Domingo, 4 de Julho de 2010

Um alentejano de Olivença arcebispo de Goa -Frei João Vicente da Fonseca (15??-1587)


Carlos Luna

Não é fácil falar de uma figura da História de que se sabe pouco.

Como, todavia, foi importante, convém tentar fazer o melhor possível.

Frei João Vicente da Fonseca, ou simplesmente Frei Vicente da Fonseca, nasceu em Olivença, talvez entre 1520 e 1540. Pouco se sabe dele até 1578, salvo que veio para Lisboa e que ingressou na Ordem dos Dominicanos. Graças a um Dominicano actual, Frei José Carlos ( a quem só se pode agradecer ), sabemos que há em 1575 o seu nome surge em São Domingos de Benfica, como simples Frade. Em 1578, é Leitor no Colégio da Rainha, na m,esma freguesia. O problema está em saber se se fala da mesma pessoa, pois o apelido e o nome eram (e são) muito comuns.

Encontramos ( e aqui já há certezas) Frei Domingos da Fonseca a acompanhar a expedição de D. Sebastião a Alcácer-Quibir (Marrocos) em 1578, e, claro, damos com ele prisioneiro. Procurou confortar os companheiros, e sabemos que pregava aos judeus (presume-se que de Marrocos... ), incitando-os a converterem-se ao cristianismo. Há quem opine que o fazia por os respeitar, mas há quem defenda que, pelo contrário, só os respeitava se convertidos.


Em 1581, já estava de regresso a Portugal, já sob o governo de Filipe II. O seu nome aparece como pregador régio, embora se possa tratar de um homónimo, talvez um frade de Benfica. O mesmo nome é dado a um frade em Lisboa em 1582. O mesmo? Outro?

Em 1580, tinha sido nomeado arcebispo de Goa, mas a Bula só é publicada em 1583, ano em que parte para a Índia, num navio em que navega também um espião holandês que sobre ele escreverá: Jan Huygen (van Linschoten). Em 1584, convocou o terceiro concílio provincial, em que abjuraram a sua heresia o bispo siríaco de Augamales e o nestoriano Max Abraão. A pedido de Vicente da Fonseca, foi determinado, por carta régia de 1585, que em Goa se fundasse um Seminário para o Clero da Índia. Também por essa época foram separadas muitas igrejas do arcebispado.

Exerceu então, por algum tempo, o governo da Colónia. Surgiram conflitos de jurisdição, a que não terão sido alheias lutas entre facções rivais da aristocracia portuguesa local... onde, em abono da verdade, vários casos de corrupção eram do conhecimento geral. O Arcebispo viu-se obrigado a embarcar de volta ao Reino, curiosamente com o mesmo holandês com que viajara para a Índia, mas faleceu na viagem, diante do Sul de África, em 1587, suspeita-se que envenenado... talvez por se recear que contasse algo incómodo em Lisboa para certos interesses e certos nobres em Goa.

publicado por Carlos Loures às 09:00
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