Sábado, 8 de Janeiro de 2011

A Hungria sobre uma tendência perigosa - por Júlio Marques Mota

A Hungria faz falar dela. Não só porque ocupa desde segunda-feira a presidência da União Europeia, mas sobretudo porque nela se concentram  os protestos contra as suas medidas políticas e fiscais. Um governo de direita populista foi eleito com  larga margem  há seis meses na base de um programa de ruptura clara e mantém  as suas promessas. Reforma as instituições, multiplica as taxas e amordaça os meios de comunicação social. Evidentemente este programa produz os seus descontentes. Os primeiros a ter feito barulho são as grandes sociedades estrangeiras da finança, da energia, as telecomunicações  ou da distribuição que se reencontram de imediato  fortemente taxadas  sobre o seu volume de negócios. Acabam de protestar  junto de Bruxelas  para protestar contra estas medidas que consideram dramáticas pela sua amplitude e discriminatórias dado que visam apenas os sectores largamente controlados por empresas não nacionais.



Estas empresas têm pelo menos duas boas razões de protestar. A primeira  é que se todos os membros da União Europeia têm perfeitamente o direito de alterar a sua fiscalidade, e não se privam de fazê-lo, de resto, eles não têm em contrapartida o direito de introduzir medidas discriminatórias que prejudicariam mais empresas estrangeiras da União. Tal facto é  totalmente contrário às regras em que assenta a unidade económica da Europa. A segunda razão, é que este governo está a instalar uma incerteza jurídica não francamente propícia ao bom andamento da economia. Por exemplo, quando a empresa alemã de electricidade  E.ON quis levantar uma  queixa contra estas taxas junto do Tribunal Constitucional, o poder fez imediatamente  votar novas leis que tiram qualquer poder à esta instância jurídica.



De momento, os países europeus e Bruxelas estão prudentes  e incomodados, nomeadamente devido ao facto de a Hungria ter assumido a Presidência. Mas deveriam agir  rapidamente porque o problema não é apenas económico. É também político. Amordaçando a imprensa e os contras poderes jurídicos, o governo do primeiro ministro Viktor Orban está a afastar o seu país dos princípios democráticos de princípios  que constituem o pedestal comum dos países da União. Fazendo-o, corre  o risco de dar um tiro no pé, porque as suas medidas poderiam não somente fazer com que os capitais estrangeiros fujam, o que parece estar desde já a desenhar-se, mas também  atiçar  a  desconfiança dos mercados financeiros e dos seus parceiros europeus enqunato que ele tem necessidade da solidariedade  europeia. A Hungria segue uma tendência  perigosa que será acompanhada  de perto e  muito cuidadosamente pelos seus vizinhos numa altura em que  os populismos crescem um pouco por toda a parte na Europa.

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Comentários

A Hungria sobre uma tendência perigosa

É curioso por parte de um húngaro; como um reflexo de preferência nacionalista mas que se assemelha a outras pretensões e  a outras declamações  sobre um direito de preferência num mundo liberal! Certamente tal intenção preferencial - mais do que proteccionista, semanticamente falando - só se pode e deve  compreender  com uma reforma completa da governança financeira e económica do mundo inteiro. Finalmente da Hungria à França, tudo se passa ou é tudo da mesma maneira como se não haja melhor advogado da democracia que quando se controlam  todas os alavancas do poder em regime de monocracia  tanto na Europa do Leste como na Europa do Oeste. A juventude contra a velhice,  como o dizia um ministro guerreiro  yankee.


Redigido por yokikon | quarta-feira 5 de Janeiro de 2011




É engraçado, a China e os Etados-Unidos intervêm  sobre as  moedas (pode-se mesmo dizer que os dólares transportam  a sua dívida nacional por todo o mundo), intervem-se sobre a nossa agricultura (com a Austrália os Estados-Unidos) (eu sou camponês), a China intervem sobre estas fronteiras (e nas de dentro), a Alemanha, os Estados-Unidos  intervêm imensamente sobre o ambiente, mas é necessário e absolutamente defender utopia de uma concorrência não falseada.


Nenhuma político pode ser eleito  sem estar a oferecer uma protecção específica ao seu país, em vez de a assumir e a negociar  oficialmente junto da  OMC ( de nós a China quer uma vantagem sobre as nossas exportações, nós, a França queremos  proteger o nosso nível de vida, nós os Estados Unidos  queremos  proteger a nossa posição militar e um certo sector, etc.), prefere-se manter um mascarada e fazer dumping (isto é, proteccionismo mas com uma palavra mais na moda para os  ocidentais, e quando não se assume muda-se a palavra,  que coragem?), sobre o ambiente, a agricultura, o exército, os acordos diplomáticos, até mesmo pela achamada de atenção histórica (dixit a humilhação da SNCF na Flórida, são fortes estes americanos).


Magiares,  ide,  (enfim, o governo, ) deixem a questão, são demasiados pequenos para vigarizar, para fazer batota..

Philippe Escande, La Hongrie sur une pente dangereuse, Les Echos, 05.01.11

publicado por Carlos Loures às 10:00

editado por Luis Moreira às 01:42
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