Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Stephen Vizinczey, autor de Verdade e Mentira na Literatura, um livro que eu li

 

João Machado

 

 

Stephen Vizinczey é húngaro. Nasceu em 1933. Começou a escrever muito novo, fazendo poesia, e escrevendo para o teatro. As suas três peças de teatro foram proibidas pelo regime comunista, embora a segunda, uma peça intitulada A Última Palavra, tenha recebido o prémio Attila József. Conta Vizinczey que durante os ensaios apareceu-lhe a polícia política, e confiscou tudo, cenários, roupas, etc. Na sequência da revolta de 1956, esmagada pela URSS, fugiu para o Ocidente.

 

Os seus conhecimentos de inglês eram quase nulos. Aplicou-se na aprendizagem de tal modo que, em pouco tempo, estava a ganhar a vida a escrever argumentos para filmes. Fundou uma revista, Exchange, e trabalhou na rádio. É de notar que, posteriormente, Vizinczey chegou a ser comparado a Conrad e a Nabukov.

 

Escreveu o seu primeiro romance, In Praise of Older Women, que foi publicado em 1965. Vizinczey teve de se desempregar para conseguir vender o livro, pois nenhum editor o tinha aceitado. O livro está traduzido em 21 línguas, e é reeditado regularmente. Foram feitas duas adaptações para o cinema.

 

Em 1968 saiu The Rules of Chaos, um livro classificado como filosófico, baseado num artigo que Vizinczey tinha escrito para The Spectator, indicando as razões porque achava que os EUA iam perder a guerra do Vietname. A propósito, leiam no blogue de Vizinczey (http://stephenvizinczey.blogspot.com) a análise que ele faz sobre a guerra no Afeganistão.

 

Outro romance, An Innocent Millionaire, saiu em 1983, conhecendo também um sucesso apreciável. Em 1986, saiu Truth and Lies in Literature, o livro que li agora (já lá vai um mês), numa tradução de Maria José Marques Figueiredo, edição da Estampa, de 1992. Devo dizer que achei notável. Agrupa vários trabalhos, já saídos na imprensa ou em revistas mais especializadas. Começa por, no prólogo, nos apresentar um texto de 1985, Os Dez Mandamentos de um Escritor, uma fórmula discutível, é certo, mas de leitura interessante. Depois vem uma parte inteiramente dedicada à literatura francesa, até Sartre e Malraux. Permitam-me que dê particular relevo aos escritos de Vizinczey sobre Stendhal, de que ele é um grande admirador (e este humilde estrolábio também). Acho que ele deixa bem claro a importância de Stendhal na literatura, assim como de Balzac. Mas é sobretudo o que ele escreve sobre Stendhal que merece o maior relevo.

 

A seguir debruça-se sobre a literatura alemã, também acho que com grande interesse. Permito-me chamar a vossa atenção para o que Vizinczey escreve sobre Kleist. A comparação que faz com Goethe é de bastante interesse. Depois vem uma parte do livro intitulada Sexo, Sociedade, Política, em que se ocupa de vários temas, analisa um livro de Margaret Mead, uma biografia de Mary Wollstonecraft, e mais livros, incluindo um sobre anarquistas, o Sexual Politics de Kate Millet, e remata com The Confessions of Nat Turner, de William Styron. Tem depois uma parte sobre escritores russos, incluindo Gogol, Tolstoi, Pasternak e Soljenitsyne. Na última parte, O que mais importa, aborda, sempre com muito interesse, Leonardo Da Vinci, Swift, o Dr. Johnson e Boswell, e remata com um ensaio intitulado precisamente Verdade e Mentira na Literatura, que vocês têm que ler e dar a vossa opinião. A propósito, digam-me onde posso encontrar o Contre Sainte-Beuve, do Proust. Leiam o Vizinczey. Dele, só li este livro. Se leram os outros, contem. Para além dos que acima referi, tem um chamado Wishes, sobre o qual não consegui qualquer referência.

 

O Stephen Vizinczey tem um site, http://stephenvizinczey.com.

publicado por João Machado às 16:00
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3 comentários:
De Luis Moreira a 7 de Janeiro de 2011
Muito bom, João! Para reler quando não estiver atarefado a esclarecer o caso BPN eheheh
De João Machado a 7 de Janeiro de 2011
Luís, se pensassem mais na literatura e na arte, havia menos BPNs . Com certeza que o Presidente sabia quantos cantos tem o Lusíadas (espero que agora já saiba).
De Luis Moreira a 7 de Janeiro de 2011
O homem raramente ten dúvidas, mesmo quando está errado. Hoje almocei com três (3) socialistas , 2 ex-comunistas,(a vida toda meus amigos) o que vai naquelas almas, "o sr. Silva, é desta," e eu a dizer-lhes o gozo que tinha de ver o sr. Silva a dar explicações e a aconselhá-los a não se iludirem...
O que eu sofro pelos meus amigos comunistas...

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