Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (25)
(Continuação)

Capítulo 7-Tricinco no Portugal de hoje e no Chile de ontem.



Torno ao texto central. Os membros que apoiaram o que após golpe foi ditadura vitalícia, ficaram horrorizados. Primeiro, por não serem convocados a governar, depois, pelas perseguições contra eles, a seguir, pelas tropelias causada pela ditadura. Como um dia me contara Patrício Aylwin Azócar , em Portugal na casa do Embaixador do Chile na Rua da Estrela em Lisboa, casa habitada, em tempos, pela consulesa Gabriela Mistral e por um nosso tio Ministro Conselheiro da Embaixada. Aylwin e outros membros do seu partido foram banidos e Frei ficou a espera de ser convocado a governar. Desencanto! Mal conheciam ao hesitante ditador, que aderiu ao golpe, um dia antes: ele estava sempre ao pé do poder. Quando o poder era do Presidente Allende, não queria participar em golpes. Teve de ser convencido pelos outros membros golpistas, de que não era apenas uma tentativa de golpe: a CIA estava com eles, o que fez tremer ao generalito e aceitou para passar a ser não apenas o melhor membro para completar o golpe, bem como mandou, no seu primeiro dia de governo, publicar um bando para ordenar que todos os partidos políticos ficavam suspensos até ele dizer outra coisa e declarava que os partidos que “vendiam ao Chile a potências estrangeiras, como PC, PS, MAPU , Esquerda Cristã, Partido Radical, e qualquer outra filiação da derrubada UP, ficavam fora da lei e proibidos de funcionar no Chile”. Foi, porém, a necessidade de fugir, de escapar, salvar a vida fora para recomeçar, mais uma vez, a nossa história pessoal, em outro sítio, com outras pessoas, em outras culturas era a ordem do dia. Pensava-mos, como sempre se pensa no Chile, sem visão do futuro e com curta memória histórica, que esta ditadura seria curta. Como habitual em processos históricos desconhecidos e novos, estava-mos enganados. Foram os que ficaram dentro do Chile, vivos, os que começaram a protestar contra esse governo, os caudilhos eram do silenciado Partido da Democracia Cristã Patrício Aylwin , e Ricardo Lagos, que formaram, em 1988, com uma ditadura debilitada, donde, a atacar fortemente a outros para se defender e sobreviver, os antigos democratas, rivais e amigos organizaram a Coligação de Partidos pela Democracia ou Concertación Nacional, referida em nota de rodapé . O novo Presidente percorreu o mundo todo para restabelecer relações com os países que tinham-se demarcado de relações diplomatas com a ditadura. O nosso trabalho no exílio, tinha sido assim feito, para acabar com essa ditadura de alguma maneira. Foi o nosso humilde contributo desde o exílio.

Dentro do Chile, todo estava bem difícil, o ditador tinha publicado uma constituição que assegurava maioria no Parlamento que, após a sua dissolução em 1973, foi reaberto nos anos 90, após a eleição de Patrício Aylwin como Presidente da República. Esse Congresso foi eleito “a correr”, apenas três meses antes da transmissão do mando do auto eleito Presidente do Chile, Pinochet, à Patrício Aylwin, eleito de forma democrata como é referido na nota de rodapé anterior. A ideia do Ditador era colocar partidos organizados por ele e os seus apoiantes, a recente enriquecida nova burguesia do Chile, bem como a antiga que o apoiara, mas que, parte dela, o tinham abandonado ao aparecer que terras e bens eram entregues a membros das Forças Armadas e a membros da sua família e não aos seu legítimos proprietários. Digo a correr, pelo curto espaço de tempo com um Presidente eleito por sufrágio livre e universal, e a inexistência do Parlamento Bicameral do Chile, legislado em todas as Constituições que o País tem tido: Deputados ou Câmara Baixa e Senado, ou Câmara Alta para testemunhar a toma de posse e o juramento do novo Presidente. No entanto, a guerra, como diria Teitelboim, foi travada e ganha por nós, os democratas chilenos: todos estavam já preparados e estruturados em Partidos, reorganizados durante a luta contra a Ditadura, que até o dia de escrever estas notas, existem, bem como as Alianças entre os Partidos Democratas e os da Ditadura ou outros mais à Direita, como o de Lavín, quem queria-se desmarcar do Governo assassínio.


• O ditador tinha organizado bem a sua saída, porque ficava como General em Chefe das Forças Armadas até a sua morte, esse título que dá poder e que é normalmente, é o poder do Presidente Civil, o poder do Presidente da República. Aylwin não teve esse poder e andava pelo mundo em procura da colaboração de outras Democracias, especialmente na Europa. O primeiro apoio surgiu da Espanha e da Grã-bretanha, e de outros países do Continente Europeu, como França, Dinamarca, Noruega, Suécia, que reclamavam os seus mortos na ditadura. O poder judicial não queria julgar a Pinochet, mas, como referi antes, o destemido Ministro da Corte de Recurso ou Suprema, em chileno castiço, o Juíz Juan Guzmán, começou as sua próprias interrogações ao declarado réu pela justiça internacional. Não resisto referir a opinião deste destemido juiz, que era capaz de declarar, sem tomar parte, o que passo a citar em nota de rodapé. . No Chile de ontem, o ditador tinha cometido crimes pelos quais era julgado. No Chile de hoje, o ditador já ficou esquecido. Apenas que, a pesar das suas viagens a vários países, o Presidente Aylwin teve que voltar rapidamente desde Lisboa em 1991, por causa do antigo Ditador ter começado a “reanimar” aos membros do Exército para um outro golpe, derrubar Aylwin e ser mais uma vez, ou Capitão Geral da República, ou Presidente outra vez. Foi difícil controlar ao esse ávido de poder, antigo ditador criminoso do Chile. Finalmente, faleceu. O exército tinha-se desmarcado do ditador, já não era Geral em Chefe das Forças Armadas, o dever tinha tornado a ser do Presidente da República e, no Chile de hoje, os tricinco estão no poder, outra vez, dos socialistas. Houve dois Presidentes da Democracia Cristã, da nova aliança de partidos pela democracia ou Concertação Nacional: Patrício Aylwin e Eduardo Frei Ruiz-Tagle, e , a seguir, o Socialista e fundador do novo Partido Para la Democracia, PPD, Partido fundado por Ricardo Lagos Não resisto retirar para o texto, a história de Ricardo Lagos e o papel que teve para a libertação da República. Diz o jornal Avante de 26 de Janeiro de 2000, que: “Ricardo Lagos Escobar nasceu a 2 de Março de 1938 em Santiago, filho único de uma família da classe média. Estudou no Instituto Nacional e licenciou-se em Direito na Universidade do Chile. Partiu depois para os EUA onde se doutorou em Economia pela Universidade de Duke. De regresso ao país, trabalhou na Universidade do Chile e foi director do Instituto de Economia e da Escola de Ciências Políticas e Administrativas.

Durante o governo da Unidade Popular, Lagos foi secretário geral da Universidade do Chile. Pouco antes do golpe militar de Augusto Pinochet, o presidente Salvador Allende nomeou-o embaixador na União Soviética, cargo que nunca chegou a ocupar por não ter sido aprovado pelo Congresso chileno.

Na altura do golpe militar, Lagos era secretário geral da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais e director do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais. Abandona o Chile em 1974, exilando-se primeiro na Argentina e depois nos Estados Unidos, país onde trabalhou como professor na Universidade de Carolina do Norte.

Lagos volta ao Chile em 1978, altura em que envereda pela vida política. No seio do Partido Socialista trabalha pela aproximação à Democracia Cristã, partido que chegou a apoiar o golpe militar de Pinochet, e defende o derrube da ditadura pela via eleitoral. É preso a 7 de Setembro de 1986, depois do atentado contra Pinochet levado a cabo por comando da Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR), crendo-se que só não foi assassinado porque os agentes que o prenderam eram da polícia de investigação e não da polícia política de Pinochet, graças à intervenção de um inspector que fora aluno de Lagos (quatro outros chilenos presos nessa noite foram mortos).

Notas:
 
Patricio Aylwin Azócar, advogado oriundo de uma família de juristas, foi o primeiro presidente do Chile após Pinochet. É um político democrata cristão. Possui inúmeros doutoramentos honoris causa, nomenadamente da Universidade Técnica de Lisboa. Votação na qual eu participei, ao votar sim no nosso Senado Acedémico, membro por ser Doutor e Catedrático, mas, como já coomentéi antes, não assití a cerimónia, apenas a um jantar na casa do Embaixador. Como também referi, as minha sfilhas cieram para me acompanhar, por entender o humillante que era para mim comemorar a um dos que tinha traíso Allende no seu tempo. Mas, os tempos mudam, eles pensavam que seria apenas um denominado em chileno castiço, quartelazo ou ataque de regimentos para “repôr” a Democracia no Chile, que eles estimavam ter sido apagada pelo governo de Salvador Allende. Meu Deus!



Aylwin foi eleito como candidato pela Concertación. Nas eleições de 1989 teve 55,2% dos votos válidos, sendo o primeiro presidente democrático em 17 anos e o segundo democrata cristão, além de dar o início à transição para a democracia: La Concertación. La Concertación de Partidos por la Democracia (conocida simplemente como Concertación) es una coalición política de partidos de centro e izquierda, la cual ha gobernado Chile desde el 11 de marzo de 1990. Nacida para enfrentar políticamente a la dictadura de Augusto Pinochet, aglutinó a la oposición al Régimen logrando triunfar unida en el plebiscito nacional del 5 de octubre de 1988. Nacida como Concertación de Partidos por el No, manteve a sua disciplina interna, logrando triunfar en todas las elecciones desde 1989 hasta la actualidad.


Su símbolo, el arcoiris, representa la variedad de proyectos e intereses que confluyen en la coalición, los cuales incluyen socialistas, socialdemócratas y democristianos. Los principales partidos que la conforman son el Demócrata Cristiano, por la Democracia, Radical y Socialista. A estos se sumaban el Partido Democrático de Izquierda (PDI), el MAPU Obrero Campesino, el Partido Liberal y otros movimientos civiles de los años 1980, hoy, todos desaparecidos o fusionados en otros partidos.Retirado da página web: http://es.wikipedia.org/wiki/Concertaci%C3%B3n_de_Partidos_por_la_Democracia

Foi referido a mim pela minha irmã Blanquita, já de volta no Chile, e pelo o meu amigo da alma, Francisco Vio Grossi, como desfilavam, destemidos, pelas ruas, de mãos dadas, para protestar pela existência da ditadura, presidida pelo derradeiro membro da dita, auto proclamado Presidente da República, e que, infelizmente, a traiçoeira história vai sempre referir ao ditador como um dos Presidentes do Chile,- os outros membros tinham sido afastados ou tinham sofrido tentativas de morte, já referidas ao começo deste texto, e com Patrício Aylwin e Ricardo Lagos na primeira fila do protesto. Certo, na sua arrogância e de cabeça perdida, o ditador convocou um plesbicito para perguntar ao povo se queria que ele continua-se por mais 8 anos no poder. A história narra o facto assim: “Não":


Pressionado pela comunidade internacional, cumpriu em 1989 a promessa de realizar um plebiscito.Isso abriu caminho para uma onda de protestos populares, contra o regime, que culminou com a campanha do "não" no plebiscito de 1988, que determinaria o direito de Pinochet concorrer a novo mandato.[3]


O "não" pressionou o regime a implementar uma abertura política negociada que conduziu o democrata cristão Patricio Aylwin, que tinha apoiado o golpe em 1973, contra o presidente Allende.


Em 18 de Fevereiro de 1988 foi vencido, por pequena margem no plebiscito que teria prolongado seu mandato por mais oito anos (55% dos votantes exprimiram-se contra a permanência do general no poder). Em 1989 foram realizadas as primeiras eleições desde 1970, , para o Congreso: -- 1990 --






- Março, 11: Pinochet entrega a presidência a Aylwin e o Congresso é reaberto, com legisladores eleitos três meses antes.






Derrotado o candidato oficial referido, o General Pinochet entregou a Presidência da República ao democrata-cristão Patricio Aylwin, o vencedor das eleições, em 11 de Março de 1990. Pinochet conseguiu manter-se como o mais alto responsável pelas Forças Armadas do país, até Março de 1998, altura em que passou a ocupar o cargo, por ele criado, de senador vitalício no Congresso chileno, ao qual renunciou em virtude dos problemas de saúde e das diversas acusações de supostas violações aos direitos humanos. Cargo que bubca foi capaz de cumprir, for ter sido desaforado e declarado réu na Grã-bretanha, como foi já referido Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Pinochet






A derrota do ditador, fez de imediato reagir aos polícos do Chile e várias Alianças foram formadas. A mais importante para nós, é já referida Concertação Nacional, coaligação do PS, Democracia Cristã, Partido Radical Social Democrata, Partido da Esquerda Cristã e o PPD de Lagos, -que tinha uma dupla militância no Partido formado por ele e o Partido Socialista-, e membros do antigo MAPU. A direita do Chile organizou a Renovação Nacional e os grupos à direita da direita, o da UDI ou Uniáo Democrátioca Independente, de tendência liberal trasnmontana, como quando faléi de Babeuf e os seus combates, ao começo do texto. As eleições presidênciais,as primeiras no Chile livre, é referida assim: Dezembro, 11: Patricio Aylwin, candidato democrata-cristão da aliança com os socialistas, ganha a eleição presidencial com mais de 56% dos votos, ante o oficialista Hernán Buchi.


Retirado da página web: http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/10/ult34u169960.jhtm ,


sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Primeiras+Elei%C3%A7%C3%B5es+1998+Convocadas+Por&meta=


O ex-ditador chileno, general Augusto Pinochet, volta a se submeter nesta quinta-feira a exames médicos no Hospital Militar de Santiago, para determinar se está apto a ser julgado por violação dos direitos humanos.






Na primeira bateria de testes feita na quarta-feira, o general Pinochet foi examinado por uma equipe médica composta por dois psiquiatras, três neurologistas e um sociólogo. Um dos membros da comissão é o nosso médico Martín Cordero, já referido ao começo deste texto.






O juiz Juan Guzmán, que investiga as acusações de violações de direitos humanos feitas contra o general Augusto Pinochet, também acompanhou os testes. Ele deverá interrogar o general na próxima segunda-feira.






Depois dos exames médicos o juiz Guzmán conversou com exclusividade com a BBC. Ele disse que vem sendo pressionado pelo governo chileno para encerrar rapidamente o caso Pinochet.






O juiz Juan Guzmán explicou porque tem resistido às pressões para que os exames médicos do general Pinochet incluam também testes físicos:






juiz Juan Guzmán: As leis chilenas não fazem referência a testes físicos. Exigem apenas que seja feita uma avaliação da condição mental das pessoas com mais de 70 anos. Os testes físicos acabariam permitindo que o general Augusto Pinochet escapasse do julgamento por insuficiência.


Ricardo Lagos foi Presidente Socialista do Chile, apoiado pelos partidos da denominada concertação, que agrupa Socialistas, Democratas Cristãos, membros do Partido pela Democracia ou PPD, formado por militantes auto retirados do PCCh ou Comunistas demitidos do seu Partido, que sempre corre só para as eleições, e o novo Partido Radical, denominado Partido Radical pela Democracia ou PRSD. Os Democratas Cristãos e os Socialistas, estão, finalmente, a se entender!. Para saber mais, ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Lagos_Escobar , diz que: Ricardo Froilán Lagos Escobar (Santiago do Chile, 2 de Março de 1938) é um advogado e economista chileno. Foi Presidente do Chile de 11 de Março de 2000 até 11 de março de 2006.Foi Ministro da Educação com Eduardo Frei Ruiz-Tagle da Democracia Cristã, Partido da Concertação.. O jornal Avante diz assim:


Ricardo Lagos ganhou no domingo a segunda volta das eleições presidenciais no Chile, batendo o candidato da direita, Joaquín Lavín, por mais de 180 000 votos de vantagem. O Partido Socialista chileno volta ao palácio de La Moneda 27 anos depois do golpe militar que derrubou e matou Salvador Allende, e remete para o poder judicial a decisão de levar Augusto Pinochet a julgamento. Jornal Avante Nº 1364, de 20 de Janeiro de 2000




(Continua)





publicado por Carlos Loures às 15:00
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (24)
(Continuação)

Tricinco, no decorrer da escrita, tem passado a ser quase um conceito, um conceito metafórico. São tricinco de sobre vida, tricinco de experiências, tricinco de vida académica, tricinco de exílio, de paternidade, escrita, conhecimento de amigos, de subir os degraus da escala da vida, com persistência e decoro. É evidente que é metafórico, porque é a partir da minha sobre vida a não ser fuzilado ao 18 de Setembro de 1973, e que a contagem foi para trás para recomeçar nesse dia, um novo nascimento. Desde esse dia em frente, desconto os anos de vida que tenho e fico em tricinco, a idade que sempre refiro ter e que todos pensam que é uma brincadeira minha. Por não saber da minha vida. Tricicno anos de adesão ao nosso Presidente assassinado, tricinco desde o dia, ou melhor, noite, que a minha mulher passou a apagar, a noite toda, gravações feitas por mim as mulheres do inquérito para a nossa escola Camponesa da nossa Universidade, caso o caso for de sermos mais uma vez invadidos pelo exército na nossa casa. Inquérito feito a 2000 mulheres, ao longo de dois anos, com a minha irmã Blanquita e a nossa amiga e colega Nilsa Tápia. Esses dias eram temidos e todo ou nada podia ser usado contra nós em qualquer julgamento ou perseguição. Tricinco anos que a minha querida e destemida mulher, sem conseguir dormir, apagou gravações das entrevistas feitas a essas 2000 mulheres, para não pensar no que me puder acontecer esse dia nefasto, apagou pela noite dentro até a madrugada. No queria imaginar o que poderia acontecer comigo e os nossos amigos da Unidade Popular. Tricinco anos desde a morte do nosso Presidente e do nosso projecto de via chilena para o socialismo...

Com todo, é difícil separar o Portugal de hoje e o Chile de ontem. O texto tem duas partes entrelaçadas. A memória separa, a escrita, não, porque o Chile de ontem é o prelúdio do Chile de hoje, bem como o Portugal de Hoje é o Portugal que nasce na História de ontem. Os dois Países têm um projecto socialista, que no Chile de ontem, fica frustrado, mas é reavido no Chile de Hoje. Portugal começa pelo Socialismo, apagado no Verão Quente, e reavido mais tarde como um Socialismo morno, semelhante, em vários aspectos, a outros partidos de Centro ou Centro Direita. A experiência de Allende, é um atrevimento de marxismo-leninismo; a de Mário Soares, começa por ai, mas a queda do muro de Berlim e a divisão da União Soviética em Repúblicas Autónomas, com tradições culturais ressuscitadas, acabam, em Portugal, com um Socialismo moderado, nada a ver com o Projecto Allende e a UP do Chile. O texto de Alberto Aggio, “1973-2003. Trinta anos sem Allende”, diz em parte: A chamada "via chilena ao socialismo", vocalizada por Allende, buscava seguir um caminho institucional para alcançar o seu objetivo, isto é, construir o socialismo pela democracia. Foi um esforço inédito na história, embora, naquela época, socialismo fosse entendido essencialmente como poder popular e estatização. O presidente e a UP escolheram a via do Executivo para implementar seu programa de governo, embora Allende tivesse tentado, por um momento, o caminho das alianças no Parlamento com a Democracia Cristã, partido reformista de centro. Por outro lado, fortemente influenciados pela Revolução Cubana, amplos setores da UP e do MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionário) conseguiram impor uma perspectiva radicalizada de aceleração das mudanças rumo ao socialismo. O governo atuou como um pólo que seguia a via institucional e as bases sociais da esquerda como um outro pólo que buscou permanentemente resolver a chamada questão do poder, para implantar o mais rapidamente possível o socialismo.
No caso de Portugal, o funcionamento do PS, relatado mais em frente, descansa, entre outras, nas ideias seguintes:

PS - Partido Socialista (1973)

Fundado em 19 de Abril de 1973 em Bad Munstereifel.
A espinha dorsal do PS é constituída pelos marxistas dissidentes do PCP, desde os que vieram dos tempos do MUD, como Mário Soares a outros exilados, como os do grupo de Genebra, com António Barreto.
O segundo grande núcleo provém dos republicanos históricos, afonsistas ou sergianos, como Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes e Raúl Rego, quase todos eles próximos da maçonaria clássica do Grande Oriente Lusitano.
O terceiro vector é o dos católicos dos anos sessenta, provindos da JUC e da JOC, que não começam pelo marxismo, mas pela doutrina social da Igreja Católica.
●Seguem-se alguns revolucionários das intentonas contra o regime, adeptos da acção directa, mas insusceptíveis de enquadramento pela disciplina subversiva dos comunistas, não faltando os exilados estacionados em Argel marcados por um esquerdismo intelectual quase libertário, como Lopes Cardoso e Manuel Alegre.

Em 1974 o grupo ainda invoca como inspiração teórica predominante o marxismo, saudando a revolução soviética como marco fundamental na história da Humanidade, embora advogue uma via portuguesa para o socialismo, repudiando, nos sociais-democratas, o facto dos mesmos conservarem as estruturas do capitalismo e de servirem os interesses do imperialismo .

Esta é a distinção, como diria Pierre Boudieu, entre os entrelaçados factos históricos, que eu tentei separar entre o Chile de ontem e o Posrtugal de Hoje: os conceitos usados em procura de um futuro mais advertido, que introduz uma História difícil de separar de forma cronológica, especialmente ao falarmos de ideologias em acção.

O Chile de ontem e a sua alvorada

O Chile de ontem, teve dias temidos. Dias de perseguição, dias de desencontros e reencontros. Desencontros dos que eram mortos ou desapareciam, dos que se exilavam para não cair na armadilha da prisão e uma eventual morte temida ou a perca dos bens. Uma pessoa de auto exílio nesses dias foi o antigo Ministro do Interior, Bernardo Leighton, citado no começo do texto. Ele e Anita Fresno, a sua querida mulher, foram para Itália, após fazer a sua própria Reforma Agrária: entregaram as suas terras aos inquilinos em propriedade, com escritura e acta de Notário. Eles iam viver de rendimentos do que os camponeses iam-lhes entregar, enquanto forem vivos, terras nunca tocadas pela ditadura que causou esse auto exílio e pela participação de esse o seu partido DC na trama para derrubar ao Presidente legítimo. Dias temidos.

Em 1981, dentro desses tricinco, o Presidente anterior a Allende, Eduardo Frei Montalva, morria após operação, de septicemia, operação inofensiva, mas, ao que todo indica, septicemia induzida no bloco operatório. Opina a família que apenas a justiça poderia julgar o caso. Para a minha felicidade e procura de justiça, todo aconteceu dentro dos meus definidos tricinco. Os factos são dois, a ser referidos em nota de rodapé pela infâmia, diferente, é evidente, mas infâmia no entanto, de pessoas implicadas, de diversa maneira, no processo histórico do Chile e que a História deve recordar e atribuir responsabilidades.

É evidente que eu não folgo com a morte de Eduardo Frei, mas, esteve no meio dos factos para evitar a tomada de posse do novo Presidente, esses factos que acabaram na morte do Presidente Allende e da via chilena para o socialismo. Que após tenha sido opositor à ditadura, penso que o não o redime de culpa. A História será o Supremo Tribunal do caso, apesar da minha consciência ter já ditado uma sentença, como narro ao longo das páginas deste livro... O já provado assassínio do antigo Presidente Frei, é o que denominamos o “Pago do Chile”. O segundo, fugir à justiça pela inevitável passagem dos anos e o imenso sofrimento causado pelo abandono de todos . Sem mais comentários: todo o mundo sabe o que essa ditadura foi.


Notas:


Retirado do jornal on-line, Iberoamérica, 9 de Setembro de 2003, texto completo na página web: http://www.lainsignia.org/2003/septiembre/ibe_038.htm
Retirado da página web: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/grupospoliticos/partido_socialista__19_de_abril_.htm , que conttém o texto inteiro e que está citado mais em frente. Com esta diferença in mente, é possível já, ver a diferença entre as vias Portuguesa e Chilena para o Socialismo. As duas tiveram que trançar, especialmente com a entrada de Portugal a CEE, hoje Comunidade Europeia, enquanto o Chile tenta destrançar a bem atada Constituição do Chile, imposta pelo ditador e apenas consegue, durante um tempo, ser governado por partidos reformistas não revolucionários, que, a seguir, e por causa de justificações para um mundo na época da Globalização, faz do Socialismo um combate morno. Talvez seja essa a diferença entre o Chile de ontem e o Portugal de hoje e mais nenhuma. A política mundial é diferente.
Refere a Enciclopédia net: Após o golpe de estado de Augusto Pinochet, porém, passou para se opor a este último, por considerar suas medidas como antidemocráticas.
Faleceu em 1982 devido a complicações ocorridas em uma cirurgia simples. Em 2005 foi aberta uma investigação sobre sua morte, pois um ex-agente da DINA (Dirección de Inteligencia Nacional, a polícia secreta chilena criada por Pinochet) informou que uma toxina desenvolvida em laboratório fora utilizada para envenenar Frei. Referido em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Frei_Montalva


A morte de Frei era suspeita de ter sido inducida. A família falou e hoje, já é evidente, pelo que o Presidente do Senado chileno, Presidente da República ele próprio a seguir a Aylwin, disse faz pouco dias: 24/01/2007 - 15h12
Presidente do senado abre processo por morte de ex-presidente sob regime
Pinochet SANTIAGO, 24 jan, 2007(AFP) - O presidente do Senado chileno, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, abriu nesta quarta-feira um processo judicial para esclarecer a morte de seu pai, o ex-presidente Eduardo Frei Montalva, durante a ditadura do general Augusto Pinochet.


O senador Frei afirmou abertamente pela primeira vez, há dois dias, que o ex-presidente foi assassinado quando estava numa clínica de Santiago, em 22 de janeiro de 1982.


"É uma verdade crua e brutal: Eduardo Frei foi assassinado", afirmou o senador em um discurso por ocasião dos 25 anos da morte de seu pai, que governou o Chile entre 1964 e 1970.


A hipótese do assassinato de Frei Montalva ganhou força nos últimos dias por causa de um informe da Universidade Belga de Gent, que detectou gás mostarda nos tecidos do corpo do ex-presidente.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Fala que não entende-3 por Raúl Iturra
(Continuação)
Esta citação revela o império do desejo de entender que a relação cultura - indivíduo, não é apenas uma problemática denominada por Kraepelin um problema civilizacional, é apenas, como referi antes, uma relação de interacção social entre as leis que governam o comportamento humano, orientam a educação dos mais novos e desenvolvem um adulto capaz de se separar da vida social, por mutações biológicas causadas na base de situações emotivas contraditórias, manifestadas pelo adulto, como no caso das formas rituais paranormais de amok, lata, koro, comportamentos que observa nas culturas citadas no paragrafo anterior e redige no seu texto de 1904: Psychiatrie comparée [120], onde refere formas de agir perante o que eu denominaria a traição da cultura ao indivíduo que, até essa altura, vivia em paz, no meio dos ditames da lei escrita ou tradicional, rituais e mitos, sentimentos definidos e formas materiais de os exprimir que não feriam as relações das pessoas entre si, sempre que essa forma de agir prescrita for cumprida.

Situações observadas, sentidas e a desenvolver sentimentos na educação dos mais novos. Eis o motivo pelo qual os organicistas não se ocupam apenas com processos de transtorno mental, mas também de teorias educativas, da forma observada por Edwin Guthrie, Melanie Klein, François Dolto e os outros terapeutas referidos. Formas educativas que procuram dar a entender que não é apenas a relação entre adultos e descendentes de uma mesma família o facto social de importância para a resposta epistemológica da criança perante o grupo, também o é o comportamento do grupo em frente de si próprio, grupo que inclui os mais novos como a parte maior e mais vulnerável e que a pouco e pouco reparam, na sua autonomia e independência perante a vida, sem poder ser independente da alimentação e do carinho que os outros indivíduos devem dispensar. Dai que a criança não seja um subentendido: a criança não entende o que se fala e fica mais exposto ao que vê fazer de diferente aos costumes culturais. Este é o contributo que Kraepelin retirou de Java e abriu um caminho para que os eruditos da mente pudessem comparar e retirar formas de comportamentos convenientes á formação do indivíduo. é impossível não sintetizar os comentários que aparecem no livro, esse pioneirismo de reparar [121]em dois conceitos fundamentais para a nossa análise: o etnocentrismo que acaba por ser o elo que orienta o comportamento: o que nós somos é o melhor, ou o que fazem os outros é com eles; e o peso do comportamento cultural e a sua manipulação, que acaba por ter um limite, o da racionalidade emotiva do comportamento entre pessoas. O etnocentrismo define tabus e dinâmicas de comportamentos, traça a linha limite das formas de reprodução humana no saber e entre quais das pessoas da população a afectividade é possível e a relação empática define -se como simpática ou antipática. é o que os autores que introduzem Kraepelin manifestam.
Roudinesco e Plon consideram que "historiquement, l"ethnopsychoanalyse est née de l"ethnopsychiatrie fondé par Emil Kraepelin », texto no qual concluem que a etnopsicologia « c"est l"expresion trnasculturelle qui a fini par s"imposer en lieu et en place d"ethnopsychiatrie ou d"ethnopsichoanalyse, trop chargé d"ethnocentrisme"[122].

Segundo ponto que queria comentar antes de entrar pelo texto das idades da criança e do seu entendimento do mundo: uma definição de Etnopsicologia para entendermos a parte do processo educativo que a Etnopsicologia da infância trata e que fica referido nas páginas anteriores, com o acréscimo do etnocentrismo, conceito fundamental para nos entendermos com a infância.

Etnocentrismo definido mais tarde por Claude Lévi-Strauss a pedido da UNESCO e que teria feito as delicias do autor da Etnopsicologia[123] que acabou por dedicar a sua obra a relações de imigração para entender de forma comparativa as formas de pensamento, fossem estes etnocentricos ou a fugir das formas mandadas pela interacção social: o etnocentrismo é o desenvolvimento do meu Eu entre os meus, ou do meu grupo social, regras, normas e, especialmente, o fechar as relações aos "selvagens" ou pessoas que vivem á beira do nosso agir, com regras não aceites por nós, ou, pelo menos, para nós, apenas para os outros, enquanto que "indígena" é o habitante natural de um grupo que tem a sua geografia e os seu território, que defende por todos os meios, até pela guerra ou pela união parental.

E um terceiro e final, o comentário do próprio Freud sobre a temática. Discípulo de Wundt na Alemanha, influenciado por Kraepelin e os outros intelectuais germânicos, Freud não consegue não comparar as suas análises sobre a história e processo formativo das neuroses e a histeria, sem estudar grupos australianos com os quais compara a conduta europeia. O resultado é o texto Totem and taboo. Some Points of Agreement Between the Mental Lives of Savages and Neurotics, escrito em 1913[124]. O texto de Róheim que tenho organizado, diz: «Si nous avons commencé cette partie en nous référant á la définition même de Freud, c"est pour souligner le fait que l"ethnopsychanalyse n"est pas une discipline nouvelle ; elle est contenue dans la psychanalyse. Elle est une facette et plus précisément (et en premier approximation) celle que questionne l"interface entre psychisme et culture… ». [125]. é assim, comenta o escritor, como Freud se afasta da clínica para entrar no modelo comparativo de comportamentos nem sempre da sua cultura. Um Freud, como comenta o texto que tenho preparado sobre La Psychanalyse Française [126], que coloca o autor fora do campo analítico francês, muito anti judaico para aceitar as ideias filosóficas do autor. E, no entanto, são ideias que ajudam a perceber essa diferença epistemológica que permite dizer que se pode falar perante as crianças, porque não entendem. Muito embora o caso contrário seja também real: o que a criança diz, não é percebido pelos adultos.

3. O começo da teoria analítica. Entender.

Entre outros motivos da não percepção, está a formação diferente, quanto a imaginário, entre adultos e crianças. O conjunto de adultos que procura entender a criança, vive de forma pragmática e pensa de forma material. O caso mais conhecido, é o do fundador da psicanálise, Sigmund Freud [127]. Como o autor diz, " Sigmund Freud is part of a group of thinkers who have reacted against religion in its formal expression (E.g. Church, liturgy, the belief that God lives in the heavens etc.), but at the same time seeks to internalise key religious concepts and then relate them to the human psyche. However, unlike modern non-realists who see value in religion as a means for promoting certain social and moral values in society (see God as the Sum of our Highest Ideals), Freud is more akin with the likes of Karl Marx who saw religion as an immediate expression of some deeper human problem which needed to be 'cured' (see Marxism). Although Freud was Jewish he never practiced his religion and in fact he believed that all religion was an illusion which had developed to suppress certain neurotic symptoms in humans " e acrescenta uma frase do autor: " [Religion] must exorcise the terrors of nature, [Religion] must reconcile men to the cruelty of fate, particularly as it is shown in death, and [Religion] must compensate them for the sufferings which a civilised life in common has imposed on them".[128] Formas de pensar que dizem respeito ao pragmatismo usado pelos analistas, que retiram das suas formas de pensar, o pensamento simbólico criado pela mente humana entre a natureza e a crença na existência de uma outra vida. Acrescenta o autor da biografia de Sigmund Freud: "In the end Freud believed, as did Marx, that the religious instinct in people was curable (even childish), and so at some point in the future could be abandoned. This would happen once people left behind their psychological illusions and live as restored people in a world of scientifically authenticated knowledge. Yet despite this negative assessment of religion Freud's theory can open up other possibilities for explaining why humans have the religious instinct" [129]. Ideias que Freud desenvolve nos seus textos sobre Moisés[130]para comparar uma ideia fundamental da sua teoria: 'If the relation of a human father to his children is, as the Judaic-Christian tradition teaches, analogous to God's relationship to humanity, it is not surprising that human beings should think of God as their heavenly Father and should come to know God through the infant's experience of utter dependence and the growing child's experience of utter dependence and the growing child's experience of being loved, cared for, and disciplined within a family" [131]

A questão que se coloca para não se entenderem adultos e crianças, é a ideia de, como Freud diz, a religião causa histeria, retira o pensamento positivista e cartesiano e causa uma doença psicopata ao confrontar o que eu faço e penso com o que pode ser feito e pensado por uma criatura não humana. A sua análise começa ao tratar do conceito totem, no seu livro de 1913, Totem e taboo, já citado. A ideia é que o imaginário infantil cria estas entidades, classifica as relações entre os seres humanos e pode pensar que o seu pai é o totem do seu clã, ao qual é retirada a capacidade de mandar, retirando a si a capacidade de amar e criando uma histeria no mais novo. é por isso que Freud retira uma parte do diálogo cultural, entre adultos e crianças, das suas próprias formas de pensar monoteístas e bíblicas, como é possível verificar na sua análise das tábuas para usar o conceito Jesus como Anti édipo. Por outras palavras, a análise do pensamento omnipotente, retirado dos mais pequenos do grupo, que não querem deixar de ser quem manda[132]. Jesus é o Filho do Pai que em tudo obedece e a tudo fica submetido: vive para cumprir a vontade do Pai, elo central da pesquisa de Freud e da sua escola. Se soubéssemos bem a teoria da nossa cultura, nem era preciso acrescentar nada para entender a figura desse Moisés denominado Jesus. A análise leva em si os conceitos de trauma, libido, latência, recalcamento, repressão, conceitos associados á ideia de erotismo, mas que têm sido definidos antes, como a subordinação de um ser humano a outro, como é o caso dum Moisés que serve e libera o seu povo da servidão, da subordinação a uma família proprietária de seres humanos, como os faraós do Egipto Antigo, enquanto Jesus baixa como ser humano ao meio do seu povo para o redimir - o salvar - de comportamentos que a subordinação a outros povos - no caso Israelita, ao Romano do Ocidente primeiro, e ao de Bizâncio mais tarde - causa entre eles: a luta pelo mais forte, a traição aos seus concidadãos, as formas de cumprir deveres que, para viver em paz com os invasores, se tornam atitudes estimadas de mágoa e zanga para com a sua própria divindade. O denominado Complexo de édipo, já analisado antes, passa a explicar, no caso de Freud, qual a dinâmica das crianças no seu comportamento infantil. O que movimentaria a um ser humano entre o ser amamentado e a idade de entender que existe como entidade própria e pode procurar a sua alimentação, seria o amor ao pai do sexo oposto e os ciúmes ao do mesmo sexo: a luta entre o desenvolvimento da pessoa e a aquisição da autonomia. Talvez, nas próprias palavras de Freud possamos entender o que as metáforas totémicas Moisés e Jesus, significam entre os povos israelitas e, para Freud, o seu derivado, o cristianismo, como refere na sua obra, especialmente no importante texto Totem e Tabu.[133] . Mas, em conjunto com este texto de 1913, existem dois, analisados por tantos autores, que no meu texto actual, devo omitir toda a crítica e apenas citar: « Au delá du principe de plaisir»[134], que começa logo com esta frase "La théorie psychanalytique admet sans réserves que l'évolution des processus psychiques est régie par le principe du plaisir.", para passar, a seguir, a definir o que é o prazer: "Aussi nous sommes-nous décidés á établir entre le plaisir et le déplaisir, d'une part, la quantité d'énergie (non liée) que comporte la vie psychique, d'autre part, certains rapports, en admettant que le déplaisir correspond á une augmentation, le plaisir á une diminution de cette quantité d'énergie. Ces rapports, nous ne les concevons pas sous la forme d'une simple corrélation entre l'intensité des sensations et les modifications auxquelles on les rattache, et encore moins pensons-nous (car toutes nos expériences de psycho-physiologie s'y opposent) á la proportionnalité directe ; il est probable que ce qui constitue le facteur décisif de la sensation, c'est le degré de diminution ou d'augmentation de la quantité d'énergie dans une fraction de temps donnée. Sous ce rapport, l'expérience pourrait nous fournir des données utiles, mais le psychanalyste doit se garder de se risquer dans ces problémes, tant qu'il n'aura pas á sa disposition des observations certaines et définies, susceptibles de le guider » . Este texto seleccionado é apenas para indicar que, ao longo de 58 páginas, Freud debate o investimento psicológico e fisiológico que todo ser humano faz para dar resposta á sua libido. Libido, conceito referido antes, que denota a distribuição de actividade para possuir, como diz na página 48, o lucro de ganhar a batalha de lutar pelo Eu e pelo princípio sexual, incipiente já na infância. A luta para além do princípio do prazer, é a procura de manter unidas dentro do Eu, a sobrevivência. Engano seria pensar que o princípio libidinal é a procura do prazer sexual, diria eu, bem como a procura do prazer de si próprio, de se gostar, de se conhecer, de desenvolver a auto estima, o gosto narcísico de si, definido como está no outro texto referido, Capítulo 3, que começa pelo título de "O Eu, o super-eu e o ideal de si" Há uma certa parte de nós próprios que aceita e gosta do outro e dos outros, enquanto que o ideal de mim orienta a minha interacção no mundo que vivo. Os textos de Freud definem, no meu ver, as formas culturais de interagir entre Eu e os outros, orientados pelas regras da cultura do grupo social que nós temos em frente ou dentro do qual vivemos. é este argumento que faz pensar um Freud erótico e não um Freud na procura de explicar esta correlação: eu - outro - regras de comportamento. é aí que devemos pensar a dinâmica do denominado Complexo de édipo e, finalmente, entrar pela definição de totem. No caso do Complexo de édipo, Freud diz de forma simples nas suas aulas introdutórias á psicanálise: "childdrendesire to sleep with the mother and to kill the father ", ou por outras palavras, as crianças desejam dormir com a mãe e matar ao pai[135]. Esta hipótese é desenvolvida por ter causado grande escândalo na sociedade austríaca e, em geral, entre as pessoas que acreditavam que a família era a paz e a tranquilidade. De facto, não é que a história de Sófocles tenha causado escândalo como ideia cultural. O escândalo é causado pela descoberta de ideias eróticas que têm as crianças e que os adultos não entendem ou não querem acreditar que existam ou sejam reais. O facto de um neo-nato descobrir que a continuidade de sua vida advêm do seio de uma mulher e que essa mulher é repetida e denominada mãe, transfere o prazer que causa a manutenção da vida e a satisfação de comer, a mais básica das necessidades humanas, para a pessoa que a satisfaz. Sentimento emotivo associado a idade que tem a criança, que entende do seu eu e da sua própria super vivência e não do papel histórico - económico que joga o pai dentro de família ocidental. O que interessa é a descoberta feita por Freud da existência da uma vida genital na criança, definida como atracção de corpo a corpo, com emotividade no meio desta atracção[136]. O interessante é o que Ernest Jones[137] tem estudado e, recentemente, tem-se analisado: o evitar do incesto através da criação da ideia de édipo. O próprio Freud mais tarde analisa os seus textos sobre o édipo: "Freud claimed in Civilization and Its Discontents (1930)[138]provide the historical and emotional foundations of culture, law civility and decency. I find it embarrassing to admit that when I asked myself how much of this I carry around as my normal conceptual baggage; it turned out to be a light valise. First, there is the oedipal triangle, whereby a child somewhere between three and a half and six wants the parent of the opposite sex and has to come to terms with the same sex. "[139] Não é o caso do autor estar a dizer não ás suas ideias sobre o Complexo de édipo, mas sim de pensar o papel que a cultura tem entre entidades que têm desejo, altura em que o incesto passa a ser uma realidade mais importante ou mais gritante, que o saber que a criança sente desejos sexuais, desejos que devem ser evitados para manter o que denominamos em Antropologia a exogamia que caracteriza a organização social da nossa cultura.

A noção da sexualidade infantil como realidade estava já estabelecida. Nos seus ensaios, o próprio autor que estamos a analisar, diz: " The source of infantile sexuality...is to trace the sources of sexual instinct [and] has shown us so far that sexual excitation arises a) as a reproduction of a satisfaction experienced in connection with another organic processes, b) through appropriate peripheral stimulation of erotogenic zones and c) as an expression of certain "instincts" (such as the scopophilic instinct and the instinct of cruelty) …The direct observation of children has the disadvantage of working upon data which are easily misunderstadable…"[140]. O próprio autor reconhece a dificuldade, mas é capaz de demostrar factos que a idade pré-Freud não falava e que Michéle Foucault comenta: "As we have seen Freud"s contemporaries viewed sexuality as flowing directly from nature, directed otherwise resulting in perversions and vice. Freud begins his research along side Breuer whose notoriety for treating female hysterics with hypnosis and surgical removal of the ovaries had shocked and captivated public attention. While his earliest scientific endeavours were founded upon a purely physiological understanding, Freud"s work would increasingly lead him toward formulating a theory of the mind encompassing and integrating the physiological, psycho-sexual and social dimensions. Freud"s legacy to the twentieth century is to have brought sexuality into the social; the sexualisation of the social. "[141]

É a louvável forma de entender o que o adulto não fala porque não entende. Ou que a criança não diz, porque não sabe. Mas é a descoberta que abre as portas ao entendimento de adultos e crianças para sabermos que a dinâmica do ser humano consiste em socializar a sexualidade, reconhecer os seus factos, entender o que a criança faz e diz, aceitar e orientar. Como diz Young já citado, durante anos carreguei com o fardo de pensar que a criança era violadora, invejosa e assassina, até reparar que havia um facto mais importante, organizar as formas de troca matrimonial, quer no Ocidente, quer em outras etnias. Já Melanie Klein tinha andado pelas teorias de Freud, como referi antes, mas não consegue ir mais longe do que entender que a dinâmica infantil é o erotismo.
4. A lógica da cultura.
A questão está em entender o amor, já definido ao começo, e ver a bases religiosas que desenvolvem a psicanálise, como prometi referir. Toda criança procura que o seu pai seja quem comande, não perca a omnipotência. O totem faz parte dessa autoridade. Aí é bem tempo de definir o conceito de omnipotência e de totem, e o melhor, mais uma vez, é o estudante de Wundt, Freud, que diz baseado no seu professor: "In the first place, the totem is the common ancestor of the clan; at the same time it is their guardian spirit and helper, which sends them oracles and, if dangerous to others, recognises and spares its own children" [142]. Mas, um totem é também a forma de organizar as relações individuais das pessoas, definir o conceito polinésio de proibição ou tapu ou tabu, pelo que Wundt, Frazer, Durkheim e Freud, salientam uma segunda parte: "It is as a rule an animal (whether edible and harmless or dangerous and feared) and more rarely a plant or a natural phenomenon (such as rain or water), which stands in a peculiar relation to the whole clan".[143] E, no entanto, Freud salienta, no Capítulo 4 da sua obra, que denomina "The return of totemism in chilhood" o agir da infância perante a ideia totémica, essa história á qual vou retornar, a de Jesus e Moisés, porque é importante para entender as diferentes formas de ver o real entre adulto e criança. Vejamos.

 Para um adulto, o totem organiza a interacção; para uma criança, diz Freud ao analisar o caso do pequeno europeu Hans e do pequeno australiano Arpád, que os dois amam aos seus pais e sentem o orgulho de serem pessoas com uma certa reputação pelo lugar que ocupam na hierarquia [144] e as felonias causadas na base desses factos relacionados com as hierarquias que usufruem, de modo que aprendem - e esse é outro papel do totem, o transferir o saber e as regras de comportamento em sociedade - o respeito aos artefactos e comportamentos associados aos ancestrais, especialmente as duas proibições principais: nunca matar o totem - directamente ou relações e aprender a exógama, que é analisada em outro capítulo.
As notas de rodapé serão publicadas em outro ensaio


publicado por Carlos Loures às 07:00
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (23)
(Continuação)

Escrita que torna para Santa Cruz e as nossas tentativas de organizar Sindicatos camponeses. Anos volvidos, foi que entendi que era a política da Democracia Cristã Chilena, a de formar Sindicatos Rurais, para promulgar uma lei sobre Sindicatos Rurais. Mas, antes, os Sindicatos deviam existir, e era essa a nossa missão, soubermos ou não os que lá estávamos em trabalho de campo de verão, alfabetizar e organizar Sindicatos Campesinos . O título do livro, tomo I de José Bengoa, dá uma ideia do medo dos inquilinos a se encontrar e manifestar de dia em prol dos Sindicatos: em castelhano castiço Chileno: El Poder y la Subordinación, ou, em português: O poder e a subordinação. O poder era do patrão, sou testemunha da subordinação, manifestada não apenas em “tirar” o chapéu para cumprimentar, bem como em aceitar despejo, mandar ir embora sem prévio aviso aos trabalhadores do campo. É suficiente ler o livros de Isabel Allende, antes citado por mim, La casa de los espíritus, de 1982, para saber que o despojo do trabalho era prévio e sem aviso, como é narrado não apenas pelo meu sabido amigo Pepe-José Bengoa-, bem como pela romancista, que tem feito do romance da América Latina uma pesquisa antes da escrita aparecer.

Não era fácil contactar com eles. De dia, já narrado antes, não cumprimentavam. À noite, vinham mascarados para não serem reconhecidos e não serem despedidos por causa de revolução ou rebelião. Na minha experiência, o proprietário da terra, era proprietário das casas e das pessoas, um conjunto de bens para explorar. A nossa sorte foi encontrar um Patrão muito amigo dos seus trabalhadores, o Dr Correa Albano , cuja família passou a ser a minha amiga e eu visitava a eles em tempos do ano que devia permanecer na Universidade. Foi o primeiro Sindicato formado por nós e ganhéi o respeito dos meus colegas e amigos, até porque namore com uma das filhas, Marta Correa, poucos anos mais velha do que eu. Amor a primeira vista!, esse amores dos 18 e 20 anos!, que nascem e morrem a seguir. Duma ou outra maneira, sempre segui a pista das senhoras para entrar para a conversas dos homens. Foi a primeira vez que, sem saber, estava a fazer trabalho de campo com observação participante! Era o caso de ir todos os dias a passear, pela estrada rural fora de Santa Cruz, sempre a mesma hora, parar, cantar, pedir agua às tantas, e despertar a curiosidade das pessoas que estavam em casa. Um dia, pergunto-me se era sobrinho dum patrão qualquer, o seu “amo”. Dizem Não, ela perguntou o que fazia ai, e eu, sem saber teoricamente ainda, tive a ideia de dizer que era da Universidade. A Senhora ripostou: “Bunsidade? ¿Qué es eso?”.

Tive a inspiração de responder: “Mi señora, es una casa grande, con otras casas una encima de la otra y ahí estudiamos. La Universidad es una escuela como la de sus hijos, solo que es para gente grande como yo”. Entre o facto de ir à escola e de ser real na minha resposta, mas o tratamento amável de senhora que eu dava a todas, ganhei a sua confiança. Perguntou. “Pobrecito. Entoces, no sabe leer ni escribir”. Fechei a consciência e referi: “Infelizmente, estoy a aprender apenas ahora”. O que era verdade, estava a aprender, agora, Direito, mas eu não disse o quê e ela começou como mãe a dar conselhos para não desistir, que ler era bom, assim podia ajudar aos meus pais que estavam a trabalhar para mim, para sustentar os meus estudos. Rapidamente a voz de que eu não era patrão, muito embora, diziam elas, tinha a “pinta”- a figura de- patrão, era analfabeto e pobre, abriu-me às portas de casa da vizinhança do inquilinos de Santa Cruz. Fui convidado a tomar onces a sua casa. Ai, a minha maneira de ser apareceu e quase que me ia traindo. Havia duas cadeiras, como tenho narrado em outros textos meus: uma pequena e outra maior.

 Eu disse que a Senhora devia sentar na grande, eu estava bem na pequena, mas ela disse de imediato: “Diga, y qué van a decir los vecdinos, que tengo una visita y la siento en la peor silla “=cadeira” silla grande= “cadeirão” de la casa? No, pues iñor, sientese en esta”. Cada vez que ella se levantava, yo también e ficou surpreendida. “Es verdad que no es patrón?. Yo veo a los Huidobro a hacer los mismo-Garcia-Huidobro, patrões, proprietários aristócratas, já mencionados no-capítulo Campo de Concentração. Disse que eu era muito nervoso e que me sentia só ao sair ela. Teve pena de mim e disse, então, venha comigo. Ao entrar dentro da casa de barro, conheci ao marido, sentei-me de imediato ao pé dele e falamos. E foi assim que começou, em Colchagua, a minha formação de Sindicatos Agrícolas. Os meus colegas de formação de Sindicatos, ficaram surpreendidos, agradados e até louvaram-me e solicitaram que eu ensinara como era que se fazia. Fui levando pessoas e dizem para não falar, porque a sua forma de falar, ia mostrar que éramos “pitucos”, o castiço chileno para o betinho português. Fui respeitado e faziam essa uma, esse um, como eu dizia. Não revelei a fonte do saber das minhas palavras rurais, mas eram derivadas das minhas amizades no terra do meu Senhor Pai, e das formas de falar da minha Senhora Avó paterna, com os inquilinos: altiva, arrogante, sibilante! Evitei essa forma de falar, conhecia a outra e foi com essa outra que falei.

Foi assim que começou a minha comprida carreira de Advogado de Sindicatos. Já no terceiro ano do meu curso, abriu uma vaga para Assistentes de Catedrático. Eu gastava imenso dinheiro nos meus trabalhos, já nesse dia, denominados por mim, de campo. Vieram falar comigo o Ministro de Corte de Apelo, o Dr. Oscar Guzmán: queria que eu concorre-se para ser o seu Assistente em Direito Criminal, parecia ser quem mais sabia, quer no Código, quer nos casos defendidos por mim, sempre do Sindicato por mim formado na indústria do meu Senhor Pai, já narrado. Também chegou-se a mim o Catedrático do Direito do Trabalho, para o mesmo e o da denominada Medicina Legal. Concorri às três, mas, no fim, escolhi Medicina Legal. Oscar Fuenzalida nunca ia e eu tinha todo o direito a ensinar o que eu quiser e transformei tudo em Antropologia do Direito. Fui, por isso, premiado pelo Colegio de Abogados de Chile, um Diploma que ainda guardo, outorgado a mim por ser quem mais sabia no país da nova matéria. Essa por mim criada, que me transferiu para o curso de Alfonso Reyes, que ensinava Antropologia na Universidade Pública do Chile, e a minha via ao socialismo marxista, começara, bem como a minha adesão ao futuro Presidente Allende e sua ideologia. Fica para o próximo Capítulo.


Este fecha ao relatar que, o Pocho Reyes foi assassinado pelos autores do derrube da Presidência legítimas do Dr. Salvador Allende, por ser membro do MIR ou Movimento de Izquierda Revolucionaria, integrado por todos os betinhos desconformes com os regimens do Chile. Eu, nunca estive ai. Nem na Democracia Cristã . Todos pediam para eu aderir, mas, ao ver que a Lei de Sindicatos de 1968 de Frei Montalva era a favor dos patrões, nunca quis estar em esse Partido. Todos os anos levei imensos estudantes a trabalhos de campo no verão, nas já referidas Províncias de Los Andes e San Felipe. Onde o meu tio Segismundo Iturra Taito, era Intendente primeiro e, a seguir, Governador. Mal chegava eu ai, era de imediato entregue a mim a Intendência de San Felipe e Sgismundo ia a casa. Eu ficava feliz, podia organizar Sindicatos e aplicar a melhor lei para organizar esses movimentos. Devo confessar que nunca admiti a PDC nenhum a trabalhar connosco, menos ainda, Liberais e Conservadores. Sempre fui eleito Presidente de Extensão Social, membro da Associação de Estudantes e do seu Corpo Directivo e Presidente do Centro de Estudantes da Faculdade de Direito e Ciências Sociais. Testemunha de tudo, o meu CV Da Gois, da Net, e o facto que em 2005, fui levado ao Chile para ser condecorado pelos serviços prestados à Pontifícia e fora do Chile , na vida Académica.

Foi a época em que conheci a uma rapariga. Mal a vi, vire-me para o meu grande amigo Juan Versalovi´c, e referi: “Vês essa miúda que está aí?. É linda como um sol, vou casar com ela” e casei cinco anos depois. Fez trabalho de campo comigo, muito embora nem por isso partilhava a minha ideologia, até bem mais tarde, quando eu adoeci de úlceras por causa do imenso trabalho nas minhas mãos, comer mal e dormir menos, estudar muito e lutar pela liberdade popular. Isso, é do Capítulo prévio. Fecho este com a minha alegria de ser especialista de Sindicatos, a sua organização, Movimentos, em fim, a via chilena ao Socialismo aprendida por mim em terreno e bebida depois nos textos de Marx e nos discursos de Allende. Não em vão referia sempre um outro trabalhador de Promoção Popular: “Don Raúl, Ud., como político, es um peligro. Por favor, no entre en nuestro partido, la chilena DC, porque la va a hacer socialista”. Uma premonição, nunca entrei, mas a morte de Allende e a Concertação hoje, têm levado a DC a ser mais socialista que os radicais ou membros do PR, antigo FRAP de Aguirre Cerda, Ríos Monteiro e do Presidente traidor.

Essa via é a que me levou a esta a minha vida de deixar Cambrige e ficar no ISCTE de sois corredores e duas licenciaturas, a ser narrado no Capítulo final, o sétimo, não de linha, referido já por mim, mas Capítulo Sétimo e Final do meu texto....

Como digo no texto, conheci a minha mulher e começou a perda da mesma....para o meu mal.

Notas:
A Sindicalização Camponesa era inexistente, nã estava no mencionado Código do Trabalho. Pelo que, o Governo da Democracia Cristã, que teve apenas um Presidente pré golpe militar, organizou os Sindicatos Rurais, na lei de 1968, referida na página web de Frei, já referida: Se promulgaron en 1968 dos leyes, la Ley de Sindicalización Campesina y la Ley de Reforma Agraria. Ésta última permitía la expropiación de la tierra cuando un predio agrícola era de extensión excesiva, había abandono, mala explotación o fragmentación excesiva de la tierra Acrescento parte do programa da Democracia Cristã: Al alcanzar la presidencia, Eduardo Frei Montalva señalaba “vamos hacer un gobierno que solo va garantizar el progreso económico, la justicia y la incorporación del pueblo en forma responsable a la tarea y al beneficio, sino que vamos a hacer esta tarea en libertad y en respeto a los derechos a la persona humana. En libertad religiosa, sindical, política y de expresión. Porque nosotros, durante toda nuestra vida, hemos sido garantía de respeto al derecho y a la libertad. Nadie tiene que temer de nosotros, si quiere incorporarse a esta tarea de libertad y justicia”. En uno de sus discursos planteo lo siguiente, “A esta hora en que tantos me apoyan por distintos motivos, hay una sola razón común para apoyarme: realizar la democracia deberás y no formal; realizar la justicia deberás y no palabras; realizar el desarrollo económico deberás y no en las estadísticas. Para eso estoy llamando a todos los chilenos, y a la respuesta de la izquierda y de la derecha es generosa, porque es sin condiciones a un programa de gobierno del cual es solo dueño el pueblo de Chile”.
En economía puso en marcha la reforma Agraria, ya iniciada bajo el Gobierno de Jorge Alessandri Rodríguez, recibió un fuerte impulso bajo el mandato de Frei. Su fin era “dar acceso a la propiedad de la tierra a quienes la trabajan, aumentar la producción Agropecuaria y a la productiva del suelo”. Se promulgo en 1968 dos leyes, la ley del sindicalización campesina y la ley de reforma Agraria.
.Retirado de: http://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Frei_Montalva e da página web do meu antigo colaborador no Chile, o hoje Doutor José Bengoa Cabello, Profesor do Centro de Esudios Sociales y Educación SUR,referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Bengoa+Hacienda+y+Campesinos+Hist%C3%B3ria+Social+de+la+Agricultura+Chilena&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente na citação das suas fontes, em:
Fuente-http:// www.derechos.org/nizkor/chile/libros/maule/cap1.htm , referido na página web: http://www.paginadigital.com.ar/articulos/2004/2004terc/educacion/e1049277-4pl.asp , na qual há um artigo que resume do texto de José Bengoa e uma historiografia de como era o tratamento do inquilinato chileno nos Séculos XIX e XX. Comigo, em formato de papel, os seus livros, dedicados a mão para mim:1998: El Poder Y La Subordinación;1990:Haciendas Y Campesinos. História Social de la Agricultura Chilena, Tomos I e II-, editados por Ediciones Sur, Santiago de Chile. O comentário dos textos, estão num ensaio, que repoduzo em larga parte, por não encontrar referências a ley de Sindicalização: A partir de la década de 1920, comenzaba recién lo que se llamaría la toma de conciencia del campesinado. En 1909 se había constituido la "Federación Obrera de Chile" (FOCH), la que también tenía una política reivindicativa hacia el sector agrario. Numerosos campesinos que habían trabajado en las salitreras, después de sus cierres, volvieron al campo con ideas de cambio por la experiencia adquirida en los sindicatos mineros. Los obreros habían logrado, por fin, traspasar sus inquietudes a los campesinos, lo que no logró prosperar por la resistencia de los patrones. En 1921, en la Hacienda "Lo Herrera" de San Bernardo se produjo la primera represión violenta contra estas organizaciones. Entre 1920 y 1926 se registraron varios desalojos y expulsiones violentas de campesinos en San Felipe, Chimbarongo, Curepto, Lebu y Valdivia.

Ante este inicio de despertar, en enero de 1921 la Sociedad Nacional de Agricultura expresaba su alarma en una editorial de su diario que tituló: "La sindicación de los labriegos", señalando el mal ejemplo que han dado a los campesinos los obreros industriales, los cuales quieren "obtener regalías por medio de la huelga."

Arturo Alessandri en el poder propuso lo que serían "drásticas reformas"; tales como la separación de la Iglesia del Estado, creación del Seguro Obrero, Impuesto a la Renta y mayor contribución de la propiedad agraria.

Con la dictación en 1924 de las primeras leyes sociales, especialmente la Ley 4054 de Seguro Obrero, y el establecimiento de la primera Ley de Impuesto a la Renta, los hacendados se sintieron amenazados. La promulgación el 30 de agosto de 1925 de una nueva Constitución, que fortalecía las atribuciones del ejecutivo y lo facultaba para propender a la división de la propiedad, consagrando la función social de ésta, tuvo una tenaz oposición conservadora.

Durante todos los años que siguieron se observa la enorme oposición fría, descarnada y deshumanizada que los terratenientes hicieron a cualesquiera ley social que beneficiara a los hombres del campo. Incluso en 1950, solicitaban la supresión de formas de medicina socializada ya que en nada beneficiarían a la masa popular, alegando que "las imposiciones no tienen beneficio alguno". La consigna de los hacendados era: "Si se ataca al campo hay crisis y si hay crisis se acaba Chile." Este fue por años su lema: imponer y mantener el poder a través del miedo.

En 1934, los trabajadores de la colonia agrícola de Balmaceda, en Victoria, agrupados en el Sindicato Agrícola de Lonquimay, fueron desalojados de sus tierras y acusados de sublevación. La represión, que fue muy violenta terminó en una masacre conocida hasta ahora como la "Matanza de Ranquil".

La Iglesia Católica, inspirada en la enseñanza del magisterio social, comenzaba a apoyar el trabajo campesino. En el año 1946 ayudó a la creación de la "Acción Sindical Chilena" (ASICH) que tomará contacto con grupos de agricultores de Molina (VII región) formando en 1952 la "Federación Sindical Cristiana de la Tierra". Al año siguiente realizó una gran movilización que abarcó 30 fundos y a más de 2.000 trabajadores. El apoyo eclesiástico fue significativo, por lo que el gobierno no pudo reprimir esta manifestación y los patrones tuvieron que acoger gran parte de las peticiones campesinas.

Ese mismo año, la Iglesia fundó el Instituto de Educación Rural, el que tuvo mucha influencia en la formación de líderes campesinos cristianos. Más tarde, estos asumieron tareas de formación en el movimiento sindical campesino.

Por otro lado, las organizaciones vinculadas a los partidos de izquierda realizaron el año 1961 un Congreso de Unidad. Allí participaron las organizaciones que habían logrado sobrevivir en el período anterior y decidieron unificarse en la Federación Campesina Indígena, la que se integraría de inmediato a la Central Única de Trabajadores. Retirado da página web: http://www.paginadigital.com.ar/articulos/2004/2004terc/educacion/e1049277-4pl.asp

José Bengoa Cabello, que era sociólogo e eu converti para à Antropologia, como o meu Assistente na Promoção Popular, teve a amizade de ir para me cumprimentar ao meu regresso ao Chile e, por causa da minha longa ausência, para me explicar os benefícios de uma presidência de Allende. Ele, o meu colaborador na Promoção Popular,mestava temido de eu estar desnorteado e for votar pelo o amigo do meu Senhor Pai, Radomiro Tomic. O que ele não sabia era que eu tinha voltado ao Chile por causa de Allende e que por ele eu votei. Após golpe, teve que se exilar na Venezuela, onde escreveu parte dos seus livros citados neste texto. Está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Ant%C3%B3nio+Bengoa+Cabello&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente no seu CV da página web: http://www.conicyt.cl/bases/fondecyt/personas/6/1/6159.html
A família Correa está mencionada no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile++Genealogia+Fam%C3%ADlia+Correa+Colchagua&btnG=Pesquisar&meta=
O programa da DC era paternalista, desagradável, anti Jefferson: colonizava as mentes das pessoas, com o está referido no texto do académico catalão, que passo a referir: “Por ello, la política de promoción popular apunta al fomento de redes sociales en las poblaciones marginales urbanas, dando estatuto legal a las juntas de vecinos, los centros de madres, las asociaciones de padres, los clubes para jóvenes y las asociaciones deportivas. Un modelo de participación ciudadana basado en la extensión de redes desde el núcleo de las familias y que será visto con recelos clientelistas y paternalistas por la izquierda, cuyo modelo de influencia se extendía desde su supremacía en el movimiento sindical-productivo. Las estrategias de constitución del sujeto popular tendrán así dos frentes principales, el poblacional urbano y el campesino, espacios de encuentro de las ideas marxistas y cristianas progresistas, aunque no siempre de convergencias tácticas en la acción partidaria. Las tareas más urgentes del programa de gobierno del PDC constituyen un verdadero desafío comunicacional en sí mismas: la superación del aislamiento y la marginalidad de los sectores populares, debidas al analfabetismo y al alfabetismo pasivo, la falta de redes de comunicación y las dramáticas condiciones de vida de dichos segmentos de la sociedad”. Contributo de um Colóquio de docentes da Catalonha, também a ensinar na Universidade do Chile, em Valparaíso: CRISTIANISMO Y MARXISMO EN CHILE
Contributed by Amador Ibañez
Saturday, 22 December 2007
Last Updated Saturday, 22 December 2007, retirado do portal: marxismo.cl/portal, sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Minist%C3%AArio+Promoci%C3%B3n+Popular+Chile+1964&btnG=Pesquisar&meta

(Continua)


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Fala que não entende -2 - Raúl Iturra
Mas, e a criança, como Freud, Klein, Dolto, analisam? Não há razão da parte delas para essa infelicidade? E para a infelicidade que não conhecemos, que não sabemos por falta de observação e de aprendizagem especializada? Mas, que elas no seu agir, palavras e comportamentos individuais e em grupo, nos ensinam quase sem palavras? Porque não há apenas o silêncio do saber proscrito e a infelicidade adulta do pequeno dotado. Há também uma realidade que nasce da própria realidade, enquanto a criança, cuja idade muda e situação social é "retalhada", o ter uma percepção do real, que Wilfred Bion denominaria entender que há um infinito ao qual pertencemos, como seres finitos que somos e que essa finitude deve entender a relação para não entrar na omnipotência que define parte psicótica do nosso ser[112]. Essa criança passa por diferentes estádios enquanto repara que a base da sua vida - a alimentação -, vem de um corpo estranho[113]. Estas idades podem-se apreciar na seguinte tábua:

cours de
psychologie
Grossesse
Naissance
Petite enfance
Latence
Adolescence Age adulte
Couple
Travail
Vieillesse
Agonie
Hoje em dia sabemos que a relação adulto/criança começa bem antes do nascimento da mesma, como tinha já indicado no Capítulo anterior ao comentar textos de Eduardo Sá. O facto de recentemente se ter descoberto do papel que joga o líquido amniótico entre o corpo da mãe e o mundo exterior - um ouvido que amplifica o que acontece fora do ventre materno, faz com que os sons passem a ser naturais, costumeiros, ou desagradáveis e pouco simpáticos. Ou se ouve Mozart e se fica habituado á melodia calmante, ou podem ouvir-se debates e mas palavras.Relações simpáticas ou antipáticas, estudadas pelos nossos analistas e a sua influência no futuro adulto. Não esqueço o bebé que chorava ao ser amamentado: faltava-lhe a viola com Granados a ser tocado, enquanto a mãe brincava com a viola no colo [114]. A análise da função do líquido amniótico, é já antiga, faz mais de 50 anos que médicos, pediatras e terapeutas, procuram uma relação com a capacidade de autonomia da criança ou com a capacidade de comandar os outros, que vários autores analisam, a ditadura da Infância. Anos de estudo e o saber vai-se acumulando, até chegarmos hoje em dia á procura da genética do genoma humano. "O córtex é soberano e, ao mesmo tempo, deixa-se suplantar docilmente pelo reptiliano. O carácter não se sente ameaçado e por isso cede, derrete-se docemente, permitindo que o cerne fique exposto, pulsante, vibrante. "é a necessidade "libertar-se" da actividade mental, com o intuito de reencontrar a unidade psicossomática", como diz Winnicott"[115].

2. Primeira etapa: a pré-existência.
Se a criança entende ou não, é a pergunta para o começo da vida da mesma, definida desde a sua aparente pré-existência. Como já tenho dito e gostava de repetir, a criança é mais um facto cultural de como pequenos e adultos entendem aos cronologicamente mais novos do que um processo da realidade social. A questão é simples: o que é esse entender ou não de se ser criança e o que é que é possível falar em frente do, cronologicamente, mais novo? Os mais novos caracterizam-se por chorarem, ás vezes sem motivo entendível. O pranto dos pequenos pode ser resultado de ouvir uma voz autoritária que faz correr, pensar, sentir, desesperar, se não conhecemos o motivo e a pessoa. Esse ser novo chora e ri desde o seu primeiro dia de existência. Os analistas de pequenos têm defendido que o bebé, como ser humano que sente e é emotivo, começa na gestação e, antes ainda, no imaginário dos pais que pensam produzir um ser humano. Defensor desta ideia é o referido Winnicott, bem como o conhecido Cyrulnik. é a ilusão dos adultos que leva a este tipo de pensamentos. "Como é que será o bebé, semelhante a quem, a cor dos olhos? E outras questões que são colocadas pelos progenitores. Não resisto sintetizar o que a escola francesa organicista de psicologia tem acumulado em saber no assunto do imaginário e da gestação de um outro ser humano e o papel de destaque atribuído aos progenitores durante a gravidez, especialmente o papel cultural alimentar e emotivo da mãe. A história analisada por eles, é assim:
"L"histoire de l"enfant commence dans l"imaginaire des parents. On l"imagine grand, beau, fort et plus tard riche. A partir du moment oú on est deux (couple), on est déjá trois, même si l"enfant n"est pas encore pensé consciemment. Il y a toujours dans le désir d"avoir un enfant un besoin personnel á assouvir. Durant les 9 mois de grossesse, les parents font le deuil de l"enfant imaginaire. On divise les 9 mois en 3 périodes :
1ére période : Incorporation. Il faut acquérir l"identité maternelle, l"assimiler d"aprés la propre histoire de la femme : Quand elle était nourrisson, d"aprés ses rapports avec sa propre mére, son propre pére, sa conception de l"enfant. Cela provoque chez la femme une régression. Elle se voit petite-fille, elle rêve beaucoup de son enfance (souvenirs). Elle pourra aborder sa grossesse soit comme un événement heureux, valorisant, soit avec l"angoisse due á la déformation corporelle, á la fatigue. L"ambivalence des sentiments de refus et d"acceptation pourra entraíner des vomissements, des malaises, des dégoûts…de l"instabilité. Les modifications hormonales toucheront l"humeur, la sexualité… La femme s"installe dans son nouveau statut, non sans heurts.
2éme période : L"enfant est accepté, il bouge, se distingue de la mére. C"est une période sereine. La femme se suffit á elle-même, son corps s"épanouit. Elle ressent une grande sensibilité au monde extérieur. Elle a retrouvé son dynamisme et éprouve beaucoup de bonheur á fabriquer son fÅ“tus. (Notons qu"á ce niveau lá, certaines femmes ressentiront de l"angoisse á l"idée de porter un être vivant, étranger á elles et vécu comme un parasite). La femme commence á concevoir son enfant comme différent d"elle. Le pére acquiert son identité de pére. Il aide psychologiquement la mére á porter l"enfant.
3éme période : Travail de séparation. Les parents confrontent l"enfant imaginaire á l"enfant réel. Un processus de deuil commence. L"enfant existe. Le processus de deuil doit être achevé á l"accouchement. L"enfant naítra réel, autonome et différent. La femme pense á son accouchement, craint les douleurs, le risque de l"enfant mort-né, ou anormal.
L"enfant imaginaire est lá pour combler un manque chez les parents. Aprés la naissance, l"enfant devient d"un coup réel. Cela n"est pas toujours accepté par les parents. Le deuil est donc lá nécessaire.
Cas de malformation á la naissance : Ce qui est important n"est pas qu"un enfant soit incomplet mentalement ou physiquement, mais la façon dont les parents vivent cette incomplétude. Ils pourront y voir une punition, renforçant ainsi la tare chez l"enfant, le confirmant dans son état d"infériorité. Il pourra aussi y avoir de la culpabilisation vis á vis des grands-parents, qui eux ont bien réussi leur travail. Le role maternal será alors plus difficile á acquérir. [116]"
Esta extensa citação da Escola da Etnopsicologia francesa comenta-se por si só., apesar de tanto autor me ter obrigado a entregar estes elementos para saber e lembrar o argumento da procriação e criação de pequenos e dar assim bases analíticas aos leitores. é preciso lembrar apenas três pontos: o primeiro, é que esta é uma, citação do texto da Associação Géza Róheim[117], que define a fundação da Etnopsicologia - atribuída também ao Húngaro Róheim, mas que a História entrega e atribui ao alemão Emil Kraepelin por causa dos seus estudos de método comparado entre europeus de diversos grupos sociais, e os nativos de Java com os artefactos da sua cultura reunidos no Museu que orientava em Hamburgo, e cujas viagens á Índia tiveram por objectivo comparar os conceitos fundados sobre Esquizofrenia e Mania Depressiva, com doenças dos nativos de Java no asilo [118] gerido pelos holandeses. Os seus primeiros textos contextualizam culturas e delimitam a influência que as formas de comportamento normativo social exercem sobre as, nesse tempo, denominadas demências: a forma cultural ensina que não há alcoolismo, mas sim epilepsia, causada pela traição da mulher amada, ou ver o sangue á morte de uma pessoa querida, ou, ainda, ver derramar sangue dos seus consanguíneos ou o facto de entidades míticas denominadas l"amok e le latah, entidades culturais legendárias a agir entre o povo, facto perante o qual se reage, como descreve Gilmore Ellis no The Journal of Mental Science. Doenças que são comportamentos, estudados e descritas por Kraepelin e que Gilmore Ellis analisa na referida revistam: "A ideia que insanidade é rara entre os povos primitivos e que ela tende a aumentar em proporção ao processo civilizatório surgiu pela primeira vez no século XIX. Psiquiatras importantes daquela época defenderam a ideia que existiria uma íntima relação entre civilização e doença mental. A ideia do "bom selvagem", proposta pelo filósofo e reformador francês Russeau, ainda era forte.... Começaram a descobrir doenças mentais que eram restritas a povos primitivos, tais como o amok e o latah, entre os nativos de Java; koro, entre os chineses em Java; o myriath, na Sibéria, pilokto entre os esquimós, etc. Assim, nasceu uma nova abordagem, a assim chamada "psiquiatria cultural do exótico", a qual evoluiu até o presente conceito de síndrome delimitada pela cultura ( "culture-delimited syndrome") Pela primeira vez, o pensamento psiquiátrico buscava fora do seu berço de nascimento uma prova para o valor universal de suas categorias de doença mental. O grande psiquiatra Emil Kraepelin foi um dos primeiros a fazer extensas viagens ao Oriente e examinar pacientes psicóticos entre povos primitivos, tais como na ilha de Java. [119]. O conceito de síndrome culturalmente limitado é central para o entendimento de não termos doentes mentais, mas sim uma relação entre pessoas, etnocentrismo e a sua cultura, com o perigo do afastamento das definições comandadas pela prática e a tradição.


publicado por Carlos Loures às 07:00
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (22)
(Continuação)
Donde, nunca fui membro do dito partido, apesar de ter como alcunha o “comunista chileno”. Era assim que eu era denominado pelos patrões dos sítios trabalhados por mim, especialmente pelos de Ramón. A Doña Juana perguntou se eu era ou não comunista, ao dizer a frase espontânea, escrita mais acima. Eu respondi não, aliás, referi, se a Senhora repara, vamos todos à Missa do Domingo na Igreja Paroquial e comungamos juntos. Apenas, que, acrescentei, a Senhora tem um anel de diamantes que faria rico a qualquer dos seus trabalhadores! Ele não calou e disse: “Dice que no es comunista, pero sus palabras lo traicionan.

Su comunión es una herejia”, eu fechei o diálogo com esta frase. “Herejía es no trabajar y vivir del producto de los otros. ¡Eso es pecado!”. No dia a seguir, fomos todos levados, depois da Missa das 12, a Missa dos elegantes, pela policia de Santa Cruz para a cadeia local. !Éramos tantos! Dos que mais lembro, é desse novo amigo, Esteban Tomi`c, um dos vários filhos do o amigo do meu Senhor Pai, Radomiro Tomi ´c, que correu como DC juntos ao Candidato Allende para a Presidência em 1970, mas que, aos saber da conspiração para derrubar Allende antes de reconhecer o seu sucesso para à Presidência do Chile, foi o primeiro em ir cumprimentar ao seu vitorioso rival, deu um abraço em frente da multidão de “rotos” e outros descosidos, deu um abraço e publicamente admitiu a sua derrota, o que travou o plano de Frei de ser sequestrado, enviado ao exílio, organizar Junta Militar, invalidar as eleições, e sei meses após Junta, abrir eleições outra vez e Frei Montalva podia-se recandidatar e ganhar. Mas, a movimentação de Radomiro Tomi´c, inviabilizou esse projecto de golpe de palácio, apoiado pelos Carabineros do Chile.

Torno ao texto central e lembro-me do desaparecido muito novo, Cláudio Orrego Vicuña, as gémeas jugulavas, Sandra e Mila Milocevi´c, Félix Spencer, Carlos Poblete, etc. etc. Apareceu de imediato o velho Pároco, Monsenhor Amat, quem lançou palavras horrorizadas ao Sargeto de Carabineros, que nos tinha apresado, para dizer. “!

Cómo se atreve, su roto ateo, a detener a éstos jóvenes aristócratas de nuestro País!. Yo, el descendiente del Gobernador Amat y Junyent, reclamo! ¡O los liberta ya, o llamo al Marqués Bulnes y Ud. va preso! Una aventura para nós que abriu as portas das pessoa com as que queríamos falar, que, de dia, não falavam connosco: os camponeses!. Marqués Bulnes no havia, era assim denominado o Ministro do Interior, Pedro Bulnes, Ministro do Presidente em exercício, o conservador Jorge Alessandri Rodríguez .

Fiquei triste pelo Sargento, eu estava mais com ele que com o nosso aristocrata Pároco. O Governador, esse reclamado ascendente do nosso pároco, está referido em . Sem saber, o aristocrata Padre tinha aberto as comportas para a via chilena ao socialismo, eram já as Grandes Alamedas, que, muito mais tarde na minha vida, eu ia começar a percorrer. Por enquanto, era todo dentro de nós....e dos mentores interesseiros do nosso programa de usar as féria de verão para trabalhar para o cristianismo democrata ou Democracia Cristã.

Este partido foi criado por divisões de outros partido e a sua base é a denominada Falange Nacional, à qual pertencia o primeiro Presidente DC do Chile, Eduardo Frei Montalva , que foi capaz reunir vários partidos de ideologia cristã, como está referido na nota de rodapé. Nunca vou esquecer esse o nosso mentor, Clemente Pérez Matte e a sua mulher Juana, uma Senhora muito calada e a amamentar sempre mais um filho! Nuca falava, mas sempre sorria. Bem como não esqueço essa indelicada forma de referis às mulheres:

“Raulito”, dizia-me, “ cuando cases, no te hagas el matrimónio com una mujer inteligente, las mujeres son buenas para nos satisfazer e darnos hijos, especialmente si tienen dinero”, frase dita em frente da sua mulher, frase, no meu ver, não apenas pouco delicada, bem como de um machismo brutal e um grande desapreço pelas senhoras. Juana Errázuriz, su mujer, reia, amamentava ao seu filho mais novo e dizia sempre “Si, estoy de acuerdo”. Talvez era uma magoa do nosso referido mentor, porque a sua mulher nem falar sabia.

A única referência encontrada, primeiro, na minha memória, a seguir no sítio Net a citar . Essas ideias desmaiavam a minha alma, bem como em geral, o posicionamento todo da Democracia Cristã, à qual fui sempre associado, especialmente ao trabalhar como Advogado no Ministério do Interior, no plano denominado Promoción Popular , una maneira de tratar aos pobres com mais respeito, mas ainda, como pobres. Eu levei o meu papel muito a sério e joguei-me pelos pescadores, pelos sem casa, pelos sem abrigo, até redigir o projecto de lei denominado Ley de Juntas de Vecinos e de Centros de Madres , o que valeu, a seguir, a minha ida para a Grã-Bretanha e estudar nesse país, todo o que sentia na alma mas que, em teoria, ainda nada, ou, muito pouco.

Foi a minha irmã Blanquita quem me apresentou ao único Antropólogo de verdade, um Argentino no Chile, Rodrigro Nájera e, o namorado da minha irmã nesses tempos dos anos 60 do Século passado, ao meu professor de Antropologia, denominado Pocho (Francisco) Reyes, discípulo de Redfield, cujo nome já está referido nos primeiros capítulos deste texto e no meu CV. Também apresentado a mim pela minha irmã e o seu namorado dos 20 anos. De facto, foram eles os que, sem saber, me empurraram para as ideias antropológicas, que hoje sustento, nas que trabalho com entusiasmo e orientam a minha escrita.

Notas:

Radomiro Tomic Romero, filho de croata e de chilena, teve nove filhos, um dos quais foi esse o meu amigo Esteban Tomi´c Errázúriz. A minha história está na página web: http://es.wikipedia.org/wiki/Radomiro_Tomic . A sua carreira política em: http://es.wikipedia.org/w/index.php?title=Special%3ASearch&search=Radomiro+Tomic&fulltext=B%C3%BAsqueda&q=Radomiro+Tomic&as_sitesearch=es.wikipedia.org&hl=es&action=Radomiro+Tomic&lang=es&bg=es&p=Radomiro+Tomic&vs=es.wikipedia.org&q=Radomiro+Tomic&q1=site%3Ahttp%3A%2F%2Fes.wikipedia.org&mkt=es-AR&q=Radomiro+Tomic
Jorge Alessandri Rodríguez (Santiago, 19 de maio de 1896 — 31 de agosto de 1986) foi um engenheiro, político e empresário chileno, filho de Arturo Alessandri Palma. Foi ministro da fazenda (1947-1950) e presidente da república (1958-1964).Retirado da pagina web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Alessandri . A família Alessandri era amiga de família e os meus Senhores Pais e avôs e tias avôs, contaram-me como era o tratamento dado pelo pai Presidente, ao filho estudante e, mais tarde, também Presidente da República. Esta forma de se referir ao filho, era a matança quotidiana de uma criança, que acabou por ser amigo de um amigo, com quem partilhou todos os dias da sua vida. Referido a mim, pela minha família.


Sitio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=++Historia+de+Chile+1755-1761+Gobierno+Manuel+de+Amat+y+Junyent+&btnG=Pesquisar&meta= , bem como na página web: http://es.wikipedia.org/wiki/Manuel_Amat_y_Juniet , que diz: Manuel de Amat y de Junyent, en catalán Manuel d'Amat i de Junyent (Vacarisses, Barcelona, 1704 — Barcelona, 1782). Militar y administrador colonial español. Gobernador de Chile (1755-1761) y Virrey del Perú (1761-1776. Nunca me tinha sentido tão aristocrata como nesse dia!


A Democracia Cristã era suposta ser um partido de revolução dentro da Liberdade. Ao correr para a campanha de Presidente da República, o Senador Eduardo Frei, e 1964, ganhou a a Presidência do país por uma imensidão de votos. Allende era também candidato, mas ficou derrotado. Foi apenas mais tarde, em 1970, como já tenho relatado, sucedeu a Frei na Presidência. Penso que está melhor referido na Enciclopédia Net, que vou transferir para esta nota de rodapé e entender porque era importante a sindicalizarão dos trabalhadores rurais. Diz: El Partido Demócrata Cristiano de Chile (PDC), llamado también Democracia Cristiana, es un partido político fundado el 28 de julio de 1957 de la unificación de diversos grupos socialcristianos. Participan en su creación la Falange Nacional y el Partido Conservador Social Cristiano, grupos escindidos del Partido Conservador, y que formaban la Federación Social Cristiana.
En la historia del siglo XX en Chile, el PDC ha tenido una posición de centro democrático, formando generalmente alianzas políticas con la centro izquierda. Sus principales medidas en la historia de Chile son la Reforma agraria, la Chilenización del cobre, oposición al gobierno de la Unidad Popular, su participación en la recuperación democrática, la defensa de los derechos humanos, violentados durante el Régimen Militar que rigió el país entre 1973 y 1990, y la modernización del país durante los últimos 17 años, con su participación en los gobiernos de la Concertación. Referido na página Net: http://es.wikipedia.org/wiki/Partido_Dem%C3%B3crata_Cristiano_de_Chile Era um partido novo, feito para pessoas jovens como nós. Apenas que eu não comungava muito com as ideias de intermediação dos membros do PDC. Não entanto, é preciso ser justos e dizer que Falange, não a mesma ideia adoptada pelos franquistas fascistas de Espanha. É melhor citar a fonte: La Falange Nacional fue un partido político social cristiano chileno que existió entre 1935 y 1957.
Fue el nombre que adoptó la Juventud Conservadora al negarse a apoyar al candidato oficial del Partido Conservador, Gustavo Ross. Nace en una concentración entre el 11 y el 13 de octubre de 1935, en el Teatro Principal de Santiago, adoptando el nombre de Movimiento Nacional de la Juventud Conservadora. En 1936 adoptan el nombre de Falange Nacional, el que aparece por primera vez en Lircay, el periódico oficial de dicha colectividad, el 14 de noviembre de dicho año.
En 1957 se une a otros grupos social cristianos y forma el Partido Demócrata Cristiano de Chile (PDC), que mantuvo su bandera. La cual indica la mezcla de misión social y nacionalismo que animaba a sus jóvenes fundadores. La flecha representa "el gran destino de nuestra patria"; el color rojo, "la sangre de aquellos que lucharon y murieron por Chile; la sangre de los héroes que conocemos, y la de los héroes desconocidos...". Las barras representan los obstáculos a vencer. "Los obstáculos internos deben ser vencidos por el sacrificio. Los externos los superaremos por medio de la lucha" (Grayson, G. El Partido Demócrata Cristiano chileno, 1968, citando a Lircay, 12 de octubre de 1939).


Bem como, o artigo de Natália Cruzes, de 20 de Setempro de 2007, escreve história da DC: Em 11 de setembro de 1973 foi orquestrado o sangrento golpe de Estado no Chile, no qual Pinochet, a patronal, os militares, o imperialismo ianque, a igreja, a mídia, a justiça e a direita junto à Democracia Cristã (DC) – partido patronal com peso nas classes médias–, se organizaram contra os trabalhadores e o povo pobre, os verdadeiros protagonistas do ascenso dos anos 70, culminando na queda do governo da Unidade Popular (UP) e Salvador Allende. Seu objectivo foi liquidar a possibilidade histórica de que os trabalhadores avançassem na experiência com os Cordões Industriais, como organismos de auto-organização e de poder operário, e em progressivo questionamento ao governo de Allende e da UP, que em três anos, começava a mostrar que sua política de via pacífica ao socialismo almejava a conciliação de classes e não a luta por uma república de trabalhadores, sem patrões. Retirado do jornal on line: Palavra Operária, Nº 033, de 27 de Setembro de 2007, texto na Página web: http://www.ler-qi.org/spip.php?article534 O título do texto é: “Um golpe contra os trabalhadores e o povo”, texto integro no sítio referido


Presentado nuevamente en la elección de 1964 por la Democracia Cristiana, superó ampliamente los esquemas partidarios y atrajo a gran parte de la juventud del país con sus ideales humanistas, a lo que se agregó el apoyo incondicional que le entregó la derecha, que abandonó a su candidato Julio Durán y decidió apoyarlo para impedir un posible triunfo de Salvador Allende. Esto le permite obtener la mayoría absoluta de los sufragios (que desde Juan Antonio Ríos no se había obtenido) en la elección de 1964 con el 56,09%, y la posibilidad de gobernar con la DC solos todo el sexenio, pues el empuje de su campaña y el lema “un parlamento para Frei” le consiguió el 42.3% de los votos en las parlamentarias de seis meses después.
La elección de Frei fue vista con interés en todas partes del mundo, pues se trataba de un experimento político muy prometedor, que podía ser la opción al capitalismo y al socialismo.
Su programa «Revolución en Libertad» planteaba una reforma estructural del país a través de la creación de cooperativas y nuevas organizaciones sociales como juntas de vecinos y centros de madres. Se trataba de crear organizaciones de base capaces de enfrentar sus propios problemas. Con ello se pretendía mejorar las condiciones de vida de los sectores marginales; los cambios no se realizarían desde el Estado sino desde la comunidad misma. Por ello el gobierno de Frei Montalva dio especial impulso al sindicalismo y a la educación.
Creó el Ministerio de Vivienda y se construyeron cerca de 130.000 casas económicas. Con ello se buscaba paliar el déficit habitacional creado por el aumento de la población. En seguridad social, dictó la Ley 16.744, que creó el Seguro de Accidentes del Trabajo y Enfermedades Profesionales. Nota retirada de: http://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Frei_Montalva


Referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Clemente+P%C3%A9rez+Err%C3%A1zuriz+&btnG=Pesquisar&meta= , pagina web: http://www.fulbrightchile.cl/CLEMENTEPEREZ.htm É um dos vários filhos de Clemente, que também era Advogado e fundador do PDC chileno.
Penso ser necessário acrescentar as esperanças que havia com este novo partido e a sua luta contra o socialismo, citando esta improvisada nota de rodapé
É a primeira vez que lembro ter participado no projecto, após Ministério, da Promoção Popular, ou em chileno castiço: “Promoción Popular”, referida no texto de Fernando Kusnettzoff, do Journal of Interamerican Studies and World Affairs, Vol. 17, No. 3 (Aug., 1975), pp. 281-310 , texto completo na página web: http://links.jstor.org/sici?sici=0022-1937%28197508%2917%3A3%3C281%3AHPOHPA%3E2.0.CO%3B2-R&size=SMALL&origin=JSTOR-reducePage Retire-me da dita Promoción Popular, ao voltar ao Chile de Allende e retornar o meu sítio na minha Pontifícia Católica do Chile. A Promoção Popular era um abuso de poder, como eu sentia e parecia-me. Era tentar conformar aos pobres, que eu tratava com dignidade por ser pessoas muito humanas. Foi a primeira vez que desafiei um proprietário de terras baldias. Os Pescadores de Caleta Abarca iam ser transferidos para as partes altas da cidade de Valsaríamos, longe do seu lugar de trabalho. Juntei de imediato e convoquei ao meu Gabinete aos Pescadores: o seu trabalho ficava lesado, mas havia essa terra....Procurei pelo proprietário, solicitei comprar a terra, ele disse que não vendia, ripostei de imediato: “Senhor, se a não vender, nos vamo-la pilhar!. Ele riu e disse: duvido, eu tirei casaco e gravata e respondi; se quer lutar comigo, pode já, cá tenho estes pescadores todos para me defenderem. Ele foi muito amável ao dizer, não por medo, mas por convicção, que, perante um Advogado tão destemido e gentil, o que podia fazer era outra coisa: oferecer a terra aos pescadores, o que ele fez, com transferência em Escritura perante notário. Limpamos todo, compramos casas, essas que tinham por nome de meia agua por terem apenas um tecto para cair a chuva para o frente da casa, as construímos e fizemos uma comemoração. A população ia ser denominado Povo de Pescadores de Raúl Iturra, recusei, mas à rua do bairro foi baptizada com o meu nome... Foi inaugurada pelo nosso Ministro Sérgio Ossa Pretot, quem me congratulara, mas, na minha soberba, fiz um discurso para referir como todo tinha sido feito pelos pescadores. Por não suportar mais estes dito e entreditos, casei com mulher inteligente e fomos já para o estrangeiro, ,mas, antes, transferi-me ao já citado Instituto de Ciências Sociais do ORMEU, quando recebi a Paulo Freire, já exilado. Allende, em 1965, criticou a DC, ao dizer: “La democracia cristiana no es revolucionaria.—Defiende al capitalismo. La Iglesia siempre ha condenado la revolución.— No existe hoy el régimen comunitario.— ¿Qué es el régimen comunitario? Asevera el régimen que el Gobierno del pueblo comienza con Frei. En los hechos, sin embargo, los sectores asalariados están al margen del ejercicio de la gestión gubernamental. La promoción popular es una raquíticación paternalista de tipo “evangélico”.Los trabajadores, al margen del ejercicio indispensable del Poder, se mantienen en el marco tradicional de lucha contra sus opresores económicos.”
El Gobierno afirma que inspira su misión en el afán de independencia económica. Toda su filosofía del desarrollo se expresa, sin embargo, en función de la ayuda extranjera, con la natural pérdida de la soberanía que ello implica”. Retirado do documento pdf: Allende enjuicia a Frei, Jornal Punto Final, N.º 5, Noviembre de 1965, retirado do documento pdf: www.salvador-allende.cl/Biblioteca/Allende1.pdf - sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Promoci%C3%B3n+Popular+S%C3%A9rgio+Ossa+Pretot&btnG=Pesquisar&meta=
O que foi e era a Promoção Popular, está referido na página web, http://www.icarito.cl/medio/articulo/0,0,38035857_0_186786024_1,00.html que diz: De esta forma, su principal preocupación fue desarrollar el programa de promoción popular, cuyo objetivo fue incorporar en la vida pública a los grupos marginados. Para ello se crearían o ampliarían organizaciones de participación ciudadana, como sindicatos, juntas de vecinos, centros de madres y cooperativas, entre otras. Eis o motivo também, de que a minha tese em Edimburgo por denominada: For a concept of Social Change, na qual analizo as alternativas do impactuar e levantar a denominada população marginal, retirada de textos e do meu trabalho de campo na cidade de Livingstone, no limíte da cidade de Edimburgh. Refere também o Ministério de Promoción Popular, no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Minist%C3%AArio+Promoci%C3%B3n+Popular+Chile+1964&btnG=Pesquisar&meta=
(Continua)


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Sábado, 11 de Dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (6) por Raúl Iturra
(Conclusão)

11. A erudição.

É isto que se pensa que seja o processo educativo: a quantidade de informação universal que uma pessoa tem. A erudição actual é uma consequência do Enciclopedismo dos sécs. XVII e XVIII, dessa rebeldia de intelectuais contra o dogma: não contra o conteúdo do dogma, mas contra o saber porque uma autoridade diz que é assim e não admite contra-argumento. A erudição é a cultura dividida em modelos e parcelas que sistematizam um domínio da interpretação e transformação dos factos sociais e que é logo entregue, com a sua prova, a outros; a transferência é feita a, pelo menos, dois tipos de pessoas: os que vão continuar a investigar esse campo e os que vão reproduzir o conteúdo aos neófitos. A cultura erudita é resultado da experimentação e, por meio dos textos em que se guarda o saber, é entregue às gerações de crianças e jovens como uma verdade, contra a sua argumentação. A função da escola para a infância e juventude, desde o começo até ao fim, é entregar as descobertas dos outros como a interpretação fiel e verdadeira do real; raramente os professores ousam investigar com os seus alunos, como deveria ser.

A questão aqui não é criticar este tipo de formação; a questão é debater a estrutura, dentro da qual é formado o saber e no qual a mente é estruturada, entre a escola e lar. Normalmente o conhecimento é leccionado aos estudantes para ser decorado, e a quantidade aprendida é avaliada como positiva ou não: ai, a cultura erudita, que foi essencialmente dialéctica e ante dogmática, passa a ser verdade que substitui as outras. Como consequência, a mente esta preparada para aceitar a verdade que uma autoridade diz, por parecer ser quem sabe, uma mente que na formação emotiva não só aderiu a princípios, bem como estruturou o pensamento para lhe aderir. Aliás, quem estuda está a preparar-se para viver numa sociedade concorrencial; a maior quantidade de saber e a maior adesão ajudam o reproduzir a receita do sucesso preconizado por quem se tem à frente. A vida para o estudante passa a ser um conjunto de textos contraditórios da experiência de definem como a sociedade há-de ser e que mostra o que foi, que entrega uma ideia definitiva do corpo, da hierarquia da sociedade, da ordem e outras ideias.

Retira-se do campo de aprendizagem a fluidez do erudito, a fluidez da descoberta, a reprodução da fórmula para que quem é ensinado procure por si. A fraqueza do ensino não está no conteúdo, mas na forma como se ensina e no uso dos textos. Seria talvez necessário introduzir uma distinção na pedagogia: dar informação e logo fornecer metodologia para comparar e descobrir. O que consegue a erudição dos reputados formalmente sábios é uma universalidade de conceitos espalhados de forma igual pelas mentes desiguais dos estudantes. Isto é, uma tentativa de impor um tipo igual de conhecimentos entre todos, que sirva de base à construção de um convívio social uniformizado mais fácil de governar. No entanto, se o processo educativo tem emoção e há empatias dentro da sua parte institucional, a aprendizagem só será possível se, quem explica conseguir reconstituir na mente do estudante os sentimentos com que, quem ensina, aprendeu outras formas de convívio, antes de passar à abstracção racional letrada e teórica do dito processo.

Os conteúdos transformarão, ou não, a ligação emotiva e racional a que se consiga chegar entre professor e estudante. Este não é o aspecto que mais interessa de todo o processo educativo. Se a emoção e a razão estão juntas, esta última deve incluir a capacidade da instituição de entregar os elementos para a concorrência. Se muitos ficam pelo caminho é devido a que o apetite individual não se consegue impor à coesão social como identidade para cada estudante.

12. Os universais e a multicultura.

Emoção, razão e erudição acontecem, ou são percebidos, de forma diferente dentro de uma mesma turma devido as origens heterogéneas dos alunos, como grupo interactivo social. Entre os primitivos contemporâneos que os antropólogos estudaram, quer as escolas autóctones quer as iniciações rituais são diferenciadas dos conteúdos do ensino oficial, conforme a hierarquia que, genealogicamente, virá ocupar a criança. Entre os ocidentais (Stoer e Araújo, 1993), a grande massa da população está subdividida em meninos e meninas com experiência diversificada de classe social e de pertença a etnias. Os países da Europa têm recebido um conjunto de imigrantes vindos das ex-colónias, ou têm aparecido nas aulas grupos sociais que, até a pouco, em consequência da sua origem, não assistiam à escola ou eram em tão pequeno número que não se dava por isso. Se a formação é, como já referi antes, de uma intensidade marcante, as formas explicativas do real simplesmente não deixam marca se a cultura de origem não é trazida também à aula. A questão é que uma turma heterogénea tem um conjunto de estereótipos à volta. O primeiro, o que cada membro pensa de si como eu, conforme a sua aprendizagem infantil. O segundo, é o que o mesmo sujeito pensa sobre os outros e se os aceita ou não. O terceiro, é o que os outros pensam do Eu.

E, finalmente, o que professor pensa de tudo isto. A verdade unificadora não é facilmente conseguida, não passa a existir nas mentes, porque há outras mais forte que a impedem. Quem aparece na escola autóctone primitiva, ou na oficial ocidental, não é o pequeno futuro indivíduo, é a sua genealogia. E não só quem vai à escola: é também a autoridade de quem aí o enviou, que não é a da lei, mas a concorrência social. Quem está na escola é a expectativa do que cada um virá a ser conforme o seu contexto etno-sócio-cultural. Mesmo que no fim venham todos «tapar buracos» nas ruas, não só os cabo-verdianos bem como o resto da respeitável turma branca portuguesa, francesa, ou britânica natural das ilhas, a hierarquia esperada esta sempre presente. Quando se inicia a procura da integração na vida activa, o etnocentrismo mantém a divisão por grupos conforme a experiência cultural e não a solidariedade institucional escolar.

O processo educativo ensina de forma clara a universalidade da cultura erudita é possível porque nasceu dentro de um mesmo sistema de comunicação, o cristianismo, e dentro de um mesmo pensamento reprodutivo, o liberalismo monetarista. Os não eruditos têm uma cultura, já que os universais se encontram dentro do seu próprio grupo de classe e de etnia. A questão é pô-los a falar juntos, o que só me parece possível se o ensino académico começar por ter como disciplina obrigatória o Processo Educativo em todas as Universidades; e se, muito cedo, existir a cadeira obrigatória de Culturas Comparadas. Conhecendo, no entanto, a força do etnocentrismo e a fraqueza do esquecido relativismo, confesso que não me parece possível a compreensão mútua entre eruditos e aprendizes. A cultura dominante é da classe burguesa que, para se reproduzir, precisa até destes meandros. Tudo o que disse não foi no sentido de aumentar o pessimismo que muitos sentimos perante as Políticas Educativas, mais sim para ensaiar ideias acerca do processo educativo.

Bibliografia
ARAÚJO, Helena Costa; STOER, Stephen (1993): Genealogias nas Escolas, Porto: Ed. Afrontamento.
CAVACO, M. H. (1990): «Retrato do professor enquanto jovem», in Revista Crítica de Ciências Sociais, 121-141, 2, Fevereiro.
FIRTH, Sir Raymond (1929) :The New Zealand Maori, Londres: Routledge.
FORTES, M. (1938): «Sociological and psychological aspects of education in Taleland», in Africa, vol. XI, nº 4, pp. 5-64.
FORTES, Meyer (1949): The Web of Kinship among the Tallensi, Londres, Oxford University Press.
FORTES, M.; E. E., Evans Pritchard (1940): African Political Systems, International African Institute, Oxford University Press, Londres ( versão Portuguesa: Fundação Gulbenkian, 1981).
FREIRE, Paulo (1967): A Libertação do Oprimido, capitulo manuscrito entregue a mim pelo autor.
FREUD, Sigmund (1918; 1919): Totem and Taboo, Londres: Routledge (existe versão portuguesa).
GOLDELIER, Maurice (1982): La Production des Grandes Hommes, Paris: Fayard (existe versão castelhana).
GODDY, J. (1987): The Interface between the Written and the Oral, Cambridge: Cambridge University Press.
GODDY Jack (1986): The Logic of Writing and Organisation of Society, Cambridge: Cambridge University Press (existe versão portuguesa) .
GODDY, Jack (1963): The Myth of Bagré, Cambridge: Cambridge University Press.
ITURRA, R. (1990):A Construção Social do Insucesso Escolar: Memória e aprendizagem em Vila Ruiva, Lisboa: Escher.
ITURRA, R. (1991, 1ª Edição, 2001, 2ª edição): A Religião como Teoria da Reprodução Social, Lisboa: Escher, hoje Fim de Século, Lisboa.
JUNG, Karl (1991): Symbole der Wandlung, Áustria (existe versão castelhana): Símbolos de Transformation, Paidós).
MARX, Karl (1863) : Theories of Surplus Value, Londres (várias traduções).
MALINOWSKI, B. (1992): Argonauts of the Western Pacific, 1928, Londres: Routledge Keagan Paul (existe versão portuguesa).
MALINOWSKI, B. (1992): The Sexual Life of Savages, Londres: Routledge Keagan Paul (existe versão portuguesa).
NÓVOA, António. (org) (1991): Profissão Professor, Porto: Porto Editora.
REIS, F. (1991): Educação, Ensino e Crescimento. A aprendizagem do cálculo económico em Vila Ruiva. Lisboa: Escher.
RICARDO, David (1873): A theory of Rent, Manchester (existe versão portuguesa).
SMITH, Adam (1776; 1874) An enquiry into the reasons and causes of the Wealth of Nations, Londres: Routledge (existe versão portuguesa).
STOER, Stephen R.; ARAÚJO, Helena C. (1992): Escola e Aprendizagem para o Trabalho num País da (Semi) periferia Europeia, Lisboa: Escher.
STUART MLL, John (1789) Utilitarism, Londres: Fontana (existe versão portuguesa).




Documentos
- Entrevistas e debates com os professores do ensino Primário e Preparatório de aldeias rurais dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Leiria, Lisboa, Castelo Branco e Guarda.
- Ateliers de Tempos Livres com Crianças entre os 5 e os 12 anos de idade dos mesmos distritos.
- Histórias da vida dos professores, das crianças e de seus pais, parentes e vizinhos.
- Filmes e vídeos gravados entre 1990 e 1993.


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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (5) por Raúl Iturra
(Continuação)

8. Poder saber.



Significa ser capaz de entender a contradição da sociedade em que vive, apresentada à infância como seu destino. Se me permitem ainda os leitores outra passagem pelos grupos primitivos, gostava de lembrar o caso da chefia Maori da Nova Zelândia (Firth, 1929). O chefe domina o conhecimento da natureza, das hierarquias, da distribuição do território, da origem, da guerra e da reprodução. Normalmente, ele é o filho mais velho do chefe anterior e é treinado para estes conhecimentos, mas se não consegue afastar-se das suas habilidades predilectas para entender aquela universalidade é logo destituído e substituído pelo irmão mais velho do chefe anterior. Quer dizer, tem que mostrar as capacidades que o povo espera de um condutor de povos para assegurar a sua estabilidade no cargo: a lei Maori não prevê um prazo para o seu governo. Prevê, antes, uma capacidade. Mas prevê também um treino para chefia e uma companhia e ajuda de especialistas para desempenhar o trabalho. Na vida primitiva, como na vida rural europeia, o conhecimento, embora especializado, emerge do conjunto de experiências que as tribos ou aldeias têm, e é do mesmo tipo de lógica para o conjunto: analógico, religioso e metafórico.

Na sociedade ocidental, a referida contradição às aptidões pessoais, especialmente no que diz respeito às formas industrializadas de vida, provêm de ideias diferentes acerca do destino social. A divisão final do trabalho não é feita por aptidões para qual a infância é longamente preparada: a divisão é feita para as necessidades de distribuição de pessoal pelas actividades que a produção industrial precisa. Não existe uma sequência entre as bases cognitivas das crianças e o saber que é incutido para o funcionamento social.

A diferença está em que um povo, como o Maori, é um conjunto de pessoas distribuídas em tribos que exercem funções miticamente atribuídas pelos diversos domínios da natureza; enquanto a sociedade industrial é uma heterogeneidade de funções díspares que requer habilidades que a própria indústria decide – seja na produção, circulação, distribuição ou consumo dos bens. A sociedade Maori tem hierarquias; o Ocidental industrial tem classes – que vieram intervir na prolongada vida rural. Poder saber, em consequência, passa por uma preparação específica e especial que a sociedade industrial determina de acordo com parâmetros diferentes dos conhecimentos analógicos, religiosos e metafóricos com que também a infância ocidental se defronta nos seus primeiros anos – quer na cidade, quer no campo.

Poder saber não é a consequência de processos imitativos de adultos significantes ou de formas previstas hierarquicamente de contrariar as preferências ou aptidões pessoais. É, antes, resultado de uma lógica externa ao grupo de política educativa, que retira o aprendiz do seu meio, dos seus estímulos culturais, para o transferir para uma estrutura onde todo o conhecimento é elaborado na base da experimentação para o desenvolvimento do saber técnico. Como a criança Maori, a criança da sociedade industrial passa pelo ensino mítico, familiar e metafórico.

 Mas a diferença é logo afastada deste para ficar ligado ao ensino baseado em conceitos que contrariam toda a experiência da primeira infância: de querer saber. O processo educativo desloca o poder do saber, ao colocar as crianças entre o provável ou possível e o provado acerto. Acaba por não se poder saber porque a contradição entre a emoção e a razão é tão forte que limita o entendimento.

9. A emoção.

Se o processo educativo começa na vinculação dos seres humanos mais novos aos que os antecedem, é um processo que fica dependente da afectividade entre as crianças e os adultos que tomam conta delas. Nas sociedades primitivas, cultiva-se a afectividade entre progenitores e filhos, e entre iniciador e iniciados.

O conteúdo é a explicação dos laços sociais que unem as pessoas entre si, a devoção a quem explica, o respeito ao totem e à divisão taxonómica e hierárquica entre pessoas, envolvendo direitos e obrigações mútuas. Uma grande maioria de povos africanos explica ou o Alcorão, que define principalmente onde deve estar colocado o coração de uma pessoa. Nos povos ocidentais, também desde há centenas de anos, como acontece no caso muçulmano, o código em que a infância é treinada é o do amar, respeitar, entender-se a si próprio. É deste ensino que os grupos domésticos retiram as suas maneiras de se relacionar; e ainda que entre eles existam rixas e agressividades, a relação afectiva acaba por ser a mais importante, a procura de harmonia e comunicação o alvo principal do que diz se faz. Isto não porque a lei mosaica, ou kiriwina ou Tallensi, o mandem, mas porque entre estes povos, como entre judeus, ciganos, muçulmanos, cristãos e católicos, todos eles, seres humanos enfim, a capacidade de amar existe como a pedra mármore que o pensamento e a experiência histórica vêm talhando, esculpindo, dando forma e direcção, hierarquia e orientação. À criança que aprende e desenvolve a capacidade humana de construir amor e entendimento, falta-lhe experiência de deslealdade e traição; ignora o valor de transacção como moeda de troca: confiando em quem toma conta dela, deixando correr o fluxo da confiança e prevendo um mundo de festa.

É-lhe ainda entregue ritualmente, quando está na idade estimulada de entendimento, o conhecimento, palavra a palavra, das formas de amor e estima que os seres humanos podem praticar entre si. Finalmente, a emoção é coroada pela prática específica de produzir a vida por meio do trabalho organizado na base do respeito e obediência a quem detém a autoridade: o trabalho rural, nativo, e de outras minorias mesmo ocidentais, como pescadores, operariado industrial, e a colaboração doméstica que existe em todos os grupos e classes, caracteriza-se para as crianças pela adesão. Há grupos onde parece reinar a raiva e a disputa perpétua, mas, como tenho observado, os filhos ficam mais coesos entre eles; os pais têm que ser vencidos permanentemente, mesmo quando têm que lutar para ganhar pelo grito e pela porrada aquilo que não está garantido por uma outra maneira de afectividade (a meiguice das classes burguesas como estratégia de solução). A idade da pré-iniciação é o período de treino de todas as emoções que mais tarde vão configurar o adulto. Esta etapa do processo educativo desenvolve-se ao longo da vida e repete-se nos próprios filhos que as crianças virão a ter. Exprimem-se de forma diferente nas culturas distantes e nas que estão em contacto umas com as outras.

10. A razão.


Não falo da capacidade de raciocinar. Falo da faculdade que foi salientada como a mais importante entre os seres humanos, quando o ocidente generalizou a circulação da moeda de um investimento, a usura e a avareza, a criação de empréstimo, os juros e a banca (Iturra, 1991-2002); isto é, quando o ocidente começou a passar ao cálculo de rendimentos para avaliar actividades e capacidades. Para tanto, foi necessário travar-se a solidariedade hierárquica, a partir a partir do séc. XVIII na Europa e dinamizar também a igualdade entre as pessoas como equivalentes monetários umas às outras. Esta é a vontade externa que, no processo educativo, vem contrariar os desenvolvimentos emotivos e orientar capacidades para conseguir trabalho. Junto as ideias de amor, desenvolveu-se as de concorrência.

O processo educativo institucional orienta o conteúdo do seu ensino para a aprendizagem do trabalho produtivo como bem supremo, e à criação de valor e renda como meios de obter moeda. O motto ocidental do ensino é de que cada pessoa é um indivíduo responsável, que pode optar entre alternativas que entende e para as quais tem recursos que maximiza (Stuart Mill, 1789). Cada uma destas palavras é um conceito indicativo da actividade dentro da instituição escolar, em clara consonância com a teoria que preside a vida social e com a economia liberal organizada a partir do séc. XVIII (Adam Smith, 1776). É verdade que a tradição greco-judaica, da qual nasce o cristianismo, fala permanentemente de livre arbítrio. No entanto, os conceitos não são equivalentes. O livre arbítrio é o discernimento que define os limites do Eu e o respeito do outro, enquanto o indivíduo define a capacidade de um membro do grupo social capaz de viver sem precisar de ninguém, e até em concorrência com os outros (Freud, 1989; Jung, 1954). A responsabilidade de que se fala é soma das tarefas que uma pessoa aceita nas suas mãos, mesmo à revelia dos outros e em contradição com eles.

Optar define a capacidade de entender todos os processos sociais, mesmo o da criação da riqueza, e, mesmo, de criá-la. A alternativa é a capacidade de agir em várias direcções diferentes, mudando o rumo quando a riqueza, isto é, a felicidade, não é encontrada. Recursos são os bens que se têm de guardar para investir e maximizar-se, são os rendimentos acrescidos através de só uma acção. Todas estas ideias têm como fundo que cada um sabe dos preços de toda actividade e que pode pagá-los. Um modelo feito a imagem e semelhança do proprietário dos bens, que precisa de pessoal preparado e formado no cálculo abstracto para que lhe emite a vida e crie assim um valor (Marx, 1863; David Ricardo, 1873).

Este é o modelo que se explica no processo educativo institucional. Finalmente cheguei ao que está a ser ensinado na instituição escolar e praticado na vida social. É evidente que a instituição não pode deixar de ensinar o que se espera que a sociedade seja. O que é duvidoso é que a sociedade ocidental esteja constituída por esse tipo de seres sem identidades nem lealdades, bem como é duvidoso de que um modelo assim pensado tenha sucesso. Porque será que no final da glorificação do individualismo as antigas Nações - Estado passem as ser outra vez regiões federadas? Seria esta glorificação do individualismo uma forma de se defender de um processo educativo capaz de unir a concorrência que existe mesmo entre seres da mesma genealogia? (Ver Stoer e Araújo, 1993).


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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (21)
(Continuação)

Capítulo 6-Lembranças do passado: organização de sindicatos.


Sobre Sindicatos, todos sabemos alguma coisa. Há duas formas de saber: pela lei e pelos factos. Pela lei de Portugal, os Sindicatos estão legislados no Código do Trabalho e em leis especiais, conforme a época de legislatura e de quando começaram a aparecer O Portugal após o denominado Pronunciamento Militar de 1974, que derrubou, sem guerra nem mortos nem prisioneiros, teve, no entanto, que mudar a legislação, que tratava aos trabalhadores como mercadoria para ser trocada por convénios, tratados, retirar de dinheiro como imposto para os trabalhadores que eram convidados trabalhar fora de Portugal. Como era também o caso da Galiza, narrado por mim, com lei e citações, quer nos livros referidos sobre Vilatuxe, ou, ainda, no texto escrito por mim para a Revista Galega Estúdios Migratórios. Arquivo da Emigración Galega. Consello da Cultura Galega, cuja Directora era a minha amiga, Catedrática de História Contemporânea, em Compostela, a Professora Doutora Maria Xosé Rodríguez Galdo . Tive essa grande sorte de encontrar uma foto que, apresentada aos descendentes, como refiro no livro tão citado por mim, da Profedições, o denominado mal vendido livro. Mas, ao tornar ao tema do texto, se Portugal teve que organizar a lei, no caso do Chile, Allende teve que organizar e reorganizar as leis sindicais. Nem preciso ir as páginas habituais, para me lembrar. Nos anos 50 e 60 do Século XX, eu próprio participei na organização de Sindicatos, especialmente Sindicatos de Trabalhadores rurais, omissos no Código do Trabalho Chileno.

Como estudante da Pontifícia Católica de Valparaíso, Chile, todos os verões íamos trabalhar ao denominado campo, em grupos imensos de estudantes, recrutados na Federação de Estudantes, da qual eu formava parte, não apenas como estudante e membro do Conselho da Federação, fundei o denominado por mim Departamento de Extensión Social. Referido antes, ao falar da povoação de Roquant, onde costumávamos praticar Direito. Mas, não era suficiente, havia imensos estudantes de outras áreas a querer participar e não eram estudantes da Ciência do Direito, pelo que estendi os meus trabalhos à sindicatos e a alfabetização, no domínio do saber de Paulo Freire. Pela primeira vez fomos a Colchagua, província sita no Centro Sul do Chile, a mais de 200 quilómetros ao Sul de Santiago, na cidade denominada Santa Cruz. Tinha eu, 18 anos, essas primeira vez que saímos ao trabalho de Sindicatos Rurais. Mal entendíamos o que devia ser feito, não tínhamos experiência de Sindicatos, palavra malfadada no Chile pré- Allende, mas a experiência no trabalho, em breve, levou-nos a entender como eram tratados os trabalhadores rurais.

Saber, eu sabia, tínhamos terras trabalhadas pelos já definidos inquilinos e os jornaleiros rurais, esses que, para lembrar ao leitor, não recebem ordenado, mas recebem terra para ser trabalhada pela família que fica em casa, enquanto o chefe do lar, normalmente o mais velho, trabalha as terras do proprietário e recebe, como recompensa, um pão feito de farinha de maçarocas, entregue às Sestas Feiras, e comida para o fim de semana. Dinheiro é que não recebiam, era a mais aberta exploração de seres humanos. Eu sabia isso e, mal começaram esses denominados trabalhos das férias de verão – Janeiro e Fevereiro, é o calor e era necessário o descanso para repousar e recuperar energias após de um ano de estudos na Universidade, é ao contrário da Europa, o verão cá é, como sabemos, de Junho a Setembro -. Mas, nós, na nossa ansiedade de reivindicação pelos direitos dos trabalhadores, largávamos o descanso para ir trabalhar entre o sector rural do país, longe das nossas terras. A maior parte de nós tinha esse privilégio, mas nenhum de nós queria entrar em disputas de família por causa dos Sindicatos. No entanto, devo referir, se o não tiver dito antes, que eu era destemido e não apenas andava no campo dos outros, bem como dentro da nossa propriedade e das outras terras da minha família alargada. Como era natural, fui expulso de todas elas por revoltar aos trabalhadores rurais, como era comentado pelos meus Senhores Pais, especialmente o meu Senhor Pai, a nossa Senhora Mãe tinha outros interesses, aprendidos, praticamente o de Evangelizar. Ela trazia Missionários para as nossas terras, eu os acompanhava e andávamos de cavalo para Missionar fora do edifício de igreja local, especialmente com esse grande Sacerdote dos Sagrados Corações, Capelão do Regimento Coraceros de Viña del Mar, habituado a andar vestido de militar para visitar às pessoas nas suas rucas ou casa de inquilino , Monsenhor Renato Vio, irmão do pai do meu grande amigo de quem tenho falado antes, Francisco Vio.

Retomando o texto por causa do meu hábito febril de ir em procura de outros factos, em Santa Cruz de Colchagua, no Chile, habitávamos os quartos dos estudantes do Internato dos Padres Alemães, no meio da pequena cidade, na vila de Santa Cruz. Dais saiamos a andar no meio dos campos para falar com pessoas do nosso interesse, os camponeses. Um dia, entrai a Hacienda, Fazenda em Português, especialmente do Brasil, da família que cantava, a família de Ramón. A Senhora Doña Juana deRamón, que cantava em público com o seu marido, o proprietário das terras, Raúl de Ramón , perguntou-me o quê fazia eu nas suas terras. A minha resposta foi breve e directa, eu diria, arrogante: “busco a las personas que Uds. Explotan y los hacen trabajar demás, sin salário”. No entanto, devo confessar que a minha primeira resposta a essa pergunta, foi outra, pouco habituado a insultar Senhoras, cumprimentei enquanto beijava a sua mão, : “Mi Senhora Doña Juana, la conozco mucho, es natural que Ud. No se acuerde de mi por ser tanto el público que oye cantar a Ud. e su marido!”. É o que eu guardo na minha memória. Essa a minha memória que me lembrou, de imediato, o motivo de eu ai estar. Senti, no meu consciente, um aviso claro: eu estava ai para ver os problemas da falta de organização dos sindicatos rurais, e foi assim que lancei essa a minha frase arrogante. De facto, o Código do Trabalho da República do Chile, foi redigido, promulgado e publicado na época da História do Chile denominada República Presidencial, em 1927 . Mas, nada era dito dos trabalhadores rurais e essa era a nossa luta de estudantes, bem como é preciso referir que o Código do trabalho, a pesar da História Oficial citada em nota de rodapé, é resultado da formação de Sindicatos nas denominadas minas do salitre, ou calicheras, nome castiço chileno para designar a produção da principal fonte de entradas de divisas no país. Houve greves, já referidas por mim em capítulos anteriores, e matanças, como as da mina de Nitrato de Santa Maria de Iquique. O resultado, era de esperar. Como conhecia a Historia do Chile, baseiem nessas recordações para trabalhar pelos Sindicatos Rurais, sem saber, esta vez, que eu e todos, estávamos a ser usados pelo candidato à Presidência da República, Eduardo Frei Montalva e o seu partido, a Democracia Cristã. Mas, antes de desgarrar mais o meu texto, é preciso dizer que em 1912, os Sindicatos do Nitrato foram formados pelo Partido como é referido na História .

O Partido Trabalhador Socialista foi o primeiro a ser formado na defesa dos Trabalhadores e do operariado. Como a economia sustentava-se, para o mercado de divisas em exportações de matérias primas –costumava dizer o meu Professor de Economia Política da Pontifícia, o Advogado e Historiador da Economia, Enrique Aymone-, “o Chile nunca foi um país de transformação de matérias primas...” Passeava, furioso pela imensa sala de aulas, quase a gritar, ao dizer que éramos pobres porque a riqueza provem da transformação, com industrias e Chile não era um país industrializado, tinha apenas “carne de cañón, la fuerza de trabajo!”. Motivo, que, nestes anos do Século XXI, entendo, por causa de ser a ruralidade a base da economia do país e as divisas, para os proprietários, normalmente de empresas estrangeiras, especialmente britânicas e dos Estados Unidos de América. As de nitrato, eram de propriedade dos inglesas, as do cobre, que passou a ser, nos anos 20 do Século XX, a maior mina denominada a talho aberto de cobre, é dizer, estava ai, à vista de todos. Os governos presidenciais desses anos, para saldar dívidas de empréstimos norte-americanos, tinham que vender esse bens essenciais: não era aluguer ou conceder, era mesmo vender ou deixar entrar ao Chile, a forma mais barata de produzir: vender a base da riqueza do país. Eis a causa de não existir legislação para os trabalhadores rurais . Entretanto, o movimento nazi tinha-se desenvolvido na Europa Alemanha do Hitler, na Espanha do Franco e na Itália de Mussolini.

O Chile não ficou fora e teve o seu próprio movimento fascista, e foi criado, pelo político autocrata e aristocrata, Jorge González von Marées, o Partido Nacional Socialista do Chile, que costumavam protestar contra a democracia chilena. A História do Chile diz que houve um governo fascista de Dávila, denominado o Governo Socialista do Chile, que durou 100 dias. Derrubados, houve a matança dos estudantes fascistas, a tentar procurar ajuda na Universidade do Chile, sítio do qual, com enganos, foram levados ao prédio em frente do Paço de La Moneda. O relato mais fiel, é o da net: “membros das juventudes nazistas tomaram a Casa Central da Universidade do Chile em 5 de setembro de 1938. Entrincheirados no edifício, uma tropa de artilharia atacou a entrada principal, o que ocasionou a rendição dos 71 protestantes. Estes foram transferidos ao Edifício do Seguro Operário, localizado em frente ao Palácio de La Moneda, e ali foram fuzilados por carabineiros”. A Matança do Seguro Operário foi atribuída pela oposição, os partidos da Esquerda chilena, ao Governo, como ordem de Alessandri , o que provocou a renúncia de Ibáñez à sua candidatura para a Presidência da República, e ofereceu o seu apoio ao candidato do Partido Radical, apoiado pelo Partido Socialista e o Partido Comunista, Pedro Aguirre Cerda. Finalmente em 23 de outubro o candidato da Frente Popular assim formado, obteve 50,2% dos votos, contra 49,3% de Ross, o candidato dos partidos Liberal e Conservador, esses denominados assassínios dos jovens operários.

 A História tem o seu julgamento, para todo isto . O Partido Socialista, não ainda o de Allende, muito embora for um dos seus primeiros aderentes, nasce em Abril de 1933, com o seu primeiro candidato à Presidência da Republica, já nos anos 50, com o médico Salvador Allende, Senador do PS chileno, candidato para ser Presidente. Foi à quarta corrida que ganhou, em 1970 . Faz-me lembrar o dia em que o meu amigo eterno, Francisco Vio, foi candidato a Deputado por Talca, solicita ao Presidente uma ajuda, um reconhecimento público. Na sua simpatia e bonomia, Allende riu, bateu nas costas de Pancho Vio e disse: “Quantos años tiene compañero?”, forma de nos tratarmos no Chile de ontem, e ele disse 28: “Mi querido amigo, tenga la paciéncia que he tenido: desde mis 40 años he andado a luchar para ser Presidente e apenas después de 20 años, he sido electo. Es Ud. Quien me debe ayudar a mi!”. Pancho, orgulhoso como sempre, ficou vermelho e calou. Perdeu a eleição! Foi no dia em que, sentado no Estádio de Talca, o do Rangers, com a minha irmã e o seu marido desse tempo, o quinta bisneto do Conde da Conquista, fui rodeado por um grupo de jovens uniformados, enquanto dois deles tiravam o meu corpo fora do Estádio para me matarem. Gritei: “Blanquitaaaaaa, MárioooooooooMas,”, com o barulho não ouviam, mas, felizmente Mário voltou-se para um comentário, não podia ver-me, mas reparou no facto e identificou-me. Eu estava a ser punido, explicavam os meus hipotéticos raptores, por ser um aristocrata a se rir do Presidente.

Fui identificado de imediato pela minha irmã e não fui raptado. Mas, vivi temido durante muito tempo. O meu fecho em casa tinha começado! Bem sabia eu que os opositores do Presidente assassinavam aos seus apoiantes. Eu estava sinalado como vítima, por ser marxista e Presidente do MAPU. Motivos conhecidos pela esquerda toda, essa infiltração da CIA em todos os movimentos, partidos e corridas a cargos! O Socialismo declarado Marxista, como era o PS chileno, não podia prosperar. O Partido Comunista chileno, entretanto, apoiante de Allende, antes tinha apoiado a Aguirre Cerda, António Ríos e do traidor González Videla, nasceu, em 1912, fundado pelo considerado pai dos movimentos operários chilenos, o tipógrafo Luís Emílio Recabarren . Foi e é um partido importante, mas a palavra Marxista Leninista como nome de família política, apoquentava à muitos dos seus seguidores e fãs. Eu próprio, em Cambridge, cansado de tanta luta, falei com o meu amigo Leonardo Ramírez, o Representante do meu Partido MAPU em Cambridge, e, após ter pensado imenso, falei com ele e disse da minha ideia de entrar ao PC Chileno, mais abrangente e definido que o MAPU. Leonardo, com essa fleuma natural em ele, diz. “Estimado Raúl, todos quieren mudar de Partido en la desesperación del exilio. Para mí, como tengo observado, tú eres un hombre sensato, debías esperar que todo acabe en Chile y ahí decides!” Tinha eu pouca paciência para as esperas e respondi que eu queria já entrar. Solicitei esse pedido ao PC chileno e aos seu representantes em Cambridge, que eram operários em exílio, trazidos por mi. Dizerem-me que era uma grande honra para eles e que, enquanto perguntavam a chefia central, sediada no Chile, eu podia ir as suas reuniões, se souber guardar silêncio! Mais tarde chegou a resposta: não tinha sido aceite por ser burguês, intelectual, académico e outras melancias, que nem queria recordar. Fiquei só, outra perda de família....Mas, no correr do tempo, aderi em Portugal ao Partido Socialista Revolucionário, e, a seguir, por causa da minha admiração pela obra de Mário Soares e dos meus amigos PS portugueses, os meu votos vão para eles.

______________

Notas:

Informado a mim, pela minha Advogada, a Dra. Manuela Neves Martins. O Código do Trabalho Português foi aprovado na Assembleia da República como lei n.º 99/2003de 27 de Agosto e entrou em vigor a 1 de Dezembro de 2003, como refere o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=C%C3%B3digo+do+Trabalho+Portugu%C3%AAs&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , reformulado pela lei, Actualizado até a Lei 9/2006, de 20/03, referido na página web: http://www.portolegal.com/CT2003.htm , referidos e definidos no Preâmbulo do Código e nos artigos 476e seguintes, por causa de Portugal ter estabelecido relações comerciais e do trabalho com os Países Membros da União Europeia, decretada, como estava, a liberdade de circular entre os países da União. Era preciso incluir aos denominados trabalhadores estrangeiros ou estrangeiros a trabalharem em Portugal, da mesma forma que nos outros países da União, era elaborada a legislação no mesmo sentido. Os trabalhadores portugueses deviam ou aderir aos Sindicatos do seu sítio de trabalho e guardar o vínculo com a sua própria união sindical. Era também preciso, saber como retirar dinheiro do salário para pagar despesas de saúde, de segurança social e de jubilação. Referido a mim pela já citada Advogada e retirado dos comentários ao Código, pagina Web: http://www.portolegal.com/CT2003.htm . O Código Português do Trabalho, é uma defessa do trabalhador, já muito transgredido na época da ditadura, derrubada a 25 de Abril de 1974. No artigo 480, N.º 2, diz: 2 - Não são aplicáveis às associações sindicais as normas do regime geral do direito de associação susceptíveis de determinar restrições inadmissíveis à liberdade de organização dos sindicatos. Retirado da referida página web desta nota de rodapé.

Texto no Nº6 da Revista, Dezembro de 1998, ao realizar esse reestudo de Vilatuxe, 20 anos depois: “A Oralidade e a escritura na construção do social”, onde debato as migrações a partir de uma foto encontrada por mim no palheiro da casa Medela do sítio da Paróquia denominado Gondoriz Pequeno. Refiro no texto que: “Ó “fazer falar uma velha fotografia encontrada en Vilatuxe en Galicia, ó ler e etender a través dela, toda uma época, demóstrase que hai moitas outras formas de comunicar e de lembrar mais aló da oralidade e da escritura”, texto escrito em luso-galaico, não gralha dizer aló, é a palavra usada na língua galega para dizer além página 57 do Nº6 referido da Revista, editado pela Galáxia. O texto está escrito em galego, e é de 10 páginas. Foi essa a minha sorte de encontrar uma outra maneira de falar com as pessoas e colocar questões aos descendentes dos fotografados, muitos deles desaparecidos já. Método usado por mim até o dia de hoje. Referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Revista+Estudios+Migratorios+Arquivo+da+Emigraci%C3%B3n+Galega+Consello+da+Cultura+Galega&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e na página web: http://consellodacultura.org/mediateca/?m=2003
Ruca e casa de inquilino, podem ser diferentes ou a mesma coisa, depende do Século do qual se fala e da parte da História do Chile referida. Ruca provém da língua Mapudungum dos Mapuche e significa casa. Mais tarde, Séculos XIX e XX, especialmente Centro e Norte do Chile e para não haver confusão, as palavras mudaram e havia rucas dos nativos e casa de inquilinos, feitas em argila e palha ou casa de barro, que em Portugal também existem nas zonas rurais e aldeãs, raramente encontradas, pelo desenvolvimento dos Portugueses. O que tenho visto é casas de barro na aldeia de Vales, de Alfândega da Fé, normalmente casas de barro abandonadas ao se construir, ao pé da antiga casa desse barro, uma em cimento com azulejos dentro de casa e para decorar a parte de fora. No Chile de ontem, as casas continuavam a ser feitas de barro ou adobe, palavra chilena castiça para definir o material da construção da casa, referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Casa+inquilino+Chile+Rucas&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente na opção: lasa.international.pitt.edu/Lasa2001/GoicovicDonosoIgor.pdf ,especialmente o texto HTML: http://66.102.9.104/search?q=cache:lh4cCcRGjXQJ:lasa.international.pitt.edu/Lasa2001/GoicovicDonosoIgor.pdf+Casa+inquilino+Chile+Rucas&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=3&gl=pt
A família De Ramón cantava e o seu nome artístico era Los de Ramón, gravaram discos de vinil, ainda não existia o Disco Compacto, e lucravam imenso com esse dinheiro, investido na propriedade de Colchagua. Referido na página web: http://www.profesorenlinea.cl/swf/links/frame_top.php?dest=http%3A//www.profesorenlinea.cl/biografias/DeRamonRaul.htm do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Folclore+Conjunto++Los+de+Ram%C3%B3n&btnG=Pesquisar&meta=
O Código do Trabalho foi uma conquista do, nesses dias, Presidente da República Carlos Ibáñez del Campo, referido na enciclopédia on line, web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile , conquista do General Eleito pelo Parlamento para Governar o Chile, já que o Presidente Constitucional , Arturo Alessandri Palma, foi-se embora do Chile, ao renunciar o seu mandato presidencial, por própria vontade. Não resisto citar o que se diz na história, sobre este período: Com a vitória do Presidencialismo, Alessandri e Ibáñez se enfrentaram em uma disputa pela liderança. O primeiro desejava estabelecer um candidato único à Presidência, cargo que Ibáñes ambicionava. Este foi apoiado por um manifesto de vários políticos promovendo sua candidatura que parecia oficial apesar da negativa manifestada por Alessandri, produzindo a renúncia generalizada do gabinete. Diante dessa situação, Ibáñez publicou uma carta aberta ao Presidente recordando que só poderia governar emitindo decretos com a sua assinatura, já que era o único ministro do gabinete. Desta forma, o governo de Alessandri estava submetido às decisões de Ibáñez, algo que Alessandri não aguentaria: designou Luis Barros Borgoño como ministro do Interior e apresentou sua renúncia irrevogável, em 2 de outubro de 1925.
Barros Borgoño foi substituído por Emiliano Figueroa, que havia sido eleito como candidato do consenso entre os partidos políticos para enfrentar a crise política em que o país se encontrava. Contudo Ibáñez manteve-se como ministro do Interior. Figueroa não pôde controlar Ibáñez e terminou renunciando em 7 de abril de 1927 - fato que permitiu a Ibañéz assumir a Presidência diante da disponibilidade do cargo.
Durante seu governo criaram-se diversos organismos como a Linha Aérea Nacional, a Controladoria Geral da República, Carabineros do Chile e a Força Aérea do Chile. Além disso, promulgou-se o Código do Trabalho e firma-se o Tratado de Lima, em 3 de julho de 1929, que acaba com os problemas de fronteira com o Peru.Em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile
Legislação social. O Chile se destacou por possuir uma das legislações trabalhistas mais avançadas da América do Sul. Em 1924 foram promulgadas leis que regulamentavam o regime de contratação e o seguro de acidente de trabalho e de doença. Em 1931 criou-se o Código do Trabalho, que ampliou a legislação trabalhista anterior e, nos anos seguintes, a protecção social se ampliou com o Serviço de Seguro Social. A previdência ficou assegurada por meio de centros privados e do Serviço Nacional de Saúde, organismo vinculado ao Ministério da Saúde. A crise económica que atingiu o país na década de 1970, no entanto, e a filosofia antiestatizante do regime militar, reduziram fortemente os serviços da previdência social do estado. Informação retirada da página web: http://www.coladaweb.com/paises/chile.htm Este código não distinguia trabalho de adultos e trabalho de menores, bem como era una legislação para trabalhadores da cidade. O Presidente Ibáñez correu muito para formar e organizar o Código e esqueceu o que, mais tarde, em 1963, seria a obrigatoriedade do ensino para toas as crianças do país. Pelo que, cito mais uma vez a História do Chile, como exemplo de Educação para as crianças: Educação. A legislação educacional de 1965 estabeleceu a obrigatoriedade de escolarização de todos os chilenos (decreto do ensino entre 7 e 15 anos), e promoveu a renovação dos métodos pedagógicos e dos programas escolares.
O primeiro ciclo educacional, denominado ensino básico, vai dos 7 aos 12 anos e consta de três graus, com dois cursos cada um. Para cobrir o tempo de obrigatoriedade é acrescentado um quarto grau, o profissional. Ao terminar o primeiro ciclo, os alunos escolhem entre o ensino médio geral, o técnico ou o profissional, que dura seis anos. O ensino superior é ministrado em oito centros universitários, dos quais duas universidades são públicas (Universidade do Chile e Universidade Técnica, as duas em Santiago do Chile), duas são confessionais católicas (Santiago e Valparaíso) e quatro são leigas e particulares (Valparaíso, Concepción, Valdivia e Antofagasta). O país possui uma série de escolas profissionais dedicadas ao ensino de comércio, indústria e belas-artes. Ver em: http://www.coladaweb.com/paises/chile.htm


A fundação de sindicatos e do Partido Trabalhador Socialista 1912 permitiu o desenvolvimento do movimento operário nacionalmente. Os protestos começaram a se tornar cada vez maiores e mais violentos, demonstrando a incapacidade da classe dirigente para enfrentar os problemas que a nova sociedade industrial demandava, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile
Esta forma de estruturar a economia, levou aos estudantes nazis e outros a se emboscarem na Universidade, para protestar.
Arturo Alessandri era membro do Partido Liberal, da classe burguesa acomodada e Governou o Chile entre q920-25 e 1930-36. Visite a página web, caso quiser saber mais: http://es.wikipedia.org/wiki/Arturo_Alessandri_Palma
ver em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile , bem como np sítio Net, já referido: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+C%C3%B3digo+do+Trabalho+do+Chile+1927+Artigos+Sindicatos+&btnG=Pesquisar&meta=
Há uma pequena historia do PS chileno desse tempo: “Formalmente el Partido Socialista de Chile nace el 19 de abril de 1933, cuando se unifican 4 grupos de inspiración socialista, pero su historia se remonta a la segunda mitad del siglo XIX, cuando nacían las primeras manifestaciones organizadas de los trabajadores del país, la sociedades de socorro mutuo y los incipientes sindicatos, con el impulso de destacados intelectuales como Francisco Bilbao, Santiago Arcos o Eusebio Lillo. Ha sido una historia hecha de una continua vocación de innovar y de interpretar correctamente cada cambio época, manteniendo fijas sus ideas y valores centrales: la igualdad, la libertad y la solidaridad en el mundo del trabajo y entre los sectores excluidos y postergados de la sociedad. Por ello, su labor actual es lograr el más difuso bienestar y protección social para todas las chilenas y chilenos, y no sólo para los privilegiados de ayer y de hoy. Retirado de: http://www.pschile.cl/ps.php
El Partido Comunista de Chile (PCCh) es un partido político chileno que se define como un partido de raigambre obrera, campesina e intelectual, inspirado por el pensamiento de Karl Marx y Vladimilir Ilich Lenin. Entre los militantes más destacados y conocidos del Partido Comunista de Chile se encuentran: Luis Emilio Recabarren, Pablo Neruda, Víctor Jara, Gladys Marín, Violeta Parra, Volodia Teitelboim, entre otras personalidades conocidas. Luis Emilio Recabarren Serrano (*Valparaíso, 6 de julio de 1876 - † Santiago, 19 de diciembre de 1924) fue un destacado político Chileno de principios de siglo XX. Es considerado el padre del movimiento obrero chileno... Fue electo diputado por el Partido Demócrata en 1906, no pudo asumir el cargo porque se negó a prestar el juramento de rigor por ser agnóstico. Nuevamente fue perseguido por la justicia por sus incendiarias publicaciones en contra del gobierno de Chile, tuvo que huir, radicándose en Argentina. En ese país se incorporó a las filas del Partido Socialista. En 1908 viajó a Europa (España, Francia y Bélgica), regresando a su país a fines de ese año. Maravillado con la Revolución Rusa, tras el congreso partidario de enero de 1922, el se transformó en el Partido Comunista. Viajó a la URSS para participar en el Congreso de la Internacional Comunista. Regresó a Chile en febrero de 1923. En 1924 no quiso presentarse para la reelección de diputado. El 19 de diciembre del mismo año se suicidó.

(Continua)


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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (2) por Raúl Iturra
(Continuação)



Na prática educativa escolar ocidental, ensino e aprendizagem estão separados. Tal é causado pela conceptualização da criança como aquele ser humano que nada sabe nem entende e deve ser preparado para repetir o que fazem os adultos. A predominância da prática do ensino cria uma diferença na atitude dos membros individuais de um grupo.
Se um grupo social quer ver se procede recorrendo ao ensino ou à aprendizagem, quer dizer, se forma repetidores onde a variabilidade histórica é pequena, ou se forma entendimento onde se introduz uma compreensão dos factos, tem que examinar quais as instituições ou vias, onde educa, e quanto do saber acumulado na experiência quer transmitir e a quem.

2. Entre primitivos.

Para os antropólogos, as sociedades primitivas contemporâneas são parte do acervo ou repertório onde ensaiamos a nossa metodologia mais importante, a da comparação. O texto mais interessante em qualquer tribo ou clã, é a genealogia, por outras palavras, o conhecimento da ascendência e da descendência de cada indivíduo, isto é, o seu lugar na estrutura de relações: a quem pertence e para onde deve circular, bem como quais as suas obrigações e os seus limites no acesso ao conhecimento. A genealogia reparte as pessoas por entre a natureza, onde cada grupo totémico tem por missão entender o fenómeno do qual diz fazer parte.

Ao entender a genealogia, entende o lugar que o seu totem ocupa na ordem que a natureza lhe ensina, tendo em consequência um lugar de maior ou de menor preponderância na estrutura tribal ou clânica. O chefe Kiriwina, na Melanésia, domina o saber da construção da canoa e a magia para que esta não só navegue, bem como para que, quando navegar, não afunde; o chefe Maori conhece o trabalho do bosque e a reprodução dos pássaros e dos peixes dos quais vivem as tribos que ele governa. Ambos os chefes não possuem um conhecimento pessoal de todo o saber que precede o produto final e que é de grande complexidade: há uma divisão social do conhecimento entre variadas pessoas que lhe dizem como é: cada uma destas pessoas é treinada, separada do seu grupo biológico de origem e transferida muito nova para grupos de iniciação. No grupo de iniciação, os indivíduos são observados quanto a capacidades e habilidades para decidir qual dos vários caminhos, conforme a sua pertença totémica, poderão seguir quando adultos. Cada jovem iniciado, isto é, educado, conhece na sua totalidade a parte do saber social para onde é endereçado pelo iniciador e entende o movimento e capacidade das coisas, animadas ou não, que lhe irá caber gerir quando adulto; no seu conjunto acabam por aprender e manter a totalidade do conhecimento tribal, com a proibição estrita de comunicarem ou referirem uns aos outros o que aprenderam: o totem tem um tabu que impede o acesso a si àqueles que não pertencem a essa parte da natureza.

Ao mesmo tempo, a mitologia e a prática de trabalho permitem o acesso à justificação desta divisão, bem como ao conhecimento comum pelo qual é justificada a divisão social do saber. Os fenómenos com os quais cada indivíduo deve lidar passam a ser como explicações que derivam da própria experimentação dos mais velhos, é dizer, são fruto do processo de vida que se pratica e que se deve enfrentar: o saber reprodutivo é local, património do que o conjunto do grupo sabe e gera como conhecimento. O que lega é a capacidade de compreender a estrutura do movimento das pessoas e das coisas, para que cada indivíduo possa mobilizar as suas capacidades e habilidades aprendidas, quando se confronta com uma natureza movível e mutável, até mesmo invadida por outros conhecimentos vindos de outras experiências e que não ajudam ao domínio da vida na qual estão inseridos. Na vida denominada primitiva, as gerações que vão nascendo aprendem os máximos e mínimos da organização da vida natural, que, com a sua própria teoria, transformaram em cultura. Cada ser humano passa a ser construtor de uma parte dela com as ideias que lhe foram transmitidas.

Esta síntese da vida primitiva é feita aqui só para exemplificar uma prática de aprendizagem, onde a ausência da escrita na vida quotidiana coloca um forte peso no desenvolvimento de estruturas mentais porque não têm depois de um texto onde ir lembrar o que fazer quando a memória se esgota ou a conjuntura muda e fornece outros contextos. O ensino existe na vida primitiva. Por exemplo, entre camponeses, no processo ritual, na medida em que a informação deve ser transmitida primeiro. Mas o ritual não traduz signos, bem como símbolos que é preciso descodificar, isto é, entender. O signo escrito, que a cultura letrada tem também introduzido entre primitivos, tem de ser decorado porque ele é fixo e o seu significado não é polivalente.

 A memorização de só de uma alternativa é o que fecha as estruturas mentais: o ritual, como o mito, pelo contrário, é agir e decorar várias alternativas para um mesmo objectivo, várias maneiras de fazer a mesma coisa, várias versões. Não é que a escrita seja negativa e a oralidade positiva, é a escrita como fim em si que transporta nela a desvantagem do signo fixo e fechado. A aprendizagem da combinação de signos com textos relativizados é, na vida ocidental, o que o entendimento do rito e do mito que a vida primitiva tem e faz, à força, desenvolver o entendimento e varrer a subordinação ao texto para centrá-la na hierarquia, ela própria uma incógnita a ser permanentemente entendida, para ser obedecida ou não.

3. Entre portugueses.

Podia também dizer que entre qualquer povo que age a partir de ideias modelares, fundamentais, onde o real está abstraído em fórmulas que digam respeito ou não à sua reprodução, deve aprender, isto é, essas fórmulas são-lhe ensinadas. O texto fundamental do saber é o grupo social ele próprio, bem como o texto escrito. O texto escrito é produto da experimentação da parte do grupo social total que chegou a entender as regras da semântica e do discurso lógico indutivo - dedutivo. A divisão social do saber está estruturada pela possibilidade universal de ter acesso às instituições que retiram a mente do saber quotidiano com o objectivo generalizado do ganhar habilitações naquilo que cada um conseguir, conforme as capacidades financeiras numa sociedade onde o valor é moeda, suas alianças ou clientelas, ou possibilidade de ter nascido em grupos domésticos produtores de ideias e já manipuladores de textos. Os novos membros da sociedade são retirados do lar para serem ensinados num mesmo conhecimento, sem aferir grandes capacidades pessoais, habilidades ou ancestrais. O objectivo do processo educativo é treinar a nova geração nas técnicas da escrita e do entendimento de grafias, em conteúdos que explicam o movimento das pessoas entre si e das coisas a partir de modelos preparados por eruditos distantes da existência e vivência dos aprendizes. A aposta é feita na escrita, leitura e cálculo como um fim em si, onde os conteúdos se perdem nas dificuldades de entender a estrutura dentro da qual se deve exprimir o conhecimento.

O conteúdo é uma verdade que não se experimenta, mas que se repete depois de enunciada pela autoridade de quem diz e da letra impressa. O debate das ideias, ou a técnica de debater ideias, fica submetido à memorização do que o instrutor ensina, onde a comparação textual e o contexto não são considerados importantes. O processo educativo consiste em reproduzir fielmente o saber que os eruditos do grupo social, aqui nacionais, têm produzido. Há duas contradições importantes que ajudam a que este ensino não sirva, não seja útil para a aprendizagem que permite entender o movimento, os processos que vão formando as estruturas da memória social. A primeira diz respeito à parte do saber social ser entre nós oralmente transmitido, porque também entre nós são utilizadas as genealogias e hierarquias baseadas em capacidades e habilidades para o entendimento do trabalho social. As instituições que ensinam o saber social desconhecem este facto, como é demonstrado na educação do saber social como o saber cientificamente produzido.

O saber oral transmite, por meio do lar e do grupo de vizinhos e parentes, as lealdades e adesões que fazem do agir uma motivação para aprender. Uma segunda contradição do processo educativo é a sobreposição de duas formas de entender: a religião, que prepara, prega e pratica quotidianamente, com ou sem fé, com ou sem igreja, a solidariedade social. Esta é uma representação simbólica da união e do trabalho entre os homens com mais de três mil anos de idade histórica no ocidente, que a recolheu das tradições e práticas bíblicas dos judeus e da crueldade mitológica grega. A fé é uma outra contradição que define o nosso processo educativo: o desenvolvimento desde o século IV da ideia de indivíduo, que, dotado de razão, é livre para optar entre alternativas consideradas iguais para todos, é a origem da teoria económica que nos governa desde o século XVII.

(Continua)


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Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (20)
(Continuação)

Com todo, a minha mulher tinha que tratar da casa, das compras, de comidas, da roupa, limpar a casa e não estava habituada. A pouco e pouco a sua saúde ficava em baixo. Especialmente porque a nossa casa era visitada por uma série de amigos meus ingleses da Universidade de Cambridge, entre os quais assistia muito a minha amiga, Professora Doutora Caroline Humphrey , essa amiga e colega que me dissera um dia, ao acabar a defessa da minha tese e eu comunicar a ela que John Davis e Ray Abrahams tinham aprovado o meu debate e até me tinham convidado a almoçar por pensar que a minha tese era melhor do que boa, de imediato respondeu: “Right, Rául ( à laia inglesa de pronunciar o meu nome próprio), now, is my turn to defend your thesis at the Faculty’s Committee”. O meu texto foi aprovado pelos sete júris, referidos por mim antes, que examinam a tese. A defessa é apenas uma formalidade para entender se a tese3 era feita por mim ou por outro. As questões eram mais para saber como tinha descoberto certos factos, como tinha tido a ideia que aparecia no texto para os defender, as estatísticas usadas, como tinha sido o meu trabalho de campo, já inspeccionado por Milan Stuchlick, e sabido por Jack Goody, e outras normas que eram para mi, um terror, que não podia transmitir aos membros da casa. Vivi dois meses de espera, até que chegou uma carta da Universidade para referir que era requerido no Secretariado da Faculdade para saber o resultado da aprovação, ou não, da minha tese. Eu tinha passado por situações semelhantes no Chile, no campo de concentração: era libertado, mas dia sim, um dia não, era reclamado por bando para me apresentar, mais uma vez, ao famoso Regimento! A situação era semelhante....as minhas mãos suavam!, uma pessoa perde a confiança em si, ao sermos tão metralhados no nível académico, especialmente ao saber que, até esse dia, nenhum latino-americano tinha, ainda, passado uma prova dessas em Cambridge. Desde esse dia, é que ainda fica em mim o terror de ser julgado! Em silêncio, para não alarmar a casa, fui ao gabinete da Senhora Secretária da Faculdade, não conseguia encontrar a carta, e eu, calmo, ia ai ficando calado, até a encontrar e, como manda o Regulamento, ler-me a opinião da Universidade: a minha tese tinha sido aprovada por unanimidade em todos os júris pelos quais tinha passado, ou tinha sido auferida! Tal como no Regimento, ao não ser fuzilado, fiquei sem rumo, não sabia o que fazer, excepto continuar o trabalho!

Mas, não era o trabalho aprovado pela Universidade o que mais me animava. Estava habituado a escrever de manhã à noite, em casa, com pausa ao meio dia. Camila, pequena como era, dois anos de idade, sem Play Group ainda, ao ouvir que a minha máquina deixava de bater, ficava sentada à entrada da porta do meu estudo, a espera de eu acabar. Eu sabia e adorava ver entrar essa filha, por mim denominada a minha salchichera, por ter, como a sua mãe, as bochechas vermelhas! E entrava a rir, cantar, saltar de sítio em sítio do meu imenso estudo da nossa casa de Bateman Street, de um sofá a outro, a cantar e rir! Era o prazer de todas as manhãs, era a minha alegria quotidiana! Era quando pedia ouvir a música do Dad, essa que ela gostava por ser a que eu mais ouvia, Beethoven, Mozart, Rimsky-Korsakov, especialmente, por ser a música do seu pai, como já contara antes, dançada por elas à noite, quando Paula voltava de St Paul’s, lanchavam, viam a TV para crianças, uma hora apenas, e, a seguir, preparar a noite com jantar cedo e leitura de histórias de Tolkien, até elas adormecerem. Um lar certo e seguro, com sofrimentos que, ainda, conseguíamos aceitar.

O meu tempo era dividido entre trabalhos domésticos, para aliviar a responsabilidade doméstica da mãe das minhas filhas, habituada como estava desde nova, a ser servida e atendida pelas pessoas empregadas para trabalhar em casa, muito barato, no Chile de ontem. Gloria era muito sensível e amável e dizia sempre, ao acordar da sesta do Chile de ontem: “Eliana, seria tan amable de traerme mis onces en una bandeja para la cama?”, não com voz de mando, mas quase uma voz de súplica e má consciência. Não porque tiver má consciência, apenas por ser amável com o pessoal de casa. Tentei, de várias maneiras, de substituir essa perca de hábitos e, aos Domingos, levava o pequeno almoço para nós todos à cama, de manhã cedo, uma travessa imensa com ovos mexidos, rins cozidos, torradas com manteiga, queijo e outras iguarias, que devorávamos, para depois, irmos passear entre Cambridge e Granchester. Passeio habitual e já detalhado em páginas anteriores, mas passeio que começou a ser pesado para a minha mulher, por causa de sofrer de problemas na coluna vertebral. Precisava andar de bicicleta para se apoiar e o nossos passeio passou a ser em bicicleta.

Tentei ser um pai avisado e ensinei as duas a andar de bicicleta, o veiculo mais usado em Cambridge, como na Holanda, onde a nossa filha mais velha mora. Não foi uma premonição, foi apenas uma ideia, que foi muito sabida, sem saber o futuro das pequenas. O primeiro foi enviar a Paula, após ter aprendido andar em bicicleta ela só, a aulas de ciclismo, ministradas pelo Council ou Concelho de Cambridge. Havia imensos turistas, Cambridge era uma cidade muito visitada por estrangeiros, habituados a andar de bicicleta nos parques e nas ruas sem trânsito. O que significava que andavam nos passeios, ou paravam para conversar com outros, apoiados na bicicleta nos passeios, andavam entre os carros e corriam a grande velocidade. Não sabiam que havia regras para o trânsito das bicicletas na cidade. Foi para nos defender, que o Council ditou um regulamento, de factos muito conhecidos por nós: fazer sinais de virar à direita ou esquerda, de que se ia em frente, de que se ia deter, com o braço colocado abaixo, um Código conhecido por todos nos os habitantes da cidade, que ainda não havia em outras, excepto o caso da Holanda, da Catalunha, na Espanha, como em todos os países da Europa do Norte, onde o carro é usado apenas para passear ou se deslocar a sítios longínquos. Até esse dia das aulas, eu levava de bicicleta às duas pequenas: uma Paula, no selim de trás e Camila, num selim adequado para a sua idade, como tenho referido num texto meu, editado pela Associação de Jogos Tradicionais da Guarda no qual relato esta história, contada em nota de rodapé.

Abel Caballero deixava Cambridge, acabada a sua tese, de imenso sucesso, e deixou para nós uma bicicleta Raleigh! Usada pela sua mulher Cristina. Fiquei agradecido e passou a ser a de Paula: era adequada e conveniente, especialmente pelo preço da mesma no mercado: muito cara! Camila herdou a de Paula, uma pequena oferecida a nós por esse amigo já mencionado, Paul Beedle, a bicicleta da infância da sua mulher Fiona. Fomos especialmente a casa dos pais de Fiona, tivemos um lindo chá as 4 da tarde, e ficamos com a bicicleta. Os desgarros de Camila começaram! Queria ir sempre ao pé ou em frente de Paula, como tinha sempre sido na bicicleta da mãe ou do pai. Se viro a minha cabeça para a esquerda da minha Secretária, no meu estudo da Parede, onde escrevo este livro, posso ver a foto tirada a nós pelo nosso cunhado Miguel amante da fotografia e exilado como nós, de Gloria na sua bicicleta com a pequena filha deles, Miguel e Blanquita, Alejandra, outra pequena cheia de mimos como Camila, no selim de trás, Paula, na de Fiona e eu com Kamella no seu selim da minha bicicleta. Fotos que adoro ter, sinto a família ao pé de mim! Bom, o problema foi resolvido ao separar os passeios: Gloria ia ao pé da, já nesse tempo, bicicleta de Camila, enquanto eu acompanhava a Paula. Essa Paula que, no dia do exame do regulamento de bicicletas, nem queria ir connosco, queria ir só. Temidos, a deixamos, era o que ela queria e as crianças, ou som respeitados, ou, como já tenho exprimido, são colonizadas por nós. Colonizadas, por causa de ditar leis e decretos a uma pequena já muito racional, mas dominada, se era sempre acompanhada, pelos pais galinhas que nós éramos....Os passeios em bicicleta passaram a ser um tormento, especialmente quando Gloria tomava partido por uma ou outra. Como homem patriarcal que sempre fui, mandava a Paula ir em frente só e eu ficava ao pé delas: Gloria e Camila. O problema foi resolvido por Paula: nunca mais saia de bicicleta com nós, saia com a sua amiga da alma, uma das gémeas Reid, Helen, como tem sido contado a mim ao telefone pela própria nossa filha Paula. Era parte do começo do fim da pequena família, como é natural: os filhos crescem e procuram as suas alternativas, especialmente se entre os pais há debates e disputas ou desencontros, como começou a acontecer entre nós. No entanto, hoje é bem melhor do que ontem, pelo que estou agradecido: as filhas preocupam-se com os pais, nós, os pais, entendemo-nos um com o outro, por sermos pais das mesmas filhas, avó e avô dos mesmos netos, sogros dos mesmos homens das, hoje crescidas e brilhantes filhas, genros brilhantes e queridos, interessados em nós, como digo num texto escrito por mim e dedicado a Camila e os eu homem, Felix Ilsley, bem como os dedicados a Paula e o pai dos seus filhos, Cristan van Emden, pais dessa lindas crianças, que. as tantas, vão falando connosco, Tomas Mauro e Maira Rose. Bem queria eu que tivessem um I no meio, mas....a lei e o produto, é deles, nada para nós dizer ou comentar. Penso que a família perde-se de outra maneira, quando há raiva entre os adultos, como foi no tempo da doença e depressão, muito razoável, de Gloria. Neste dias, Gloria é a mais razoável: não telefona, espera que as filhas liguem. Eu, pai galinha como tenho ficado, vou falando, falando, até elas já nada mais querer saber de mim! Os pais podemos, facilmente, destruir a família, sem querer. O nosso dever é dar e dar, ou, pelo menos, é o que eu penso e faço....e , de certeza, faço mal! Assim, perco a pequena família...
A vida académica é um labirinto de paixões. Um labirinto no qual queremos avançar e ir sempre em frente.

 A vida académica em todos os sítios é uma espinha que corte a afectividade e vai deixando a afectividade em segundo lugar. A minha filha Paula disse-me um dia, nos sues 8 anos: “Dad you are always busy, you do not have time for us, you never go out or take us to the cinema” A verdade era que eu pensava que fazia o melhor ao trabalhar na minha carreira para poder manter o lar com os lucros adquiridos da mesma, por causa do ordenado o de direitos de autor os dos pagamentos pelas tutorias por mim dadas em Faculdades que me requeriam. Normalmente, em Cambridge, no começo da perda da minha pequena família, eu tinha mais do que era permitido em estudantes em tutorias. Podíamos ter até 20, eu tinha 25 ou 30 e sabia atender a todos como deve ser. Escolhia vários deles de ano em ano e os convidava para casa para beber chá connosco. As minhas filhas e a minha mulher gostavam, mas começaram a se cansar ao ter a casa sempre invadida ou por chilenos exilados, o pelo movimento de Direitos Humanos que Iain Wright e eu tínhamos organizado em Cambridge e as reuniões, parecia-me natural, aconteciam na nossa casa. O trabalho com os exilados era pesado e eu tomei esse trabalho com grande entusiasmo. Aliás, era o terapeuta do grupo de Chilenos, fui o Presidente dos nossos 200 refugiados-2000 na Grã-bretanha- em Cambridge, com gentileza e delicadeza. Iain recomendava sempre que a casa era para viver e que as reuniões deviam ser em outro sítio. Solicitei a uma membro do Movimento de Direitos Humanos, Ethel Shephard, se as reuniões podiam ser em casa dela, o que aceitou com a condição de ser ela a Chairman ou Presidente desta organização, com um salário mínimo; parecia-me razoável: o Comité era formado por ingleses e o seu pedido foi aceite não apenas por causa de usar a sua casa, bem como porque devia gastar em telefone para nós convocar, ou estar em contacto com os chilenos. Os meus compatriotas começaram-se a irritar: a senhora nada mais tinha para fazer, não trabalhava, o marido estava sempre fora de casa, não tinham filhos, pelo que começou a se impingir na vida dos chilenos. Eles estavam estragados. Ser esta senhora a presidir, foi um engano: obrigava-me a ir a sua casa e gastar o meu tempo em ninharias e em conversa do tipo “dizem por aí....” em casa dela. Eis também o motivo pelo qual levava as minhas filhas em bicicleta para o outro lado da cidade, ela morava na parte mais baixa. A experiência foi dura e foi preciso tornar a minha casa onde, um dia, ao expor o caso de uma família chilena, foi-me dito por ela, em inglês, como é evidente, mas vou poupar mais traduções ao leitor. Foi dura, porque Mrs. Ethel Shephard considerava aos chilenos descosidos!, para ela, o motivo pelo qual tinham perdido o país. Acrescentou nesse dia do ano de 1979, que “ Sejamos francos, Rául todos sabemos que o único gentleman do grupo é o Senhor Doutor, os outros sofrem porque merecem...” .

A mina raiva foi imensa e, pela primeira vez na minha vida, pus-me em pé e gritei: “Está tão enganada, que a Senhora nem merece estar no Comité e, ainda menos, na minha casa! Faça o favor de deixar o Comité e sair já desta casa!”, nos tempos em que ela tinha manipulado para tornar a usar a minha casa e não a sua, “estes descosidos sujam tudo”, costumava dizer. Tentou ripostar, mas eu o não permiti, agarrei-a do braço e, aos empurrões, a levei para a porta e solicitei sair já! Queria-se defender, mas, contra todos os meus hábitos, a empurrei, fechei a porta trás ela. Tormentos do exílio! Esta a minha atitude, teve dois efeitos: o primeiro, foi ganhar mais uma pessoa a falar mal dos chilenos expatriados, que começou a escrever no Jornal de Cambridge . A segunda, mais interessante, ganhei, mais uma vez, a confiança dos chilenos, que pensavam que eu estava a jogar a ser inglês, o que os aborrecia, e a mim também! Recebi os comentários de um dos melhores Historiadores do Chile, exilado em Cambridge e a trabalhar como limpador ou empregado da limpeza, na instituição para o desporto, ascendido em breve a empregado de manutenção, no denominado Kelsey Kerridge Sport Hall O seu nome era Leonardo Castillo Ramírez, a trabalhar em limpar os banhos dos desportistas que, normalmente, passavam a noite no YMCA. Não disse nada, e, calado, fui falar com Iain Wright, relatei o caso, e Leonardo, o melhor intelectual chileno desses tempos e de hoje, ficou matriculado no Departamento de Sociologia de nossa Faculdade de Antropologia, Sociologia e Arqueologia, para realizar o seu doutoramento. Quem tinha intervindo antes de forma efectiva, era um outro membro de Academics for Chile, o nosso amigo David Lehman , que foi o seu orientador de tese, quem colaborou com esforço à entrada de Leonardo para o seu Doutoramento em Cambridge. A mina conversa com Iain Wright pode ter ajudado ou não, mas David Lehmann tinha feito a papelada prévia. Tese que fez com prazer em cinco anos. Sou testemunha do trabalho, ao estarmos no mesmo prédio, e tomar café de manhã ou tarde, ou almoçar no Refeitório da Universidade ou Community Centre, ou nas nossas casas. Aliás, éramos vizinhos de quarteirão, eles moravam na rua 7 Harvey Road, e nós, em 53 Bateman St. Visitávamo-nos dia sim, dia não. Normalmente, éramos nós a ir a casa deles e tomar onces, essas deliciosas onces, sempre preparadas pela sua castiça e querida mulher Patrícia Burns, essa estimada amiga, capaz de trabalhar, como a minha mulher também fez, em todo e qualquer tipo de serviço doméstico que der dinheiro. Como Patrícia costumava dizer: “Para mi, mi querido Raúl, el dinero es lo primero, antes que Dios o el Diablo, mi marido o mis hijos, porque amo a mi marido que es primero, y después mis hijos y debo ayudarlos para su sustento– nesse tempo dois filhos,!”, Leonardo Jr ou Tato como nós o denominávamos, Pablo, a chuchar sempre esse horrível instrumento de carinho feito em borracha, hoje os dois adultos a trabalhar nas suas profissões, e bem mais tarde, a filha resultado da paixão não calculada, Andrea, a que mais acompanha aos seus pais nestes dias. Os rapazes estão com as suas raparigas, mas que não têm feito dos meus amigos, Patrícia Avó e Leonardo, Avô, como refere Patrícia a mim, neste dia 27 de Fevereiro, às cinco da tarde, como os poemas de Lorca! Acrescenta que é a grande tristeza da sua alma não ser Avó, essa querida Senhora! Leonardo desempenhou as suas funções no Instituto Politécnico de Cambridge , hoje a Ruskin University of Cambridge, referida em nota de rodapé, com obra e trabalhos. Leonardo e Patrícia não eram apenas bons amigos, mas pessoas de grande respeito entre os dois. Amavam-se, era evidente, eram capazes de aceitar o exílio por se acompanharem e tomar conta da família, sem andar de um sítio para outro, como eu fiz. O desperdício, suja o tacho. O tacho deles estava limpo, o nosso, começava a estar sujo. Muitas recomendações deles para nós, com a certeza de Patrícia de que eu nunca ia abandonar a minha mulher e pregar esse os seu sermões ou conversa de amiga, como eu denomino.

Era uma família exemplar. Não consigo esquecer o dia em que Gloria e eu fomos visitar estes amigos e eu, que queria ter uma conversa com Leonardo apenas, a sua mulher era, como eu referia sempre, omnipresente!, e o convidei a beber uma cerveja, estranho em mim, porque raramente bebia. Ela diz: “não, o Leo sem mim, não vai a parte nenhuma” A minha mulher, a seguir, comentou. Já em casa, : “vês? Fizeste mal. Homem e mulher andam sempre juntos nos divertimentos, não como tu, que sempre deixas-me só!” Era a segunda acometida familiar aos meus deveres de pai, queixa recebida por mim no seio da pequena família, família perdida para mim, por causa de mim! Ia tentando remendar, mas era difícil Levei às pequenas a ver o filme da sua vida, Paula com 14, Camila com 8, Grease ou Brilhantina em Português, com John Travolta e Olivia Newton-Jones. Elas estavam felizes! Até cantavam e adquiri a cassete da música, –ainda não havia CDs- com essa terrível condição de pai que ama mas não sabe bem como, ou pai neurótico. Deitei, sem saber um duche de agua frio no corpo delas ao dizer: “Well, that’s done. I hope not to have to go again..” ou assim. É que a minha descambada cabeça académica reclamava o meu tempo todo para os meus trabalhos.....Fiz mal, mas, não pode hoje ser remediado!

Não consigo esquecer como era essa a nossa vida de exilados, ao lembrar a minha filha mais velha, Paula, cantar os denominados Christmas Carols ou villancicos na Espanha ou, ainda em português, Cânticos de Natal ou, como se diz no Norte de Portugal, Cantigas de Janeiro, com um piscar de olhos para mim e um sorriso aberto e querido, enquanto eu estava a olhar ao seu grupo, em pé sob a neve de Cambridge, e timidamente sorridente, por causa de ter o prazer de ver ao seu pai, mais uma vez, nesse Natal, para ela, nesse tempo, o Big Professor of Portugal! Bem como não esqueço o dia de Natal ao ir visitar a nossa mãe da casa, a minha mulher Gloria, toda triste e deprimida por causa do exílio. Vou usar, mais uma vez essa palavra: o exílio foi caro, custou-nos imenso em emotividade e trabalho, especialmente porque, por ordem do tribunal de menores, tive que ficar a tomar conta das raparigas, enquanto a minha mulher recuperava de uma péssima depressão causada pela falta de objectivos de vida, que soube encontrar depois. Os Castillo, os amigos ingleses, todo foram ter comigo e perguntar o quê podiam fazer para colaborar.

No meu desespero, eu dizia: desculpem não perguntem, façam! Tenho trabalho a mais com a minha querida mulher doente, as filhas para criar e ocultar a dor assim elas não sofrem tanto, porque já é duro para elas, e outras conversas. A nossa amiga Alison Walsham, mulher do Professor de Física Nuclear, Jerry Walsaham, mãe de seis filhos, foi ter comigo e perguntou no quê...Eu respondi que ela já tinha muita coisa a fazer com tanta criança e o melhor era esperar, também eles sem família –eram do Pais de Gales-, a recuperação da minha mulher e a minha, para por todo outra vez, como deve ser! Ela, rapidamente, ripostou: “Ràul, you, men, are incredible. You believe to be an almighty person and can do everything by yourself” Nada tinha para acrescentar, ela sim tinha para dizer que talvez era a minha falta de companhia para a minha mulher, o que tinha partido em dois as relações que todo o mundo admirava por parecer tão amáveis e boas. E vou ficando por aqui, sem deixar antes de acrescentar que o meu cunhado e irmã, em Southampton, ajudaram imenso no cuidado das minhas, nossas crianças e tentaram restabelecer a harmonia entre nós. O meu cunhado foi especialmente a Cambridge para falar com nós, mas ao ver o estado da situação, de imediato voltou a sua casa, sentia a falta do carinho da sua mulher ao perceber que entre nós esse carinho estava instável, pelos motivos referidos pelos que sabem destas matérias, os psicanalistas .

A nossa filha Paula começou trabalhar no verões numa loja de sapatos. Tinha 14 anos, mas, ai! de quem, a essa idade e na Anglicana Grã-bretanha, não trabalha-se o verão tudo para juntar dinheiro para o seu bolso sem pedir aos pais, ou pocket money, e passar o tempo todo em viagens, danças e divertimentos. Não era assim, fossem filhos de Duques ou plebeus, era a idade de ter a sua própria opção, baseada no cálculo do seu dinheiro, gastar ou não, comprar ou não, investir dinheiro, ou o poupar, como a nossa Camila fez: investimento em poupanças no Banco, a taxas altas de juro. A minha irmã transferiu-se de Southampton a Cambridge para colaborar, acompanhamos a Paula ate perto de um quarteirão antes do sítio de trabalho, uma sapataria, virou-se para nós, que não tínhamos esse hábito, e disse: “Now, go back, it’s my work, it’s um life. I do not want to be ashamed by my family as if I was a little girl who needs someone to be with”. E foi assim. Tornamos a casa, fizemos um almoço imenso para ela, com mais investimento do que ela ganhava como vendedora e assim aprendemos o que era o valor da teimosia e do dinheiro. Camila passou a ser, nos verões e entre aulas, já no pré Universitário de Hills Rd, empregada de café. Diz que ganhava mais com os tips ou gorjetas, que com o salário do café, um trabalho muito cansativo, mas que....rendia!

Vida de luta, esta a do exílio, que fez de nós proletários intelectuais e família unida à distância, com todas as festas rituais em conjunto, a minha mulher na Parede, eu, em Cambridge, os verões ou Semana Santa. Como referia um Colega meu de Portugal, era pai de avião....Haja Deus!

(Continua)
Notas:

Caroline Humphrey foi a minha amiga muito pessoal. Nos meus tempos de Cambridge, trocávamos impressões intimas, que, por ser pessoais, não vou reproduzir no texto. Mas, não por ser a minha amiga, ia defender a minha tese, bem ao contrário, como foi referido por ela, foi proibida de falar por causa de relação pessoal de amigos, conhecida por todos. Apenas que, na minha casa, era sempre pensado que era a mina amante, longe de ser realidade! Até onde possa dizer, nunca tive actividades matrimoniais extracurriculares, ela também não. É o problema das mulheres por causa dos homens sempre ter relações fora do leito nupcial. Eis o motivo que me levara, também, a ser membro do Movimento de Contra Sexismo. Caroline é, hoje em dia, a Catedrática William Wyse do Departamento em Cambridge. Referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Caroline+Humphrey&btnG=Pesquisar&meta= Caroline foi uma destemida uma investigadora de campo. Contava-me que, ao investigar os Mongoles da União Soviética desses tempos, ela dormia numa tenda por cima da neve dos País Mongol, nas estepes do país. Os seus textos estão referidos na página Web: http://www.innerasiaresearch.org/caroline_humphrey.htm tenho a tentação de dizer mais, mas, fico temido por abusar da paciência das pessoas, sempre interrompida a sua leitura pela minha aprendida forma académica de citar dois autores, pelo menos, quando afirmo ou digo alguma nova ideia. Forma de escrita muito britânica introduzida por mim entre os meus orientados de trabalho de campo e teses em Portugal, como é referido por vários nos seus textos. Apenas talvez dizer que a sua tese de Doutoramento foi baseada no seu trabalho de campo em Buriatya, hoje parte da China Mongol, referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Buryatia+Mongolia&btnG=Pesquisar&meta= A obra de Caroline, hoje Professor Caroline Humphry, está referida na página Web: http://www.innerasiaresearch.org/humphreypublications.htm
John Davis foi amável e simpático, por ser o examinador de fora ou convidado, era suposto ser quem devia encontrar os pontos fracos da minha tese. Com essa consciência, a sua natural simpatia, como me contara depois, foi extrema porque sabia a minha história. Aliás, nós, examinados de tese, não podíamos saber quem era o escolhido para arguir uma tese, apenas o Catedrático sabia e o segredo era muito bem guardado para nós não preparar respostas ao ler a presa textos do examinador. Bem como não podiamos saber quem era o examinador interno, por causa do mesmo comportamento. Mas, o nosso habitual convívio dos membros do Departamento, em breve fez-me entender quem era o destinado a ser arguente interno, o, nesse tempo Seniour Lecturer ou Professor Associado se for em Portugal, Ray Abrahams, mais um judeu escapados os pais, da Alemanha nazi, com os seus filhos. De repente, deixou de falar comigo, no entanto, um dia perguntou-me, por causa da Secretária do Departamento falar muito calada com ele nas escadas, se o dia 20 de Janeiro era um dia muito ocupado para mim. Eu disse, não é apenas o dia do meu aniversário! Ele sorriu e mais nada referiu. Foi assim que soube que era o meu examinador interno! Ray era incapaz de fingir e éramos íntimos demais para pretender outras maneiras de comportamento, pelo que ele evitava-me. Mais tarde, ao estar em Cambridge, disse-me: “Rául, I have not seen you for long! Come to hev lunch with me, that luch which you refused to have with us on the day I argued the best doctoral thesis I have ever red! Fiquei babado! A obra de ambos está referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Professor+John+Davis+Institute+of+Social+and+Cultural+Anthropology+Oxford+University+&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente a sua obra como especialista nos povos do Mediterrâneo, na página web: http://en.wikipedia.org/wiki/John_Davis_(academic) No tempo de analisar a minha tese, John Russell Davis era docente da Universidade de Kent en Canterbury, a seguir, foi eleito Catedrático no Instituto de Antropologia Social e Cultural da Universidade de Oxford e, em 1995, eleito Reitor da Faculdade de All Souls, da dita Universidade. Foi uma grande alegria quando vi que era ele, porque, sem saber, tinha usado os seus trabalhos sobre o Mediterrâneo para o debate teórico dos meus factos. A do Ray, no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ray+Abrahams+Senior+Lecturer+Social+Anthropology+Cambridge+University&btnG=Pesquisar&meta= e na página web: assets.cambridge.org/97805216/21892/frontmatter/9780521621892_frontmatter.pdf A sua obra é sobre religiões e por causa do meu argumento central ser religioso: solidariedade, reciprocidade, igreja e outros conceitos, ele era a pessoa indicada. Jack era uma pessoa sensata na eleição de membro de júri.
Once, que a minha mulher por força do hábito, dizia em plural, não é um número, é um mistério, para nós chilenos. Há várias interpretações, como é referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Tomar+onces&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= especialmente a citação de uma carta na caixa de diálogo de Internet, página web: http://forum.wordreference.com/showthread.php?t=299481 “Tomar once, es un chilensimo. Significa consumir una merienda ligera aproximadamente a las 5 de la tarde, normalmente compuesta de té y algo más sólido, como pan con mantequilla, o con queso, o con jamón, etc.

El origen de la expresión es dudoso. Una leyenda popular refiere que es un eufemismo nacido en el ámbito de la iglesia: Según esta versión poco confirmable, para no invitarse directamente a tomar algo de aguardiente, los curas coloniales decían: "vamos a tomar once"... Porque la palabra aguardiente tiene once letras. Ahora, por qué los chilenos cambiamos algo tan distintivo como un trago de aguardiente a las cinco de la tarde, por el aburrido té con pan de nuestros días, es un misterio todavía mayor.

Una traducción posible sería algo así como el "five o'clock tea" de los ingleses, lo que se aúna al risible mito nacional del siglo XIX, de ser los ingleses de América del Sur (de puntuales tenemos bastante poco).
Esta carta está assinada por um senhor David, sem apelido de família. Não resisto acrecentar mais esta outra interpretação da Enciclopédia on-line: El origen del término es discutido, aunque lo más probable es que se derive de una comida tomada a media mañana (a las 11), y esa es la interpretación que le da la Real Academia Española. Otra posibilidad es que el término sea una traducción literal de la comida inglesa elevenses. Por último, lo que probablemente sea una etimología popular dice que esta palabra viene de la costumbre de los trabajadores de las salitreras a finales del siglo XIX, quienes acompañaban la merienda con un trago de aguardiente. Por la existencia de restricciones para beber alcohol, llamaban once a tal comida, por la cantidad de letras (11) que posee la palabra aguardiente. Una variación de la última teoría dice que durante la colonia los caballeros que querían tomar aguardiente se referían a esta bebida como 11, para que las damas no se dieran cuenta. Gramaticalmente, lo más correcto es decir "las once", "unas ricas once", pero popularmente se dice "la once", "una rica once" o "las onces", "unas ricas onces" por cosiderarse la palabra "once" como un objeto, y por ende, una palabra singular (y por lo mismo, en caso del plural, "Las onces"). Retirado de confiáveis enciclopédias on line : http://es.wikipedia.org/wiki/Las_once Normalmente é usado em plural, como a minha experiência diz


Em formato de papel e cartão, o livro está comigo: Brincadeiras da minha meninice, escrito por vários de nós. O título do meu texto foi alterado. Originalmente era: “Menino, faz um cavalheiro”, brincadeira do meu avô comigo, e foi escrito como: “Meu pequeno, faz de conta que és um homem”, outro drama do exílio, o não acreditarem que o que escrevemos está certo por causa de sermos estrangeiros....! No texto, de 10 páginas, relato como levava as nossas filhas em bicicleta e o duro que era quando devia ou subir a ponte por cima dos caminhos de ferro, ou para ir a sítios altos da cidade. Era a bicicleta na qual transportava as meninas todos os dias, Paula a Saint Paul’s, Camila ao Play Group. Camila de bom humor – nem sempre de manhã!-, procurava agasalho no meu corpo: erla avançava primeiro, o selim estava em frente de mim! De mal humor, Camila costumava dicer: “Camila, Camila, you are my father and do not even know my name”. É evidente, para o seu ouvido inglês Camila era Kamella....Mas...tive que mudar e até o dia de hoje, ao falar com ela, raramente nestes dias, sempre digo “Kamella”, com especial cuidado para a não ofender....O texto está no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Brincandeiras+da+minha++meninice+AJTG&btnG=Pesquisar&meta=
O Jornal cidade de Cambridge mais importante, era o Cambridge Evening News, não apenas lido por nós todos, bem como pela população inglesa, naturalmente. As vezes, tinha eu que correr à morada do jornal, em Winship Road, Milton, Cambridge CB4 6PP e solicitar ao Director publicar esta notícia, ou não publicar esta outra. Por causa da senhora mencionada no texto foi preciso ir mais do que uma vez a pedir para não se publicar esta ou outra notícia, especialmente de roubos ou latrocínios de chilenos que, na sua depressão, queriam ter algo seu, qualquer coisa material e dispendioso, que não podiam comprar e roubavam! Facto pouco conveniente para nós, se for sabido pelo público da cidade. Era preciso manter o maior respeito dentro de um país de acolhimento e de uma cultura diferente a nossa. Especialmente nos super mercados. Introduzi a uma minha amiga, chilena exilada e docente universitaria no Chile, como era comprar nos super mercados. Ela começou a guardar bens de consumo pequenos na sua mala de Senhora, essa que é levada ao ombro ou mala de mão. De imediato adverti que havia cestos especiais para pôr as compras. Ela disse: “esto, eu não vou pagar, a burguesia nos roubou todo, eu reclamo e roubo à burguesia!” O nome de chileno, com o passar do tempo, era semelhante a dizer ladrão. Reuni à comunidade de Cambridge e fiz uma homilia, praticamente e levei a minha amiga Sue Miller, Advogada, para explicar o que é era delito o que o não o era. Foi um sucesso! Os roubos pararam, apenas que...o nome ficou associado ao facto!
O YMCA, é uma organização cristã, definida assim: The Young Men's Christian Association ("YMCA" or "the Y") was founded on June 6, 1844 in London, England by a young man by the name of George Williams.. Retirado da página Web: http://en.wikipedia.org/wiki/YMCA sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=YMCA&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=
Leonardo confessou um dia que tinha preferido trabalhar no denominado Clube de Desporto, porque já era muito bom ser recebido num país estrangeiro, mas que não era bom viver do dinheiro dos contribuintes. Linda lição, que eu aprendi e até hoje não tenho esquecido. Ele trabalhava no Chile de ontem, no Centro de Investigação denominado CEREN, ou Centro de Estudos da Realidade Nacional ou CEREN, que editava a Revista muito afamada CESO, do Centro de Estudos de Sociologia, da Universidade do Chile em Santiago. Em Santiago estava também a Pontifícia Universidade Católica do Chile, a cujo campus de Talca, optei por ir, como narrei antes. Conhecia os estudos e textos de Leonardo, mas o não conhecia pessoalmente ele, mas, fiquei impressionado pelo seu senhorio e por não perder tempo no que ele denominava “nimiedades” ou o dito castiço chileno de tonterias. Leonardo e Patrícia sabiam trabalhar e tinham muito respeito um pelo outro. Bem como, durante um corto tempo, no Consejo Internacional de Ciencia y Tecnología, associado antes ao Ministério de Educación y Ciencias, hoje ao Ministério de Assuntos Estrangeiros do Chile ou, em chileno castiço: Ministério de Relaciones Exteriores. O CONICYT, no ano 1997, fez um Convénio connosco, o Ministro da Ciência e Tecnologia de Portugal, o Presidente do Banco de Portugal e outros, íamos na comitiva do Ministro. O convénio permitia levar portugueses para investigar mo Chile, fomos três, e três chilenos viram para a nossa Universidade Autónoma de Lisboa ou ISCTE, para um Mestrado, que foi aprovado. Eu, deslocava-me ao Chile duas vezes por ano para ditar um curso de Mestrado em Antropologia da Educação, na hoje Universidade Autónoma do Chile, antes Instituo del Valle Central. Já não estava ai Leonardo nem o nosso visitante, o bem afamado socialista francês, Armand Mattelard, que trabalhara com o meu amigo, ou vice-versa. Seis tese foram feitas, bem como eu escrevi mais dois livros, apresentados na Comuna de Pencahue, Província de Talca, perante uma imensa multidão, com uma festa com o tradicional bailado da Cueca –não é, como em Português, uma peça de roupa, é uma dança nacional chilena, derivada dos bailados de Andaluzia. O CONICYT está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=CONICYT+Chile&btnG=Pesquisar&meta= , página Web: http://www.conicyt.cl/573/channel.html
David Lehman é referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Cambridge+University+David+Lehmann&spell=1 , especialmente a página web que relata a passagem de David a Senior Reader ou Professor Agregado, em Português. Referido na página web: http://www.sps.cam.ac.uk/soc/staff/dlehmann.html
Leonardo Castillo desempenhou o seu cargo de Historiador ou Lecturer in Latin American Studies no referido instituto ,que em inglês é denominado: Cambridge College of Arts and Technology ou CCAT, referido no sítio net:http://www.google.pt/search?hl=pt- e PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Anglia+Polytechnic+Studies+Cambridge&spell=1 Pasou a ser mais tarde a denominada Anglia Ruskin University os Cambridge and Chelmsford, referida no sítio net: www.anglia.ac.uk/ - Leonardo Castillo, referido em sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Leonardo+Castillo+Anglia+Polytechnic+Studies+Cambridge&btnG=Pesquisar&meta= , com obra e trabalho.






























Para saber mais sobre esta matéria da qual já não queria referir mais, ver o texto da analista Avila, Mariela
Facultad de Sicología, Universidad Nacional de La Plata. Argentina: “La pérdida del amor. Del enloquecimiento a la psicosis”, em Seminario de analistas em Rio de la Plata, texto de 9 de Agosto de 2007, referido no sítio net http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Definir+Sindrome+Depressivo+causada+por+ex%C3%ADlio&btnG=Pesquisa+do+Google&meta = no sítio documentos pdf.
Informado a mim, pela minha Advogada, a Dra. Manuela Neves Martins. O Código do Trabalho


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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (1) por Raúl Iturra


http://www.google.pt/#hl=pt-PT&expIds=17259,27817,27868&xhr=t&q=Academic+Festival+Overture+Op+80&cp=32&pf=p&sclient=psy&aq=f&aqi=&aql=&oq=Academic+Festival+Overture+Op+80&gs_rfai=&pbx=1&fp=b82bc71c43c94959
Myxer - Ringtone - Academic Festival Overture
...


Falávamos sobre educação, como era habitual, com o meu amigo Stephen Ronald Stoer, e uma ideia apareceu na nossa cabeça, enquanto ele bebia o seu habitual café e eu, o meu vício, um carioca de limão pequeno. Corria o ano de 1992 e, simultaneamente falamos: e se fundamos uma Revista de Educação? Rimos, e com a nossa cortesia britânica habitual, dissemos: fala primeiro, não, diz tu primeiro. As cortesias no acabavam, até eu cortar o nó górdio e tomar uma resolução pronta e decisiva para uma dificuldade que parecia insuperável: fundar uma revista científica na base dos nossos saberes de Ciências da Educação. Tinha já fundado com Miriam Halpern Pereira a Revista Ler História nos anos 80 do Século XX. Roubei os nossos estatutos e copiamos letra por letra o contrato de fundação da nossa Revista de Lisboa. A nossa, teria por base a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, a JNICT uma Associação que fundamos, a Associação de Sociologia e Antropologia da Educação, para termos Sociólogos, Cientista da Educação e Antropólogos, destinada e pensada exclusivamente para a educação. Foi assim que a Revista nasceu, era a base do nosso Seminário em Ciências da Educação da Faculdade antes mencionada.

Em 1994 a Revista viu a luz do dia, em Novembro de esse ano, com ritual cerimonial e conferência. Foi assim que este texto nasceu. A nossa Associação deu-me a honra, por me ter empenhado tanto na criação deste texto, publicado por Afrontamento, Porto, de aparecer no primeiro número e publicar o primeiro ensaio. A dedicação a nossa Associação, Seminário e Revista, levava-me sempre a estar no Porto.
Entretanto, o meu querido amigo nos deixou, não pela sua vontade, mas por uma doença que mata, em 2005. Em honra a ele e ao seu saber, a Associação, Seminário e Revista continuaram, Até o dia de hoje.
Foi assim que nasceu este texto, que entrego ao público em honra ao meu amigo Steve…, que ainda faz falta.


Raul Iturra ∗
∗ Departamento de Antropologia Social do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) Texto revisto por Irene Cortesão Costa e analisado 15 anos depois por Graça Pimentel Lemos, quem fechara a correcção. Tenho acrescentado novas ideias, porque na ciência, a cronologia não passa em vão e avançamos com novas descobertas.

Todo o grupo social precisa de transmitir a sua experiência acumulada no tempo à geração seguinte, como condição da sua continuidade histórica. O facto de os membros individuais do grupo estarem sempre a renovar-se, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. A questão está em saber se é mais útil para a reprodução do grupo que os novos reproduzam o saber; ou que entendam a necessidade dele por meio de praticar a sua utilidade. O primeiro seria ensinar o que já se tem, subordinada à letra do que já se possui como explicação da natureza e das relações entre os homens; o segundo seria aprender o processo que dinamiza as operações pelas quais a mente humana resolve uma questão cada vez uma problemática se lhe coloca.

1. A questão.
Todo o grupo social, como condição da sua continuidade, precisa de transmitir à geração seguinte a experiência acumulada no tempo. O facto de os membros individuais do grupo se estarem sempre a renovar, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e que existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. Nos grupos sociais onde existe uma predominância da memória oral, o saber ou conhecimento materializa-se na sistematização ou classificação dos seres humanos em genealogias e hierarquias; nos grupos sociais onde predomina a memória escrita, o conhecimento materializa-se em textos que consignam factos e que são sujeitos de interpretação. Normalmente, a morte leva parte do saber reproduzir uma genealogia e da capacidade de entender uma hierarquia, ao mesmo tempo que leva a capacidade de entender o contexto que produz o texto e que originou o seu conteúdo. Normalmente, quem nasce e chega a um grupo social, encontra-se já com um conjunto de taxonomias com as quais convive e que, enquanto cresce e se desenvolve, não coloca em questão porque não as entende: obedece e respeita as que já existem e não se sabe porquê. O processo educativo é, em consequência, o meio pelo qual os que já têm explicitado na sua memória pessoal o como e o porquê da sua experiência histórica tentam retirar os mais novos da inconsciência do seu saber daquilo que é percebido sem que seja explícito; e procurar inserir os mais novos nas taxonomias culturais. A questão está em saber se é mais útil para a reprodução do grupo que os novos reproduzam o saber, ou entendam a necessidade dele ao praticar a sua utilidade. O primeiro seria ensinar o que já se tem, subordinado à letra do que já se possui como explicação da natureza e das relações entre os homens; o segundo, seria aprender o processo que dinamiza as operações pelas quais a mente humana resolve uma questão, cada vez que uma problemática se lhe coloca. Na primeira modalidade, o processo educativo seria uma reiteração do que já se tem, enquanto na segunda seria a formação de uma estrutura de pensamento que pode entender as alternativas da resolução das questões colocadas pelo processo da vida. Normalmente, ensino e aprendizagem são processos que se acompanham um ao outro durante todo o processo educativo. Denomino ensino a prática de transferir conhecimentos provados ou acreditados pela população que educa à população que se estima desconhecer as formas, estruturas e processos que ligam as relações sociais com as coisas: a prática de fixar o estereótipo do social, seja resultado da investigação ou da ideologia, é a que predomina ainda no processo educativo cristão e muçulmano. Chamaria a isto o respeito à lei, bíblica ou positiva, porque assim está escrito. Denomino aprendizagem – como tenho discutido com Paulo. Freire e Sir Jack. Goody – a prática de colocar questões por parte da população que ensina, que envolvem alternativas de respostas, à população que começa a entender o funcionamento do mundo, onde a resposta a encontra o iniciado, não sendo a sua actividade substituída pelo iniciador. No ensino que conheço, o iniciador tende a substituir a actividade do iniciado, seja na actividade directa, seja na obrigação do aprendiz fazer como lhe é dito, imitando. Na aprendizagem, a iniciativa é de quem é introduzido ao mundo histórico em que o seu grupo já vive, sendo a actividade de quem orienta um mostrar alternativas e as suas consequências, ficando a opção com quem aprende. Quanto a aprendizagem é de textos, a prática do processo educativo será a de que se saiba classificá-los, conhecer o seu contexto, o debate em que está inserido e a questão relativa às ideias que transmite, mesmo quando se trata de textos de introdução à técnica da escrita onde o melhor será sempre o que produz o próprio aprendiz. O ensino é repetir, criando uma subordinação; a aprendizagem é descobrir, criando uma relação de comunicação.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 21:00
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Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (19)
(Continuação)

Capítulo 5- Perda da família


Falar da perda da família, é uma confissão que experimentamos não falar. Foi uma experiência triste, em parte narrada na Introdução deste texto. A família alargada , como dizemos em Antropologia, rapidamente afastou-se de mim. Era o parente traidor, era o parente que fazia mal, era o parente ovelha negra. Ainda lembro as palavras da última vez que vi a minha sogra, ainda em Cambridge. Apenas ficaram ao pé de nós essa a minha querida irmã Blanquita, quem tinha partilhado comigo o campo de concentração, e o nosso psicólogo, Miguel Toro Melo, fundador e docente da Universidade Autónoma do Chile, que começou em Talca, como Instituo del Valle Central, e passou a ser o meu cunhado ao casar com Blanquita da forma narrada no Capítulo1, mas que, enquanto era o meu psicólogo, teve a gentileza de ir cumprimentar-me para dizer adeus. No entanto, anos mais tarde, disse-me que eu era um romântico.

Não era para se despedir de mim, bem como para ver, uma vez mais, a minha irmã, que ele tinha começado amar, mas queria ter a certeza. Esses tempos que vivíamos, cheios de incertezas e de não saber quem era o quê, fez que essa visita for realizada. Tempos incertos, ainda, entre os membros da UP: fui cumprimentar ao único vizinho nosso que falava ainda connosco, um membro do Partido Radical, referido ao falar de Orlando Cantuárias no Capítulo 1, e disse que vinha a cumprimentar e a me despedir, porque ia ao estrangeiro.

 Acrescentei ao vizinho que tínhamos perdido a batalha da UP e a sua resposta deixou-me de boca aberta, para não dizer surpreendido. Surpreendido não podia estar, era, com todo, do, mas desse de tirar vantagens! Partido Radical , um membro da UP por conveniência de ganhar e obter cargos e regalias governamentais. Esse o meu vizinho, cujo nome apaguei das minhas recordações e dos meus livros para escrever a minha vida, respondeu, em castelhano, evidente, ele apenas sabia essa língua e mais nada: “Nós nada temos perdido. Eu tenho o meu trabalho, o Senhor – em chileno castiço, disse-me o Inhor, que se escreve iñor- tem o seu. Os que perderam foram os rotos – esse descosidos de que tanto falei nos capítulo precedentes – que não nos souberam defender!” Fiquei horrorizado e temido com essa resposta, mas nem surpreendido devia ter ficado. Ele não era como Pedro Aguirre Cerda, nem Bilbao nem Arcos, era à Cantuárias!. Sempre estimei que estarmos na UP, era para servir aos mais pobres e assim eles partilharem a riqueza do Chile, o mínimo de justiça social, quer para cristãos, quer para ateus! Fiquei furioso!

Esse dia entendi porque não tinha querido participar na Junta de Vizinhos do nosso bairro, na base da lei feita redigida por mim e Francisco Vio nos anos sessenta: eu solicitava horas livres para as empregadas domésticas, que, de forma eufémica, são denominadas Trabalhadoras por Horas ou Mulher a Dias, e no Chile de hoje, são Nanas. No Chile de Antigamente, der Nana era a servente que tomava conta de um dos filhos do patrão, o resto era a servidão, for tratada bem ou mal. Na casa dos meus Senhores Pais, havia uma imensidão de servidores, todos bem pagos e tratados com a dignidade de pessoas que eram.

Foi ai que nós, os descendentes, aprendemos a tratar aos nossos próprios serventes. Com horas livres para o descanso e até para estudar cursos de modas, como aconteceu com uma das nossas empregadas, uma rapariga nova, Eliana, que não sabia o quê fazer se não trabalhava. Foi a nossa ideia de lhe pagar um curso de Modista, para o qual tinha horas de licença do trabalho na nossa casa e o fim de semana era usado para ir a casa dos pais, no pequeno povo de Bobadilla, sito ao Sul de Talca, por perto da Província de Linares, onde tinha um namorado. Ela tinha a nossa cumplicidade, não por sermos socialistas, era apenas porque sabíamos o que o amor era... Para acabar a história do dito vizinho, dito radical, costumava dizer, como outros membros do bairro, que éramos um mal exemplo: “o povo é duro e é preciso trata-lo como tal, estes rotos de merda só sabem trabalhar, para isso é que existem, para aliviar o nosso trabalho”. Essa família tinha uma empregada para o denominado todo tipo de serviço e apenas saia de quinze em quinze dias, aos Domingos, a seguir a lavagem da loiça usada ao almoço. Falei um dia com ela e li a ela os seus direitos.

A seguir, por ter sido espreitado pelo esse o meu vizinho, ela nunca mais falou comigo e disse a correr: “Don Raúl, falar consigo é um perigo, se me vem falar consigo outra vez, perco o emprego, que preciso para mim e a minha mãe viúva.” Fui de imediato falar com o malvado vizinho, esse dito radical, que de radical apenas tinha empreendimentos como Construtor Civil que era, empreendimentos dados a ele pelos membros do seu partido no Governo Regional e expliquei que...não consegui: mal apareci na casa à qual entrava sempre, ele falou: “O senhor manda na sua casa como entende, eu, na minha, da forma que sei”. Mais uma amizade e vizinhança cortada. Até a nossa pequena filha Paula, muito amiga da filha dos nossos mais imediatos vizinhos, os Meier, Jimena e Walter, deixaram também de falar connosco, por causa do perigo que para eles representavas, desde a noite que fui levado ao campo de concentração. A nossa pequena filha não conseguia entender porquê a sua pequena vizinha, também de nome Paula, não podia brincar com ela.

Era difícil de explicar. Como era também difícil dizer a família a forma de tratamento que dava-mos aos nossos serventes, Eliana em casa, Cora que ia engomar, e ao José, que tratava do nosso encerado do piso da casa e a uma senhora que lavava a nossa roupa em casa dela. Pensávamos estar pouco tempo, não tínhamos máquina de lavar e era muito o trabalho para Eliana fazer a comida, limpar a casa e lavar, o que normalmente era mandado nas casas onde havia empregadas. Eu não gostava de sobrecarregar de trabalho a apenas uma pessoa e, apesar de ganhar bom dinheiro na Universidade, não dava para tanto e a minha mulher Glória começou a trabalhar na organização de um Museu, projecto do nosso amigo Ministro da Corte e Reitor delegado da Pontifícia em Talca, que Gloria soube fazer as mil maravilhas com um dos meus colaboradores, contratado especialmente para esse trabalho, Angel Sanmartín, a quem eu, por ironia, denominava O Libertador....sem saber que me andava a tentar me libertar da minha pessoa mais amada, mas como essa história não é minha, a não refiro mais. Ele e Gastón Pérez, da equipa de Artes e Cerâmicas da Universidade do Chile, com Sede em Talca, como nós. Fizeram um lindo trabalho, orientado por Gloria que, nesse tempo, sob a minha responsabilidade, deleguei a orientação em ela, a mais sabida pelo amor que dedicou ao trabalho, como pessoa graduada em Arquitectura Interior, com imenso talento para a arte: o génio estava dentro da família. Ainda mais, essa devoção ao trabalho de Museu, era feito para salvar espécies em vias de extinção, dentro da agricultura, já não usadas pelos trabalhadores rurais.

Passou a ser o Museu de Glória Iturra, muito celebrado e muito estimulado. Ente a Museologia e o batik, essa arte da Malásia, Tailândia e outras nações orientais, está referido em nota de rodapé , com definição da arte e a sua expansão e a sua história. Era uma forma de tingir roupas, expandida para fazer pinturas e decorar a casa como está referido na nota de rodapé, técnica, que mais tarde, faria no exílio para incrementar as nossas entradas.

Tornando ao texto centra, esse repartir o dinheiro por todos, era uma antecipação ao socialismo chileno, que queríamos ver materialmente. Estas, como dizia a minha mulher, eram as minhas extravagâncias, bem como o facto de organizar um fundo comum com os nossos ordenados e os dividir entre todos conforme as suas necessidades, essa antecipação à forma socialista de vida que, estávamos certos, ia acontecer.

Eu ganhava mais do que todos, por ser Presidente do CEAC e ter um Mestrado Britânico e ser candidato a Doutor já, suspenso enquanto ia visitar o Chile de Allende. De certeza, a perca da via chilena ao socialismo e o meu trabalho de campo entre os camponeses do Chile, fizeram-me escolher, mais tarde, a Galiza Rural: uma compensação emotiva e psicológica. Essas as minhas denominadas extravagâncias, não eram entendida pela minha família, excepto pela minha irmã que era uma convicta mulher de esquerda, e pela minha Senhora Mãe, de quem eu tinha aprendido esse tratamento da igualdade para com os nossos subordinados do nosso lar. No seu senhorio, herdado pela minha irmã mais querida, que esteve em prisão comigo, sabia o que era mandar sem escravizar aos mais pobres. O resto da família, não entendia e diziam que eu era doido, a ovelha preta da família, por causa de não seguir as ideias cristãs que, conforme eles, indicavam que as diferenças de classe deviam ser respeitadas, como Deus tinha indicado. O Nosso Senhor, que todo o sabe, tinha criado....A minha Senhora Mãe entendia, a minha Senhora Sogra, talvez menos, mas respeitava essas as minhas denominadas extravagâncias, pelo menos, algumas.... O que ela nunca respeitou, foi o meu pedido para nunca termos aparelho de televisão em casa e assim expandir a imaginação das crianças com jogos e danças e música ouvida e dançada, como aconteceu mais tarde na nossa casa de Cambridge.

No entanto, cada pessoa tem uma ideia diferente para agradar aos outros e como ela gostava da televisão, pensava que a única pequena nossa nesses tempos, Paula, ia gostar de ver telenovelas e outras histórias, o que não aconteceu. Apenas que, senti a obrigação de respeitar as ideias dessa querida Senhora, que adorava a, nesse tempo a sua única neta. Ela adorava não apenas as suas filhas, bem como as suas netas, nesses dias apenas uma, a causa da sua alegria que dava prazer de ver, e entendia que o que ela gostava, ia ser querido também pela mais nova da família. Não havia semana ou fim de semana que ela e a sua filha solteira, a minha hoje doente cunhada Maria Eugenia, em face de recuperação e cuidada pela minha mulher, não havia semanas, reitero, que elas não estiverem na nossa casa por causa da neta, ou em Talca ou em Cambridge. Mas, a neta era-lhe roubada por mim para irmos ao campo ou apanhar “boleia” de carros e “carretas” tiradas por cavalos ou bois e assim experimentar dar conhecimento de outras formas de vida, históricas e de hábitos diferentes, conforme o lugar social que se ocupava dentro da hierarquia social, ou classe social: tentava dar alternativas de vida a nossa filha, com esse novos conhecimentos.

 A televisão ficou “redundante”!. A causa era que um dia, eu tinha perguntado a Paula: “onde é que nascem as alfaces”? e ele respondera: “dos cestos do mercado”, outra das minhas excentricidades. Levei a Paula ao mercado e falamos com os trabalhadores rurais que ai vendiam, e, a pouco e pouco, a nossa Paula foi alargando os seus saberes.

Sempre denominei a essa minha cunhada, a segunda avô dos nossos netos. Mas, foi a altura de termos o primeiro desencontro, quando, num dia qualquer, nesse país semeado de espinhas pela CIA e o Governo de Nixon, especialmente as conspirações do Embaixador Frank Carlucci , a minha cunhada e a minha Senhora Sogra, começaram a apoiar um certo golpe, esse no qual nós não acreditávamos que podia acontecer. A minha mulher, na sua calma e sabedoria, aconselhou não debater com elas, difícil para mim, socialista e convicto pró Allende . Foi já o começo da perda da família: respeitar os pensamentos dos outros, eu defendo, mas ter que suportar ideias e actividades impingidas sobre a nossa vida, era um perigo dos que as nossas famílias não estavam nada conscientes e não queriam saber. A típica reacção da denominada alta burguesia do Chile, mal informada e, naturalmente, muito vincadas às suas propriedades. Os documentos das conspirações de Kissinger e Carlucci não eram conhecido por elas, nem por ninguém, foram desclassificados bem mais tarde, pela administração do Presidente Clinton para colaborar no julgamento do ditador que matara ao Presidente do Chile, e que estivera como Embaixador em Portugal entre 1974 e 1976, sob as ordens directas do director da CIA, como é referido na Wikipédia .

A nossa família nunca acreditou nestes factos e a nossa intenção, de Gloria e minha, era não entrarmos em problemas. A pesar de todo, não esqueço as últimas palavras que ouvi a minha sogra na nossa casa de Bateman St, em Cambridge: “Raúl, tú eres una buena persona, muy trabajador e triunfador, pero me quitaste lo que yo más quería: mi hija y mis nietas, y es por eso que no puedo perdonar tus ideas. Has contagiado a mi hija! Y no sé lo que será de mis nietas”. Foi, praticamente, o começo do fim de uma família de Tolkien, dos serões com bailado russo à Scheherazade de Rimsky-Korsakov, dançado pelas nossas filhas e da música em flauta de bisel, e, mais tarde, estudos de violinos de uma das minhas filhas, que acordava as 6 da manhã para ensaiar, enquanto a outra experimentou o violoncelo. Todo feito para dar prazer aos pais.

O começo do fim da minha pequena família. A minha mulher, que nem queria ir ao exílio porque, como referi na Introdução, no Chile estava bem, entrou em depressão, da qual curou pelos cuidados do nosso amigo analista, Martín Cordero, esse amigo psiquiatra que examinou ao ditador Pinochet e conseguiu advertir que ele estava mentalmente activo e são para entender um julgamento, que percebia factos e os podia explicar, diagnóstico relatado mais em frente deste texto. As pequenas iam crescendo, como tenho relatado. O dia que Paula foi púbere, aos 11 anos de idade, diz-me: “Dad, nem penses que vás-me buscar ao Park Side Secondary School, é para pessoas grandes, e se tu vás, vão pensar que sou pequena e não gosto!”.

 Evidente, respeitei o seu desejo e, no primeiro dia em que estava a sair do seu colégio, eu fui na minha bicicleta a espreitar de longe, onde que ela estava e como estava. Como é evidente, ela viu-me, os sítios são pequenos, virou-me as costas e continuou a falar como se nada tiver acontecido. Apenas, que, à tarde, disse-me “Dad! You did not respect my request, as you went to fetch me”. A minha resposta foi simples: levantei as mãos e respondi: “Guilty as charged” Entre nós, sempre falávamos em inglês para habituar as pequenas a tantas línguas aprendidas e desaprendidas por causa do trabalho de observação participante do pai.

Desde muito novas, tentamos que elas tivessem força para confrontar a vida e destemidas para esse confronto entre classes diferentes, e respeitar a diferença, à Babeuf: todos somos iguais, excepto os diferentes, que é preciso respeitar. Em Vilatuxe, Paula começou ir a Escola Local, denominado Grupo Escolar de Vilatuxe, por ter crianças de várias aldeias, trazidas de autocarro desde sítios distantes.

Ao conhecer como era a escola e ao perceber o que entediam de mim, especialmente porque um professor era o meu amigo da alma Manuel Pichel e Maria da Luz Barreiro, a sua mulher, amiga da minha mulher, Gloria, tinha-me solicitado dar conferências aos docentes do Grupo Escolar, conferências que eu protelei para que a minha filha não fosse ter tratamento especial. E não teve. Falei com a sua Professora, Doña Conchita e pedi que esquecera quem era o pai dessa criança, o que ela fez tão bem, que um dia chegou Paula a casa toda cansada e vermelha. Perguntei em inglês, porque tentamos manter a língua do país de acolhimento, a Grã-bretanha, viva na sua mente, o que era quase impossível: Paula falava Castelhano de Castela, denominado por todos Espanhol, com todas as eses e zetas sibilantes da língua Castelhana, mas ainda, com palavras portuguesas. Não dizia Dad, nem papá, no chileno castiço dizia: “Papaito”, como as suas amigas galegas. Não dizia fechar a porta, usava as duas palavras que o luso-galaico tem: fechar e trancar em português, “Cerrar e pechar” em luso-galaico. A minha mulher ficava desesperada e dizia: “No hables así, es tan feo!”. Nada, não havia remédio, a sociabilidade proverbial de Paula a fez aprender todas as línguas que hoje fala. Bom, para acabar essa história, Paula apareceu zangada e calada. Perguntei o que se passava e ela diz: “ Es mi problema, lo resuelvo yo, como me has enseñado” Curiosa, era a nossa filha, fui falar ao Grupo Escolar e a dita Doña Conchita, contou-me que Paula tinha sido punida por não saber o Pai Nosso, de joelhos no chão de cimento e as mãos abertas em cruz, com livros nas mãos. Não consegui ser calmo, porque o que mais me doía, não era apenas a minha filha punida, bem como o trato dado às crianças todas....por serem ....rústicas e que os rústicos sabiam aguentar....Lancei uma homilia a docente primária, que os rústicos eram assim, porque eram mal tratados por pessoas vistas com os deuses que todo o sabem. Ela ripostou: “Don Raúl, si hasta los padres de los niños nos piden que los castiguemos!”. Pois era, porque os rústicos, como eram denominados, nunca tinham sido ensinados a criar aos seu filhos. Aliás, rústicos ou não, ninguém tem sido ensinado a criar aos seus filhos ou descendente. Criar crianças, é uma inspiração, é uma maneira, diria eu, aprendida dentro da família alongada, é um saber retirado da interacção do grupo doméstico de origem, como é referido por Meyer Fortes , no seu texto de 1938. Diz Meyer Fortes que a criação de uma criança deve ser feita sempre pelos seus adultos, bem como que para ensinar, era melhor associar os novos conceitos às actividades por eles desempenhadas na sua vida quotidiana. Não era apenas das ideias de Meyer Fortes que me orientavam na educação das nossas crianças, bem como as nossas conversas, porque Meyer era um quase avô das minhas filhas quando eram pequenas, uma tipo de sogro para mim. A falta de adultos era muito triste, porque os nossos adultos orientam-nos na educação dos nossos descendentes e na solução de problemas que, os mais novos, nos colocam.

Como foi o caso de Camila e a sua decepção com a sua professora da Escola Primária à qual assistia na Grã-bretanha, escola confessa de ser anglicana e denominada St Paul, em inglês. St Paul’s, ou Escola de São Paulo em português, inaugurado o novo prédio pela Bispo de Canterbury em Inglês, ou Cantuaria, em Português, como refere a placa da inauguração dedicada ao Bispo de Cantuaria, quem manteve o nome de Escola de St Paul, escola ou Primary School na rua de St Paul, onde a escola tinha sido construída. Paula foi a primeiro em assistir a essa escola, após ter estado, ao começo dos anos 70, antes de irmos para Galiza, na Escola Primária de Chesterton Road. Nunca esqueço o dia que Paula foi, levada por nós, Gloria, a pequena Camila no seu carrinho de bebé, comprado especialmente para ela,- o de Paula tinha ficado no Chile da ditadura -. Bom, esse dia, levamos, todos temidos, porque era muita mudança de língua e estudos para uma rapariga de 6 anos, que tinha estudado no Chile de Allende as sua primeiras letras aos cinco anos, para passar nesse dia a uma escola estrangeira, a falar apenas inglês, normal para britânicos, muito diferente para nós os pais e para a nossa amiga Maquela de Floto. Entrei à escola para explicar a professora que Paula era um caso especial e que devia ser tratada com simpatia e amabilidade e muita gentileza, por causa de...a professora não me deixou acabar e diz-me: “ The first day at School is spetial for most young parents, please, leave us, I know what to do”. Persistente até a arrogância, tornei a entrar e deixei o nosso número de telefone, caso o caso for....E mais nada, a professora tornou a repetir: “There is no need, but if you are not calm, the girl is going to cry again”. Sai envergonhado. O caso era que tínhamos feito uma experiência de colocar Paula num infantário perto de casa e ela não queria ficar. No primeiro dia, Gloria a levou e a troce de volta porque Paula, toda perdida entre tantos mundo e línguas diferentes, chorava e não queria ai ficar.

No dia a seguir, eu e fiquei com ela o dia inteiro, ou, mais bem, a manhã toda e Paula estava calma por ver ao seu pai, mas, mal sai, ela correu trás de mim e foi o fim do seu infantário, o que me transtornou imenso. Às noites, a nossa filha chorava imenso e queria ir para o nosso quarto e dormir na nossa cama, mas Gloria leva-a de volta para a sua cama no seu quarto e, a pouco e pouco, Paula aprendeu a se habituar a sua autonomia, duramente conquistada por ela, com o apoio dos pais, especialmente a firme atitude de Gloria, que me ensinara a mim como devia ser tratada uma criança. No meu eterno romance da vida, sentia-me culpado por elas estarem nessa situação! Paula. Esse foi o facto a me empurrar na minha consciência de pai novo e sem família, a falar com a sua professora nesse primeiro dia da escola para Paula. Andrés Flotto, hoje médico, estava também nessa escola e estava com problemas, como toda criança no seu primeiro dia de aulas, entendo hoje, passados os anos da nossa juventude de pais. Assim, nos três adultos e Camila na sua carrinha de bebé, entramos na nossa casa, colocamos o telefone sobre a mesa....à espera de um telefonema que nunca mais chegava! Maquela foi tratar do outro filho, nós da nossa outra descendente....sempre a espera de ser as 15.30, para ir procurar a nossa primogénita., que saiu toda sorridente e feliz, rodeada de outros amigos que adoravam ouvir outra língua e saber que não era a deles! Foi assim que Paula triunfou e nós ficamos calmos e começamos convidar crianças para a nossa casa, assim a nossa pequena aprendia mais inglês.

No dia de deixar Chesterton, fomos para a Galiza, a volta estava a nossa espera a nossa casa de Bateman St 53, à que Gloria não queria entrar: estava suja, húmida, com mobília nada apropriada para o seu gosto e solicitou-me se podia ir para a nossa antiga de Chesterton Rd, o que eu fiz, mas a casa estava alugada e não havia maneira. Aliás, não tínhamos cumprido o contrato com a proprietária, que, ao alugar essa casa, perguntara: “Are you going to stay here for long? If you don´t, I cannot lease you the flat” Eu sabia que, em breve, devíamos ir para um outro país. Fiz um denominado esquecimento mental e disse que era por muito tempo. Foi preciso fazer o exercício de fechar a mente à verdade, conceito retirado dos catecismos católicos que referem que não é mentir esse referir um facto que vai acontecer ao contrário do falado, e, ainda que não católico, era da cultura cristã e não gostava desviar a intencionalidade dos factos, como falam os referidos catecismos. Precisava de uma casa para a família, que, entretanto, estava em Sussex, com os nossos amigos Vio, já referidos, os dias mais leves e felizes da nossa estada na Grã-bretanha, no ano de 1974. No dia que íamos para a Galiza, dias antes, melhor, falei com a proprietária e ofereci trespassara casa para amigos nossos porque, por causa do meu trabalho, devíamos ir embora. Ela disse que eu tinha mentido, que ela tinha direito a cobrar um ano de aluguer por rompimento unilateral do contrato, mas...tínhamos sido boas pessoas, nunca fizemos barulho, etc., etc., entre os factos narrados por ela foi o do Ano Novo passado no seu andar e termos morado a gostado da Escócia, a sua terra. E não foi preciso pagar nada! Felizmente!

A seguir foi a já narrada Galiza, e a escola de St Paul's , que Paula também atendeu, muito temida por causa da língua e de colegas dela não ser amáveis. Chorava imenso, mas, já mais sabido em assuntos de criação, a nossa resposta foi breve: “That’s a problem that you have to resolve, otherwise, you shall never be independet” E Paula resolveu, ao mudar a sua carteira para o pé da carteira de Nicholette Barnett, filha da nossa amiga, a médica Carol Barnett , amiga conhecida por mim ao aderir ao denominado movimento

Ante Sexista, ou Anti-Sexism em inglês que tomava conta das uma menina simpática e amiga e tornou esse dia a casa feliz e sorridente. Mais um problema resolvido, dentro desse malfadado exílio nosso, que as crianças e a minha mulher, tentavam resolver. Era essa a escola na qual Camila teve que resolver um problema com a sua professora, Miss Cathy Pompa. Aprendida já a minha situação de pai, o meu papel de ser pai, empurrei a Camila para organizar um encontro com a sua professora, o que ela fez e ficamos combinados com o Head Master ou Director, Mr Bennet e Cathy Pompa, para um dia à tarde. Mal chegamos lá, Camila olhou para mim e disse “Dad?”, convidando-me a falar. A minha resposta foi breve. “I’m here to support you, but this is your problem to be resolved by you”, e Camila resolveu e começou, nos seus 5 anos, a sua autonomia….Camila esteve durante dois anos no primeiro ano, era preciso ter 7 anos de idade para entrar nos trabalhos procurados para essa suposta primeira vez de entrar a escola. Digo suposta, porque Camila com cinco, já lá estava. Camila começou a aprender as primeiras letras aos 5 anos, no ano de 1979, quando eu estava a acabar de redigir a minha tese de doutoramento. Mas, começou em computador, esses aparelhos que não existiam para as minhas pesquisas e redacção de tese. Havia apenas a máquina de escrever, começada a ser usada por mim desde os meus 14 anos. Um dos motivos que nos levara a matricular Camila na Escola, era que ela assistia às actividades do denominado Play Group, mantido pela Universidade de Cambridge, mas que devia ser pago cada três meses por nós, os pais. Era dispendioso para nós, de entradas baixas em dinheiro efectivo. No entanto, a educação das filhas era-nos importante. Camila ia ao Play Group para aprender inglês e para libertar a minha mulher dos trabalhos de criar as pequenas, o que cansavam imenso a Gloria, especialmente por causa de mim, sempre ausente, como fiz em Compostela, estava sempre na Biblioteca ou no meu novo e individual Gabinete do Departamento de Antropologia. Individual não era, partilhava com Chris Hann e com o hoje docente da Universidade de Malta, o Doutor Paul St Cassia .

Notas:

OS CONCEITOS DE FAMÍLIA, QUE SÃO IMENSOS, ESTÃO NO SÍTIO NET: HTTP://WWW.GOOGLE.PT/SEARCH?HL=PT-PT&Q=CONCEITOS+ORGANIZA%C3%A7%C3%A3O+FAM%C3%ADLIAS+USADAS+EM+ANTROPOLOGIA&BTNG=PESQUISA+DO+GOOGLE&META= , ESPECIALMENTE NO TEXTO DE 2003, DA AUTORIA DA PSICANALISTA WALKIRIA L. C. SCHOGOR



página web: http://www.symbolon.com.br/monografias/veneno-e-remedio.doc O texto é denominado: Um olhar simbólico sobre a casa lar: veneno e remédio. Também, no texto citado de Sir Jack Goody, Domestic Groups, no texto meu editado pela Xunta de Galiza, e no livro de Brian O’Neill, editado pelas Publicações Dom Quixote em Português, e pela Editora de Cambridge, CUP: Proprietários, lavradores e jornaleiros, 1984, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Brian+O%27Neill+Propriet%C3%A1rios,+Lavradores+e+Jornaleiras&spell=1 ou a página Web do seu CV DáGois http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=5072228070267150 , e em João de Pina Cabral:1986: Sons of Adam, Daughters of Eve, Clarendon Press, Oxford, edição portuguesa na mesma colecção Dom Quixote, Filhos de Adão, Filhas de Eva. Uma visão do mundo camponesa no Alto Minho, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Jo%C3%A3o+de+Pina+Cabral+Filhos+de+Ad%C3%A3o,+Filhas+de+Eva&spell=1 e página Web com comentários sobre a obra do autor referido: http://www.acvl.pt/titulos.php?seleccao=aut&id=516 Os meus já estão referidos. Os conceitos de família são complexos e, como comenta João de Pina e Cabral, era necessário alinhavar os conceitos para ter uma mesma expressão para todos eles e na a heterogeneidade que usamos hoje.


Para saber mais do que tenho dito sobre o PR, ver o texto em pdf de Elisa Campos Borges, de 2007: O movimento operário no Governo de Salvador Allende (1970-1973):


O caso dos Cordones Industriales, texto completo no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Partido+Radical+UP+1973&btnG=Pesquisar&meta= página Web em pdf: snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Elisa%20de%20Campos%20Borges.pdf - Este artigo é fruto do projecto de doutorado apresentado ao programa de pós-graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense, Brasil.


Batik, a sua definição e a sua técnica, em: http://www.batik-art.nl/po/ , que refere que “Batiks são tecidos que são feitos principalmente para a fabricação de roupas na Indonésia e entre outros países como Malásia, Tailândia, etc. Esta tradição, que já existe há séculos, tem multiplicado o número de artesões que passaram a arte de geração em geração. A tradiçao se evoluiu tanto, que se iniciou a fabricacão de tecidos especialmente para a decoração em forma de quadros


Este Embaixador, esteve também em Portugal a seguir o dia 25 de Abril e o Presidente da Junta de Salvação Nacional que derrubou ao Salazarismo, Vasco Gonçalves, teve que solicitar com amabilidade que era preciso mudar de Embaixador, referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Embaixador+Americano+Chile+Allende+Carlucci&spell=1 e na página Web, onde há um comentário da imprensa de alto interesse para o que aconteceu ao Chile de Allende e ao Portugal de Mário Soares. O texto do jornal on-line, Observatório da Imprensa, reproduz um artigo denominado: “Kissinger vs Maxwell, Censor da mídia, falsificador da História”, escrito por Por Argemiro Ferreira, de Nova York em 8/6/2004


http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=280MON001


Não resisto referir um parágrafo apenas: O mundo suspeita de que não passa de um criminoso de guerra. Ele próprio está consciente, desde que deixou Paris à pressa para fugir à intimação de um juiz para depor, consciente, digo, de que já não pode circular livremente fora de seu país. Mas dentro dos EUA, Kissinger tem inacreditável influência e o estranho poder de censurar – como acaba de fazer mais uma vez, agora tendo como alvo o historiador Maxwell. Foi Kissinger quem enviara a Carlucci, quer ao Chile, quer ao Portugal liberto de Soares.


A página web http://avozportalegrense.blogspot.com/2006/09/nuno-rogeiro-e-o-chile.html diz, entre outras materias: “O clima conspirativo era palpável. Henry Kissinger e Frank Carlucci são acusados de conspirar contra Allende, a missão naval dos EUA em Valparaíso mantém contactos estreitos com a Armada chilena (tida como o ramo mais conservador, ou antimarxista), a CIA gasta 8 milhões de dólares em subsídios à imprensa, partidos, rádios, sindicatos (segundo alguns dados, a contribuição soviética, entre 70 e 73, cifra-se em 650 milhões), começam as marchas das “donas-de-casa” contra a escassez de bens, que se tornam famosas pelo uso de panelas e colheres como instrumento sonoro, há greve geral dos camionistas, mas Régis Debray, solto pelo regime boliviano, confessa que teme mais “o aburguesamento da revolução do que um golpe militar”. Retirado do Jornal on-line A Voz Portalegre






O texto está em inglês, não consegui encontrar um em Português, mas estou certo que os leitores saberão procurar ao citar o sítio Net e a página Web de Carlucci, história, aliás, muito conhecida por nós todos, mas que é melhor com provas que apenas uma conversa de café: sitio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Frank+Carlucci+&btnG=Pesquisar&meta= , página Web da Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Frank_Carlucci


Fortes, Meyer, 1938: “Sociological and psychological aspects of education in Taleland”, em África, volume XI, Nº. 4, Londres. O texto é difícil de encontrar. Foi preciso fotocopiar as quase 150 páginas do texto, editado em Londres, MacIntosh, mas referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Meyer+Fortes+1938+Sociological+and+psychological+aspects+of+education+in+Taleland&btnG=Pesquisar&meta= Paou a ser livro em 1970, publicado por Sage Publications, Londres. como é referido na página Web: http://jbd.sagepub.com/cgi/content/refs/29/4/282 ou, ainda, na página web do sítio Net, referido nesta nota: links. jstor.org/sici?sici=0003-1224(197110)36%3A5%3C905%3ATASSAO%3E2.0.CO%3B2-C ou, ainda, a referência da publicação: http://links.jstor.org/sici?sici=0003-1224(197110)36%3A5%3C905%3ATASSAO%3E2.0.CO%3B2-C


Carol Barnett é referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Physician+Carol+Barnett+Cambridge+UK&btnG=Pesquisar&meta=


O Movimento denominado em inglês da maneira referida no texto, era mais uma forma de entender e me adaptar à cultura Britânica e aprender comportamento masculino não paternalista com as mulheres enm patriarcal. Proferí uma conferência na London University, London School of Economics, comentado por uma colega de outra Universidade Británica, a que, ao ouvir o meu texto, disse que era o texto mais sexista que tinha escutado em muito tempo, paternalista e contra as mulheres. O texto ficou com elas e foi publicado, após correcções, por Bárbara Bradby como coordenadora, da Universidade de Manchester, mais tarde transferida ao Trinity College de Dublin na República de Irlanda.Referida no sítio Net: http://www.tcd.ie/sociology/staff/ O meu texto foi publicado na Revista do Movimento, referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Anti-Sexism+Movement+Publications+UK+&btnG=Pesquisar&meta= Publicação, entre outras minhas da Grã-bretanha, referida, sem texto, no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+Publications+in+Great+Britain&btnG=Pesquisar&meta= O Movimento está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Movement+Anti-Sexism+UK&btnG=Pesquisar&meta= e um artigo sobre o ante sexismo, de David Bartlett, do grupo ante sexista Achilles Heel Collective, proprietários dos direitos de autor, e pode ser lido na página web: http://www.achillesheel.freeuk.com/article08_18.html Bábara Bradby é referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt- PT&q=Dr.+Barbara+Bradby+Dublin+College&btnG=Pesquisar&meta=


Quem sabe destes assuntos, é Anália Torres, especialmente
Quem sabe destes assuntos, é Anália Torres, especialmente no seu livro de 1996, em formato de papel, oferecido por ela a mim: Divórcio em Portugal. Ditos e Interditos, editado pela Celta Edições, Oeiras. Referido no sítio Net: http://links.jstor.org/sici?sici=0003-1224(197110)36%3A5%3C905%3ATASSAO%3E2.0.CO%3B2-C e recenseado por Andreia Fernandes Silva, recensão da Revista de Sociologia, página Web: http://www.recensio.ubi.pt/modelos/recensoes/recensao.php3?codrec=33



Paul St Cassia é referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Professor+Paul+St+Casia++University+Republic++Malta&btnG=Pesquisar&meta= , como o académico que retornou a Malta, após um exílio imposto sobre ele por ser membro de movimentos ideológicos nada convenientes para a Republica. É possível perceber que o Departamento era um sítio de asilo para muitos d nós, a começar pelo Catedrático e o anterior, ainda connosco, Meyer Fortes. Cada um de nós tinha a sua mágoa!


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Fala que não entende... - 1. A criança, esse subentendido., por Raúl Iturra


Retirado do meu livro de 2004: a ilusão de sermos pais, pode aceder em:
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia6.shtml

Foi a frase de uma das pessoas que trabalha comigo, durante um Seminário de Etnopsicologia da Infância, a decorrer durante o ano académico. De imediato várias ideias saltaram na minha cabeça. A primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: o que é uma criança? Conceito definido por imensas teorias de imensas escolas que percorrem o mercado da erudição académica, já comentadas no Capítulo anterior. No entanto, a criança é uma entidade heterogénea de idades diferentes: há a cronologia que acompanha o transcorrer da sua vida, há capacidades definidas conforme as possibilidades de entendimento do real há o contexto que rodeia os mais novos e os adultos que definem o conceito.

A ideia é analisada no Curso de Etnhopsyquiatrie e de Etnopsicologie francesa, texto que me apoia na análise[98]: "L'ethnopsychiatrie est une méthode d'investigation qui s'efforce de comprendre la dimension ethnique des troubles mentaux et celle, psychiatrique, de la culture. La classification des maladies est différente d'une culture á l'autre. Le "Shaman" a un rôle de "psychanalyste autochtone" faisant appel á des mythes sociaux. C'est quelqu'un de déviant, catalyseur de la communication vers le savoir sacré, interpréte du divin auprés du commun des mortels. L'ethnopsychiatrie se donne pour but de donner un sens culturel á la folie.

La culture est l'ensemble des matériaux dans lesquels nous (individu et société) puisons pour élaborer nos expériences. La nature c'est l'expérience, et la culture c'est l'élaboration de cette expérience. Cette élaboration se fait selon une organisation, une structure, un ensemble de régles et de signifiants propres á chaque ethnie. Ces régles et ces signifiants sont á la fois relatifs et universels (Une ethnie est un groupe qui partage les mêmes signifiants culturels). Une culture donnée imprégne les individus, et ces derniers transforment leur culture. L'individu doit intérioriser la culture du groupe dans lequel il est né, et s'y tailler une place. Le groupe quant á lui, doit l'intégrer en lui donnant l'exercice d'un rôle, d'une fonction, et transmettre sa culture par l'éducation.

L'ethnopsychiatrie peut aussi se définir comme étant l'étude du rapport entre: Un comportement psychopathologique, des services thérapeutiques et les cultures d'origine du patient et de son thérapeute. Une telle analyse doit alors reposer sur une série de postulats concernant la culture et la personnalité. Ces choix de départ guideront la façon dont on définira le champ des questions et des problémes[99]. Por outras palavras, as formas de entendimento do real acabam por ser diferente entre uma cultura e outra, donde natureza é experiência e cultura elaboração dessa experiência. Esta ideia que queria salientar, derivada de três autores para nós importantes. São eles: Alfred Kroeber, Clyde Kluckhohn e Claude Lévi-Strauss, especialmente no seu texto La pensée sauvage[100]. Estes três autores, de forma diferenciada, dão uma pista para entendermos que todo grupo social tem uma forma diferente de classificar os seus e de hierarquizar as formas de pensamento. Lévi - Strauss vai longe na sua forma etnológica de estudar a realidade não para entrar no "pensamento do selvagem", mas nas formas de pensar universais.

Para definir, para nós, o pensamento em estado selvagem antes de entrar ou em contactos com outras culturas ou enquanto se mantém a forma de definir o que citei ao começo: "definir as formas étnicas dos problemas mentais". Note-se que não falo de mente "doente", mas da dimensão étnica, de entender como a cultura contextualiza o pensamento das pessoas de um grupo social. Pelo que, o autor fala de mito, clã, a lógica destas classificações, definidas como correspondentes ao comportamento das categorias, ou formas de classificar as formas de interacção social conforme as actividades desempenhadas pelo indivíduo dentro da sua etnia e grupo social e clãnico. Este entendimento desenvolve as ideias do particular e do universal dentro de uma redescoberta do tempo, que une o geral ao particular, o abstracto ao concreto.

Pelo que na citação referida no parágrafo 2, a cultura é definida como o conjunto dos materiais dentro dos quais nós - indivíduos e sociedade, somos capazes de elaborar as nossas experiências. O indivíduo interioriza a cultura do grupo para se organizar no espaço que lhe é conferido - conforme as suas capacidades e o espaço social dentro do qual nasceu - pelo próprio grupo que impinge a cultura através do sistema educativo[101].

Por outras palavras, a minha intenção com a citação referida e os seus comentários, é ser capaz de entender que temos duas alternativas: ou analisamos comportamentos "modelares de doença" individual por afastamento do agir cultural; ou analisamos a cultura para entender o seu processo estrutural como forma de agir sobre o indivíduo e o seu grupo, no presente e através do tempo histórico. O que me leva a voltar a citar a última parte do 2º parágrafo do texto supracitado: "Estas regras e o seu significado são, ao mesmo tempo, relativas e universais...Uma cultura determinada impregna os indivíduos, enquanto estes a transformam"[102].O indivíduo precisa interiorizar a cultura dentro da qual nasce e organizar um espaço social para ele. Esta frase, para mim, é fundamental para entendermos o meu objecto de pesquisa, que definiria apenas assim: qual a base da dinâmica do comportamento da criança? Pergunta de difícil resposta, não apenas por causa das, já referidas, diferentes culturas impingidas, bem como pelas diferentes escolas que recentemente têm definido, que a criança é um ser traumatizado, como disse ao citar Boris Cyrulnik no encerramento do Capítulo anterior[103].

Bem podia dizer que uma criança é um ser inocente, sem responsabilidade, como define o Código de Direito Civil citado no Capítulo anterior, e o de Direito Canónico[104]. Este Código, com valor legal em Portugal, não define menor, mas por oposição, ao definir maior, ficamos a saber que um menor não tem pleno exercício dos seus direitos: não pode comprar e vender, casar, procriar, viver de forma autónoma, etc.
E é assim que entramos pelas problemáticas das crianças. Os Códigos são espartanos na sua definição. A pessoa que falava no Seminário parece ter razão: a criança é um subentendido. A frase é minha e com amabilidade foi usada, devidamente citada, na exposição referida. Não consigo não repetir: a criança é um subentendido, um subordinado como denominei nas Actas do II Colóquio sobre a Investigação e Ensino das Antropologia em Portugal[105]. A minha teima tem sido sempre a ignorância que o adulto atribui á criança, mas, ao mesmo tempo, como esta criança sabe defender-se da ignorância que o adulto lhe oferece. Ignorância que não é apenas o facto de ser uma entidade despercebida, o que vive dentro de regras e horários que afastam as duas gerações. Se retorno á minha comprida citação, posso apreciar que a cultura do saber universal entrega aos mais novos um papel sem representação dentro do grupo: eis porque os autores citados dizem que se deve "talhar", "construir", um lugar dentro da sua cultura, porque um dia a cultura lhe dará o seu lugar social conforme a aprendizagem que tenha feito do saber, ou, como diz o começo do parágrafo 2, o indivíduo elabora a sua experiência de entre os materiais fornecidos pela cultura. é o caso que tenho observado entre as crianças Picuncheda Villa de Pencahue, Província de Tralca, Chile e analisado em 1998 e 2000 [106]. Toda criança tem como obrigação trabalhar a terra, tomar conta dos animais, ensinar aos mais novos a usar a tecnologia para não se ferirem, satisfazer a libido dos adultos da casa ou visitantes sem se queixar - política que faz parte do comportamento ritual de crescimento dos pequenos e das pequenas. Normalmente, pequenas reservadas para o pai, enquanto os "niños", para os irmãos mais velhos, os irmãos dos pais, etc. Comportamento a ser reproduzido, como fui capaz de observar ao longo de mais de 40 anos, entre grupos diferentes de Picunchede sítios geográficos distantes do Chile. Criança que não tem adulto, é criança mal criada, uma vergonha social, desprezada, não querida, que acaba por procurar um homem na casa dos Homens que para este propósito, existem. Ou, durante certos anos da minha pesquisa, na Casa da Igreja Romana, com o Padre que acabou por fugir com um deles. Como relata Maurice Godelier no seu texto sobre La Production des Grands Hommes na Melanésia, em 1981[107]. Formas rituais de unir em relações reprodutivas os seres humanos no futuro, na idade madura. Esta forma de relação cria uma associação entre quem bebe esperma do outro ou recebe esperma por fellatioe as relações reprodutivas com a mulher mais próxima de quem dá e virá a ser a mãe dos seus filhos - irmã, filha de irmão, parente dentro do grupo clãnico no caso dos Baruya da Nova Guiné ou parente não consanguíneo directo em relação de ascendência - descendência, como entre os Picunche, Huilliche, Aymara, outros.

No entanto, esta forma de entender as relações deve passar antes pelas definições de idade e os conceitos que as pessoas têm ou lhe são atribuídas pelo seu grupo. Se uma introdução á análise das formas culturais de organizar as emoções já significa uma classificação, é preciso entender a classificação dos adultos perante as crianças, ou das crianças. Pensa-se que os mais novos não entendem, pode dizer-se tudo o que se quiser em frente deles por, ou já saberem tudo, ou ficarem com o seu "saber proscrito", como diz Alice Miller[108]. Na sua obra, Miller analisa o saber dos mais novos em diferentes idades, como tinham Feito Freud, Klein, Bion, entre outros e vamos ver mais á frente. No seu livro de 1977[109], a autora - polaca de nascimento, refugiada na Suiça, terapeuta da Infância o Pedopsicóloga estuda a infelicidade da vida infantil dos pais de crianças que ela analisa mais tarde. Estuda especialmente o caso das mães a sofrerem todo o tipo de violência doméstica, como a vida a três do pai - a mãe da criança, a sua amiga por turnos e os comentários que deve ouvir por parte da mulher que se sente abandonado e mora, no entanto, na denominada casa familiar. O começo do texto é dramático na nossa cultura: a mãe e o pai não estão ajudar a "talhar" o lugar social na cultura do mais novo, até o título do primeiro Capítulo define uma relação invertida: é o filho bem dotado que deve ouvir a mãe nos seus prantos, angustias e depressões.

Ora, esses três sentimentos, como Klein diz no seu texto Inveja e Gratidão[110], fazem parte da defesa dos pequenos perante esse falar descontrolado de um adulto cuja epistemologia não entende, ou não são mutuamente entendidas. O título de Miller é El drama del niño dotado y como nos hicimos terapeutas, para estudar em 50 páginas a vida de uma infância reprimida que a criança deve fazer falando de tudo, excepto da verdade e viver de ilusões do que não existe e não é: esse lar calmo, sereno, estudado, sabido, fiel. é o que, ao longo do texto, denomina ilusões de infância, a danificar a vida adulta. Como aconteceu com esses pais, rebentos de pais desleais, dotados com a capacidade de ouvir, para passar a ser o próximo mais novo a ouvir. Determinados pela história dos pais com os seus avós, a infância foge da realidade e esconde a falta de amor na solidão e no abandono infantil, na leitura, no encerramento nos seus aposentos, que passam a ser dele, com a grande proibição de aí entrar todo e qualquer maior que traga as suas tristezas ante uma mente capaz de entender o mundo, excluindo a sua família. Sentimentos materializados em actividades que fazem dele uma criança dotada."La represión del sufrimiento infantil no solo determina la vida del individuo, sino también los tabúes de la sociedad "[111]. A solidão e o abandono infantil são motivos de profundo transtorno das pessoas dotadas: nascem da ausência do prazer e do carinho na infância. Alice Miller apenas estudara vida de Sakespeare, Joan Crawford, Charles Chaplin, Mozart, Beethoven e Einstein, para sabermos a base da sua genialidade. Ou Sartre, Bouvoir, Bourdieu, Godelier...a falta de infâncias douradas....

Típico do caso de Maurice Godelier. A segunda parte do título desta sua primeira grande obra define a ilusão do amor e a ilusão de ser pai…


publicado por Carlos Loures às 07:00
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (18)
(Continuação)

Situado na fissura do Mar Morto entre dois barrancos profundos, em uma área onde atividades tectônicas são freqüentes e a precipitação média anual é muito baixa.

O meio ambiente atual é árduo e difícil para o cultivo; mas foi precisamente o clima árido e a inacessibilidade do local que contribuiu significativamente para preservação de estruturas e de materiais arqueológicos encontrados na região.

Nessa região há aproximadamente 330 dias de sol por ano e praticamente não há precipitações. O ar é tão seco e quente que a água das evaporações é seca imediatamente no ar, criando uma névoa e resultando em um cheiro de enxofre.

Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto.

Em 1947, os primeiros manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do Mar Morto por um jovem beduíno que cuidava de um rebanho de ovelhas. A notícia do achado espalhou-se rapidamente após a venda e aquisição dos primeiros manuscritos. De imediato a comunidade científica interessou-se pelo achado.

Essa Bíblia, denominada das confissões Cristã, são, de facto, base do texto Talmude Judaico , que tem sustento no texto interpretativo denominado Kabala ou Cabala do Alcorão Muçulmano e das várias interpretações da denominada Bíblia Cristã de várias confissões, referidas por mim no dito Prólogo e no texto, do livro citado, com partes do Prólogo citado quase in extenso nesta página deste texto, mas vou acrescentar esta outra parte dessa escrita: “Um dia, o hábito da Sexta-Feira às 5 da tarde, mudou, apenas por esse dia, para uma Sexta-feira de manhã. Tinha aparecido o comentador de Morgan, Marx, Malinowski, de seu nome Maurice Godelier. Director de Estudos da Maison des Sciences de l’Homme, essa casa fundada por Fernand Braudel. Tinha vivido durante três anos com os Baruya da Nova Guiné e trazia imensas ideias para debater, transferir e estruturar. Ideias que, anos depois, aparecem no seu livro La production des Grandes Hommes, de Fayard, 1982. Esse livro que nunca li, por o ter ouvido dia após dia, nos anos seguintes, na casa de Paris, na casa de Cambridge, na casa da Parede, em... até ao dia de hoje” Essa a nossa ligação começou quando Jack, que não tinha aprendido a paciência do seu Mestre Meyer Fortes, que até atirava livros à nossa cabeça ao entrarmos no seu Gabinete para pôr questões de trabalho, esse antigamente enraivecido Jack, hoje o calmo Sir que mora no sul da França, como não tinha tempo para atender ao Maurice e por estar Godelier longe das duas ideias, encomendou-me a mim tratar do seu convidado ao Seminário das Sestas, e disse: “Como parece que vocês se entendem muito bem, o Raúl leva o Maurice a almoçar e entendam-se entre vós, porque já estou farto de vos ouvir!” . Fomos almoçar tarde. O Seminário tinha sido complexo, a maior parte dos membros nunca tinha lido Karl Marx, ainda menos os textos de Maurice e não conseguiam entender o que ele dizia, nem, talvez, queriam, Era crentes evidente para todos, um exilado socialista, por causa de ser materialista na minha análise, ia ter boas relações com M. Godelier. E foi assim. Apenas que Maurice, nesses tempos, era muito informal, combinamos, enquanto folhávamos livros na Livraria Heffers de Cambridge, que devia aparecer na Maison de Sciences de l´Homme, num dia fixo. Lá estive eu, mas Maurice, cheio de outros assuntos, apareceu apenas....três dias depois. E fui para a sua casa, que passou a ser a minha, com Geneviève a sua mulher ainda viva, e os seus filhos Brigitte e Erik, a morarem em casas próprias, como deve ser.

E foi assim que a minha reentrada ao mundo europeu, o combate de ideologias, esse silêncio mantido em Vilatuxe, passou a ser uma voz pública na minha consciência e na fala dos outros.
Com estas ideias esclarecidas, queria passar ao próximo Capítulo. Com os meus agradecimentos ao Maurice que abriu, como Allende para mim, essas Grandes Alamedas para circular livremente como pessoa, sem temor nem, desconfiança. Com ânimo, serenidade e uma certa diligência no meus trabalhos e na minha vida.

Notas:

Retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Qumran e do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Manuscritos+do+Mar+Morto&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=



O Talmude (em hebraico תלמוד, Talmud) é uma obra que compila discussões rabinas sobre leis judaicas, tradições, costumes, lendas e histórias. É um detalhamento e comentário das tradições judaicas a partir das leis compiladas por Moisés na Torá, em geral, e na Mishná, no detalhe.


O Mishná foi redigido pelos mestres chamados Tannaim ("Tanaítas"), termo que deriva da palavra hebraica que significa ensinar ou transmitir uma tradição. Os tanaítas viveram entre o século I e o III d.C. A primeira codificação é atribuída a Rabi Akivá (50–130), e uma segunda, a Rabi Meir (entre 130 e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no actual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria. Saber existente no meu conhecimento, mas, talvez sim, talvez não, nas ideias ou nos saberes do leitor. Achei por bem não apenas comentar, bem como citar a fonte para o leitor saber mais.. Para esse saber mais, pode visitar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Talmude , página web, ou o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Talmude&btnG=Pesquisar&meta=






Cabala (também Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo. Citado no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Cabala&btnG=Pesquisar&meta= , sítio no qual o leitor pode encontrar várias alternativas para o seu saber sobre as ideias que governam às culturas e orientam o comportamento individual. Um crente da Cabala, nunca seria socialista, muito embora Golda Meir o tiver sido, mas, ela não era pessoa de saber místico, era de saber do Talmude e de Ciência Política. Para saber de Golda Meir ou Meyerson, o leitor pode visitar a página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Golda_Meir , ou o sítio net, onde deve encontrar várias alternativas sobre esta Primeira Ministra e fundadora do Estado de Israel, conhecida também por Golda Meier, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Golda+Meir&btnG=Pesquisar&meta= especialmente página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Golda_Meir . Não é apenas por uma sobrevivente admiravel do holocausto ao que os judeus foram submetidos durante a segunda Grande Guerra do Século XX, ao fugir os seus preminitórios pais para os Estados Unidos da América, em Wisconsin, que abandonou ao casar e foi para a Palestina a um kibbutz . Deu-se bem com os judeus palestinianos e foi a principal negociadora em 1946 para fundar o Estado de Israel, ao se entender bem com os palestinianos. Desperta em mim uma imensa admiração essa a sua missão pacificadora, a sua arte de governar e de se entender com Yasser Arafat, cujo estado palestiniano foi invadido ao ser criado nas suas terras, o Estado de Israel. Era este tipo de actividade de ciência política que Allende tinha, mas sem poder para pacificar ao gigante que o matou, o Governo Nixon e colaboradores, narrado en outros capítulos deste texto. Yasser Arafat está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Yasser+Arafat&spell=1 , esse Prpemio Nóbel da Paz, que partilhou com Shimos Peres e Yitzhak Rabin em 1994, é referidoespecificamente na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Yasser_Arafat e diz: Depois da guerra dos seis dias de 1967, Arafat e a Fatah passam a actuar a partir da Jordânia, lançando ataques terroristas em Israel a partir do outro lado da fronteira e regressando à Jordânia antes que os israelenses pudessem reagir.


Em 1968 a Fatah foi um alvo de um ataque israelense à vila jordana de Karameh, no qual 150 guerrilheiros palestinianos e 29 soldados israelenses foram mortos, sobretudo por forças armadas jordanianas. Apesar do falhanço no terreno, a batalha foi considerada pelos árabes como uma montra para a acção da Fatah porque os israelenses se retiraram e o perfil de Arafat e da Fatah cresceram. Nos finais da década de 1960 a Fatah passou a dominar a OLP e em 1969 Arafat foi nomeado presidente da OLP, substituindo Ahmed Shukairy, originalmente nomeado pela Liga Árabe.


Arafat tornou-se chefe do Estado Maior das Forças Revolucionárias Palestinianas dois anos mais tarde e em 1973 o líder político da OLP, ou Organização pela Libertação da Palestinia.


No seguimento da ambição da OLP em transformar a Jordânia num estado palestiniano (com o patrocínio da União Soviética), crescem neste tempo as tensões entre Palestinianos e o Governo da Jordânia, o que culminaria com o sequestro (e subsequente destruição) de quatro aviões pela OLP e na Guerra Civil Jordana de 1970-1971 (em particular com os eventos do Setembro Negro).


Neste conflito, a monarquia jordana, com a ajuda de Israel, derrotou a OLP e a Síria, que se preparava para invadir a Jordânia em apoio da OLP.Para saber mais e entender como foi reconhecido como Presidente dos Paletinianos e da Fundação da República Palestina, pode visitar a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Yasser_Arafat Arafat tinha trás de si todo o que Allende não tinha: a Liga Árabe, o apoio Clinton, Presidente dos EUA e relações cordiáis com os seus invesores, o Estado de Israel, herdado das Relações com Golda Meir, que, apesar do que é dito, foram de reconhecimento da Autoridade Palestiniana no exilio. Para saber os ditos e não ditos, como no caso do Governo de Allende, o leitor avisado pode consultar o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Yasser+Arafat+Rela%C3%A7%C3%B5es+Golda+Meir&btnG=Pesquisar&meta= Entre política genocida contra os membros da OLP e dizer que Arafat “era um Zé ninguèm”, a política mudou de rumo para passar a ser de reconhecimento, já referido, da Autoridade Palestiniana. Comentários meus, após leitura de jornais e saber pessoal. Allende teve a guerra, mas nunca a paz que Arafat conseguia manter com os seus invasores, como está referido no sítio net citado nesta nota de rodapé.










Alcorão é o texto Sagrado dos crentes muçulmanos de vários sítios da terra, orienta não apenas a vida em sociedade, bem como é a base do Direito Criminal e das penas inflictas aos transgessores do que está mandado fazer, ou das omissões do que deve ser realizado. Para saber mais, visitar o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Alcor%C3%A3o&btnG=Pesquisar&meta= No entanto, é possível dizer que para os membros da Religião do Islão, este é um texto ditado pela Divinidade à Mohamed, Século VI da cronologia Cristã, e escrito pela sua filha Fátima. O Alcorão ou Corão (em árabe قُرْآن, al-qur’ān, "a recitação") é o livro sagrado do Islão. Os muçulmanos acreditam que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) ao longo de um período de vinte e dois anos. A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.


Os muçulmanos podem se referir ao Alcorão usando um título que denota respeito, como Al-Karim ("o Nobre") ou Al-Azim ("o Magnífico"). Retirado não apenas do meu saber pessoal, mas dos textos citados na Enciclopédia Net: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcor%C3%A3o É-me impossível não acrescentar dois comentários: o primeiro, que a resistência que os soldados norte-americanos têm normalmente, os assassínios dos mesmos e a nunca reparada guerra do Iraque, advém da crênças muçulmanas Xiitas, Sunitas-Saddam Husseim-e Hadith do Iraque.Saddam é referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Saddam+Hussein+Isl%C3%A3o&spell=1 Um segundo comentário, é que Allende nunca soube tirar proveito do apoio dos cristãos. Saddam Husseim pode ter pasado à História, mas não a sua adessão dos Sunitas, variante dos Xiitas na fé muçulmana. Allende, nada queria saber do que o povo acreditava, muito embora ter sido respeitador da fé cristã, que, bem sabia ele, o apoiava, excepto a força oficial católica, o Conselho de Bispos, por ser Allende Materialista Histórico. Penso que os Bispos estavam a confundir a agua com o azeite. O dever Pastoral tornou a ele ao ver que os declarados católicos da Ditadura, eram assassínios. Mas, acordaram muito tarde! Hoje em dia, é diferente, mas o comentário fica para mais em frente. Tornando ao Islão, é necessario acrescentar que: O islão (português europeu) ou islã (português brasileiro) (do árabe الإسلام, transl. al- islām) é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão. A religião é conhecida ainda por islamismo. É possível comparar estas figuras históricas com o caso Allende, que o leitor deve pensar. Para pensar informado, pode visitar o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Saddam+Hussein+Isl%C3%A3o&spell=1 , que refere o que Allende nunca teve: ambição de riqueza e poder, que foi o fez dos Sunitas, uma perdição por causa de Saddam Hussein, ou a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Isl%C3%A3o Normalmente, os cristãos não entendem este tipo de pensamento do Islão, ao pensar que a Bíblia é o centro do mundo quanto a fé e saber, condenando facilmente aos Sunitas, Xiitas e Hadithas, além das otras vertentes árabes muçulmanas. O problema reside, normalmente, no ansejo das riquezas Sunitas serem para eles. A ideologia religiosa, como previsto por Marx no seu texto O Capital, acaba onde começa a “quimera do ouro”, título de Sir Charles Chaplin, quem bem sabia interpretar a psicologia ocidental. Essa psicologia que, faz poucos dias, causou um debate com rixa, em Harvard, ao não entederem os Ocidentais os rituais muçulmanos, e que diz: Neil MacFarquhar em Cambridge, Massachusetts


“Uma pequena controvérsia a respeito de como a Universidade Harvard pratica a tolerância foi desencadeada por duas questões relativas às crenças muçulmanas - se a chamada para as orações deve soar em Harvard Yard (área gramada da universidade de cerca de 100 mil metros quadrados) e se as mulheres devem contar com um horário exclusivo no ginásio de esportes.


De acordo com os alunos da universidade, debates acalorados irromperam em salas de discussão dos dormitórios, e diversos artigos de opinião no jornal dos estudantes, "The Harvard Crimson", criticaram ambas as práticas.


"Creio que devido ao fato de Harvard ser um campus secular, há um temor por parte de alguns alunos de que crenças ou práticas religiosas possam ser impostas a pessoas que não querem ter nada a ver com essas tradições", diz Jessa Birdsall, uma aluna do segundo ano que diz acreditar que a universidade poderia acomodar as crenças de todos os estudantes”.... Texto completo em: http://www.espiritualidades.com.br/Not_2008/2008_03_25_estudantes_muc_harvard.htm






Na visão muçulmana, o islão surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta dentre inúmeros outros, para diversos povos, sendo o último deles Maomé[1].


Cerca de duzentos anos após Maomé, o islão já se tinha difundido em todo o Médio Oriente, no Norte de África e na Península Ibérica, bem como na direcção da antiga Pérsia e Índia. Mais tarde, o Islão atingiu a Anatólia, os Balcãs e a África subsariana. Recentes movimentos migratórios de populações muçulmanas no sentido da Europa e do continente americano levaram ao aparecimento de comunidades muçulmanas nestes territórios[2].


A mensagem do islão caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadão, pagar dádivas rituais e efectuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.


O islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e temporal é, em teoria, alheia ao islão.






É um dos livros mais lidos e publicados no mundo, sendo que, não é vendido pelos muçulmanos e, sim, dado.






Retirado também do citado Prólogo, pagina 3, parte do 1ªparágrafo


retirado da página 11, parágrafo 1, primeiras linhas, do texto citado, que acaba com agradecimentos para duas pessoas, muito queridas por mim: E, em debate com os meus estudantes de pré - grau, este livro foi nascendo. E a eles é dedicado. Porque me têm ajudado a entender, com etnografia invocada por eles, como a economia deriva de religião. Especialmente as turmas do curso da noite do Departamento de Antropologia do ISCTE de 2000-2001, que me deram ideias, e as de 2001-2002, que me ajudaram a materializá-las. Dentro de este livro.


Há outros que quero mencionar. Isabel Maria Castelo-Branco, a minha discípula, capaz de organizar essa massa de folhas acumuladas em três anos de pesquisa e saber pôr títulos e ideias novas ao meu texto; e João Paulo Rebocho Pinto, pensador profundo, bom para debate. Ambos companheiros de comprida jornada do Verão de 2001, quando escrevi este texto, fixado por eles.” Retirado da pagina 14 do citado Prólogo, derradeiro parágrafo. João Paulo Pinto, como eu o denomino, fixou este texto, finalmente, uma fixação final, especialmente do Prólogo, já nós dois a trabalhar um Domingo 31 de Julho de 2002.João Paulo tem sido, após de ser discente, ele e a sua família, um grande amigo meu, e é uma felicidade para mim lembrar os seus trabalhos comigo neste texto. O livro foi editado e apareceu em Novembro do mesmo ano. Ainda era viva a Directora da Afrontamento, a minha amiga Marcela Torres, que deixou este mundo cedo demais, por causa de doença grave e rápida, essas que não perdoam nem um segundo de vida, um cancro. Uma Marcela Torres de feliz memória, sempre disponível para colaborar comigo. Publicou quatro dos meus vários livro da Editora Afrontamento do Porto.





publicado por Carlos Loures às 15:00
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