Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Cidade Maravilhosa – 2 – Sílvio Castro

Retrato sintético dos anos ’50 (até 1962) da e na “Cidade Maravilhosa”

 

 

O Rio de Janeiro vive os seus últimos 4 anos de Capital do Brasil, numa longa história começada em 1763, mas nada perde de seu fulgor maravilhoso.

 

O período presidencial de Juscelino Kubistchec propicia ao Brasil um estágio de inovações e progresso há muito não conhecido. Mas, em correspondência, retornam à atividade as ações dos grupos reacionários e conservadores. Já no primeiro ano da sua Presidência, Juscelino se confronta  com movimentos de sublevação, como aquele dos oficiais da Aeronáutica, em Jacarepaguá. Mas contra tudo isso, o novo Presidente lança o seu programa de metas: “cinquenta anos em cinco”. O Governo progressista tem, entretanto, de conviver com um ambiente altamente turbado por contestações dos mais diversos gêneros: em 1957 explode uma greve operária com 400 mil trabalhadores que reivindicam reajuste salarial; no ano seguinte, os estudantes universitários do Rio de Janeiro manifestam ruidosamente durante e contra a preseça do Secretário de Estado USA , John F. Dulles, em visita oficial ao Brasil. Em 1959, Juceslino Kubistchec declara o rompimento do Brasil com o Fundo Monetário Internacional. Neste mesmo ano é criada a SUDENE, Superintendência do Desevolvimento do Nordeste, na qual, por muitos anos, aplicou-se o gênio científico de Celso Furtado.

 

 

Todo o amplo programa presidencial de Juscelino se baseia essencialmente na construção de Brasília, bem como a realização de todos os projetos correlatos, principalmente aqueles que se referiam às vias de comunicação de todo o País tendo como ponto de convergência a nova Capital. Em menos de cinco anos Brasília surge do nada, de sua pedra fundamental, à mais completa realização. Cumpria-se finalmente aquilo já previsto pela 1ª. Constituição republicana, de 1891, que estabelecia a capital no centro ideal do território brasileiro. O revolucionário projeto de Lúcio Costa, o urbanista que concebe toda a magia estrutural de Brasília; a arquitetura genial de Oscar Niemeyer, que dá visibilidade a tantas inovações urbanisticas; mais uma grande equipe de engenheiros, com a frente um engenheiro poeta, Joaquim Cardoso, que na força de sua sabedoria de especialista do cálculo dava estabilidade aos mais ousados projetos de Niemeyer; e uma outra igualmente grande equipe de jovens arquitetos nacionais, todas essas componentes concorrem para permitir ao Brasil ter uma capital em total consonância com a modernidade típica do XX°. Século. Durante o Congresso Internacional de Arquitetura, realizado por ocasião das festas fundativas de Brasília, um delegado soviético declara a sua surpresa ao ver semelhante obra monumental realizada em um país fora do regime socialista.

 

O Rio de Janeiro solidariza continuamente com os tempos otimistas de Juscelino. Nem mesmo o excesso muitas vezes sentido do otimismo jusceliano, nem mesmo o constante perigo de uma inflação quase fatal para um Brasil assediado de todos os lados por perigos de capitais estrangeiros, ávidos das riquezas naturais do País, nada disso impede ao calor da vida carioca de compartilhar de todas as novidades que renovavam o Brasil.

 

Em 1960, o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte visita o Brasil. E ainda uma vez os estudantes universitários cariocas saem às ruas para protestar contra a presença de uma visita americana.

 

Logo em seguida, realizam-se novas eleições presidenciais, com a vitória de um candidato out-sider, Jânio Quadros, que tem como seu Vice-Presidente Jango Goulart. Tendo tomado posse em janeiro de 1961, Jânio renuncia à Presidência em 25 de agosto do mesmo ano, denunciando que forças ocultas o impediam de governar. Os ministros militares tentam obstacular a posse do Vice-Presidente de esquerda, golpe impedido pela ação do Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, com apôio do III Exército.

 

O ano de 1962 principia neste estado de agitação. Porém, em junho desse mesmo ano o Brasil se faz bi-campeão do mundo de futebol, conquistando pela segunda vez consecutiva a Taça Jules Rimet. O Campeonato mundial do Chile reafirmou todas as grandes qualidades já demonstradas pela Seleção na Copa da Suécia. Agora aqueles campeões se apresentavam ainda mais maduros e consistentes num jogo de constante alto nível técnico e tático.  Ainda que logo tenha perdido Pelé, agora na plena maturidade de seus vinte e dois anos, contundido gravemente numa ação contra a defesa da Tcheco-eslováquia, terminada com o empate de 0x0, com o Brasil jogando quase todo o tempo em dez, porque então ainda não se permitia a substituição dos jogadores impedidos de continuar a partida, o Brasil descobre um novo e substancial ponto de apôio em Garrincha, novo lider da esquadra até a conquista do título. Já na partida seguinte, contra a Espanha, Pelé encontrara um formidável substituto no jovem Amarildo. A Espanha, mesmo reforçada pelo naturalizado Puskas, e tendo outros formidáveis jogadores, como Gento e Collar, sai mais uma vez derrotada: Brasil 2x1. Em seguida as vitórias sobre a Inglaterra, 3x1, e diante da ambiciosa seleção organizadora da Copa, o Chile, agora por 4x2, numa partida de grande esplendor para Garrincha. Na final, a Seleção encontra de novo a Tcheco-eslováquia. Vitória do Brasil por 3x1: os tchecoeslováquios abrem o placar aos 15 minutos do 1° tempo, mas os brasileiros sabem reagir, para finalmente vencer com os gols de Amarildo, Zito e Vavá. O Brasil se fazia bi-campeão do mundo com os seguintes campeões: Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagalo. Tudo isso analisei no meu livro saído no dia seguinte à grande vitória: S. Castro, O Futebol brasileiro – Bicampeão do Mundo (Ed. do Anuário da Literatura Brasileira, RJ, 1962).

 

 

Toda esta sintética, mas variada história (também estória) da “Cidade Maravilhosa” se interrompe no dia 15 de novembro de 1962, quando parto para Veneza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira às 18:45
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