Sábado, 14 de Agosto de 2010

O Romantismo social português: 1 – Considerações gerais

Sílvio Castro

Movimento de vanguarda, possivelmente o primeiro nesse sentido, o Romantismo se apresenta historicamente em forma complexa, englobando e propondo as mais diversas dimensões para a nova criação literária. Herdeiro dos melhores valores da tradição neo-clássica, entretanto logo se mostra contrário às mesmas e disponível à conquista de surpreendentes e inéditas dimensões artísticas.

‘ Inicialmente, e como elemento tradutor de sua dimensão inovadora, o Romantismo exalta a sua raiz predominante, a Iluminista, traduzindo-a através da elevação da liberdade de criação individual do novo homem romântico como valor inalienável. O novo homem então se mostra eterno enquanto universo referencial e único. Conjugando emoção e racionalidade, o artista romântico conduz a própria individualidade ao plano da total invenção, removendo todo e qualquer tipo de formas sedimentadas, na procura sem limites de invenção e revelação.

Afirmada uma tal dimensão na luta contra todas as forças reativas, o Romantismo conduz a sua consciência da individualidade a confins sem fronteiras, penetrando igualmente em territórios que aparentemente são possíveis negações do quanto afirmado programaticamente pela revolução estética operante e operada. Então, o individualismo romântico se faz capaz de atingir a dimensão de uma renovada consciência do social. Do social que não surge necessariamente de uma premeditada educação cívica, mas que resulta diretamente da iluminação do poeta individualista que se apropria de seu universo civil.

A passagem do Romantismo individualista àquele social é o resultado da totalização do poeta revolucionário em contacto com o seu universo de interrelações. O poeta conjuga então sua natural posição ético-estética com aquela outra, política. Uma das forças condutoras desse movimento giratório do poeta de origem iluminista ao pacto da convivência política se produz através das contribuições revolucionárias de um inicial Liberalismo, ele igualmente fruto da tradição iluminista. Então, o poeta romântico também social passa a ser o amadurecimento absoluto daquele cantor inicial preso às suas emoções reveladoras, agora submetidas ao mais profundo processo de racionalização da consciência pessoal do estar-no-mundo.

Com o desenvolvimento e evolução de seu processo histórico, o Romantismo alarga a sua inicial matriz liberal, de origem iluminista, ao nascente pensamento socialista, ainda este imbuído de lições iluministas, mas revitalizado pelos valores afirmados com a Revolução francesa de 1789.

O poeta unívoco se multiplica assim na atipicidade viva dos tantos valores

que compõem o seu ambiente existencial e social, levando-o a integrar-se conscientemente nele. Seria quanto a teoria schleguiana, uma das bases do Romantismo alemão, definia respectivamente como estágios “Ingênuo“ e “Sentimental” porque passa o poeta romântico na conquista de uma definitiva maturidade criadora.

Se desejarmos definir o conceito-valor que permite ao poeta romântico um tal grande salto criativo, o poderemos fazer, entre outros, a partir daquele de “Nação”. O romântico social exalta com esplendor os valores de sua nacionalidade, a tal ponto que a leva aos confins da universalidade.

Os dois irmãos Schlegel, August Wilhelm von Schlegel (1767-1845) e Friedrich von Schlegel (1772-1829), elegem o “Nacional” como protótipo da dimensão social do Romantismo e para exemplicá-lo, principalmente a partir da teorização de Friedrich, colocam Os Lusíadas como a máxima criação épica possível. Tudo a partir da parcial tradução alemã da obra-prima camoniana realizada por August Wilhelm.

Um tal percurso, visto com todas as características próprias de um Romantismo nacional de claras linhas autônomas, como o é aquele português, o poderemos encontrar criticamente na apreciação direta da ação e da obra de autores como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Soares de Passos, Antero de Quental, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro e Cesário Verde. Verificação crítica que logo em seguida passamos a fazer.
publicado por Carlos Loures às 16:30
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