Terça-feira, 11 de Maio de 2010

A religiosidade de marx, as ideias de Lutero e os comentários de Ratzinger -1

Raúl Iturra

Ratzinger, comentador de Marx, aproxima-se. O que de Kart Heirich Presborck Marx, chama a atenção nas ideias do nosso analisado? Está todo explicado em dois livros meus, mas sintetizo para entender e publicar que Ratzinger faz dos Marxs, o seu cavalo de Tróia dentro do socialismo democrata. Ai onde o seu antecessor, Wojtila, luta durante dezenas de anos contra a social-democracia, que denomina comunismo, Ratzinger faz de Marx um pilar teórico da sua soberania papal. Ratzinger anda por perto do nosso país. Tem louvado Marx e parece entender o que o revolucionário diz.

No Concílio de Benevento de 1965, Ratzinger escreve um texto que diz:
Solidariedade Finalmente, chegamos à terceira palavra-chave: "solidariedade". Enquanto as duas primeiras palavras-chave, eucaristia e comunhão, foram tiradas da Bíblia e da tradição cristã, esta palavra chegou até nós do exterior. O conceito de "solidariedade" como o Arcebispo Cordes mostrou inicialmente desenvolveu-se no âmbito do primeiro socialismo por parte do Pe. Lerou (falecido em 1871), em contraposição à ideia cristã de amor, como a nova, racional e eficaz resposta ao problema social. Karl Marx explicou que o cristianismo tivera um milénio e meio de tempo para mostrar as suas capacidades e que agora estava suficientemente demonstrada a sua ineficiência; por conseguinte, era preciso percorrer novos caminhos. Durante decénios muitos pensaram que o modelo socialista sintetizado no conceito de solidariedade era finalmente o caminho para realizar a igualdade de todos, para erradicar a pobreza e estabelecer a paz no mundo. Hoje podemos observar o panorama de ruínas deixado por uma teoria e praxis social que não considera Deus.

É inegável que o modelo liberal da economia de mercado, sobretudo onde, sob a influência das ideias sociais cristãs foi orientado e corrigido, nalgumas partes do mundo alcançou grandes êxitos….. Texto completo, em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20020602_ratzinger-eucharistic-congress_po.html
Ratzinger anda por perto de Portugal. Devemos saber…

E para saber, é preciso conhecer. Seu sacerdócio foi consagrado em 29 de Junho de 1951 e, um ano mais tarde, ele iniciou seu trabalho como professor na Escola Superior de Freising. Como doutor, sempre enfatizou em suas aulas a questão dos dogmas e dos fundamentos da teologia. Há muitas histórias que questionam sua participação na guerra, insinuando mesmo um envolvimento com o nazismo. De concreto, apenas sua participação nas fileiras do exército de Hitler. Ratzinger afirma, em sua autobiografia “Marco: Memórias: 1927-1977”, que ele e seu irmão foram aliciados pela Juventude Hitlerista – um grupo de natureza paramilitar, fundado em 1992, na Baviera, terra natal do Papa; seus membros se vestiam com um uniforme igual aos usados pelos adeptos do Partido Nazista. Esse detalhe foi o que mais provocou controvérsias na média quando se levantaram dados sobre o passado de Ratzinger.

Fonte: a sua autobiografia Ratzinger, Joseph. Lembranças da minha vida: autobiografia parcial (1927-1977); tradução de Frederico Stein, São Paulo: Paulinas, 2006. ISBN 85-356-1683-7, bem como http://g-sat.net/as-ciencias-ocultas-1085/papa-bento-xvi-joseph-ratzinger-302042.html. O jornal Haaretz de Israel, escreveu: "Apesar de que nunca foi sugerido que Ratzinger estivesse envolvido nas atrocidades nazistas, existe um contraste entre a sua história na Segunda Guerra Mundial e a de seu predecessor, o polacos João Paulo 2º, que participou em actividades anti-nazistas".

Para entender o seu interesse em Marx, é preciso conhecer Martinho Lutero

Marx pertencia a uma seita cristã fundada por Martinho Lutero denominada Protestante: nasce da cisão provocada pela excomunhão de Lutero, depois de este monge alemão ter exposto, em 1517, as suas 95 teses contra as indulgências. Lutero foi seguido por outros nomes que são referências do protestantismo: Calvino, Wycliff, Zwingli, Wesley e Knox, este último com pouca importância social. Na época do seu surgimento, ser membro de uma destas confissões, significava ser pobre e sem poder social. Só mais tarde o Luteranismo ganhou adeptos, continuando, todavia, a ser a Confissão Católica a dos aristocratas e dos ricos. Designa-se Protestantismo o conjunto de igrejas cristãs e doutrinas que se identificam com as teologias desenvolvidas no século XVI na Europa Ocidental, resultantes da tentativa de reforma da Igreja Católica Apostólica Romana, por parte de um importante grupo de teólogos e clérigos, entre os quais se destaca o ex-monge agostiniano Martinho Lutero, de quem as igrejas luteranas tomaram o nome. Porém, a maior parte dos cristãos europeus (especialmente na Europa meridional) não concordava com as tentativas de reforma, o que produziu uma separação entre as emergentes igrejas reformadas e uma reformulação na Igreja Católica, a chamada Contra-Reforma, que reafirmou explicitamente todas aquelas doutrinas rechaçadas pelo protestantismo (Concílio de Trento).

Quais os princípios do cristianismo, em geral, que me fazem associá-lo à teoria materialista de Marx? Há dois: 1- Amar a Deus acima de todas as coisas com toda a força do coração, com toda a força do entendimento. Isso é fundamental na vida de um ser humano, pois se não amamos a Deus também não o conhecemos e então como podemos almejar um dia morar no Céu de Deus? Conheça-o e aprenda a amá-lo de verdade lendo a sua palavra: «a Bíblia». Assim, estaremos mais certos de um dia poder vir a morar na casa de Deus.

2 – Amar o próximo como a ti mesmo. Outro princípio fundamental, pois se não amarmos as pessoas com quem convivemos nesta terra enfrentando os mesmos problemas e adversidades, como poderemos dizer que amamos Deus que não se vê? A Bíblia diz que se não amarmos o próximo, mas dizemos que amamos Deus, somos mentirosos.

Se comparamos o que sabemos do cristianismo de Marx, reparamos de imediato que há dois momentos importantes na sua vida: quando ama a divindade e, em consequência, o próximo; e quando ama o próximo e luta por ele, esquecendo a divindade. Do primeiro momento falo em texto separado. Do segundo, ataco já. A vida de Marx o faz dedicar esforços à luta contra os que exploram o povo. Bem sabemos que esse momento se inicia com a questão judaica, em 1843. É cristão, mas os problemas germânicos com a sua etnia de origem (hebraica) despoletam a sua atenção. Recorrendo ao seu saber luterano sai em defesa dos hebreus, começando, simultaneamente, a sua luta contra a exploração. A conversão à confissão luterana foi conveniente ao pai, como seria mais tarde ao próprio Karl Heinrich: da teoria económica de Lutero retirou, também , os seus princípios materialistas e deu-lhe um sustento ético e moral que precisava para a sua vida desarrumada por se tratar de um socialista radical que lutava contra ideias iluministas, como acontecera com Bruno Bauer , Pierre Joseph Proudhon , Georg Friedrich Hegel e Ludwig Feurebach . Estes autores, começam com uma crítica ao filósofo que defende ideais que lhe permitem definir conceitos para organizar a sua teoria do materialismo histórico e dialéctico, importantes para a sua verdadeira luta, que começa em 1848 com o Manifesto Comunista.

Karl Marx era muito versado no materialista dialéctico, aprendido de Hegel. Usava as fraquezas dos argumentos dos filósofos socialistas, o que lhe custara, entre outras coisas, a amizade: todos deixavam de ser seus amigos e colegas mal apareciam textos que contrariavam a sua filosofia. Atacava as pessoas? Não, apenas as ideias. O problema era que quem era rebatido por Marx, passava a ser um ideólogo em desgraça e perdia adeptos, como foi o caso de Bauer. Marx não envergonhava ninguém, usava os argumentos leves do seu rival filosófico, para, a partir do debate, construir a sua teoria e os seus conceitos. Assim foi como o nosso analisado criou a teoria do materialismo histórico.


A sua fé luterana apoiava-o. Recusava a autoridade do Papa, o culto dos santos e da Virgem Maria e via os sacramentos de um modo mais desvalorizado do que os católicos (dependendo essa valorização de cada uma das confissões).
A ruptura de Lutero era uma metáfora da ruptura de Marx com a burguesia à qual pertencia e com a aristocracia, berço da sua mulher. A ruptura de Lutero, baseada na ideia da sola fide, sola scriptura (só a fé e a Escritura é que salvam), cria uma multiplicidade de grupos: reformados, evangélicos, calvinistas, presbiterianos, etc. A estrutura destas Igrejas quase não tem hierarquia: esta resume-se pouco mais que ao pastor ou presbítero (equivalente ao padre, mas que pode casar) e, às vezes, ao bispo (que também pode casar). Metáfora de Marx de uma só União dos Trabalhadores e de apenas uma permanente Reunião Internacional, realizada em vários sítios ou países onde haja operariado.

A rebelião de Lutero foi contra o abuso económico cometido pelos que tinham meios e retiravam ainda mais dos bens dos mais pobres. A rebelião de Lutero não foi contra a confissão cristã, mas sim, contra a sua utilização abusiva para com os trabalhadores rurais e artesanais e o trabalho operário industriais. Sabe-se que a confissão luterana é uma teoria económica. E não apenas a luterana: toda a crença cristã é uma organização da relação das pessoas com os bens, como analiso noutros livros. Não é uma mera casualidade, que o fundador da economia na Grã-Bretanha tenha sido um presbítero da Igreja Protestante Escocesa, Adam Smith, o pai de toda a economia, bem como um praticante católico romano, com inclinações de huguenote, François Quesnay. Aliás, sabemos que Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino, sacerdotes romanos, foram as pessoas que definiram o conceito pecado como um mal que afecta a humanidade: era por todos conhecidos que a avareza e a usura eram um mal para os devedores, que afectava a divindade. O que os fundadores da economia e do socialismo fazem é separar a teologia, teoria, ideia nunca pensada pelos outros, e dedicar o seu acreditar na divindade em assuntos pragmáticos. Quesnay ensinou como e quando se deve semear, Smith criou sistemas de cálculo para se saber investir. Como fez o próprio Marx nos seus textos, não filosóficos, baseados na economia a que denominou materialismo histórico. Nem Quesnay nem Smith dedicam o seu tempo a estes interesses, ocupados como estavam em entender como todos podiam trabalhar (no quê e como). É preciso lembrar que os luteranos e presbiterianos foram influenciados pela teoria calvinista, que sabia como retirar lucro do dinheiro ganho no trabalho, actividade de que falam Lutero, Smith e o próprio Quesnay, à sua maneira. No texto de 1905, Max Weber analisa de forma comparativa as religiões. No entanto, «esqueceu-se» de ler Martin Lutero do Século XVI, que tinha feito da sua confissão reformada, uma teoria económica. Marx não foi o único rebelde, teve um ancestral de sua confissão, este Martinho Lutero de quem falo, que criou uma grande revolução em todo o mundo quando afirmou que ao misturar fé, dinheiro e capital o ser humano perde a salvação da sua alma. Salvação da alma, o mais desejado e esperado pelos seres humanos desses tempos. Como sabemos, a partir do Século XIII, as pessoas do Continente europeu orientavam as suas vidas pela Teologia, por homilias de frades faladas em latim, língua que apenas os eruditos dominavam e reproduziam nos livros, por pensarem que era a devida para falar com respeito à divindade ocidental. Porém, o mundo muda e na época que denominamos Renascimento tudo acontece. Reformas das formas de pensar, da economia, da religião, a descoberta de outros mundos e a combinação do que era fé com a teoria económica.
publicado por Carlos Loures às 08:16
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