Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
ANTÓNIO BOTTO NO BRASIL – 15– por António Sales

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Percurso Esgotado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

 

 

 

À meia-noite uma multidão espalha-se pela Baía de Guanabara festejando ruidosamente o novo ano de 1959, último de uma década tempestuosa: conflitos, doenças, hospitais, dívidas, despejos, pobreza, um gigantesco saco de maleitas que o perseguiu sem que os êxitos, poucos, o tenham compensado. Um tempo longo, António, sem nada a acrescentar à tua obra de Lisboa. O que há são textos, poemas soltos, artigos, ensaios, rascunhos de memórias, trabalhos sem unidade que confiram carácter até porque o livro Ainda não se Escreveu não é significativo.

 

Com quem brindaste no instante simbólico de mandares para o lixo o tempo das más recordações e erguer a taça das ilusões reconquistadas, agora que o destino parece querer recolocar paz e ordem no teu espírito? Com amigos, certamente, mas com Carminda em particular, selando a esperança de ambos. Parece um pacto bizarro, no mínimo insólito, o da vosso relação íntima de mais de trinta anos que nada teve a ver com paixão, prazer ou atracção física, coisas arredadas pela tua homossexualidade confessada e consentida por Carminda desde a primeira hora. Neste caso a palavra amor traduz uma relação afectiva cuja raiz platónica não impediu, antes reforçou, laços de mútua generosidade e sacrifício.

 

Carminda da Conceição Rodrigues foi a mulher da sua vida não pela beleza mas pelos anos que viveu com o poeta participando dos seus êxitos e fatalidades com devota admiração. Sem desfalecimentos, senhora de uma coragem silenciosa, foi a aduladora sombra feminina tornando menos agrestes as amarguras e angústias consequentes das agitações do seu feitio. Nesse longo e doloroso percurso foi sua mulher de facto e não de passagem. Fiel apesar da solidão sexual, generosa na humildade espiritual da sua presença, paciente na consciência do seu sacrifício. Se não lhe desejaste o corpo ela ofereceu-te a alma compreendendo o teu comportamento e criando em teu redor, com a sua companhia, um poema sem nome deitado na trajectória da tua vida. Por conseguinte é justo que inscreva neste livro algumas linhas que a retirem do esquecimento dos humildes, elevando a simplicidade de um caso de amor dedicado capaz de dar sem pedir nada em troca.

 

Nesta história tu não foste menor, António, foste mesmo surpreendentemente amante no sentido de um companheiro que retribuiu oferecendo de si o carinho e a dignidade que Carminda merecia. Apesar do teu exacerbado narcisismo não a repudiaste nem a desprezaste, porque a teu lado a quiseste como tua mulher mesmo nos acontecimentos públicos da tua vida. É difícil interpretar este comportamento generoso num homem de vincado egoísmo pela sua personalidade. Em tudo quanto escreveste ou disseste a seu respeito não se encontra um queixume, uma palavra de crítica, um desabafo onde a desmereças. Pelo contrário, Carminda surge como a companheira com quem divides sacrifícios mas também repartes bons momentos, ou para quem procuras encontrar meios de minorar a tristeza dos dias de chumbo. Nas piores situações, quando o desânimo e a revolta tomam conta da razão, não se encontra um arrependimento por essa união em que as dores do viver deram asas aos sentimentos.

 

Fica dessa relação uma imagem de indefectível amor como se qualquer coisa inexplicável vos ligasse. Custa-me defini-la de felicidade, palavra aplicada às alegrias e fortunas da vida quando tudo corre sem sobressaltos. Não obstante, entendo que também pode existir felicidade no sofrimento quando este nos fortalece e aguenta unidos apesar dos erros e desaires. Embora vaidoso, megalómano, estou convicto que na solidão das tuas mágoas choraste algumas vezes as lágrimas de ambos, lágrimas de um homem que pagou caro os defeitos do seu carácter mas soube, sem hesitações, minorar o silencioso drama da sua companheira de uma vida.

 

Mal despontara o ano de 1959, mais precisamente no mês de Fevereiro, já o nosso poeta teria transferido novamente a residência, agora para a Avenida Princesa Isabel (onde fazia tenda a portuguesa vendedora de galinhas que lhe emprestara o dinheiro para o médico), visto ser esse o remetente da segunda carta que Botto endereça a Salazar. Nesse mês adquire na Casa Samuel Rodrigues (vendia rádios, refrigeradores, pianos), sedeada na Avenida Copacabana, um conjunto de artigos no valor de 44.000 cruzeiros, entregando 20.000 à vista e o restante em prestações com letras de 2.400 cruzeiros cada. Parece, então, que as coisas iam melhor. Em termos de saúde sem dúvida, de bem-estar deixara para trás as casas miseráveis onde até aí vivera, de dinheiro nem falo pois adquirira o hábito de viver emprestado com “honrados” calotes a que habituara os amigos. De qualquer modo tudo aponta para uma certa estabilidade capaz de proporcionar a recuperação da sua obra criando algo de novo o que até aqui não tinha acontecido. Os inéditos careciam de unidade, estrutura literária, inspiração capaz de representar renovação na sua obra. Títulos existem vários, indicações também, mas tudo sem sequência nem orientação. Não se encontra um fio, uma identidade, uma forma de comunicação literária entre o seu mundo e o dos outros.

 

Embora António Botto não deixe transparecer mas a glória advém-lhe do passado. É possível que o excessivo culto pela sua pessoa o impedisse de tomar consciência da debilidade que a sua imagem literária ia assumindo, admito, porém, vislumbres dessa consciência escondida dos outros como de si próprio. Resulta daqui uma frustração maligna em relação ao Brasil consequente da inadaptação ao tipo de vida, ao carácter temperamental e alegre do povo, àquela imensidão que confere uma dimensão do mundo bastante para além do nosso umbigo. Botto foi um deslocado em terras brasileiras e o êxito surpreendente da chegada só serviu para alimentar ilusões que acabaram por marcar a sua alma com a agonia da decadência.

 

Nesta trajectória biográfica a aproximar-se do fim compreendo melhor a personalidade do poeta que imolou o seu talento pela vaidade. Contudo, afirmou-se sem lançar anátemas e infelicidade sobre destinos alheios. Gerou invejas e semeou antipatias com as suas mentiras e inimigos com a sua má-língua, não digo inocente mas participativa das tertúlias literárias e que Lisboa adorava. Os actos mais críticos e prejudiciais, as atitudes mais frívolas e imponderadas, a obsessiva paixão pelo sucesso e pela glória constituíram um roteiro de provocações contra si próprio. O grande inimigo foi o prazer exacerbado com a sua pessoa, a grande fraqueza o luxo da celebridade, a maior pobreza a sua falta de convivência com a humildade. Nada disto, porém, ofusca a beleza da maioria dos seus poemas e outros textos.

 

Tinhas talento? Certamente que sim. Os teus detractores podem querer apagar a importância da tua obra poética (sobretudo) mas não podem riscá-la do movimento modernista português dos anos vinte. Aliás, sempre soubeste isso, acontece que não soubeste foi gerir o teu talento, a tua arte. Agora que esse talento está gasto aproveita ainda a esperança em o reanimares. Se puderes aproveita-a bem porque a esperança será intemporal enquanto a felicidade, pelo contrário, é curta e a tua está esgotada.

 

(continua)

 

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Poema de Cinza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À memória de Fernando Pessoa

 

Se eu pudesse fazer com que viesses

Todos os dias, como antigamente,

Falar-me nessa lúcida visão –

Estranha, sensualíssima, mordente;

Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,

Meu pobre e grande e genial artista,

O que tem sido a vida – esta boémia

Coberta de farrapos e de estrelas,

Tristíssima, pedante, e contrafeita,

Desde que estes meus olhos numa névoa

De lágrimas te viram num caixão;

Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,

Voltávamos à mesma: Tu, lá onde

Os astros e as divinas madrugadas

Noivam na luz eterna de um sorriso;

E eu, por aqui, vadio da descrença

Tirando o meu chapéu aos homens de juízo …

Isto por cá vai indo como dantes;

O mesmo arremelgado idiotismo

Nuns senhores que tu já conhecias

- Autênticos patifes bem falantes …

E a mesma intriga; as horas, os minutos,

As noites sempre iguais, os mesmos dias,

Tudo igual! Acordando e adormecendo

Na mesma cor, do mesmo lado, sempre

O mesmo ar e em tudo a mesma posição

DE condenados, hirtos, a viver –

Sem estímulo, sem fé, sem convicção …

 

Poetas, escutai-me! Transformemos

A nossa natural angústia de pensar –

Num cântico de sonho!, e junto dele,

Do camarada raro que lembramos,

Fiquemos uns momentos a cantar!

 

(in As Canções de António Botto – ed. Livraria Bertrand, pág. 245, Lx. 1956)

 


 

 

 




publicado por João Machado às 23:55
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Música romântica do século XX - 73

O mexicano Alvaro Carrillo (1921-1969) foi um famoso compositor e intérprete de boleros - entre eles, o de maior êxito foi Sabor a mí.  

 

A canção foi celebrizada pelo chileno Lucho Gatica, mas optámos por ouvir primeiro esta curiosa interpretação mais recente de José Feliciano & Gloria Estefan - Sabor A Mi:

 

 

 

 

 

 Vamos então ouvir a versão de Lucho Gatica:

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 23:00
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Três textos - apresentados por Júlio Marques Mota

 

Uma pequena compilação de textos, de Michel Rocard, Os europeus votaram para que a crise continue, de Robert Castels (já publicado há dias mas que, pela sua importância, repetimos), Trabalhar mais para ganhar o quê, e de Jean-Claude Millner, Depois da crise que revolução, que revoluções ?, sobre o papel  do trabalho e sobre os direitos do trabalhador nas sociedades neoliberais. Chamo a atenção para a posição exposta no texto de Milner,  o texto final desta pequena série de três artigos :

 

(…)um recurso natural chamou bem à atenção. Através das técnicas de terror ou de necessidade, este pode ser mesmo muito barato; é renovável e é extremamente produtivo. Refiro-me à força de trabalho. Este é o principal recurso natural de que a China dispõe e ela explora-o intensivamente, sem problemas de consciência.

Do  outro lado do sistema, diz-nos Milner :

Desde então, uma ilusão necessariamente se impõe como quase inevitável. Uma aplicação financeira traduz-se sempre numa transferência de dinheiro; se o investimento é benéfico, o movimento parece em si mesmo gerador de lucro. Desta ilusão, tira-se uma conclusão ao mesmo tempo perfeitamente lógica e perfeitamente ilusória, ela também: uma vez que o deslocamento do valor cria por si só valor, é então suficiente multiplicar as deslocações de dinheiro. Quanto mais sinuoso for o percurso de cada produto financeiro mais os lucros crescerão. Eles crescem, na realidade, a cada passo, a cada movimento. Labirintos e rizomas produzem, por si mesmos, um ouro sempre a jorrar. Os modelos matemáticos utilizados pelos operadores financeiros servem para os construir.

Técnicas de terror, na China, técnicas da necessidade e da precariedade na Europa, como se tem estado a ver na Itália, na Espanha, algures por essa Europa neoliberal  fora ou como se viu ainda hoje, em Portugal. A esta situação diz-se, na China,  que se trata de um capitalismo de Estado de características chinesas, de acordo com o líder da Nova Esquerda, Wang Hui, aqui os neoliberais chamam-lhe ou chamavam-lhe ditadura de Estado,  e a esta mesma situação, no Ocidente, em que  claramente os resultados são os mesmos sobre a força de trabalho e sobre a multiplicação “dos pães” para o capital,   para o caso da Itália os intelectuais italianos chamam-lhe  “equivalente funcional” com o fascismo, e por cá e para cá, como se pode chamar?  Deixo a questão em aberto e responda quem puder ou souber.

Stéphane Hessel dá-nos, sobre esta matéria,  uma sugestão: “os responsáveis políticos, económicos, intelectuais e o conjunto da sociedade não podem demitir-se nem se deixar impressionar  pela actual ditadura internacional dos mercados financeiros que ameaçam a paz e a democracia.”  As instituições regionais e internacionais, assim como os  governos, temo-lo visto e muito, têm-se submetido a essa ditadura, mais ainda , têm-se mostrado  e bem como sendo o seu braço legal, dando ou impondo aquelas aos quadros legislativos nacionais uma tipologia no plano político que ainda não tem nome mas que claramente se afasta do que entendemos por democracia real e que de democracia já está a ter  muito pouco. Face à demissão dos Estados, ou melhor face à sua subordinação à ditadura dos mercados financeiros  cremos que cabe a todos nós, a sociedade civil, ainda na linha proposta por Hessel, um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos do Homem, agarrar o sentido da história, agarrar o sentido dos seus desafios na sua marcha para a liberdade do homem, questão hoje tanto mais séria quanto a ameaça da barbárie fascista, ainda hoje,  “ não desapareceu completamente”.   

Júlio Marques Mota.

 

 

Os europeus votaram para que a crise continue

 

Há algo de surpreendente no actual debate sobre a situação económica. Todo o mundo admite que há crise. O debate incide apenas sobre o problema de se saber se já se atingiu o fundo e assenta depois em torno do provável momento de uma eventual retoma, no Outono ou em 2010. Afinal, por que não? O espantoso é o conteúdo: estamos perante prognósticos alternativos de peritos sobre os períodos temporais mas quase nenhuma informação factual para se ter uma ideia sobre a questão de se procurar saber se sim ou não estamos a sair da crise


Esta constatação tem algumas excepções no campo das finanças e da banca. Os factos são claros: os bancos dominantes pouco a pouco tem-se restabelecido, deixou de haver mais receios de falências neste importante sector, a transmissão de falências por efeito de contagio parece estar ultrapassada segundo a opinião geral dos considerados peritos. A confiança interbancária está pois em vias de restabelecimento lento, o que é, naturalmente, uma das condições para a recuperação.


O acordo também parece estar adquirido sobre a razão de fundo para este resultado positivo. As autoridades públicas, ao contrário da crise de 1929-1932 em que a sua estupidez cumulativa tudo complicou, têm agido com rapidez, convergência intelectual e considerável poder. Se o contribuinte não vier a pagar todo esse esforço, ainda é ele que, na sua infinita bondade, forneceu a garantia e, eventualmente, assumiu uma parte significativa dos encargos. Não é nada evidente que esta questão coloque à profissão bancária um problema ético de  considerável dimensão.



A impressão do fim das tensões e do reiniciar parcial da actividade é tão clara neste sector do que a profissão bancária, em toda a parte, iniciou campanhas activas para evitar os controlos, a regulação, e manter a opção de pagar aos sua gestores e aos seus operadores sobre títulos, os traders, as suas habituais remunerações extravagantes. A atmosfera estranha de saída da crise, mantida conjuntamente pelos governos, banqueiros e pela imprensa, contribuíram grandemente para minimizar a importância dos problemas.


Assim, a City, a praça financeira londrina, contribuiu para uma ofensiva, nestas últimas semanas, com a finalidade de desestabilizar Gordon Brown, o Primeiro-Ministro britânico culpado de querer muita ordem no sistema. O Presidente Barack Obama está claramente em luta contra os seus banqueiros e senadores sobre o mesmo assunto. O debate é menos veemente em França e na Alemanha, mas é o mesmo.


A precaridade do emprego

 

Parece que a tendência geral é para um - leve?- colocar à distância os paraísos fiscais, para os discursos simbólicos sobre as remunerações, e para o status quo, para a manutenção da situação no que diz respeito aos instrumentos derivados. Se isso finalmente acontecer, ter-se-á mantido o sistema, preservando simultaneamente os seus factores de forte instabilidade.

O detonador financeiro poderá explodir uma vez mais, dentro de alguns anos. Afinal, desde há vinte anos que o mundo tem estado a enfrentar uma grave crise financeira mais ou menos em cada cinco anos... A partir disto, tentar-se reduzir o volume insensato de actividade financeira quando comparado com o nível de produção, é tentar impedir a ganância colectiva que faz derivar o essencial desta profissão para a imoralidade, vai apenas um passo que não se quer dar. E, depois, tudo recomeça de novo.


Mas não é claro que o pior esteja aqui. As economias dos países desenvolvidos estão quase todas em recessão neste momento. Mais do que uma recessão, que pode ser curta, é a situação do desemprego que justifica o uso generalizado da palavra crise. Mas nesta área, a actual taxa de aumento do desemprego é assustadora - a França espera ultrapassar os 10% num ano, os Estados Unidos os 8%, e é quase o duplicar do desemprego em três anos - e as perspectivas são muito preocupantes. Ainda neste domínio, o do enfraquecimento do consumo, o principal componente é menos o desemprego do que a precariedade do trabalho. Neste contexto, todas as economias desenvolvidas atingiram desde há mais de quinze anos percentagens de trabalhadores precários entre os 15% e os 20%. Os trabalhadores  precários consumem tão pouco quanto lhes for possível. Em toda a parte, a recente crise, veio agravar ainda mais o seu número.


Mas, curiosamente, as estatísticas oficiais e os governos são muito discretos em relação a este ponto. Acompanha-se mal a sua evolução. Toda a gente sabe que, no entanto, na América do Norte, na Europa e no Japão, mais de um quarto da população está numa situação precária, desempregados ou pobres. Um quarto: 70 milhões de pessoas na Europa, 40 a 50 milhões nos Estados Unidos, talvez trinta no Japão é obviamente enorme para o dinamismo do consumo.

De facto, em trinta anos, de forma lenta, a parte dos rendimentos salariais e de protecção social nos respectivos PIB diminuíram entre 7% a 10%. Este indicador é contestado devido à baixa visibilidade do período de referência e às diferenças no método de cálculo aqui e ali. Mas a massa de desempregados, trabalhadores eventuais e os pobres, são estatisticamente encontrados, e esta reflecte uma série redução da velocidade de crescimento e do consumo.


Compreende-se assim melhor que, se o capitalismo desenvolvido teve em toda a tríade (América do Norte, União Europeia e Japão) um crescimento económico médio de  4,5% a 5% entre 1945 e 1970, hoje, antes da crise, tem tido muita dificuldade em tentar alcançar os 2,5% a 3% de crescimento, sem verdadeiramente o conseguir. Na medida em que o indicador da crise é do mercado de trabalho, a crise é, sobretudo, isto. Esta situação reflecte o facto de o detonador financeiro (aumento de preços de matérias-primas relacionadas com os produtos derivados, depois as subprimes, depois a titularização parcialmente fraudulenta e a cadeia de falências) ter atingido economias em situação de anemica, sem capacidade de resistência. Desta situação ninguém fala e ninguém mostra interesse em dar-lhe resposta. Mas o fundamental da crise é isto.


Sair desta situação não é fácil. Relançar exclusivamente o consumo não tem sentido, pois importar-se-ia mais, sobretudo, da China e da Índia. É necessariamente pelo investimento que o ciclo virtuoso tem de ser reiniciado, principalmente através do investimento em energias renováveis, tecnologias e produtos biológicos. E é este arranque que pode, a seguir, conduzir ao aumento do poder de compra e do consumo.


Ora, o investimento na indústria, serviços, e até mesmo na agricultura e no sector agro-alimentar, é severamente prejudicado por duas razões. Em primeiro lugar, todas as grandes empresas no mundo desenvolvido viram num ou em dois anos os activos financeiros do seu balanço perderem uma boa metade do seu valor ; a redução do valor dos activos no balanço diminui evidentemente as oportunidades de investimento. Em segundo lugar, a recuperação de relativa fragilidade do sector bancário é também claramente acompanhada de um drástico agravamento das condições de crédito. Obrigam-se a conceder crédito com muito mais cautela. Uma "recuperação económica" é pouco provável no curto e a médio prazo, por ausência dos factores que a esta são necessários. A saída da crise exige que, após o arranque através do investimento, que se encontre um mecanismo de ligação entre os salários e os ganhos de produtividade.

Nestas condições o prognóstico é de uma estabilização entre 5% e 10% abaixo do nível de produção anteriormente alcançado e, em seguida, por um crescimento quase nulo ou muito lento para os próximos três ou quatro anos.


Isto significa colocar em dificuldade a coesão social, significa governos fracos, significa o aumento do populismo. Se o detonador financeiro - uma vez que se está a querer preservar o sistema bancário, incluindo os seus factores de desequilíbrio – volta a explodir daqui a alguns anos, ele vai reencontrar as economias ainda mais fragilizadas, mais anémicas. Tem que haver preocupação com o que fazer, peço desculpa de não o saber esconder.

Em trinta anos, uma revolução no interior do capitalismo que foi feita e para o pior. A razão para esta grande mudança é simples: no mundo da banca, a avidez é desmedida, sem limites, uma orientação visceral, orientação para a procura do enriquecimento rápido, o que explica tanto a expansão vertiginosa dos produtos financeiros derivados como os inverosímeis níveis de remuneração como a tendência evidente para a vigarice e para a imoralidade bem patente nas subprimes e na titularização de créditos de cobrança difícil, de créditos mal parados.


Na economia real, é o endurecimento da pressão do “accionista”, praticamente inexistente até 1980 e, em seguida, organizada pelos fundos de pensões, de investimento e de arbitragem, depois reforçada pela tomada do poder ou pela formação de minorias de blocagem por todos estes fundos, em todas as grandes empresas ou quase. Quer-se ganho de capital, mesmo triturando a lógica empresarial. Todos se lembram da louca referência aos 15% de rentabilidade financeira exigida em certa altura por estes tipos de fundos.


O diagnóstico é claro: a classe média alta nos países desenvolvidos está em vias de renunciar à esperança de alcançar um bom nível de vida pelo procurando sim substitui-la pela esperança de fazer mais-valias rápida e maciçamente, em suma de enriquecer rapidamente. Este comportamento sociológico é incompatível com o bom funcionamento e, sobretudo, com a estabilidade do sistema. A social-democracia internacional explica desde há mais de meio século que os mercados não são de equilíbrio automático, que se dever regular a economia e a finança e lutar fiscalmente contra as desigualdades. Os factos, e esta crise, dão-lhe tragicamente razão. Ela acaba ainda agora de perder maciçamente as eleições europeias em todos os paises.


Votando por toda a parte pelos partidos conservadores, votando em toda a parte pelas forças que nos trouxeram a crise, os eleitores têm mostrado a sua preferência, o seu empenho, no modelo de capitalismo financeirizado, o capitalismo em que os mercados financeiros são dominantes. A esperança de ganhos na bolsa, da riqueza, tornou-se esmagadora. O resultado deixa pouco lugar para se esperar que haja um tratamento político sério da anemia económica actual. Quantas crises será necessário haver para que as pessoas se convençam? De toda a maneira, o mecanismo da sua repetição parece já estar desencadeado.

 

Michel Rocard, Les Européens ont voté pour que la crise continue, Peuples et gouvernements esquivent le fond du problème, Le Monde, 7 de Julho de 2009.

 

A SEGUIR: Trabalhar mais, para ganhar o quê? - por Robert Castel



publicado por Carlos Loures às 21:00
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A Social-Democracia , vítima inesperada da crise - por Frédéric Lemaître

(Enviado por Júlio Marques Mota)

Tal como o crime, o teorema era quase perfeito. A direita é o campo do capital, ou seja, do capitalismo. Dado que este está em crise, a direita está igualmente em crise. A esquerda só podia, por conseguinte, ganhar as eleições europeias. Problema: em toda a União, os eleitores votaram com o seu boletim de voto contra a esquerda social-democrata. Será porque os 21 governos de direita não gerem a crise assim tão mal como isso? Sem dúvida. Mas isto não explica tudo, dado que na Alemanha, onde os dois partidos estão no poder, a CDU obtém uma votação bem superior à do SPD. É assim, porque a esquerda não é credível. Quer porque, feito o balanço, este não está a seu favor, quer porque não encarna o futuro. Duas hipóteses que se reforçam, mais do que se excluem.

A primeira é apenas demasiado evidente: a esquerda não gere melhor que a direita. Prova-o a situação catastrófica da Espanha, da Grã-Bretanha e de Portugal, dirigida por socialistas. Sobretudo, o facto de os partidos conservadores serem a emanação política das teses liberais não poderá ocultar que a social-democracia, por oportunismo ou contradição intelectual , não deixou, nestas últimas décadas, de se adaptar à famosa “ lei do mercado”.

É certo: temos o exemplo britânico, que ninguém encarna melhor do que Gordon Brown, principal artesão da desregulação durante os seus dez anos passados no Ministério das Finanças. Hoje o sistema está a romper pelas costuras. Ver os membros do Parlamento outrora mais respeitado do mundo a sujar as mãos no dinheiro como vulgares escroques da City ilustra até à caricatura a deriva dos anos Blair.

A esquerda anglo-saxónica não é a única a ter-se deixado seduzir pelas sirenes liberais. Mesmo os alemães caíram na mesma situação. Como o mostram os votos na Die Linke (a Esquerda – novo partido alemão – com 7,5% dos votos) e no do SPD (20,8%), a mais baixa votação desde a Segunda Guerra mundial, a esquerda alemã nem sempre fez o balanço dos anos Schröder. Deve ela felicitar-se com a ideia de que a política liberal do antecessor socialista de Angela Merkel voltou a dar  à Alemanha a sua competitividade de outrora ou, pelo contrário, deve julgar demasiado pesado o preço pago: desenvolvimento do trabalho precário e emergência de trabalhadores pobres a Ocidente? O SPD não se distinguiu melhor que o seu homólogo francês.

No entanto, o PS dispõe de uma declaração de princípios, adoptada em Junho de 2008. Um documento importante, dado que o partido só se deu a este tipo de exercício por cinco vezes desde 1905. Pode ler-se aí que «ser socialista, é não se satisfazer com o mundo tal como ele é». Ou ainda que «os socialistas fazem uma crítica histórica do capitalismo, inventor das desigualdades, portador de irracionalidade , factor de crises». Mas este documento foi redigido bastante à pressa, em três reuniões. Resultado: tão depressa foi publicado, tão depressa foi esquecido.

Sobretudo, como não sublinhar as contradições do texto e certas reformas conduzidas pelos socialistas? Quem liberalizou os mercados de capitais? Pierre Bérégovoy, ministro das Finanças de François Mitterrand de 1988 à 1991. Quem tornou mais atractiva a fiscalidade sobre as stock-options? Dominique Strauss-Kahn, titular da mesma pasta dez anos depois. Quem, em 2000, julgava que era necessário reduzir o imposto sobre o rendimento, mesmo sobre o dos mais ricos «a fim de evitar a fuga ou a desmotivação dos contribuintes de rendimentos mais elevados»? Laurent Fabius, nas mesmas funções. Que pensa o PS destas reformas? Que elas contribuíram para o sucesso internacional dos grupos franceses e por conseguinte para a grandeza do país? Que são necessários compromissos com o capitalismo que nos rodeia? Que elas participaram nos excessos da finança e no crescimento das desigualdades? Ninguém o sabe. A relação da esquerda com o dinheiro permanece no domínio do ainda não questionado, do não reflectido. Daí a indisposição de numerosos eleitores e militantes. Como por toda a parte na Europa.

Felizmente para ela, a esquerda francesa não conheceu escândalo comparável ao do SPD, quando Schröder passou a ser um (dos ricos) dirigentes de Gazprom, menos de um mês depois de ter deixado o poder. Apesar de tudo, certos percursos individuais de ministros ou de seus conselheiros que estão à cabeça de grandes organismos internacionais ou de grandes empresas privadas (Capgemini, Casino, Cetelem, Lazard, amanhã França Telecom…) baralham as fronteiras entre a esquerda e a direita e desestabilizam a opinião pública.

Tendo em conta o comportamento «de cada um para si» que reina no Partido Socialista, francês, como não pensar que, para numerosos líderes socialistas, o exercício do poder é vivido mais como um acelerador de carreira pessoal do que como uma missão recebida de eleitores preocupados com as mudanças colectivas? Não é por acaso se, apesar dos limites evidentes do simpático apoio, numerosos eleitores de esquerda deram o seu apoio a uma lista conduzida por um eterno rebelde que não ambicionará a chefia do Governo e a um magistrado símbolo da luta contra o dinheiro louco.

Durante vinte anos (1988-2008), a social-democracia pôde, em nome da construção europeia e do euro, fazer aceitar o liberalismo em nome do federalismo. O menos Estado mas mais Europa. Este ciclo conclui-se e, como o prova o empenhamento de certos socialistas em defesa de José Manuel Barroso, a esquerda europeia já não tem nem líder nem programa credível. E nada indica que o rosa e o verde se combinem harmoniosamente.

(LE MONDE | 16.06.09 )



publicado por Carlos Loures às 20:00
editado por Luis Moreira em 31/01/2011 às 21:12
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Lançamento em Coimbra no dia 19 de Fevereiro às 16:00 horas



publicado por Carlos Loures às 19:00
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Cronologia da Guerra Colonial - 1970 - 2/2 - por José Brandão

 

JULHO

?

- O dispositivo militar português instalado na zona de Tete (Moçambique) era de cinco Batalhões com o reforço de sete Companhias de Caçadores, mantendo-se no entanto a prioridade dada ao sector B (Mueda).
- Forças portuguesas atacaram a região de Casamance, no Senegal, sendo Portugal condenado imediatamente pelo Conselho de Segurança da ONU.

- Alargamento do apoio dos países nórdicos ao MPLA, com especial relevo para a Suécia, com ajuda financeira e material.

- Abordagem da questão do emprego de produtos químicos pelas tropas portuguesas, nas emissões de rádio do MPLA.

1

- Início da Operação “Nó Górdio”, em Moçambique.
- Dirigentes dos principais movimentos de libertação são recebidos em audiência pelo Papa Paulo VI.

- Divulgação, pela Acção Socialista Portuguesa, da sua Declaração de Princípios, na qual considera necessário a abertura imediata de negociações para pôr fim às guerras

- Visita a Lisboa do vice-presidente norte-americano, Spiro Agnew.

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares do BArt 2901.

2

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 2691.

- Morre em combate na Guiné o capitão Francisco Vasco Gonçalves Moura Borges da CCav 2721.

4

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CEng 2686 e do ECav 2.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares da 1ª CCmds Afric.

6

Assalto das tropas portuguesas à Base Gungunhana da FRELIMO, no planalto central, durante a operação “Nó Górdio”.

7

- Morrem em combate em Moçambique 3 militares da CArt 2629.

- Morrem em combate na Guiné 4 militares da CArt 2673.

10

Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

11

- Parte para a Guiné a 27ª CCmds.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar do ECav 1.

12

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares da 18ª CCmds.

- Ataque de um grupo de guerrilha da FRELIMO ao quartel de Miteda, em Cabo Delgado, só retirando após a utilização de helicanhões pelas tropas portuguesas.

13

Morrem em combate na Guiné 2 pára-quedistas do BCP 12.

17

Morrem em combate em Moçambique 7 militares do Esquadrão de Cavalaria 1 entre os quais o capitão Jaime Anselmo Afonso.

18

- Partem para a Guiné o BArt 2920 e o BCav 2922.

- Morrem em combate em Moçambique 4 militares. Um alferes e dois soldados do ECav 3 e um furriel da CCav 2653.

19

Morre em combate em Moçambique um furriel da CCaç 2620.

20

- Início da Operação “Abanadela”. Conjunto de patrulhas realizadas, entre 20 e 30 de Julho, pelo destacamento de fuzileiros com base no Thcirose (Moçambique).

- Morrem em combate na Guiné 6 militares da CCaç 2588. Um alferes e 5 praças.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar do BCaç 16.

21

- Morre em combate em Angola 1 alferes da CCaç 2675.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 2479.

22

- Parte para Moçambique o BArt 2921.

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CCaç 2408.

23

Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CArt 2496.

24

Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CEng 2436.

25

- Partem para Angola o BCaç 2919 e a 30ª CCmds.

- Parte para Moçambique a 29ª CCmds.

- Um tornado provocou a queda de um helicóptero na Guiné, de que resultou a morte dos deputados portugueses José Pedro Pinto Leite, Leonardo Coimbra, Vicente de Abreu e Pinto Bull. Para além dos deputados morreram ainda o piloto, o mecânico e o Capitão de Cavalaria José Carvalho Andrade.

27

Morte de Salazar aos 81 anos de idade.

28

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da 1ª CCmds MOÇ.

- É preso o padre Mário de Oliveira, de Macieira de Lixa, por se ter pronunciado contra a política africana do Governo.

29

Morrem em combate em Moçambique 2 militares do BCaç 20 e da 18ª CCmds.

30

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 2659.

31

- Mário Soares regressa a Portugal para assistir ao funeral de seu pai, João Lopes Soares.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 89 mortos. Em acções de combate morreram 54 militares.

 

AGOSTO

?

- O Comando-Geral da Região Militar de Moçambique admite que só nos últimos três meses (Maio, Junho e Julho) registaram-se 221 mortos e feridos entre as forças portuguesas.

- Confirmação da existência de conselheiros cubanos junto do PAIGC pelos comandos militares portugueses.
- É instalado, na zona de Tete, o Comando Operacional das Forças de Intervenção (COFI), primeiro em Chicoa e depois em Estima, para apoio às operações de segurança à barragem de Cahora Bassa.

1

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 2600.

2

Morrem em combate em Moçambique 4 militares da CCaç 2727.

3

- No 11º aniversário do massacre de Pidjiguiti o PAIGC ataca, em simultâneo, 32 campos militares portugueses.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 5.

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares da 3ª/BCaç 19 e da CCaç 2730.

- Parte para Moçambique a 28ª CCmds.

- Mário Soares abandona o País, a caminho do exílio, depois deter sido informado pela DGS da ordem de captura, sem admissão de caução, por crimes a que corresponde a pena de 8 a 12 anos. Fixa-se em Paris.

4

Morrem em combate em Angola 10 soldados e 1 alferes da CCaç 106.

5

- Parte para Moçambique o BCav 2923.

- A Directiva de Planeamento Operacional nº 15/70 determina que o Comandante do Sector B (área onde decorreu a operação “Nó Górdio”) intensifique as operações militares na sua Zona de Acção a partir de Setembro e definia, entre outros objectivos, as base IN Tete, Niassa e Provincial 25.

6

- Fim da Operação “Nó Górdio”, em Moçambique.

- A inversão do curso da guerra com o reorientar das acções da FRELIMO para o Distrito de Tete e para o avanço em direcção a Sul, fez gorar parte dos efeitos da acção militar desencadeada até então.

8

O general Spínola afirma em Lisboa que a situação na Guiné «continua a evoluir num sentido francamente favorável».

9

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 2430.

10

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 2700.

11

Ataque do PAIGC à lancha Sagitário, 13º efectuado a unidades navais ao longo do ano, facto que leva o comandante da Defesa Marítima a salientar a «liberdade de movimentos que o inimigo goza na margem sul do Cacheu» e a notar a melhoria da eficiência do ataque.

12

A DGS prende 14 homens armados que tinham desembarcado na ilha de Santiago, em Cabo Verde, entre os quais o activista do PAIGC Pedro Martins.

13

- Morrem em combate na Guiné 3 militares. Dois fuzileiros especiais do DFE 21 e um soldado CCaç 2615.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2708.

14

- Emboscada da FRELIMO a uma viatura da empresa Tâmega, na zona do Malapísia, Niassa, causando 9 mortos e 4 feridos, todos civis.

- Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 2568.

15

- Morre em combate em Moçambique o capitão José Pereira Silva da CArt 2717.

- Deserção de seis tenentes milicianos, ex-alunos da Academia Militar, a quem viria a ser concedido asilo político na Suécia.

20

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CArt 2632.

- O general Kaúlza de Arriaga declara que o trabalho da PIDE/DGS em Moçambique é «brilhante».

21

Morre em combate na Guiné um fuzileiro especial do DFE 21.

23

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç Milange.

24

Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CCaç 2702.

25

Morrem em combate em Moçambique 4 militares da 1ª/BCaç 15.

26

- Morrem em combate em Moçambique 3 militares da 1ª/BCaç 15.

- Morre em combate em Angola 1 militar do BCaç 12.

27

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 2748.

- Emboscada a uma coluna da CCaç 2728, na zona do Lione, Niassa, causa 2 mortos e 4 feridos entre os militares.

29

Morre em combate em Moçambique 1 militar do BCaç 15.

30

Morrem em combate em Moçambique 3 militares. Dois da CMortMed e um da 1ª/BCaç 15.

31

- Morre em combate em Moçambique 1 militar pára-quedista do BCP 31.

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 2508.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 76 mortos. Em acções de combate morreram 54 militares.

 

SETEMBRO

?

- Artigo de Aquino de Bragança na revista Afrique-Asie intitulado «Dakar face a Lisboa», analisando as relações entre Portugal e o Senegal na sequência dos acontecimentos de fronteira e do plano Senghor para a solução pacífica da questão colonial.

- Referência, nas emissões de rádio Angola Combatente do MPLA, a diversas atitudes de oposição à guerra em quartéis em Portugal.

- Entrega ao GRAE, através de Holden Roberto, em Kinshasa, pelo embaixador de Israel, de um lote de medicamentos, na continuação do auxílio prestado por aquele país à FNLA.

5

- Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 2713.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 2724.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç de Marrupa.

6

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 2604.

- Morre em combate em Moçambique um alferes da 1ª/BCaç 15.

- Prolongando-se até 31 de Outubro, os Comandos realizam as Operações “Proximidade”, “Altitude” e “Entre-Vales”, a partir da base em Mueda, e posteriormente as operações “Neptuno” e “Mercúrio”, a partir da base em Diaca (Moçambique), tendo capturado 15 armas, feito 20 prisioneiros e 32 elementos “IN” abatidos.

8

Início da III Conferência plenária dos Países Não Alinhados em Lusaca que pede um apoio mais eficaz e uma maior ajuda financeira aos movimentos de libertação africanos e convida todos os governos a absterem-se de financiar a barragem de Cahora Bassa.

9

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 2587.

10

Morrem em combate em Moçambique 2 militares. Um cabo da Força Aérea e um cabo da 1ª/BCaç 15.

11

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CArt 2631.

12

Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CCaç 2447.

13

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 2607.

14

Morre em combate em Moçambique um alferes da 1ª CCmds MOÇ.

15

Apresentação do relatório anual de U Thant à Assembleia-Geral da ONU referindo, em relação a Portugal, que «após nove anos de luta armada deve ter-se tornado evidente ao Governo português qual a política que poderá abrir a porta a negociações pacificas».

16

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2450.

18

- Morre num acidente em Moçambique o tenente-coronel da Força Aérea José Nunes Ferreira.

- Emboscada da FRELIMO ao caminho-de-ferro do Niassa, entre Catur e Belém, utilizando armas automáticas e lança-granadas-foguete. O comboio transportava militares da CCS do Batalhão de Caçadores 2895.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CArt 2646.

22

Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CArt 2646 e da CCaç 2664.

23

Parte para a Guiné o BArt 2924 e o BCaç 2927.

24

- Morre em combate em Angola 1 militar do BCaç 2878.

- Morre em combate na Guiné um alferes da 26ª CCmds.

25

Morre em combate em Moçambique 1 militar do BCaç 20.

26

Morrem em combate em Moçambique 2 militares do BArt 2921.

27

Marcello Caetano, em «conversa em família», critica a «inacreditável organização dita das Nações Unidas», acusando-a de instigar a «subversão no Ultramar».

28

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2665.

29

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 2588.

30

- Morre em combate em Moçambique um furriel da CCaç 2703.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 68 mortos. Em acções de combate morreram 28 militares.

 

OUTUBRO

?

- Convite a todos os voluntários que queiram participar activamente na luta de libertação, feito por Paul Touba, membro do GRAE, na Comissão de Curadorias da ONU, primeira vez que é feito semelhante convite num órgão oficial da ONU.

3

- Partem para Angola os BCaç 2925 e 2926.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2706.

5

- Morre em combate na Guiné 1 militar da 27ª CCmds.

- Operação conjunta no Cuito Cuanavale (Angola) de militares, polícia e “Flechas”.
- A Assembleia Nacional aprova uma lei abolindo a obrigatoriedade do ensino católico nas escolas do Estado.

6

Morre em combate na Guiné um alferes da CArt 2732.

7

Portugal e a África do Sul assinam um acordo de cooperação nuclear.

8

Portaria n° 498/70. Manda eliminar das placas de identificação em uso no Exército e na Força Aérea a designação OF, SG ou PR.

10

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 2749.

11

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2662.

12

- Às portas de Mansoa dois grupos da guerrilha (cerca de 50 elementos cada), um vindo de Sansabato (armas pesadas) e o outro de Queré, utilizando morteiros, RPGs e armamento automático, emboscou uma coluna que se dirigia a Infandre, na região de Mansoa. A emboscada, de rara violência (combateu-se corpo a corpo) causou às tropas 10 mortos, 9 feridos graves, 8 feridos ligeiros e um prisioneiro. Informações posteriores referiram a passagem dos guerrilheiros por Nhae em direcção a Queré. Foi provavelmente o mesmo grupo da guerrilha que às 19H00 deste mesmo dia flagelou Mansoa com 22 tiros de canhão sem recuo e de morteiros.

- Morrem em combate na Guiné 11 militares. Seis são do PelCaç 58 e três da CCaç 2589.

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares. Um da CCaç 2663 e um da CArt 2734.

13

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 1742.

14

Aprovação pela Assembleia-Geral da ONU dum programa de acção destinado a acelerar a obtenção da independência dos povos coloniais, sendo proclamado como documento comemorativo do 10º aniversário da Declaração de Descolonização e do 25º da ONU.

17

Morre em combate na Guiné 1 militar do PelCaç 58.

19

D. L. n° 484/70. Prorroga até 31 de Dezembro de 1971 o prazo de realização da construção da pista de aterragem e outras instalações na ilha das Flores previstas no Acordo Luso-Francês.

20

Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

22

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 1311/RI 20.

24

- Morrem em combate na Guiné 2 militares. Um fuzileiro do DFE 12 e um soldado da CCaç 2517.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CArt 2632.

25

Vinte e dois sindicatos de várias zonas do País realizam uma reunião da Intersindical.

26

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CArt 2719.

- A ARA – Acção Revolucionária Armada, organização clandestina ligada ao PCP, leva a efeito a sua primeira acção: colocação de um engenho explosivo no navio Cunene, fundeado no porto de Lisboa e pronto a partir para Africa com material de guerra, que fica alagado e imobilizado no cais de Alcântara.

27

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2703.

- Manifesto de organizações estudantis contra o julgamento do padre Pinto de Andrade, nacionalista angolano, preso em Abril deste ano.

28

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 2525.

29

- Devido a acidente morre na Guiné o major Luís Maria Coelho Casquilho do BCav 2868.

- Criação da associação Sedes, como esboço de um partido político de tendência moderada.

31

- Partem para a Guiné os BCaç 2928 e 2929.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 59 mortos. Em acções de combate morreram 29 militares.

 

NOVEMBRO

?

- Aprovação, pela Comissão Política Especial da Assembleia-Geral da ONU, constituída por 127 países, de uma resolução recomendando o aumento do auxílio aos movimentos de libertação, em cuja votação apenas Portugal foi contra.

- Entre Janeiro e Novembro do corrente ano, os Estados Unidos forneceram à força aérea portuguesa cerca de 230 mil toneladas de desfolhantes químicos para utilização nos cenários das três guerras coloniais.

1

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CArt 2763.

2

Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 2571.

6

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 2747.

- O presidente da Costa do Marfim, Houphouet Boigny, propõe a realização de uma conferência africana para abertura do diálogo com Portugal e a África do Sul.

7

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 2604.

8

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 106/RI 20.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da 27ª CCmds.

11

Morrem em combate em Moçambique 4 militares da CCaç 2661.

12

- Morrem em combate na Guiné 3 militares. Dois da CCaç 13 e um CCaç 17.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2707.

- Pedido de Spínola a Marcello Caetano para uma operação na Guiné-Conacri.

14

O comandante Alpoim Calvão é enviado pelo general Spínola a Lisboa para descrever os planos a Marcello Caetano, que dá luz verde à operação. Marcello Caetano responde afirmativamente ao pedido de Spínola, recomendando apenas ao general que não deixe vestígios da invasão.

15

- Morre em combate na Guiné 1 militar do BCaç 2893.

- Morre em combate em Moçambique um furriel da CCaç 2729.

16

Morre em combate na Guiné um sargento do HM 241.

17

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç Milange.

- O general Spínola dá conhecimento aos Comandantes-chefes Adjuntos da ordem de operações para a Operação “Mar Verde”. O Exército reforça e põe de alerta as suas unidades junto da fronteira com a Guiné-Conacri. Por seu lado, a Força Aérea prepara missões de reconhecimento e apoio ao grupo de navios envolvidos, e missões de bombardeamento de objectivos do PAIGC na Guiné-Conacri, que seriam atacados caso o golpe tivesse êxito.

18

- A Força Aérea inicia as missões de reconhecimento das águas da Guiné-Conacri, do porto da capital e suas aproximações, com um avião de patrulha marítima Lockheed P2-V5 Neptune, de forma a detectar movimentos de navios de guerra, mercantes e concentrações de navios de pesca.

- Às 09h00 deste dia a missão das forças na ilha de Soga é comunicada oralmente aos comandantes: a operação não é na ilha de Como mas sim um desembarque na capital da Guiné Conacri. Confirma-se que o sigilo que envolveu a preparação da operação foi mantido: nos briefings finais, dois oficiais, um do Exército e outro da Marinha, mostrar-se-iam muito cépticos quanto à sua execução. O do Exército recusou-se a participar e foi-lhe dada voz de prisão e levado para Bissau de helicóptero. Mas Spínola e Calvão acabariam por convencê-lo, e regressaria à ilha de Soga.

19

- Parte para a Guiné a 35ª CCmds.

- Alpoim Calvão regressa de Lisboa e parte logo para a ilha onde se fazem os últimos preparativos. Também nesse dia, a Força Aérea informa de que não existem navios de guerra nas águas da Guiné Conacri, e que um P2-V5 fez escuta das comunicações da torre de controlo do aeroporto de Conacri, não se registando tráfego de aviões militares.

- Seminário de quadros do PAIGC em Conacri presidido por Amílcar Cabral, onde este declara: «É mais fácil, ou menos difícil, para nós ganhar a guerra de libertação nacional do que garantir ao nosso povo uma vida de trabalho, dignidade e justiça».

- É constituída a Comissão Organizadora Central da Intersindical.

20

- À União Nacional sucede a ANP (Acção Nacional Popular).

- Acções da ARA, com engenhos explosivos contra: Escola Técnica da DGS, em Benfica, que é parcialmente atingida; equipamentos e material de guerra, armazenados no cais da Companhia Nacional de Navegação, aguardando embarque para África; Centro Cultural da Embaixada dos Estados Unidos, em Lisboa, que é parcialmente destruído.

- Inicia-se a publicação, no exílio, da revista Polémica, do Grupo Socialista Revolucionário, que se publicará até 1974. Participam António Barreto, Medeiros Ferreira, Eurico de Figueiredo, Carlos Almeida, Ana Benavente e Manuel de Lucena.

- O Conselho Ecuménico das Igrejas edita um documento em que se denuncia a guerra em Moçambique.

- Morre em combate em Moçambique um alferes da CCaç Mocímboa da Praia.

22

- Operação “Mar Verde” envolvendo um efectivo de 350 homens (Fuzileiros Especiais, Comandos africanos do Exército português e ainda opositores ao regime de Sekou Touré) com 25 objectivos na área da cidade e porto de Conacri, cujo único resultado foi a libertação de militares portugueses prisioneiros. Um deles é o tenente António Lobato, piloto da FAP que, após uma aterragem de emergência no seu T-6G, foi feito prisioneiro do PAIGC em 1963. Durante os sete anos de cativeiro, o mais antigo prisioneiro de guerra português protagonizou duas tentativas de evasão que estiveram perto do sucesso.

- Reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU a pedido Guiné-Conacri, na qual foi aprovada uma resolução em que é exigida a «retirada imediata de todas as forças armadas e de todos os mercenários estrangeiros» da República da Guiné.

- Morrem em combate na Guiné 4 militares. Um alferes e dois soldados comandos e um furriel da CArt 2715.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 3570.

23

Aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, do envio de uma missão especial à República da Guiné para investigar as acusações de que as forças portuguesas haviam invadido Conacri.

24

- O governo nega qualquer envolvimento na invasão de Conacri.
- Início das negociações em Bruxelas entre o governo português e a CEE.

25

Parte para a Guiné o BCaç 2930.

26

Morrem em combate na Guiné 4 militares da CArt 2715.

28

Morrem em combate em Angola 2 militares. Um cabo da CArt 2711 e um soldado da CCaç 2698.

29

Comunicado do Comando-Chefe da Guiné a anunciar terem-se apresentado na fronteira os militares portugueses «retidos» na Guiné-Conacri, por se terem conseguido evadir. Na realidade, eram os militares postos em liberdade pela Operação “Mar Verde”.

30

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 14.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 71 mortos. Em acções de combate morreram 33 militares.

 

DEZEMBRO

?

- Primeiras notícias da possível aquisição, por parte do PAIGC, de mísseis terra-ar.

- Cedência de uma verba de quase cinco milhões de dólares pelo Governo americano, produto da venda de alimentos para a paz, para reconstrução e recuperação de zonas danificadas em consequência da invasão de Conacri.

- Conferência do PAIGC, de alto nível, em Zinguinchor, em cujo comunicado se refere que durante a luta se evitaria «molestar as populações, incluindo as que vivem sob o controlo das forças portuguesas».

1

Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2708.

2

Entrega pelo Governo à Assembleia Nacional de uma proposta de revisão constitucional, prevendo um estatuto de autonomia interna para as províncias ultramarinas.

4

Deserção de três oficiais do Exército, que se refugiam na Bélgica, denunciando a cumplicidade da NATO nas guerras coloniais.

6

Morre em combate em Moçambique 1 militar 2661.

8

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2666.

- Aprovação, pelo Conselho de Segurança, de uma resolução baseada no relatório da missão especial à República da Guiné, enviada para investigar a invasão de Conacri, que considera o colonialismo português uma séria ameaça à paz e segurança de África. Esta resolução condena também a construção da barragem de Cahora Bassa.

10

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 2792.

- O Conselho de Segurança da ONU condena Portugal pela invasão de Conacri. Esse facto irá inibir Portugal de invadir a Tanzânia.

12

Declaração, do chefe da delegação americana na ONU, Charles Yost, revelando que os Estados Unidos não tinham qualquer razão para duvidar das conclusões da comissão especial da ONU que investigou os acontecimentos de Conacri e o envolvimento de Portugal.

14

- Parte para a Guiné o BCaç 3833.

- Morre em combate na Guiné 1 militar do BCaç 2879.

- Resolução da Assembleia-Geral da ONU censurando a política colonial portuguesa e pedindo a Portugal que não utilizasse meios de guerra química e biológica contra as populações.

16

Morrem em combate em Moçambique 3 militares da CArt 2646.

17

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 2562.

- Julgamento do padre Mário de Oliveira, da diocese do Porto, por oposição à guerra.

19

- Parte para a Guiné o BCaç 3832.

- Operações "Exploração 1" e "Exploração 9", que se prolongaram até 6 de Fevereiro, realizadas pelos Comandos na área de Chicoa (Moçambique), sendo capturadas 17 armas e 43 elementos "IN", para além de material diverso e utensílios em grande quantidade.

20

- Devido a acidente morrem em Angola 4 militares.

- Morre em combate na Guiné 1 militar do PelRec 2260.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 2702.

21

Morre em combate na Guiné um alferes da CCaç 2533.

22

Morre em combate em Moçambique 1 militar da 23ª CCmds.

27

- Morre em combate na Guiné 1 militar da 26ª CCmds.

- Morrem em combate em Moçambique 2 militares da CCaç 2759.

29

Morre em combate em Angola 1 militar do BCaç 12.

30

- O ministro da Defesa, Sá Viana Rebelo, acusa os estabelecimentos de ensino de Lisboa de constituírem «verdadeiros centros de subversão».

- Morrem em combate na Guiné 2 militares. Um da CCaç 14 e um da CCaç 2547.

31

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 53 mortos. Em acções de combate morreram 19 militares.

- Os efectivos militares nas colónias elevam-se a 55 233 homens em Angola, 26 775 na Guiné e 38 712 em Moçambique. As tropas portuguesas sofreram 794 mortos ao longo do ano sendo 404 em combate.
A percentagem das despesas militares no conjunto das despesas públicas foi de 44,2 por cento.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures em 28/01/2011 às 21:10
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Lula da Silva fala sobre o Wikileaks

 

 

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

 

 

Várias pessoas me remeteram separadamente o vídeo que acima coloquei, e que na realidade tem grande interesse. Lula da Silva, ao invés de muitos dos seus colegas governantes (julgo que não seria exagerado dizer: ao invés da grande maioria dos seus colegas governantes) defende o Wikileaks, e põe a questão: será que ao perseguir os seus responsáveis não se está a perseguir a liberdade de expressão? O presidente brasileiro cessante chama a atenção para o facto evidente de os responsáveis pelos escândalos revelados serem os autores das mensagens e não quem as trouxe ao conhecimento do público.

 

É óbvio que Lula, ao fazer aquelas afirmações sobre o Wikileaks, não conquistou muitas simpatias entre a classe política. E não vemos Tony Blair, Bill Clinton, muito menos Aznar ou Georges Bush, a fazer declarações semelhantes. E Mário Soares ou Freitas do Amaral? Ignoro se se pronunciaram sobre o assunto. Mas suspeito que também não terão concordado. Talvez o sentido das suas declarações variasse, conforme estivessem no poder ou na oposição. Também os agentes políticos (diplomatas, espiões, que também são agentes políticos, e de que maneira, assessores, etc.) não devem ter gostado de que lhes chamassem a atenção para o dever que têm de procurar ser mais rigorosos e empenhados no exercício das suas funções. Mas Lula ao pronunciar as suas declarações não foi com certeza ingénuo ou descuidado. Quem o observa percebe que não é uma coisa nem outra. Privilegiou a defesa da transparência e da democracia (não existe uma sem a outra) em vez de dar prioridade às vantagens pessoais que resultam de uma reforma tranquila, sem controvérsias.

 

José Carlos de Vasconcelos, na Visão de 6 de Janeiro de 2011, na sua coluna de opinião Portugal Comentário, sob o título O exemplo de Lula, faz um resumo do que foi a evolução de Brasil com Lula da Silva, e remata concluindo que as características pessoais de Lula, para além das suas opções políticas, contribuíram para o êxito dos seus governos. Êxito esse sem dúvida parcial, na medida em que o Brasil continua a ser um país de grandes contrastes. E Lula terá deixado grandes problemas por resolver, como a corrupção, o problema ambiental, a reforma agrária e, apesar de grandes melhorias, grande pobreza, com os seus fenómenos correlativos (crime violenta, número enorme de crianças e jovens desvalidos, doença). Contudo são inegáveis a melhoria de condições de vida de muitos, a maneira como o Brasil resistiu à crise financeira  mantendo-se na via do progresso económico, e o papel cada vez mais importante que vem desempenhando na cena internacional. José Carlos de Vasconcelos realça a sabedoria, a experiência de vida, a visão política, o amor e fidelidade ao povo e outras qualidades que fizeram de Lula o líder mais indicado para dirigir o país, na sua opinião.

 

Sem dúvida que essas qualidades foram muito importantes para os sucessos dos governos de Lula, nacional e internacionalmente. Por mim acho que Lula poderia e deveria ter ido mais longe em vários sectores. Lula pertence a uma ala esquerda moderada (não terá sido sempre assim) que recusa as fracturas que são necessárias para corrigir as grandes disfunções sociais. José Carlos de Vasconcelos relembra que fez "pactos com Deus e com o Diabo" para garantir a estabilidade governativa. Mas pessoalmente acho que Lula,  nascido no Pernambuco, emigrante dentro do Brasil, que engraxou sapatos, se tornou operário e sindicalista, com poucos estudos se lançou na política, se candidatou várias vezes à presidência do seu país (só foi eleito à quarta), é um caso raro num político que chegou tão longe. Porque manteve uma grande ligação com o seu povo, ao contrário dos que já acima referi (será que alguma vez a tiveram, essa ligação?), e de muitos outros. Dos políticos que conheço (dos que tenho uma ideia sobre as suas vidas e do que são como pessoas), por esse mundo, só talvez os cabo-verdianos Aristides Pereira e Pedro Pires tenham algumas parecenças com Lula da Silva. E Cabo Verde e o Brasil  são tão diferentes. De qualquer modo, foram as qualidades pessoais de Lula da Silva que emergiram quando falou do Wikileaks. Julgo que isso deve ficar para a história.



publicado por João Machado às 16:00
editado por Luis Moreira às 03:26
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Mis Camelias – 15 – por Raúl Iturra

(Continuação)

MEMÓRIAS DE PADRES INTERESADOS - ENSAIO DE ETNOPSICOLOGIA DE LA INFANCIA

 

No me fue, extraño, en consecuencia, que Elida, sin ser llamada, apareciera en nuestra casa para "desembrujar" a Eugenia y curarla. Lo que ella hacía era tan convincente, entraba en trance y pedía para que el dolor y la enfermedad pasaran para ella y que la niña, como la vaca enferma, sanaran. Dirán que comparar una hija con un animal es una tontería, yo diría que no, la naturaleza es todo y una misma cosa, seres humanos y animales se confunden, unos dependen de los otros. El problema era que Eugenia no era "útil", porque su padre no tenía vacas para cuidar, donde Eugenia, si mejoraba, fuera necesaria. La forma de cuidar a la infancia estaba enredada con la forma de tomar cuenta de los animales. Estaba todo unido, era una forma recíproca de comportamiento: los "bichitos" daban el dinero para alimentar a la familia, la familia, por su parte, cuidaba de los animales de los que dependían para comer y vestirse. ¿Que todo era una ilusión? En cierto modo, o de cierta manera. Porque ellos pagaban impuestos por las tierras y los animales productivos, pero quien administraba todo era la empresa suiza que les compraba, o no, dependía de la oferta y la demanda, esa famosa ley definida por el referido Adam Smith, que apenas la constató y retiró de la actividad comercial de la realidad británica y de otros países con influencia en el comercio de ultramar.

 

¿Es ésta la meningitis de Eugenia? Era parte. Las vacas, como en la India, eran sagradas, los niños un poco menos. Las vacas criaban bacterias y virus que los niños, y a veces, los adultos, contraían como enfermedad. Pero, como eran animales mimados y el pan de la casa, las vacas eran más importantes que  Los seres humanos dependían de ellas. Nunca olvido el día en que con mi viejo amigo Eladio Fernández Ferradás, a quién yo había ayudado a tramitar su jubilación y me quiso pagar muchas pesetas por el trabajo hecho a máquina por mí y que no acepté, ese mi amigo y yo, estábamos a conversar. Pero, como con cualquier vecino mío, la conversación iba siempre para las vacas. Ese día de 1975, estábamos a pastorear un  vaca, amarrada por una cuerda al pescuezo para que no comiera donde  no debía. Lo que no debía, era comer en la hierba de la finca, o belga en portugués, por pertenecer a otros vecinos, derecho muy respetada entre los gallegos que tanto habían sufrido para ser propietarios desde el Siglo XIX en adelante. Pero, como estábamos a conversar, nos distraíamos y la vaca iba a comer en la finca de otro, lo que no era permitido, era un robo castigado con falta de reciprocidad en los trabajos. La devoción no es solo porque el animal da dinero, lo que a Eladio no le faltaba, es también porque la vaca, como después entendí, es el símbolo de la paz entre los gallegos.[85]. La devoción a las vacas es tan grande, que me impedía obtener todo lo que yo quería saber para saber de la historia de la aldea, de la memoria viva más vieja de la Parroquia, que entre él y su mujer Margarita Dobarro, componían. Eran mis mejores informantes, especialmente a las horas de almuerzo, esos almuerzos de los Domingos, donde los cuatro Iturra íbamos a la casa más pequeña de la aldea, en el lugar da La Carretera, donde vivíamos. Casa pequeña para albergar a tanta gente: Eladio, Margarita, su hijo Luis y la mujer de él, María de la Fé  y los, en ese tiempo, cuatro hijos de ellos. Esa Margarita Dobarro Silva, que venía de la aldea vecina de La Varela, donde su hermano mayor, Serafín, había heredado la mayor parte de la tierra con todos los "bichitos", un Serafín que era uno de los mejores productores de leche del sitio. Ese tipo de herencia que Margarita, aún lúcida, aborrecía y hablaba mal del sistema, al decir que eran todos iguales, todos hermanos, todos hijos del mismo padre y madre, en fin, todos iguales, deberían heredar también de forma igual, pero por le ley de costumbre cultural del patruciado, ya explicada antes, toda la tierra y todos los bichitos, habiendo heredado ella apenas un cuarto de hectárea de tierra, lo que ella no perdonaba de tal manera, que amable y dulce como era, no se hablaba con su hermano. Conversación que estaba siempre, hasta en nuestros almuerzos de los Domingos, casi todas las semanas.

 

Todo el mundo sabía que Margarita, en su casi setenta años, era una especial hospede, mientras más gente dentro de su casa pequeña, más feliz ella quedaba. Conseguía llevarla al tema de las familias de la Parroquia, pero, apenas tocábamos el tema de quién había adquirido tierra y cuánto y cómo, ella sabía muy bien quien era patrucio  y quién había emigrado para comprar. Y, Serafín, su hermano, salía otra vez al baile de las familias, como si fuera su obsesión... No podía olvidar ni perdonar a su familia.  Todo lo que yo quería obtener era información sobre historias de vida, sobre las familias, y no podía: o era siempre interrumpido por las quejas de Margarita, o por la preocupación de Eladio de pastorear su única vaca. Es necesario decir que las mujeres, excepto nuestra vecina, Maria de las Nieves Arca Taboada, por ser la mayor propietaria de tierras en la Parroquia, tienen un papel muy secundario entre la población. La Ley del Patruciado, ya definida por mí en este texto, como en otros libros, definía quién sería cabeza de familia, especialmente por corresponder a él o ella, heredar la mayor parte de los bienes. Era su deber administrar la llamada compañía familiar gallega, para que a nadie le faltara nada, para que ninguno de ellos quedara pobre o mal parado. Compañía familiar, es una empresa, ya definida por mí en este texto y en otros citados[86]. Eladio no sólo cuidaba de que no comiera dela la hierba del vecino, bien como decía que no tenía necesidad de vacas, pero el problema era lo qué podía hacer sin una vaca en casa, porque estos "bichitos", como Eduardo Fernández y otros decían, todo les daban el apodo de "bichito", un nombre cariñoso, esos bichitos, decía Eladio, solo traen paz a la casa.

 

 



publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por Luis Moreira às 14:37
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Apresentadora da Aljazeera e Hossam el-Hamalawy, jornalista egípcio

coordenação de Augusta Clara de Matos

 

 

Daqui e Dali...Egipto

 

 

GRANDE MULHER!

 

 

 

Entrevista con Hossam el-Hamalawy, periodista y bloguero egipcio

                Mark LeVine
Al-Jazeera

Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens y revisado por Caty R.

Hossam el-Hamalawy es un periodista y bloguero del sitio 3arabawy. Mark LeVine, profesor de la Universidad de California Irvine, logró contactar con Hossam a través de Skype para conseguir un informe de primera mano sobre los eventos que se desarrollan en Egipto.

Hossam el-Hamalawy

¿Por qué fue necesaria una revolución en Túnez para sacar a los egipcios a las calles en cantidades sin precedentes?

 

En Egipto decimos que Túnez fue más un catalizador que un instigador, porque las condiciones objetivas para un levantamiento existían en Egipto y durante los últimos años la revuelta estaba en el aire. Por cierto, ya logramos tener dos mini-intifadas o “mini-Túnez” en 2008. La primera fue un levantamiento en abril de 2008 en Mahalla, seguida por otro en Borollos, en el norte del país.

Las revoluciones no surgen de la nada. No tenemos mecánicamente una mañana en Egipto porque ayer hubo una en Túnez. No es posible aislar estas protestas de los cuatro últimos años de huelgas de trabajadores en Egipto o de eventos internacionales como la intifada al-Aqsa y la invasión de Iraq por EE.UU. El estallido de la intifada al-Aqsa fue especialmente importante porque en los años ochenta y noventa el activismo en las calles había sido efectivamente impedido por el gobierno como parte de la lucha contra insurgentes islamistas. Sólo siguió existiendo en los campus universitarios o las centrales de los partidos. Pero cuando estalló la intifada del año 2000 y al Jazeera comenzó a transmitir imágenes de ella, inspiró a nuestra juventud a tomar las calles, de la misma manera que hoy nos inspira Túnez.

 

¿Cómo se desarrollan las protestas?

 

Es demasiado temprano para decir cómo se desarrollarán. Es un milagro que continuaran ayer después de medianoche a pesar del miedo y la represión. Pero habiéndolo dicho, la situación ha llegado a un nivel en el que todos están hartos, seriamente hartos. E incluso si las fuerzas de seguridad logran aplastar hoy las protestas no podrán aplastar las que sucedan la próxima semana, o el próximo mes o más adelante durante este año. Definitivamente hay un cambio en el grado de valentía de la gente. Al Estado le ayudó la excusa de combatir el terrorismo en los años noventa para acabar con todo tipo de disenso en el país, un truco utilizado por todos los gobiernos, incluido EE.UU. Pero una vez que la oposición formal a un régimen pasa de las armas a protestas masivas, es muy difícil enfrentar un disenso semejante. Se puede planificar la liquidación de un grupo de terroristas que combate en los cañaverales, ¿pero qué van a hacer ante miles de manifestantes en las calles? No pueden matarlos a todos. Ni siquiera pueden garantizar que los soldados lo hagan, que disparen contra los pobres.

 

¿Cuál es la relación entre eventos regionales y locales en este país?

 

Hay que comprender que lo regional es local en este país. En el año 2000 las protestas no comenzaron como protestas contra el régimen sino más bien contra Israel y en apoyo de los palestinos. Lo mismo ocurrió con la invasión estadounidense de Iraq tres años después. Pero una vez que sales a las calles y te enfrentas a la violencia del régimen uno comienza a hacer preguntas: ¿Por qué envía soldados Mubarak para enfrentar a manifestantes en lugar de enfrentar a Israel? ¿Por qué exporta cemento a Israel para que lo utilice para construir asentamientos en lugar de ayudar a los palestinos? ¿Por qué la policía es tan brutal con nosotros cuando sólo tratamos de expresar nuestra solidaridad con los palestinos de manera pacífica? Y así los problemas regionales como Israel e Iraq pasaron a ser temas locales. Y en pocos instantes, los mismos manifestantes que coreaban consignas pro palestinas comenzaron a hacerlo contra Mubarak. El momento decisivo específico en términos de protestas fue 2004, cuando el disenso se volvió interior.

 

En Túnez los sindicatos jugaron un papel crucial en la revolución, ya que su amplia y disciplinada membresía aseguró que las protestas no pudieran aplastarse facilmente y las confirió una organización. ¿Cuál es el papel del movimiento de los trabajadores en Egipto en el actual levantamiento?

 

El movimiento sindical egipcio fue bastante atacado en los años ochenta y noventa por la policía, que utilizó munición de guerra contra huelguistas pacíficos en 1989 durante huelgas en las plantas siderúrgicas y en 1994 en las huelgas de las fábricas textiles. Pero desde diciembre de 2006 nuestro país vive continuamente las mayores y más sostenidas olas de acciones huelguísticas desde 1946, detonadas por huelgas en la industria textil en la ciudad de Mahalla en el Delta del Nilo, centro de la mayor fuerza laboral en Medio Oriente con más de 28.000 trabajadores. Comenzó por temas laborales pero se extendió a todos los sectores de la sociedad con la excepción de la policía y las fuerzas armadas.

Como resultado de esas huelgas hemos logrado obtener 2 sindicatos independientes, los primeros de su clase desde 1957, el de los cobradores de contribuciones de bienes raíces, que incluye a más de 40.000 empleados públicos y el de los técnicos de la salud, más de 30.000 de los cuales lanzaron un sindicato el pasado mes fuera de los sindicatos controlados por el Estado.

Pero es verdad que hay una diferencia importante entre nosotros y Túnez, y es que aunque era una dictadura, Túnez tenía una federación sindical semiindependiente. Incluso si la dirigencia colaboraba con el régimen, los miembros eran sindicalistas militantes. De manera que cuando llegó la hora de huelgas generales, los sindicatos pudieron sumarse. Pero aquí en Egipto tenemos un vacío que esperamos llenar pronto. A los sindicalistas independientes ya los han sometido a cazas de brujas desde que trataron de establecerse; ya hay procesos iniciados contra ellos por los sindicatos estatales y respaldados por el Estado, pero se siguen fortaleciendo a pesar de los continuos intentos de silenciarlos.

Por cierto, en los últimos días la represión se  ha dirigido contra los manifestantes en las calles, los cuales no son necesariamente sindicalistas. Esas protestas han reunido a un amplio espectro de egipcios, incluidos hijos e hijas de la elite. De modo que tenemos una combinación de pobres y jóvenes de las ciudades junto con la clase media y los hijos e hijas de la elite.

Pienso que Mubarak ha logrado agrupar a todos los sectores de la sociedad con la excepción de su círculo íntimo de cómplices.

 

La revolución tunecina se ha descrito como muy encabezada por la “juventud” y dependiente para su éxito de la tecnología de las redes sociales como Facebook y Twitter. Y ahora la gente se concentra en la juventud en Egipto como un catalizador importante. ¿Se trata de una “intifada juvenil” y podría tener lugar sin Facebook y otras nuevas tecnologías mediáticas?

 

Sí, es una intifada juvenil en la calle. Internet sólo juega un papel en la difusión de la palabra y de las imágenes de lo que sucede en el terreno. No utilizamos Internet para organizarnos. Lo utilizamos para dar a conocer lo que estamos haciendo sobre el terreno con la esperanza de animar a otros para que participen en la acción.

 

Como habrá oído, en EE.UU., el presentador de programas de entrevistas Glenn Beck ha atacado a una académica ya mayor, Frances Fox Piven, por un artículo que ella escribió llamando a los desocupados a realizar protestas masivas por los puestos de trabajo. Incluso ha recibido amenazas de muerte, algunas de gente sin trabajo que parece más feliz fantaseando sobre dispararle con una de sus numerosas armas que por luchar realmente por sus derechos. Es sorprendente pensar en el papel crucial de los sindicatos en el mundo árabe actual, teniendo en cuenta las más de dos décadas de regímenes neoliberales en toda la región cuyo objetivo primordial es destruir la solidaridad de la clase trabajadora. ¿Por qué han seguido siendo tan importantes los sindicatos?

 

Los sindicatos siempre son el remedio mágico contra cualquier dictadura. Mire a Polonia, Corea del Sur, América Latina o Túnez. Los sindicatos siempre fueron útiles para la movilización de las masas. Hace falta una huelga general para derrocar una dictadura, y no hay nada mejor que un sindicato independiente para hacerlo.

 

¿Hay un programa ideológico más amplio tras las protestas, o sólo librarse de Mubarak?

 

Cada cual tiene sus razones para salir a las calles, pero yo supongo que si nuestro levantamiento tiene éxito y derrocamos a Mubarak aparecerán divisiones. Los pobres querrán impulsar a la revolución a una posición mucho más radical, impulsar la redistribución radical de la riqueza y combatir la corrupción, mientras que los denominados reformistas quieren poner frenos, presionar más o menos por los cambios "desde arriba" y limitar un poco los poderes pero mantener alguna esencia de Estado.

 

¿Cuál es el papel de la Hermandad Musulmana y cómo impacta en la situación el hecho que permanezca distante de las actuales protestas?

 

La Hermandad ha sufrido divisiones desde el estallido de la intifada al-Aqsa. Su participación en el Movimiento de Solidaridad con Palestina cuando se enfrentó con el régimen fue desastrosa. Básicamente, cada vez que sus dirigentes llegan a un compromiso con el régimen, especialmente los acólitos del actual guía supremo, desmoralizan a sus cuadros de base. Conozco personalmente a numerosos jóvenes hermanos que abandonaron el grupo, algunos de ellos se han unido a otros grupos o siguen independientes. A medida que crece el actual movimiento callejero y la dirigencia inferior participa, habrá más divisiones porque la dirigencia superior no puede justificar por qué no forma parte del nuevo levantamiento.

 

¿Cuál es el papel de EE.UU. en este conflicto? ¿Cómo ve la gente en la calle sus posiciones?

 

Mubarak es el segundo beneficiario de la ayuda exterior de EE.UU., después de Israel. Se le conoce como el matón de EE.UU. en la región; es uno de los instrumentos de la política exterior estadounidense, que implementa su programa de seguridad para Israel y el flujo sin problemas del petróleo mientras mantiene a raya a los palestinos. De modo que no es ningún secreto que esta dictadura ha gozado del respaldo de gobiernos de EE.UU. desde el primer día, incluso durante la engañosa retórica pro democracia de Bush. Por lo tanto no hay que sorprenderse ante las risibles declaraciones de Clinton que más o menos defendían el régimen de Mubarak, ya que uno de los pilares de la política exterior de EE.UU. es mantener regímenes estables a costa de la libertad y los derechos cívicos.

No esperamos nada de Obama, a quien consideramos como un gran hipócrita. Pero esperamos que el pueblo estadounidense –sindicatos, asociaciones de profesores, uniones estudiantiles, grupos de activistas,- se pronuncien en nuestro apoyo. Lo que queremos es que el gobierno de EE.UU. se mantenga completamente fuera del asunto. No queremos ningún tipo de respaldo, simplemente que corte de inmediato la ayuda a Mubarak y retire el respaldo, que se retire de todas las bases en Medio Oriente y deje de apoyar al Estado de Israel.

En última instancia, Mubarak hará todo lo que tenga que hacer para protegerse. De repente adoptará la retórica más anti-estadounidense si piensa que pueda ayudarle a salvar el pellejo. A fin de cuentas está comprometido con sus propios intereses y si piensa que EE.UU. no lo apoyará, se volverá en otra dirección. La realidad es que cualquier gobierno realmente limpio que llegue al poder en la región llegará a un conflicto abierto con EE.UU. porque llamará a una redistribución racional de la riqueza y a terminar con el apoyo a Israel y a otras dictaduras. De modo que no esperamos ninguna ayuda de EE.UU. Sólo que nos dejen en paz.

 

Mark LeVine es profesor de historia en la Universidad de California Irvine e investigador visitante senior en el Centro de Estudios de Medio Oriente en la Universidad Lund en Suecia. Sus libros más recientes son Heavy Metal Islam (Random House) e Impossible Peace: Israel/Palestine Since 1989 (Zed Books).

 

Fuente: http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/01/201112792728200271.html



 



publicado por Augusta Clara às 14:00
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atrás do Mundo - O Miguel e a Clara - associação 1º passo.

Luis Moreira

 

 

 

 

 

 

Eu não vos disse que o Miguel e a Clara são do melhor que há? Pois, leram o meu poste e logo enviaram este mail aí em baixo com os nobres objectivos que prosseguem. Vejam aí nos links o belo trabalho que andam a desenvolver em Moçambique.

 

"Os meus pais já me tinham dito que tinhas escrito sobre a nossa viagem no teu blog, foi difícil encontrar o post, mas agora só posso agradecer os elogios que me fizeste, sem dúvida um pouco exagerados!

Desculpa mas não entendo exactamente que dicas queres que te dê, mas toda a divulgação do nosso blog é bem vinda!

Aproveito apenas para fazer um pequeno esclarecimento, no post dizes que tenho um website - Primeiro Passo - mas não é correcto. A Clara é que têm uma associação sem fins lucrativos de apoio ao empreendedorismo social em Moçambique que tem esse website, aproveita e vê o que ela tem estado a fazer em: http://www.assoc-primeiropasso.pt/ - podes também entender de uma vez os objectivos e mensagens da Primeiro Passo através desta animação: http://vimeo.com/16548434 - Mais do que a viagem este projecto é que deve ser divulgado! A ideia e o trabalho são verdadeiramente excelentes!

 

 

Já que vais fazer em breve um post sobre a Primeiro Passo por favor divulga que vai haver no dia 10 de Fevereiro, às 18h, uma exposição da Associação Primeiro Passo no Espaço Cultural das Mercês (Morada: Rua Cecilio de Sousa nº94 - junto ao Príncipe Real), enquadrada nas comemorações do Ano Europeu do Voluntariado. A exposição estará patente durante duas semanas (até dia 3 de Março - Horários: de quarta a sábado das 16h as 22h). É mesmo importante que vá gente à exposição, que passem a conhecer e contribuam para que a Primeiro Passo continue a dar passos para um Moçambique com mais futuro.

 

Um grande abraço e até breve,
Miguel Duarte"

 

 

Até breve, Miguel, e vamos continuar a seguir-vos sem esquecer a "associação primeiro passo" da Clara!

 

 

 



publicado por Luis Moreira às 13:00
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Em defesa do Zé Povinho - por Carlos Loures

 

Hoje vou falar de Rafael Bordalo Pinheiro,  de «O António Maria»e, claro, do Zé Povinho. Os tempos eram outros, nesse último quartel do século XIX, embora os problemas de fundo não fossem assim tão diferentes como isso.

 Entre 1851 e 1871, ocupando diversas pastas em vários governos, foi neste último ano nomeado primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo(1818-1887). Em mais dois governos, ocupou o mesmo lugar de chefe do Governo até 1887. Pertencendo ao Partido Regenerador, foi, como se pode ver por estas datas, uma personagem que ao longo de quase quatro décadas esteve na ribalta da cena política. A sua política de fomento, de desenvolvimento das obras públicas, nomeadamente das comunicações, ficou conhecida por «fontismo».

Foi o alvo preferido do humor cáustico de Bordalo Pinheiro que, inclusivamente, deu o seu nome a uma das suas revistas «O António Maria». Porquê, esta fixação do genial artista?

No seu editorial de apresentação, «O António Maria» afirmava-se como independente. Dizia «ser oposição declarada e franca aos governos, e oposição aberta e sistemática às oposições». Digam-me lá se esta não é precisamente uma posição lúcida e que, nos dias de hoje, faria todo o sentido? O que não sabemos é se haveria poder de encaixe para aceitar uma revista que se chamasse «O Sócrates»…

Oposição ao governo, que abria estradas, construía caminhos de ferro, pontes, escolas, permanecendo o povo, simbolizado pelo Zé, analfabeto, miserável e desprotegido. Não acham isto parecido com o que hoje se passa – auto-estradas para todos os lugares, projectos de aeroportos e de TGVs, a par com um absoluto desprezo pela cultura, pelo caos na Educação e com dois milhões de concidadãos nossos a viver abaixo do limiar de pobreza?

Enquanto isto,  agora como então, uma oposição palavrosa, que condena tudo o que o Governo faz (com razão em quase tudo, diga-se), mas sabendo nós que se algum dia chegar a ser poder fará o mesmo ou pior. Ou melhor, não rectificará nenhuma das medidas erradas que este Governo assumiu, acrescentando-lhe outras igualmente lesivas dos interesses da maioria.

Esta oposição, à direita por comprovada ineficiência (PSD e CDS) já estiveram em diversos governos e foram autênticos desastres e à esquerda por demagogia inconsequente, não interessa. O PCP e o BE dificilmente serão governo e, pela sua prática enquanto oposição, vê-se estarem infiltrados de políticos que usam e abusam da demagogia e da chicana.

Fazem parte do sistema e do respectivo folclore. Legitimam o sistema. Porque, como Rafael, penso que o mal não é (só) deste partido que se diz socialista. O mal é do sistema. Rafael chamava ao sistema da sua época «a grande porca», referindo-se a política nacional. Ninguém tinha as mãos limpas.

Já sei que, esta expressão, «o sistema», assumiu, até por conotações futebolísticas, o carácter esotérico, por vezes ridículo, de uma teoria da conspiração ao estilo de Dan Brown. Na política e no futebol (a promiscuidade entre ambos é nítida) o «sistema» é identificável e nada tem de esotérico. Cambalachos obscuros, negociatas sinistras, ligações endogâmicas e não só, que desembocam em casas pias, apitos dourados e faces ocultas.

 

 O nosso Zé Povinho não é um parvo, nem foi uma figura criada pela burguesia (embora   Bordalo Pinheiro, pertencesse a uma família burguesa) – será crédulo e humilde, manso e céptico, às vezes desconfiado, mas nunca parvo. Resmunga, protesta, mas depois lá vai votar num dos verdugos. Um caso exemplar da síndrome de Estocolmo. O que, sem o ser, pode parecer parvoíce. É uma besta de carga em cima da qual cai todo o peso da desonestidade e da incompetência dos outros, dos tais senhores de fato cinzento ou azul escuro, de gravata e carros topo de gama. Os senhores que mandam no País.

 

 

Rafael Bordalo Pinheiro, a propósito da mudança alternante de governos disse: «O Zé Povinho olha para um lado e para outro e… fica como sempre… na mesma». Mas como não é parvo, apenas manso e crédulo, um dia a paciência pode esgotar-se-lhe. E quando o Zé deixa a sua mansidão e credulidade e se zanga, transforma-se num grande problema para quem o tiver atormentado. Aconteceu a seguir ao 25 de Abril de 1974. Pode voltar a  acontecer.

 Depois não se queixem.

  



publicado por Carlos Loures às 12:00
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Uma tarde com o sol a aquecer o interior - por Clara Castilho

 

 

Cumprindo deveres familiares, andei por estradas fora de Lisboa, concorridas apesar do aumento do combustível. O sol atraia as pessoas para fora de casa…

 

Os meus olhos foram vislumbrando no meio do verde o amarelo das mimosas.  Mimosas que não são “mimosas”, mas sim Acacias dealbata . Pois sim, toda a vida lhes chamei “mimosas”.

 

Mimosas que vieram para Portugal com o objectivo de prevenir a erosão do solo nomeadamente das dunas. Árvore nativa da Austrália, com crescimento rápido, que se desenvolve rapidamente depois dos fogos e vive cerca de 30  anos.

 

É considerada como uma planta infestante. Por se desenvolver rapidamente impede a regeneração da vegetação natural, por competição com as outras espécies. Sendo uma árvore que tolera a secura e o frio, adapta-se facilmente aos diferentes tipos de solos.

 

Deixemos a pretensa sabedoria! O que me interessa é o movimento sereno com que os seus cachos amarelos vão ondulando ao sabor do vento. O que me interessa é o seu cheiro maravilhoso que perdura no ar e nos envolve. O que me interessa é que ganhou a luta e já me fez desistir de a trazer para dentro de casa ( impossível fazer uma jarra harmoniosa com as suas flores que caiem e não se seguram em pé!). Assim, se dela quero usufruir tenho que até ela me deslocar e à sua majestade me dobrar!

 

Voltei a casa mais serena, sentindo o cheiro da renovação da natureza e procurando com ela me ajustar.

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 11:00
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Sempre Galiza! – Fala-nos Manuel Maria

coordenação de Pedro Godinho

 

 

 

Sobre Manuel Maria Fernández Teixeiro já escreveu Carlos Loures no Estrolabio (http://estrolabio.blogs.sapo.pt/238561.html) reputando-o “uma das vozes mais emblemáticas do ressurgimento do galego como língua literária”.

 

 

 

 

Poeta empenhado, aliou à qualidade da poesia uma intervenção cívica e política em prol da sua terra, povo e língua.

 

Aqui ficam dois exemplos, com o segundo poema também em versão musical de Roi Casal:

 

Canción pra cando se escoita falar castrapo

 

Ollade esa antroidada: son galegos,
xente do pobo, sinxela e moi normal.
Olládeos, como un fato de borregos,
falando o seu castrapo "tipical".

Esprésanse nunha estrana xerigonza,
van falando un idioma que non hai.
E sinten fondo reparo, gran vergonza,
en falar, como é debido, a fala nai.

Ollade ós moi paletos e cretinos
ladrando o seu castrapo por aí,
intentando ser lidos, cultos, finos
imitando ós "castizos" de Madrí.

Eles, probes, non poden ser culpados
polo seu idioma, tristeiro i anormal.
A culpa é de quen di: "Sede educados,
que falar galego está moi mal..."

Manuel María, Obra poética completa I (1950-1979)

 

 


 

 

 

A fala

 

O idioma é a chave
coa que abrimos o mundo:
o salouco máis feble,
o pesar máis profundo.

O idioma é a vida,
o coitelo da dor,
o murmurio do vento,
a palabra de amor.

O idioma é o tempo,
é a voz dos avós
e ese breve ronsel
que deixaremos nós.

O idioma é un herdo,
patrimonio do pobo,
maxicamente vello,
eternamente novo.

O idioma é a patria,
a esencia máis nosa,
a creación común
meirande e poderosa.

O idioma é a forza
que nos xungue e sostén.
¡Se perdemos a fala
non seremos ninguén!

O idioma é o amor,
o latexo, a verdade,
a fonte da que agroma
a máis forte irmandade.

Renunciar ao idioma
é ser mudo e morrer.
¡Precisamos a lingua
se queremos vencer!

Manuel María, Obra poética completa I (1950-1979)

 

 

 



publicado por Pedro Godinho às 09:00
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Artexto - texto de Adão Cruz, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

A descodificação, ainda que parcial, de uma obra de arte, se é que se pode chamar a esta pintura, um tanto grotesca, uma obra de arte, pode ser um fenómeno redutor que empobrece a obra, podendo mesmo anular a sua própria hermenêutica. Neste caso não será tanto assim, dado que se trata de um figurativismo bastante objectivo.

 

Não me lembro de qual o meu estado de espírito aquando da criação deste quadro, já antigo. Ao contemplá-lo hoje, perante o meu estado de espírito actual que não é nada famoso, eu entendê-lo-ia como uma espécie de tragédia espiritual mahleriana, eclodindo neste abraço militarista, entre a possessiva paixão de Mahler e a frustração, desespero e desânimo de Alma Schindler. Sem qualquer pretensiosismo, parece-me que ele contém alguns laivos de uma atmosfera emocional com perfeito cabimento nas interpretações mais dramáticas e pessimistas da sexta sinfonia.

 



publicado por João Machado às 08:00
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