Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Apresentação do livro Nas Brumas da Magia, de Helena Silva e Vítor Cintra, na APE, a 5 de Março

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APE
www.apescritores.pt | info@apescritores.pt
Rua de S. Domingos à Lapa, 17
1200-832 Lisboa
Tel.  21 397 18 99
Fax. 21 397 23 41

 

DIVULGAÇÃO

ASSOCIATIVA

_______________________________________________

 

TEXTO DO AUTOR

 

Vai acontecer no próximo dia 5 de Março, a apresentação do meu livro intitulado «Nas brumas da magia», para cuja sessão convido, na pessoa de V. Exª. toda a direcção e associados da A.P.E., que se dignem honrar com a sua presença.

 

A apresentação será feita pelo poeta Xavier Zarco.

 

É com imenso prazer que anexo o correspondente convite.

 

Cordiais cumprimentos.

Vítor Cintra

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 10:00
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As notícias do dia 2/3/2011

Enviamos-lhe as capas dos jornais e as principais notícias de Quarta-feira, 2 de Março de 2011.

Capa do Correio da ManhãCorreio da Manhã

Odeceixe: Autarquia contesta
Faro: CFC critica Macário Correia
Portway: Contratos para o Verão
Aljezur: GNR pesca 56 kg haxixe
Alemanha: Lésbicas contra dador

 

Capa do PúblicoPúblico

Louçã aponta Bloco como “alternativa de esquerda” a Sócrates
Direcção-Geral da Administração Interna diz que dúvidas sobre notificação foram partilhadas com a tutela
Comissão de Ética debate hoje projecto do PSD para avaliação de competências da ERC
Governo dá poder às autarquias para autorizarem adaptações aos cortes salariais nas empresas municipais
Saída da economia nacional da crise joga-se em encontro de meia hora entre Merkel e Sócrates

 

Capa do Diário de NotíciasDiário de Notícias

Para Freitas do Amaral é "aberrante" falar em falha humana
Freitas do Amaral sugere investigação de pistas de Ramalho Eanes sobre Fundo do Ultramar
PM leva a Merkel corte de 3,6% na despesa do Estado
Um morto e cinco feridos graves em acidente no IP4
Louçã diz que BE é "alternativa de esquerda" a Sócrates

 

Capa do Jornal de NotíciasJornal de Notícias

D. Duarte: Para 60% dos portugueses a Presidência "já não merece consideração"
Peugeot 504 do presidente do Irão vendido por 1,81 milhões
Matou mulher com duas facas, lavou-se e despediu-se do filho
Queixas por violência contra idosos disparam em 2011
As propostas de Fátima Lopes em Paris

 

Capa do ii

Eleições. Governo e director demitido têm versões contraditórias
Pais de Rui Pedro mantêm a esperança de o encontrar
PSD diz que Governo admitir novas medidas é "prova de desleixo"
Estado absolvido no caso Camarate. Família das vítimas vai recorrer
PJ: 31 arguidos num processo de branqueamento e fraude fiscal

 

Capa do Diário EconómicoDiário Económico

Pensões antecipadas no Estado com corte de 172 euros
Paris quer bloquear participações líbias em empresas europeias
Hipólito Pires lança carros chineses da BYD em Portugal em 2012
Regras do IRS para trabalhadores por conta de outrém
Cortes nas bolsas do ensino superior atingem até 90% dos alunos

 

Capa do Jornal NegóciosJornal Negócios

As notícias em foco na edição de hoje, dia 2 de Março, no Negócios
Petróleo nos 116 dólares em Londres
Visões inconciliáveis sobre a austeridade em Portugal
Bolsas do Japão caem mais de 2% com crude em Nova Iorque a ultrapassar os 100 dólares
Galp confirma "boa qualidade" do petróleo do poço brasileiro Iara

 

Capa do OjeOje

Cimpor sobe no Brasil e na Turquia
Sonae Sierra vende shoppings em Espanha
Google investe forte na América Latina
Europac regressa aos lucros em 2010
Bruxelas revê UE e Zona Euro em alta

 

Capa do DestakDestak

Golaço de David Luiz na vitória do Chelsea sobre o Man. United
Viciação de resultados vale multa de 78,5 milhões de euros
‘À Rasca’
O anúncio de tempos cinzentos
Godinho Lopes promete treinador com experiência internacional e títulos ganhos

 

Capa do A BolaA Bola

Paciência está a esgotar-se
Jara refresca ataque ao leão
Última oportunidade para sorrir
Villas Boas tem Itália aos pés
Assembleia Municipal de Lisboa aprova pagamento de 18 milhões ao Sporting

 

Capa do RecordRecord

Zico assume convite de Pedro Baltazar
Cansaço pode tramar Gaitán
Resposta do Samurai
André Santos faz 22 anos no dérbi
Moreira na corda bamba

 

Capa do O JogoO Jogo

Fernando Mota renuncia à presidência
Sevilha vence Sp. Gijón (3-0)
Pandiani pára um mês
Fellaini de fora dos relvados até ao fim da temporada
Flávio Paixão marca, mas Hamilton perde




Cumprimentos,

Jornais do Dia

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publicado por Luis Moreira às 09:39
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Os jornais e as notícias que fazem o seu dia - 2/3/2011

Clicando nos links acede às rádios e jornais. Toda a imprensa de referência ao seu pequeno almoço, só ainda não lhe servimos o café mas estamos a pensar nisso...

 

 

Rádio on line, ouça boa música e leia as notícias que fazem a sua manhã.

 

Notícias Público -edição impressa.

 

DN - edição impressa

 

Aljazeera live - em inglês

 

 

A Marca - jornal de desporto

 

Jornais e revistas italianos - todos os jornais e revistas publicados em Itália. Escolha a seu prazer.

 

Financial Times - os negócios

 

Nouvelle Observateur - edição impressa

 

Le Monde

 

La Vanguardia,

 

El País

 

Corriere della Sera

 

New Yorker



publicado por Luis Moreira às 08:00
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Terça-feira, 1 de Março de 2011

Aos Ombros de Gigantes

 Luis Moreira

 

 

Por aqui vão passar alguns dos que se foram "da lei da morte libertando". Sábios, cientistas, médicos, arquitectos, astrólogos, matemáticos, músicos, políticos, poetas, escritores...

 

"Se vi mais longe, foi porque estava aos ombros de gigantes" escreveu Isaac Newton numa carta a Robert Hooke, em 1676. Este é um comentário apropriado, porque tudo o que se revela é o resultado de trabalho de muita gente com base no que ocorreu antes.Embora Newton não se estivesse a referir aos trabalhos mais importantes sobre a gravitação universal e sobre a Lei dos movimentos , mas sim às suas descobertas em óptica.

 

O livro que dá o nome a esta série da autoria do eminente físico Stephen Hawkings e com prefácio e coordenação do Prof Carlos Folhais, "parte dos textos originais para traçar a visão que hoje temos do firmamento, desde o postulado de Nicolau Copérnico de que a Terra gira à volta do Sol até à igualmente extraordinária acepção de Einstein de que o espaço e o tempo são encurvados pela massa e pela energia. O que estes dois génios fizeram foi banir-nos do centro do universo, destruíram as nossas convicções de eternidade e de certezas e por fim em vez de uma estrutura espaço-tempo absoluto deixaram-nos uma estrutura maleável." ( in Aos ombros de gigantes )

 

Claro que ambas as teorias enfrentaram oposições ferozes: a da Inquisição no caso de Copérnico e a do nazismo no caso da teoria da relatividade.

 

Aristóteles e Ptolomeu situavam a Terra no centro do universo e o Sol a orbitar em seu redor e já incluia a dedução Aistotélica de que a terra era uma esfera, em vez de um plano e a sua principal função era próxima do exacto prevendo as posições aparentes dos corpos celestes no firmamento para efeitos astrológicos. Em 1453 tínhamos ,pois, a terra e os planetas a movimentarem-se em órbitas circulares em torno do Sol.

 

Galileu considerou a proposta de Copérnico mais convincente devido à sua simplicidade, em contraste com as complexidades do modelo Ptolomaico.

 

Só depois do trabalho de kepler ter tornado mais exacto o modelo heliocêntrico e de Newton o ter completado com as leis do movimento é que, finalmente o modelo geocêntrico perdeu toda a credibilidade.

 

Veremos ao longo da leitura dos trabalhos destes "gigantes" que o modelo pode não ser só um, pode comportar todos os modelos, todas as hipóteses possíveis, explicar a nossa forma de vida, porque sem vida não haveria ninguém para observar o Universo. Com a Teoria Quântica Albert Einstein deixou a porta aberta, à espera de "um salto" intelectual para um novo cenário.

 

Iremos então conhecer melhor os "gigantes". O Italiano Galileu Galilei e o Alemão Yohannes Kepler, anteriores a Newton (este nasce no mesmo ano em que Galileu morre). Por sua vez ambos estiveram aos ombros do monge polaco Nicolau Copérnico. E o único que conseguiu até agora subir aos ombros de Newton foi Albert Einstein.

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 23:00
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o meu bar - por Carla Romualdo

 

Quando saí de casa dos meus pais mudei-me para um desses apartamentos cujos proprietários, acomodados à ideia de manter o espaço em permanente arrendamento a jovens pouco endinheirados, desprezam a ideia de fazer qualquer tipo de obra de manutenção. O fogão da década de 1970, a cama carunchosa, os trastes velhos que sucessivos inquilinos foram deixando para trás, tudo se vai acumulando na casa, num processo de estratificação que tende a degradar mais do que a enriquecer o espaço.


De maneira que quando eu cheguei àquele T1 no Bonfim, herdei, na condição de arrendatária, um fogão a gás cujos bicos se entupiam de cada vez que eu tentava usá-lo, uma casa de banho revestida com uns azulejos de um invulgar, e particularmente aterrador, tom de castanho, e, entre outros trastes, um colossal móvel bar, que ocupava boa parte da sala. Era um desses móveis que estiveram na moda nos anos 70, e que deve ter feito furor na casa da minha senhoria até essa moda passar e ela se fartar dele. Como boa senhoria, dispunha de um equilibrado sistema de reaproveitamento do seu lixo que consistia em despachá-lo para as casas que tinha arrendado aos pobres. E foi assim que eu ganhei um bar.


Ora, nada há de mais útil na casa de uma abstémia do que um móvel bar, que pese mais de 50 quilos e ocupe boa parte da sala. Eu lá tentei disfarçar o bicho usando-o como estante, espalhando livros e fotografias pelos recantos onde deveria haver garrafas e copos, mas a coisa era indisfarçável. O bicho parecia saído de uma cena do Dallas, e de cada vez que eu entrava na sala imaginava por instantes que o próprio J.R. Ewing, de chapéu de cowboy e pulseira de ouro a cintilar, me ofereceria um drink. Eu comia à sombra do bar, lia à sombra do bar, recebia os amigos à sombra do bar, o raio do bar instalou-se na minha vida até eu não me dar conta da sua presença a não ser quando alguém entrava pela primeira vez lá em casa e apanhava um susto nada mais chegar à sala. 


 

 

publicado por CRomualdo às 22:00

editado por Carlos Loures às 22:08
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Memorial do Paraíso, de Sílvio Castro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Memorial  do  Paraíso

 

o romance do descobrimento do Brasil

 

A partir do dia 3 de Março, às 21 horas, publicaremos diariamente um trecho deste romance.

 

O nosso colaborador Sílvio Castro, um dos fundadores do nosso blogue, escreveu esta magnífica obra que mereceu de Jorge Amado palavras de grande elogio. Palavras de que daremos conhecimento aos nossos leitores, publicando na íntegra este texto do autor de Jubiabá, dia 2 de Março, no mesmo horário 21 horas. Sílvio Castro, o escritor brasileiro, catedrático de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Pádua é o autor de um admirável estudo sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha, carta que está na base da concepção desta ficção.

 

 

publicado por João Machado às 21:00
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Wall Street ajudou a disfarçar o défice que alimenta a crise na Europa

Enviado por Júlio Marques Mota


Por LOUISE STORY, LANDON THOMAS Jr. e NELSON D. SCHWARTZ


As tácticas de Wall Street são da mesma natureza das que geraram a crise do “subprime” na América, que levaram ao aprofundamento da crise financeira que abala a Grécia, pondo em causa o euro, ao ajudar os governos europeus a esconder os seus crescentes défices.

No momento em que as preocupações sobre a Grécia ressoam nos mercados mundiais, há registos e entrevistas que mostram que, com a ajuda de Wall Street, a Grécia se dedicou, ao longo de uma década, a tornear os limites europeus do défice. Um esquema criado pelo banco Goldman Sachs ajudou a esconder da supervisão orçamental de Bruxelas milhares de milhões de euros do défice.

Mesmo quando a crise se aproximava já do ponto crítico, os bancos ainda procuravam ajudar a Grécia a protelar o dia final do acerto de contas. Em Novembro - três meses antes de Atenas se ter tornado no epicentro do nervosismo financeiro global - uma equipa do banco Goldman Sachs chegou àquela velha cidade com uma proposta anunciada como muito moderna para governos em grandes dificuldades de pagar as suas dívidas, tal como relatado por duas das pessoas que participaram na reunião.

A equipa do banco, liderada pelo próprio Presidente do Goldman Sachs, Gary D. Cohn, apresentaram um esquema financeiro que permitiria remeter para um futuro longínquo o défice do sistema de saúde da Grécia, um esquema muito parecido com o que consistiu em levar os proprietários de casas a fazer uma segunda hipoteca para pagar dívidas correntes feitas com os cartões de crédito.

Este esquema já tinha funcionado antes. Em 2001, logo após a Grécia ter entrado para a União Monetária Europeia, o banco Goldman Sachs ajudou o governo grego a obter discretamente empréstimos de milhares de milhões de dólares, disseram pessoas ligadas a esta transacção. Este negócio, sem visibilidade pública porque foi tratado como transacção de divisas e não como empréstimo, ajudou a Grécia a cumprir as regras europeias relativas ao défice, ao mesmo tempo que continuava a gastar para além das suas posses.

Atenas não deu sequência a esta última proposta do banco Goldman Sachs, mas agora, vendo-se a Grécia a sufocar sob o peso da dívida e dado que os seus vizinhos mais ricos manifestam vontade em socorrê-la, as operações financeiras feitas na última década estão a levantar algumas questões sobre o papel que Wall Street desempenhou neste mais recente drama financeiro mundial.

o da Grécia, disse: “Este “swap” será sempre não rentável para o governo grego.”

publicado por Luis Moreira às 20:00
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Cartas da Terra - Mark Twain IV

 coordenação de Augusta Clara de Matos

 

Boas e Más Memórias ... Satanás continua a escrever as suas cartas a Miguel e a Gabriel

 

(ofereço estas maçãs

ao Carlos Loures em agradecimento pelo seu excelente trabalho) 

 

 

 

Mark Twain  Cartas da Terra

(Tradução de Miguel Batista)

 

 

CARTA III


Já vos apercebestes de que o ser humano é uma curiosidade. Em tempos que já lá vão, ele teve (e gastou e deitou fora) cente­nas e centenas de religiões; hoje em dia, tem centenas e centenas de religiões, e lança no mínimo três novas por ano. Eu podia fa­zer crescer esse número e estar ainda a cingir-me aos factos.

 

Uma das principais religiões chama-se religião cristã. Uma perspectiva geral dela interessar-vos-á. Está descrita ao porme­nor num livro que contém dois milhões de palavras chamado o Antigo e o Novo Testamentos. Também tem outro nome: a Palavra de Deus. Pois o cristão pensa que cada palavra dele foi ditada por Deus — aquele de quem tenho vindo a falar.

 

É cheio de interesse. Inclui nobre poesia; e algumas fábulas engenhosas; e alguma história encharcada de sangue; e alguns bons princípios; e uma abundância de obscenidade; e para cima de um milhar de mentiras.

 

Esta Bíblia é maioritariamente construída de fragmentos de Bíblias mais antigas que tiveram a sua época e depois ruíram. Deste modo, revela-se visivelmente falha em originalida­de, como era inevitável. Os seus três ou quatro acontecimen­tos mais imponentes e impressionantes aconteceram todos em Bíblias mais antigas; os seus melhores preceitos e regras de conduta também vieram todos dessas Bíblias; só há lá duas coisas novas: o inferno, em particular, e aquele singular céu de que vos falei.

 

Que havemos de fazer? Se acreditarmos, juntamente com es­tas pessoas, que o Deus delas inventou estas coisas cruéis, esta­mos a caluniá-Lo; se acreditarmos que estas pessoas as inven­taram elas mesmas, estamos a caluniá-las a elas. É um dilema desagradável em ambos os casos, porquanto nenhuma das partes nos fez mal nenhum.

 

Por uma questão de tranquilidade, tomemos partido. Una­mos esforços com o povo e ponhamos o desaprazível fardo, na sua totalidade, sobre ele — céu, inferno, Bíblia, tudo. Não parece certo, não parece justo — e, no entanto, quando se pensa na­quele céu e em como ele está opressivamente carregado com tudo o que é repulsivo para um ser humano, como podemos acreditar que tenha sido um ser humano a inventá-lo? E, quando eu chegar à parte de vos falar sobre o céu, o esforço que tereis de fazer será maior ainda, e é provável que digais: «Não, um ho­mem não estabeleceria semelhante lugar, nem para ele, nem para ninguém — simplesmente não poderia fazê-lo.»

 

Essa Bíblia inocente fala-nos sobre a Criação. De quê — do universo? Sim, do universo. Em seis dias!

 

Foi Deus que o fez. Não lhe chamou «universo» — esse no­me é moderno. Toda a sua atenção estava centrada neste mun­do. Construiu-o em cinco dias; e depois? Só lhe levou mais um dia a fazer vinte milhões de sóis e oitenta milhões de planetas!

 

Para que serviam eles, de acordo com a ideia dele? Para for­necer luz a este pequeno brinquedo-mundo, O propósito dele era só esse — não havia outro. Um dos vinte milhões de sóis (o mais pequeno) devia alumiá-lo durante o dia, os restantes eram para ajudar uma das incontáveis luas do universo a modifi­car a escuridão das suas noites.

 

Torna-se bastante claro que Ele acreditava que os seus céus, acabados de fazer, haviam sido diamantizados com aquelas miríades de estrelas cintilantes no momento em que o Sol do pri­meiro dia caiu no horizonte; enquanto, na verdade, nem uma única estrela tremeluziu naquela negra abóbada senão três anos e

meio depois de as formidáveis indústrias daquela semana me­morável terem sido completadas1. Nessa altura, apareceu uma estrela, totalmente solitária e sozinha, e começou a cintilar. Três anos depois, apareceu outra. As duas brilharam juntas mais de quatro anos, antes de uma terceira se lhes juntar. Ao fim dos pri­meiros cem anos, ainda não havia vinte e cinco estrelas a brilhar na vastidão daqueles céus umbrosos. Ao fim de mil anos, não havia ainda estrelas suficientes visíveis para causar impacto. Ao fim de um milhão de anos, só metade da actual colecção tinha enviado a sua luz através das fronteiras telescópicas, e demorou outro milhão até que as restantes lhes seguissem as pisadas, co­mo é vulgar dizer-se. Como, ao tempo, não havia telescópio, o seu advento não foi observado.

 

Há trezentos anos, então, que o astrónomo cristão sabe que a sua divindade não fez as estrelas nesses seis tremendos dias —, mas o astrónomo cristão não se alonga em relação a esse porme­nor. Tal como o padre.

 

No seu livro, Deus é eloquente nos encómios às Suas pode­rosas obras e chama-as pelos nomes mais generosos que encon­tra — indicando assim que tem uma forte e justa admiração por magnitudes; e, contudo, fez esses milhões de prodigiosos sóis para iluminar este pequenino orbe, em vez de designar o peque­nino sol deste orbe para andar atrás deles com subserviência. Ele alude a Arcturo no seu Livro... lembrais-vos de Arcturo: fomos lá uma vez. É um dos lampiões desta Terra! — aquele globo que é cinquenta mil vezes maior que o Sol desta Terra e compara-se a ela como um melão se compara a uma catedral.

 

Não obstante, a catequese2 ainda ensina às crianças que Arc­turo foi criado para ajudar à iluminação desta Terra, e as crianças crescem e continuam a acreditar nisso muito depois de terem descoberto que as probabilidades são contrárias a que assim seja.

 

Segundo o Livro e seus servos, o universo tem apenas seis mil anos. Foi só nos últimos cem anos que espíritos estudiosos e perscrutadores descobriram que ele anda perto dos cem mi­lhões.

 

Durante os Seis Dias, Deus criou o homem e os outros ani­mais.

 

Fez um homem e uma mulher, e colocou-os num agradável jardim juntamente com as outras criaturas. Todos eles viveram ali juntos, em harmonia e contentamento e florescente juventu­de, durante algum tempo — depois é

que foram elas. Deus avi­sara o homem e a mulher que eles não deveriam comer o fruto de uma determinada árvore. E acrescentara uma observação deveras estranha: disse que, se o comessem, era garantido que morreriam. Era estranha pela razão de que eles, na medida em que nunca tinham visto um exemplo de morte, não poderiam possivelmente saber a que Ele se referia. Nem Ele, nem qual­quer outro deus, teria sido capaz de fazer com que aquelas crian­ças ignorantes percebessem ao que se referia, sem lhes fornecer um exemplo. A mera palavra não poderia ter qualquer significa­do para eles, mais do que teria para um bebé de dias.

 

Passado pouco tempo, uma serpente procurou-os em priva­do e aproximou-se deles a caminhar direita, que era como as ser­pentes faziam nesse tempo. A serpente disse que o fruto proibi­do abasteceria de conhecimento as suas mentes vagantes. Por isso comeram-no, como é bastante natural, visto que o homem é feito de tal forma que deseja ardentemente saber; ao passo que o padre, tal como Deus, de quem é imitador e representante, se encarregou desde o início de impedir que ele ficasse a saber qual­quer coisa de útil.

 

Adão e Eva comeram o fruto proibido, e imediatamente uma grande luz jorrou para dentro das suas cabeças obscureci­das. Tinham adquirido conhecimento. Que conhecimento — conhecimento útil? Não, tão-só conhecimento de que existe uma coisa chamada bem e uma coisa chamada mal, e ainda de como fazer o mal. Não o poderiam ter feito antes. Por conse­guinte, todos os seus actos até este dia tinham sido sem mácula, sem culpa, sem ofensa.

 

Mas agora eles podiam fazer o mal — e sofrer por causa dis­so; agora tinham adquirido aquilo a que a Igreja chama um «bem inestimável», o Sentido Moral: esse sentido que diferencia o ho­mem do animal e o coloca acima do animal. Em vez de abaixo do animal — que se supunha fosse o lugar mais apropriado para ele, porquanto o homem é sempre mal-intencionado e culposo, e o animal, sempre bem-intencionado e inocente. É como dar mais valor a um relógio que tem obrigatoriamente de se avariar do que a um que não se pode avariar.

 

A Igreja ainda hoje preza o Sentido Moral como a mais no­bre faculdade do homem, a despeito de saber que Deus a tem visivelmente em pouca conta e fez o que pôde, naquele seu jeito desajeitado, para impedir que as suas felizes Crianças do Jardim a adquirissem.

 

Muito bem, Adão e Eva sabiam agora o que era o mal e co­mo fazê-lo. Sabiam fazer vários tipos de coisas erradas e, entre elas, uma das principais — aquela em que Deus pensara em par­ticular. Era a arte e o mistério das relações sexuais. Para eles, tra­tava-se de uma descoberta magnífica, e deixaram de andar ocio­sos e devotaram-lhe toda a sua atenção, pobres criaturinhas exultantes!


No meio de uma destas celebrações, ouviram Deus a passear entre os arbustos, o que era um hábito vespertino dele, e ficaram dominados pelo pavor. Porquê? Porque estavam nus. Não o sa­biam antes. Não tinham feito caso disso antes — tal como Deus.

 

Nesse momento memorável, a imodéstia nasceu — e algu­mas pessoas vêm-na estimando desde então, ainda que seja certo que ficariam atrapalhadas, se lhes fosse pedido para explicarem porquê.

 

Adão e Eva entraram no mundo nus e sem vergonha — nus e puros de espírito; e nenhum dos seus descendentes alguma vez entrou nele de outra maneira. Todos entraram nele nus, sem ver­gonha e de espírito limpo. Entraram nele modestos. Tiveram de adquirir a imodéstia e o espírito conspurcado — não havia ne­nhuma outra maneira de os obter. O primeiro dever de uma mãe cristã é conspurcar o espírito do seu filho, e ela não o descura. O seu rapaz cresce, torna-se missionário e vai para junto dos inocentes selvagens e dos civilizados japoneses, e conspurca os seus espíritos. Após o que eles adoptam a imodéstia, escondem os seus corpos, deixam de tomar banho nus uns com os outros.

 

 

 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Apelo à rebelião das massas contra a ditadura dos aeroportos - por Carla Romualdo

 

Haverá alguma razão aceitável, compreensível, razoável para que o cidadão comum seja tão maltratado nas suas viagens aéreas? Para que lhe dêem ordens com maus modos, para que o obriguem a despir peças de roupa ou a descalçar-se, para que o mandem parar ou avançar como se fosse um recruta em plena inspecção? Haverá, pergunto, algum outro prestador de serviços que cobrando, e frequentemente não pouco, por esses serviços que presta, possa dar-se ao luxo de tratar os clientes com semelhante desrespeito e sobranceria?


Em que outro lugar, que não um aeroporto, há semelhante aglutinação de funcionários mal-encarados? Em que outro lugar nos é imposto que caminhemos por corredores semelhantes aos que são destinados ao exercício físico dos hamsters, percorrendo a fila em ziguezague, enquanto somos vigiados por seguranças de cara fechada prontos a gritar-nos se não fazemos o circuito com a rapidez e correcção que se espera de nós? Onde mais somos obrigados a despir casacos e camisolas, a remover cintos, anéis, óculos, sapatos, a ser revistados em frente a dezenas de pessoas, só porque algum obscuro componente das roupas que nos sobram insiste em fazer o detector de metais disparar? Haverá no mundo criaturas mais antipáticas, mais prepotentes, do que aquelas que revistam os passageiros nos aeroportos? E para quê tanto escrúpulo? Por acaso algum terrorista da Al-Queda se lembrou de esconder explosivos na fivela do cinto? Já ouviram algum caso em que um avião tivesse sido desviado com recurso a um par de sapatos, como os que me fez descalçar uma insolente inspectora com tom de voz e gestos de quem passa as noites a cantar o “Deutschland über alles”?


Quem mais se atreveria a chamar um passageiro com maus modos por ter descoberto uma garrafinha de água na sua bagagem de mão?


- TEM RECEITA MÉDICA PARA ESTA GARRAFA?


- nã… não, é só para matar a sede…


- NÃO PODE!


 


publicado por CRomualdo às 18:00

editado por Luis Moreira em 28/02/2011 às 18:08
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A República nos livros de ontem nos livros de hoje, por José Brandão

A partir de amanhã vamos voltar a publicar diariamente fichas de leitura das obras que fazem a história da República, da conspiração, da implantação, da sua conturbada existência…

José Brandão, o nosso colaborador que nos tem  apresentado valiosas séries sobre vários temas históricos portugueses foi o autor. Revejam esta interessante série e procurem e leiam os livros que dela fazem parte.

                      A República 
               nos livros de ontem 
                 nos livros de hoje 

 

Uma das mais completas, senão a mais completa, das bibliografias sobre este importanta tema.
  
                                   (Começa às 17 horas de amanhã)

publicado por João Machado às 17:00
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CARLOS LOURES – por Raúl Iturra

Pode ser difícil acreditar que Carlos Loures (não, o Carlos não merece outro tratamento) e eu, amigos da alma, nunca nos tenhamos visitado. É tanto o amor às letras que Carlos Loures tem, como eu, que o tempo passa sem sairmos dos nossos sítios de trabalho.

 

Carlos Loures não é apenas uma pessoa de bem e amigo fiel dos seus amigos. Nunca vou esquecer a época em que o meu computador grande estava em revisão, eu escrevia num portátil, enviava a Calos Loures, que tomava conta das imagens que o meu portátil não tinha e enviava todo ao sítio devido para publicar.

 

Carlos Loures, não é apenas um amigo fiel e sacrificado pelos outros, é um excelente escritor. Tive a grande sorte de me ser enviado por ele, uma cópia do seu livro de 2008: A sinfonia da morte, Colibri, Lisboa, sobre o crime do regicídio do rei de Portugal e o seu filho. Crime para uns, alegria para o povo oprimido. O simpático do livro é não comentar: narra e tão bem, que mal se começa a ler o livro, é impossível não o acabar, até à derradeira página.

 

Não sei porque nunca quis ser editor dos livros de outros, que muito bem sabe fazer. Especialmente, por ser um homem de luta política. Como eu, teve que suportar a prisão nas épocas tabus de Portugal, como eu nas do Chile.

 

Os anos vão passando, vamos além, e bem além dos trinta e cinco, no entanto temos esse hábito de começar com os nossos trabalhos a seguir às 6 da manhã e acabar tarde, à noite. Desde 1967, escreveu mais de uma dezena de livros, todos eles históricos e com factos provados. Talvez um grito, de 1985, e A mão incendiada de 1995, em conjunto com a Sinfonia da Morte, sejam os seus únicos livros de ficção. Todos os outros, são analíticos, apesar de analisar também as personagens que cria na sua ficção.

 

Carlos, amigo, orgulho-me em ser o amigo de um Senhor e da sua mulher Helena, apesar de nunca nos termos visto. És o rei dos escritores e Helena te acompanha como deve ser, ao longo de várias dezenas de anos.

 

Como chileno e português, os meus parabéns, amigos…

 

Do vosso fiel amigo

Raúl

 

Raúl Iturra

Catedrático de Etnopsicologia no ISCTE-IUL, Lisboa

Membro do Senado da Universidade de Cambridge

Professeur Invitée du Collège de France.

Os meus melhores graus, são dois: ser avô de quatro netos britânicos e Neerlandeses; bem como amigo de telefonema quotidiano de Carlos Loures e Helena, a sua sofrida mulher.

Merecido descanso, embora curto…

Parede, Concelho de Cascais, 25 de Fevereiro de 2011.

 

 

 

publicado por João Machado às 15:00
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O sistema capitalista é amoral...Ricardo Salgado não manda dizer por ninguém.

 Luis Moreira

 

 

O Presidente do BES diz que o sistema capitalista é amoral ( não tem nem deixa de ter moral)(porque).. tem de produzir resultados" . E, avança, numa de grande moralista."Os homens é que são morais ou imorais" (têm ou não moral). Fantástico!(Expresso de 26/02/2011)

 

 

É que todos nós temos que obter resultados, nas nossas vidas, temos que pagar a renda e os livros, a alimentação...e, assim por  diante. Ficamos agora a saber que não podemos ter moral, neste sistema em que vivemos só podemos ter uma vida decente se formos indecentes. Como é que um homem com moral pode viver num sistema que não olha a meios para alcançar os fins? Amoral? Não pode!

 

Então, se o sistema capitalista, para produzir resultados não pode sentir culpas por financiar a pedófilia, o tráfico de drogas, a prostitução, o tráfico de crianças, o tráfico de armamento, matar gente e derrubar países, pois estas são as actividades que mais dinheiro dão a ganhar, leia-se, apresentam melhores resultados, qualquer pessoa que tenha um mínimo de moral será sempre um perdedor pois tem que renunciar àquelas actividades e passar a vida a trabalhar.

 

Cuidado, porque vindo de quem vem, não se trata de "uma boca grande", nem de um erro, é mesmo assim e tem como finalidade passar várias esponjas por cima dos escândalos associados ao grande capital que capturou os estados de países suberanos, e que levou à presente crise com milhões de postos de trabalho perdidos!O sistema capitalista leva à miséria milhões de famílias? Recebe em troca (via governos) muitos milhões para cobrir as "amoralidades"? Esse dinheiro é roubado aos contribuintes? É assim o sistema capitalista, não há que duvidar (segundo Ricardo Salgado).

 

Isto é voltar à selva, de onde estamos a sair desde que o homem começou a andar erecto, desde que a espécie humana tirou as mãos do chão, o sistema capitalista é o último estadio da evolução do homem (segundo Salgado) é pegar ou largar, não há outras vias. No fundo está a tentar "moralizar" o que, segundo ele, não tem nem deixa de ter moral.

 

Felizmente que os povos de todo o mundo há muito que se indignam e quando é preciso colocam os tiranetes fora do poder, estou mesmo convencido que esta crise vai trazer muita moral ao sistema capitalista, porque os povos perceberam que quem está no poder e toma decisões só precisa de não ter moral. E, isso, explica a miséria, as injustiças, as guerras e, também, as revoltas!

 

Estou a ler de Tony Judt " Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos" e a sua introdução é certeira : "A qualidade materialista e egoísta da vida contemporânea não é inerente à condição humana.Muito do que hoje parece "natural" remonta aos anos 80; a obsessão pela criação de riqueza, o culto da privatização e do sector privado, as crescentes disparidades entre ricos e pobres. E sobretudo a retórica que vem junto: admiração acrítica dos mercados sem entraves, desdém pelo sector público, a ilusão do crescimento ilimitado....o capitalismo não-regulado é o pior inimigo de si mesmo: mais tarde ou mais cedo há-de ser vítima dos seus próprios excessos e para salvar-se recorrerá novamente ao estado. Mas se nos limitarmos a apanhar os bocados e continuar como dantes, podemos esperar convulsões maiores nos próximos anos"...

 

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Tempos difíceis – por Carlos Loures

Tempos Difíceis ( Hard Times,1854), um livro onde Dickens aborda a dureza da vida numa época dominada por um industrialismo que privilegiava a máquina em detrimento do ser humano. O capitalismo mostrava os dentes e as garras. Mulheres grávidas e crianças trabalhavam nas fábricas por salários de fome. Também hoje se vivem  tempos difíceis – o desemprego aumenta, os salários dos que trabalham são congelados ou mesmo reduzido, pequenas pensões de reforma têm de fazer face a menores participações do Estado no custo dos medicamentos (sabendo-se como os velhos deles dependem), os jovens, mesmo que possuam diplomas do ensino superior, cada vez mais têm dificuldade de aceder ao primeiro emprego… Tempos difíceis, de facto. Particularmente difíceis?

 

Fernão Lopes na Crónica de D. João I, referindo-se à grande crise de 1383-85, clama – «Ó geração que depois veio, povo bem-aventurado que não soube parte de tantos males nem foi quinhoeiro de tais padecimentos!». E no entanto, vinte anos depois, embora sem o sofrimento provocado pelo cerco castelhano, com as máquinas de guerra expelindo os seus projécteis sobre Lisboa, incendiando ruas inteiras, não se pode dizer que tenham sido tempos felizes. Houve, de facto, um período de paz relativa, com escaramuças e pilhagens de ambos os lados da fronteira entre 1396 e 1402. Mas a guerra com Castela reacendeu-se – mais sofrimento, mortes. Tempos difíceis de novo.

A crise de 1383-1385 já não é do meu tempo.

 

Nasci quando o incêndio da Guerra Civil lavrava para lá das nossas fronteiras e depois foi continuada pela II Guerra Mundial e lembro-me das manobras de black out, com  a cidade mergulhada na escuridão e os céus varridos pelos focos de projectores; recordo as janelas cobertas de fita adesiva (para evitar estilhaços em caso de bombardeamento), Sobretudo, recordo as cadernetas de racionamento, carimbadas na Junta de Freguesia, e do ar preocupado da minha mãe, tentando fazer milagres para alimentar o nosso pequeno agregado. Lembro-me de ouvir o meu pai gritar indignado contra os que se aproveitavam das carências gerais para enriquecer, vendendo géneros e produtos no mercado negro.

 

Lembro-me da penúria que só não afectava os muito ricos. Os pobres viviam muito mal. Os «remediados», versão indígena da «classe média» patinhavam em dificuldades e em esforços para manter o estatuto. Havia uma faixa intermédia – a «pobreza envergonhada»:  gente pobre, mas que pretendia passar por remediada. Um funcionário público (nosso familiar afastado) homem que trabalhava num ministério do Terreiro do Paço, vinha a pé de Queluz até ao centro de Lisboa, por não ter dinheiro para o comboio ou camioneta – tinha um enorme rancho de filhos e o ordenado nem a meio do mês chegava. Engravatado, fato de três peças, chapéu de feltro, e aí vinha ele, saindo de madrugada para poder estar a horas no serviço. Criara-se, portanto, uma ampla paleta de eufemismos para uma expressão simples – miséria.

 

Havia os ricos. Algumas fortuna feitas no caldo social da miséria generalizada. Uns ostentavam a riqueza sem quaisquer pruridos. E havia alguma «riqueza envergonhada» - pessoas ricas, mas que pretendiam passar também por remediados. Razões várias – vergonha de comer bem quando tanta gente passava fome; evitar ter todos os dias à porta um cortejo de pedintes… Tempos difíceis.

 

A Guerra Colonial veio juntar a todos os outros flagelos económicos o temor pelas vidas dos jovens combatentes. Todas as famílias tinham familiares nas Forças Armadas. Tempos difíceis.

 

Vivemos actualmente  tempos muito difíceis…

 

Porém, indigna ouvir dizer que há quarenta anos atrás, durante a ditadura, se vivia melhor. É um insulto para quem viveu nessa época, comparar as dificuldades actuais com as desses tempos. E nem me vou dar ao trabalho de fazer a comparação.l. Quem sabe como se vivia, compreende o que quero dizer, quem não sabe, por não querer saber, ou não se querer lembrar, não merece o esforço de uma explicação.

 

Tempos difíceis os de hoje. Não nos devemos resignar e devemos lutar por que sejam menos difíceis. Exigindo justiça – voltando a Fernão Lopes, ele considerava que a Justiça continha em si todas as outras virtudes. Lutemos, pois, pela Justiça. Que se saiba, no entanto, que ela nunca reinou. Sempre os poderosos a manipularam de modo a que os tempos sejam difíceis para quem não tem poder.

 

Agora, como há mil anos.

 

publicado por Carlos Loures às 12:00

editado por Luis Moreira em 28/02/2011 às 22:39
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Sempre Galiza! Caldo galego

coordenação Pedro Godinho

 

 

hoje dormireis num leito

feito de palhinha triga,

junto do lar que vos quente

coa borralhinha acendida,

e comereis um caldinho

com patacas e nabiças.

 

  Cantares Galegos

  Rosalia de Castro

 

 

 

Vem comer o caldo, neno,

deixa ir o cam pra fora;

que vaia espelir as patas

e cuidar do que há na horta.

 

E trai la-la-lá,

e trai la-la-lá;

o galego nunca

castrapo será.

 

Nom fagas o xordo, neno,

e vem-te comer o caldo;

que logo vai ser a hora

de ires apastar o gado.

 

E trai la-la-lá,

e trai la-la-là;

o galego nunca

castrapo será.

 

  Cantigas galegas

  Ricardo Flores

 

 

CALDO GALEGO

 

A minha receita de caldo galego.

 

ingredientes

 

2 l de água
1 osso de presunto
1 osso de novilho ou vaca
100 g feijão branco
1 molho de grelos
1 kg de batatas
1 chouriço
Sal 

 

preparação

 

Deitar os ossos e o feijão - demolhado do dia anterior, numa panela com água e sal. Cozer durante uma hora.
Descascar as batatas e cortar em pequenos cubos. Tirar os ossos da panela e deitar as batatas junto com o chouriço. Deixar cozer.
Lavar bem os grelos. Numa outra panela cozer os grelos com sal. Quando começarem a ferver retirar do lume de imediato.

Deitar os grelos na panela onde estão as batatas, deixar cozer tudo durante 15 minutos.
Servir bem quente

 

 

E um outro caldo galego (irmão), música do grupo Trifulka:

 

 

publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Agenda Cultural - XIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra

Rui de Oliveira

 

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9h | Capela S. Miguel (UC) 

Missa Solene, com a participação do Coro da Capela.


9h-18h | UC 

DIA ABERTO da Universidade de Coimbra

Org.: Faculdades da UC.


Todo o dia | Cafés, livrarias e lojas da cidade

“Ciência onde menos se espera”

Desafios e experiências científicas para realizar autonomamente em locais inesperados. Org.: Museu da Ciência.


publicado por João Machado às 10:00

editado por Luis Moreira às 09:25
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