Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Esquerda precisa-se!

Carlos Loures

E Em todas as esquinas da cidade
Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes…
dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros

Lembram-se? É assim que começa «A Invenção do Amor», o belo poema de Daniel Filipe. E bem necessário seria que um anúncio solicitando uma verdadeira Esquerda fosse publicá-lo “com carácter de urgência” em todos os jornais, gritá-lo pela rádio, mostrá-lo na televisão, pois existem muitos milhares de cidadãos de esquerda que não se revêem em qualquer das organizações, ditas de esquerda, existentes e que sentem bloqueados, cercados pela direita, pela falsa esquerda e pelo seu ideal de uma esquerda autêntica. Mas, perguntarão, então não existem já numerosos partidos e movimentos de esquerda, dentro e fora do Parlamento?

Depende de como definimos o conceito de esquerda. O poeta francês Jean-Arthur Rimbaud disse que era preciso «mudar a vida». Karl Marx, embora, como Engels, nunca tenha dito ser «de esquerda», afirmou que era indispensável «transformar o mundo». A mudança da vida, isto é, dos valores mercantilistas e da lógica consumista, que regem a sociedade em que vivemos, e a transformação do mundo, ou seja a Revolução que varra as desigualdades, as injustiças sociais, para mim constituem duas excelentes definições do que deve enformar um pensamento de esquerda.



Os partidos da esquerda parlamentar, embora as suas bases programáticas estejam preenchidas com respeitáveis princípios, logo que envolvidos nas questões práticas, depressa esquecem ou ultrapassam esses princípios em nome de um pragmatismo que visa objectivos de curto prazo. Objectivos de curto prazo que são o derrube do governo para os dois partidos de esquerda e a conservação do poder para o partido do governo. O qual, não esqueçamos, também se reivindica dos valores da esquerda.

Compreende-se a urgência de derrubar o governo para uns e de conservar o poder para o outro. O que já não se compreende é que haja acordos, explícitos ou tácitos, com partidos de direita, para uma ou outra coisa. Onde ficam então os tais bonitos princípios anunciados? Teoria e praxis têm de estar em consonância, sem o que ambas perdem a razão de ser. Mudar a vida e transformar o mundo? Nem tal coisa lhes passa pela cabeça. Dos partidos e movimentos da esquerda extra parlamentar dir-se-ia que, na sua maioria, são memórias, reminiscências do período revolucionário e ligados a doutrinários como Trotsky, Enver Hodja, Mao Tse Tung, etc.. Estão fora do contexto histórico, social e político em que vivemos. Não me parece que passe por eles a saída do labirinto, do bloqueio que nos aprisiona.

Porquê? Por que motivo a prática dos partidos, marxistas ou socialistas, obedece a um pragmatismo que atropela princípios básicos daquilo que se entende por política de esquerda? Porque esses princípios muitas vezes não são compatíveis com a ânsia de obtenção de votos e constituem empecilho ao seu funcionamento. Há uma graça antiga que diz .”Se a bebida te prejudica o trabalho, não hesites – deixa de trabalhar!” . Neste caso, dir-se-ia “se os teus objectivos são incompatíveis com teus os princípios, não hesites – esquece os princípios!” .

Quando digo que compreendo a urgência de fazer cair este governo, dito socialista, compreendo mesmo. Estamos bloqueados num lodaçal de corrupção, de clientelismo, de nepotismo, de negociatas obscuras. É preciso sair deste bloqueio. No entanto, quando digo sair, falo mesmo de erradicar todas estas doenças que afectam a nossa democracia. Que a afectam ao ponto de termos de pensar duas vezes antes de continuarmos a designá-la por esse nome. O que estão a fazer, partidos e sindicatos que se opõem ao actual governo não é isso. O que se está a fazer é a desgastar a credibilidade deste governo (embora me pareça difícil desgastar algo que já não existe), e substituí-lo por outro que, com outras pessoas é certo, continuará na mesma senda de desonestidade, desbaratamento do erário público, favorecimentos ilícitos, corrupção desbragada…

Ninguém me venha dizer que com o PSD as coisas vão melhorar. Isso já não seria ingenuidade, nem memória curta. O termo apropriado é outro e não é agradável. Por outro lado, a dar-se essa mudança, enquanto o PSD se afunda em novos escândalos, o PS, na oposição, levanta lebres, ataca, reabilita-se e aí o termos recauchutado nas eleições seguintes. E assim sucessivamente. Não me venham os senhores do Partido Comunista, do Bloco de Esquerda, da Intersindical, dizer que fazer cair o governo é um objectivo primordial, que essa é a principal tarefa da esquerda. A tarefa da esquerda, se existisse, seria a de derrubar este sistema bipartidário, a de romper este círculo vicioso, este circo corrupto e infernal em que encontramos encerrados.

O que é prioritário é lutar pela criação de uma sociedade livre de corrupção e de oportunismo. Lutar contra o PS, claro, mas sem esquecer que o PSD é um gémeo e que substituir um pelo outro é nada mudar. Ambos, têm de ser combatidos em bloco como se fossem um só (e para muitos efeitos, são-no). Quem define como prioritária a queda do PS, visa a perpetuação do sistema. Derrubar Sócrates, sim. Substituí-lo por Pedro Passos Coelho? Para quê?

E mais: começa para muitos a ser evidente (para outros sempre o foi) que esta esquerda faz parte integrante do sistema. De que viveriam políticos e sindicalistas de esquerda se não houvesse partidos «socialistas» e «social-democratas» a fornecer-lhe abundante matéria-prima para a sua actividade? O que seria dos cangalheiros se ninguém morresse? Esquerda precisa-se - a que temos está boa para o Museu da Madame Tussaud.

Para muita gente constituirá um mistério por que motivo, pessoas como eu, com idade para ter juízo, ainda perdem tempo a lutar com moinhos de vento.

Respondo-lhes, em meu nome e dos que como eu não deixam de protestar, mesmo quando, como é o caso, isso parece inútil, com palavras de um poeta, do Egito Gonçalves, nas suas «Notícias do Bloqueio»:

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.
publicado por Carlos Loures às 12:00
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Terça-feira, 27 de Julho de 2010

De cada um, segundo as suas capacidades, a cada um, segundo as suas necessidades!

Carlos Mesquita

Lembro-me de um filme publicitário inglês em que um casal idoso, viajando no seu automóvel, ouve uma canção Punk (em alemão parece-me) e segue o ritmo da música alegremente, abanando o capacete e rindo cúmplices um para o outro; em rodapé passa a legenda, a letra é toda obscenidades. O slogan era qualquer coisa do género, “ não faça figuras tristes, matricule-se na escola de línguas XPTO”. São muitos os exemplos de gafes monumentais do nosso mundo político quando fazem citações para armar em cultos, usando frases de notáveis, a maior parte das vezes fora do contexto, para evidenciar que leram um ou outro teórico, ou simplesmente repetindo expressões que andam por aí, e que nunca usariam se soubessem a sua origem. Recentemente, Aguiar Branco discursando pelo PSD, resolveu transformar a sessão solene das comemorações do 36º aniversário do 25 de Abril, num cómico stand up, citando uma frase de Lenine que podia ter sido escrita por um carteiro dos CTT ou um dirigente de clube de futebol da segunda circular. Satisfeito pelo efeito – gargalhadas da plateia – continuou o número, expelindo uma versão livre de um parecer da revolucionária polaca e fundadora do partido comunista alemão, Rosa Luxemburgo, sobre a liberdade; aqui, ele ou quem lhe escreveu a conversa, teve o cuidado de truncar a frase, pois a expressão completa dita por políticos tão pouco respeitadores da liberdade dos outros, pediria uma barra de sabão azul e branco para lavar a boca. Mas a situação mais bizantina a que assisti ultimamente, foi o novel ideólogo laranja Calvão da Silva, em declarações sobre a proposta de revisão constitucional do PSD, que pretende higienizar a lei fundamental retirando-lhe os marxismos das letras e da pontuação. Disse Calvão da Silva: “É preciso que o Estado seja mais justo e equitativo na distribuição da riqueza, não tratando todos por igual (…) e que se aplique o princípio, a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas possibilidades”. Calvão da Silva, professor universitário e presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, devia saber que estava a citar Karl Marx, e logo a rematar um paleio argumentativo anti-marxista. E não é um Marx qualquer, uma frase encontrada nos perdidos e achados como a citação de Lenine feita por Aguiar Branco, mas um texto fundamental para os marxistas que é a “Crítica ao programa de Gotha”. Calvão da Silva podia ter recuperado o princípio de distribuição para uma sociedade de transição, mas resolveu defender o critério para uma sociedade socialista, aquele que Marx entendia que na “fase superior do comunismo” a “sociedade poderá inscrever nas suas bandeiras: De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades.”

Para os nossos liberais um dia os cidadãos são desiguais entre si, para no outro serem iguais e desiguais ao mesmo tempo, tanto defendem os direitos sociais como a sua não universalização, já professam a satisfação das necessidades quando o socialismo sempre admitiu transitoriamente uma distribuição desigual, no fundo denotam uma grande ignorância sobre a base ideológica da sua família e o limite teórico das correntes políticas. Daí a confusão sobre o papel do Estado, do trabalho, dos factores de correcção social, da equidade ou do igualitarismo. Podiam começar por decidir se querem tratar de forma desigual os desiguais.

Eu ando a traduzir o conceito de que o trabalho é para ser feito segundo as capacidades de cada um; vivo num 2º andar sem elevador, já disse à minha mulher: - A próxima bilha de gás acartas tu que não quero que os vizinhos pensem que somos comunistas, ou pior, que lhes passe pela cabeça que somos do PSD.
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Sondagens para que vos quero...

Luís Moreira

Cavaco Silva aproxima-se dos 60% no que diz respeito a quem vai votar e a 80% nos que acreditam que vai ganhar!

Nas presidenciais parece que o assunto está resolvido, com Manuel Alegre a andar perto dos vinte e tal por cento e Fernando Nobre nos doze por cento.

Nas legislativas o PSD aproxima-se doa 40% e o PS dos 34%.PCP com 9% é a terceira força, BE com 8% e o CDS com 5%. Isto quer dizer que a esquerda ainda se mantem maioritária. Apesar da crise enorme e da má situação o PS ainda vai aos 34%, perdendo cerca de 10% para o PSD, bem como o CDS que perde cerca de 5% para o mesmo PSD.

Claro que perante estes números Passos Coelho capitaliza o que pode, como é o caso da revisão constitucional, que agora toca na regionalização (abandonando a obrigação de uma referendo)deixa cair grande parte das mudanças nos poderes presidenciais, insiste no SNS e na Educação,tornando-as pagas para quem pode e, muda, muito, a economia.

Tirar o Estado da economia é uma obrigação sem o que nunca teremos pequenas e médias empresas com prioridade, serão sempre as empresas públicas e do regime a comer a maior fatia.

Não são mais do que tendências, valem o que valem, mas o ínicio de um novo ciclo, agora com sociais democratas e democratas cristãos,um Estado menos gigantesco e uma sociedade civil mais forte, é o que se formula no horizonte.Por mim, não acredito que num país tão desigual e com tantos pobres o Estado Social seja afectado.Outros caminhos, sim !

PS:

O PSD sob a liderança de Pedro Passos Coelho subiu 13 pontos percentuais em apenas dois meses nas sondagens Bareme para TSF e Diário Económico. A mais recente, divulgada ontem, coloca os sociais-democratas à beira da maioria absoluta e muito longe do PS.
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publicado por Luis Moreira às 19:30
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Domingo, 25 de Julho de 2010

Passos Coelho em Vila Real

Carlos Mesquita


Há festa no distrito para as bandas do PSD, banda mais retrógrada do espectro político português, desde que a actual direcção do partido trocou a matriz social-democrata pelo ultra-liberalismo.

Vai ouvir-se a banda desafinada, com Passos Coelho cantando as justificações para a imposição, pelo PSD, de portagens nas SCUTs do Interior Norte. O líder do PSD vai fazer contas para explicar como os 6.046 veículos diários que agora circulam na A24 vão pagar a auto-estrada, quando há quem diga que a receita nem cobre os custos de investimento e operação de portagens, já afirmava Ferreira Leite na ultima campanha eleitoral que nem valia a pena neste caso cobrar portagens. Vai dizer que haverá descriminação positiva para alguns, escondendo que esses, como todos os outros, vão pagar as portagens quando forem às compras de produtos que viajaram pela auto-estrada. Tudo o que chegar à região sobre rodas vai aumentar de preço, tudo o que sair da região sai mais caro, tornando os produtos transmontanos menos competitivos. Os turistas que visitariam Trás-os-Montes farão contas para escolher entre este e outros destinos. As vias rápidas abertas pelos montes trasmontanos que são o caminho principal para sair do subdesenvolvimento, vão voltar (por iniciativa de Passos Coelho) a ficar tapadas pelo entulho das portagens.

Volta de certa forma o isolamento, económico, irrecuperável. Em vez de Trás-os-Montes ir no encalço das zonas mais evoluídas do país, vai ficando mais atrasada, não alcançando o pelotão, pedalando penosamente junto do carro-vassoura.

Mas não vai faltar festa por causa da realidade, a festa é para esquecer e esconder a realidade.

Passos Coelho precisa de festas, de banhos de convertidos que o façam esquecer a patente falta de ideias para tentar contribuir para a solução dos problemas reais do país, e para esquecer as asneiras políticas com que o PSD tem brindado os portugueses; como as propostas destrambelhadas de revisão constitucional que sabe não poder fazer sem dois terços da assembleia, e sem o acordo do presidente. Aliás, com o desatino das propostas absurdas que tem feito, já tramou a campanha a Cavaco que esperava ir para um segundo mandato em jeito de passeio. O candidato Cavaco, agora vai ter de se pronunciar sobre as alterações propostas por Passos Coelho à lei fundamental que jurou cumprir e fazer cumprir. Antes de Passos Coelho vir, eventualmente, a ser primeiro-ministro, os candidatos a presidentes da República que terão de promulgar as hipotéticas alterações, quando exercerem o cargo, vão dizer se concordam com as alterações sugeridas; Portugueses de primeira e de segunda no acesso à saúde e à educação, desequilíbrio do sistema político, arrasar os direitos sociais e laborais e o resto de disparates com os quais não vale a pena nesta altura gastar tempo. Tudo isso é para encobrir a falta de ideias e soluções e o receio de enfrentar a governação. Passos Coelho tem-se limitado a deixar sugestões de políticas avulsas no ar, lançando barro á parede, que não pegando, se apressa a desdizer. Ninguém sabe o que Passos Coelho quer, nem para quando quer.

Não é tipo com quem se vá à caça, vê uma boa sondagem, acelera; de repente trava, recua, saltita, dá mais uma fugida, volta atrás, pisga-se outra vez, sobe, desce, esconde-se, espreita, desaparece. É uma canseira, e com ele a fazer de coelho é um dia perdido.

Transcrito de Semanário Transmontano
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publicado por Carlos Loures às 16:30
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

PSD - é bom poder optar...



 Luís Moreira


Há quem diga que o PSD apresenta estas propostas encostadas muito à direita, para ter margem de negociação. Na altura de negociar o Orçamento, vai às trocas com o PS, dá cá esta alteração na Constituição que eu dou-te folga no Orçamento. Pode ser, até pode ser que esteja a tirar força ao povo, porque agora quem quer mudar de governo tem que ir para eleições, e se for com o Presidente, a ter essa possibilidade,abre a porta aos arranjinhos de gabinete.

Mas no que diz respeito à Saúde, a coisa é mais séria,há muito quem não entenda que o que está em cima da mesa é a sustentabilidade do Serviço Nacional de saúde.E com um SNS a funcionar como até aqui, não tem futuro, há que salvá-lo. Como? Complementando-o com os privados. Dizem-me que isso seria aceitar uma saúde para os pobres e outra para os ricos. Já há! E sabem porquê? Porque o SNS não se aguenta sendo" universal e tendencialmente gratuíto".

O que está verdadeiramente em equação é haver uma boa saúde gratuíta para quem não pode pagar, essa é que é a questão! Os ricos terão sempre uma boa prestação de cuidados de saúde, se não for aqui no país, é num sítio qualquer, têm dinheiro, vão onde é preciso, o Estado tem é que assegurar que os pobres sejam beneficiados com a prestação de bons cuidados de saúde. E, isso, só é possível, se o Estado tiver meios de equipamento, instalações e humanos do melhor. Não os poderá ter se continuar a querer prestar todos os cuidados médicos a toda a população.

Quanto à Educação, as escolas privadas não deixam de crescer, resultado da inexorável degradação da escola pública, que é pasto de lutas corporativas, experiências pedagógicas votadas ao fracasso e ao arrepio dos verdadeiros interesses dos alunos.É, bem melhor,que o estado tome a iniciativa de promover uma concorrência transparente e deixar as famílias optar.

Defender a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde , bem como o Estado Providência, não é querer que o estado preste serviços universais que são impossíveis de prestar com qualidade é, antes, promover as medidas necessárias para que o Estado assegure os direitos conquistados, mas sem precisar de os prestar na sua totalidade..
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Opinião. Em Chaves não conseguem fazer nada juntos?*

Carlos Mesquita

No último artigo dizia que os partidos PS e PSD só têm servido para dividir os transmontanos. Na mesma edição do Semanário Transmontano lá vem uma trica, entre as “jotas” desses partidos, a justificar a observação. Os jovens estão a deixar-se arrastar para desavenças em que são os principais prejudicados. Não é possível qualquer associação de juventude ser representativa dos jovens dum lugar, se for constituída apenas por membros de um partido, ou controlada por um partido; uma extensão ou sucursal de um partido não é levada a sério pelo resto da população, jovem ou não. Pode servir o ego dos aprendizes de líder e agradar aos adultos mal formados, que promovem o sectarismo, mas não é maneira de crescer de forma equilibrada e serem úteis à comunidade. Em adultos, na vida profissional, todos vão ter de conviver uns com os outros e com as suas diferenças, sejam políticas, religiosas ou outras. Há um espaço que é o das convicções, onde faz sentido organizarem-se conforme os seus ideais, concepções e ideologias, são os partidos, as igrejas, e agremiações semelhantes. Mas há outro campo onde os partidos não fazem falta enquanto partidos, é nas associações que se querem representativas de sectores mais vastos da sociedade como as organizações de Juventude. A juventude é composta de pessoas com e sem partido, de vários partidos e de partido nenhum; as suas causas ultrapassam as conveniências partidárias, existem para além desses interesses.


Se as associações, quaisquer que sejam, evidenciam servir interesses partidários, devem ser financiadas pelos partidos e não com o dinheiro dos contribuintes. Os jovens militantes partidários têm o mesmo direito que os outros, em participar e serem eleitos nas associações da sua condição, mas manda o bom senso, se querem parecer supra partidários ou independentes, única forma de representar todos os jovens, que tenham nas direcções pessoas de vários partidos e sem partido. Acho que essa é a única forma de acabar com o controlo partidário e o sectarismo político a que várias instituições públicas estão sujeitas. Devia ser uma exigência do Instituto Português da Juventude, suportado financeiramente pelo Orçamento de Estado, e um requisito formal da Câmara de Chaves se por lá morasse também algum bom senso.

Vou contar uma história velha de 36 anos; logo após o 25 de Abril toda a gente sentiu necessidade de se organizar em associações ou comissões, trabalhadores nas empresas, moradores nos locais onde viviam e estudantes nas escolas, onde não havia surgiram quase espontaneamente, os dinamizadores foram aqueles que já tinham alguma experiência associativa. Jovem com alguma traquejo como activista participei nessa tarefa na multinacional onde trabalhava, e numa escola industrial de trabalhadores estudantes que frequentava, formada a Associação numa reunião geral com centenas de participantes, tivemos na segunda reunião a presença (sentada) de um controleiro partidário que não era estudante nem tinha sido convidado, que pediu a palavra para dizer que a Associação de Estudantes ia fazer parte duma Inter-Associações. Não foi, não deixei, nem o resto da direcção deixou, nem o plenário deixou. Fui “corrido”, não da Associação, mas das companhias políticas de antes do 25 de Abril, e a Associação de Estudantes ficou independente de qualquer controlo partidário. Na altura não foi uma opção fácil, como hoje não será simples um militante partidário pôr os interesses de toda a juventude duma cidade acima do seu partido, é uma escolha. Representar todos os jovens, defender a autonomia associativa, ser voz de todos, é a função dos verdadeiros dirigentes, a outra opção é ser delegado dum partido para enquadrar pessoas, chefe de seita, a voz do dono.

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*transcrito de Semanário Transmontano
publicado por Carlos Loures às 16:30
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Sábado, 3 de Julho de 2010

Opinião. Pagar a hipocrisia nas SCUT


Carlos Mesquita

Estamos num imbróglio com as portagens das auto-estradas. Comecemos por uma ponta. O desenvolvimento do país tem sido desigual como é reconhecido por todos. Apesar do território continental ser pequeno, regiões inteiras mantiveram-se distanciadas do litoral desenvolvido, e inter-regiões, devido à má qualidade das acessibilidades. Os fundos europeus permitiram encetar a construção de estruturas viárias que começaram por ser atabalhoadas com os IPs do cavaquismo, mas nos governos seguintes melhoraram e fizeram-se obras que ajudaram a fixação das populações. Durante anos eu e outros na imprensa regional fizemos eco da exigência dos habitantes locais, para a construção de estradas capazes de contribuírem para tirar o interior do subdesenvolvimento; a guerra mais prolongada foi decerto a do Jornal do Fundão pela construção do túnel da Gardunha, feito após dezenas de anos de espera, no tempo de Guterres.


Na minha região de Trás-os-Montes, pediu-se durante anos que acabassem o IP3 que começava na Figueira da Foz e nunca mais alcançava, como planeado, Chaves. Veio a ser a auto-estrada A24 que só chega a Viseu, pois há umas inteligências estrábicas que acham que uma estrada entre Coimbra e Viseu é uma paralela à A1 que vai de Lisboa ao Porto. Não me lembro de alguém pedir uma auto-estrada, algo semelhante às vias rápidas de Espanha servia, embora de Vila Real à fronteira fizesse sentido auto-estrada, por ser a principal saída do norte do país para a Europa, viajando pelo Cantábrico (Irun). Feitas as auto-estradas em parcerias público/privadas, sobra agora uma renda anual de 700 milhões. Pensar que isso pode ser pago pelos utilizadores (nas do interior), é não saber usar uma máquina de calcular, portageiros são outro disparate, não há alternativa aos meios electrónicos de pagamento.

As portagens no interior não vão resolver nada, apenas acrescentar mais problemas à economia. Os pagantes serão apenas os turistas, que ficam com mais uma razão para não ir para esses destinos, e os transitários, aos quais já faltou mais para fazerem uma revolta séria. De qualquer maneira quem se vai ressentir será primeiro a economia e vida local, porque as SCUT são um instrumento de correcção das assimetrias regionais, de “coesão social e territorial”, em seguida será toda a economia do país. Todas as matérias-primas todos os produtos transformados, consumíveis e bens de primeira necessidade, andam sobre rodas; sobem os custos de transporte aumenta os preços, inflação em cima das medidas de austeridade.

As SCUT tinham critérios razoáveis para introduzir portagens: 80% do PIB nacional, índice de poder de compra concelhio superior a 90% da média nacional, tempo de percurso em via alternativa não superior a 130% do tempo na SCUT e obviamente, via alternativa.


Aplicar portagens sem que essas condições se verifiquem é retirar competitividade a grande parte do país; isso é que leva à desertificação do interior, não é o fecho de escolas com poucos alunos. Com as SCUT no interior, aplicam-se princípios de equidade nos direitos e oportunidades, que se querem perverter em nome duma falsa igualdade, o “pagam todos”, que mais não é que considerar iguais realidades distintas. Os portugueses gostaram dos fundos estruturais, e da subsidiariedade definida no Tratado da CE, mas não são capazes de os aplicar em casa; estão a ser explorados os sentimentos nacionais mais rascas, a inveja, o egoísmo, a trica de vizinhança, a hipocrisia e a mesquinhez. Voltando o norte contra o sul, cidade contra cidade, região contra região. Perdeu-se o sentido da proporcionalidade e da necessidade. Até o campeão da solidariedade, (já não engana, é mesmo um vulgar populista) Fernando Nobre quer que paguem todos, é justo diz ele, pensando conquistar votos. Vão pagar todos mas não é apenas nas portagens. Sócrates deixa-se arrastar pelo PSD e Passos Coelho já não tem máscara. A emenda ainda é pior que o soneto.

Os 20% mais pobres não se manifestam, os 30% no limiar da pobreza também não, nem as populações isoladas do interior, com os sindicatos a representar privilegiados, resta a economia real, aquela que ainda mexe. Conto com os camionistas para parar tudo. Contra este governo e o próximo.
publicado por Carlos Loures às 11:00
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

Sondagem - a direita vem aí ou é a mesma coisa?



Luís Moreira

PSD - 37% ; CDS -6% ;PS - 32% ; PCP -10%; BE -8%, isto coloca PSD mais CDS à beira da maioria absoluta.Quando o eleitorado se move, vencendo a inércia é para continuar, para além das medidas anti populares e dificuldades que o governo vai ter que enfrentar.

O desgaste do governo é muito sério, estamos numa espécie de limbo, desapareceram,discutem-se as SCUTs o que quer dizer que a factura está a chegar.700 milhões de euros/ano e a partir de 2012, 1 300 milhões/ano, e há três meses o grande desígnio de Sócrates era lançar obras públicas em parcerias público/privadas.

Esta dinâmica é írreversível? Ainda há muitos indecisos mas o descrédito de Sócrates é muito sério, não parece que neste mar de dificuldades que ele teimou em não ver,possa inverter a situação.
publicado por Luis Moreira às 19:30
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Domingo, 20 de Junho de 2010

Coisas breves. Comissão de Inquérito, flop com flic-flac à retaguarda

Carlos Mesquita

Dois meses depois e ouvidas 34 personalidades da política, do meio empresarial e da comunicação social, a montanha nem um rato pariu, nada. Nunca houve caso político PT/TVI. A Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT/TVI transformou-se ela própria no “caso”. Pretendia ser a continuação das audições da Comissão de Ética, versão “séria” investida de mais poderes, diz-se até próximos dos poderes dos tribunais. Viu-se deputados sem toga e com as galochas da política partidária, a fazer de instrutores e julgadores simultaneamente; viram-se períodos do inquérito a raiar o abuso com apartes e juízos sobre o carácter dos inquiridos, e tivemos uma amostra do que é um tribunal político, em que adversários objectivos da luta politica estão: uns investidos da capacidade e autoridade de julgar e outros à defesa. Não se provou que a PT tinha interesses políticos; (escrevi em 2 de Março no Semanário Transmontano - está online - sobre as intenções do negócio) o inquérito indicou que havia razões empresariais para as negociações entre a PT e a TVI. Toda a controvérsia criada parte dum pressuposto que não se verificava, a manipulação política da PT.

A razão para a Comissão de Inquérito passou a ser entendida em vários sectores, como oportunidade para a utilizar no combate partidário perante a perspectiva de eleições, no fundo para desgastar o líder do governo. Só que o contexto político alterou-se; o inquérito ainda ia a meio, já toda a gente tinha percebido que não haveria eleições nos tempos próximos. Daí para cá a tarefa dos promotores do inquérito foi o de salvar a face, ainda por cima o decurso das audições só arrancava convicções e opiniões pessoais, provas, zero. Escrevia no mesmo jornal em Abril, “No Parlamento continua o inquérito para saber a opinião dumas figuras da política e do meio empresarial sobre o que se passa (ou passou) na cabeça do primeiro-ministro. Um diz que não mentiu, a maioria dos partidos inquiridores querem provar que mentiu, juntaram as ditas figuras, à vez, uns dizem que estão convictos que mentiu outros que estão convictos que não mentiu, eu estou convicto que isto é tudo uma estupidez.

Se nada provarem e convicções nada provam, se não se passar do achar assim ou assado, acho que o Parlamento devia dizer quanto custou, em euros, esta sondagem de achamentos.” O próprio relator do inquérito confessa agora em entrevista ao “DN” que está metido numa confusão, diz que “se Sócrates tivesse respondido com clareza, nada disto tinha acontecido”. Mas em política não há como fazer marcha-atrás airosamente, todos sabiam que ou tinham sucesso na acusação e da Comissão de Inquérito saíam consequência para José Sócrates ou quem ficava mal eram os partidos da oposição. Levaram uma semana a formular um relatório que segundo Pedro Passos Coelho, lhe causa “alguma frustração” por “as conclusões não serem suficientemente categóricas”.

Pois, o relatório não prova que Sócrates mentiu, quando muito, dizem, que não disse toda a verdade. Assim, Passos Coelho não mentiu quando prometeu na campanha interna para a liderança do PSD, que apresentaria uma moção de censura, quando muito Passos Coelho não disse toda a verdade. Os outros partidos também estão frustrados por Passos Coelho não apresentar uma moção de censura, porque o relatório que todos aprovaram não diz (porque eles não o escreveram lá) que Sócrates mentiu. O relatório quer embrulhar-nos em papel parvo… papel pardo.

Jogo baixo, salto mortal empranchado, ninguém os tira do chão.
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publicado por Carlos Loures às 09:00
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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Sondagem: alegres e nobres para Cavaco




Luís Moreira


A sondagem do CM dá 54% para Cavaco, 28% para Alegre e um resultado residual para Nobre. Cavaco ganharia à primeira volta, ele que há quatro anos ganhou com 51%. Os 28% de Alegre são o que vale hoje o PS, embora não se confundam pois andarão por aqui os 8% do BE.

A direita agita-se por causa do casamento gay, procura, ou faz que procura, alguem que possa pressionar Cavaco, desde logo a Igreja pela voz do Cardeal de Lisboa e do CDS lançando para a mesa o nome de Bagão Félix.É fogo fátuo, a direita não vai correr o risco de dar a vitória a Alegre como, ao contrário, a esquerda deu a vitória a Cavaco com as suas divisões entre Alegre e Soares.

Quem está Presidente tem grandes vantagens, como mostra o facto de terem sido sempre reeleitos, e numa situação miserável como a que temos pela frente, com um governo descredibilizado e forçado a tomar medidas impopulares, ninguem se atreve a abrir um "melão" novo na Presidência da Republica.Vamos pois ter Cavaco.

Mas Cavaco bem pode começar, como já começou, a usar expressões mais duras como "situação insustentável" que é raríssima no seu discurso, mas que se viu obrigado a usar, num cada vez maior distanciamento do governo e de Sócrates, não vá apanhar com a "peçonha" que de um momento para o outro assaltou o governo.

Se Alegre fizesse o pleno da Esquerda, talvez o máximo que conseguisse fosse obrigar Cavaco a uma segunda volta vexatória, mas nem isso vai conseguir, há muito PS que não lhe perdoa e o PCP vai, como sempre faz, tocar a reunir à volta de um candidato que só serve para isso, para tocar a reunir.

O que esta mais que provável vitória de Cavaco possa meses depois influir nas eleições legislativas é coisa que não se adivinha, mas a direita está próxima de conseguir o velho sonho de Sá Carneiro: um Presidente, uma maioria, um governo!
publicado por Luis Moreira às 11:00
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

Opinião. Cavaco, outro “berdadeiro” independente


Carlos Mesquita


Pronunciei-me sobre Fernando Nobre, hoje toca a vez a Cavaco Silva, o único dos três candidatos (este é oficioso por enquanto) à presidência da República, que foi secretário-geral de um partido, o PSD. Cavaco tem a tarefa de parecer independente facilitada; a campanha que o coloca distanciado do partido a que pertence, tem anos, resmas de artigos de opinião foram escritos com esse fim e são imensos os comentadores e jornalistas que ao longo da carreira política do actual presidente o têm arrumado fora do partido, criaram-lhe essa imagem, é mas não é, apesar de ser não se assume como sendo, está acima, ao lado, ou de costas, para o PSD, conforme as suas conveniências conjunturais. Pode-se duvidar se Cavaco quando líder do PSD era do PSD. No entanto o seu partido, (ou ex-partido) não lhe nega apoios; todas as linhas do PSD, e são mais que as linhas do TGV do tempo de Durão Barroso/Ferreira Leite, concordam em ampará-lo na candidatura ao segundo mandato como presidente. Todas? Não! Como se diria na introdução de mais uma aventura de Astérix. Alguns católicos do PSD juntos com o CDS e a Igreja, e os seus mais leais fiéis, (ou seja, o sector democrata cristão e cristãos pouco democratas) depois da promulgação por Cavaco Silva, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, põem em causa esse apoio. Este novo elemento é decisivo para medir a facilidade de Cavaco em ser ou não reeleito; os cavaquistas desvalorizam a controvérsia, mas o país, diz-se, é maioritariamente católico. Os activistas anti-casamento gay juntaram mais de 200mil assinaturas para pedir um referendo, número semelhante aos dos movimentos anti-aborto.

Responsáveis da Igreja católica e figuras da direita procuram alternativas ao nome do actual presidente, e o CDS já disse que poderia sustentar um nome da sua área como opção a Cavaco Silva. Qualquer que seja a evolução destas iniciativas, a Igreja e também políticos e comentadores conservadores, não deixarão de levar o tema do “casamento gay” para o período da campanha presidencial, não sendo previsível que esses sectores deixem morrer o assunto em nome das contrariedades económicas e financeiras. Cavaco Silva desiludiu quem nele votou, também pelas comodidades oferecidas à governação de Sócrates, e agora para se furtar à discussão vem dizendo que só pensa na crise, em campanha eleitoral vai ter de abandonar esse paleio.


A forma como Portugal vai enfrentar no curto/médio prazo as dificuldades internas e as ameaças exteriores, depende do nível de estabilidade política e da situação social a par da capacidade de aumentar o crescimento. Com governos sem maioria parlamentar e na ausência de acordos partidários consistentes o desempenho do presidente da República será importante, o próximo presidente é fundamental para o rumo da política nacional; de Cavaco já se sabe que se não é presidente que agrade a todos os portugueses, é presidente que encanta os partidos da governação. O que é preciso tentar entender é que Cavaco seria o do segundo mandato, a campanha cavaquista diz que será diferente, os cavaquistas não estão satisfeitos com o desempenho de Cavaco Silva. Há um outro Cavaco? Ou só existe este, inseguro e inconsistente, refugiando-se na posição institucional e nas dificuldades económicas para não ter qualquer papel activo; seria bom nunca vir a saber.

O que é essencial para os portugueses é perceberem porque vão ser sujeitos a medidas severas de austeridade, e que vantagens essa necessidade vai trazer no futuro. De nada serve prometer grandes alterações no panorama político partidário, que não vão acontecer, nem imaginar mudanças radicais na Constituição. Com mais ou menos independência em relação aos partidos políticos o que seria honesto no próximo presidente, é que depois de eleito, a sua actuação não fosse uma surpresa para quem o elegeu. Cavaco Silva parte com a vantagem de agradar a todo o “centrão”, de forma natural ao centro direita e pela prática do actual mandato à direita do PS que governa o partido e o país. Para a direita mais conservadora Cavaco Silva só será seu presidente por inteiro, quando a direita ganhar o parlamento ou houver um governo de iniciativa presidencial.
publicado por Carlos Loures às 09:00
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

IRS - Imposto Revolucionário Socialista

Luís Moreira

O aumento de 1% nos escalões mais baixos e de 1.5% nos escalões mais altos será aplicado a partir de Junho, diz Sócrates. O secretário de Estado da finanças diz que é desde Janeiro, logo o ano todo. Os fiscalistas vieram a correr dizer que a rectroctividade é proíbida.

Se calhar aplicam o aumento a partir de 1 de Junho e depois, no final das contas, aquando da entrega do imposto, acertam tudo, digo eu que já vi o governo há 9 anos dizer que ía criar 150 000 empregos.

O PSD aproveitou para dizer que não senhor o acordo era só a partir de Junho e, agora, que está a ver que a opinião pública já diz " o governo e o PSD" corrige o tiro, engrossa a voz e exige o adiamento do TGV para 2013 . Tarde piaste !

O PCP, como sabe que não tem hipótese nenhuma em deitar abaixo o governo, vai apresentar uma moção de censura, com os votos favoráveis do BE e a abstenção do PSD e do CDS.

Os banqueiros arrasam o governo, dizendo que não há dinheiro, nem eles, bancos, têm dinheiro, por isso o melhor mesmo é deixar cair os megainvestimentos e aproveitar o pouco crédito que podem conceder para as PMEs. E, quando digo banqueiros, digo Ricardo Espirito Santo, Fernando Ulrich , Santos Ferreira...

O único, qual tontinho, que ainda não viu que está no meio duma tempestade é o "estadista" !
publicado por Luis Moreira às 11:30
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

A síndrome de Estocolmo



Carlos Loures

Todos já ouviram falar desta patologia que, basicamente, consiste na disfunção psicológica que leva um sequestrado a identificar-se com o sequestrador. A designação deriva de um facto ocorrido em Estocolmo no ano de 1973 – durante um assalto a um banco, os reféns, sequestrados durante seis dias, mostraram-se, depois de libertos, solidários com os assaltantes mesmo durante o processo judicial. A solidariedade da vítima para com o seu captor nasce com pequenos gestos de urbanidade do sequestrador para com o sequestrado e cimenta-se durante o processo de libertação por parte das autoridades policiais, em que o sequestrado se identifica com o assaltante no receio de ser vitimado durante a luta.

Uma visão lúcida da realidade é difícil e as pequenas atenções dos bandidos transformam-se, na memória da vítima, em rasgos de bondade. Por outro lado, os sequestrados têm tendência em ser dóceis com os captores, procurando uma fuga a represálias. Uma estratégia de sobrevivência, digamos que dá lugar a uma bela amizade.

A evolução da síndrome é subconsciente, a vítima não tem consciência da progressão do trauma. Por outro lado, esta não afecta todas as vítimas em cativeiro, alguns defendem-se desenvolvendo um ódio, porventura exagerado (mas saudável), aos captores. A síndrome, de espectro abrangente, tipifica também o afecto que muitas mulheres vítimas de violência nutrem pelos maridos agressores.


Em grupos alargados, lugares e transportes públicos, ouve-se, desde que os governos são eleitos democraticamente em Portugal, protestos contra a forma como somos governados. Ninguém parece apoiar o partido que está no poder – fervem as anedotas, os boatos, as acusações… Foi sempre para mim um mistério como é que situações de descontentamento generalizado dão lugar a vitórias, por vezes rotundas, dos partidos que estão por detrás dos governos tão duramente criticados. Outro aspecto interessante da chamada psicologia de massas é, pessoas que votam em partidos de direita e que às vezes até se mostram saudosas da ditadura, quando os seus interesses pessoais são de alguma maneira afectados, invocarem «as conquistas de Abril».

Mas esta é uma questão anedótica e marginal. O mistério que gostava de ver esclarecido é como é que partidos que já se viu como governam continuarem a ter a maioria dos votos dos eleitores. Então surge uma explicação – a síndrome de Estocolmo – reféns do neo-liberalismo, nós os eleitores, cativos do círculo vicioso, ciclo e circo fantasioso, que faz alternar um dos dois partidos no poder – ganhámos afecto aos captores, somos seduzidos pelos pequenos gestos amáveis que travestem a violência de impostos e de medidas lesivas do nosso bem-estar.

Quando faço a pergunta directamente a votantes no PS ou no PSD, as pessoas encolhem os ombros e respondem - «é que os outros não dão garantias de poder governar». Talvez seja verdade. PCP e Bloco de Esquerda talvez até nem fossem capazes de governar e permanecer fiéis aos seus princípios. Talvez se «pragmatizassem». Porém, os dois compadres do bloco central deram já amplas garantias de não conseguirem governar na acepção nobre do termo. Porque «governar-se», perdoe-se-me o chulismo, eles conseguem sempre.

Sofremos colectivamente da síndrome de Estocolmo.

Só essa explicação pode justificar que continuemos a eleger e a confiar em quem faz de nós e dos nossos votos passadeira para satisfazer ambições pessoais, enriquecer o currículo e beneficiar interesses dos grandes empresários, ponte para negociatas obscuras…

Não, não somos nem masoquistas nem tão estúpidos como parecemos; estamos é afectados pela síndrome de Estocolmo.

Isto explica tudo, não acham?.
publicado por Carlos Loures às 09:16
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