Lisboa" é um atentado ao bom senso, a casa de banho são três compartimentos, 60 metros quadrados com um luxo incrível, desperdício, até dói, mas tu estás aí, vão perguntar vocês. Pois estou, convidado por uma daquelas associações que proliferam na nossa terra dos bem com a vida, embora eu pague, não pago nem metade do que pagaria um cliente normal. E assim Portugal, dividido ao meio entre os que tendo trabalho tem uma enormidade de mordomias, e a outra metade com vencimentos de miséria e pensões de fome. Mas quem tem dinheiro e que enche as camionetas para trazer o pessoal para as manifestações da avenida, para reivindicar para si, não para quem precisa. E a esquerda bem pensante a cavalgar o Estado Social...

Hoje chegaram aqui as noticias sobre as medidas que Sócrates jurava nunca ter que anunciar. Um Orçamento com um ataque sem igual a classe média, acabou a "grande farra", os investimentos dos mega projectos, às vezes e muito bom não ter dinheiro, não se deita fora, não se desperdiça.
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publicado por Carlos Loures às 14:06
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

A Grande Muralha - 7 - Luís Moreira na China

Estou desde ha oito dias na China, este imenso pais de gente muito pacífica e amigavel. Nesta altura estou em Xangai, para visitar a Expo, e a verdade é que há rumores que um dissidente politico chinês, preso por estar envolvido nas manifestações na Praca Tianamen, tera ganho o Premio Nobel da Paz. Alguém sabe mais alguma coisa? Aqui a unica indicação que tive foi de um guia turistico que se referiu a uma provocação, por parte da Academia Sueca.


E verdade? Souberam como? Aqui não há comunicação social que se refira ao assunto, ninguém sabe o nome do premiado por mais que pergunte e ofereça copos de uísque.Podem informar?

Um português pouco informado, na China.

_______________

Sim, é verdade Luís. o Prémio Nobel da Paz 2010 foi ontem  atribuído a Liu Xiaobo, pela "sua longa e pacífica luta pelos direitos humanos fundamentais na China", de acordo com a declaração de atribuição emitida pela Academia Nobel. Pelos vistos, a notícia não atravessou a " grande muralha" que cerca a China.

 É de facto uma provocação, como disse o guia turístico. Só é pena que, a par destas tímidas provocações, não haja atitudes mais enérgicas de repúdio por um regime que, intitulando-se comunista, tem um comportamento que nada fica a dever ao nazismo e ao fascismo.
publicado por Carlos Loures às 14:20
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A Grande Muralha - 6 - Luís Moreira na China

Uma cidade enorme, bonita e moderna. Totalmente ocidentalizada, magníficos prédios erguem-se para o céu, dando a ideia de uma NY mais moderna. Os prédios antigos dão lugar aos arranha céus, onde se acolhem todos os bancos internacionais e todas as marcas das empresas globais. De um e outro lado do Rio Amarelo (mais para o barrento...) as construções rivalizam em modernidade e originalidade, enquanto a baia esta sulcada de navios de cruzeiro que largam muitos milhares de turistas todos os dias.

A torre das telecomunicações domina, pela altura e forma a cidade, hoje, quando a visitei por volta das 11 horas já tinha sido visitada por 254 000 pessoas. Vende-se de tudo e a todos, eu vou carregado de livros sobre arquitectura. Ando a ver se não gasto mais dinheiro mas amanha na Expo vai ser um tormento para me aguentar...


A visita a um dos bairros típicos ( o bairro Francês) deu uma visão bem diferente da Xangai moderna, milhares de pequenas lojas com produtos tradicionais e produtos da mais adiantada tecnologia, em paralelo com a venda de rua, chamam milhares de pessoas que tudo compram ao preço que se quiser, por metade do preço inicial .

O transito, ou ando a ver mal, mas a verdade e que não ha regras, vejo ciclistas em direcção contraria aos carros, estes mudam de direcção ao sabor do interesse do motoristas, os sinais vermelhos são so para aconselhar prudência porque ninguém para nos sinais vermelhos e muito menos nos outros, mas ninguém bate, as pessoas atravessam aos magotes em plena rua, uma anarquia organizada ( o Loures adoraria ver como o sistema e viável e funciona...)

Mas, no meio deste vulcão fomos visitar lugares magníficos onde impera o silencio e aromas de arvores e flores que sobrevivem ao caos em que a vida das pessoas esta transformada, musica tocada por jovens chinesas de uma suavidade impressionante acalmam os sentidos, tudo parede meias com a confusão generalizada. Os hotéis de cinco estrelas estão cheios, os carros de luxo estacionados com os motoristas a espera, restaurantes e teatros, cinemas e espectáculos tudo cheio como um ovo, a transbordar de gente de todo o mundo...

Com o Ocidente as voltas com tanta crise ha algo que me escapa...
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publicado por Carlos Loures às 13:30
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Domingo, 10 de Outubro de 2010

A Grande Muralha – 5 - Luís Moreira na China



Como percebem, a cidade é a mesma, seja em inglês ou chinês, mas os guerreiros de terracota são mesmo únicos. Em trẽs pólos, cada um com a dimensão de um campo de futebol, milhares de guerreiros, guardam há séculos o túmulo do Imperador.   Um lavrador, ao fazer um poço encontrou as primeiras figuras deste fabuloso achado arqueológico, e como a cultura pode estar em todo o lado, este homem percebeu que
estava perante uma descoberta de grande valor histórico.





As universidades existentes na cidade colaboram de forma entusiástica nas investigações, nas suas multiplas vertentes e areas de saber, vendo-se jovens cientistas e estudantes, pacientemente, a desenhar e a arrancar da terra tesouros  unicos. Estes trabalhos fazem parte do produto turístico, estando tudo organizado por forma a nao haver impedimentos, quer a investigacao quer ao turismo que suporta, financeiramente, o projecto.

O campo está cercado de belos jardins, impecavelmente tratados, e foram construídos um museu e um edifício de apoio administrativo e de direcção, belos edificios, diga-se.   A seguir rumei a Xangai onde me encontro, não sem antes ter assistido a um belo espectáculo num daqueles casinos que so os chineses têm.

Fui ver palácios budistas e amanhã vou para a Expo Mundial, tendo sido presenteado com um convite para entrar e visitar o pavilhão português, todo feito em cortiça. É preciso convite, porque de outra maneira não se chega lá, as filas são de 5 horas.   Prometo que amanhã ponho tudo em dia, vou ter um dia mais sossegado!


Abraço desde a Grande Muralha.
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publicado por Carlos Loures às 13:30
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

A Grande Muralha - 4 - Luís Moreira na China

Estou numa cidade,Xiang, com 11 milhões de pessoas, onde estão os famosos guerreiros de Terracota. Fomos recebidos de uma forma extraordinária, com uma festa na parte central do castelo existente, com figurantes,música e actores.Xiang, e a cidade onde está instalada a grande indústria militar .Antes de abandonar Beijing, visitámos o Palacio do Céu, mas bem mais importante que o palácio, sao os milhares de pessoas que as 7 horas da manhã se juntam nos jardins para fazer ginástica, dançar e jogar vários jogos.




Contrariamente ao que me pareceu nos primeiros dias, Pequim é uma cidade cheia de carros, com um capacete de nevoeiro permanente a que se junta a poluição, nao compreendo o fenómeno, dizem que o vento vem sempre do norte e que empurra o nevoeiro contra as altas montanhas que cercam a cidade o que faz que o capacete se instale sobre a cidade. A verdade é que eu vi Beinjig a brilhar ao sol!

O voo nas linhas aéreas internas chinesas durou 2 horas, agradável, com o comer muito mau, mas as pessoas de uma simpatia inexcedível, e notando-se perfeitamente que os jovens vestem à ocidental, são  mais altos 10 centimetros que os pais e falam regularmente inglês.

Agora, enquanto estou a escrever, metade dos homens (e das mulheres) estão nas mãos de massagistas, mas cá o caçador de estrelas não se perde por tão pouco, está aqui no seu posto, mas estou de saída, pois tenho um convite para ir beber um copo a um bar. Ninguém é de ferro!

Até porque vamos ver o Portugal-Dinamarca que aqui é às 4 horas da manhã e não vale a pena ir à  cama. Prometo que quando aí chegar vou dormir muito.

Aí vai um abraço.
publicado por Carlos Loures às 16:31
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Domingo, 18 de Julho de 2010

A natureza humana e o negócio de orgãos

Luís Moreira

Se um cidadão, no Ocidente, precisar de um orgão - coração,rim,fígado,- vai para uma lista de espera que pode, em média, andar nos 2/3 anos.Na China e na Índia arranja-se um orgão em 15 dias!

Há aqui um negócio de milhões, à luz dos principios da economia de mercado e da natureza humana!Aquela diferença de prazo vale milhões para um doente rico, que pagará o que for preciso para ser transplantado a breve prazo.

Bem se sabe que a miséria leva muita gente pobre a vender orgãos, que na China, são executados cerca de 10 000 adultos jovens cujos orgãos são de imediato retirados.Mas nada disto explica aquela diferença. Os orgãos têm que ser transplantados num prazo de dias e têm que ser compatíveis.Então como é?

O milionário telefona dos States e aparece logo um orgão compatível? Um transplante destes feito na China ou na Índia custa pelo menos 100 000 dólares, não contando com as deslocações e o alojamento, é para gente com muito dinheiro.

Só há uma explicação que arrepia, mas tem que ser dita.Há que saber onde está o ser humano compatível vivo e tirar-lhe o orgão! Se for o coração ou o fígado, os os pulmões, isto equivale a matá-lo!

É, a isto, que chega a sociedade que construímos, sem ética, sem amor, sem vergonha!Mas com negócios e com mercados com uma "mão invisivel " que tudo controla a bem de todos!

PS: há que dizer que a China já proíbiu que estrangeiros sejam transplantados no país!
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Domingo, 4 de Julho de 2010

China - salário mínimo 117Euros!


Luís Moreira

Por doze horas de trabalho/dia, sem condições de trabalho, sem acesso à segurança social e sem cuidados de saúde!

Após 30 anos de reformas e crescimento económico, as fissuras no tecido social começam a surgir com cada vez mais frequência. O chamado "milagre económico chinês" não resultou em melhor vida para a população, surgem as greves por melhores salários, direitos laborais, condições de trabalho e melhor qualidade de vida.

A redistribuição da riqueza mostra que há duas populações, uma muito rica e outra muito pobre, à semelhança do Brasil, as "chamadas bossas do camelo" em vez da curva normal.No entanto, saíram da miséria cerca de 400 milhões de chineses, no mesmo período.

Com a crise mundial e apesar das deslocalizações do Ocidente, há milhares de fábricas a fechar e milhões de trabalhadores no desemprego, a economia virada para as exportações colapsa com a crise da Europa e dos US.No entanto, há 800 milhões de pessoas que ainda permanecem nos campos prontos para venderem o seu trabalho escravo.Se fosse criada uma procura interna com capacidade de compra, o país poderia substituir as exportaçõs que perdeu. Mas quem quer um trabalhador chinês a ganhar mais que 117 euros?

Convém lembrar estas coisas a quem, por sistema, critica os males do Ocidente!
publicado por Luis Moreira às 19:30
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Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

A China e a India exportam para onde?


Luís Moreira

A China e a India têm aumentos do PIB a roçar os 10%, porque as suas economias assentam no lado da oferta, baixos salários, nenhuns ou baixíssimos apoios sociais, não têm consumo interno.Estão virados para a exportação para a rica Europa e Estados Unidos.Acontece que estes dois deixaram de ser ricos, não compram, a China, A India e outros países com a taxa do PIB a crescer a dois dígitos vão ter que desenvolver o mercado interno.O Brasil está no rol, nos últimos dez anos tirou 40 milhões de pessoas da pobreza.

Só os mercados internos da China e da India, se e com capacidade de compra eram suficientes para dar um piparote na crise mundial, e arrastar as economias não só dos países desenvolvidos mas tambem de muitos países em desenvolvimento.Acontece que isso tambem levanta problemas. Desde logo uma corrida às matérias primas e consequente aumento de preço, lá se vão as jeanes a cinco euros...

Depois povos com as necessidades essenciais resolvias começam a pensar em coisas perigosas como sejam a cultura e o conhecimento e isso leva a problemas sociais e políticos...

A Europa e os Estados Unidos têm que travar de vez a "bolha financeira" que não corresponde à economia, isto é, não representa a riqueza criada e deixar de vez de acreditar piamente, naquela máxima: "dá o teu dinheiro aos bancos que eles sabem melhor do que ninguem onde aplicá-lo" porque como se vê é falso!

Podemos e devemos queixar-nos mas a verdade é que fomos nós, pessoas, que achamos possível ganhar cada vez mais, que os bancos nos davam cada vez mais dinheiro na remuneração dos nossos depósitos, que andamos a comprar sapatilhas a um euro,(assente na exploração do dumping social) como se tudo isto fosse natural e sustentável.

Não é!
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publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sábado, 5 de Junho de 2010

5 de Junho – um dia como os outros

Carlos Loures


Um dia como os outros? Sem dúvida. Como já disse aqui, todos os dias se assinalam efemérides. O dia de hoje não escapa à regra. Houve nascimentos de pessoas famosas - Adam Smith em 1723, por exemplo, o falecimento de outras, como em 1443 , o irmão de D.Duarte, D. Fernando de Portugal, o Infante Santo, no cativeiro em Fez. Houve acontecimentos relevantes como, faz hoje quatro anos, o Parlamento da Sérvia ter proclamado a independência, dissolvendo a federação que mantinha com o Montenegro. Mas resolvi fixar-me em dois acontecimentos e de os vir lembrar aqui. dois entre muitos possíveis. Como todos os dias acontece.

No dia 5 de Junho de 1967, teve início a Guerra dos Seis Dias entre Israel e os estados árabes do Egipto, Síria e Jordânia. Vejamos algumas imagens.



Em 1989, Na China, um jovem desarmado, armado com a sua enorme coragem, desafiou o poderio chinês barrando a passagem de vários tanques de guerra durante os protesto na Praça da Paz Celestial ou de Tiananmen.



Dois acontecimentos significativos e com ressonâncias no futuro. Na Palestina a paz continua ausente. A prepotência israelita continua a causar vítimas, 43 anos depois. Os palestinianos continuam a pagar a dívida que os israelitas entendem que a Humanidade contraiu para com eles. O Holocausto, a Shoah, de que foram vítimas, justifica aos olhos da mioria dos hebraicos o cometimento de todas as ignomínias. E os senhores do mundo apoiam-nos (sem o que a cobrança desta «dívida», pelos vistos eterna, não seria possível).

Na China, uma violência política e social, um regime brutal, que em todos os seus contornos se aproxima mais do totalitarismo fascista do que do centralismo leninista, um regime que é a antítese de tudo aquilo em que o socialismo nos fez sonhar (uma terra sem amos), continua o seu tortuoso, mas célere, caminho para um capitalismo selvagem, agitando bandeiras vermelhas.  Um homem, um jovem, meteu-se à frente de uma coluna blindada e fê-la, por momentos, parar. Não se sabe o que lhe aconteceu, que preço pagou pela ousadia de enfrentar o exército da China Popular.

Dia 5 de Junho, um dia como todos os outros.
publicado por Carlos Loures às 12:00
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