Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Grécia, atrás já da linha separadora da reestruturação - Charles Wyplosz

Aos  leitores de estrolábio, um texto aqui vos deixo.


Tal como o FMI organizou a queda da Argentina em 2001, está agora a caber a  vez ao país berço da nossa democracia, a Grécia  .  Andam ladrões à solta, andam muitos criados ao serviço destes ladrões pelos bolsos de todos nós a sacar, andam polícias a demitirem-se  das sua funções   de zeladores da coisa pública para se transformarem em guardas públicos  da coisa privada e assim os capitais continuam a fugir da Grécia até esta cair completamente exangue, mas há liberdade de capitais, claro! E até, pasme-se, o Financial Times vem protestar contra o facto de que  "na sua  "grande sabedoria ", a zona euro tenha decidido que as perdas dos credores do sector privado tenham que ser socializadas ... e o fardo final tenha de ser assumido pelos contribuintes dos  países deficitários. " Liberdade de  uns receberem, obrigação de outros pagarem, liberdade de uns se movimentarem, os capitais,  obrigação de outros se fixarem, os contribuintes, é  esta a liberdade da Eurolândia,  são estas as características do seu reino  por um incompetente dirigido que dá pelo nome  de ser português.

 

 

Nada vai bem  na zona euro. A Grécia está na berlinda um ano depois de ter sido salva  pelo programa imaginado pelo FMI e pela Comissão Europeia. A Espanha está  numa corda bamba  e a Itália foi colocada sob vigilância pela Standard and Poor’s . Os deputados do CDU estão em rebelião contra Angela Merkel, que sofre derrota eleitoral após derrota eleitoral. O seu ministro das Finanças, que tinha  agitado os mercados financeiros evocando publicamente um reescalonamento da dívida grega, acaba de mudar de opinião. Jean-Claude Trichet reage agressivamente contra Jean-Claude Juncker que defendia a hipótese  “re-perfilar ” a dívida grega e o BCE ameaça mesmo vir a deixar de  alimentar os bancos gregos. Um responsável deste país indica que, neste caso, seria necessário deixar a zona euro. Eis pois, aproximadamente, o estado das coisas que resultam da notável solidariedade europeia prometida por Angela Merkel e por Nicolas Sarkozy. Há então sérias razões para nos questionarmos.

 

 

Porque é que o défice grego não se reabsorve?

 

A Comissão prevê um défice de 9,5% do PIB em 2011 e de 9,3% em 2012 depois de  10,4% em 2010. Não é por falta de esforços pela  parte do governo. De acordo com a última avaliação dos progressos conduzida  pelo FMI datada de Março  último, lê-se : “ A economia evoluiu como previsto, com uma baixa de 4,5% do PIB em 2010, uma taxa de inflação que continua a ser fraca, e com  custos unitários do trabalho que começam a descer . Face a  estes  ventos contrários, as autoridades terminaram com um ajustamento orçamental de 5,75% em 2010. ” Explicação destes cálculos em aparência contraditórios: o governo apertou fortemente a tarraxa  ( os 5,75%), mas a recessão  é profunda (os -4,5%)  e sem fim, precisamente, devido a este ajustamento precipitado. De repente,  as receitas orçamentais reduzem-se e… o défice realmente não se reabsorve (- 9,5%).

 

O que fazer agora?

 

Para o FMI e para a Comissão, é necessário fazer mais e ainda melhor . “A Grécia progrediu em direcção dos seus objectivos [os que lhe foram impostos como condição do empréstimo], e as reformas orçamentais e estruturais necessárias são levadas a efeito gradualmente . Contudo, reformas essenciais devem ainda ser preparadas e levadas a prática  para construir a massa crítica necessária à sustentabilidade orçamental e à  retoma económica. ” Por outras palavras, é necessário ainda continuar a apertar a tarraxa ou o cinto, o que é equivalente. Mas se as medidas do ano passado prolongam a recessão  e não permitem de modo nenhum   reduzir o défice, como previsto pela Comissão, o que fará a Grécia num ano? Apertar ainda mais o cinto. Continua-se a aplicar um remédio que enfraquece ainda mais  o doente já de si muito fraco.

 

Porque   é  que os Alemães quebraram o tabu da reestruturação de dívida?

 

Como o défice não se reabsorve e porque o governo grego não pode mais vir a contrair empréstimos nos mercados financeiros internacionais, é necessário que  o FMI e a Europa continuem a conceder  empréstimos. A Alemanha, sendo o primeiro mutuante dos  fundos em questão, daí que uma surda  inquietação  comece  a aparecer além-Reno  (mas não em França onde, aparentemente, a opinião pública não se preocupa com o montante destes empréstimos). Uma reestruturação reduziria o montante dos empréstimos suplementares a realizar, o que aliviaria a pressão sobre Merkel.

 

O que é uma reestruturação?

 

Incumprimento,  reescalonamento, diminuição de dívida, etc. são diversos meios para reduzir uma dívida. Como um país não pode ser colocado na  prisão, pode decidir de maneira unilateral não reembolsar a totalidade da sua dívida pública. É ilegal mas é um  facto de príncipe. Os seus credores têm poucos recursos de oposição  e a sua melhor opção é, em geral, negociar o que irão  perder - “ haircut ” como se diz  deliciosamente  em inglês ou  a tesourada como se diz em bom português. Que isto assuma  a forma de pagamentos diferidos, uma baixa da taxa de juro ou uma redução directa da soma devida, há incumprimento desde que os termos  iniciais sejam  unilateralmente alterados. Certos responsáveis políticos falaram de reescalonamento “ voluntário e bem organizado”. É uma pura ficção. Os credores, e há dezenas dos milhares ou mesmo muito mais, nunca  serão voluntários e alguns  batem-se com energia negociando de forma muito dura  e recorrendo aos tribunais. De repente,  o procedimento é desordenado, longo e complicado.

 

Que pensam os mercados financeiros?

 

A opinião geral, mas não unânime, é a de que a Grécia não escapará a  uma reestruturação. Os mercados são habituados a estes acontecimentos e preparam-se. Uma parte dos bancos e os investidores que detinham a dívida grega desfizeram-se dela , frequentemente a sofrerem   perdas moderadas; agora estão posicionados para ganharem dinheiro  quando isso se produzir. Outros quiseram evitar perdas  a  revender  e estão agora inquietos. Ninguém  duvida que estes mantêm  a angústia dos governos de modo a que o contribuinte  os venha salvar da sua aposta. Ganham-se  hábitos.

 

Porque é que a França  se opõe a  uma reestruturação?

 

Segundo a linguagem oficial afirma a Europa não é a América Latina, a solidariedade não é uma palavra vã e o remédio corre o risco de ser pior que o mal porque existe um risco de contágio. O contágio é possível, com efeito. Resta  uma outra interpretação, perfeitamente hipotética. Os bancos franceses (e alemães) parecem deter uma parte da dívida grega e poderiam  vir a ter grandes prejuízos . Se estes bancos estão menos sólidos do que o que se pensa , poderiam ficar ainda mais seriamente destabilizados  , e ainda mais se houvesse contágio. Mas a informação sobre estas questões não está disponível, pode-se apenas imaginar o pior.

 

Porque é que o BCE  é violentamente contra  uma reestruturação?

 

O BCE está em dificuldades  e por muito tempo, sobre esta questão . Às advertências sucedem as ameaças. Como toda gente, o BCE teme o contágio. Este também avisou que o sistema bancário grego se desmoronaria, o que é possível, mas não seria dramático. Com efeito, se o governo reduz a sua dívida, digamos, de 50% do PIB e que deve então situar-se sobre a linha de água , ou seja (nacionalizar ) o sistema bancário por  um custo de aproximadamente 20% do PIB, o ganho fica então de  30% do PIB, uma bela  operação financeira.

 

As angústias do BCE podem estar  num outro lugar. Desde Maio de 2010, sob uma pressão intensa dos governos, comprou muitos títulos das diferentes dívidas  públicas. Cuidadoso, aplicou um haircut da ordem de 20% mas os incumprimentos em série deixá-lo-iam com perdas muito substanciais. Certamente seria recapitalizado pelos governos, mas  o Banco Central Europeu teme uma perda vertiginosa do seu prestígio, já colocado em maus lençóis pelas suas compras não muito voluntárias de dívidas, e mais geralmente, por um aumento do  cepticismo no que diz respeito à moeda única. As suas advertências soam  como um sinal de pânico, dando a ideia de que terá com o dedo imprudentemente  accionado uma engrenagem que não controla.

 

Quem decide ?

 

A Grécia é um país soberano e é ela que decidirá. Desde o início da crise, os seus parceiros europeus ditam-lhe o  caminho  a seguir e esta aceita estas injunções na esperança evidente de vir a  ser ajudada, ainda que as ajudas não sejam  dons, é necessário recordá-lo, mas sim empréstimos que aumentam a sua dívida. Como todos os outros, o governo grego pesa os prós e os contras das suas opções. Uma declaração de incumprimento dar-lhe- -ia para respirar um momento e permitir-lhe-ia aliviar a pressão sobre a sua população. Mas a decisão poderia tornar-se inevitável se os Gregos acelerassem o movimento, de momento lento, de retirada de fundos dos bancos, informados que estes estão pelo BCE que o sistema bancário pode desmoronar. O voluntarismo político quebra-se frequentemente contra o rochedo da dura realidade

 

 

 

publicado por Augusta Clara às 23:00

editado por Luis Moreira em 31/05/2011 às 11:35
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Um Novo Coração 7 - Sílvio Castro

 

Sílvio Castro  Um Novo Coração

 

 

 

 

Capítulo 7

 

 

Depois do café-da-manhã, com as habituais ofertas: frutas – maçã, pera, kiwi, banana, laranja, tangerina, à escolha - mais uma chícara de chá ou de café com leite, ou somente leite, pão (não sei comer pão puro, não gosto, mas eu o como quando o apetite é grande), cumprido o ritual quotidiano, saio do quarto. Para o hospitalizado não afetado de problemas já determinados e portanto não ainda sob tratamento específico, mas só em fase de observação, repito sempre para mim e para você, leitor dessa narrativa sem janelas, senão o nosso diálogo pode correr o risco de perder-se por perder-me eu, estar ali é sim uma como experiência concreta, mas sempre de difícil compreensão. Ele se sente como um semi-perdido já que não se vê e não se reconhece integrado nem na vida normal lá de fora, nem na difícil natureza do internado. Uma só coisa então me sentia fazer: misturar as duas dimensões de vida, os dois espaços absolutamente distintos um do outro. Cada manhã, cumpridas as obrigações médicas e saciado do apetite matinal, eu logo saia do quarto e começava a percorrer, sem tréguas, os corredores transformados em estradas, caminhos, ruas. Depois de caminhar por longo tempo, eu procurava a sala-de-estar, o “soggiorno”, para nele prolongar as horas, mas não como uma frustração pela falta dos espaços exteriores, certamente sempre desejados, mas para recriá-los como ato de vontade assumida dentro de meu ser que não devia consumir-se. E então recomeçava a ler, completando aquelas leituras que me encheram as horas de tempos muita vez quase indistintos, de Thomas Mann, O Doutor FaustoMemoria de mis putas tristes, de Gabriel Garcia Márquez, ou Alla cieca, de Claudio Magris,  ou de Moacir Scliar, Mistérios de Porto Alegre, mais os outros que me esperavam, dia e noite, nessa biblioteca que parecia fora do mundo. Lendo, tomado de surpresa, lia também este livro que estou escrevendo.

 

Hoje entro na sala-de-estar com um determinação nova, vou escrever até a hora do almoço uma apresentação crítica para uma exposição de gravuras a ser inaugurada em fevereiro numa galeria de arte veneziana. Sei desde o momento em que aceitei o encargo, coisa acontecida antes da minha internação urgente, o que desejo desenvolver como linha teórica na análise das obras gráficas que serão expostas. Já as vi. Trata-se de auto-retratos traduzidos por meio de válida pesquisa das mais variadas técnicas incisórias. A artista passa de uma para outra dessas modalidades gráficas com naturalidade, para em seguida confrontar-se com a transcrição de si mesma. Neste ponto centralizo meu maior interesse crítico em relação à operação que se completa vinte, trinta vezes.

 

O auto-retrato, de certa maneira, não é um retrato. Tais formas expressivas da criatividade artística podem ser vistas num complexo de interação, num conjunto coerentemente harmônico de afinidades, mas ao mesmo tempo se distinguem, quase se separam, se dividem uma da outra.

 

Certamente ambas são o resultado de um sistema formal comum, do qual sistema o artista se serve em modo consciente; elas se fazem obra criativa a partir de técnicas e normas comuns. A figuração que traduz seja uma que a outra forma nasce de conhecimentos criativos que se encontram nas duas diversas operações. Porém, paradoxalmente, o auto-retrato não é um retrato.

 

A matéria prima de um ou da outra forma é unitária porque se trata de uma “visão do outro”, isto como dimensão humana do “eu” operativo. Mas, o “outro” do retrato é uma visão do artista derivada do espaço exterior, numa situação concreta, direta e real, de três dimensões. Porque o “outro” é ao mesmo tempo volume e espaço.

 

O artista que cria o retrato se confronta com uma alteridade raptada pelo eu operativo, sem particulares atritos ou conflitualidades. Nela, o eu e o outro se confrontam num sistema de interação, quase sempre regular.

 

O auto-retrato é, ao contrário, o resultado de uma relação na qual se procura – com um comportamento pronto à surpresa – a melhor interação entre o eu que opera e um desconhecido “eu” que deve revelar-se. A mais, esse desconhecido “eu” não se encontra no espaço e sim numa quase virtualidade espacial: na sempre fugaz memória visiva do eu, ou no espelho.

 

O eu operativo não conhece, não vê em geral o seu outro “eu”. Para vê-lo se tende sempre à abstração. Mas, ao mesmo tempo, esse se mostra sempre como uma clara consciêcia visiva. Vemos, perdemos de vista e revemos o nosso outro “eu”, mas quase sempre ele nos escapa.

 

O auto-retrato da artista é a constante procura de signos que permitem a tomada figurativa de uma imagem que pretende restar sempre uma abstração.

 

 

publicado por Augusta Clara às 22:00
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A eterna questão do livro - 7 - Por Carlos Loures

 

 

 

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

Bem vistas as coisas, esta série de artigos não segue uma ordem lógica. É como uma conversa de café. Por exemplo, tinha em mente dedicar um ou dois destes textos  a uma história sumária do livro, da sua evolução até aos nossos dias, agora que se fala do livro electrónico. Farei isso lá mais para o fim embora talvez evesse ter começado por aí. Prosseguindo nesta desordenada ordem, hoje vou falar de marketing do livro.

 

Não conheço anúncio mais antigo do que este. Diz assim:

 

Tu, que desejas levar contigo os meus livros para qualquer parte

e procuras tê-los como companhia de longa jornada,

compra aqueles em que o pergaminho fica apertado em pequenas tábuas.

 

Deixa as prateleiras para os grandes (livros), em mim segura com uma só  mão.

Não deixes, porém, de saber onde estou à venda e não andes errante,

perdido pelo cidade toda; com a minha indicação estarás certo:

a seguir às portas da Paz e ao foro de Minerva.

 

Este spot publicitário foi escrito em finais do primeiro século da nossa era. Escreveu-o Marcial, um poeta latino, nascido na Península Ibérica, em Bilbilis, perto da actual Calatayud, Saragoça, (c. de 40-104). A sua obra principal são os «Epigramas», poesias curtas e satíricas, tais como esta, muitas vezes citada: «Se a Glória vem depois da morte, não tenho pressa de a alcançar».

 

 

No anúncio, além de uma útil informação sobre a localização da livraria,  note-se a alusão à portabilidade do livro por oposição aos pesados rolos, e à acessibilidade do texto, bem como à maior resistência do pergaminho relativamente ao tradicional papiro. Para termos uma ideia, uma versão completa da Eneida enchia doze rolos (arrumados numa caixa pesada e de grandes dimensões). O códice de que Marcial faz a propaganda permitia meter todo o texto num volume. Vantagens semelhantes às que hoje o kindle nos oferece relativamente ao livro impresso. Hoje, perante a ameaça que o livro digital representa para a sobrevivência do livro impresso, as resistências eram muitas. Os bibliófilos da época troçavam daquelas folhas de pergaminho apertadas entre duas tábuas – pois era lá possível que aquela geringonça ridícula substituísse os rolos, herdados da Grécia, que, durante séculos, foram o suporte da palavra escrita?

 

 

 

 

  

Terá sido Secundo, o editor de Marcial, quem lançou em Roma a nova forma de livro. Sem sucesso,pois a reacção e a resistência à mudança foram mais fortes do que a evidência das vantagens.

 

A adaptação progressiva à nova forma de livro iria demorar cerca de quatrocentos anos, consumando-se no decurso do século V, embora já durante o século III nas compilações jurídicas prevalecessem os códices. O mesmo que hoje se diz dos e-books e do kindle - «Ora! Isso é bom é para substituir enciclopédias, obras de referência…».

 

À velocidade a que as inovações tecnológicas vão surgindo (e desaparecendo, submersas por outras…), não tenho dúvidas de que não demoraremos quatro séculos a acolher um suporte novo. Já não será o kindle, mas sim qualquer outra coisa que hoje não podemos sequer imaginar e que entretanto aparecerá. Porque estasmudanças fazem-se por pragmatismo e não por mera vontade de inovar. Pode mesmo dizer-se que a vontade de mudar radicalmente de suporte tem uma história de sistemática resistência a essa mudança – nunca foi fácil. Contudo, um das barreiras que se colocam a uma maior difusão do livro electrónico, é o pagamento de direitos a autores e editores. Problema que afecta também (talvez ainda mais) os compositores e as editoras discográficas.

 

Mas as coisas vão andando no sentido de os livros digitalizados se irem tornando um sistema honesto e respeitável, aceite por editores e autores. A Google fez, em 2009, propostas de um acordo aos editores europeus relativamente ao respeito pelos direitos de autor.  Nos Estados Unidos esse acordo entre a empresa que controla o motor de busca mais utilizado da Web e os representantes das outras partes interessadas já existe. Se o acordo se concretizar também no nosso continente, milhões de livros publicados na Europa, mas que já não se encontram disponíveis nas livrarias, poderão ser digitalizados e colocados em linha.

 

Não vai ser fácil porque, como lembra a associação de Editores Italianos, a implantação do sistema iria violar vários pontos da Convenção de Berna sobre os Direitos de Autor. Mas encontrar uma solução que contemple os interesses de todos os envolvidos e que compatibilize o sistema com a Convenção, cuja primeira forma data de 1886, será apenas uma questão de tempo. O livro, nas suas diversas formas, tem sido um companheiro fiel. Talvez não sobreviva durante muito mais tempo sob a forma que  nos é hoje familiar.

 

Mas, podemos estar certo, continuará a acompanhar-nos. Vejam e ouçam este criativo anúncio ao livro:

 

 

 

 

 

(Continua)

 

 

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por João Machado em 28/05/2011 às 16:09
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Maurice Allais e a Financeirização da Economia A leitura de Pierre Noel Giraud

Maurice Allais e a Financeirização da Economia
A leitura de Pierre Noel Giraud

 

Se há efectivamente uma coisa que se pode reter  da conferência de Maurice Allais  é a de que se trata de um autor nada fácil de  compreender, ele que é  o único economista francês que teve  o Prémio Nobel   em Economia, e, sobretudo, não é nada fácil  para os  economistas amadores. É por conseguinte um grande serviço que nos presta Pierre-Noel Giraud    propondo-nos  no seu livro “Le commerce des promesses : Petit traité sur la finance moderne “, “uma tradução” em linguagem acessível a todos, das propostas  de Allais que,  aliás,   encontram uma escaldante actualidade no contexto da crise que atravessamos.

 

No final dos 90, constatando  a viragem  que tinha assumido  a liberalização financeira, Allais escandalizava-se com o facto  de se permitir aos  bancos “jogar na Bolsa com os seus fundos próprios e, ainda pior, com a moeda que para o efeito criavam”. Preconizava uma separação absoluta entre a esfera da moeda e crédito relativamente à  esfera da finança de mercado, bem como uma criação monetária estritamente reservada ao banco central. Formuladas em pleno período de euforia, até porque o sistema acabava de ultrapassar  com brio a falência de LTCM, estas propostas naturalmente não foram nem  entendidas ou nem ouvidas sequer. Foram afastadas dos nossos ouvidos e dos nossos olhos  considerando-se que tais medidas bloqueariam totalmente todo e  qualquer  sistema financeiro e torná-lo-iam gravemente ineficaz. Analisemos  contudo com mais pormenor  as propostas  de Maurice Allais, porque estas  têm o mérito efectivamente de levantar as grandes questões de fundo .

 

Para Allais, no sistema actual, as crises financeiras cada vez mais violentas são inevitáveis. Uma especulação desenfreada  nos mercados financeiros, à qual os bancos eles próprios  participam maciçamente, é  com efeito, do seu ponto de vista,  inseparável das modalidades actuais de criação monetária. São estas modalidades que  ele sugere  que se reformem e de forma  radical. Maurice Allais propõe separar  os actuais bancos “universais” que, ao mesmo tempo, criam  moeda e directa e indirectamente intervêm nos mercados financeiros, em três tipos de instituições diferentes com funções  bem determinados e controlos bem precisos.                                                                                                             

 

A primeira categoria , são simples bancos de depósitos, que gerem as contas - correntes dos seus clientes. É-lhes proibido fazer crédito: nenhum crédito a descoberto sobre os depósitos é pois autorizado. A sua função é unicamente a de pagamentos, função que facturam aos depositantes: a emissão de cheques, as transferências, os pagamentos por cartão bancário, que são  conseguinte operações  facturadas ao seu preço de custo                                                                                                                                                                                                  

 

A  segunda categoria , são bancos de empréstimos. Nesta categoria os bancos de créditos. Estes  só podem conceder empréstimos  nos valores que eles próprios tenham antecipadamente levantado eles mesmos como empréstimos junto do Banco central, como   se vai ver.  Além disso, estes bancos estão  sujeito à exigência de emprestarem sobre períodos  mais “curtos” do que aqueles de que usufruem junto do banco Central, para assim se evitar o perigo do risco de liquidez.                                                                                                                                                        

 

Os bancos de créditos não  têm por conseguinte nenhum poder de criação monetário. A terceira categoria de bancos , são os bancos de negócios, que contraem empréstimos junto do público e dos bancos de créditos  para comprarem  títulos. Estes últimos são por conseguinte o equivalente dos actuais investidores institucionais.                                                                                                     

 

No esquema  de Allais , a criação monetária é reservada exclusivamente ao banco central que cria moeda emprestando aos bancos de   créditos  . É do Banco central e só deste  que a criação monetária depende exclusivamente, de que depende o ritmo de expansão dos créditos aos actores económicos, por conseguinte da massa monetária em circulação. Este ritmo é decidido pelo governo.

 

O governo fixa por conseguinte ao banco central objectivos quantitativos de expansão da massa monetária. Calcula estes objectivos de modo a que  a massa monetária aumente  a um ritmo ligeiramente superior (de 2%) ao crescimento esperado da ' actividade económica, o que faz com  que  a  inflação tolerada seja  de 2%.

 

De acordo com Maurice Allais  este sistema resolveria os problemas seguintes. O sistema de regulação  não é mais afectado pelas crises financeiras, dado que os bancos de depósitos, que asseguram os pagamentos  não fazem crédito e não investem nos mercados financeiros. Nem os bancos de depósitos nem os bancos de créditos  poderiam conhecer crises de liquidez, dado que o seu activo é pelo menos tão  líquido quanto  o seu passivo.

 

Os bancos de créditos,  se forem mal geridos e avaliarem  mal os seus riscos de crédito, podem evidentemente declarar-se  ou acharem-se em situação de falência. Mas serão retomados por bancos sãos, e estes factos  traduzir-se-ão  apenas em transferências entre accionistas e credores dos bancos, sem estar a afectar a moeda gerida pelos bancos de depósitos. Certamente, nada neste esquema impede um actor que contraia um emprestar junto de um banco de crédito  para especular sobre os mercados financeiros.                                                                                 

 

Mas Allais sublinha em primeiro lugar que os bancos eles mesmos deverão ter que contrair empréstimos  para especular, em vez de o poderem fazer como agora,  com a moeda que criam ex nihilo e sem qualquer  custo no sistema actual. Seguidamente, se, com tudo o resto igual, os  actores (bancos inclusive) querem contrair empréstimos para especular, isso  fará aumentar a taxas de juro e quanto mais  a especulação se  desenvolver , mais os recursos para especular custarão caro.

 

Maurice Allais vê aqui  um potente mecanismo de regulação da especulação, enquanto que, no sistema actual, o crédito bancário pode  alimentá-la sem qualquer travão . No seu sistema, poder-se-ia assumir riscos nos mercados financeiros apenas com uma poupança de antemão constituída, quer a sua própria  quer a poupança levantada, por empréstimo, de outros.                                                                                                        

 

Para Allais isto constitui  a garantia de um bem maior estabilidade destes mercados e por conseguinte da economia como um todo. Este esquema tornaria cada vez  mais impossível os enriquecimentos colossais e rápidos (de indivíduos ou instituições) graças a especulações felizes realizadas  com dinheiro criado  expressamente para isso, o que Allais considera  moralmente condenável.

 

Tal é a base  das reformas propostas por Allais. Prevêem outras medidas, mas o essencial é a separação e a compartimentação das actividades bancárias bem como o facto de se reservar  ao  Estado a criação monetária. O interesse destas propostas é que apontam muito claramente para a raiz da  instabilidade do sistema monetário e financeiro contemporâneo: a possibilidade para a finança de criar direitos em excesso graças a uma criação monetária pelo crédito bancário que escapa largamente ao contrô1e do Estado.


publicado por Luis Moreira às 20:00
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Dios es improbable - Jorge Luis Rojas D'Onofrio

 

Jorge Luis Rojas D'Onofrio  Dios es improbable

 

En defensa del ateísmo, de la discusión y del pensamiento libre

 

(Adão Cruz)

 

 

(continuação)

 

Un argumento a favor de la existencia de "Dios" muy usado es el de la imposibilidad de refutar su existencia. Incluso se llega a equiparar la fe y el dogma de un creyente que afirma la existencia de Dios, con la negación de Dios, la cual es considerada de igual manera dogmática. Sin embargo este argumento no toma en cuenta que para una persona con una ideología naturalista y científica del mundo, nada puede ser afirmado o negado con absoluta certeza. No se puede afirmar con certeza que Dios no existe, es cierto, pero tampoco se puede afirmar con certeza que el lector no está soñando en este preciso momento que lee estas líneas. No se puede negar con absoluta certeza la existencia de Dios, es cierto, pero tampoco se puede negar con absoluta certeza ninguna otra cosa. No tenemos la certeza de que mañana no moriremos, sin embargo la mayoría actuamos bajo el supuesto de que no moriremos, no porque sea imposible, sino porque es improbable. Dios no es imposible, Dios es improbable, y es mucho más improbable que la posibilidad de una muerte inminente para la mayoría de nosotros.

La probabilidad o improbabilidad de una creencia depende de la información disponible. Si una persona joven y saludable considera la posibilidad de que al día siguiente seguirá viviendo, es lógico que considere esta posibilidad bastante probable. Sin embargo si la misma persona recibe la noticia de que algún ejército invasor se dispone a bombardear su ciudad, la posibilidad de vivir al día siguiente se vuelve menos probable. Si observa un proyectil dirigiéndose hacia su casa, entonces la posibilidad de seguir viviendo disminuye aún más. De igual manera la creencia en un Dios creador podría ser probable para personas con poca información. Una persona que observa objetos que son fabricados por otras personas, puede llegar a la conclusión lógica de que todo objeto es creado por personas. Lógicamente si los objetos pequeños son creados por personas normales, quizás los objetos más grandes son creadas por personas más grandes, fuertes o poderosas. Como vemos los dioses pueden haber sido en el pasado una explicación bastante lógica a la existencia de las montañas, mares, astros y del universo en general. Sin embargo la información disponible actualmente contradice muchas de estas creencias. La teoría de gravedad es mucho más coherente con las observaciones astronómicas que la creencia en un Dios moviendo los planetas a su antojo, por lo que es una explicación mucho más probable. De igual manera la evolución por selección natural de los seres vivos explica la existencia de estos seres de manera mucho más coherente con las observaciones que las explicaciones basadas en dioses. Dios es una explicación posible de entre una enorme cantidad de explicaciones posibles, y es una explicación que presenta poca coherencia con las observaciones al ser comparada con otras explicaciones.

 

(continua)

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Egipto e Tunísia: laboratórios do plano económico neocolonial americano - por Octopus

Com a devida vénia e autorização do autor, transcrevemos este artigo de octopedia.blogspot.com

 

O Egipto, apesar de   ser um grande exportador de petróleo e de gás natural, tem uma dívida pública   de cerca de 30 mil milhões de dólares. A sua economia é dominada por   multinacionais americanas e europeias.

  

Os Estados Unidos já   anunciaram que vão assumir os encargos de mil milhões da dívida egípcia para   estimular a economia local. O que parece um boa intenção, é na realidade puro   ilusionismo. Na realidade, esse dinheiro vai ser usado na obtenção por parte   das multinacionais americanas de cotas nas empresas egípcias e de concessões   de petróleo. Assim os Estados Unidos vão "reciclar" a   "ajuda" na suas próprias empresas que vão ganhar mil milhões de   dólares.


Simultaneamente, os Estados Unidos vão emprestar mil milhões de dólares ao   Egipto, agravando ainda mais a sua dívida.

 

Com a ajuda da Europa,   os Estados Unidos vão apresentar na cimeira do G8, de 26 e 27 maio deste ano,  em França, a criação conjunta de um "fundo de empresas de   investimento", de 14 mil milhões de dólares, destinado a "ajudar a   transição democrática" do Egipto e da Tunísia. Esse dinheiro destina-se   a apoiar as empresas estrangeiras que querem investir nesses países e não aos   países em si. 

 

Só para ter uma ideia   das "boas" intenções desse fundo, ficamos a saber que, por exemplo,   que o "Fundo  de empresas USA-Egipto" será dirigido por 4   representantes privados americanos e 3 do Egipto, sendo que estes serão   nomeados pelo presidente americano!

 

Por fim, Obama   anunciou que os Estados Unidos "vão ajudar os novos governos   democráticos a recuperar os bens roubados". Esta referencia também tem   como objectivo lembrar os mais de 150 mil milhões de dólares da família de   Kadhafi "congelados" pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a   França. Quando estes forem "descongelados" serão transformados em   "fundos de empresas" para assim esses países poderem se apropriar
  da economia líbia.

 

 Artigo baseado nos dado do texto italiano de Manlio Dinucci:

 

  http://www.ilmanifesto.it/area-abbonati/in-edicola/manip2n1/20110522/manip2pg/03/manip2pz/303602/

 

 

publicado por Carlos Loures às 18:00
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A República nos livros de ontem nos livros de hoje - CXXXVII e CXXXVIII, por José Brandão

Pela República!

 

 

João Paulo Freire

 

Lisboa, 1934

 

Cada homem que presa a sua honra e ouve sua consciência, tem por condição principal na vida, ser leal, sincero e oportuno, desde que esta oportunidade não possa ser tomada como conveniência material para servir os seus próprios interesses.

 

Ser oportuno é ter a noção exacta das suas atitudes quando a consciência lhas impõe. O que um homem de bem não pode fazer nunca, sob pena de dar aos outros o direito de o classificarem de menos digno, é usar perante os acontecimentos o estratagema da double face, do malabarismo repugnante de possuir duas honras, uma para uso caseiro e outra para uso público.

 

Quando se implantou a República, o novo regime encontrou-me do lado de lá da barricada. E nas horas de luta e de perigo, quando ser-se monárquico não era uma posição de gozo, mas de sacrifício, fui monárquico, abertamente, francamente, lealmente.

 

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Pensamentos de Guerra Junqueiro

 


Estela Brandão


Editorial Domingos Barreira, s. d.

 

Deixou bastantes cartas insertas em alguns livros: «O poeta do Só» de Eduardo de Sousa; «Entre Gigantes» de João Paulo Freire; «Vida, Poesia e morte» de Alberto de Oliveira;

 

Guerra Junqueiro. «Como ele escreveu», de Tomás da Fonseca.

 

Além destas, várias outras do Conde de Arnoso, a Luís de Magalhães, a Barbosa Calém, às «Novidades», a Fialho de Almeida e a José de Figueiredo.

 

Implantada a república em 1910, pertenceu à Assembleia Constituinte, e em 1911 foi ministro de Portugal na Suíça.

 

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publicado por João Machado às 17:00
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5º Festival do Cravo e da Tulipa

publicado por Luis Moreira às 16:00
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A Democracia em que vivemos - um novo fascismo? (I), por Carlos Loures

 

 


 

 

 

 

 

Reli recentemente uma nova edição portuguesa de O Contrato Social (Du contrat social ou essai sur la forme de la République), a obra de Jean-Jacques Rousseau, agora com uma interessante introdução de João Lopes Alves. Esta edição não se refere à versão definitiva do texto, publicada em Amesterdão, em 1762, mas sim a uma primeira abordagem do tema, que não é a que melhor conhecemos, por ser a mais divulgada. .Aliás, a edição de Amesterdão tinha um subtítulo diferente – Du contrat social, ou Principes du droit politique. A leitura desta edição conduziu-me à releitura da de Amesterdão que, por sua vez, me levou a uma reflexão sobre a natureza da nossa democracia. O que ressalta da minha leitura de Rousseau são as reservas que ele tinha para com um regime que iria, sobretudo a partir de 1789, nos dois séculos seguintes constituir a principal esperança dos oprimidos.

 

Talvez pareça um exagero comparar a democracia que temos ao fascismo que tivemos. De certo modo, é-o. É, sobretudo, uma maneira provocatória de exprimir o sentimento de revolta que me assalta ao ver que este sistema democrático, teoricamente emanado da vontade popular, expresso no voto livre dos cidadãos, nos proporciona uma sociedade tão tacanha e uma classe política tão ou mais corrupta do que a do antigo regime salazarista. É um exagero assumido, com o qual procuro chamar a atenção para aquilo que na prática se manteve inalterável – a injustiça social, as grandes assimetrias culturais (embora a iliteracia – quase um eufemismo para analfabetismo - seja agora protegida por diplomas). O poder, o verdadeiro poder, está nas mãos dos grandes grupos económicos, tal como durante o período da ditadura. Mas agora esta situação é sancionada pelo voto livre dos cidadãos ao elegerem os seus representantes no Parlamento e o chefe de Estado. Quanto a mim, é uma diferença pouco mais do que formal.

 

Há liberdade uma total de expressão, mas a televisão e o marketing político das grandes máquinas partidárias do chamado «bloco central» se encarregam, através de insidiosos opinion makers, de unificar o pensamento. E sem o aparato repressivo dos Goebbels e dos António Ferro, com a disseminação do «politicamente correcto» aí temos o pensamento único, um instrumento fundamental do neo-liberalismo. Porque o pensamento único , apresentado como pedra angular do sistema, impõe como verdade absoluta e indiscutível o primado do económico sobre o sociopolítico. Já vi jovens economistas rindo-se de argumentos de natureza moral e política. O politicamente correcto, que abriu caminho ao pensamento único, impõe uma total independência da economia. A economia tem de ser apolítica, dizem com o ar de quem diz o que é óbvio. Outros pilares do sistema – o realismo (as coisas são como são) e o pragmatismo (para se solucionar um problema de natureza económica, a ideologia política tem de ser erradicada).

 

Os princípios da nossa democracia, mercê do realismo, do pragmatismo e da perspectiva do pensamento único, obedece já não a princípios – obedece às lei e aos interesses do mercado. A verdade é que esta tese do carácter apolítico que as medidas económicas devem ter é aceite por muita gente que se considera de esquerda. «Porque» (já ouvi este argumento) «se a minha vida depende do êxito de uma cirurgia, interessa-me a perícia do cirurgião, não o seu credo político». Naturalmente que esta apoliticidade das medidas económicas são expressão de um credo político – o neoliberalismo.

 

Nós, os cidadãos eleitores, aceitamos princípios inaceitáveis e aceitamos anormalidades como coisas normais – as liberdades impedindo a Liberdade de florescer. Pode dizer-se tudo, fazer-se tudo. Um exemplo recente pedófilos, em seguida ao julgamento em que foram considerados culpados e condenados, vieram às televisões dar uma conferência de imprensa. Dirão – é a Liberdade. Pois é – uma liberdade que põe em pé de igualdade criminosos e cidadãos eméritos. O sistema dá liberdade ao povo de escolher porque tem mecanismos que controlam o eleitorado, que induzem o voto. Como alguém que deixa à solta um cão potencialmente perigoso, mas amestrado e, portanto, inofensivo.

 

Então a democracia foi aviltada, pervertida?

 

Poderá dizer-se que a democracia começou mal, que já no seu berço da Antiga Grécia continha os estigmas que iria transportar ao longo de dois milénios e meio e que iriam chegar quase intactos até aos nossos dias. Com efeito, a democracia ateniense não abrangia nem os escravos nem as mulheres, não impondo também uma divisão equitativa da riqueza entre os cidadãos. No rescaldo da grande fogueira de 1789, a escravatura foi sendo abolida na maioria dos países europeus, embora quase nunca em obediência a um límpido sentimento de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

 

As mulheres, ainda que, sobretudo nas últimas décadas, tenham avançado muito na sua luta de libertação, continuam, mesmo quando a letra da lei lhes confere todas os direitos e garantias outorgados aos cidadãos em geral, a ser consideradas cidadãs de segunda. Sobre a divisão da riqueza no ocidental paraíso das democracias parlamentares, é melhor nem falarmos. Democracia – autoridade do povo; de que povo? Nunca, em parte alguma, a não ser no território imaginário das utopias, se ouviu falar de democracia integral – sempre os governos supostamente democráticos se deixaram manchar por desigualdades sociais ou de género, por segregações étnicas, por marginalizações inomináveis. Quando mesmo, não serviram de capa ou ornamento a terríveis tiranias. Será que a verdadeira democracia é inatingível?

 

Voltemos a Jean-Jacques Rousseau. Será que ele tinha razão quando disse: «Se formos a considerar o termo na acepção mais rigorosa, nunca houve verdadeira democracia, nem nunca existirá.» (…) «Seria inconcebível estar o povo a reunir constantemente para tratar da coisa pública». (…) «Se houvesse um povo de deuses, ele se governaria democraticamente. Um governo tão aperfeiçoado não convém aos humanos».

 

Um povo de deuses? A democracia só poderá ser atingida por um povo de deuses?

 

 

 

(Continua)

publicado por João Machado às 15:00
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Acrescentado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, - II - , por Raúl Iturra

(continuação)

 

2. Amor de colo.

 

Amar, amo, e tomo conta dos meus adultos porque nasce da minha alma, da mesma forma que aprendi a tomar conta dos meus descendentes, ainda que á distância. O direito tirou-nos a alegria de amar, as penas de prisão estão ao pé de nós se não cumprirmos o que a lei manda e que, em Portugal, o Catecismo apoia. Textos normalmente ignorados pelos estudiosos de seres humanos e, especialmente, de crianças. Debate esse que tenho tido com uma imensidão de eruditos e pessoas da rua, para sermos capazes de nos governar e assim proteger melhor os mais novos: é dizer, ensinar melhor os mais novos dentro da racionalidade da sociedade em que vivemos. Racionalidade nascida do cálculo económico que permite a existência de recursos e reprodução biológica e afectiva. Se falei de dar colono início do parágrafo, foi para definir o conceito introduzido por Cyrulnik especialmente no texto de 2003 [51]: quanto mais pais somos, mais damos ideias aos mais novos, mais liberdade para aprenderem a proteger-se na interacção social. O livro abre com perguntas endereçadas aos mais novos, através dos seus adultos que entendem. Uma das questões chamou a minha atenção: “que violência traumatizante é essa que dilacera a bolha protectora de uma pessoa?“, para se responder com a frase de abertura do texto, na mesma página:  “Só se pode falar de resiliência se tiver existido um traumatismo seguido da retomada de um tipo de desenvolvimento, uma fenda reparada”[52].

 

É esta ideia que me permite saltar para a lei. Os processos emotivos espontâneos devem ser como a lei manda. Essa letra conhecida pelos que sabem regulamentar o comportamento da população e que a populaça ignora: donde, resiliência do povo ou da maior parte dos habitantes de um país. Se pensamos na paternidade, que definiria como o melhor papel de educador, ela é definida assim: ARTIGO 1871º

 

(Presunção)

 

1. A paternidade presume-se:

 

a) Quando o filho houver sido reputado e tratado como tal pelo pretenso pai, é reputado como filho também pelo público;

b) Quando exista carta ou outro escrito no qual o pretenso pai declare inequivocamente a sua paternidade;

c) Quando, durante o período legal da concepção, tenha existido comunhão duradoura de vida em condições análogas ás dos cônjuges ou concubinato duradouro entre a mãe e o pretenso pai;

d) Quando o pretenso pai tenha seduzido a mãe, no período legal da concepção, se esta era virgem e menor no momento em que foi seduzida, ou se o consentimento dela foi obtido por meio de promessa de casamento, abuso de confiança ou abuso de autoridade.

 

 

 

publicado por João Machado às 14:00
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A Democracia abre portas em Gaza - por Luis Moreira

 

 

 

Ao fim de quatro anos o posto de Rafah, na fronteira com o Egipto, única ligação com o território palestiniano com o exterior que não é controlado por Israel, reabriu ontem a título definitivo.

 

O anterior regime egípcio com  MubaraK no comando só deixava abrir o posto uns dias por mês, invocando a luta contra o tráfego de droga, era frequentemente acusado de cumplicidade com o bloqueio Israelita.

 

Esta medida de grande alcance é já o resultado da mudança de regime no Egipto e da reconciliação entre o Hamas e a Fatah que haviam entrado em confronto logo a seguir às eleições de 2006. O Hamas controla Gaza e a Fatah controla a Cisjordânia.

 

Claro, que Israel está preocupado alegando riscos de segurança, mas a medida foi muito bem recebida pela comunidade internacional. Vão passar drogas e armas, como já passavam agora pelos inúmeros túneis que iludiam a vigilância. Trata-se de um sinal muito importante de que as novas autoridades egípcias querem mudar as dinâmicas na região.

 

Para já os cidadãos sentem o fim do isolamento, viviam numa enorme prisão com 1,5 milhões de pessoas encarceradas num território que não terá mais de 380 Kms quadrados, rodeados por muros de oito metros de altura. E o bloqueio naval Israelita completava o cerco.

 

Apesar, ou para além da controversa reunião entre o Presidente americano e o primeiro ministro Israelita, que terminou com Obama a dizer que o acordo de criação de um estado palestiniano teria que ser feito na base das fronteiras de 1967 o que foi prontamente rejeitado , a verdade é que o conflito começa a dar sinais de resolução através de negociações.

 

Os povos em conflito há muito que empurram os seus políticos para uma solução duradoura e que traga a paz!

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Apresentando Vasco de Castro

 

 

Vasco de Castro, transmontano, escritor, cartoonista e pintor. É sócio correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes desde 1992. Filho do poeta trasmontano Afonso de Castro, frequentou o Curso de Direito da Universidade de Lisboa (fez parte da direcção da respectiva associação de estudantes), participando activamente nas lutas académicas da época. Entre 1961 e 1974, esteve exilado em Paris, colaborando em jornais e revistas, nomeadamente nos jornais Le Monde e Le Figaro. De regresso a Portugal, em 1974, fixou-se em Lisboa e continuou a colaborar na imprensa com textos e cartoons. Com uma posição política próxima da extrema-esquerda, foi um dos fundadores do jornal diário Página Um. Entre a sua obra publicada, destacam-se os livros Montparnasse, mon village (1985), Fotomaton (1986), Leal da Câmara (1996) e Montparnasse até ao esgotamento das horas (2008).

 

Vasco, a tua adesão ao nosso projecto é para nós motivo de orgulho. Sê bem-vindo ao Estrolabio.

 

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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O primeiro cartoon do Vasco no Estrolabio

publicado por Carlos Loures às 11:55
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AVISO À NAVEGAÇÃO, de JOAQUIM NAMORADO

 

 

 

 

 

 

 

 

Alto lá!

Aviso à navegação!

Eu não morri:

Estou aqui

na ilha sem nome,

sem latitude nem longitude,

perdida nos mapas,

perdida no mar Tenebroso!

(1914 - 1986) 

Sim, eu,

o perigo para a navegação!

o dos saques e das abordagens,

o capitão da fragata

cem vezes torpedeada,

cem vezes afundada,

mas sempre ressuscitada!

 

Eu que aportei

com os porões inundados,

as torres desmoronadas,

os mastros e os lemes quebrados

- mas aportei!

 

Aviso à navegação:

Não espereis de mim a paz!

 

Que quanto mais me afundo

maior é a minha ânsia de salvar-me!

Que quanto mais um golpe me decepa

maior é a minha força de lutar!

 

Não espereis de mim a paz!

 

Que na guerra

só conheço dois destinos:

ou vencer – ai dos vencidos! –

ou morrer sob os escombros

da luta que alevantei!

 

- (Foi jeito que me ficou

não me sei desinteressar

do jogo que me jogar.)

 

Não espereis de mim a paz,

aviso à navegação!

 

Não espereis de mim a paz

que vos não sei perdoar!

 

(Este poema de 1941 foi retirado da edição do Novo Cancioneiro da Caminho, de 1989, com prefácio, organização e notas de Alexandre Pinheiro Torres.)

publicado por João Machado às 10:00
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Os jornais e as notícias que fazem o seu dia 30/5/2011 por Luis Moreira

Clicando nos links acede às rádios e jornais. Toda a imprensa de referência ao seu pequeno almoço, só ainda não lhe servimos o café mas estamos a pensar nisso...

 

 

Rádio on line, ouça boa música e leia as notícias que fazem a sua manhã.

 

Notícias Público -edição impressa.

 

DN - edição impressa

 

JN

 

Diário de negócios

 

Aljazeera live - em inglês

 

 A Marca - jornal de desporto

 

Jornais e revistas italianos - todos os jornais e revistas publicados em Itália. Escolha a seu prazer.

 

Financial Times - os negócios

 

Nouvelle Observateur - edição impressa

 

Le Monde

 

La Vanguardia,

 

El País

 

Corriere della Sera

 

New Yorker

jornal i

 

Record

 

O Jogo

 

Expresso

 

http://www.estadio.in/sicnoticias

publicado por Luis Moreira às 08:00
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