Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Cronologia da Guerra Colonial - 1963 (1) - por José Brandão


1963

 

JANEIRO

?

Termina a secessão da província do Catanga, liderada por Moisés Tschombé e apoiada pelo Governo português.

5

Governo regulamenta as condições de trabalho suplementar dos trabalhadores indígenas.

9

O MPLA anuncia a abertura de uma frente de guerrilha em Cabinda.

17

D. n.° 44857. Permite a isenção de direitos e mais imposições a cobrar no despacho aduaneiro, com excepção do imposto do selo, na importação de aparelhos radioemissores e receptores, quando se destinem a propriedades agrícolas ou industriais que necessitem de tais meios de comunicação.

18

Debate pelo Governo português de um projecto de Lei Orgânica do Ultramar.

19

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 395.

21

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 322.

23

- Início da luta armada na Guiné nas frentes de sul e de leste, com um ataque ao quartel de Tite pelo PAIGC, a partir de bases na Guiné-Conacri.

- Primeiras baixas na Guiné: soldados Fernando Cristiano Vilares Pereira da CCaç 153 e Veríssimo Godinho Ramos do BCaç 237.

25

Morre em combate em Angola 1 militar do BCav 399.

26

- D. L. n.° 44 864 Fixa os vencimentos dos militares do Exército, da Armada e da Força Aérea em serviço nas Forças Armadas das Províncias Ultramarinas.

- Inicia-se a publicação de O Tempo e o Modo, revista de pensamento e crítica, cujo proprietário e director é António Alçada Baptista. O primeiro número inclui três artigos de fundo da autoria de Alçada Baptista, Mário Soares e Jorge Sampaio.

- Henrique Galvão publica em Tribuna de Portugal o artigo “Por que Salazar não renuncia?”.

- Morrem em combate em Angola 2 militares. Um soldado da CCaç 195 e um fuzileiro do DFE 3.

27

Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 152. Um furriel e uma praça.

29

Morrem em combate em Angola 7 militares. Quatro são da CCaç 390, um da CCaç 327 e um da CCaç 1732.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 21 mortos. Em acções de combate morreram 16 militares.

 

FEVEREIRO

?

- Expulsão dos portugueses residentes na Serra Leoa e proibição de importação de mercadorias portuguesas, por causa da política colonial de Portugal.

- Organização, pelo Comité Político da FLN da Argélia, do Dia de Angola, como apoio à independência.

3

Criação do Centro de Instrução 25 (CI 25) para instrução de Comandos, na Quibala Norte, Angola.

4

- Início da III Conferência de Solidariedade Afro-Asiática na Tanganica, presidida por Julius Nyerere, em que foi pedido o boicote económico e diplomático contra Portugal.

- Considera com direito ao uso da medalha comemorativa das campanhas das Forças Armadas portuguesas todos os militares ou equiparados, da metrópole ou do Ultramar, que, a partir de 15 de Março de 1961, tenham pertencido às forças de terra, mar e ar em actuação no Norte da província de Angola na zona definida pelo respectivo comando.

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 170.

- Chegada do Destacamento de Fuzileiros Especiais 4 (DFE 4) a Angola, instalando-se em Santo António do Zaire,

6

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 274.

9

Governo estabelece salários base e salários complementares para os diversos escalões de trabalhadores africanos (1.ª, 2. ª e 3. ª classes).

13

Despacho ministerial. Estabelece preceitos a observar no funcionamento dos diferentes cursos realizados na Academia Militar, para que possa ser antecipada temporariamente a sua conclusão.

15

Morre em combate em Angola um alferes da CCav 295.

18

- Despacho ministerial. Determina que os serviços de centralização e coordenação de informação das Províncias Ultramarinas sirvam simultaneamente os governadores-gerais e os comandantes-chefes das Forças Armadas.

- Henrique Galvão escreve, na Tribuna de Portugal, dois artigos: “Actividades anti portuguesas” e “Somos cem”.

21

Encontro de Salazar com dois enviados do presidente Youlou, do Congo-Brazzaville, que se propõe mediar uma solução para o problema angolano.

22

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 189.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 11 mortos. Em acções de combate morreram 5 militares.

 

MARÇO

?

Reuniões da Comissão de Descolonização da ONU, atribuindo prioridade aos territórios sob administração portuguesa.

1

- Morre em combate na Guiné 1 militar do PelCaç 871.

- O governo publica um conjunto de decretos com vista à formação de um mercado único português.

5

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 297.

6

Morre em combate em Angola 1 militar do GACNL.

7

Morre em combate em Angola 1 militar do do BCaç 317.

9

O PAIGC anuncia a captura e posterior fuzilamento de um capitão português acusado da «chacina de civis».

10

Declaração de Amílcar Cabral em Paris sobre a disponibilidade de o PAIGC suspender a luta, se Portugal quisesse solucionar pacificamente o problema colonial.

12

- Partem para Angola os BCaç 441 e 442.

- Deserção do tenente-piloto aviador português Jacinto Veloso, que aterrou com o seu avião na Tanzânia.

13

Contestação do Governo português à competência da Comissão de Descolonização da ONU para decidir sobre os territórios ultramarinos de Portugal.

14

Morre em combate na Guiné o capitão António Machado Carmo da CCav 252.

15

- Aníbal São José Lopes assume a direcção da PIDE em Angola.

- Comemoração pela UPA, em Leopoldville, do segundo aniversário do início das hostilidades em Angola.

19

Captura, por guerrilheiros do PAIGC, dos navios Mirandela e Arouca perto de Cacine, que mais tarde utilizou para transporte de pessoal e material na Guiné-Conacri.

21

- Morre em combate na Guiné 1 militar do PelMort 17.

- Demissão de dez oficiais superiores, em consequência do inquérito sobre os acontecimentos da Índia.

26

Morre em combate na Guiné 1 militar do PelCaç 860.

28

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 375.

31

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 26 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.

publicado por estrolabio às 18:00

editado por Luis Moreira às 18:09
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

Cronologia da Guerra Colonial - 1962 (4) - por José Brandão

 

OUTUBRO

?

- É enviada para Moçambique a Companhia de Fuzileiros Navais nº 2 que fica baseada em Lourenço Marques, enquanto um pelotão era destacado para Metangula, no Niassa.

- Franco Nogueira é recebido por John Kennedy.

1

Morre em combate 1 militar da CCaç 187.

5

Morre em combate 1 militar da CCaç 128.

7

Início da operação “Quero Saber”, em Angola, que se prolongou até dia 24, realizada por Pelotão de Reconhecimento de Infantaria.

9

- Dec. 44620. Cria em Lisboa o instituto de Estudos Sociais, destinado à investigação e ensino dos princípios informadores da política social no domínio do trabalho, da organização corporativa e da previdência.

- Portaria 19425. Cria no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos o Centro de Estudos Missionários, com o fim de, em colaboração com a Junta de Investigações do Ultramar, estimular e promover o estudo dos fenómenos missionários.

10

A revista alemã Der Spiegel publica um artigo sobre a NATO em que critica o Exército alemão (os escritórios da redacção são ocupados pela Polícia a 16 de Outubro). Três redactores do jornal foram acusados de alta traição.

16

- O ministro da Presidência, Correia de Oliveira, trava conversações em Bona sobre o estatuto de Portugal face à CEE.

- Cessar-fogo no Congo.

17

Morrem em combate 2 militares da CCaç 368.

20

Num Despacho, Salazar declara que “os Serviços de Censura dependem exclusivamente da Presidência do Conselho e não recebem ordens de qualquer outro departamento de Estado.”

22

- John Kennedy denuncia na televisão a instalação de bases de mísseis soviéticos em Cuba.

- Morrem em combate 3 militares do BCav 350. Um alferes e dois soldados.

23

Morrem em combate 5 militares da 5ª CCaç.

24

Os EUA iniciam o bloqueio a Cuba.

26

Kruchtchev propõe a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba contra a retirada dos mísseis americanos da Turquia; Kennedy rejeita esta proposta.

28

Referendo francês a favor da eleição directa do presidente da República.

30

A Assembleia-Geral da ONU rejeita a proposta da URSS de admissão da China Popular.

31

- A Assembleia-Geral da ONU pede à Inglaterra que suspenda a entrada em vigor da nova Constituição da Rodésia do Sul (apesar disso a Constituição entra em vigor a 1 de Novembro).

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 18 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

 

NOVEMBRO

2

- O presidente Kennedy anuncia que a URSS iniciou o desmantelamento das bases de mísseis em Cuba.

- Julius Nyerere é eleito presidente do Tanganhica.

5

- Port. N.° 19480. Cria na Junta de investigações do Ultramar a Missão Organizadora do Museu do Ultramar, com o fim de recolher, estudar e catalogar todo o material e documentação que deva ser reunido no Museu do Ultramar.

- F. J. Strauss é demitido do cargo de ministro da Defesa da Alemanha Ocidental devido ao caso da revista Der Spiegel.

7

D. n.° 44672. Aprova o Plano Rodoviário do Arquipélago de Cabo Verde.

9

Morre em combate 1 militar da CCav 122.

12

D. n.° 44680. Cria as estações Loran NATO de Sagres, de Porto Santo, de Santa Maria e das Flores e define as condições da sua manutenção e funcionamento.

15

- Carta de Viriato da Cruz aos elementos do MPLA, manifestando-se contra Agostinho Neto.

- Cinco militares da CCav 351 morrem num acidente.

16

Morre em combate 1 militar da CCaç 327.

17

Morrem em combate 5 militares da CCaç 189.

20

A URSS aceita retirar os bombardeiros Ilyushin de Cuba e os EUA anunciam o fim do bloqueio a este país.

22

Morre em combate 1 militar da CCav 351.

23

Depoimento de Eduardo Mondlane, em nome da FRELIMO, perante o Comité Especial da ONU para os territórios administrados por Portugal.

24

Port.° n.° 19521. Determina que o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos passe a designar-se Instituto de Ciências Sociais e Política Ultramarina.

26

Morre em combate 1 militar da CCaç 189.

30

- U Thant é eleito secretário-geral das Nações Unidas.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 9 militares.

 

DEZEMBRO

?

Declarações de David Mabunda, secretário-geral da FRELIMO, no Cairo, segundo as quais seria inevitável nova guerra, como em Angola, se Portugal não tomasse medidas imediatas para garantir a autodeterminação de Moçambique.

1

Início do I Congresso do MPLA em Leopoldville, com Agostinho Neto na presidência e Mário de Andrade na vice-presidência.

3

Parte para Angola o BCaç 381.

4

- Remodelação ministerial, com a entrada de Manuel Gomes de Araújo para ministro da Defesa, de Luz Cunha para ministro do Exército, de Peixoto Correia para o Ultramar e de Francisco Chagas para secretário de Estado da Aeronáutica.
- Salazar tem um discurso sobre “Defesa de Angola, Defesa da Europa”.

5

- Morrem em combate 3 militares. Um sargento do BCav 350 e dois cabos do BEng 234.

- Partem para Angola o BArt 400 e o BCav 399.

6

Morrem em combate 4 militares da CCaç 368. Um alferes e três soldados.

12

Aprovação de uma moção na ONU recomendando um programa especial de assistência técnica para educação e treino de dirigentes nacionalistas dos territórios sob administração portuguesa.

13

Apresentação de Amílcar Cabral na Comissão de Curadorias da ONU como representante do PAIGC.

14

Resolução da Assembleia-Geral da ONU sobre Angola, condenando a atitude de Portugal, pedindo o reconhecimento imediato do direito dos povos não autónomos à autodeterminação e independência e a cessação imediata de todos os actos de repressão.

17

- Início da Operação “Roda-Viva” na região de Quibaco. Morre em combate um furriel da CCaç 327.

18

- Operação “Roda-Viva”. Morrem em combate mais 4 militares da CCaç 327.

- Resolução da Assembleia-Geral da ONU, reafirmando o inalienável direito do povo de Angola à autodeterminação e independência, condenando a guerra colonial conduzida por Portugal e requerendo ao Conselho de Segurança as medidas adequadas.

19

Início da Conferência das Forças Antifascistas Portuguesas, que funda a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN).

24

- Uma coluna de reabastecimentos da CArt 106 foi emboscada na estrada Quitexe-Aldeia Viçosa, a 2 Km do Quitexe. Ficou ferido o comandante da coluna, um alferes miliciano.

- Morre em combate 1 militar do BCaç 3.

28

Depoimento de Holden Roberto, líder da UPA, perante a comissão especial da ONU.

29

Morre em combate um furriel da CCaç 390.

31

- Em 1962 embarcaram para Angola treze Companhias de Caçadores Especiais, cinco para Moçambique e uma para a Guiné.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 326.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 31 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

- Os efectivos das tropas portuguesas no final do ano são 44 925 militares em Angola, 5070 na Guiné e 11 852 em Moçambique, tendo sofrido durante o ano 232 mortos em Angola sendo 126 em combate.
As despesas com as Forças Armadas representaram 42,7 por cento das despesas públicas.

publicado por estrolabio às 18:00

editado por Carlos Loures às 16:47
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Cronologia da Guerra Colonial- 1962 (2) - por José Brandão

 

ABRIL

?

Em Abril, através do Decreto-Lei nº44 278, os “crimes de imprensa” passam a ser julgados nos tribunais plenários.

5

- Formação do GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio) pela FNLA, em Leopoldeville.

- Através de nota oficiosa, o Ministério da Educação Nacional proíbe de novo as comemorações do Dia do Estudante.

- Marcelo Caetano pede a exoneração do cargo de Reitor da Universidade Clássica de Lisboa, no que é acompanhado por alguns directores de Faculdades da Universidade Clássica.

6

- Os estudantes de Lisboa decretam de novo o luto académico, o mesmo acontecendo em Coimbra.

- Toma posse o novo director da PIDE: Fernando Eduardo da Silva Pais.

7

- É criada a 1ª Companhia de Fuzileiros. As Companhias de Fuzileiros (CF) com um efectivo de 140 homens, podiam destacar parte da sua força, e dispunham de certos meios logísticos como secretaria, serviço de saúde, de rancho, tendo o restante apoio sido prestado pelos Comandos Territoriais da Armada ou de outros a que foram atribuídos. Competia essencialmente às CF’s assegurar a defesa de instalações navais em terra e embarcações mercantes nos portos e no meio aquático, desempenhar o serviço de polícia naval, policiar cursos de águas costeiras ou interiores e participar em acções de desembarque e particularmente em acções de cobertura de reembarques.

- Concentração de estudantes no Estádio Universitário, seguida de manifestação até ao Campo de Santana. A Polícia de Choque intervém.

9

O Senado da Universidade de Coimbra instaura processos disciplinares à Direcção da Associação Académica de Coimbra, devido à aprovação de uma moção em Assembleia Magna, pedindo a demissão do Reitor.

8

Manifestação em Aljustrel contra a prisão de 15 pessoas acusadas de actos subversivos. A GNR mata António Adângio e Francisco Madeira, ferindo outras pessoas.

10

É suspenso o luto académico. O ministro de Estado Correia de Oliveira recebe uma delegação de dirigentes estudantis.

12

- Remodelação ministerial, com Gomes de Araújo a substituir Salazar na Defesa Nacional, Joaquim da Luz Cunha a substituir Mário Silva no Exército e Peixoto Correia a substituir Adriano Moreira no Ultramar.

- Dada a inutilidade das diligências efectuadas pelos dirigentes estudantis, o plenário realizado no Estádio Universitário decide retomar o luto académico.

13

Em nota oficiosa, o Ministério da Educação Nacional anuncia que “(…) pelos meios legais vão ser suspensas as direcções das Associações de Estudantes legalmente constituídas e interditas as actividades de todas as organizações de estudantes que actuam à margem da lei”.

17

Continuação da agitação estudantil em diversas universidades portuguesas.

20

Operação “Santo Huberto” , em duas fases, intervindo três Companhias de Caçadores e os Pára-quedistas, realizada nas matas da região de Pete e com intervenção da Força Aérea. Foram evacuados sete militares de helicóptero.

25

Morrem em combate 8 militares da CCav 253. Um alferes, dois furriéis e cinco praças.

27

Aprovação do Código do Trabalho Rural para o Ultramar.

28

Parte para Angola o BCaç 357.

29

Em Angola, no itinerário Quipedro-Luanda, entre Quixico e Nambuangongo, em consequência de um ataque IN, é atingido um alferes dum pelotão de reconhecimento de Infantaria.

30

- O jornal brasileiro O Estado de São Paulo publica dois artigos de Henrique Galvão, intitulados “Conceitos de Direita e Esquerda” e “O nosso anticomunismo”.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 19 mortos. Em acções de combate morreram 8 militares.

 

MAIO

1

Repressão de manifestações de rua em Lisboa com palavras de ordem contra a guerra colonial. Estêvão Giro, militante comunista, é morto a tiro e há numerosos feridos. Também no Porto, Almada, Barreiro, Alcácer do Sal, ocorrem manifestações. No Ribatejo e no Alto Alentejo há paralisações de trabalho.

2

Morre em combate 1 militar do BCaç 261.

4

Entrevista de Salazar à revista Life.

8

Milhares de pessoas voltam a manifestar-se nas ruas de Lisboa, contra o regime, comemorando a derrota do nazismo.

9

No plenário que decorre no Estádio Universitário é decretado o luto académico total, com ausência a aulas, provas de frequência e exames finais.

10

- A crise académica estende-se a Coimbra.

- A sede da AAC (Associação Académica de Coimbra) é encerrada após o assalto por uma força policial.

11

- Devido a acidente morre em Angola o tenente Joaquim Fazendas Barreiros do BCaç 96.

- A Polícia de Choque toma posições na Cidade Universitária e força a saída dos estudantes do edifício da Cantina. Os estudantes são presos e levados em carros da polícia para a Parede, Caxias e Governo Civil de Lisboa.

12

O Ministério da Educação Nacional decide o adiamento do jogo de futebol entre a AAC e o Beira-Mar, na perspectiva da falta de comparência da equipa coimbrã.

13

Morre em combate 1 militar do COP 3.

14

D. L. n.° 44 348. Autoriza o Grémio Nacional dos Editores e Livreiros a alargar o seu âmbito territorial às Províncias Ultramarinas, nos termos da legislação vigente na metrópole.

19

- O Governo cria um fundo especial para pagamento de «serviços extra» ao pessoal da PIDE em Moçambique.

- A Polícia de Choque reprime violentamente uma manifestação de estudantes universitários em Coimbra, assalta de novo a sede da AAC e prende um número elevado de estudantes.

- É divulgado um documento de apoio aos dirigentes associativos suspensos. António Ramos Rosa, Augusto Abelaira, Augusto Costa Dias, Baptista-Bastos, Egipto Gonçalves, Fernando Namora, Francisco Sousa Tavares, Ilse Losa, João Gaspar Simões, José Cardoso Pires, Carlos de Oliveira, José Saramago, José Régio, Luísa Dacosta, Luís Francisco Rebelo, Luís Stau Monteiro, Maria Teresa Horta, Mário Sacramento, Orlando da Costa, Raul Rego, Sofia de Melo Breyner, Urbano Tavares Rodrigues, são alguns dos subscritores.

21

D. L. n. º 44 356. Determina que seja gratuita ou beneficie de redução a admissão e instrução ou internamento em todos os estabelecimentos de Ensino do Estado dos filhos dos indivíduos falecidos, mutilados, estropiados ou por qualquer forma incapacitados ao serviço da Pátria.

22

Chegada a Lisboa dos primeiros prisioneiros portugueses da Índia, a bordo do navio Vera Cruz.

23

- Morrem em combate 2 militares da CCaç 129.

- É definido o Plano "Centauro Grande", da Região Militar de Angola, o qual referencia o Conceito Estratégico Operacional terrestre a adoptar.

26

Promovida pelas Associações de Estudantes realiza-se uma homenagem ao Prof. Lindley Cintra e a todos os docentes que desde o início do processo apoiaram os estudantes.

27

Morre em combate 1 militar da CCaç 323.

28

- Nas comemorações do 28 de Maio Salazar fala sobre a "Unidade das Forças Armadas e a Consciência Nacional".

- É preso Eurico de Figueiredo, presidente da CPA (Comissão Pró-Associação) de Medicina. No dia 24 fora preso José Bernardino, dirigente da Associação de Estudantes do IST (Instituto Superior Técnico).

31

- A Sul do Tejo, os trabalhadores rurais lutam pelo horário de oito horas diárias, reivindicação que se alarga a agitação social mais intensa: greves, recontros com forças da ordem, prisões, espancamentos.

- Morre em combate um sargento da CCaç 111.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 17 mortos. Em acções de combate morreram 6 militares.

 

JUNHO

?

- Apresentação, por Amílcar Cabral, perante a Comissão da ONU para os territórios administrados por Portugal, de um relatório intitulado «O Nosso Povo, o Governo Português e a ONU».
- Chega a Luanda a Companhia de Fuzileiros Navais nº 1.

- Agostinho Neto é eleito presidente do MPLA, durante a 1ª Conferência Nacional do Movimento, em Leopoldville.

1

- Morre em combate 1 militar da CCav 295.

4

- A Polícia volta a invadir a Cidade Universitária, reprimindo os estudantes. Lindley Cintra, docente da Faculdade de Letras, é agredido até perder a consciência.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 318.

5

Morre em combate 1 militar da CCaç 318.

6

- Primeira mina utilizada pelos movimentos de libertação contra as forças portuguesas, era antipessoal, e foi implantada na estrada Zala-Vila Pimpa, no Norte de Angola.

- Chegada do Destacamento de Fuzileiros Especiais 2 à Guiné, por via aérea.

9

Oliveira Salazar concede uma entrevista à publicação norte-americana US News and World Report.

10

Morre em combate 1 militar da CCav 297.

12

- Primeira mina anticarro contra as forças portuguesas, na pista da povoação do Bembe, em Angola.

- Morre em combate 1 militar do PelMort 14.

20

Morrem em combate 5 militares da CCaç 285.

23

- Em Angola, na região de Quixico, o IN ataca a CCaç 159, de que resulta a morte de um alferes.

- Um caça-bombardeiro F-84 Thunderjet da Força Aérea despenha-se em acção no Vale do Loge, em Angola.

25

- Fundação da FRELIMO, pela fusão de três movimentos de libertação (UDENAMO, MANU e UNAMI). Eduardo Mondlane é eleito presidente. Mondlane terminara os estudos superiores nos Estados Unidos da América, onde se doutorou na Universidade de Harvard. Exerceu a função de professor universitário, nas áreas de História e Antropologia, e trabalhou para as Nações Unidas, o que lhe proporcionou o regresso a África.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 269.

- Criação do Centro de Instrução em Zemba, Angola, (CI 21) para formar as primeiras unidades de comandos.

27

- O secretário de Estado norte-americano, Dean Rusk, visita Lisboa para conversações com o Governo.

- Manifestação de estudantes no Campo de Santana, que a Polícia dispersa. Os estudantes reivindicam a libertação de Eurico de Figueiredo, que será libertado em inícios de Julho.

29

- Um despacho ministerial exclui, por 30 meses, de todas as Escolas de Lisboa, vinte e um dos oitenta e seis grevistas da fome.

- Em Coimbra, 34 estudantes, 5 dos quais membros da direcção da AAC, são alvo de penas que vão desde 6 meses e expulsão da Universidade até 2 anos de exclusão da frequência das aulas em todas as escolas do País.

- Tribuna de Portugal insere o documento de Henrique Galvão “O Problema ultramarino: colonialismo e anticomunismo”.

30

Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 15 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

publicado por estrolabio às 18:00

editado por Carlos Loures às 09:29
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Cronologia da Guerra Colonial - 1961 (4) - por José Brandão

 

 

 

 

OUTUBRO

?

- Por determinação do comando-geral das forças armadas, é proibido aos militares dizerem que há guerra em Angola. “Há apenas acções militares para manter a segurança pública.”

- Chega a Angola o BCaç 248.

2

- Marcado o dia 22 de Novembro do ano corrente para a eleição geral dos deputados à AN – Assembleia Nacional.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 164.

3

As tropas portuguesas retomaram Caiongo, o derradeiro posto em poder dos rebeldes. Em menos de 4 meses as Forças Armadas Portuguesas haviam reocupado toda a região afectada. Durante quase 6 meses os guerrilheiros da UPA, sob a coordenação de João Baptista Traves Pereira, ex-Alferes do exército colonial português, ocuparam uma área geográfica cuja extensão era 4 vezes maior do que Portugal.

5

Manifestações em Lisboa e Alpiarça, que originam várias detenções.

7

Discurso de Venâncio Deslandes, a dar por findas as operações militares no Norte de Angola, passando-se à fase das operações de polícia: “(...) Se a guerra se pudesse compartimentar em fases perfeitamente distintas, diríamos que teriam assim terminado as operações propriamente ditas e estaria iniciada a fase sequente de operações de polícia, embora ainda em grande parte no âmbito militar.”

8

No Norte de Angola actuam já 25 batalhões de caçadores, num total de 98 companhias operacionais com efectivos de 16.000 homens e cinco baterias de artilharia de campanha.

10

Morrem em combate 2 militares. Um da CCaç 89 e um da CArt 118.

11

Morre em combate 1 militar da CCaç 168.

12

- Partida para Angola da imagem de Nossa Senhora de Fátima, depois de uma cerimónia em que estiveram presentes o cardeal Cerejeira e o chefe de Estado.

- Morre num acidente o tenente-coronel Fernando Lamelino do BCaç 159.

13

Carta aberta de Amílcar Cabral ao Governo português, reclamando a independência da Guiné e de Cabo Verde, ao mesmo tempo que a cooperação dos respectivos povos com o Governo português.

14

Morre num acidente o tenente da Força Aérea António Dias.

18

- Cerimónia da entrega das insígnias aos primeiros fuzileiros navais, no Alfeite, destinados a Angola.

Logo após os inícios das ocorrências em Angola constatou-se que a Marinha necessitava de unidades especialmente treinadas para operar em terra em acções contra guerrilha. Assim foram criadas a nova classe de sargentos e praças – a dos Fuzileiros e as respectivas unidades operacionais: Batalhões, Companhias e Pelotões de Fuzileiros e Destacamentos de Fuzileiros Especiais.

- Morre em combate 1 militar do DInt 209.

20

Morre em combate 1 militar da CCaç 111.

21

- Partem para Angola os BCaç 317, 321 e 325.

- Início de um colóquio internacional, promovido pela União Indiana, sobre as colónias portuguesas.

23

O Diploma Legislativo Ministerial n.° 54 do Ministro do Ultramar, de 23 de Outubro de 1961, conferiu a possibilidade de, em tempo de guerra ou de emergência, as milícias serem constituídas num Corpo de Voluntários, na dependência do Governador-Geral.

27

- Manifestações exigindo a demissão de Salazar e o fim da guerra.
- Constitui-se na Venezuela o Movimento Democrático de Libertação de Portugal e Suas Colónias.

- Álvaro Cunhal critica o Partido Comunista Chinês no decurso do XXII Congresso do Partido Comunista da União Soviética.

31

- Entrega ao presidente da República de uma carta pelos candidatos da oposição, a exigir a substituição do Governo.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 21 mortos. Em acções de combate morreram 6 militares.

 

NOVEMBRO

?

- Forças da ONU intervêm no Catanga para pôr fim à secessão.
- Recomposição do Comité Executivo da UPA, com Alexandre Taty, vice-presidente, e Jonas Savimbi, secretário-geral.

3

As forças portuguesas iniciam a Operação “Gazela” que tem como missão genérica neutralizar um bando inimigo assinalado na região do Vale do Loge.

5

O Governo define as bases para a «unidade económica da Nação».

6

Manifestação do Exército de apoio ao Governo, na sequência da carta da oposição de 31 de Outubro.

8

D. L. n° 44017. Cria a representação de Portugal junto da organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

10

- Desastre de aviação do Chitado, em que morreu o general Silva Freire, comandante da Região Militar de Angola, e mais 14 militares do Exército a da Força Aérea. Entre os quais o brigadeiro José da Silva Correia, quatro tenentes-coronéis, dois majores, dois capitães, um tenente, um alferes, dois sargentos e um cabo.

- Tomada, em pleno voo, de um avião da TAP, da linha Casablanca-Lisboa, que sobrevoa a capital, o Barreiro, Beja e Faro, lançando milhares de panfletos. Do comando de seis pessoas fazem parte Palma Inácio, Camilo Mortágua, Maria Helena Vidal, Fernando Vasconcelos, José Martins e Amândio Silva.

11

Em Almada, durante confrontos com forças policiais no decurso de manifestações, é morto a tiro pela GNR Cândido Martins Capilé, militante do PCP.

12

- Eleições para a Assembleia Nacional tendo a oposição concorrido em oito círculos, mas desistindo.
- O adido militar da Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa visita Angola.

13

Condenação por 90 votos contra 3, pela Comissão de Tutela da ONU, da política colonial portuguesa.

14

- Partida do primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais (DFE 1) para Angola. Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais (DFE), inicialmente com um efectivo de 75 elementos e posteriormente com 80, estavam vocacionados para acções essencialmente ofensivas de limitada duração e de restrita profundidade a partir da orla ribeirinha.
- Abandono por Portugal de uma sessão da 4ª Comissão da ONU, em protesto pela audição de dois dirigentes do Movimento de Libertação da Guiné a Cabo Verde.

- Morre em combate 1 militar da CArt 102.

18

Início de uma acção de limpeza sobre a região de Quindaca, em Angola, no itinerário Nova Caipemba-Colonato. Intervieram duas Companhias de Caçadores com o apoio da Força Aérea.

19

Morre em combate 1 militar do BCaç 261.

22

Alteração do sistema tributário português, para fazer face às despesas de guerra.

23

Operação “Ventarola”, que se prolongou até dia 2 de Dezembro, no sector a norte e a sul do rio Bengo, no sector compreendido entre Lambrele-Matari e Caxia (Angola). Uma praça morta e uma ferida gravemente.

24

Parte para Angola o BCav 345.

27

Anúncio, pelo governador-geral de Angola, de «nova actividade terrorista» no Norte do Território.

28

- Morrem em combate 2 militares. Um furriel da CCaç 89 e um cabo da CArt 102.

- Em Angola inicia-se a operação “Lagarto”, acção executada na sequência de acções psicológicas levadas a cabo tendo em vista a recuperação parcial dos elementos refugiados nas matas.

29

Seis militares da CCav 121 morrem num acidente em Angola.

30

Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 35 mortos. Em acções de combate morreram oficialmente 4 militares.

 

DEZEMBRO

?

- Embarcaram para Angola, em 1961, seis Companhias de Caçadores Especiais cujos comandantes receberam instrução no CIOE – Centro de Instrução de Operações Especiais. Os instrutores do CIOE eram oficiais e sargentos com formação obtida além fronteiras e conhecedores das envolventes da luta anti-guerrilha, com passagem prolongada por centros de instrução e treinos conjuntos com forças estrangeiras nomeadamente nos Estados Unidos, em França e na Argélia.

- Acordo entre Mário de Andrade, líder do MPLA, e Humberto Delgado, para a formação de uma Frente Unida contra o regime português.

- O Bispo de Luanda, D. Moisés, afirma em Carta Pastoral apoiar “as aspirações justas e legítimas dos negros” e bate se pela libertação do padre Joaquim Pinto de Andrade, preso pela PIDE.

2

- Expulsão de Portugal de quatro missionários norte-americanos, acusados de apoio aos movimentos angolanos.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 63.

4

Um grupo de militantes comunistas – Francisco Miguel, José Magro, Costa Carvalho, António Gervásio, Domingos Abrantes, Ilídio Esteves e Rolando Verdial – evadem-se da prisão de Caxias, utilizando o automóvel blindado que estivera ao serviço de Oliveira Salazar.

9

- A Índia concentra tropas junto à fronteira de Goa.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 190.

12

Evacuação de mulheres e crianças de Goa.

13

Morre em combate 1 militar da 3ªCCaç/RINL

14

- Determinação de Salazar sobre a Índia: «Apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». Salazar ordena a sua defesa a qualquer preço.

- Portugal dispunha neste local de um total de cerca de 3.500 homens, mal armados, contra uma força que, no mínimo, integrava 45.000 soldados indianos, com apoio aéreo e marítimo.

- Início da operação “Marlene” em Angola, executada por duas Companhias de Caçadores, tendo o IN atacado Quissalávoa, e reagido defensivamente ao longo do itinerário Aldeia Viçosa-Cólua-Quissalávoa-Quipedro, especialmente nas regiões de Zeia Tema, Quicas e Quissalávoa.

16

- Intimação do Governo da União Indiana para a evacuação dos territórios de Goa, Damão e Diu.
- Veto da União Soviética a um projecto de resolução do Conselho de Segurança da ONU, a condenar a União Indiana pela ameaça militar contra Goa, apresentado pelos Estados Unidos, França a Turquia.

17

Início da operação militar que leva à ocupação de Goa, Damão e Diu por parte da União Indiana.

19

- Apresentação da rendição das tropas portuguesas ao comando indiano, contrariando as ordens de Salazar. Nos combates morreram 25 militares portugueses. Os restantes foram feitos prisioneiros. Salazar deixou-os ficar prisioneiros largos meses. Quando regressaram, demitiu os oficiais do quadro a partir da patente de capitão.

- Instituição pela Assembleia-Geral da ONU de um Comité Especial para os Territórios Administrados por Portugal (Comité dos Sete), a convidar os estados membros a recusar qualquer ajuda ou assistência utilizável contra as populações dos territórios coloniais.

- Uma brigada de agentes da PIDE assassina numa rua de Alcântara, o escultor José Dias Coelho, militante e funcionário clandestino do PCP.

25

Dois militares da CArt 118 morrem em combate.

28

Mais 2 militares da CArt 118 morrem em combate.

30

- Discussão de Salazar com alguns ministros sobre a hipótese de abandono da ONU por Portugal.

- Humberto Delgado entra clandestinamente em Portugal, passa por Lisboa e dirige-se a Beja, para comandar a revolta que deverá eclodir a partir do Regimento de Infantaria 3.

31

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 15 mortos. Em acções de combate morreram 7 militares.

- No final do ano Portugal tem 33 477 efectivos militares em Angola, 4 736 na Guiné e 11 209 em Moçambique, tendo as tropas portuguesas sofrido oficialmente um total de 240 mortos em Angola sendo 151 em combate.
A percentagem das despesas com as Forças Armadas representou 38,6 por cento das despesas públicas.

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Cronologia - 1962 (1)

1962

 

JANEIRO

1

- Ataque ao quartel de Beja, levado a cabo por Varela Gomes, Pedroso Marques, Brissos de Carvalho, Manuel Serra, Edmundo Pedro e outros, no âmbito de um movimento militar que não teve êxito. Durante a noite e madrugada decorrem as operações da revolta, que se frustra. É morto o subsecretário de Estado do Exército, Filipe da Fonseca, e o capitão Varela Gomes é ferido e aprisionado. Nos dias seguintes são feitas dezenas de prisões em vários pontos do país, os oficiais das Forças Armadas envolvidos são imediatamente demitidos. Humberto Delgado abandona de novo Portugal.

- Constituição, em Dar-es-Salam, do Comité de Unificação dos Movimentos Nacionalistas de Moçambique.
- A Assembleia-Geral da ONU aprova uma resolução reafirmando o direito do povo angolano à independência.
- Formação, em Argel, da Resistência Republicana Socialista.

- Morrem em combate 2 militares da CCaç 103.

2

Morrem em combate 2 alferes da CArt 118 e da CCaç 103.

3

- Discurso de Oliveira Salazar na AN (“Invasão e ocupação de Goa pela União Indiana”). Devido ao facto do Chefe do Governo não poder falar, é Mário de Figueiredo, presidente da Assembleia, quem lê a alocução.

- Estabelecimento, em Lisboa, de um governo do Estado da Índia.

6

Morre em combate 1 militar da CCaç 285.

9

- Acordo comercial entre a URSS e Cuba.

- Morre em combate 1 militar do BCaç 3.

10

Norma de Segurança a observar na publicação, radiodifusão ou televisão, de notícias, crónicas, reportagens, fotografias e filmes relativos à acção das Forças Armadas no Ultramar.

12

Partem para Angola o BCav 350 e o BArt 346.

13

Morre em combate 1 militar da CCav 253.

15

Portugal abandona a Assembleia-Geral da ONU, em virtude do debate sobre Angola.

21

Morre em combate 1 militar da 12ª CCaç.

25

Os chefes de Estado africanos do grupo de Monróvia (Libéria, Togo, Nigéria e Camarões) assinam a Carta de Lagos com vista a uma cooperação pan-africana.

26

Morre em combate 1 militar da CCaç 194.

27

Acordo entre Portugal e a União Indiana para o repatriamento de mais de três mil prisioneiros.

30

Resolução da Assembleia-Geral da ONU, reprovando a repressão e acção armada desencadeada por Portugal contra o povo angolano, reafirmando o direito deste à autodeterminação e independência.

31

- Manifestação no Porto com gritos de ordem contra guerra colonial, o que acontece pela primeira vez.

- O Boletim da Frente Antitotalitária dos Portugueses Livres Exilados divulga o Manifesto da Frente, com as principais linhas de acção e os pontos capitais do seu programa.

- O governo decretou a criação do Instituto do Trabalho, Previdência e Assistência Social em Angola.

- Morrem em combate o tenente pára-quedista Luís Ramos Labiscat da Silva e um cabo da CCaç 142.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 16 mortos. Em acções de combate morreram 11 militares.

 

FEVEREIRO

?

Criação da Missão de Estudos Económicos do Ultramar.

1

Morrem em combate 4 militares. Dois são da CCaç 103, um da CCaç 142 e um da CCaç 89.

2

- Operação “Sofia Bela” realizada pelas forças portuguesas, efectuando reconhecimentos aéreos e missões preliminares de reconhecimentos ofensivos, a fim de se efectuar uma acção sobre um quartel IN de Quilenge. Interveio uma Companhia de Caçadores e a Força Aérea.

- Marcelo Caetano preconiza uma modificação constitucional com vista a transformar o Estado unitário em Estado Federal.

3

Dirigentes das Associações de Estudantes de todo o País, reunidos na Associação de Estudantes do ISCEF, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, decidem a criação provisória do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses e a realização, nos dias 9 a 11 de Março, do I Encontro Nacional de Estudantes.

5

Morre em combate um alferes da CCaç 270.

9

- Parte para Angola o BEng 234.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 138.

10

D. L. n.° 44 184. Autoriza o ministro do Exército a mandar admitir à Academia Militar, a título excepcional e por uma só vez, para futuro ingresso nos quadros permanentes das armas, oficiais milicianos e estabelece as respectivas condições.

13

1ª fase da Operação “Pé Leve”, até dia 16, na região de Quicabo, no sector entre Birila e Quipasso (Angola).

14

Morrem em combate 2 militares. Um da CCaç 63 e um da CCaç 270.

15

D. n.° 44 189. Cria, nas províncias ultramarinas de Angola e Moçambique, delegações da Comissão de Coordenação de Telecomunicações do Departamento da Defesa Nacional.

16

- Morre em combate um furriel da CSap 235.

- D. L. n.° 44 190, que reformula a divisão territorial do Exército.

17

- 2ª fase da Operação “Pé Leve”, até dia 25, na região de Sasso – Quiesserongo, no sector entre Nambuangongo e Ambriz.

- Movimentos por aumentos de salários de trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, Transportes Públicos, Seguros.

21

Morrem em combate 2 militares. Um do BCaç 280 e um do PelCanh 10.

24

Parte para Angola o BTm 361.

28

- Morre em combate um sargento pára-quedista do BCP 21.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 17 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

 

MARÇO

?

- Abertura de negociações entre Portugal e a África do Sul sobre um projecto de aproveitamento do rio Cunene.
- Constituição, por intelectuais portugueses naturais ou residentes em Angola, da Frente Unida Angolana (FUA), de apoio ao MPLA.
- O ELNA (Exército de Libertação Nacional de Angola), dispunha de um estado-maior, instalado no Congo-Leo, sendo seu primeiro chefe Marcos Kassanga, que foi afastado por alta traição.

- Num reconhecimento aéreo à região Quindaca-Inga-Banza Quina, Angola, o avião é atingido, sem consequências.

2

- Criação de uma organização de voluntários de carácter permanente (OPVDC) em cada um dos territórios coloniais.
- Operação “Feitiço Branco” (até dia 6), na região do Bengo, no sector entre Cassoneca – Barraca – Maria Teresa e o rio Bengo (Angola).

5

Início em Angola da operação “Bela Luísa”, realizada em duas fases, no Inga e nas matas de Lombe e Quindaca, em que intervieram duas Companhias de Caçadores e uma Bateria de Artilharia.

9

Morre em combate 1 militar da CCaç 129.

12

Início das emissões da Rádio Portugal Livre, rgão de informação do PCP, a partir da Argélia.

13

- Prisão, em Bissau, pela PIDE, dos dirigentes do PAIGC, Rafael Barbosa e Fernando Fortes.
- Carta do Comité dos Sete da ONU ao Governo português solicitando informação sobre as condições de uma visita do Comité aos territórios sob administração portuguesa.

15

Morre em combate 1 militar da CCav 295.

18

Deslocação a Lisboa do governador-geral de Moçambique, almirante Sarmento Rodrigues, por causa de actividades secessionistas de colonos da Beira.

23

Resposta do Governo português à carta do Comité dos Sete da ONU recusando a visita do Comité aos territórios sobre administração portuguesa.

24

- Proibição, pelo Governo, das celebrações do Dia do Estudante, abrindo-se a crise académica.

- A Policia de Choque, comandada pelo capitão Horta Veiga, invade a Cidade Universitária e carrega sobre os estudantes.

- Morre em combate 1 militar da CCav 296.

25

- Em nota oficiosa divulgada através do SNI – Secretariado Nacional de Informação, o Governo justifica a proibição do Dia do Estudante afirmando que”(…) elementos de acção declaradamente subversiva tentaram desviar das actividades escolares alguns estudantes universitários, liceais e até das escolas do Magistério Primário e colégios particulares com o pretexto de reuniões, colóquios e convívios a efectuar em Lisboa, nos dias 24, 25 e 26 (…)”.

- Em plenário realizado no Estádio Universitário é declarado o luto académico com ausência às aulas.

26

Também em Coimbra é decretado o luto académico em sinal de protesto contra a proibição do Dia do Estudante.

27

- Constituição da FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola, a partir da UPA e do PDA.

- Após uma reunião entre representantes de estudantes de Direito e Medicina e o Ministro da Educação Nacional, é decidido interromper o luto académico, dado que as comemorações do Dia do Estudante são marcadas para os dias 7 e 8 de Abril.

- O Presidente do Conselho concede uma entrevista a II Borghose: “Colóquio com Salazar”,

31

Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 11 mortos. Em acções de combate morreram 3 militares.

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editado por Carlos Loures às 09:52
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Cronologia da Guerra Colonial 1961 (3) - por José Brandão

 

JULHO

?

- Operações do Exército e Força Aérea na serra da Canda, para reabertura da chamada «estrada do café».

- A Força Aérea é reforçada, em Angola, com caças-bomardeiros F-84G. Tal como com os PV-2, os F-84G são empregues na zona dos Dembos, utilizando bombas de napalm e metralhadoras.
- É inaugurada, por Américo Tomás, uma exposição cujo lema é «Por que nos batemos em África».

2

Morre em combate 1 militar do BCaç 109.

3

O ministro da Defesa da África do Sul, J. Fouché, visita Lisboa para conversações com Salazar.

7

Comunicado das Forças Armadas sobre as actividades dos meses de Maio e Junho, no Norte de Angola.

10

- Morrem em combate 2 militares da CCaç 62 e da CCaç 110.

- Início da Operação “Viriato”, em que intervieram os Batalhões de Caçadores 96 e 114 e o Esquadrão de Cavalaria 149, por três eixos de ataque convergentes sobre o objectivo, Nambuangongo, sendo apoiados por meios de artilharia, engenharia e pela Força Aérea.

11

Morre em combate 1 militar da CCaç 105.

12

- Termina em Leopoldville, sem qualquer acordo, uma ronda de conversações para a criação de uma Frente Comum de organizações nacionalistas angolanas.
- Inicia-se em Dakar a Conferência das Organizações Nacionalistas da Guiné e Cabo Verde.

13

Morre em combate 1 militar da CCaç 111.

14

- Difusão de Novas Directivas Gerais de Censura que exigem atenção especial aos títulos e subtítulos referentes a acontecimentos militares do Ultramar.
- Operação “Raio” (de 14 a 17), no sector compreendido entre a Fazenda Américo e Barraca a sul do rio Bengo (Angola).

- Morre em combate 1 militar da CCaç 128.

15

Morrem em combate 8 militares. Dois da CCaç 103 e seis da CCaç 115 em Quicabo durante Operação “Viriato”.

18

- Partem para Angola os BCaç 184, 185 e 186.

- Início da operação de cerco a Nambuangongo, ocupada pelos rebeldes desde o início da sublevação em Angola.

19

Morre em combate 1 militar da CSap 123.

20

Morre em combate 1 militar da CSap 123.

24

Morre em combate 1 militar da CCaç 142.

25

Morre em combate 1 militar da CCaç 103.

26

- Início da Operação “Pedra Verde”, que se prolongou até dia 31.

- Reconhecimento armado às matas da Quibaba (Angola), de que resultou a morte de duas praças da CCaç 63.

27

- D. L. n.° 43 823. Regula a concessão dos abonos a que têm direito os militares e civis militarizados que, nas Províncias Ultramarinas, façam parte de forças com a missão de restabelecer a ordem nas zonas onde a acção terrorista ponha em perigo as condições normais de existência da população.

- Morre em combate 1 militar da CSap 123.

28

Morrem em combate 3 militares. Dois do RIL (Regimento de Infantaria de Luanda) e um da CCaç 63.

29

Morrem em combate 2 militares. Um do RIL e um da BCaç 1.

31

Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 32 mortos. Em acções de combate morreram 24 militares.

 

AGOSTO

1

O ministro do Exército visita Cabinda e Luanda.

3

Morrem em combate 2 militares. Um sargento da CCav 147 e um soldado da CCav 107.

4

- Ocupação de Zala e Quicunzo pelas forças portuguesas, que progridem para Nambuangongo.
- É morto o soba de uma sanzala na zona de Catete-Cassoneca (Angola), tendo avançado para lá um pelotão de caçadores, visto o IN [Inimigo] tentar pela força persuadir a população nativa da região a abandonar as sanzalas e segui-lo. Morre em combate 1 militar da CCaç 168.

6

Numa acção para recuperar material abandonado a norte de Cassoneca, onde na noite anterior as forças portuguesas sofreram uma emboscada, há a registar a morte de uma praça e de um oficial subalterno da Polícia Militar o tenente Jorge Manuel Cabeleira Filipe.

7

- Declaração do Ministro do Exército à emissora oficial de Angola, onde afirma que aos «terroristas» se colocava apenas um dilema: «Rendição incondicional ou aniquilamento total».

- Morrem em combate 4 militares. Três da CCaç 116 e um da CCaç 105.

8

Morrem em combate 2 militares. Um cabo do BCaç 96 e um soldado do BCaç 158.

9

- Morrem em combate 2 militares da CCaç 89.

- As forças portuguesas do tenente-coronel Maçanita reocupam Nambuangongo, principal reduto da UPA, após cerca de cinco meses de ocupação pelos rebeldes e de que resultaram pelo menos 21 mortos e 61 feridos entre forças portuguesas.

10

- O Movimento Nacional Feminino passa a ter constituição jurídica, com estatutos aprovados.

- Morre em combate 1 militar do BCaç 137.

11

Primeira operação militar com lançamento de Pára-quedistas, efectuado sobre a região de Quipedro, em Angola. A 1ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas saltou a partir de aviões C-54 Skymaster.

12

- Partem para Angola os BCaç 261, 262 e 279.

- Reocupação de Madimba (São Salvador – Angola), pela 8ª CCE do RI 11, de que resultou 1 militar morto.

- Morrem em combate 3 militares. Um furriel da CCaç 82, um soldado da CCaç 81 e um soldado da CCaç 105.

15

Morrem em combate 3 militares. Um soldado pára-quedista do BCP 21, um do BCaç 1 e um da CCaç 127.

16

Morrem em combate 2 militares da CCaç 116.

17

Primeira utilização operacional dos aviões caças-bombardeiros F-84, a partir da base Aérea de Luanda.

19

- Morre em combate 1 militar da CCaç 115.

- Parte para Angola o BCaç 280.

22

Morrem em combate 4 militares. Dois da CCaç 164, um da CCaç 140 e um do BCaç 137.

24

- Início de uma operação conjunta, com aviação, Pára-quedistas e forças terrestres, na serra de Canda (Angola).

- Morre em combate 1 militar da CCaç 83.

25

Morre em combate um pára-quedista do BCP 21.

28

Adriano Moreira, ministro do Ultramar, abole o estatuto do indigenato.

29

Morrem em combate 3 militares. Um sargento da CCav 149 e duas praças do BCaç 261 e da CCav 122.

30

Morre em combate 1 militar do BCaç 141.

31

- Morre em combate 1 militar da CCav 149.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 39 mortos. Em acções de combate morreram 33 militares.

 

SETEMBRO

1

Início da I Conferência Plenária dos Países Não Alinhados em Belgrado apela à ajuda internacional do povo angolano para que constitua sem demora um estado livre e independente.

2

Morre em combate 1 militar da CCaç 164.

5

Morrem em combate 3 militares do BCaç 158.

6

- Revogação do Estatuto dos Indígenas.
- Operação “Fava” executada pelas forças portuguesas que ocupam o Colonato do Vale do Loge, em Angola, tendo sido capturados 4 elementos, sendo um deles o secretário da UPA, Pedro Tumissungo Cardoso.
- O Conselho de Segurança da ONU aprova uma moção contra Portugal.

8

Morrem em combate 3 militares. Dois são da CCaç 117, um do BCaç 184.

9

Criação do Serviço Militar Postal (SPM).

10

Início da operação militar que conduz à reocupação da “Pedra Verde”.

12

Morrem em combate 2 militares da CCaç 112 e CCaç 268.

13

Morre em combate 1 militar do BCaç 109.

14

Morrem em combate 2 militares da CCaç 89 e CCaç 268.

15

- Início da Operação “Sacandica” no Norte de Angola.

- Morrem em combate 3 militares. Dois da CCaç 115 e um da CCaç 268.

16

- Depois de várias tentativas do Exército e Forças especiais, especialmente Caçadores, sofrendo mortos e feridos, é tomada a “Pedra Verde”, de grande importância estratégica entre Luanda e Carmona, no decurso da reocupação militar do Norte de Angola.
- Desordem entre pára-quedistas e elementos da polícia em Luanda e que ficou conhecido como «Incidente da Versalhes».

19

Parte para Angola o BCaç 230.

22

Operação “Miguel”, realizada pelas forças portuguesas em Angola, que consiste na limpeza da mata que domina grande parte do Rio Loge e o itinerário para Nova Caipemba, tendo ficado feridos sete militares.

23

Morre em combate um sargento da CCaç 195.

25

Morre em combate 1 militar da CCaç 270.

26

Numa batida na margem esquerda do Rio Loge, com a missão de atingir Sanda, um Pelotão de Caçadores e duas Esquadras de Morteiros, sofrem uma emboscada, de que resultou a morte de um furriel da CCaç 167 e de um soldado da CCaç 192 e de mais cinco feridos.

27

- Encerramento da estrada Carmona-Negaje, devido a novas acções militares dos guerrilheiros da UPA.

- Numa fase inicial os guerrilheiros estavam mal equipados, sendo que as armas de que dispunham passavam por “catanas” bem afiadas, lanças, zagaias, flechas, algumas espingardas e carabinas (habitualmente roubadas a fazendeiros brancos) e “canhangulos” (espingardas artesanais  compostas por uma coronha de madeira e um cano de ferro comprido – por vezes tubos de canalização, que eram carregadas pela boca com pólvora e projecteis vários) usados tipicamente para caça pelos nativos – ao usarem como projecteis pedaços de metal e sucata (parafusos, restos de ferramentas partidas, etc.) o efeito destruidor desta arma a curta distância era apreciável e temido, provocando ferimentos dilacerantes de grande gravidade.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 165.

29

Morrem em combate um alferes e duas praças da CCaç 117.

30

- Transferência da sede do MPLA de Conacri para Leopoldville.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 27 mortos. Em acções de combate morreram 23 militares.

publicado por estrolabio às 18:00

editado por Carlos Loures em 07/01/2011 às 21:07
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Uma Cronologia da Guerra Colonial - 3 - por José Brandão

ABRIL

?

- Chegada a Angola da 2ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas.

- Chegam a Angola a 8ª e a 10ª CCE.

- Os ataques a fazendas e povoações continuam durante o mês de Abril e os reduzidos meios militares movimentam-se sem descanso, tentando salvar as populações mais ameaçadas.

- Os fazendeiros do Norte de Angola, atacados pela UPA, são ajudados por um grupo de civis de Luanda proprietários de pequenos aviões – que formaram a Esquadrilha de Voluntários do Ar (EVA). Descolavam da capital e levavam aos colonos sitiados mantimentos, medicamentos e armas. Regressavam a Luanda com refugiados. A Esquadrilha de Voluntários do Ar (EVA) foi fundada, em Angola, por Rui de Freitas, Carlos Monteiro, Afonso Vicente Raposo, Carlos Mendes, Jaime Lopes, Rui Manaças, Mário Dias e Pereira Caldas. Cada um fez centenas de horas de voo – em socorro dos colonos do Norte. Voavam muitas vezes em condições difíceis e aterravam nas picadas lamacentas.

1

Decreto da organização da Defesa Civil do Território, com criação nas colónias de uma comissão de coordenação de defesa civil.

2

Emboscada em Cólua, a uma coluna militar da 7ª CCE, sendo mortos 9 militares, dos quais dois oficiais: capitão Abílio Castelo da Silva e tenente Jofre Prazeres.

5

- São emboscadas, nos Dembos, em Angola, duas patrulhas militares.

- Os guerrilheiros da UPA emboscavam as tropas e, por vezes, atacavam em hordas, às centenas: enfrentavam as balas de peito aberto, armados de catanas, paus e canhangulos, alguns aos gritos de “bala não mata”. Os militares estavam mal armados: dispunham de poucas armas automáticas, apenas de velhas espingardas Mauser de repetição.

8

Primeira referência pública de Salazar à questão de Angola durante uma recepção aos agricultores do Baixo Mondego.

9

Falha o pronunciamento militar do general Botelho Moniz para depor Salazar.

10

Ataque à povoação de Úcua na estrada Luanda-Carmona, com o massacre de 13 brancos.

11

Ataque a uma patrulha portuguesa próximo de Tando Zinge, Cabinda.

12

Ataque à povoação de Lucunga, com massacre da maior parte dos seus habitantes brancos.

13

- Ataque de guerrilheiros provenientes do Congo-Brazzaville a Bucanzau, em Cabinda.

- Um furriel do BCaç 1 e dois soldados da CCaç 60 e CCaç 67 morrem em combate.

- Perante a evidente gravidade da situação e a necessidade de medidas militares de maior amplitude, o Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar, que passara também a ocupar a pasta da Defesa Nacional, após a tentativa de golpe de estado que pretendia afastá-lo, ordenou o envio rápido e em força de expedições militares para Angola.

14

Declaração de Salazar: «A explicação é Angola, andar rapidamente e em força é o objectivo…».

15

Imposto o recolher obrigatório nos bairros suburbanos de Luanda.

17

Primeiro ataque da UPA à Vila de Damba, em Angola.

18

- Fundação, em Casablanca, da CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas).

- Partida dos primeiros contingentes militares, para Angola, formados por Pára-quedistas, por via aérea.

20

- Aprovação, pela Assembleia-Geral da ONU, da Resolução 1603 (XV), incitando o Governo português a promover urgentes reformas para cumprimento da Declaração Anticolonialista, tendo em devida conta os direitos humanos e as liberdades fundamentais.

- Morrem em combate 3 militares da 3ª Bat/GACL.

21

As primeiras tropas expedicionárias portuguesas partem para Luanda, via marítima.

23

- Partida de uma companhia de legionários para Angola.

- Parte de Lisboa o primeiro transporte de material de guerra no navio Benguela.

24

Tropas pára-quedistas são enviadas com a finalidade de suster a sublevação, proteger as populações ameaçadas, limpar itinerários mais importantes e libertar as pequenas povoações e fazendas ainda cercadas pelos guerrilheiros da UPA. Procedeu-se à recuperação de Ambrizete-Lufico, Mamarosa, 31 de Janeiro, Bungo, Úcua-Pango, S. Salvador, Quipedro, Nambuangongo, Maria Tereza, Mucaba, Quicabo, Canda, Dange, Sacandica, Quitexe, Bembe-Songo, Tendele, Aldeia Viçosa e tantas outras povoações e postos administrativos.

26

- A Força Aérea Portuguesa baseada no Engage, em Angola, multiplica as acções na Serra de Mucaba e nas áreas limítrofes de Damba, 31 de Janeiro e Bungo.

- Pela primeira vez aterra em Mucaba um avião Dornier, pilotado pelo tenente-aviador Durão. Trinta civis, um furriel e um chefe de posto, barricados na igreja de Mucaba, protagonizaram uma épica resistência aos ataques de centenas de sublevados.

28

Criação do Movimento Nacional Feminino.

30

- O Conselho Nacional de Segurança norte-americano é secretamente autorizado a financiar a UPA de Holden Roberto.

- Morre em combate um soldado pára-quedista do BCP 21.

- As baixas militares são já significativas neste mês de Abril. (18 mortos em combate).

MAIO

1

- A pasta do Ultramar é entregue a Adriano Moreira que, em 1 de Maio, acompanhado pelo Secretário de Estado da Aeronáutica, está em Luanda para assistir ao desfile das tropas do primeiro contingente expedicionário que ali chegaria no dia seguinte, via marítima.

- Morre em combate um soldado do BCaç 3.

2

- Desfile em Luanda do primeiro grande contingente militar transportado por via marítima composto por 2 Batalhões de Caçadores (BCaç 88 e BCaç 92), 9 Companhias de Caçadores (CCaç), 9 Companhias de Artilharia (CArt), 2 Companhias de Cavalaria (CCav) e 4 Pelotões de Polícia Militar (PelPM).

- Ataque a Sanza Pombo e novos ataques a Mucaba e à Damba, no Norte de Angola.

4

- Ataque ao Songo, a norte de Carmona.
- Salazar remodela o Governo. Franco Nogueira entra para Ministro dos Negócios Estrangeiros e o general Venâncio Deslandes é nomeado governador-geral e comandante militar de Angola.
- O Ministro do Ultramar, Adriano Moreira, inicia a publicação de 33 diplomas legislativos para Angola.

- Morre em combate um soldado da CCaç 82.

5

- Partem para Angola os BCaç 96 e 109.

- A mentalidade com que as tropas portuguesas entravam na guerra ficou bem patente no discurso de despedida de um contingente, proferido pelo ministro do Exército, general Mário Silva: «Vamos para combater, não contra seres humanos, mas contra feras e selvagens. Vamos para combater animais selvagens. Vamos enfrentar terroristas que devem ser abatidos como animais selvagens».

6

- Ataque a São Salvador do Congo.

- As tropas metropolitanas recém-chegadas começam imediatamente a reocupação militar de toda a região afectada com unidades de tipo batalhão e a acorrer às povoações que ainda continuavam isoladas e sem qualquer defesa militar.

- O transporte das companhias era feito tendo por base jipes Willes MB 4x4 mod. 1944, "jipões" Dodge 4x4 mod. 1948, camiões GMC 6x6 mod. 1952 e Ford mod. Canada 4x4 (rodado simples). Esta última viatura possuía no tejadilho da cabine, sobre o local ao lado do condutor, uma abertura circular na qual se podia colocar em operação uma metralhadora.

- Morre em combate um soldado da CCaç 61.

7

- O correspondente do jornal Observer, em Luanda, calcula que foram mortos mais de 20 000 africanos desde o início da revolta, em 4 de Fevereiro.

- Os guerrilheiros, nestes primeiros meses de guerra, acreditavam na ressurreição: mesmo que fossem mortalmente atingidos voltavam a viver – só morriam se lhes fosse amputada parte importante do corpo. Os militares receberam ordens para decapitarem os cadáveres e espetarem a cabeça em estacas – para provar aos vivos que morriam se atacassem os portugueses.

8

- Criação dos batalhões de Caçadores Pára-Quedistas n ° 21 (BCP 21), em Angola, e n° 31 (BCP 31), em Moçambique.

- Ataques a Sanza Pombo, Úcua, Santa Cruz, Macocola e Bungo, com utilização de novas armas.

- Morrem em combate um alferes e um soldado pára-quedista.

13

Os contingentes de reforço chegados a Luanda avançam para o Norte. A coluna é composta por 150 jipes, 20 camiões de quatro toneladas e 6 camiões-tanques. Em algumas das viaturas foram instaladas protecções em chapa de aço de 10 milímetros. A coluna que, chegada ao Negage, se divide por dois eixos: o primeiro, definido por Songo, Damba e Maquela do Zombo, está a cargo do BCaç 88; o segundo, por Púri, Sanza Pombo, Macocola, Quimbele e Santa Cruz, a cargo do BCaç 92. As suas companhias, algumas delas de reforço, ocupam todas as povoações das áreas onde iam estacionando.

14

- Chegada a Luanda do navio Vera Cruz arvorado em transporte de tropas, com mais dois batalhões e quatro companhias. O BCaç 96 parte para a região de Úcua, o BCaç 109 para Ambrizete.

- Sucedem-se os embarques para Angola de unidades incipientemente preparadas para o tipo de guerra com que vão defrontar-se, com mau equipamento e mau armamento.

16

Morrem em combate 1 alferes e 4 praças do BCaç 3.

17

Morre em combate um sargento do RIL.

18

Morre em combate um soldado do RIL.

21

Ataque frustrado ao nó de comunicações do Toto, a sul de Bembe.

24

- Ataque pela UPA a Quimbele durante treze horas consecutivas.
- Ataque ao posto de Porto Rico, próximo de Santo António do Zaire, com utilização de armas automáticas.

26

- Pedido de convocação urgente do Conselho de Segurança do ONU, por mais de 40 países afro-asiáticos, em face do agravamento da situação em Angola.
- Lord Home, ministro britânico dos Estrangeiros, visita Lisboa para conversações com Salazar.

- Morre em combate um 1º cabo da CCaç 94.

28

- Morre em combate um soldado do BCaç 3.

- Partem para Angola os BCaç 114, 155 e 156.

30

- Morre em combate um soldado da CCaç 82.

31

- Entrevista de Salazar ao New York Times.

- Chegada do Batalhão de Caçadores 88 à Damba.

- Separação da União Sul-Africana da Commonwealth, tomando a designação de República da África do Sul.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 16 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

JUNHO

1

- Kennedy e De Gaulle discutem o problema de Angola.
- O governo cria um «imposto de consumo» com a finalidade de financiar o esforço de guerra nas colónias africanas.

- Morre em combate um furriel da CCaç 94.

2

- Ataques a fazendas em torno de Carmona, Negaje e Ambriz.
- Fuga de Portugal para o estrangeiro de estudantes ultramarinos, muitos dos quais virão a desempenhar papel importante na luta nacionalista.

5

Início do 1º Curso de Fuzileiros em Vale de Zebro.

6

Início do 1º Curso de Enfermeiras Pára-quedistas, das 11 candidatas que iniciaram o curso, 6 conquistam a Boina Verde. Pela primeira vez na história militar portuguesa as mulheres têm lugar nas fileiras.

8

- Desaparecido em Angola, um PV-2, avião da Força Aérea que apoiava as operações do BCaç 92, com três tripulantes a bordo.

- Morrem quatro militares da Força Aérea. Um tenente e um cabo em acidente; um sargento e um furriel em combate.

9

Aprovação, pelo Conselho de Segurança do ONU de uma resolução deplorando profundamente os massacres e demais medidas de repressão da população angolana, podendo comprometer a persistência desta situação a manutenção da paz e segurança internacionais.

11

Morrem em combate 2 militares. Um da CCaç 67 e um da Força Aérea.

12

Morre em combate 1 militar da CCaç 105.

13

- Lucunga, no dia 13 de Junho, foi o primeiro posto administrativo a ser reocupado.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 93.

14

Forças da Marinha, desembarcadas em Ambrizete, ocupam Tomboco e Quinzau.

15

Partem para Angola os BCaç 132, 137 e 141.

17

A Grã-Bretanha anuncia a venda a Portugal de duas fragatas equipadas para a guerra em África.

18

Morre em combate 1 militar da CCaç 78.

19

- Ataque dos guerrilheiros da UPA à vila de Ambriz, com utilização de armas automáticas.

- Morrem em combate 2 militares. Um soldado pára-quedista do BCP 21 e um soldado da  5ª CCE/RIL.

- O rio Chitoango, em Cabinda, passa a ser regularmente patrulhado por uma embarcação armada e por botes de borracha da Marinha.

21

Morrem em combate mais três militares do BCaç 3.

22

Criação da Secretaria de Estado de Aeronáutica, que substitui a Subsecretaria de Estado, mantendo como titular KaúIza de Arriaga, que desempenhara um papel importante na denúncia do golpe Botelho Moniz.

24

- Reocupação de Cuimba, a este de São Salvador do Congo.

- Morre em combate 1 militar do BCaç 92.

26

Morrem em combate 2 militares da CArt 119 e do CmdAgr 2.

27

- Visita a Lisboa de Dean Rusk, secretário de Estado norte-americano.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 99.

28

Partem para Angola os BCaç 158 e 159.

30

- Primeiro comunicado oficial das Forças Armadas, referindo a morte de 50 militares entre 4 de Fevereiro e 30 de Junho em Angola.

- Ainda e segundo a mesma fonte, durante este mês de Junho as baixas das forças portuguesas totalizaram 30 mortos. Em acções de combate morreram neste mesmo mês 17 militares.

publicado por estrolabio às 18:00

editado por Luis Moreira às 11:46
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Guerra Colonial - Um testemunho de Adão Cruz



O efeito de uma mina


Adão Cruz em Binta- Guidage
Binta-Guidage
Fiz este trajecto penoso, mais do que uma vez, entre Binta e Guidage, mas em 1967. Eram aquartelamentos

que faziam parte do meu batalhão. De uma das vezes, a coluna em que eu seguia demorou cerca de sete horas para fazer vinte quilómetros, por causa dos atascamentos. Nesse dia fomos atacados por um enxame de abelhas selvagens. Para quem não sabe, tal ataque era mais temido do que uma emboscada. Para além de consequências menos graves, tive um soldado com um choque anafiláctico que quase me ia morrendo. Tenho fotos dessa terrífica viagem. Encontrava-se nessa altura em Guidage a comandar o pelotão, o meu grande amigo alentejano alferes Barrulas que aí sofreu vários ataques. Num desses ataques, estando eu em Bigene, via os clarões ao longe, com o coração nas mãos, e comentava para os meus companheiros "pobre Barrulas, coitado". Encontrei-o anos mais tarde numa festa do Avante e abraçámo-nos longamente.

(fotos de Adão Cruz)
Binta - Guidage - Preparando o terreno
O alferes Barrulas à direita e Adão Cruz ao centro
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A partir de dia 3 de Janeiro, todos os dias às 18 horas

CRONOLOGIA DA GUERRA COLONIAL

uma obra do historiador José Brandão
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publicado por Carlos Loures às 18:00
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Domingo, 21 de Novembro de 2010

A operação “Mar Verde” foi há quarenta anos

Carlos Loures
Faz hoje quarenta anos estava prestes a ser desencadeada a “ Operação Mar Verde”, nome de código atribuído a uma operação militar planeada pelas Forças Armadas Portuguesas levada a cabo em 22 de Novembro de 1970. Em Portugal, o governo de Marcelo Caetano, prosseguindo a rota traçada por Salazar, e ao contrário do que dera a entender que faria, mantinha a Guerra Colonial nas três frentes africanas. Em Portugal, onde se acalentara a esperança numa abertura - falava-se numa «primavera marcelista» - o novo presidente do Conselho limitara-se a mudar o nome a algumas coisas – A PIDE passou a DGS, a União Nacional  transformou-se na  Acção Nacional Popular… cosmética, nada mais.
Os órgãos de comunicação, controlados e impedidos de contradizer os comunicados oficiais, davam-nos do conflito a imagem de algo sem importância – acção de grupos terroristas que, vindos do exterior, atacavam e fugiam. Nesta versão poucos acreditavam – se era uma coisa tão simples, por que durava há tanto tempo?
Claro que a verdade era diferente. Principalmente na Guiné, enfrentava-se tropa bem treinada e, em alguns casos, mais bem equipada do que a nossa que, inclusivamente, em algumas dos seus ataques fazia prisioneiros. Foi então que foi concebida a «Operação Mar Verde». O destino era Conakri, capital da República da Guiné, ex-colónia francesa, com três objectivos centrais – libertar os militares portugueses, destruir as lanchas do PAIGC, matar Sékou Touré,  presidente da República.
 A missão foi confiada ao comandante Alpoim Calvão e a um destacamento de fuzileiros especiais. Diga-se que a competência profissional do comandante e dos seus homens foi comprovada - à excepção da eliminação física de Sékou Touré, todos os objectivos foram alcançados – prisioneiros libertados, lanchas destruídas, a força aérea da Guiné-Conakri quase totalmente posta fora de combate. O palácio presidencial foi ocupado e Sékou Touré só escapou porque se ausentara do país. Neste pormenor, parece ter havido uma falha do serviço de informações. Sobre esta acção militar pouco falada fora do meio militar, há um livro  de  António Luís Marinho  que descreve os pormenores - Operação Mar Verde - um documento para a História (Lisboa, Temas e Debates, 2006).
Apesar deste revés, as forças do PAIGC continuaram a atacar e, nos últimos meses de guerra, as nossas forças já não se podiam movimentar, os fiat G-91 portugueses não conseguiam levantar voo, pois eram alvo imediato dos temíveis mísseis Strela. Em 1973, ano em que Amílcar Cabral foi assassinado em Conakri (por dissidentes do PAIGC), a independência foi unilateralmente proclamada em Madina do Boé, vindo a ser reconhecida pelo Governo Português após a Revolução de Abril.
O comandante Alpoim Calvão foi um dos homens de mão de Spínola e organizou ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal, organização de extrema-direita que levou a cabo algumas operações terroristas. A ordem de operações da “Mar Verde”  foi elaborada pelo comandante Calvão e terá sido supervisionada pelo governador militar da Guiné-Bissau, o general  António de Spínola que mantinha uma política algo distanciada da linha oficial, demonstrando algum desejo de criar condições para uma solução política do conflito. Como profissional, chegara já à conclusão de que não existia solução militar. Por isso, ao mesmo tempo que desencadeava operações como a que se refere, terá mantido negociações secretas com Senghor, presidente do Senegal.
Em 1973 regressou a Portugal. Por sugestão do general Costa Gomes, em Janeiro de 1974, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Pouco antes da Revolução de Abril, publicou Portugal e o Futuro, onde expunha as suas ideias para a solução política da questão colonial. Marcelo Caetano ter-se-á oposto à proibição da circulação do livro e este foi um dos rastilhos que conduziram ao 25 de Abril.

Vejamos estes dois vídeos que nois fornecem pormenores sobre a complexa operação «Mar Verde», sobre a qual amanhã se completam 40 anos.




publicado por Carlos Loures às 12:00
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial, de Roberto Vecchi (Porto, Ed. Afrontamento, 2010).

Manuel Simões

O Autor tem-se ocupado, desde meados da década de 90, dos temas e problemas relacionados com a literatura da guerra colonial e do seu impacto no imaginário português, a ponto de se poder dizer que é hoje um dos grandes especialistas de uma matéria que remete para “um passado que ainda foge à fundação de uma memória compartilhada”. De facto, data de 1995 a publicação de dois importantes ensaios (“Literatura da guerra colonial: a melancolia como género” e “A guerra colonial entre género e tema: ‘Jornada de África’ de Manuel Alegre”), que constituíram o ponto de partida para esta abordagem global que é parte de uma investigação persistente de alguns anos sobre a guerra colonial e, de modo mais específico, sobre a literatura que procurou representá-la.

Ao longo de um preâmbulo e de oito capítulos de grande maturidade reflexiva, até do ponto de vista teórico, o Autor conduz o seu discurso no sentido de observar a literatura da guerra colonial como um modo, entre outros possíveis, para tentar um discurso crítico sobre Portugal, sobre o império colonial (ponto ainda fracturante da história portuguesa contemporânea), sobre o trauma, “sobre a relação entre a violência e a excepção para que sempre remete”.

Tal discurso assenta numa reflexão profunda sobre as questões subjacentes e implícitas à representação de mecanismos perversos que conduziram todo um percurso, de que destaco, por razões de espaço: “Usos e genealogia: os corpos despedaçados e a história”; “a melancolia como género”; “Restos, rastos, indícios e fantasmas. Tragédia e trágico” (capítulo 1); saudade, luto, melancolia na literatura da guerra colonial (capítulo 2); e, de modo particular, todo o capítulo 5, como se pode avaliar pela súmula que antecede o capítulo: “Memória e história […] (Quase) lutos, cicatrizes, epitáfios. Enterrar os mortos: as Antígonas trágico-modernas da guerra colonial. A condição póstuma do Autor: tal Império, qual conflito? Quem são as vítimas invisíveis de uma não guerra sem nome? Astúcias e incoincidências do autor póstumo na literatura da guerra colonial. Traumas transbordantes e políticas póstumas do trágico: ‘Enterrar os mortos e cuidar dos vivos’. Culpa e crueldade nas representações da guerra colonial”.

Na sua globalidade, o volume constitui um desafio que o Autor faz a si próprio e aos leitores no sentido duma leitura abrangente e iluminante, sob muitos aspectos, dos vários textos ficcionais que se produziram sobre a guerra colonial. Concordo plenamente com Margarida Calafate Ribeiro, prefaciadora do volume, quando afirma que este livro nos leva a reflectir “sobre Portugal de uma forma teoricamente provocante, absolutamente inovadora e distinta do que até agora tem vindo a ser feito”.

Roberto Vecchi é professor de Literatura Portuguesa e Brasileira, e de História das Culturas de Língua Portuguesa na Universidade de Bolonha. Para além dos dois ensaios já citados, de certo modo fundadores do que viria a ser a investigação futura, é autor de vários ensaios sobre o mesmo tema, publicados em Portugal, em Itália e no Brasil. Desses estudos destaco: “Mares coloniais, mares da memória. Algumas considerações sobre a literatura da guerra colonial” (1994); “Percursos. Fragmentos de uma ‘recherche’ da África perdida” (1996); “Barbárie e representação: o silêncio da testemunha” (2001): “Experiência e representação: dois paradigmas para um cânone literário da guerra colonial” (2001); “Restos de experiência, rastos de memória: algumas características da guerra colonial” (2001); “Das relíquias às ruínas. Fantasmas imperiais nas criptas literárias da guerra colonial” (2003); e “Império português e biopolítica: uma modernidade precoce?” (2007).

(Para os interessados no tema, o volume será apresentado na Livraria Barata no dia 25 de Outubro, às 18,30 horas).
publicado por Carlos Loures às 19:30
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

O parto (Mais um conto, interessante e verdadeiro, da Guiné).

Adão Cruz

Quando cheguei à Guiné, uma das primeiras preocupações que tive foi começar a conhecer as pessoas e os costumes. Para além de ser uma tarefa aliciante, era a melhor forma de me libertar do medo da guerra e da perspectiva pouco animadora de um regresso encaixotado.


Conhecer um povo, ainda que pequeno, originário de quarenta grupos étnicos diferentes, fragmentado e encurralado física e psicologicamente em zonas estanques, por imposição de uma violenta guerra de guerrilha, não era fácil, e a desvirtuação constituía um perigo possível. Tentei iniciar a penetração neste novo mundo através da abertura que a minha missão de médico facultava e facilitava. Com o tempo as janelas foram-se abrindo, e hoje revejo com alguma saudade o imenso painel de mil cores, esse mar de sensações e vivências que nenhuma memória pode esquecer.

As mulheres de Bigene e não só de Bigene pariam no mesmo local onde defecavam, uma pequena cerca de esteiras nas traseiras da tabanca, longe da vista das pessoas e sobretudo dos homens, como se o acto de parir fosse indigno e imprudente, obrigando ao mais submisso recato. Como se não bastasse, uns dias antes da data prevista para o parto atulhavam a vagina com bosta de vaca, a qual sofria pútridas fermentações que exalavam um cheiro nauseabundo. Os tétanos, quer da mãe quer do recém-nascido eram graves e frequentes, soube eu mais tarde.

Neste primeiro contacto fiquei boquiaberto e decidi actuar. Não seria difícil imaginar a resistência destas pessoas a qualquer tipo de reforma dos costumes, se não fosse tido em conta um facto importante. Ao contrário do que se diz e do que se pensa, os negros, sejam eles homens ou mulheres, são muito espertos, nada ficando a dever aos brancos e superando-os em muitas coisas, dentro da mesma escala de cultura. Estou disposto a comprová-lo através de exemplos sérios nascidos da minha experiência.

Só assim foi possível a rápida aceitação e compreensão dos esclarecimentos que fiz na tabanca, acerca de higiene e infecções, acerca do papel da mãe, da dignidade do parto e das vantagens de este ser efectuado na nossa enfermaria, ainda que modesta e minúscula.

Não demorou muito tempo a aparecer a primeira parturiente. Era uma linda mulher grávida de termo que não falava nada que se percebesse. Não sou capaz de precisar, nesta altura, a etnia, mas lembro-me que nem os outros negros entendiam o seu dialecto. Mas o seu sorriso, apesar das dores, era tão aberto e confiante que não precisávamos de melhor forma de comunicação e entendimento. Até os olhos do meu enfermeiro Pimentinha, electricista de profissão, brilharam de entusiasmo, entusiasmo que o levou a ler de fio a pavio a minha sebenta de obstetrícia, e a transformar-se em pouco tempo num habilidoso parteiro e carinhoso puericultor.

Nas minhas mãos um pouco trémulas eu segurava o fruto do primeiro parto que assisti na Guiné. Era um belo rapazinho, que apesar da pobreza alimentar daquela gente, nasceu bem nutrido e de uma cor rosa-marfim. Os negros nascem brancos, como se sabe. Uma deliciosa ironia anti-racista da natureza.

Embora as nossas dificuldades logísticas e económicas fossem grandes, lá consegui oferecer-lhe o alimento, sob a forma de leite condensado, único possível, indispensável aos primeiros tempos de aleitamento, pois a mãe parecia ter esgotado todas as reservas das suas entranhas ao gerá-lo de maneira tão eutrófica e perfeita.

Uma semana após o nascimento, vem ter comigo o Chefe de Posto e diz-me sorridente: “doutor, vou dar-lhe uma linda notícia, que a mim, pessoalmente, me enterneceu. A mãe daquele catraio…aquele primeiro parto que o doutor fez, lembra-se? A mãe veio registá-lo há dias, oficialmente, com o nome de “Adão Doutor”.

publicado por Carlos Loures às 23:55
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Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Um palmar iluminado pelo sol

Carlos Loures

Esta nossa conversa, ou, mais propriamente, este solilóquio, poderia muito bem começar assim – o fumo da alucinação e da loucura invade o gabinete de investigação – se preferirem que durante este breve solilóquio não utilizemos eufemismos, digamos, então, antes câmara de tortura. Pronto, agora já está melhor, mais objectivo. Take two – comecemos a narrativa de novo – O fumo da demência, dizia eu, entra em abundantes novelos brancos pelas frestas da porta da câmara de tortura. Sei perfeitamente que o fumo não existe, mas sinto-lhe, apesar disso, o sopro gélido e o odor pestífero. Os bichos, insectos, répteis e aracnídeos – venenosos e vorazmente carnívoros, tão repugnantes como também inexistentes – percorrem o soalho de madeira escura, passeiam-se lenta e provocatoriamente pelas paredes sujas...

Porém, para compensar o horror, realista de uma forma sórdida, do cenário desta produção barata, súbita e quase magicamente, deixo de ouvir a voz monótona do agente estagiário de turno, na sua lenga-lenga moralista, e encontro-me de novo na Guiné, num acampamento de circunstância nas margens do grande rio, a poucos quilómetros do nosso aquartelamento em Tite onde, em Janeiro desse ano, com um forte ataque da resistência, tinha começado a insurreição armada. Agora, a situação era diferente, para bastante pior, com diversos focos de resistência espalhados por todo o território e com os guerrilheiros (os turras da linguagem popular e o in no paleio militar) a trocar as armas artesanais por equipamento mais sofisticado do que o nosso).

Acendem-se-me na memória a floresta húmida, o caprichoso bailado dos raios solares entre os palmares, a vegetação espessa, o rio coleante como uma cascavel esverdeada, os gritos pungentes dos emplumados pássaros, os guinchos trocistas dos macacos e, às vezes, de súbito, sem explicação aparente, a eclosão de um silêncio tão sufocante como o calor e que sempre nos deixava a contas com o ruído do nosso sangue nos ouvidos, com o agitado pulsar dos nossos corações.

Um barco de borracha aproxima-se deixando uma esteira de espuma nas águas verdes do Geba. Um fuzo salta do barco e, dando vigorosas patadas na água, vem colocar na margem uma pilha com quatro grades de cervejas. Depois volta para o «Zebro», fazendo espadanar a água em seu redor, como um garoto traquina. Os outros fuzileiros riem. O furriel António que está a fazer a barba frente a um espelho pendurado numa árvore, corre para o acampamento com a cara branca de espuma de sabão. «São quatro grades, só quatro grades que aqueles nabos do caraças nos trazem! Só quatro grades!», grita para nós. O barco dos fuzos afasta-se já. O que terá dito um deles e que provoca uma gargalhada geral aos seus companheiros, quando o barco se perde num meandro do Geba e dele apenas vai permanecendo o ruído decrescente do motor e a esteira de espuma à tona das águas? Solitárias sobre a areia da margem, só as quatro grades de cervejas garantem que não fomos vítimas de uma miragem ou ilusão.

E o que me interessará agora a provável, mais do que certa, alarvice que o fuzileiro terá dito aos colegas, aqui, nesta sala em que bichos repugnantes e vorazes enxameiam as tábuas do chão, as paredes, o tecto, em que o rectângulo gradeado da janela se povoa de paisagens sempre diferentes e sempre sinistras, ao sabor da loucura que, minuto a minuto, pingo a pingo, como água vinda de uma torneira avariada, me invade o cérebro? Com qual destas realidades me deverei preocupar?

Ao dia sucede a noite, depois vem a hesitante claridade da madrugada anunciar a saída de um extenso túnel para noutro logo voltarmos a entrar. E assim sucessivamente, dia após dia, noite após noite. Um ciclo infernal de alternância entre sombra, escuridão, luz, sombra... E de vozes. Muitas vozes. Vozes insidiosas tentando infiltrar-se nas fendas que a brutal insónia vai rasgando no tecido da memória e da consciência. Aqui, neste quarto maldito, gabinete de investigação – como lhe chama o senhor sub-inspector – câmara de tortura, o que vocências quiserem, eu, o preso («o detido», emenda solícito o senhor agente estagiário, « o senhor só fica preso se for condenado em tribunal») tenho saudades da Guiné, onde as Kalashnikovs ladravam como hienas, as granadas de morteiro ribombavam como trovões lançados por um qualquer deus desmazelado e bêbedo e as minas transmutavam subitamente os corpos, numa alquimia tosca, em sórdido ketchup que se embrulhava em verdes panos de tenda e se enviava depois para a terra em caixas de pinho. Saudades da Guiné, onde a morte fazia, apesar de tudo, um jogo mais limpo e não enluvava as mãos em loucura como aqui, entre estas quatro paredes que dançam para lá das cortinas de fumo e fervilham de bichos asquerosamente trepadores.

Agora, em vez da névoa obsidiante do cacimbo, é este fumo branco, são os bichos e é a voz do agente de serviço, visivelmente o pide-bom do grupo, um dos torcionários que se revezam de quatro em quatro horas, cerzindo em torno da minha cabeça uma coroa de demência, feita de minutos, horas, dias: «O melhor que tinha a fazer era arrumar já o seu caso. Eu ia chamar o senhor sub-inspector, o senhor prestava as suas declaraçõezinhas, esclarecia-se tudo e o senhor ia dormir. Não vê que está a dar cabo de si? Olhe que os seus amigos, os seus camaradas, aqueles que está a querer proteger, não lhe vão agradecer nada o sacrifício que está a fazer por eles, aqui preso, isto é, detido, a passar por este interrogatório tão incómodo» …«Se lhe acontecer alguma coisa (Deus queira que não), não são eles que vão cuidar dos seus filhos»



O negro, um mandinga corpulento e de grande estatura apanhado em cima da sua bicicleta a percorrer a estrada com papéis «subversivos», está estendido num bailique e olha-nos com uma enorme serenidade, enquanto o sargento das informações o zurze com o cavalo-marinho – «Fala cabrão!», grita ao mesmo tempo que bate, possuído de uma raiva voluptuosa. As fibras do tecido da camisa vão aos poucos entrando na carne, vão confundindo-se com ela, criando um pastoso amálgama, uma pasta de pele, sangue e tecido. Um silvo de cansaço, frustração e ódio sai da boca do sargento a cada pancada que desfere. O homem, um professor primário de uma missão católica, quase não acusa no rosto a dor e não emite qualquer queixume, apenas um leve sopro sai dos seus lábios. Com os olhos muito abertos, dir-se-ia que com a curiosidade de um entomólogo, observa o círculo de soldados e o sargento que bate, bate sempre e grita, espumando pelos lábios. Olha-nos, um por um, sem ódio, parece não perceber o que nos leva a matar um ser humano, assim, daquela maneira. «Porquê?», pode ler-se a pergunta no seu olhar.



O agente de patilhas caracteriza-se, não por fazer perguntas ou dar conselhos como os outros. Está especializado na produção de diversos efeitos sonoros: bate com os pés no chão, passa com as unhas no vidro martelado da janela, lança assobios agudos. Dentro da minha cabeça, de preso ou detido, ou lá que raio eu sou aqui, que a sinto inchar como um enorme aeróstato, estes ruídos são ampliados e espalham-se depois por todo o sistema nervoso, como agulhas ou pedaços de vidro largados à solta na corrente sanguínea. O agente ri-se quando me vê estremecer.



O prisioneiro mandinga fita-nos com o seu ar sempre impassível de quem transpôs já a sempre ténue fronteira entre a vida e a morte, aquela linha a partir da qual a dor, a tristeza ou a alegria já não nos conseguem atingir. Depois o cavalo-marinho, com pancadas mais espaçadas, começa também a destruir-lhe o rosto, a única maneira de pôr fim à sua insultuosa serenidade. A mistura de sangue, osso e tecidos, espirra abundantemente para o meu camuflado, tal como para cima dos outros. Devo ter empalidecido. Sinto o estômago às voltas. Um cabo de barbas, um cacimbado ou, como também chamam aos velhos, «um apanhado pelo clima», pergunta-me com a irónica solicitude de um veterano: «O meu alferes está a sentir-se mal?».



Há um outro agente, um tipo franzino que, quando chega para iniciar o seu turno, começa por abrir a gaveta da secretária e olha demoradamente o seu interior com o sorriso de quem confere e aprecia uma vasta panóplia de instrumentos de tortura. Depois fecha a gaveta e fita-me com um ar pensativo e ausente. Há um outro que conta muitas histórias e dá grandes murros na mesa quando me deixo adormecer. Há o mau, o terrível. Ameaça espancar, promete inomináveis tormentos. Pontapeia a porta e as paredes, numa velada promessa. Há ainda o senhor sub-inspector que me vem visitar todas as manhãs e que se finge sempre muito surpreendido por eu ainda ali estar, por «não ter ainda resolvido o seu caso». E há o médico que me vem ver quando desmaio e que sai sempre a abanar a cabeça com um ar de quem está muito preocupado.

Um circo completo.

Ao fim da tarde, quando os ruídos no edifício da sede da polícia vão diminuindo e as sombras vão aos poucos tingindo as paredes, sinto sempre uma tristeza pungente invadir o território nebuloso que é agora o meu corpo. Estou, como Jonas no estômago da baleia, dentro de uma fera estúpida que me vai digerindo e devorando com os seus dentes ávidos. Tal como o cavalo-marinho do sargento fez ao corpo do mandinga, provocando-lhe estremeções convulsivos, pulsões de morte. Tal como ao mandinga, só o sereno desprezo pela fera imbecil me pode agora salvar.

E, ao fechar os olhos por momentos, consigo mais uma vez evadir-me dali e na escuridão crescente acendem-se-me por detrás das cansadas pálpebras as folhas verdes de um palmar, iluminadas pelos reflexos do sol.

Fim de conversa.


(Excerto de A Vida é Un Desporto Violento)
publicado por Carlos Loures às 23:55
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Domingo, 30 de Maio de 2010

Menino do Bairro Negro, de José Afonso



Sublinhando as palavras do Luís Moreira, apresentamos uma interpretação de Menino do Bairro Negro, de José Afonso, interpretado pelo coro misto Ançãble, de Cabeceiras de Basto, num arranjo de Joaquim dos Santos. Zeca Afonso compôs esta canção inspirando-se na vida dos meninos de um bairro degradado – o Barredo, no Porto. Fruto do começo da Guerra Colonial e da emigração forçada, as maiores cidades do País iam vendo crescer nas suas periferias bairros de lata. Esta composição, tão bem interpretada por este coro, molestou particularmente as consciências. A intenção do Zeca não seria outra.
publicado por Carlos Loures às 11:30
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Apresentando José Brandão



José Augusto de Jesus Brandão, nasceu em Lisboa em 1948. Operário metalúrgico, entre 1969 e 1971 esteve na guerra em Moçambique. Ligado à ARA a partir de 1972, participou em diversas operações de reconhecimento de objectivos. Esteve preso pela PIDE em 1973. Após a revolução de Abril, foi empregado na Carris e dirigente sindical. Militante do PS, foi membro da Comissão Nacional entre 1980 e 1988 e, entre 1985 e 1987, pertenceu à Comissão Política.

Historiador, especializado na violência armada no período contemporâneo, tem uma vasta obra publicada, da qual se salienta: Sidónio – Ele Tornará Feito Qualquer Outro (1.ª ed. 1983), Carbonária – O Exército Secreto da República (1.ª ed. 1984), 100 Anos por 1 Dia, (1987), A Noite Sangrenta (1991),Suicídios Famosos em Portugal (2007); Portugal Trágico – O Regicídio,(2008), Cronologia da Guerra Colonial (2008) e A Vida Dramática dos Reis de Portugal ( 2008).

Baseada na sua obra Suicidios Famosos em Portugal, iniciaremos amanhã a publicação de uma série de textos sobre o tema. Os textos que aqui apresentaremos, revistos e alterados pelo autor, são diferentes da edição de 2007.
publicado por Carlos Loures às 20:00
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Domingo, 9 de Maio de 2010

Da Guerra Colonial

José Brandão








Importa falar de um dos períodos mais inquietantes da vida dos portugueses. São os anos entre 1961 e 1974 nos quais Portugal mergulhou numa guerra para alguns do Ultramar para outros Colonial.
São treze anos de ansiedade, sofrimento e morte que atingiram praticamente todas as famílias portuguesas com consequências que ainda hoje perduram.

Guerra que mobilizou mais de 800 mil combatentes da chamada Metrópole enviados para as distantes e desconhecidas matas de África onde alastrava a revolta apoiada por alguns países próximos.

Em Angola, a partir de 4 de Fevereiro de 1961, na Guiné, a partir de 23 de Janeiro de 1963, em Moçambique, a partir de 25 de Setembro de 1964, a guerra é declarada pelos movimentos de libertação nacional que teimam em levar por diante o seu propósito de total independência do domínio colonial europeu.

Pela parte portuguesa, a guerra era sustentada pelo princípio político de defesa daquilo que era considerado território nacional, baseado no conceito de nação pluricontinental e multirracial. Pela parte dos movimentos de libertação, a guerra justificava-se pelo inalienável princípio da autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à sua luta.

Guerrilheiros, ou terroristas – conforme a atitude política – resistem num terreno que lhes é familiar causando baixas nas Forças Armadas portuguesas como nunca se vira antes.

Segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas, morreram na Guerra de África 8.831 militares portugueses. Destas quase nove mil baixas, 3.455 aconteceram em Angola, 2.240 na Guiné e 3.136 em Moçambique.

O Exército, ramo militar sobre o qual recaiu a maior parte do trabalho bélico, teve à sua conta a quase totalidade dos mortos – 8.290 homens. A Força Aérea, por seu turno, contou em 346 as suas perdas e a Marinha de Guerra enterrou 195 dos seus elementos.

De acordo com a mesma fonte, 4.280 militares (48,5 por cento) morreram em resultado directo de acções de combate e 4.551 (51,5 por cento) em acidentes e doenças. Estas duas últimas causas de morte devem ser encaradas com reservas, já que havia na época a intenção clara de diminuir o número de baixas em combate tornado público.

Com cerca de 9.000 mortos, cerca de 30.000 feridos evacuados, em mais de 100.000 doentes e feridos, dos quais resultaram perto de 14.000 deficientes físicos, (5.120 com grau de deficiência superior a 60 por cento) e ainda, possivelmente, 140.000 neuróticos de guerra, rara é a família portuguesa que não foi ferida pela Guerra de África. Os telegramas do Ministro do Exército a apresentar «mais sentidas condolências» pela morte «por motivo combate defesa da Pátria» de «seu filho soldado fulano tal», chegavam aos lares dos portugueses semeando a dor da perda de um filho, marido, pai, irmão ou outro grau de familiaridade existente.

Sucediam-se os comunicados militares que diariamente o Ministério da Guerra mandava publicar nos jornais. "O Serviço de Informações Públicas das Forças Armadas comunica que morreram em combate, na Província de Angola, os seguintes militares:" e seguiam-se os nomes de mais uns tantos que, naquele ano, entre a noite de Natal e a de fim de ano, não iriam aparecer na TV, a desejar festas felizes.
Moçambique foi o teatro de operações onde morreram mais militares em combate (1.569 em 10 anos de guerra), seguindo-se Angola (1.360 em 13 anos) e a Guiné (1.342 em 11 anos). Tendo em conta a duração da guerra em cada um dos teatros de operações, as tropas portuguesas sofreram por ano 157 mortos em combate em Moçambique, 122 na Guiné e 105 em Angola.

Quanto ao número total de mortos, independentemente das causas oficiais da morte, as Forças Armadas portuguesas sofreram por ano 285 baixas mortais em Moçambique, 246 em Angola e 186 na Guiné.
Do total de mortos nas três guerras, cerca de 70 por cento eram expedicionários recrutados na chamada Metrópole. No conjunto das três frentes de guerra, entre 1961 e 1974, morreram em média 630 militares portugueses por ano.

Em números redondos, morreram nas três guerras de África: 1 general, 2 brigadeiros, 3 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 22 majores, 100 capitães, 40 tenentes, 300 alferes, 900 sargentos e furriéis, 1.600 cabos e 5.500 soldados e marinheiros.

E se os custos humanos foram de grandes dimensões para um pequeno velho país de menos de 10 milhões de habitantes, as perdas materiais atingiram um nível muito próximo do colapso económico. O esvaziamento dos recursos financeiros para a sustentação da guerra foi equivalente, ao longo dos treze anos de conflito armado, a uma média de trinta e três por cento do Orçamento do Estado, tendo-se ultrapassado, em toda a segunda metade da década de 60, os quarenta por cento.

Com a Revolução do 25 de Abril de 1974 estavam criadas condições para terminarem as guerras que Portugal mantinha desde 1961.
Contudo, já depois do 25 de Abril ainda morreram nos três teatros de guerra 530 militares portugueses, 159 dos quais em resultado directo de acções de combate.
Embora, na metrópole, a intervenção popular tivesse assegurado profundas e imediatas repercussões para o 25 de Abril, as transformações ocorridas em Lisboa não provocaram alterações súbitas na maior parte do disperso Império Português.
Portugal foi o último país europeu a conservar um autêntico império colonial.
Em 1951 transformara as colónias em territórios ultramarinos e, em 1956. intitulou-as províncias, mas sem mudar praticamente a estrutura anterior. O Ministério das Colónias passou a chamar-se do Ultramar e em dezenas de organismos oficiais e empresas particulares o vocábulo colonial foi substituído por outro um pouco mais longo: ultramarino.

O governo português, ao considerar os territórios africanos como parte integrante da nação, negava que eles pudessem ter direito à autodeterminação ou que existisse uma nacionalidade angolana, guineense ou moçambicana.

Porém, em 1961, a revolta em Angola assinalou o começo da guerra de guerrilhas que se estenderia à Guiné e a Moçambique. Esta guerra, onde o exército português se consumia ano após ano, foi uma das causas determinantes da Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974 que derrubou o regime corporativo do Estado Novo.

Apesar de raramente registarem vitórias decisivas, a guerra das forças de guerrilha conseguiu criar a confusão suficiente para exigir de Portugal o envio de milhares de soldados para África e o dispêndio de algo como metade do orçamento estatal nessa colossal presença militar.

Portugal manteve entre 1961 e 1973 uma média anual de 105 mil homens envolvidos nas três guerras coloniais: aproximadamente, 54 mil em Angola, 20 mil na Guiné e 31 mil em Moçambique. Os efectivos no conjunto dos três teatros de guerra foram sempre crescendo de 1961 a 69, baixaram ligeiramente em 70, aumentando de novo para chegar aos valores mais elevados em 1973, quando atingiram o total de 148.090 homens.
Quando chega o 25 de Abril de 1974 Portugal é um país cansado de tanto caminhar para terras distantes e por lá morrer.

Regressada a liberdade, Portugal não podia negar essa mesma liberdade aos povos que a reclamavam de armas na mão. Em consequência das alterações ocorridas em Portugal, as colónias africanas portuguesas acederam à independência entre o termo de 1974 e finais de 1975.

Ficava para a História mais uma página da presença de Portugal no Mundo.



Extraído do livro Cronologia da Guerra Colonial, José Brandão, 2008
publicado por Carlos Loures às 16:48
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