Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Belcanto 2 - Maria Callas - por Carla Romualdo e Carlos Loures

BelCanto-2

 Maria Callas,  cantora norte-americana de ascendência grega, nasceu em Nova Iorque a 2 de Dezembro de 1923 e morreu em Paris a 16 de Setembro de 1977, foi considerada a melhor soprano de todos os tempos. Recuperou as tradições do bel canto e marcou indelevelmente o Século XX. Actuou nos principais teatros do mundo, tendo cantado no Teatro Nacional de São Carlos em 27 de Março de 1958 a ópera La Traviata. O tenor espanhol Alfredo Kraus interpretou o papel de Alfredo.

 

 

 

 

Callas foi notada internacionalmente em 1948 com a sua interpretação na protagonista de Norma, de Bellini, em Florença. Mas foi a partir dos anos 1950 que Callas se começou a transformar na grande estrela do mundo da ópera. Renata Tebaldi disputava-lhe o trono e essa rivalidade, com adeptos de uma e outra digladiando-se, animou  a crónica social da época.

 

Maria Callas canta a famosa aria "Vissi d'arte" da Tosca, de Giacomo Puccini. Gravação feita ao vivo no  Metropolitan Opera de Nova Iorque, em 1965. O elenco era de luxo – Maria Callas (Floria Tosca ) Franco Corelli (Mario Cavaradossi) e Tito Gobbi (Scarpia). A orquestra foi dirigida pelo Maestro Fausto Cleva

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publicado por Carlos Loures às 22:00
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Os Senhores Singulares - (O romance da revelação do Brasil)- 9 - por Sílvio Castro

(Continuação)

 

Coaracy VI 

 

 

Um dia contei a Coaracy que eu tivera um sonho que me apavorava e que não conseguia esquecer. Eu sonhara que caminhava sozinho pela floresta que era aquela nossa e ao mesmo tempo era uma outra. Era uma floresta que se abria sempre aos meus passos e não se fechava jamais. Mais eu andava, mais a selva se ampliava, as árvores se abriam em passagens largas e as flores se multiplicavam. Mas eu não me sentia bem naquela selva; era como se por detrás de tudo certa mão conduzisse plantas e folhas para me atirarem a um lugar aonde eu não queria chegar. Mais caminhava, mais me sentia asfixiado pelo caminho que se abria silencioso e frio. Assim foi por um tempo que parecia não acabar jamais e eu corria corria corria e as plantas e as flores e as cores me asfixiavam cada vez mais. Até que na corrida louca gritei alto e me senti cair num precip¡cio que não tinha fim.

 

 

Coaracy me escutou tranquilo e me disse que não era assim que se devia sonhar. O sonho não deve vir sem ser chamado; devemos sempre chamá-lo. Assim fazendo o nosso sonho chega e cobre o nosso sono. Coaracy me disse que eu devia chamar o sonho que caira no precipício e com ele retomar o caminho que eu desejava.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vossa Senhoria tem muita paciência em escutar esses meus contos e me deverá perdoar se muitas vezes me ausento enquanto conto. Não é por falta de respeito, pois Vossa Senhoria me mereceu desde o primeiro momento que a vi tantos e tais que não posso senão dizer que me sinto feliz em demonstrá-los. Mas, algumas vezes me é impossível evitar de perder-me nas brumas das lembranças das coisas que me mudaram do que eu era para o que sou agora. Quando isso me acontece, parece que saio de mim mesmo e aquele que sempre fui pode ver de fora o que sou, mesmo quando esse novo eu tem somente a consistência do fumo, da brisa, das sombras.

 

Por isso tudo quero vos falar de uma experiência que foi essencial nessa minha nova vida e que me abriu novos caminhos. Não só para o novo ser que lentamente se criou em mim, mas também para avivar e esclarecer aquele que antes eu era.

 

A nudez dessa nova gente que encontramos desde o primeiro dia revelou-se como um choque que eu não sabia como explicar. Quando o nosso esquife se aproximava da praia e o nosso Capitão gritava entre as ondas altas aos homens na praia para que deitassem por terra suas armas, devo confessar que eu não distinguia bem essas armas, como o fazia Nicolau Coelho. Eu via muitos homens em pé, rijos, mas ao mesmo tempo tranquilos. Via-os como se apresentavam, completamente nus. Nesse primeiro conhecimento eu começava a viver a experiência que por longo tempo me atordoou.

 

 

 

publicado por João Machado às 21:00
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A Grécia terá ela meios para reembolsar a sua dívida? (2) - Marie de Vergès

Júlio Marques Mota  Nota de introdução

 

 

A crise está para ficar, está para durar e tanto mais será assim quanto se continuar a querer geri-la no quadro das práticas que a criaram. Procurar soluções neste quadro é impossível. A recente cimeira mostra-o à evidência, mas desta falaremos mais tarde. Por agora e nestes próximos dias iremos olhar para a situação actual dos países ditos periféricos, onde a Troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia, FMI) já está instalada no quadro da pressuposta resolução da crise, a Irlanda e Grécia.

 

 Depois de com os trabalhos de Sterdyniak e dos Economistas Aterrados, publicados na íntegra pelo Estrolábio, termos percebido o quadro em que se movimentam as Instituições Europeias, o seu quadro de análise e o conjunto de instrumentos de política económica de que se serve e que só servem para piorar a situação, depois de termos percebido com estes mesmos textos quais deverão ser os caminhos a percorrer, olhemos então para as consequências da aplicação dos remédios que a Comissão Barroso tem vindo a aplicar. A Irlanda, a Grécia, aos nossos olhos, portanto.

 

Uma pergunta vos deixo, aos visitantes de Estrolábio, na sequência  da leitura destes textos: da crise seremos nós apenas os agentes portadores, ou seremos nós os seus actores e os seus autores, por interpostos agentes, as Instituições Europeias, ao permitir que os instrumentos de política por aquelas utilizados sejam afinal os que têm conduzido à situação presente? Se assim é, outra consciência em política se exige. Que esta se ganhe, então.

 

 

 

 Marie de Vergès  A Grécia terá ela meios para reembolsar a sua dívida? [1]

 

 

Decididamente, nada está feito. Apesar dos esforços do governo de Georges Papandréou para colocar o país sobre os carris, investidores, analistas e economistas altamente colocados continuam a duvidar da capacidade de reembolso da Grécia muitíssimo endividada. “Não haverá forma de escapar a uma reestruturação" da dívida, assim afirmou Otmar Issing, o antigo economista‑chefe do Banco Central Europeu (BCE), numa entrevista, segunda-feira 21 de Março, à revista alemã Der Spiegel.

 

A afirmação não é passível de contestação, na mesma altura em que os dirigentes europeus acabam de melhorar as condições da ajuda financeira concedida em Maio de 2010 a Atenas. A 11 de Março, aceitaram reduzir a taxa de juro exigida e prolongar a duração dos empréstimos realizados a fim de dar mais tempo ao país para restaurar a sua credibilidade. Uma lufada de oxigénio bem-vinda mas que, de acordo com numerosos especialistas, não dispensará o país de uma re-negociação com os seus credores. O sentimento dos operadores financeiros é extremamente pessimista: de acordo com um inquérito do banco Barclays Capital feito junto de um milhar de investidores, são cerca de 70% deles que acreditam no cenário de uma reestruturação de dívida na zona euro nos três próximos anos.

 

À beira da insolvência? A análise é rapidamente feita: a austeridade a que se está a obrigar Atenas, de acordo com as recomendações dos Europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), incide negativamente sobre o crescimento. E muito fortemente. As baixas de salários e os aumentos dos impostos afectam o poder de compra das famílias. A Grécia não pode mesmo contar com a arma da desvalorização para estimular as suas exportações.

 

O produto interno bruto (PIB) diminuiu 4,5% em 2010. Deverá ainda diminuir 3% em 2011 enquanto a taxa de desemprego atinge os cerca de 15%. Sempre no capítulo das más notícias, o governo tem dificuldade em melhorar as receitas de impostos. Resultado, o défice aumenta e a dívida pula. Aproxima-se dos 150% do PIB, um nível recorde na zona euro!

 

Para o centro Bruegel, um instituto de investigação de grande influência na Europa, o país “roça claramente a insolvência". Assim, de acordo com os cálculos deste think tank, para que Atenas chegue a trazer a dívida pública para a barra dos 60% do PIB daqui até 2035, ser-lhe -ia necessário alcançar anualmente um excedente primário - sem o serviço da dívida - de 6% do PIB. “É uma tarefa de Hércules, indica André Sapir, professor na Universidade Livre de Bruxelas e investigador em Bruegel. O único caso no conjunto dos países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico) com tais excedentes, é a Noruega, mas é graças aos seus rendimentos do petróleo. “

 

A Grécia conta voltar aos mercados a partir de 2012. Mas a sua dívida continua a negociar-se sempre a taxas proibitivas. “No mercado dos CDS (títulos de seguro com os quais é suposto proteger-se contra o risco de incumprimento de um emitente), a Grécia é julgada de mais risco que o Iraque!“, ironiza Jean-François Robin, estratega no Banco Natixis. De acordo com este analista, esta avaliação é insensata. Mas, sublinha, que se os investidores exageram ou não, o certo é que “se as taxas permanecem onde estão, isto não é sustentável".

 

As razões para esperar. Acontece que a Grécia, o FMI e as Instâncias Europeias afastam a opção de uma reestruturação e alegam que o quadro está longe de ser muito negro: o governo efectua as suas reformas a um ritmo impressionante. Conseguiu reduzir o seu défice orçamental de 6 pontos de percentagem num ano, fazendo-o descer de 15,4% do PIB em 2009 para 9,4% em 2010. Para aumentar as suas receitas, Atenas além disso decidiu realizar um plano de privatizações de 50 mil milhões de euros. O objectivo é ambicioso. Se for atingido, do que duvidam certos peritos - o governo poderia dispensar-se de impor novos aumentos de impostos que correm o risco de enfraquecer ainda mais o crescimento económico.

 

Para toda a gente, é urgente esperar. As razões são bem compreendidas. Porque se a Grécia reconhecesse que não pode reembolsar as suas dívidas, isto constituiria um perigoso precedente: “Não se tem nenhum outro exemplo na história recente da Europa Ocidental, sublinha Jean-Michel Six, chefe economista na Europa de Standard & Poor’s. Não se conhecem, portanto, antecipadamente quais as consequências. Estas tanto poderiam ser relativamente benignas como extremamente graves", refere.

 

O perigo é o de um contágio aos outros países vulneráveis da zona euro. Os investidores, inquietos que um mesmo cenário se repita com a dívida irlandesa ou portuguesa, prefeririam largá-la. O sector bancário seria sujeito a uma muito dura prova, nomeadamente os estabelecimentos bancários alemães e franceses, muito expostos. "Muitos dizem “não agora” por medo de provocar a faísca de uma crise sistémica na zona euro", explica André Sapir.

 

Para uma reestruturação negociada. Os economistas do centro Bruegel julgam inevitável que Atenas venha a passar por uma redução de 30% da sua dívida negociável, calculada em 290 mil milhões de euros. Mas preconizam então que antecipadamente o sector bancário europeu seja saneado financeiramente e capitalizado

 

Seja como for, a Grécia não procederia a uma declaração de incumprimento unilateral que tomasse os seus mutuantes de fundos desprevenidos. Os peritos crêem antes no cenário de uma reestruturação negociada, que lhes permita obter uma dilatação dos prazos de pagamento e uma baixa das taxas de juro. A Europa parece estar a preparar o terreno. Primeiro, por ter aceite um reescalonamento dos seus próprios créditos concedidos a Atenas, depois, porque esta decisão está ligada  com a de ter diminuido a taxa de juro. E, sobretudo, ao poder vir a reflectir-se sobre o mecanismo de resolução das crises após 2013, data em que expira o actual Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF).

 

É este um dos desafios da cimeira que reúne os dirigentes da zona euro a 24 e 25 de Março em Bruxelas. No futuro, a assistência financeira da Europa será condicional. Implicará uma participação dos investidores privados a partir do momento em que o país em dificuldade será considerado insolvente. Ninguém duvida que esta situação se colocará primeiramente para a Grécia se esta não recuperar a sua sustentabilidade daqui até 2013.

 

Marie de Vergès,  La Grèce a-t-elle les moyens de rembourser sa dette ?, Le Monde, 24 de Março de 2011.

 

 



[1] Tradução de Júlio Marques Mota, revisão de António Gomes Marques.

publicado por Augusta Clara às 20:00

editado por Luis Moreira em 02/04/2011 às 02:02
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Proposta-Apelo - Magalhães dos Santos


 

 

 Magalhães dos Santos  PROPOSTA-APELO

 

 O Dr. Magalhães dos Santos é licenciado em Filologia Românica.

Distinto linguista. Foi professor do ensino secundário em

Vila Real, Aveiro, Chaves, Guimarães, Évora, Viana do Castelo, Braga etc.

Colaborador de vários jornais, escritor, poeta, dramaturgo, actor, tem mais de vinte obras publicadas.
Excelente animador e contador de anedotas. Um dos criadores do Grupo Cultura Viva de S. João da Madeira

 

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

Por muito demorar e muito adiar, já tenho perdido a ocasião de dizer coisas que tenho para dizer, no momento em que deveria dizê-las. Com essas demoras e adiamentos, quem fica a lucrar são os eventuais leitores, que não têm de me aturar as divagações. Também, devo reconhecê-lo, têm bom remédio: basta(lhes) verem de quem é o artigo e… passam à frente, sem desperdiçarem o preciso tempo nem cansarem os olhos.

 

Pois… vamos ver se sempre é hoje que eu “boto cá pra fora”…

 

Não sei de quem foi  a luminosa ideia de que os governos – em qualquer país que seja – não deviam preocupar-se com o PIB – Produto Interno Bruto - , mas com os índices de Felicidade dos povos, bruta ou… inteligente.

 

Concordo em absoluto! E sei que os inúmeros Sanchos Panças, portugueses ou de qualquer nacionalidade, com os pés atarraxados ao chão e incapazes de roçar a cabeça nas nuvens, quanto mais de a passearem entre as estrelas, logo objetarão, cheios de puro e duro materialismo-capitalismo.

 

- Tudo isso é muito lindo, mas sem dinheirinho é que não há Felicidade! “Quanto tens, quanto vales, nada tens, nada vales!...” “Ele é tão lindo, o maganão!” Deixe-se de lirices, homem! Caia na real!

 

Reconheço que a minha proposta-anseio não está bem estruturada, que (ainda) é vaga, nebulosa… é isso tudo e bem menos…

 

Mas, cos diabos! Está mais do que na hora de mudar de vida!

 

(Quando alguém propõe mudar velhos, antiquíssimos hábitos, há duas reações: “Deixe-se disso! Sempre assim foi, sempre assim há de ser…” Ou, como deve ser : “Sempre assim foi?! Então, se assim está errado, está na hora de deixar de ser assim,!”)

 

O maldito Capitalismo, le sacré Capitalisme, the bloody Capitalism, já deu provas mais do que suficientes de ser um sistema assassino, impiedoso, desumano, Nenhuma religião digna desse nome se apoia nele. Ele é que se apoia em todas, ele de todas torce e retorce e distorce o espírito, de todas adultera o autêntico sentido, de todas faz muleta para caminhar e alcançar os seus negregados objetivos, que não são, bem longe disso, o bem da Humanidade.

 

Não se peçam receitas a economistas! Os bem-intencionados – alguns haverá, não os mandemos todos já para as profundas dos Infernos! – sabem receitas de números, não sabem receitas de coração, receitas para pessoas vivas.

 

Recorra-se a gente de boa fé!  (Não falo de Fé! Isso não é para aqui chamado! Uma Fé descamba ou degenera em religião e as religiões não são fatores de Felicidade, são causas de guerras, de ódios, de malquerenças, de inimizades, de separações, de fronteiras).

 

Todos temos consciência de que há gente de boa-fé e de que, reunindo as suas sugestões e opiniões, se poderia estabelecer um sistema que acabasse com o criminoso império do dinheiro, do Poder baseado na posse de dinheiro.

 

Vamos acabar com a nossa dependência, absoluta e cega dependência do dinheiro!

Vamos dar valor ao que dá valor à Vida!

 

Vamos votar ao desprezo aqueles que só se fazem valer e só se impõem pelos muitos euros ou dólares ou ienes que têm!

 

Temos de dar valor a outros valores!

 

Deixemos os novos-ricos adorarem-se uns aos outros ou exterminarem-se uns aos outros!

 

Ou mandemo-los para reservas, em que apenas sejam preservados os exemplares suficientes para servirem de exemplo negativo, como testemunho do que foram os agentes causadores da desgraça da Humanidade.

 

Como ratos, pulgas, outros parasitas, capitalistas e novos-ricos não devem ser todos exterminados. Devem é, uns quantos especímenes, ser enjaulados, cuidadosamente aferrolhados e vigiados, para que não se reproduzam nem fujam!

 

Cuidado com o Deus-Dinheiro e os seus adoradores!

  . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

 

Está lançada a campanha:

 

Vamos acabar com o império do dinheiro, do Capitalismo imundo e, para que não haja dúvidas de interpretação, com o imundo Capitalismo!

Arranjem um “slogan” convincente, persuasivo, sedutor! Uma boa sigla!

 

Mas acabem(os) com o império do nojento, asqueroso, criminoso Capital!

 

Chega de Capitalismo e de quem o venera e promove!

 

Basta!

 

                                       Magalhães dos Santos

                                       24 de março de 2011

 

 

 

 

 


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publicado por Augusta Clara às 19:00
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Orfeu e Eurídice (parte II) - Clara Castilho

 

 

 

 

Federico Cervelli (1625 – 1700),  "Orfeo ed Euridice"
Fondazione Querini-Stampalia, Venezia (Italia)

O mito de Orfeu e Eurídice inspirou muitos outros autores, poetas e escritores e músicos. Deixo alguns exemplos.

  

 

 

A MORTE DE ORFEU

"Em vão as bacantes da Trácia procuram
consolá-lo. Mas Orfeu, fiel ao amor de
Eurídice, encarcerada no Averno, repeliu
o amor de todas as outras mulheres.
E estas, despeitadas, esquartejaram-no."

Houve gemidos no Ebro e no arvoredo,
Horror nas feras, pranto no rochedo;

E fugiras as Mênadas, de medo,
Espantadas da própria maldição.

Luz da Grécia, pontífice de Apolo,
Orfeu, despedaçada a lira ao colo,
A carne rota ensangüentando o solo,
Tombou... E abriu-se em músicas o chão...

A boca ansiosa em nome disse, um grito,
Rolando em beijos pelo nome dito;
"Eurídice", e expirou... Assim Orfeu,

No último canto, no supremo brado,
Pelo ódio das mulheres trucidado,
Chorando o amor de uma mulher, morreu...


Olavo Bilac

publicado por atributosestrolabio às 18:00
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A República nos livros de ontem nos livros de hoje - XLIV, por José Brandão

 

 

 

Em Redor de um Grande Drama

 

Carlos Malheiro Dias

 

Vega, 1985

 

No breve espaço de tempo que decorreu entre a morte de D. Carlos e do príncipe herdeiro. D. Luís Filipe, Malheiro Dias redigiu febrilmente um belo livrinho intitulado Quem o Rei de Portugal que, embora dedicado «À Colónia Portuguesa do Brasil – Ao seu fervoroso Lealismo Monárquico», se destinava a revelar aos Portugueses a personalidade do jovem príncipe, D. Manuel que atonitamente se vira guindado às mais altas responsabilidades do exercício do poder. Mais uma vez Malheiro Dias ali se define como um espírito liberal, um homem cujo horizonte monárquico é o da causa do Liberalismo. Malheiro Dias reinvoca, a propósito das intenções dos políticos que queriam impor a D. Carlos, acabado de subir ao trono, um «programa imprudente», as cominatórias palavras dirigidas por Passos Manuel à jovem D. Maria II com que interdissera à soberana a «política perigosa do engrandecimento do poder real»…

 

publicado por João Machado às 17:00
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SOUTO DE MOURA VENCE PRÉMIO PRITZKER, O ‘NOBEL DA ARQUITECTURA’

 

 

 

 

 

 

 

 

José de Brito Guerreiro

 

 

 

 


 

O arquitecto Eduardo Souto de Moura ganhou o Prémio Pritzker de Arquitectura 2011, o maior galardão mundial na área da

arquitectura.

 

 

Souto de Moura é o segundo arquitecto português a receber esta distinção, que foi atribuída a Álvaro Siza Vieira, em 1992.

 

O Prémio Pritzker, considerado o Nobel da arquitectura, foi criado em 1979, é anual e tem como objectivo distinguir um arquitecto vivo.

 

É extraordinário para um país com a dimensão de Portugal ter dois prémios Pritzker. São poucos os países que se podem orgulhar de terem dois arquitectos vivos com este galardão.

 

O júri do prémio destacou, entre outras obras, o Estádio Municipal de Braga, erguido numa antiga pedreira «um trabalho musculado, monumental e de acordo com a poderosa paisagem». Sobre esta obra o arquitecto declarou o seguinte: «É uma obra que tive a oportunidade de fazer no sítio e no momento certo. Fazer uma obra que vai desde uma intervenção de paisagem – mudei a geografia daquele sítio – até ter conseguido desenhar os puxadores das portas. É uma obra...em que os defeitos são meus. Não tive nenhuma pressão, agora tenho, há problemas financeiros, mas na altura isso não aconteceu.»

 

Segundo o júri do Prémio Pritzker «Ao longo de três décadas, Eduardo Souto de Moura produziu um compêndio de obras que pertencem ao nosso tempo mas que também têm uma forte conexão com as tradições arquitectónicas. Os seus edifícios têm a habilidade única de combinar características aparentemente contraditórias, como o poder e a modéstia, o atrevimento e a sublimidade, o peso da autoridade pública e uma sensação de intimidade.»

 

Souto de Moura revelou que é muito importante receber este prémio agora «Primeiro, porque praticamente só trabalho lá fora. Estou a ficar cansado e não é razoável. Segundo, por causa dos escritórios de arquitectura em Portugal. Não há emprego, está tudo a emigrar. Temos bons arquitectos e a chamada geração à rasca está mesmo à rasca. E não há para onde ir. O único sítio para onde os arquitectos portugueses estão a ir é para a Suíça – a Europa não está famosa – e estão a ir para o Brasil. Há um certo prestígio das escolas e dos arquitectos portugueses. Um país com dez milhões de habitantes ter dois prémios Pritzker não é muito comum.»

 

O arquitecto disse ainda: «Este prémio se mo deram a mim não é por ser excepcional, eu prefiro pensar que sou normal. Eu adivinho que com a crise económica os arquitectos excepcionais não vão ter nenhum futuro. Acabou um certo estrelato da arquitectura.»

 

E concluiu: «Como dizia Mário Cesariny o país está com o tecto muito baixo e estes prémios – já é o segundo Pritzker para Portugal – são alavancas para levantar o país. Isto acontece não só na arquitectura, no futebol, na ciência mas também na literatura.»

 

publicado por João Machado às 15:00
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Autoestrada destrói olival com melhor azeite do mundo por Luis Moreira

 

 

 

 

 

Esta notícia diz bem o que somos como país. Muitos milhares de sobreiros e azinheiras já foram cortados no altar de mais uma autoestrada e agora estão a ser cortadas mais 7 000 oliveiras que produzem um azeite que é integralmente exportado. Este olival intensivo, de rega gota a gota, é um dos muitos que têm aparecido no Alentejo e que povoam de verde a planície outrora queimada e deserta.

 

Não seria possível construir a autoestrada sem prejudicar gravemente o olival?

 

Acredito que o caminho encontrado para a autoestrada seja o melhor, o mais curto e o mais barato ( encurta a distância Sines- Beja para 50 minutos) mas também acredito que em Portugal a decisão nunca colocou a possibilidade de encontrar alternativas para não prejudicar o olival )e o montado), que vai ser cortado ao meio com os custos inerentes.

 

"A terra deste olival é das mais férteis do país. Fica nos barros de Beja, formação composta de gabros e dioritos, rochas escuras com as quais se relacionam os bem conhecidos barros negros, de que resultam solos de classe A e B, cuja produtividade pode atingir índices muito elevados. Os barros estendem-se por uma área de cerca 350 Kms quadrados nos concelhos de Ferreira do Alentejo, Beja e Serpa. No seu subsolo localiza-se um dos mais importantes reservatórios de águas do país um extenso aquífero, a uma profundidade média de 12 metros." in Público de 29/3/2011.

 

Debaixo da autoestrada ficam ainda as condutas do sistema de rega do Alqueva.

 

O dono da exploração diz que nunca percebeu quem seria o seu interlocutor ou com quem podia discutir o traçado e diz que "o traçado podia ter sido encostado a norte onde os terrenos são de má qualidade", no entanto o autarca diz que o traçado estava "há cerca de oito anos decididido e que chamou a atenção dos proprietários para o problema de plantarem mais olival" por causa da futura autoestrada, no que ninguém acreditou.

 

O azeite deste olival anda a ganhar prémios de qualidade nos maiores certames mundiais, tendo ganho a medalha de ouro em 2010. Em 2008 e 2009 já fora finalista e exporta para 18 países.

 

Uma das premissas para a expropriação dos terrenos é que estes seriam apropriados para agricultura de sequeiro quando na verdade o olival é de cultura de regadio e que obrigam a investimentos elevados.

 

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
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José Luis Sampedro – por Carlos Loures

 

Ando há tempos para trazer aqui algumas palavras sobre um grande intelectual – José Luis Sampedro. É um escritor catalão de língua castelhana muito pouco conhecido em Portugal. Li o seu romance La sonrisa etrusca em 1993. Comprei-o uma noite, após o jantar, num dos quiosques das Ramblas, por onde gosto de deambular. Por essa altura, ia a Barcelona com grande frequência. Para os almoços havia sempre muitos colegas a convidar-me. Os jantares eram, em regra, solitários, pois todos iam para suas casas. Uma vez ou outra, o meu saudoso amigo Deiros, administrador-delegado da empresa para a qual eu trabalhava, me convidava para jantarmos no Círculo Ecuestre (no cruzamento da Avinguda Diagonal com a carrer Balmes) de que era sócio. Ambiente e comida óptimos.

 

Mas o jantar dessa noite foi  num  qualquer restaurante do Bairro Gótico. Antes de vir até ao hotel, dei a volta ritual pelas Ramblas e, num quiosque em frente do Teatre del Liceu, deparei com o livro do José Luis Sampedro, uma edição da Alfaguara – a trigésima terceira, datada de 1992.. Já ouvira falar, mas nunca lera nenhum dos seus livros.  Quando, ainda cedo (onze horas?) me deitei e comecei a ler o livro, estava longe de pensar que me iria acontecer o que aconteceu – só deixar de o ler quando vi que era dia e tinha um dia de trabalho pela frente.

 

Estava já a clarear e tinha de estar muito cedo na editora – como o Josep Vidal pode comprovar , os catalães são rigorosos. Continuei a ler no aeroporto, depois no avião e já acabei a leitura em casa – 350 páginas. Fiquei fascinado com aquela história que um escritor catalão (e que escreve em castelhano) situa em Itália. Digamos que  é um bom exemplo do vigor cultural da pátria latina, mesmo nos nossos dias em que a onda avassaladora da anglofização quase não nos deixa respirar.

 

A história é simples - um velho calabrês chega a casa de um filho em Milão para fazer uma revisão geral – análises, radiografias, electrocardiogramas…

 

No Museu Romano de Villa Giulia a sua atenção fixa-se no sarcófago etrusco, sobre o qual as esculturas de um casal deitado num triclínio  sorri. Como se aqueles dois longevos amantes, Os esposos (como se chama a peça) se rissem da morte. A imagem fica-lhe gravada. Viverá em Milão duas grandes emoções que também o farão sorrir da morte – o neto, que desconhecia, e no qual derrama todo o seu amor e também o amor romântico por uma mulher. A sua última aventura amorosa. Recomendo a leitura e, por isso, não vos conto a história, só vos deixando sobre ela um tópico – o amor é uma vitória sobre a morte. É uma história maravilhosa, bem escrita e esplendidamente efabulada.

 

E começou aí o meu interesse por José Luís Sampedro escritor que até então desconhecera. Li os seus romances e mais recentemente descobri a sua faceta de humanista.  Comecemos então por revelar alguns dados essenciais da sua biografia.

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José Luis Sampedro Sáez nasceu em Barcelona no dia um de Fevereiro de 1917. Além de escritor e de humanista, é também um reputado economista, defendendo uma economia mais humana, mais solidária e capaz de contribuir para o desenvolvimento e dignidade dos povos.

Entre o ano em que nasceu e os 13 anos, viveu em Tânger. Em 1936, ao eclodir a Guerra Civil, foi mobilizado pelo Exército Republicano, alistando-se depois naquilo que se chamou «exército nacional» - os rebeldes falangistas.

 

Acabada a guerra, já em Madrid, frequenta o curso de Ciências Económicas na Universidade Complutense, concluindo-o em 1947. A partir de 1955 e até 1969, faz parte do corpo docente dessa mesma universidade. Ao mesmo tempo ocupa diversos cargos no Banco Exterior de España, chegando a ser seu Subdirector Geral. Em 1976 volta ao banco como assessor de Economia. E ao mesmo tempo que desenvolve a sua actividade docente ou como economista, começa a publicar a sua obra literária. Quase centenário, continua com a sua acutilância humanística a criticar a decadência moral e social do Ocidente, do neoliberalismo, bem como as brutalidades do capitalismo selvagem.

 

Hei-de voltar a falar deste escritor. Sobretudo sobre a sua faceta de economista.

 

Para já, sobre ele vou dar a palavra a José Saramago:

 

 

Esta tarde ouvi falar de José Luis Sampedro, economista, escritor, e, sobretudo, sábio daquela sabedoria que não é dada pela idade, ainda que esta possa ajudar alguma coisa, mas pela reflexão como forma de vida. Perguntaram-lhe na televisão pela crise de 29, que ele viveu em criança, mas que depois estudou como catedrático. Deu respostas inteligentes que os interessados em compreender o que está ocorrendo encontrarão nos seus livros, tanto escreveu José Luis Sampedro, ou procurando a reportagem na rede, mas uma pergunta que ele próprio fez, não o jornalista, ficou-me gravada na memória. Perguntava-nos o mestre, e também a si mesmo, como se explica que tenha aparecido tão rapidamente o dinheiro para resgatar os bancos e, sem necessidade de qualificativos, se esse dinheiro teria aparecido com a mesma rapidez se tivesse sido solicitado para acudir a uma emergência em África, ou para combater a sida… Não era necessário esperar muito para intuir a resposta. À economia, sim, podemos salvá-la, mas não ao ser humano, esse que deveria ter a prioridade absoluta, fosse quem fosse, estivesse onde estivesse. José Luis Sampedro é um grande humanista, um exemplo de lucidez. O mundo, ao contrário do que às vezes se diz, não está deserto de gente merecedora, como ele, de que lhe dêmos o melhor da nossa atenção. E façamos o que ele nos diz: intervir, intervir, intervir.

 

(in Outros Cadernos de Saramago, 24 de Outubro de 2008)

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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Lançamento de "Nas Margens da Medicina"

 

 

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 10:30

editado por Carlos Loures às 14:06
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Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa - agenda -

Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa

 


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Março

 

 

12 Fevereiro - 27 Março 2011 - CROSSINGS - Exposição: A Imagem na Ciência e na Arte, Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva | +info

 

 

16 Março 2011- OS LEGADOS DE HILBERT NOS FUNDAMENTOS E A PRÁTICA MATEMÁTICA, por Augusto Franco de Oliveira, realizada no âmbito do Ciclo de Conferências 2011 da Cátedra A RAZÃO "Os Novos Desafios da Razão",  Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Sala 5.2, 18h00.

 

 

ABSTRACT: David Hilbert (1862-1943) foi o maior expoente da corrente filosofia nos fundamentos conhecida por formalismo. Esta corrente informa o chamado programa de Hilbert, essencialmente um programa de validação dos sistemas axiomáticos através de provas finitárias de consistência ou não contradição. É afirmação recorrente que os metateoremas de incompletude de Gödel (1931) deitaram por terra estas pretensões de Hilbert. Todavia, termos como "formalismo", "prova finitária" (ou "finitista") não foram definidos com precisão, por um lado, e os matemáticos (antes e depois dos sucessos e insucessos nos fundamentos nas primeiras três décadas do séc. XX) aderiram firmemente aos métodos axiomáticos, levando as ideias de Hilbert aos seus limites, por outro. A exposição faz um curto historial dos principais acontecimentos e posições filosóficas ligadas ao formalismo hilbertiano e sua sobrevivência na matemática corrente.

 

 

19 Março 2011- Conversas corpoIMAGEM: Uma nova imagem médica, por Mário Forjaz Secca (Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa Ressonância Magnética de Caselas). Local: Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, Parque das Nações, Sábado, 16h00 .

 

 

23 Março 2011- Ginásio: Reading Monumental Hieroglyphs, apresentação de Félix Costa, FCUL, Sala 8.2.13, 16h30.

 

Abstract:This lecture is a short account on the reading of Egyptian hieroglyphic inscriptions commonly found in monuments and museums, focusing on (a) grammatic constructs of Afroasiatic languages (called also Hamitic in some European countries), (b) formulaic structures, and (c) associated rituals.

 

 

23 Março 2011- Ginásio: The Chinese Characters, apresentação de Cláudia Ribeiro, FCUL, Sala 8.2.13, 18h30.

 

Abstract:A brief history account. Pictograms. Ideograms. Ideograms compounds. Phono-semantic compounds. How to write simple Chinese characters: the strokes order.

 

 

 

30 Março 2011 - Seminário Permanente de Filosofia das Ciências, por Anna Carolina Regner. Título: A novidade epistemológica da "Origem das Espécies": Fundamentos, procedimentos e poder explicativo da teoria, FCUL, Anfiteatro da Fundação da Faculdade de Ciências da UL (Edifício C1, Piso 3), 17h00.

 

 

31 Março 2011- Jornadas de Pós-Graduação, 31 de Março e 1 de Abril de 2011, Anfiteatro da Fundação da FCUL, Edifício C1, Piso 3 (ver programa completo)

 

Com apresentações dos seguintes membros do CFCUL:

10h00-10h30: Escrever e não ser lido (pragmática de discursos científicos enredados), por José Carlos Tiago de Oliveira
11h00-11h30: Bohr e a mecânica quântica como uma generalização racional das teorias físicas clássicas, por João Luis Cordovil
12h30-13h00: A presença da Metafísica na Ciência, por Cláudia de Nóbrega Moita Quelhas Ribeiro

 

 

 

Abril

 

  • 01 Abril 2011- Jornadas de Pós-Graduação, 31 de Março e 1 de Abril de 2011, Anfiteatro da Fundação da FCUL, Edifício C1, Piso 3 (ver programa completo)

     

    Com apresentações dos seguintes membros do CFCUL:

    10h30-11h00: Themata: um conceito a clarificar, por João Lopes Barbosa
    12h00-12h30:
    Edmund Husserl: fenomenologia, lógicas intencional e modal e filosofia da matemática, por Sérgio Alexandre Fernandes
    14h30-15h00: A teoria da ciência natural de Poincaré, por Maria de Paz Amérigo
    15h30-16h00: Conflito entre Geometria e Experiência, por Silvio Varela Sousa
    16h30-17h00: Filosofia exacta e incompletude em Gödel, por Nuno Miguel Fernandes Jerónimo
    17h00-17h30: Mapa, esquema ou retrato? Reflexões sobre a ambígua natureza da imagética médica, por Silvia Di Marco

     

  •  

  • 05 de Abril 2011 - Seminário de leitura: parte I do romance Flatland, discussão no âmbito do Projecto Poincaré, Sala a Anunciar, 16h30.

  •  

  •  

  • 11 a 15 de Abril 2011- Curso Livre: Considerações em torno dos conceitos leibnizianos de espaço, tempo, contínuo e determinação, coordenado por William de Siqueira Piauí (UFAL). Todas as sessões do curso serão realizadas no Anfiteatro da Fundação da Faculdade de Ciências da UL (Edifício C1, Piso 3). (Ver maiores informações e inscrições) (Ver Programa)

     

     
    • 1º Aula (11/04/2011): Elogio de Einstein a Leibniz:a controvérsia Leibniz Clarke/Newton quanto aos conceitos do tempo, do espaço e da determinação solo-numero
    • 2ª Aula (12/04/2011): Elogio de Poincaré a Leibniz: a controvérsia Leibniz Euclides/Descartes quanto à constituição adequada de uma geometria
    • 3ª Aula (13/04/2011): Leibniz e a construção dos conceitos de determinação e substância: respostas metafísica, teológica, física e matemática de Leibniz a Newton e Descartes
    • 4ª Aula (14/04/2011): Revisitando os conceitos de espaço, tempo e contínuo a partir do que Leibniz afirma no § 7 da primeira parte da Teodicéia
    • 5ª Aula (15/04/2011): Leitura de parte da correspondência entre Leibniz e Clarke: conclusões.

     

    * As aulas terão duração mínima de 2 horas
    ** Do curso poderá ser passado um certificado de presença

 

 

12 Abril 2011 - Seminário Permanente de Filosofia das Ciências: Delfim Santos e a Filosofia da Ciência - uma exploração preliminar, pelo Doutor Filipe Delfim Santos. FCUL, Sala a Anunciar, 17h00.

 

 

18 Abril 2011 - Ginásio com Inacio Valentim. Título: FOUCAULT E A LEITURA PLATÓNICA. ANÁLISIS DA QUESTAO DO CUIDADO DE SÍ E DA PARRÉSIA EM ALCIBÍADES E NA APOLOGIA. FCUL, sala a indicar, 11h00.

 

 

 

 


publicado por Luis Moreira às 10:00
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Agenda Cultural - noites de encantar

 

 

 

 

publicado por João Machado às 09:00
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Jornais e notícias que fazem o seu dia - 30/3/2011 por Luis Moreira

Clicando nos links acede às rádios e jornais. Toda a imprensa de referência ao seu pequeno almoço, só ainda não lhe servimos o café mas estamos a pensar nisso...

 

 

Rádio on line, ouça boa música e leia as notícias que fazem a sua manhã.

 

Notícias Público -edição impressa.

 

DN - edição impressa

 

JN

 

Diário de negócios

 

Aljazeera live - em inglês

 

 A Marca - jornal de desporto

 

Jornais e revistas italianos - todos os jornais e revistas publicados em Itália. Escolha a seu prazer.

 

Financial Times - os negócios

 

Nouvelle Observateur - edição impressa

 

Le Monde

 

La Vanguardia,

 

El País

 

Corriere della Sera

 

New Yorker

 

Record

 

O Jogo

 

Expresso

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Ouça - (ainda) não paga imposto por Luis Moreira

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 00:15
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Terça-feira, 29 de Março de 2011

A demissão do Governo - depoimento de Josep Anton Vidal

Davant el mirall de Portugal

 

Un vell refrany català, que té translació idèntica en castellà, resumeix el que ha estat la reacció dels mitjans i de l'opinió pública a Espanya davant el rebuig del parlament portuguès al pla de reajustament presentat pel primer ministre José Sócrates, i la posterior dimissió d'aquest: "Quan vegis la barba de ton veí pelar, posa la teva a remullar".

 

Per això, alhora que han coincidit a considerar no només inevitable i imminent, sinó fins i tot urgent el rescat de Portugal, han coincidit també a emfasitzar les "diferències" entre Espanya i Portugal. La miopía habitual de l'hispanocentrisme s'ha imposat arreu, i els analistes, entre els quals s'inclouen periodistes, opinadors i polítics, s'han oblidat, en general, de l'anàlisi de la situació portuguesa i l'han aprofitada per repetir insistentment, amb petites variants i matisos, que els experts més experts entre els experts han descartat amb força seguretat la possibilitat que "Espanya segueixi Portugal". El director d'estratègia de la USB (antiga Unió de Bancs Suïssos), Roberto Ruiz Scholtes, ho ha expressat així: "La clave es que cada debacle de un país a causa de sus problemas con la deuda pilla a España con los deberes más hechos, con mayor credibilidad, por lo que el riesgo de contagio es menor en intensidad y duración en el tiempo". En el mateix sentit s'ha expressat Alfonso García Yubero, responsable d'anàlisi de Banif Gestión: "España sigue desmarcándose de los demás, a diferencia de lo que ocurrió en los anteriores episodios de riesgo periférico". De manera semblant s'han expressat la ministra d'economia i vicepresidenta de l'Estat espanyol, Elena Salgado, i el socialista Joaquín Almunia, Comissari de Competència de la Unió Europea, que han manifestat que Espanya està fent les reformes adequades, que els riscos del sistema bancari estan sota control i que l'ajust pressupostari inspira confiança de cara al futur.

 

Però, precisament aquesta insistència en la cerca i la magnificació de les diferències en relació amb la situació de Portugal, fa evident la semblança entre els dos estats veïns. És evident que ni Alemanya, ni França, ni Gran Bretanya tenen cap necessistat d'evitar els paral·lelismes amb la situació de Portugal ni de desmarcar-se'n. Però, Espanya sí, precisament perquè la seva situació és molt semblant. L'editorial del diari Avui del dia 25 assenyalava el perill d'aquesta reacció optimista del govern espanyol i la inconsistència de la seva voluntat de distanciar-se de la crisi portuguesa: "Cert: Portugal i l'Estat espanyol tenen una potència econòmica diferent, però hi ha algunes realitats que haurien d'aigualir un optimisme suïcida que recorda molt el que s'exhibia abans que no esclatés la crisi en tota la seva cruesa", i assenyala d'una banda la similitud entre les mesures del govern socialista portuguès i les que ha adoptat i haurà d'adoptar l'executiu espanyol per reduir la despesa pública, i, d'una altra, el nombre d'actius que la banca espanyola té compromesos a Portugal. I, en la crònica de la cimera europea, el mateix diari, ara amb una subtil ironia, no s'estava de fer un pronòstic amagat rere el que sembla una nota trivial de societat: "El president espanyol, José Luis Rodríguez Zapatero va saludar José Sócrates fent-li uns copets de compassió a l'esquena, i Sócrates li va tornar el gest, augurant-li aviat el mateix calvari".

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 23:00

editado por Luis Moreira às 23:50
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