Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

27 - Belcanto - Mario del Monaco - por Carla Romualdo e Carlos Loures

   

Mario Del Monaco (Florença, 1915 - Mestre, 1982) é um dos mais célebres tenores italianos do século XX, para muitos um dos melhores de sempre.

 

 

Incentivado pelo seu pai, grande amante da ópera, começou cedo a estudar música. Após alguns anos de desacerto, com papéis inadequados para a sua voz, estreia-se durante a II Guerra Mundial nos palcos italianos, em Milão, com Madama Butterfly. 

 

A sua voz poderosa e presença carismática, o profissionalismo que o fazia preparar meticulosamente cada actuação, a capacidade interpretativa, a facilidade de interacção com o público tornaram-no, ao longo das décadas de 1950, 60 e 70 uma das referências máximas do canto lírico. 


Extraordinário intérprete de Puccini, Verdi, Bellini e Giordano, del Monaco decidiu retirar-se em definitivo dos palcos em 1976, com I Pagliacci. 

 

Umas das menos populares obras de Puccini (nunca atingiu a notoriedade de La Bohème ou Madama Butterfly, por exemplo), La Fanciulla del West (A Rapariga do Oeste) é uma ópera em três actos, estreada no Metropolitan de Nova Iorque, em 1910. Uma adaptação do livro The Girl of the Golden West, de David Belasco, a sua acção decorre no velho Oeste americano, entre cowboys, garimpeiros e lutas de saloon. Do terceiro acto, Mario del Monaco canta Per Lei Soltanto... Ch'ella Mi Creda.

 

 


 

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

26 - Belcanto - Ruthie Henshall - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Num registo mais ligeiro do aquele que tem preenchido este espaço, hoje fazemos uma incursão pelo musical, uma forma teatral que conjuga a música e a dança com os diálogos.

 

Ruthie Henshall é uma actriz, cantora e dançarina inglesa que se tem celebrizado no teatro musical. Estreou-se em 1986, aos 19 anos, no West End, a zona onde se concentram as salas de teatro em Londres e que habitualmente se utiliza para designar as melhores salas de espectáculo de teatro comercial na capital inglesa.

 

 

A sua carreira tem sido marcada por sucessivos êxitos nos palcos ingleses, protagonizando alguns dos mais famosos títulos do teatro musical – Chicago, Miss Saigon, Godspell, Les Misérables – a par de algumas incursões igualmente bem sucedidas pela Broadway. Brevemente irá protagonizar, no West End, uma nova encenação do musical Evita, de Andrew Lloyd Webber.

 

I dreamed a dream é uma das canções de Les Miserábles, famoso musical de Claude-Michel Schönberg, com letras em inglês de Herbert Kretzmer, baseadas no libreto francês original, de Alain Boulil. Canção lamento da personagem Fantine, evocação de um passado esperançoso num momento em que todas as esperanças se perderam, I dreamed a dream é hoje a canção emblemática de Les Miserábles, tendo conhecido já diferentes versões, entre elas a de Aretha Franklin.


Recentemente, voltou a ser ouvida com frequência quando foi escolhida por Susan Boyle, a concorrente de um concurso britânico de talentos que se transformou num fenómeno de popularidade mundial, graças ao Youtube.

 

Na  versão que escolhemos, Ruthie Henshall interpreta I dreamed a dream numa gravação efectuada em Londres, em 1995.

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Sábado, 23 de Abril de 2011

Os meus dez livros do século XX, por Carla Romualdo

 

Entenda-se a lista que se segue não como a eleição de um cânon, cujas regras de selecção se atenham a uma qualidade literária que não tenho competência para julgar, mas como a descrição de um itinerário pessoal reduzido, a este efeito, ao século XX.

 

Estes dez títulos representam outros tantos momentos de iluminação num percurso de descoberta da literatura e, ao fim e ao cabo, de descoberta de si mesmo que é a aventura última de todos os leitores. Não sei se estes são os melhores livros do século XX, nem sequer sei seriam estes os livros que me acompanhariam no desterro de uma ilha deserta, mas são os livros que, tendo vindo ao meu encontro no momento em que, sem o saber, eu ansiava por lê-los, operaram o seu pequeno milagre de transformação e passaram a ser, dessa forma singular que os leitores bem conhecem, parte de quem sou.

 

A Balada do Café Triste,

de Carson McCullers

 

Coração Tão Branco,

de Javier Marías

 

Em Busca do Tempo Perdido,

de Marcel Proust

 

 

Histórias Quase À Maneira Clássica,

de Harold Brodkey

 

Lolita,

de Vladimir Nabokov

 

Marca de Água,

de Joseph Brodsky

 

Para sempre,

de Vergílio Ferreira

 

Património,

de Philip Roth

 

Poesia de Álvaro de Campos

 

Rumo ao Farol,

de Virginia Woolf

 

A ordem é alfabética e o título escolhido é o da edição portuguesa.

Fotografias de 
Carson McCullers, Harold Brodkey e Joseph Brodsky

publicado por João Machado às 16:00
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O kindle e as tabuinhas, por Carla Romualdo

 

 Certa manhã, chegou-me a casa um Kindle, o modernaço livro electrónico que certa propaganda garante estar prestes a condenar à obsolescência os livros de papel a que nos acostumámos.

 

Retirá-lo da caixa foi já um prenúncio do que se seguiria. Como no passado, quando tinha a pungente consciência da expectativa dos adultos, a criança fingia um entusiasmo inexistente enquanto desembrulhava um presente que não lhe agradava. Mas desta vez fingia-o para si mesma.

 

A miserável superfície branca, de plástico, a ridícula espessura da coisa, raquítica, o fundo metálico, frio ao tacto. A escandalosa ausência de cheiro, nada, nem um vestígio de humidade, de tinta, de papel manuseado por mãos suadas.

 

Chega rodeado de anúncios que lhe gabam a leveza, a capacidade de albergar nas entranhas, comprimidas em minúsculos corpos de “chips” e outras matérias insondáveis, milhares e milhares de obras. E garante-me que a todas posso transportar sem esforço, sabendo-as sempre ali à mão, resgatáveis assim que eu as solicitar. Mas quem disse que segurar um livro pesado alguma vez foi um incómodo? Se nos agrada, se nos seduz, o seu corpo volumoso é uma promessa de prazer perdurável, é uma jura de felicidade prolongada. Não infinita, Deus nos livre da felicidade infinita, mas prolongada.

 

Experimentarei o engenho, escolherei três ou quatro obras de entre as inúmeras que aguardam por leitores nos arquivos online, e tentarei ler, nos próximos dias, em doses profilácticas, como quem experimenta um remédio que, sendo de gosto amargo, nos garante o médico que só nos fará bem.

 

Leio algumas páginas, a que não sei se continuar a chamar “páginas”, e não faço ideia se li muito ou pouco em relação à totalidade do livro. Pousar a marca na página onde estou, fechar o livro e observar a lombada é impossível. Descubro, afinal, que no inferior da página se assinala a percentagem da obra lida até ao momento: 19%. Li 19% desta obra, faltam-me, portanto, 81% e a coisa posta assim, na frieza das percentagens, desanima-me. Mas há vantagens, claro, então não há? Já não terei de dizer “ando a ler o Guerra e Paz”, não. A partir de agora poderei dizer “li, até ao momento, 34% do Guerra e Paz”, o que possibilitará de imediato ao meu interlocutor concluir que:

 

a) é respeitável a minha determinação,

 

b) mas não está ainda de todo clara a minha capacidade de chegar à última página (para chamar-lhe de alguma forma).

 

Virar a página reduz-se agora a carregar num botão. O acesso à loja online está de tal modo facilitado que onde quer que eu esteja, seja qual for a hora do dia ou da noite, poderei caprichosamente ordenar aos senhores da loja que me enviem, pelos ares, o livro que me apetecer, tenha eu saldo no cartão de crédito para tanto, e esteja o livro convenientemente convertido para este formato. Qual livraria, qual carteiro, qual espera, qual carapuça. Queres? É teu agora mesmo.

 

Há outras vantagens, evidentemente. A que mais me agradou é a incorporação de um dicionário que permite consultar de imediato o significado de qualquer vocábulo que conste na obra. Desde que esteja na língua inglesa, pelo menos para já.

 

Vá lá, reconheçamos que foi feito algum esforço para agradar aos leitores. Prova disso é que é possível sublinhar e mesmo escrever notas. Constato, porém, que escrever é quase impossível porque requer o uso de um teclado com letrinhas minúsculas, concebidas para dedos subdesenvolvidos, sem polpa, dedinhos tão de plástico quanto o Kindle no qual escrevem. Sublinhar é enfadonho e irritante porque, tendo dispensado a intervenção da caneta, ou de algo que se lhe assemelhe, somos obrigados a domar com perícia um temperamental botão quadrado, com o qual devemos realçar o texto que nos interessa, sem perder palavra pelo caminho. E com tanto esforço, esquecemo-nos da ideia que esteve na origem desse impulso de sublinhar ou tomar notas.

 

O futuro da leitura será, porventura, mais parecido com os “e-Livros” do que com os livros que conhecemos até agora, e a um leitor desse futuro este meu lamento parecerá tão incompreensível quanto para nós o é o relato de um cidadão de Uruk que lastime o abandono das tabuinhas de argila. Pensando bem, este Kindle tem qualquer coisa de tabuinha dessas, uma tabuinha que tivesse dado um salto Kubrikiano, o salto do osso para a nave espacial, nessa elipse compactando milénios de evolução. E assim reconfortada meto o Kindle na gaveta, com a ideia de deixá-lo de herança ao meu rapaz quando ele aprender a ler, e volto aos calhamaços que, benditos sejam, ainda me hão-de fazer alguma tendinite.

 

publicado por João Machado às 11:00
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

25 Belcanto -Jon Vickers - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 Jon Vickers, nasceu em Prince Albert, Saskatchewan, no Canadá, no dia 29 de Outubro de 1926. Tenor lírico, em 1950 ganhou uma bolsa para estudar ópera no Conservatório Real de Música em Toronto e em 1957 Vickers passou a cantor residente do Royal Opera House de Londres. Em 1960 ingressou na companhia do Metropolitan Opera, de Nova Iorque onde cantou durante 20 temporadas, com 225 actuações em 16 papéis diferentes. Cantou também no La Scala de Milão e em numerosos palcos da Europa e da América. Retirou.se em 1988.

 

 

Bernard Shaw, grande escritor, também conhecido pela fina ironia das suas blagues, dizia que os entrechos operáticos se resumem ao amor de um soprano por um tenor, romance que um barítono destrói. Embora com excepções, o padrão repete-se e Otello não lhe escapa - a soprano Desdémona e o tenor Otello amam-se. Mas o tortuoso barítono Iago leva esse amor à destruição e mesmo ao assassínio. Baseado na imortal peça de William de Shakespeare, a ópera em quatro actos, com música de Verdi e libreto de Arrigo Boito, foi estreada em 5 de Fevereiro de 1887 no Scala de Milão. Em 12 de Maio de 1889, estreou-se no São Carlos de Lisboa. Em 1891 seria de novo apresentada em Lisboa, com o grande Francesco Tamagno, tal como na estreia absoluta em Milão.

 

Vamos ouvir Jon Vickers (com  Teresa Zylis-Gara) em Gia nella note densa - ária do III acto de Otello, de Giuseppe Verdi:

 

 

 

  

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

24 BelCanto – Angela Gheorghiu - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

Angela Gheorghiu nasceu em Adjud, na Roménia,  em 7 de Setembro de 1965. Soprano lírico-dramático famosa pela excepcional qualidade da sua voz e pelas suas actuações intensas e profundas, Gheorghiu tem grande afinidade com as óperas de Verdi e Puccini. Dotada de uma grande extensão e de uma voz colorida e escura, pode também cantar papéis concebidos para soprano spinto.

 

Estreou-se em 1992 no seu país no papel de Zerlina, de Don Giovanni, de Mozart. No ano seguinte estava no palco do Metropolitan Opera de Nova Iorque interpretando a Mimi de La bohème, de Puccini, o que diz bem do êxito e da ascensão rápida da sua carreira. Por outro lado, o casamento com o tenor francês Roberto Alagna e um feitio temperamental e explosivo, para além do seu excepcional talento, colocam-na com frequência sob os focos mediáticos.

 

 

 

 

Manon Lescaut, ópera em quatro actos de Giacomo Puccini ( 1858 – 1924), com libreto de Oliva e Illica segundo o romance L’histoire du chevalier des Grieux et de Manon Lescaut, de Abbé Prévost. Foi estreada no Teatro Reggio de Turim em 1 de Fevereiro de 1893. 

 

Vamos ouvir Angela Gheorghiu  na ária do IV acto  Sola perduta abbandonata:

 

 

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publicado por Carlos Loures às 22:00
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

23 - Belcanto - Rolando Villazón - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

BelCanto 23

 

 

Rolando Villazón  nasceu em22 de Fevereiro de 1972 na Cidade do México, mas optou pela nacionalidade francesa. É considerado um dos maiores tenores líricos da actualidade. Há quem lhe chame "O Herdeiro de Placido Domingo".

 

Em 2000 interpretou La Traviata no Teatro Verdi de Trieste, e, no mesmo ano, na Ópera Bastille de Paris. Estas duas interpretações chamaram a atenção da crítica internacional.Em Agosto de 2005 cantou novamente La Traviata, desta vez com Anna Netrebko e Thomas Hampson, durante o Festival de Salzburgo, sob a batuta de Carlo Rizzi. Em Julho de 2006 participou num concerto em Waldbühnepor por ocasião do Campeonato do Mundo de Futebol, Cantou com Anna Netrebko e Placido Domingo. Depois realizou uma série de concertos com Netrebko no Verão de 2007.

 

 

 Vamos escutar Rolando Villazón (e Anna Netrebko) em Tonight  de West Side Story (Amor Sem Barreiras), com música de Leonard Bernstein. Trata-se de um musical, com libreto de Stephen Sondheim, baseado no livro de Arthur Laurents, por seu turno inspirado na obra de William Shakespeare Romeu e Julieta.

 

 

O espectáculo, que deu depois lugar a um filme, foi estreado na Broadway em 1957. Estreou-se em 2008, no Teatro Politeama de Lisboa, uma versão portuguesa com encenação de Filipe La Féria.

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

22 - BelCanto Kiri Te Kanawa - por Carla Romualdo e Carlos loures

 

BelCanto  22-

 

 

Dame Kiri Te Kanawa (nasceu em Gisborne, Nova Zelândia em 6 de Março de 1944) é considerada uma das maiores sopranos de todos os tempos. O seu repertório é muito abrangente, indo de Handel e Mozart a Verdi, de Puccini a Strauss Giuseppe Verdi. Curiosamente, na adolescência foi uma estrela pop, actuando em pequenos clubes da Nova Zelândia. Em 1965, interpretando “Vissi d’Arte”, de Puccini ganhou um importante prémio e aí começou a sua carreira de cantora lírica, pois o prémio era uma bolsa de estudo em Londres. Depois de uma dura aprendizagem, em 1968 estreou-se no Sadl Sadler's Wells Theatre de Londres.

 

 

 

Tendo actuado em numerosos palcos de ópera europeus. Em 1974, na Desdémona de Otello, de Verdi, apresentou-se no Metropolitan Opera House de Nova Iorque. Seguiram-se Paris, Milão, Salzburgo, Viena… A 28 de Junho de 2008 actuou no Casino Estoril. Neste concerto cantou, em dueto com Mariza, Summertime.

 

La bohème é uma ópera em três actos de Giacomo Puccini (1858-1924) com libreto de Giuseppe Giacosa e Luigi Illica, inspirado no romance Scènes de la vie bohème, de Henry Murger. Foi estreada no dia 1 de Fevereiro de 1896, no Teatro Regio de Turim. Vamos ouvir Kiri Te Kanawa em  Si, mi chiamano Mimi, uma ária do primeiro acto.

 

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

21 Belcanto - Ruggero Raimondi - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

 

BelCanto - 21

 

 Ruggero Raimondi, baixo-barítono italiano, nasceu em Bolonha no ano de 1941. Tendo vencido a Competição Nacional de Novos Cantores de Ópera em Spoleto,  fez a sua estreia nessa cidade, no papel de Colline em La bohème, de Puccini. O seu primeiro grande êxito ocorreu no Teatro da Ópera em Roma, quando interpretando o papel de Procida em  I Vespri Siciliani, de Verdi, obteve um enorme sucesso, aclamado pelo público e pela crítica.

 

Actuou depois nos mais importantes teatros de ópera de Itália - La Fenice em Veneza, Teatro Regi, de Turim, Teatro Municipal de Florença...  A sua estreia no La Scala ocorreu com o papel de Timur na ópera Turandot, de Puccini em 1968. Em 1970 apresentou-se no Metropolitan Opera House, no papel de Silva  em Ernani, de Verdi. Covent Garden, em 1972. E em 1975 estreou-se na Ópera de Paris. Em 1986 dirigiu a produção de Don Giovanni, e decidiu a continuar sua carreira como director.

 

 

 

 

Entre os seus papéis mais importantes, está o de Escamillo da Carmen, que vamos escutar na ária " Votre toast" (Toreador) do II acto . Já aqui falámos desta famosa ópera de Georges Bizet com libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy, baseado no romance de Prosper Mérimée, estreada em 3 de Março de 1875 na Opéra-Comique de Paris.  Em Portugal, Carmen foi estreada, na versão em italiano, em 4 de Maio de 1875 no Real Teatro de São Carlos.

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Domingo, 17 de Abril de 2011

20 - Belcanto - Katia Ricciarelli - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Belcanto

 

Katia Ricciarelli nasceu em Itália, em 1946, numa família humilde, facto que lhe dificultou os estudos musicais, mas não impediu que os seus dotes de soprano lírico viessem a ser reconhecidos.A sua estreia dá-se em Mântua, em 1969, com o papel de Mimi em La Bohème, e apenas dois anos depois da sua estreia recebe o prémio "Voci Verdiane", atribuído pela RAI, que distingue os melhores intérpretes de Verdi.


 

 

Com o seu tom cálido, maduro, capaz de transmitir grande profundidade emocional, Ricciarelli brilhou nos papéis líricos, e muitos críticos apontaram como um erro na sua carreira a passagem, porventura prematura, para papéis mais pesados, como o de Aida, para o qual, segundo se diz, terá sido empurrada pelo maestro Herbert von Karajan.

 

Em 1986, interpretou Desdemona na versão cinematográfica de Othello, realizada por Franco Zeffirelli, e na qual contracenava com Plácido Domingo.  

 

Criou a Accademia Lirica di Katia Ricciarelli em 1991, dedicando boa parte do seu tempo ao ensino. Em 2006, desiludiu muitos dos seus admiradores ao aceitar participar no reality show italino La fattoria (A quinta), num canal televisivo.

 

Lucia di Lammermoor é, talvez, a ópera mais famosa de Gaetano Donizetti (1797-1848) e uma das mais representativas do belcanto italiano. Baseada no romance The Bride of Lammermoor, de Walter Scott, foi estreada em Nápoles, em 1835. A famosa ária da loucura, na qual Lucia assassina o noivo na noite de núpcias, é uma das mais célebres do repertório lírico.

 

 

 

 

 

publicado por CRomualdo às 22:00

editado por Carlos Loures em 16/04/2011 às 16:11
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Sábado, 16 de Abril de 2011

19-BelCanto - Franco Corelli - por Carla Romualdo e Carlos Loures

BelCanto -19

 

Franco Corelli, célebre tenor italiano (nasceu em Ancona a 8 de Abril de 1921e morreu em 29 de Outubro de 2003 em Milão). Com um repertório assente sobretudo nos grandes compositores italianos do século XIX, foi chamado o «príncipe dos tenores». O auge da sua carreira ocorreu entre os final dos anos 50 e os anos 70. Actuou nos mais importantes teatros de ópera do mundo, nomeadmente no Metropolitan Opera de Nova Iorque. Actuou em Portugal

 

 

Possuidor de uma boa presença em palco, com um timbre claro e interpretações de grande intensidade dramática é um dos mais famosos intérpretes de Nessun Dorma  uma ária do 2º acto da ópera Turandot de  Giacomo Puccini (1858-1924) – Além de Turandot, Puccini foi autor de outras famosas óperas – tais como La bohème, Tosca e Madama Butterfly..

 

A ópera Turandot foi estreada no Teatro alla Scala de Milão em 25 de Abril de 1926.

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 22:00
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Belcanto - 11. Carlo Bergonzi - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

Dizem  as lendas familiares que Carlo Bergonzi (nascido em 1924, em Vidalenza,  perto de Parma) foi levado pela primeira vez à ópera quando tinha seis anos, por iniciativa dos seus pais melómanos. A impressão produzida no pequeno foi tal que na manhã seguinte os pais foram dar com ele na cozinha, a reproduzir, como sabia, a ária “Di quella pira” que ouvira na noite anterior. 

 

Os seus estudos musicais começaram cedo e foi admitido no Conservatório de Parma  aos 14 anos, tendo-lhe sido reconhecida uma voz de barítono.  No ano seguinte irrompia a Segunda Guerra Mundial, e Bergonzi passaria alguns anos como prisioneiro num campo alemão.  Após a libertação retomou de imediato os seus estudos musicais e em 1947 faria a sua estreia como barítono. Ainda cantou alguns anos,  mas sentia-se insatisfeito e, em 1951, acabaria por apresentar-se pela primeira vez como tenor, em Andrea Chenier. É  então que a sua carreira verdadeiramente se lança.


 




 

Durante a década de 1950, Bergonzi estreia-se nas mais importantes salas operáticas do mundo e começa a ser reconhecido como intérprete verdiano de excelência.  Tem como rivais Del Monaco, Corelli e Di Stefano, mas ao longo das décadas de 1960 e 1970, os rivais entram em declínio e Bergonzi consegue preservar  o seu belo timbre e dicção perfeita.


 

Bergonzi é, de resto, um exemplo de longevidade no canto e a sua última aparição em palco, no concerto de homenagem ao maestro James Levine,  no Metropolitan de Nova Iorque, revelou um tenor surpreendentemente em forma aos 72 anos.


 

Nos últimos anos, Bergonzi retirou-se para o seu “I due Foscari”, o hotel de que é proprietário em Busseto, perto de Parma, mas continua a dar aulas, tendo formado vários jovens tenores.


 

Conhecido sobretudo pelas suas interpretações de Verdi, Bergonzi foi uma das mais destacadas vozes do “Verismo”,  um estilo de ópera italiana que floresceu no final do século XIX, e na qual se inscreve I Pagliacci, a famosa ópera de Ruggero Leoncavallo, compositor italiano (Nápoles, 1957 – Montecatini Terme, 1919), que ficou sobretudo conhecido como autor de “I Pagliacci”, mas que foi também um destacado libretista.


 

A ária mais famosa desta ópera é, sem dúvida, “Vesti la giubba”. Nela Canio, o palhaço, prepara a sua entrada em palco após descobrir a infidelidade da sua mulher, sabendo que ao público pouco importa o sofrimento que o artista possa sentir. A ária entrou na cultura popular como um símbolo da condição do artista, um hino que ilustra a velha máximo que nos recorda que “o espectáculo tem de continuar”. 

 

 

 

 


publicado por CRomualdo às 22:00

editado por Luis Moreira às 14:14
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Sábado, 2 de Abril de 2011

BelCanto 5 - Luciano Pavarotti- por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

BelCanto- 5

 

 

 

 

Luciano Pavarotti, grande tenor lírico italiano, nasceu em Modena a 12 de Outubro de 1935 e faleceu em 6 de Setembro de 2007.Iniciando a carreira em 1961, a celebridade começou em 1965 , após uma digressão pela Austrália, com a famosa soprano Joan Sutherland. As interpretações na Aida de Verdi e em La bohème, Tosca e Madama Butterfly, de Puccini credenciaram-no como um dos maiores tenores líricos do mundo. Para muitos, foi mesmo considerado o maior.

 

 

 

A sua fama ultrapassou o universo do público erudito durante o Mundial de Futebol de 1990,com  interpretação da ária  Nessun Dorma, da ópera Turandot, de Puccini. As apresentações dos Os Três Tenores, com Placido Domingo e Josep Carreras, foram outro factor de grande popularidade. Pavarotti actuou duas vezes em Portugal. Em 13 de janeiro de 1991, no Coliseu dos Recreios, cantou árias de Donizetti, Verdi, Massenet, Puccini, Leoncavallo e canções napolitanas. Em 21 de Junho de 2000  actuou no Estádio São Luís, em Faro.

 

Pavarotti é considerado o tenor que mais contribuiu para popularizar mundialmente a ópera. Foi um dos maiores intérpretes de sempre  das obras de Donizettii, Puccini e Verdi. Vamos escutar a sua interpretação de Una furtiva lágrima, do II acto da ópera L’Elisir d’Amore, de Gaetano Donizetti. L’Elisir d’Amore é uma ópera buffa em dois actos, com libreto de Felice Romani e foi estreada em Milão no ano de 1832. Em Portugal, foi apresentada no Teatro de São Carlos em 6 de Janeiro de 1836. Esta interpretação foi gravada em 13 de Abril de 1982 no Royal Albert Hall Royal . de Londres, acompanhado pela Philharmonic Orchestra regida por Kurt Herbert Adler.

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 22:00

editado por CRomualdo em 31/03/2011 às 18:48
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011

BelCanto -3 Giuseppe Di Stefano - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 

 

BelCanto-3

 

 

 

 

Giuseppe Di Stefano, um dos maiores tenores líricos de sempre, nasceu na província da Catânia, na Sicília, em 24 de Julho de 1921 e morreu em Santa Maria Hoé(Lombardia) a 3 de Março de 2008. No final dos anos 40 começou a ser conhecido internacionalmente. Mas foi na década de 50 que atingiu o cume da sua carreira. Com Maria Callas formou uma dupla operática de grande prestígio. Cantou, no entanto, com a rival de Callas, a grande Renata Tebaldi.

 

 

 

 

Com uma excelente presença em palco, uma voz aveludada e uma dicção impecável, pode dizer-se que Giuseppe Di Stefano foi, a par de Mario del Monaco, o maior tenor da sua época – as suas interpretações no Edgardo de Lucia di Lammermoor ou de Mario Cavaradossi na Tosca, entre muitas outras, ficaram célebres.

 

Vamos escutá-lo em 'Rêve de Des Grieux' uma ária da ópera Manon (com libreto baseado no romance de Abbé Prévost). Manon, do compositor francês Jules Émile Frédéric Massenet (1842-1912). foi estreada na Ópera de Paris no ano de 1892

 

  

 

 

publicado por Carlos Loures às 22:00

editado por CRomualdo em 29/03/2011 às 22:29
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Belcanto 2 - Maria Callas - por Carla Romualdo e Carlos Loures

BelCanto-2

 Maria Callas,  cantora norte-americana de ascendência grega, nasceu em Nova Iorque a 2 de Dezembro de 1923 e morreu em Paris a 16 de Setembro de 1977, foi considerada a melhor soprano de todos os tempos. Recuperou as tradições do bel canto e marcou indelevelmente o Século XX. Actuou nos principais teatros do mundo, tendo cantado no Teatro Nacional de São Carlos em 27 de Março de 1958 a ópera La Traviata. O tenor espanhol Alfredo Kraus interpretou o papel de Alfredo.

 

 

 

 

Callas foi notada internacionalmente em 1948 com a sua interpretação na protagonista de Norma, de Bellini, em Florença. Mas foi a partir dos anos 1950 que Callas se começou a transformar na grande estrela do mundo da ópera. Renata Tebaldi disputava-lhe o trono e essa rivalidade, com adeptos de uma e outra digladiando-se, animou  a crónica social da época.

 

Maria Callas canta a famosa aria "Vissi d'arte" da Tosca, de Giacomo Puccini. Gravação feita ao vivo no  Metropolitan Opera de Nova Iorque, em 1965. O elenco era de luxo – Maria Callas (Floria Tosca ) Franco Corelli (Mario Cavaradossi) e Tito Gobbi (Scarpia). A orquestra foi dirigida pelo Maestro Fausto Cleva

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publicado por Carlos Loures às 22:00
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sugestão: revista arqa #84/85

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