Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Sempre Galiza! - Achégate a Mim Maruxa

coordenação de Pedro Godinho

Achégate a Mim Maruxa
(cantar galego)

Achégate a mim, Maruxa
chégate ben, moreniña
quérome casar contigo
serás miña mulleriña

Adeus, estrela brilante
compañeiriña da lua
moitas caras teño visto
mais como a tua ningunha

Adeus lubeiriña triste
de espaldas te vou mirando
non sei que me queda dentro
que me despido chorando


José Afonso, pai da moderna música popular portuguesa de qualidade, entre tantas outras composições, musicou e cantou esta letra popular galega no seu disco Fura Fura (1979).
Mais um exemplo de cultura portu-galega.
Ouçamos a versão do Zeca:



Noutro registo, a combinação portu-galega fica também evidente na interpretação de Maruxa feita em dueto, em Fevereiro de 2010 em Ourense, pela portuguesa Dulce Pontes e pela galega Uxia:



Síntese do reintegracionismo contemporâneo
Às 10h, a continuação do ensaio de Carlos Durão.



publicado por estrolabio às 09:00
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Isto que eu escrevo


Maria Inês Aguiar

isto que eu escrevo não sou eu,
sou eu e os outros em pensamentos misturados
num desalinho de sentimentos complexos,
são somas de muitas raivas contidas, muitas vozes silenciadas,
muitas noites - madrugadas,
isto que eu escrevo
são intervalos de vontade rodopiando entre vagas de ilusão,
a impotência de parar o relógio
eternizando o momento em que nos quebramos
em mil bocados num encontro com o tempo,
isto que eu escrevo,
é o grito sufocado na garganta, um grito mudo
de quem vê pedaços de vidas caídas nas cidades de concreto,
de quem ouve o ulular dos sem tecto
isto que eu escrevo não sou eu,
é o reflexo dos outros em mim,
um cordão de múltiplas vidas em círculos de convulsão
isto que eu escrevo não sou eu,
sou eu e os outros e os outros ainda

(Ilustração pormenor de Adão Cruz)



publicado por Carlos Loures às 08:00
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Insones, noctívagos & afins - Mário Henrique Leiria

Hoje, para evitar a vossa tranquilidade nocturna, apresentaremos Mário- Henrique Leiria e alguns contos de três dos seus livros «Contos do Gin-Tonic» (1973),a sua obra mais conhecida, «Novos Contos do Gin»(1974) e «Casos de Direito Galático» (1975).

 Mário-Henrique Leiria nasceu em Lisboa em 1923 e morreu em Cascais em 1980. Ligado ao movimento surrealista, chegou ao grande público através da frequente declamação que, na televisão, o actor Mário Viegas fazia dos seus textos. Começaremos com um conto do seu último livro, «Casos de Direito Galático»

De "Novos Contos do Gin", ouçamos "Rifão Quotidiano", dito por Mário Viegas:




À uma hora da manhã - contos de Mário Henrique Leiria!
publicado por Carlos Loures às 03:00
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A terceira depressão - Paul Krugman


O Paul Krugman foi Prémio Nobel da Economia em 2008. É americano e nasceu em 1953. É professor na Universidade de Princeton. Ensina Economia e Assuntos Internacionais. Descreve-se a ele próprio como um liberal (à maneira americana, com o significado de tolerante, progressista, de ideias abertas). Geralmente classificado como de centro-esquerda, concorda a economia de mercado e a globalização. É portanto um tipo com ideias moderadas (como se costuma dizer). Há imensa coisa sobre ele na internet. Tem uma obra enorme e é colunista no New York Times e escreve para muitas publicações. Pessoalmente penso que a depressão actual é muito profunda, e que se não sairmos rapidamente, a bem ou a mal, do sistema capitalista, vamos sofrer um grave retrocesso civilizacional. Por isso proponho que incluamos este artigo no nosso blogue Estrolabio. (João Machado)


As recessões são comuns, mas as depressões são raras. Tanto quanto eu conheço, apenas dois períodos da história económica foram na altura comummente descritos como "depressões": os anos de deflação e instabilidade após o Pânico de 1873 e os anos de desemprego em massa que seguiram a crise financeira de 1929 a 1931.

Nem a Longa Depressão do século XIX nem a Grande Depressão do século XX foram períodos de declínio ininterrupto - pelo contrário, ambas incluíram fases de crescimento económico. Mas estes momentos de melhoria nunca foram suficientes para anular os prejuízos causados pela quebra inicial, e foram seguidos por recaídas.

Receio que estejamos nos primeiros estágios de uma terceira depressão. A probabilidade é que ela seja mais parecida com a Longa Depressão do que com a Grande Depressão, que foi muito mais severa. Mas o custo – para a economia mundial e, acima de tudo, para os milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos – será, ainda assim, imenso.


E essa terceira depressão será em primeiro lugar o resultado de um fracasso das políticas económicas. Por todo o mundo – como no fim de semana passado na desanimadora reunião do G – 20 – os governos estão obcecados com a inflação quando o perigo real vem da deflação, e pregam a necessidade de apertar o cinto quando o verdadeiro problema está nos gastos inadequados.

Em 2008 e 2009 parecia que tínhamos aprendido com a história. Ao contrário dos seus predecessores, que aumentaram as taxas de juros face à crise financeira, os líderes actuais da Reserva Federal e do Banco Central Europeu cortaram os juros e apoiaram os mercados de crédito. Ao contrário dos governos do passado, que tentaram equilibrar os orçamentos face à economia em declínio, os governos de hoje permitiram que os défices aumentassem. E melhores políticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: a recessão provocada pela crise financeira terá talvez terminado no Verão passado.

Mas os futuros historiadores vão dizer-nos que a terceira depressão não acabou aqui, tal como a melhoria económica em 1933 não foi o fim da Grande Depressão. Afinal de contas, o desemprego – especialmente o desemprego de longo prazo – mantém-se em níveis que seriam considerados catastróficos há pouco tempo, e não parece estar a diminuir. E tanto os Estados Unidos como a Europa estão prestes a cair na armadilha deflacionária tal como já aconteceu ao Japão.

Perante perspectivas tão sombrias, esperávamos que os responsáveis políticos se dessem conta de que ainda não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não: nos últimos meses, observou-se um assombroso regresso da ortodoxia em relação a restrições monetárias e orçamentos equilibrados.

No que diz respeito à retórica, o ressurgimento da velha religião é mais evidente na Europa, cujos responsáveis parecem basear as suas declarações na colectânea de discursos de Herbert Hoover(1) para compor as suas afirmações, chegando a declarar que impostos mais altos e cortes nos gastos irão de facto fazer expandir a economia, fazendo aumentar a confiança dos empresários. Na prática, no entanto, os Estados Unidos não estão muito melhor. A Reserva Federal parece ter consciência dos riscos da deflação – mas nada se propõe a fazer para contrariá-los. A administração Obama sabe dos perigos de uma austeridade fiscal prematura – mas, como os republicanos e democratas conservadores se negam a autorizar um auxílio maior aos governos dos estados, essa austeridade é inevitável, sob a forma de cortes nos orçamentos estaduais e municipais.

Porquê esta viragem política errada? Os defensores da linha dura referem muitas vezes os problemas da Grécia e de outros países europeus periféricos para justificar as suas acções. E é verdade que os investidores viraram-se contra os governos com défices incontroláveis. Mas não há provas de que a austeridade fiscal de curto prazo, face a uma economia em depressão, os tranquilize. Pelo contrário: a Grécia optou pela austeridade severa e teve como resultado um aumento ainda maior das classificações de risco; a Irlanda impôs cortes ferozes nos gastos públicos e viu-se a ser tratada pelos mercados como se oferecesse um risco maior do que a Espanha, que tem sido bem mais relutante a aceitar os remédios dos defensores da linha dura.

É quase como se os mercados financeiros conseguissem entender o que os responsáveis políticos não conseguem: que enquanto a responsabilidade fiscal de longo prazo é importante, o corte de gastos no meio de uma depressão agrava ainda mais essa depressão e abre o caminho à deflação, e é na realidade uma estratégia contraproducente.

Por isso não acho que a questão seja realmente a Grécia, ou mesmo qualquer apreciação realista da relação entre o défice e o nível do emprego. O que enfrentamos é a vitória de uma ortodoxia que tem pouco a ver com uma análise racional, e cujo credo principal é que impor sofrimento às outras pessoas é a maneira de mostrar quem manda em tempos difíceis.

E quem pagará o preço pelo triunfo da ortodoxia? A resposta é dezenas de milhões de trabalhadores desempregados, muitos dos quais ficarão sem trabalho durante anos, e alguns dos quais nunca mais voltarão a trabalhar.

Tradução revista por João Machado

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(1) - Herbert Clark Hoover (1874 – 1964). Foi Presidente dos EUA de 1928 a 1932. Republicano, defendeu políticas económicas ortodoxas. Durante o seu mandato ocorreu a Grande Depressão. Em 1932 candidatou-se à reeleição e perdeu contra Franklin Delano Roosevelt.
publicado por Carlos Loures às 02:00
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Música romântica do Século XX - 13

Temos tentado não repetir compositores e intérpretes, mas hoje vamos esquecer essa intenção e incluindo uma segunda canção de Ernesto de Curtis (de quem seleccionámos já Non ti scordare di me).

Torna a Surriento Não só é uma canção napolitana, dir-se-ia que é "a canção napolitana". Foi composta por Ernesto De Curtis em 1902 . Há muitas interpretações famosas - como as de Beniamino Gigli, Josep Carreras, Placido Domingo, Luciano Pavarotti, Mario Lanza... Serviu de base para versões noutras línguas, como em inglês, a mais famosa das quais é Surrender de Elvis Presley (1961).

E vamos também repetir o intérprete - Luciano Pavarotti.

publicado por Carlos Loures às 01:00
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Esta noite temos

várias propostas interessantes. Uma canção napolitana... não - temos a canção napolitana na voz de Pavarotti à uma hora; às duas, e continuando na onda da Economia, um Prémio Nobel vem falar-nos da terceira depressão; às três, pra os noctívagos, insones & afins, trazemos contos do Mário-Henrique Leiria. Hoje revelámos tudo.

Os "Gato Fedorento" voltam hoje com o "Maior da Aldeia".

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publicado por Carlos Loures às 23:00
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Deus como problema (4)




Adão Cruz

Saramago não contou, mas pela mais comum das evidências científicas reconhece que no “Universo há mais de 400 mil milhões de galáxias e que cada uma delas contém mais de 400 mil milhões de estrelas”. O Universo está, com efeito, infinitamente pejado de misteriosas estruturações materiais das quais conhecemos um minúsculo infinitésimo. São provavelmente aos biliões, por exemplo, as estruturas materiais irradiantes cuja essência e complexidade ultrapassam todos os limites da imaginação humana.

Ao descobrirmos os raios X, os raios Gama, os raios Laser, tão reais como os meus dedos, não desvendamos mais do que uma ínfima molécula deste Universo espalhado por milhões de anos-luz. As estrelas são, provavelmente, aos triliões, e cada uma delas constitui, certamente, o centro de um sistema solar imensamente maior do que o nosso, o qual, sendo dos mais pequenos, faz da terra uma pedrinha nas mãos duma criança. A terra é muito menos do que um pequeníssimo grão de poeira no seio do Universo, e o Homem, essa infinitesimal partícula considera-se, numa ridícula e paranóica postura, o ser mais perfeito, a obra-prima, a criação por excelência, como se tal fosse racionalmente compreensível e aceitável.


“Postos aqui sem saber porquê nem para quê”, diz Saramago, “tivemos de inventar tudo. Também inventámos Deus, mas esse não saiu das nossas cabeças, permaneceu lá dentro, como factor de vida algumas vezes, como instrumento de morte quase sempre. A esse Deus não podemos arrancá-lo dentro das nossas cabeças, não o podem fazer nem mesmo os próprios ateus, mas ao menos discutamo-lo”. É isso que sempre tenho procurado fazer, e faço-o neste momento, dizendo a Saramago que Ele entrou na minha cabeça à força da destruição da razão e do entendimento, perpetrada por mentes ignorantes e retrógradas que assaltaram a minha infância e adolescência, mas nesta altura, à custa de muita luta e sofrimento, já não existe dentro da minha cabeça.

Negando os limites da sua própria natureza e da sua imaginação, o Homem assume-se como centro do Universo e inventa um Deus, seu Pai, cuja ontológica preocupação máxima, permanente e eterna, é a salvação da alma deste ridículo micróbio, desprezando todos os outros seres cuja diferença está, apenas, num número inferior de neurónios! Admitindo absurdamente a pré-existência de tal Deus, a sua revelação exclusiva ao animal-homem, repito, apenas porque os neurónios deste são mais numerosos do que os do cão ou do macaco, faz rir.

Consideram os cientistas, após as últimas fotografias das sondas que foram até Marte, que este planeta deve ter contido muita água e provavelmente vida, há milhares de milhões de anos. Se assim for…que vida? Animais com mais ou menos neurónios do que o Homem? Sem neurónios mas com outro substrato da razão que não imaginamos? Outros seres, estruturas materiais desconhecidas, mas, eventualmente, muito mais complexas do que o Homem? Sendo Deus sempre o mesmo – Deus é Uno e Universal – onde estará a alma dos marcianos? No céu? No inferno? Não a tinham? Coube-lhes a pouca sorte de lá não terem chegado os missionários e todos os bons pregadores da fé e do império a tempo de os salvar?

Quando a terra ficar assim deserta como Marte – do que não duvido, a avaliar pelo grau de destruição presente nos nossos dias – e ao fim de milhões de anos chegarem aqui os habitantes de outra galáxia, adivinharão a existência de um punhado de almas bem-aventuradas chilreando eternamente na imensidão do paraíso, e de outro punhado gemendo nas profundezas do inferno? Nascido, revelado ou realizado em tão microscópico cérebro, tal Deus universalmente omnipotente, omnividente e omnisciente nunca poderia existir, pois ao primeiro sopro de vida geraria, de imediato, a sua auto-destruição, através de uma incompatível e absurda auto-subestimação divina decorrente de tão inglória e mesquinha concepção.

(Continua).
publicado por Carlos Loures às 22:30
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Para uma redefinição da União Económica e Monetária Europeia: da crítica dos seus fundamentos à crítica da crise actual - 2

Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes*



(Continuação)


A realidade actual impõe assim que se realize um verdadeiro debate democrático quando às opções de política económica possíveis. Como se assinala num recente manifesto intitulado Manifesto de Economistas Aterrados .


A maioria dos economistas que intervêm no debate público fazem-no para justificar ou racionalizar a submissão das opções políticas às exigências dos mercados financeiros… O modelo neoliberal continua a ser o único modelo legitimado, apesar dos seus falhanços bem evidentes…

Como economistas, estamos aterrados ao ver que essas políticas continuam a estar na ordem do dia e que os seus fundamentos teóricos não estão a ser postos em causa. Os argumentos utilizados, desde há trinta anos, para orientar as escolhas das políticas económicas europeias são, contudo, postos em causa pelos factos. A crise pôs a nu o carácter dogmático e sem fundamento da maior parte das pretensas evidências repetidas à saciedade pelos decisores políticos e pelos seus assessores. Quer se trate de eficiência e da racionalidade dos mercados financeiros, da necessidade de reduzir as despesas públicas para reduzir a dívida ou para reforçar o “pacto de estabilidade”, estas falsas evidências devem ser questionadas e mostrar-se a pluralidade de escolhas possíveis em política económica. Há outras opções possíveis e desejáveis, desde que primeiro se liberte a canga imposta pelo sector financeiro às políticas públicas.

Neste sentido, o grupo de docentes responsável pelo Ciclo de Cinema Debates e Colóquios na FEUC decidiu assim iniciar o Ciclo no presente ano lectivo com um debate alargado, que se quer profundo, sobre a União Europeia, sobre os seus fundamentos, o seu modelo económico, as suas opções presentes de resposta à crise económico-financeira. Em suma, perguntar então: o que está por detrás de tudo isto? Para quê tudo isto? Perguntas que devem ser feitas, respostas que podemos e devem ser encontradas na Faculdade de Economia e no Teatro Académico Gil Vicente, dias 10, 11 e 12 de Outubro com o Colóquio sobre a Europa e a projecção do filme O Cerco: a democracia nas malhas do neoliberalismo.

Coimbra, 28 de Setembro de 2010



II. Manifesto de Economistas Aterrados “Crise e dívida na Europa: 10 falsas evidências, 22 medidas em debate para se sair do impasse”
1 de Setembro de 2010

Primeiros signatários: Philippe Askenazy (CNRS, Ecole d’économie de Paris), Thomas Coutrot (Conseil scientifique d’Attac), André Orléan (CNRS, EHESS), Henri Sterdyniak (OFCE)

Tradução para português: Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes


Introdução

A recuperação económica global, possibilitada pela injecção maciça de despesas públicas na economia (desde os Estados Unidos à China), é frágil, mas real. Um só continente ficou para trás, a Europa. Retomar a via do crescimento deixou de ser a sua prioridade política. A Europa embarcou numa outra via: o da luta contra o défice público.

Na União Europeia, os défices são, é certo, elevados — 7% em média, em 2010 — mas muito menos do que os 11% registados pelos Estados Unidos. Embora alguns estados federais americanos com um peso económico mais importante do que o da Grécia, como, por exemplo, a Califórnia, estejam virtualmente falidos, os mercados financeiros decidiram especular sobre a dívida soberana dos países europeus, especialmente sobre os países do sul. A Europa deixou-se realmente cair na sua própria armadilha institucional: os Estados europeus têm de contrair empréstimos junto das instituições financeiras privadas, as quais, para concederem estes empréstimos, vão buscar liquidez, a baixo custo, ao Banco Central Europeu.

Os mercados financeiros têm, portanto, em seu poder a chave fundamental do financiamento dos Estados. Neste contexto, a falta de solidariedade europeia suscita a especulação, tanto mais que as agências de rating contribuem para aumentar a desconfiança.

Foi necessária a degradação da notação atribuída pela Moody's à dívida da Grécia, em 15 de Junho, para que os dirigentes europeus voltassem a falar de “irracionalidade”, termo que tinham tanto usado no início da crise dita do subprime. Da mesma forma, constata-se agora que a Espanha está muito mais ameaçada pela fragilidade do seu modelo de crescimento e do seu sistema bancário do que pela sua dívida pública.
A fim de “tranquilizar os mercados”, foi improvisado um Fundo de estabilização do euro e foram lançados por toda a Europa planos de cortes drásticos, frequentemente cegos, da despesa pública. Os funcionários públicos são os primeiros atingidos, nomeadamente em França, onde a subida das contribuições para a segurança social se traduzirá numa redução disfarçada dos salários. O número de funcionários diminui por toda parte, ameaçando os serviços públicos. Os benefícios sociais, da Holanda a Portugal, passando pela França, com a reforma das pensões actualmente em curso, estão em vias de ser gravemente amputados. O desemprego e a precariedade laboral vão necessariamente alastrar nos próximos anos. Estas medidas são irresponsáveis, quer do ponto de vista político, quer social, e até mesmo do ponto de vista estritamente económico.

Estas políticas, que terão acalmado momentaneamente a especulação, têm já consequências muito negativas no plano social em muitos países europeus, atingindo especialmente os jovens, o mundo do trabalho e os estratos mais frágeis. A prazo, irão inflamar as tensões na Europa e, consequentemente, ameaçar a própria construção europeia, que é muito mais do que um projecto económico. Pressupõe-se que a economia esteja ao serviço da construção de um continente democrático, pacificado e unido. Em vez disso, está a instalar-se por todo o lado uma espécie de ditadura dos mercados, em particular, actualmente, em Portugal, em Espanha e na Grécia, três países que ainda eram ditaduras no início da década de 70, há apenas cerca de quarenta anos.

A submissão a esta ditadura dos mercados não é aceitável, quer seja interpretada como uma forma de os governantes aterrados “tranquilizarem os mercados” ou como pretexto para imporem opções ideológicas, uma vez que está bem provada a sua ineficiência económica e o seu potencial destrutivo no plano político e social. Deve, portanto, ser lançado um verdadeiro debate democrático sobre as opções de política económica em França e na Europa. A maioria dos economistas que intervêm no debate público fazem-no para justificar ou racionalizar a submissão das opções políticas às exigências dos mercados financeiros. Certamente, todos os governos tiveram que improvisar planos de relançamento keynesiano e, até mesmo, em alguns casos, nacionalizar bancos temporariamente. Mas querem fechar este parêntesis o mais rapidamente possível. O modelo neoliberal continua a ser o único modelo legitimado, apesar dos seus falhanços bem evidentes. Fundado no pressuposto da eficiência dos mercados financeiros, este modelo propugna a redução das despesas públicas, a privatização dos serviços públicos, a flexibilização do mercado de trabalho, a liberalização do comércio, dos serviços financeiros e dos mercados de capitais, o alargamento da concorrência a todo o tempo e a todo o lado...

Como economistas, estamos aterrados ao ver que essas políticas continuam a estar na ordem do dia e que os seus fundamentos teóricos não estão a ser postos em causa. Os argumentos utilizados, desde há trinta anos, para orientar as escolhas das políticas económicas europeias são, contudo, postos em causa pelos factos. A crise pôs a nu o carácter dogmático e sem fundamento da maior parte das pretensas evidências repetidas à saciedade pelos decisores políticos e pelos seus assessores. Quer se trate de eficiência e da racionalidade dos mercados financeiros, da necessidade de reduzir as despesas públicas para reduzir a dívida ou para reforçar o “pacto de estabilidade”, estas falsas evidências devem ser questionadas e mostrar-se a pluralidade de escolhas possíveis em política económica. Há outras opções possíveis e desejáveis, desde que primeiro se liberte a canga imposta pelo sector financeiro às políticas públicas.

Fazemos seguidamente uma apresentação crítica dos dez postulados que continuam a inspirar quotidianamente as decisões das autoridades públicas em toda a Europa, apesar dos contundentes desmentidos espelhados na crise financeira e nas suas sequelas. Trata-se de falsas evidências que inspiram medidas injustas e ineficazes, em confronto com as quais apresentamos 22 contrapropostas. Cada uma delas não colhe necessariamente a unanimidade dos signatários deste texto, mas deverão ser levadas a sério, se queremos que a Europa saia do impasse.

(Continua)
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* Docentes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

publicado por Carlos Loures às 21:00
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Quando Eu Fui Líder Natural

Augusta Clara de Matos

“E se começássemos por aqui?” Assim terminava o último texto que escrevi, a propósito de toda a gente discutir economia e poucos se interessarem por política.

Esta frase fez-me vir à memória um episódio delicioso que se passou comigo naquele período naïf, logo após o 25 de Abril, em que todos queríamos fazer coisas, tomar parte na construção dum país livre. Ainda hoje me riu quando me lembro dele.

Episódio que foi, ao mesmo tempo, esclarecedor de outra coisa: nós, seres humanos, quando somos genuínos e sinceros, podemos não conseguir, só por isso, grandes empreendimentos mas, pelo menos, não construímos ídolos com pés de barro.

Como todos devem estar lembrados, a seguir à Revolução, foram publicados uns livrinhos da escritora e jornalista chilena Marta Harnecker de iniciação à teoria marxista. Eram uma espécie de pequenos manuais para principiantes que começavam por explicar o que era a política.

Nessa altura eu ainda não estava organizada partidariamente mas, como sempre fez parte da minha personalidade tomar iniciativas sem precisar que mas sugiram, tive uma ideia e decidi avançar com ela (anos mais tarde, um colega que se dedicava à astrologia informou-me que vira nos astros que eu era uma líder natural). Seja ou não seja, a verdade é que os caderninhos da Marta Harnecker desencadearam em mim uma avalanche de liderança.

Escrevi um convite a todas as pessoas do meu departamento convidando-as a virem, à hora do almoço, ler e discutir em conjunto os tão oportunos caderninhos. E a verdade é que as pessoas apareceram e começámos a abordar os conceitos da forma mais simples como “O que é a política?...É a vida de todos nós, etc., etc.” e uma das horas de intervalo para o almoço foi durante uns quantos dias um proveitoso fórum de discussão política em que, gente que nunca se tinha interessado pelo assunto participou activamente. Foi um período curto, sem ambições, mas muito interessante.

Embalada pelo interesse daquele pequeno grupo, senti-me estimulada a passar a outro nível mais alargado de discussão . E a líder natural, cheia de entusiasmo mas ingénua até mais não, escreveu outro convite, com o mesmo objectivo, a todo o pessoal da instituição agrupado em diversos departamentos espalhados pela cidade de Lisboa.

Como eu nessa altura era delegada sindical do meu (mais tarde haveria de ser também representante sindical da instituição no exterior), ia todas as semanas à reunião do conjunto dos delegados, a comissão sindical.

Numa dessas reuniões alguém, sentado numa ponta da mesa diametralmente oposta àquela em que eu me encontrava, perguntou se eu é que era a fulana de tal que tinha enviado um convite para uns debates porque queria falar comigo no fim da reunião. Para minha grande surpresa, esse colega, que viria a ser presidente do meu sindicato, informou-me que ele e outras pessoas, que tinham recebido o meu convite, estavam interessados em participar nas nossas reuniões da hora do almoço.

Imagine-se a minha satisfação. Eu que queria pôr toda a gente a discutir, agora aqueles, e as pessoas que trariam, manifestavam vontade de vir engrossar o grupo. Que diabo, éramos todos colegas, estávamos a travar uma luta conjunta por objectivos comuns…Que viessem, pois claro, que outra coisa havia eu de dizer, ainda para mais num período tão feliz e solidário como aquele que vivíamos?

Mas o final da história foi lamentável e a minha liderança ressentiu-se bastante com isso.

Aquelas reuniões agradáveis, aquele ambiente feliz em que procurávamos, em conjunto, perceber o que se tinha passado noutros países, antes da Revolução dos Cravos ter acontecido, e colher ensinamentos úteis para futuro, transformaram-se em lições de mestre-escola, rígidas e dogmáticas que começaram a desinteressar as pessoas e estas, pouco a pouco, foram desaparecendo, tal como a minha ingenuidade.

O meu colega, futuro dirigente sindical, ficou muito meu amigo mas nunca mais nos entendemos politicamente.
publicado por Carlos Loures às 19:30
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Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (45)


Roteiro da Imprensa Operária e Sindical
1836-1986

Victor de Sá

Editorial Caminho, 1991



Século e meio de imprensa operária em Portugal.
A revelação de um património insuspeitado. Mais de dois mil títulos identificados neste volume.
Memória ordenada e sistematizada do que existe e do que se sabe ter existido.
Ordenação cronológica e Índices: alfabético, geográfico, socioprofissional, de números comemorativos, jornais clandestinos, boletins oficiais e outros.
Importante auxiliar para investigadores, historiadores, sindicalistas e sociólogos.
Trabalho de consulta indispensável nas bibliotecas dos estudiosos.

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Seara Nova – Antologia
Volume I

Sottomayor Cardia (Organização)


Seara Nova, 1972

O lançamento da Seara Nova em 1921 e basicamente, obra de três grandes figuras intelectuais: Jaime Cortesão, Raul Proença e Luís da Câmara Reys.
Director da Biblioteca Nacional, Cortesão era já figura de larga projecção literária e política.
A sua primeira intervenção política de certa importância parece ter ocorrido em 1908, nos primeiros dias de Fevereiro. Preparava-se a revolução republicana no Porto; colhidos de surpresa pelo regicídio, os dirigentes decidiram adiá-la para evitar confusões entre a instauração da República, que tinham por objectivo, e o atentado, a que eram estranhos. Em nome dos revolucionários do Porto, foi Jaime Cortesão incumbido de se deslocar a Lisboa, onde procurou Bernardino Machado, que lhe deu parecer desfavorável à ideia de uma revolução imediata.

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Seara Nova – Antologia
Volume II

Sottomayor Cardia (Organização)

Seara Nova, 1972
Um alto funcionário duma às nossas colónias do Extremo Oriente escreveu-nos estas palavras revoltantes e desoladoras:
Meu amigo, quando aí lia e dizia que o País estava enfeudado à alta finança, não fazia ideia da realidade funda e grave que isto representa.
As Colónias estão vendidas ao B. N. Ultramarino que lhes nega o melhor do seu trabalho.
Estamos nas mãos deles. Dominam completamente.
No Conselho Colonial, tribunal que resolve em última instância todas as questões coloniais, manda completamente.
Os vogais das diferentes colónias são deitas pelos maiores contribuintes e estes são satélites ou empregados do Banco!
Uma calamidade!
Não vejo possibilidades de o País lhes sair das garras; mas sempre seria conveniente dizer isto ao público, aí, do alto da «Seara».

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publicado por Carlos Loures às 18:00
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Lançamento de "Sobre as Causas do Atraso Nacional", de Fernando Pereira Marques

A Editora Coisas de Ler, a Fundação Mário Soares e o autor Fernando Pereira Marques, têm o prazer de convidar todos os colaboradores e leitores do Estrolabio para a apresentação da obra Sobre as Causas do Atraso Nacional - a realizar na próxima sexta-feira, dia 3 de Dezembro, pelas 18h00 no Auditório da Fundação Mário Soares (Rua de S. Bento, 160, 1200-821 Lisboa).  A apresentação da obra será feita pelos Professores  Eduardo Lourenço e Paulo Ferreira da Cunha.

O nosso amigo e colaborador Professor Fernando Pereira Marques convida todos os amigos do Estrolabio para o lançamento desta sua obra.
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publicado por Carlos Loures às 17:00
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Viver a rádio

Manuela Degerine

Não, estou a falar de outra coisa, rádio não é o que se ouve no carro, um sushi de 3 T, taças, tempo e trânsito; não é a rádio portuguesa. Em Portugal não consigo encontrar nada melhor do que as Antenas 1 e 2 – duas estações que, por razões distintas, não me satisfazem.

A Antena 1 é a rádio dos engarrafamentos: de manhã e à tarde. Os directores de programas não ouvem rádio, sem dúvida, por isso arrumaram-na no armazém das antiguidades, pensando que os portugueses também não ouvem, excepto quando se encontram presos no trânsito. Parece-lhes que ninguém ouvirá rádio por gosto e ainda menos por vício, mas apenas quando não tenha outra opção ou pior... outra maneira de matar o tempo. Por conseguinte, durante estas horas, as dos engarrafamentos, a rádio dá o melhor que tem e, entremeados com os 3 T, que se repetem, obsessivos, há uma ou outra crónica – que dura dois minutos. Lugares Comuns, às 9, O Senhor Comendador, às 19 horas. Por exemplo. Ou o Portugalex. E um ou outro debate, cortado, evidentemente, pelo estado do trânsito. Ou pela temperatura nas Penhas Douradas. (Não perceberam que os dez milhões portugueses se estão nas tintas para a interrupção da estrada entre Mosteiro e Vila Facaia. Ou para os menos dois graus nos píncaros da Serra da Estrela.) E o debate pode ser sobre futebol (à segunda-feira) ou, mais frequente, ser substituído por um desafio de futebol – claro. Esta rádio é apenas uma maneira de esvaziar as cabeças. É uma lavagem de cérebro. É na verdade uma forma de matar tempo. Fora destes momentos privilegiados de quase nada, a Antena 1 transforma-se em nada ao quadrado e, das dez à uma, das duas às seis, aos domingo e feriados, impõe os 3 T entremeados com música anglo-saxónica: na Antena 1 a cantiga não corre o risco de ser uma arma. Durante estas horas de máxima letargia, de acefalia comatosa, de Alzheimer radiofónico, quem abre e fecha as torneiras dos 3 T e da música é uma ou outra senhora que fica tristinha quando vê passar uma nuvem. As senhoras alternam com uma voz masculina (omitamos o nome), a qual despeja música quase sem comentários, nem sequer sobre o calor, tão bom para quem está de férias; devo-lhe contudo as mais belas pérolas da minha colecção. (Obrigada!) Por exemplo: numa tarde em que lançava uma entrevista (dois minutos) a propósito da edição do texto autobiográfico que inspirou o romance de José Saramago, este senhor terá ouvido ou lido mal, talvez lhe fizessem uma gralha, se calhar, de propósito (deve ser uma tentação para quem o rodeia) – e o título do romance de José Saramago metamorfoseou-se em Levantado do Balcão.

Com uma rádio destas, os portugueses que, ao contrário do que pensam os directores de programas, não são parvos – sim, os portugueses vivos e curiosos e maliciosos, que querem aprender, crescer, rir, informar-se, sonhar, ser estimulados – deixaram, claro, de ouvir rádio. (Não querem matar o tempo; preferem vivê-lo.) E têm razão: esta rádio é uma perda de cérebro. Por isso, quando me irrito com a rádio portuguesa, encontro uma uniforme indiferença; há muitos anos que os meus interlocutores não sabem o que é isto... Mesmo no carro, eles ouvem música.

Resta a Antena 2. Que tem, uma ou outra vez, bons programas. O maior defeito da Antena 2 é que não fala. Ou fala pouco E eu gosto de palavras. Quero uma rádio que fale comigo. Por isso, entre o futebol (Antena 1) e a ópera checa (Antena 2), não escolho: desligo o aparelho. Prefiro pensar em silêncio. Prefiro ler (se for possível). Prefiro ouvir um CD. Ou, na maior parte das vezes, ouvir a rádio France-Culture – ah, sim: graças à Internet. Ou, nos momentos em que, mesmo vivendo em Lisboa, sinto saudades de Portugal, oiço a rádio Amália; a qual, ao menos, transmite música portuguesa.

Ao invés do que pensam os directores de programa, a rádio pode ser ouvida fora dos engarrafamentos. Se tiver uma rádio de qualidade, ligo-a logo que me levanto, oiço rádio enquanto tomo o pequeno almoço, oiço rádio no duche, oiço rádio à hora do almoço, oiço rádio enquanto janto, oiço rádio antes de me deitar... Oiço três horas quotidianas de rádio. E, se tiver uma rádio que me apaixone, me prenda, me cative – oiço ainda mais rádio.

Nos outros países, em França, na Inglaterra, por exemplo, a rádio continua viva, criadora, enriquecedora – e necessária. Fala-se de rádio nos jantares entre amigos. Em Portugal, quando protesto contra a nulidade da rádio, fitam-me com perplexidade. Rádio? Não sei, não oiço. Não admira. No entanto há tanta gente que gostaria de ouvir uma rádio inteligente... Os desempregados. Os que trabalham em casa. Os que sofrem de insónias. Os que ouviriam rádio no emprego, se... Os escritores que fazem uma pausa... E muitos outros. São milhões de perdidos auditores. Ou de auditores insatisfeitos. Ou de auditores descontentes.

Um serviço público?... Eu diria antes: um desmazelo público. E aquilo que menos me agrada na rádio portuguesa é, na verdade, a imagem de mim que parecem ter aqueles que a fazem. Não, obrigada!
publicado por Carlos Loures às 16:30
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Aí vem a Cartilha do Ziraldo - página 18

publicado por CRomualdo às 16:00
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Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (13)

(Continuação)

A Igreja Católica do Chile reagiu, ao nível de hierarquia, violentamente contra ideias ateias, mas teve o respeito de nunca condenar ao projecto socialista. O que sim condenava era o ateísmo que as ideias da esquerda puderem trazer à população membro da Igreja Romana. O que o Episcopado não sabia era que o povo era mais devoto nos dias da Presidência de Allende, porque estavam bem, sentiam-se apoiados, motivo que levou a muitos párocos a colaborar com o socialismo: era uma situação de justiça solidária, base fundamental do credo cristão.


Se a Igreja Católica reagiu assim, de formas diferentes ao governo de Allende, o mesmo acontecia com a Igreja Anglicana e as teorias evolutivas. Sim, senhor leitor, não tenho esquecido que a minha desagregação do texto central, para visitar Allende, é apenas comparar situações em que pessoas destemidas, avançam com projectos que parecem contrarias as normas habituais, essas denominadas culturais, ou da por mim denominada, mente cultural, referida já por mim em 1990, no texto citado na nota de rodapé . A mente cultural anglicana ficou ofendida, especialmente entre os clérigos anglicanos de 1850, ao ser publicada a obra de Darwin, um devoto anglicano ele próprio que sabia separar a fé, da ciência e a razão . Allende não teve a mesma sorte: foi encontrado morto no Palácio Presidencial de La Moneda, Santiago, após os bombardeiros Hawkers –Haunters terem disparado rockets contra essa casa imensa e antiga, onde, no tempo denominado o Reyno do Chile, o arquitecto italiano Joaquin Toesca, construí entre 1786 e 1812, para cunhar moeda. Allende foi colocado numa caixa qualquer, selada com pregos e levada para um sítio onde ninguém puder saber que ai estava enterrado. Acompanharam o corpo a sua mulher Hortensia Bussi de Allende e a sua irmã, a Senadora ou Membro da Câmara Alta do Congresso chileno, a Dra. Laura Allende de Pascal. O corpo foi levado num furgão militar, esse 11 à noite, e sepultado num sítio qualquer no cemitério da afamada cidade de Viña del Mar, o de Santa Inés. É sabido que a sua mulher e a sua irmã saíram as ruas de Santa Inés para dizer a todos, aos gritos: “Sepan todos que aqui está enterrado el Presidente de Chile, Salvador Allende, muerto hoy por los rebeldes infieles del ejército de Chile! Verguenza sobre ellos!. Foram levadas à força pelos militares, sem o mais mínimo respeito as pessoas que eram, de volta à furgoneta e expatriadas. O Governo do México de forma gentil, ofereceu o mínimo, que é também o máximo em situações como essas: asilo político, avião e viagem para a nova casa na cidade do México. Laura Allende não foi capaz de aceitar a morte do seu bem amado irmão e a perca de um dos seus filhos, transfiro-se a Cuba. Onde em 1981, suicidou-se. Apenas mais tarde, o corpo do Presidente morto teve um funeral de Estado, em Caixa Funerária competente para a cerimónia, missa na Catedral de Santiago do Chile, funeral preparado pelo já Presidente eleito de forma democrática, o Dr. Patrício Aylwin Azócar, quem convidou Presidentes, Reis, Rainhas, Embaixadores de todos os países que mantinham relações diplomatas com a República do Chile . Como o Presidente da França François Mitterand estava doente e não podia assistir, solicitou ao meu amigo Jacques Chonchol para ser o seu Embaixador especial para a cerimónia. Jacques, proibido de entrar ao Chile como eu, entrou com passaporte diplomata, como cidadão francês. O mais emotivo foi o relato de Jacques, no seu regresso da viagem de 28 horas ao Chile: A caixa do corpo do Presidente Allende começou a ser levada num carro especial das Forças Armadas, reservada apenas para enterrar Presidentes mortos no exercício das suas funções. Mas, no caso de Allende, o corpo foi transportado ao ombro de multidões de operários, a pé, entre Viña del Mar e Santiago do Chile. Para ser possível este pedido, o novo Presidente democrata teve de pactuar com o operariado e a processão funerária começou a desfilar o dia prévio, esse 116 quilómetros de distância entre as duas cidades . A emotividade de Jacques fez-nos chorar profundamente, e ele também. Maria Edite, Jacques, Diogo, o filho deles, e eu, esse dia 6 de Setembro de 1990,em Paris, não conseguíamos parar o pranto emotivo dessa pequena restituição da eminência socialista do Chile, a Sua Excelência o Presidente Allende! A dúvida da morte: assassínio ou suicídio?, persistia, duas versões oficiais. A sobrinha Isabel , diz que foi morto, outros, suicídio. Mas, provas do que aconteceu, é que não há. Há a testemunha do médico pessoal de Allende que refere, por “conveniênça, que o Presidente tinha decidido renderse e depoñer as armas” .Absolutamento contraditória esta versão pessoal, dos discursos públicos do Presidente nesse dia 11. O novo ditador tinha mandado matar ao Presidnte, com a famosa frase: “Ehte huevón éh como una perra en celo. Se mata a la perra e sa acava la leva! Este maricón deve ser muerto, es tan orgulhoso, que ni siqueira se rinda! Hay que matarlo!” “Entón —segundo a testemuña do seu médico pessoal, Patricio Gijón, que regresou para levarse a súa mascariña antigás— com fusil AK-47, suicidouse disparándose no queixo, morrendo instantaneamente.” O médico pessoal do Presidente, que foi mostrado em televisão, vimo-lo, como o único a saber da morte do Presidente. Tinha a cara cansada e magoada, e as mãos por baixo da mesa entre a câmara de TV e ele, porque, dizem por ai...estava esposado! Os factos são controversos. A História é controversa e referida conforme as conveniências. Há o denominado Grupo de Amigos do Presidente ou GAP que, ao ver que o Presidente estava morto por suicídio, entregaram-se às Forças Armadas invasoras . Dois sobreviveram e relataram, já no exílio, que o Presidente tinha-se suicidado e que, por esse motivo, porque nada mais havia para fazer, renderam-se aos invasores do Palácio de La Moneda, aos assassinos do Presidente, mas nada relataram, diziam não saber nada. Mais tarde, já no exílio em Cuba, contaram a Fidel Castro a morte por suicídio do Presidente. O Presidente de Cuba, Fidel Castro, por conveniência, disse que Allende tinha sido morto a balas pelas forças do Golpe de Estado. É isto o que faz pensar, como a História é manipulada, usando os meus conceitos criados no meu livro publicado no ano 2.000, a verdade é conveniente ou adequada. Conveniente para os objectivos de quem fala, adequada às circunstancias que acontecem nesse minuto da vida histórica de uma pessoa ou nação. Era conveniente para Gijón relatar o suicídio de Allende, como para o ditador, para justificar o seu poder: não havia Presidente, ele podia substituir por causa de suicídio, como tinha sido no tempo do Presidente Balmaceda, já referido, quem, ao acabar o seu mandato, suicidara-se na Legação Argentina. Adequada para Fidel Castro referir o Assassínio do Presidente Allende, e justificar a sua luta contra a ditadura e defender a sua via cubana ao socialismo, que tinha sido em 1959, com guerra civil na Cuba de Batista. No meu ver, suicídio ou não, o Presidente foi morto pelo alçamento dos militares e o suicídio foi por causa de não querer ser mais um Presidente refém na América Latina, ou ser levado para um julgamento que evidentemente nunca seria parcial- o poder judicial não era autónomo, condenava a via chilena ao socialismo, ou, simplesmente, seria fuzilado de forma desonrada pelos generais rebeldes. O que for, são especulações que todo o mundo faz Há a testemunha da morte do Presidente, mas também há a testemunha dos membros do GAP, qual é a verdade? Os factos, de momento, não interessam, o que interessa é essa morte anunciada na qual nós não acreditávamos, porque “en Chile, estas cosas no pasan”, o nosso consolo em frente ao temor do golpe. E aconteceu! Como foi a morte, é, hoje em dia, de interesse académico e especulativo. Reitero que, suicídio ou não, alternativas não havia e, como digo em outro livros meus, se foi suicídio, foi o derradeiro acto de herói de um Presidente da República, que amava ao seu País e ao seu povo. Seja o que for, salvou a vida de muitos chilenos e a sua santa liberdade de optar, e essa morte foi a que abriu as largas Alamedas para ser atravessadas pelos homens e mulheres livres do Chile Socialista de hoje, 2008, para eles poderem desfilar, como disse Allende nessa manhã, já referida por mim antes. A nossa relação com Orlando Cantuárias Zepeda, era pela parte Zepeda, sobrinho de uma grande amiga da nossa Senhora Mãe, a Professora Aristocrata mas muito jogadora de dinheiro em Casinos e outros sítios, confidente do nosso Senhor Pai, Doña Julieta Zepeda Cantuárias, mãe do meu amigo da Infância, e até o dia de hoje, Agustín Vargas Zepeda e que foi preciso resgatar da prisão argentina, na qual esteve quatro anos submetido a torturas, e a sua mulher, anos mais tarde, esses os nossos amigos, Arquitecto ele, Doutora em Ciências Sociais e docente em Essex, Grã-bretanha, a sua mulher Lisi de Vargas, que é o nome que usa, como a minha mulher, que assina sempre como Glória González de Iturra, para o meu prazer, o meu amor e a minha emotividade. Esse o meu amigo íntimo que reencontrou aos seus filhos 4 anos depois, no avião que os levava para a Inglaterra, onde estávamos a sua espera no aeroporto a minha querida irmã Blanquita, a sua antiga namorada de juventude, mas nesses dia já casada com o referido psicólogo Miguel Toro Melo. Foi de imediato para a nossa casa, onde estiveram vários meses, até encontrarmos uma casa para eles, oferecida pela Faculdade o College Corpus Christi, encontrada para ele por um colega e amigo dos Estados Unidos, da Confissão Testemunhas de Jeová , cujo nome está nas minhas agendas, mas, de momento, tão dentro do Chile in mentae ou na minha mente cultural, que não consigo lembrar nem queria lembrar de momento, para não sair deste estado mental de estar no Chile, como eu me sinto agora! Aliás, há, no meio de todo, o Senador Hugo Zepeda Barrios . O parentesco era adoptivo, esse o meu amigo namorava à minha irmã, e eu namorava a sua prima, Maria da Luz Zepeda...., que queria casar comigo, aos seu 15 anos e eu, aos meus 18! Memórias, memórias. Memórias, essas memórias que aparecem quando escrevemos sobre nós! Ou sobre os nossos e as nossas experiências. Nunca mais acabamos!

Eu queria referir cá, para comparar Allende com Darwin, a reacção do Igreja Católica do Chile, já comentada, mas queria acrescentar o respeito que houve entra essa confissão e o Governo, já comentado por mim, mas queria acrescentar que o Cardeal Henríquez desejava Paz e Reconciliação e mandava pregar sobre isto . É preciso dizer que no Chile, desde a não relatada Cuestión del Sacristán, e a Constituição de 1833 foi modificada, separando os poderes entre a Igreja e o Estado . Até 1854, para nomear um Bispo, era preciso ter a aprovação da Presidência da República. O Presidente Santa Maria resolveu a situação e separou as interferências e declarou à República livre, sem religião oficial e aceitou a independência do Estado Vaticano e a existência de cemitérios para laicos, dai que no Santiago do Chile de hoje, há dois tipos de cemitérios, ou, aliás, três: laico, católico e dos denominados protestantes. Pelo que Allende herdou um Chile não confessional, mas com um imenso peso do poder dos católicos na vida quotidiana. Peso que esteve também no crescimento da denominada Teologia da Libertação, de criação do Sacerdote Peruano Gustavo Gutiérrez e do Brasileiro Leonardo Boff . Não era apenas uma ideia, era todo um movimento que o Vaticano tentou parar, mas Boff , Sacerdote da Ordem de São Francisco, foi chamado ao silêncio respeitoso e colocado sob a custodia do Cardeal Austríaco Ratzinger, hoje o Pontífice da Igreja Católica, o Papa Bento XVI . No entanto, foi impossível todos estávamos a estudar essa nova teologia. Aliás, não foi apenas um saber, foi um movimento de emancipação das rígidas regras do Estado Vaticano, que intervinha, normalmente, na vida dos seres humanos, sacerdotes e laicos e Governos, até o ponto de quase fazer ineficaz essa separação de poderes entre Igreja e o Estado.

Essa separação da Igreja do Estado, consagrada na Constituição do Chile de 1925, sob a Presidência de Arturo Alessandri Palma, o primeiro não aristocrata a governar a República e o país em geral, apenas faz legal o facto de esses dois poderes estar virados de costa. Em 1851, baixo a Presidência de Manuel Montt, acontece a denominada “Questão do Sacristão”. Qualquer cargo eclesiástico devia ser sancionado pelo Presidente da República. O Arcebispo Lastarria, sem consultar ninguém em 1851, nomeia um Padre como Sacristão da Catedral de Santiago, o que causara um desentendimento factual entre os dois poderes que mandavam no Chile, a Igreja, dominada pelos políticos denominados Conservadores, e o Estado, orientado pela lei liberal e maçónica herdada de O’Higgins e consagrada na Constituição de 1833: o Presidente dava a sanção às mudanças de categoria dentro da Igreja Chilena, uso que advinha desde os tempos que o Chile era Reyno da Coroa de Espanha. .

Este era o Chile que herdou Allende e que tentou organizar, mas era diametralmente diferente das aventuras desse país que, é dito, tem nome e apelido. Toda e qualquer pessoa, especialmente ao comemorar a Independência da Coroa da Espanha, uma guerra quase impossível, mas finalmente acabada em 1902, como já referi antes, acaba por ser muito chileno, donde, o Chile tem dois mitos; O Roto Chileno , em português um descosido, a figura nascida das guerras contra a confederação Perú - Bolívia, duas vezes durante o Século XIX, e o apelido do Chile, nascido em 7 de Junho de 1880, na segunda guerra entre Chile e a dita Confederação, quando foi a toma do denominado Morro de Arica, entrada para o limite do Chile e o Peru, ao Norte, na hoje chilena Província de Arica, antes do Peru, esse monte imenso de pedra calcária, preciso de ser tomado, como o foi, escalando com facas introduzidas na pedra, uma trás outra, como escada, até atingir o cimo. Foi assim que nasceu a palavra roto, e o apelido do Chile, esse 7 de Junho e que é comemorada a 20 de Janeiro, todos os anos, para afincar mais a diferença de classe social . O apelido, foi a exclamação gritada pelos trabalhadores rurais ou inquilinos, já definidos por mim antes no texto que escrevo, e era o de : “Viva Chile, Mierda”! Foi durante essa guerra que aconteceu uma derrota convertida em vitória ou a mitificação da verdade. O barco blindado Huáscar do Perú, atacou a única fragata chilena, a Corbeta Esmeralda, comandada pelo Capitão Arturo Pratt Chacon e o seu segundo, o tio bisavô das minas filhas, o tenente Ignacio Serrano Montaner, tio da minha sogra que, se for viva , teria hoje 108 anos! Ao serem atacados, fizeram da derrota um vistoria de honra e louvor. Eram das denominadas “buenas familias”, que morreram sem necessidade, como é dito por ai! Daí que, ao ver perdida a batalha, O Capitão Pratt gritou: “A la abordaje, chilenos! El que sea valiente, que me siga... !”, frase gravada na História e na memória chilena até hoje. Mal saltaram ao Huáscar, que em língua quechua é ferro, foram baleados e assassinados, chacinados, diria eu, de tal maneira, que o capitão do Huáscar enviou uma carta a mulher de Arturo Pratt , para pedir desculpas pela morte do marido e dar os seus sentimentos pela perca e a dor que ele tinha causado em ela . Sete anos depois, ao ser repatriados os restos de Pratt e Ignacio Serrano Montaner , para ser sepultados no imenso Mausoléu especialmente construído na baixa da cidade de Valparaíso, em frente da sede do Governo ou Antiga Intendência, onde todos os anos há honras nacionais, com desfiles das Forças Armadas e dos Colégios, eu próprio desfilei, preparados como éramos, por um capitão do exército, professor de ginástica e esgrima, sem saber que um dia...Allende ia herdar o País e os seus mitos.

Notas:
 
Iturra, Raúl, 1990 b):A Construção Social do Insucesso Escolar. Memória e Aprendizagem em Vila Ruiva, Escher (hoje Fim de Século), Lisboa. Ver comentários em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+Constru%C3%A7%C3%A3o+Social+do+Insucesso+Escolar.+Mem%C3%B3ria+e+Aprendizagem+em+Vila+Ruiva+&btnG=Pesquisar&meta= ou o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+Constru%C3%A7%C3%A3o+Social+do+Insucesso+Escolar.+Mem%C3%B3ria+e+Aprendizagem+em+Vila+Ruiva+Texto&meta= Apesar de procurar o texto para fornecer ao leitor, apenas leio autores a citar o meu trabalho ou a comentar o mesmo.



Bem sei que tenho referido Darwin e os sítios net antes, mas o leitor poderia, talvez, visitar outro sítio para entender o respeito que sentia este devoto anglicano às crenças dos seus pares na ideia religiosa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Reac%C3%A7%C3%A3o+Igreja+Anglicana+Darwin++Evolucionismo&btnG=Pesquisar&meta= ou o sítio net: http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin's_views_on_religion . A ideia era enterrar Charles Darwin na sua terra local, mas a Igreja Anglicana disse que não era o sítio para um cientista agnóstico, como era qualificado nesse tempo. Teve melhor sorte, foi enterrado na Abadia de Westminster, no cantos dos sábios de Reino Unido, como explica Filipe Furtado no seu texto colocado na net, sem data: O ANO DA MORTE DE ‘‘CARLOS’’ DARWIN: HOMENAGENS PORTUGUESAS AO ‘‘NEWTON DA BIOLOGIA’’. Retirado da página Web: http://www.fcsh.unl.pt/congressoceap/filipe-furtado.doc e do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Charles+Darwin+Igreja+Anglicana+Funeral&btnG=Pesquisar&meta=






para saber mais sobre La Moneda, como é denominado o Paço, visite o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Palacio+de+la+Moneda+Toesca&btnG=Pesquisar&meta=


Sobre a Senadora Laura Allende, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Laura+Allende&meta= . Sobre a sua vida, a página web da Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Laura_Allende


Funeral de Estado do Presidente Salvador Allende, em página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Allende . Não resisto citar parte do que diz a Wikipésia: Teve um funeral com honras militares em 1990.


Para saber mais de François Mitterand, cuja Presidência foi a mais prolongada da República da França, ver sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Lista+Presidentes+da++Rep%C3%BAblica+da+Fran%C3%A7a&btnG=Pesquisar&meta= ou página web: http://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Mitterrand


O relato está na página web protegida,do sítio net: http://scholar.google.com/scholar?q=1990+Relato+do+funeral+de+Estado+do+Presidente+Allende&hl=pt-PT&um=1&ie=UTF-8&oi=scholart : pagina protegida http://laberinto.uma.es, texto em pdf, título: La muerte del Presidente Allende, 30 años después


Isabel Allende Llona, como referi antes, não é apenas a melhor escritora romancista da América Latina, bem como a sobrinha do Presidente Allende, filha do seu primo consanguíneo Tomás Allende o que deve ser, imagino, para ela, o seu melhor galardão. Como eu costumava dizer, ao apresentar um livro meu, com o meu querido amigo e colega no processo de ensino - aprendizagem, Daniel Sampaio, na Cidade da Guarda , nesse Sábado 30 de Junho do ano 2000, assinava o livro a 20 de Junho, dia dos nascimento do meu primeiro neto, Tomas Mauro van Emden, anglo-neerlandês. Todos diziam que estava enganado, e a minha resposta era simplesmente dizer: não, este é o dia em que eu fui avô, o meu melhor prémio, o meu melhor grau académico, por estar além dos deveres da Cátedra! Nesse dia apenas, assinei mais do que 200 livros! Quando Daniel Sampaio apresentou a obra e o meu currículo, começou por dizer: Apresento-vos ao avô Raúl, porque ele diz ser o seu melhor galardão esse facto de ter um neto! O que diz Isabel Allende, não sei, mas posso perguntar. Para saber mais de Isabel Allende, visite o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Isabel+Allende+Llona&btnG=Pesquisar&meta= e a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_Allende ou a Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Isabel_Allende Diz o texto, escrito em inglês, que Isabel Allende é sobrinha de Salvador Allende, porque no Chile Castiço, é sempre considerado tio esse adulto primo directo de um dos nossos genitores, enquanto nas linhas de parentesco saxónicas, esse adultos são considerados primos em 2º grau do primo directo ou: with Isabel thus being first cousin, once removed)[2] [3] [4] of Salvador Allende, the President of Chile. Ela comenta em uma entrevista:


No Chile, a presidente Michelle Bachelet é socialista. Existe alguma coisa em comum com os ideais de seu tio Salvador Allende? E o Hugo Chávez e Evo Morales?


Todos têm em comum o desejo de terminar com a pobreza, estabelecer justiça, incrementar os serviços sociais para ajudar os mais necessitados. Salvador Allende teria um sonho socialista de fazer profundas reformas no marco democrático do Chile, mas isso foi há mais de 30 anos, quando o mundo estava dividido pela Guerra Fria. O socialismo moderno combina necessariamente com o capitalismo para obter progresso económico. Entrevista na denominada Ego Entrevistas: a 29 de Setembro de 2007 http://ego.globo.com/ENT/Entrevista/0,,ENN803-5279,00-ISABEL+ALLENDE.html Sobre a morte do seu tio, diz que o seu tio foi assassinado por haver várias formas de matar pelos rebeldes. Ver entrevista 23 a 25 de julho de 2007 USP – São Paulo, Brasil na página web: http://www.abralic.org.br/enc2007/anais/62/1092.pdf . Na minha pessoal opinião, suicídio ou não, não interessa, o Presidente não tinha saída, ia ser morto de várias maneiras, como diz o documento electrónico em disco compacto ou CD: 11 de Septiembre de 1973, referido por mi antes em este texto, ao falar do livro da escritora Patricia Verdugo e Mónica González, pode aceder ao CD: El CHILE de Salvador Allende vs. el dictador genocida Pinochet


Documental multimedia "Chile, entre el dolor ... y la esperanza". Contenido del CD doble de Patricia Verdugo, periodista de U. Católica y Mónica González, periodista U. de Chile editado en Santiago de Chile el 11 de septiembre de 1986: em http://www.profesionalespcm.org/Chile/CDDocumentalChile.php Há os que dizem que falar de suicidio é parte da campanha do terrorismo psicológico da Junta Militar e, mais tarde, da propia policía secreta do ditador. Seja o que for, Allende foi traído. Não consigo esquecer quando o meu conhecido Orlado Cantuarias, tradicionalmente amigo de família por parentesco e tradição secular, Ministro de Minería do Gabinete de Allende, também Presidente do Partido Radical do Chile, foi no dia 11 referido, a falar com o Senhor Presidente e perguntou: “Compañero Presidente, y qué hacemos ahora?” y Allende respondió: “Mierda, carajo, y solo ahora me viene a preguntar? Porqué no habló antes? O quería ser el pituco (betinho em português) que me despreciaba por ser materialista? Nunca estubo conmigo y me llama compañeo! Váyase de inmediato!”, narrado a mi pela viuva do Ministro de Relações Exteriores do Chile, Margarita Letelier, já referida antes, mas, que deve aparecer outra vez. Cantuarias era filho do Reitor do Colégio Internato Diego Barros Arana, esse historiador do Chile que aconselhou ao Presidente Balmaceda, também já citado antes, que entregasse a Patagónia do Chile à República Argentina que a reclamava e assim evitar mais uma guerra com parceiros de Independência, limites e tradição cultural. Anos mais tarde, a Argentina ficou rica porque a área onde sitiada a Patagónia tinha petróleo, o que nunca foi perdoado ao famoso historiador. Para saber de Orlando Cantuárias, que ao sair do Palácio, foi aprisionado de imediato pelo exercito e levado, mais tarde ao Sul do Chile, à Ilha Dawson, onde todo o ministério esteve prisioneiro por meses sem fim, até que o protesto internacional os libertou. Ver sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Orlando+Cantu%C3%A1rias+Ministro+de+Allende&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Para o Gabinete de Allende, ver página web: http://www.salvador-allende.cl/Unidad_Popular/Gabinetes/ministros.html


















Citação retirada da Enciclopédia Galega on-line, já referida


Frase retirada do meu registo de som do CD 11 de Setembro.


Gijón dende o 11 de setembro ten dito publicamente que Allende suicidouse, o que lle valeu o rexeitamento dos seus compañeiros de esquerda. Ver lembranzas da súa testemuña en Radio Cooperativa. Retirado do sítio Net da Galiza: http://gl.wikipedia.org/wiki/Salvador_Allende#O_11_de_setembro Médico recuerda que Allende dijo: "Ríndanse, esto es una masacre". Como é evidente, é sabido que Allende foi morto e que Gijón estava a tentar salvar a sua vida ao referir, a única pessoa aliás como testemunha universal de uma morte infame, o suicídio do Presidente. Foi instruído, como hoje sabemos, pelos militares que o tinham torturado antes, para identificar a arma do suicídio, porque nas salas de aulas médicas não há ensino balístico e de armamento. Como ia ele saber da arma referida no texto! Tentou lavar a sua fama, mas não conseguia. Em 2002 disse: “El médico personal del Presidente Salvador Allende, Patricio Gijón, recordó que el 11 de Septiembre el Mandatario les pidió que se rindieran, ya que el ataque a La Moneda sería "una masacre". En entrevista con El Diario de Cooperativa, recordó que cuando encontró al Mandatario tendido en un sillón del salón Independencia "no había absolutamente nada que hacer".Razão tem Isabel Allende, a sua sobrinha, de que Allende foi morto. Aliás, há um comunicado do Coronel que assaltou La Moneda que diz: “Misión cumplida. Moneda tomada, Presidente muerto”. Quem falava era o General Palácios, que torturou prisioneiros de uma formas nunca antes sabidas, que o que sim sabia, era mentir a torto e direito. A seguir, a minha fonte galega diz: “Os seus restos foron soterrados no Cemiterio Santa Inés de Viña del Mar, sen unha placa que o identificase, nunha discreta cerimonia na que só puideron asistir Hortensia Bussi, Laura Allende e dous sobriños do presidente, Patricio e Jaime Grove, ademais do comandante da FACH Roberto Sánchez”[42].


Case 18 anos despois, o 4 de setembro de 1990 por orde do novo Presidente Demovrata, Patricio Aylwin, Salvador Allende recibiu un novo funeral, pero esta vez masivo e con honores de Estado que lle correspondían como ex-mandatario. A minha fonte vem da minha bem amada segunda Pátria, Galiza, denominada Ceibe(Livre, em luso-galaico) e Socialista. Ver a Galipedia, a wikipedia en galego.














Referido a mim ao telefone, por um antigo membro do GAP, o psicólogo dos Amigos do Presidente ou Guarda pessoal do Dr. Salvador Allende, cujos nomes guardo por conveniência da sua paz. Mais uma manipulação da história, é com os leitores acreditarem ou não. O que era o GAP, está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+1973+Allende+GAP&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= especialmente sítio: www.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/09/10/000.htm , em especial, a página Web que relata a morte do Presidente do Chile: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/09/10/000.htm, texto que diz ao começo: Até o ano de 1973, a república chilena era uma excepção na história política latino-americana. Ela não participara da triste crónica dos golpes militares da América Latina. Um regime civilista estável e forte, garantido pela constituição democrática de 1925, dominava os poderes tradicionais, fazendo com que as Forças Armadas chilenas, ao contrário dos seus vizinhos argentinos, se mantivessem numa tradição de respeito às instituições do estado. O Chile, junto com o Uruguai, formavam um dos regimes políticos mais estáveis do Continente. No entanto, a partir do dia 11 de setembro de 1973, tudo mudou. A derrubada do presidente Salvador Allende, obra de um violentíssimo golpe militar, conduziu o Chile a padecer por 17 anos sob uma ditadura – uma das mais cruéis e impiedosas da história latino-americana.


Testemunhas de Jeová, é uma confissão que afirma orientas a sua vida pela Bíblia e pela vida Jesus. “As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas pela sua regularidade e grande persistência na obra de evangelização de casa em casa e nas ruas”. Frase retirada da página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Testemunhas_de_Jeov%C3%A1 , do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Testemunha+de+Jeov%C3%A1&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Essa persistência das Testemunhas, foi o que me valeu ter casa para o meu amigo dentro de uma semana, e uma série de visitas a minha casa, para explicar porque “hoje não tinha sido ainda possível”, bem como assistência a sua Igreja e os seu cultos. Mas, o fiz com simpatia e agradecimento e respeito eterno.


Senador Hugo Zepeda Barrios, defensor da Soberania do Canal Beagle, no Extremo Sul do Chile, do qual Argentina queria- se apoderar. Para saber do Senador, importante personagem no História do Chile, ver sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=1960+Chile+Senador++Hugo+Zepeda+Barrios&btnG=Pesquisar&meta= ou pagina web: http://www.soberaniachile.cl/cds.html sobre a Corporación de defensa de la Soberanía de Chile, ou a página web: http://www.soberaniachile.cl/cds.html#sub1


Ver o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=1970-1973+Salvador+Allende+relaciones+Iglesia+Cat%C3%B3lica&btnG=Pesquisar&meta= ou a página web:


Para saber mais da separação de poderes, visitar o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Separa%C3%A7%C3%A3o+de+poderes+Igreja+Cat%C3%B3lica+Estado+Chile+S%C3%A9culo+1870&meta=


Para saber mais de teologia da libertação, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Separa%C3%A7%C3%A3o+de+poderes+Igreja+Cat%C3%B3lica+Estado+Chile+S%C3%A9culo+1870&meta= ou os sítios web: http://blog.controversia.com.br/2007/06/02/leonardo-boff-fundador-da-teologia-da-libertacao-sou-um-cigano-teologico/ e o sítio Net: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=1375


O livro de Boff de 1981, o único que tenho comigo, é o escrito no ano 1981: Teologia da Libertação. Igreja, Carisma e Poder, Editora Vozes, Brasil, oferecido a mim por uma amiga brasileira, antes de Boff ser chamado ao silêncio no qual baseio parte do meu livro referido (1991 1ª edição)2001, 2ª edição, Fim de Século, Lisboa e que eu uso para esse livro denominado: A Religião como Teoria da Reprodução Social. Com todo, não resisto citar o que aconteceu ao autor do texto referido, por causa de esse e outros livros: “Em 1985, foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso”, perdendo sua cátedra e suas funções editoriais no interior da Igreja Católica. Em 1986, recuperou algumas funções, mas sempre sob severa vigilância. Em 1992, ante nova ameaça de punição, desligou-se da Ordem Franciscana e do sacerdócio. Participa da Igreja enquanto militante leigo. Continua o seu trabalho de teólogo nos campos da Ética, Ecologia e da Espiritualidade, além de assessorar movimentos sociais como o MST e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)”. Troço de texto retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_Boff As minhas incursões dentro do campo da Teologia da Libertação, que até o dia de hoje continuam, valeram-me um convite para proferir Seminários na Universidade Católica da Bélgica Francesa, ou Louvain – la - Neuve, publicado a seguir na Revista Social Compass: Revue International de Sociologie de la Religion, XXXII/I, Ed em UC Louvain, , que me fez escrever o texto publicado na edição citada: “Marriage, Ritual and Profit: The Production of Producers in a Portuguese Village (1862-1983)”, pp. 73-92. Uma das minhas várias incursões dentro da Teologia da Libertação, conhecida para mim no Chile de Allende como Teologia de la Liberación.


Leonardo Boff foi condenado ao silêncio, mas nunca deixou de escrever as suas ideias. Tal como tive a sorte e a honra de conhecer pessoalmente a Fidel Castro, ao Abade dos Pobres, o francês Abée Pierre, tive a sorte de ver em reunião a Leonardo Boff, quem disse. “Bom não me deixam falar, escrevo então”, em Lisboa, 1985. A sua bibliografia é impressionante se o leitor deseja saber, visite a página web: http://www.leonardoboff.com/site/publica/bibliografiaboff.pdf


Para saber mais, visite a página web: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/chile/historia-do-chile-2.php . Para o conflicto, a página 2 da web citada, que diz: A Questão do Sacristão deu origem a um conflito entre a Igreja Católica do Chile e o Estado, resolvido apenas no século seguinte, como digo no texto, uma consagração da separação do poder da Igreja Católica do poder do Estado, que, com todo, o Estado sempre respeitou sem interferir nas decisões da Católica Igreja Chilena. Para saber mais, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+do+Chile+A+Quest%C3%A3o+do+Sacrist%C3%A3o+&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= ou a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile


O dia é denominado El dia del Roto Chileno. Para saber mais, visite a página web: http://www.chile.com/tpl/articulo/detalle/ver.tpl?cod_articulo=96388 Diz: Celebran al Roto Chileno en Alemania, que acrescenta: La agrupación folklórica “Puelche” realizará un evento que busca revivir las tradiciones nacionales…






El próximo sábado 26 de enero a las 19:30 horas el grupo folklórico “Puelche” celebrará el día del Roto Chileno para todos los compatriotas residentes en Alemania.


El evento se realizará en un escenario al aire libre donde los asistentes podrán cantar, bailar, recitar, payar o contar chistes. Además, se ofrecerán platos típicos de Chile como porotos con rienda acompañados de cebolla en escabeche y pequén con ají.


Para la sed los comensales podrán elegir entre vino tinto y blanco, cervezas, el clásico pisco sour, bebidas y el infaltable jote o tincola


Tenho acrescentado este texto pela dificuldade de encontrar dados sobre esta festa, esquecida ou apagada da memória dos chilenos. Poucos somos os que lembramos o facto cultural.


Bem como é possível ver página web: http://blogs.elmercurio.com/columnasycartas/2008/01/20/dia-del-roto-chileno.asp O texto vou copiar completo nesta nota de rodapé: Cartas


Domingo 20 de Enero de 2008


Día del Roto Chileno


Señor Director:


Cada 20 de enero se celebra la fiesta popular del Roto Chileno, de antigua data en nuestro país.


Esta fecha se transformó en efeméride nacional para honrar un hecho de armas del Ejército de Chile: la Batalla de Yungay, ocurrida en 1839. (referida no sítio web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Mem%C3%B3ria+de+Chile+Batalha+de+Yungay+&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= .Nota acrescentada por mim para orientar ao leitor. Esta batalha aconteceu na guerra contra a Confederação Peru Boliviana, ao Norte do Chile. Yungay, era e é da República do Peru, conquistada pelo exército chileno na mencionada guerra. No entanto, ao Porto Yungay, no Sul do Chile, na localidade da Patagónia Chilena, a 1300 quilómetros ao Sul da Cidade de Puerto Montt. Refiro esto, pata o leitor não se enganar ao consultar nomes e geografias)


Hoy en día los chilenos honramos la memoria de una batalla que ocurrió hace más de siglo y medio, y la gente se reúne en la Plaza Yungay, al pie del monumento al Roto Chileno, obra del insigne escultor nacional Virginio Arias. La hermosa estatua también tiene su historia y enlaza las tres guerras en que hemos combatido: la de la Independencia, la contra la Confederación y la Guerra del Pacífico.


Cuando Arias estaba becado en París, modeló esta obra teniendo como inspiración la figura de Justo Estay, aquel arriero chileno que colaboró con el Ejército Libertador en el paso de los Andes durante la lucha por la Independencia. La estatua obtuvo premios en exposiciones europeas.


Posteriormente, en plena Guerra del Pacífico, cuando nuestras fuerzas, demostrando coraje y amor patrio, obtenían victorias, la imagen de Chile en el Viejo Continente era mala. El embajador de Chile, don Alberto Blest Gana, con el fin de desmantelar estos propósitos de los enemigos de nuestro país, tuvo la iniciativa de exhibir algunas obras de arte de creadores chilenos. El embajador le solicitó a Virginio Arias la escultura del arriero para mostrarla en París. Así se hizo, y de esta forma se vinculó la obra a la Guerra del 79.


Tiempo después, el gobierno chileno adquirió la estatua para instalarla en la Plaza Yungay y de esa forma honrar el recuerdo de esa batalla y, sobre todo, destacar la bravura del soldado, del pueblo en armas; en una palabra, del Roto Chileno. He aquí el tercer vínculo del monumento: la guerra contra la Confederación.


Desde la segunda mitad del siglo XIX, son tradición y costumbre los actos patrióticos con que se conmemora cada 20 de enero la Batalla de Yungay. Autoridades civiles, militares y eclesiásticas, más los vecinos y diversos grupos folclóricos, se auto convocan en la mañana de ese día para dar testimonio de su irrenunciable condición de chilenos. Hermosa tradición que todos los años reúne, hermana y junta personas de muy distinta condición.


Germán Becker Ureta


Ou ver a página web: http://www.servicioweb.cl/efemerides/enero/enero_20.htm que refere: Batalla de Yungay, ganada por el General Bulnes, General en Jefe de las fuerzas chilenas del Ejército Restaurador, que vence completamente a las tropas de Santa Cruz. Acción decisiva en la Guerra contra la Confederación Perú-Boliviana. Bulnes pidió por única recompensa la reincorporación de todos sus compañeros dados de baja y especialmente de O´Higgins. Se dedica este día para conmemorar al Roto Chileno en homenaje al héroe de esta jornada. La mañana del día 20 de enero de 1839, se preparaba en Yungay la que sería la batalla final. Las fuerzas chilenas, al mando de don Manuel Bulnes, estaban en franca minoría frente a los confederados. Los soldados del Protectorado acampados en el lugar sumaban unos 6.100, según la cuenta general realizada tras las bajas de Buín y luego del envío de un batallón (el "Pichincha") hacia Huaylas. Los hombres bajo el mando de Quiroz, en la estratégica posición del cerro Pan de Azúcar, eran 600, misma cantidad de uniformes en la caballería dispuesta en la retaguardia de Yungay, en la aldea de Ancach, República do Peru. Los chilenos, en cambio, llegaban a 4.467, y les acompañaban unos 800 reclutas voluntarios peruanos contrarios a Santa Cruz










para saber mais, visite a página web da Enciclopédia Wikipédia em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+do+Chile+Guerra+1879++Toma+Morro+de+Arica&btnG=Pesquisar&meta= Por ser a data do meu aniversário, o meu Senhor Pai, gostava, especialmente quando eu me opunha a ele, denominar-me “el roto Raúl!”, para desgosto da minha Senhora Mãe que, Espanhola directa como era e não sucessora de uma antiga linhagem basca, não entendia porque ei era denominado assim, considerava uma ofensa! Eu, que sabia, nada dizia, não era preciso falar, o senhor em fúria....era como Allende com Cantuárias. Allende, o único candidato à presidência quatro vezes, capaz de acabar os seus discursos com um “Viva Chile, mierda!” palavra referida como o Apelido do Chile, e o povo delirava. Nunca um Senhor Dr., Senador, de classe aristocrata e, eventualmente, futuro Presidente, tinha assim falado. Talvez o mais próximo for o primeiro Presidente da denominada classe média, que começava os seus discursos com a frase: “Mi querida chusma!”, palavra Mapudungum que significa povo da terra


A biografia de Arturo Pratt Cacon, pode ser lida no sítio net: http://www.123.cl/secciones/educacion/tareas/biografias/arturo_prat.htm que diz, ao começo: Una de las figuras más conocidas y simbólicas de la Historia de Chile. Se le recuerda por su actitud heroica en el combate Naval de Iquique del 21 de mayo de 1879. A los 25 años, Arturo se enamoró de Carmela Carvajal Briones y cuando fue nombrado capitán de corbeta se casaron. Ella tenía 19 años. La pareja tuvo tres hijos, el primero de los cuales murió a los ocho meses de haber nacido. Luego nacieron Blanca Estela y Arturo. Advogado e oficial da Marinha chilena, é figura mítica. Os Pratt do Chile são conhecidos por todos!






Carta del Capitão Grau à viuva de Arturo Pratt: ver sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+do+Chile+Guerra+1879+Combate+Naval+de+Iquique+Pratt+Serrano&btnG=Pesquisar&meta= página web do sítio: momentosinolvidables.bligoo.com/content/view/79305/una_etapa_de_transicion.html


A biografia desse o nosso parente, pode ser lida em: http://www.armada.cl/site/tradicion_historia/historia/biografias/227iserr.htm Parte da biografia diz: En 1875, nombrado ya Teniente 2º, regresó a la Escuela Naval como instructor encontrando como Subdirector a Arturo Prat. Lo acompañó hasta el 31 de octubre de 1876 en que fue nombrado Subdelegado Marítimo de Tomé, desempeñándose en este puerto una labor muy activa. Allí vivió con su esposa, la dama ancuditana doña Emilia Goycolea Garay, quien durante la Guerra del Pacífico perdió a su marido y a su hermano Eulogio, ambos muertos heroicamente. En su cargo, emprendió la tarea de levantar el plano de la bahía de Coliumo y aldea de Dichato. Solicitó que se dejara a su cargo al instrucción militar de los alumnos de las dos Escuelas de Hombres, habilitó el muelle que grandes temporales habían inutilizado, obtuvo vestuario completo para la policía, hizo estudios de agrimensor y alcanzó a hacer varios trabajos en esta profesión.

(Continua)
publicado por Carlos Loures às 15:00
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Semana da Economia - Exportações a crescer - a única forma de pagar a dívida

Luis Moreira

São coordenadores Luis Valadares Tavares, Abel Mateus e Francisco Saarsfiel Cabral, economistas que reunem num livro(Reformar Portugal - Estratégias de Mudança) o muito que já se sabe que é preciso fazer mas que os vários governos não realizam. Porquê? Porque o Estado está há séculos amordaçado pelas corporações poderosas que não deixam mexer nada. Mas leiam:

"Passaram séculos e é hoje chocante a verificação do pouco que portugal mudou durante este período, com os mesmos erros serem repetidos vezes sem conta e em que o Poder do Estado é usado para impedir a sociedade, nomeadamente os agentes económicos, de se organizarem de forma sustentada e aproveitarem as novas oportunidades, que os diferentes tempos foram propiciando.

Que melhor exemplo do que o condicionamento industrial de António Salazar? Ou a política nacional de saber ler,escrever e contar, durante o mesmo período? Ou as nacionalizações após o 25 de Abril? Ou as dificuldades criadas à indústria exportadora nacional, pela política de valorização do escudo de Cavaco Silva? Ou o fim de uma longa tradição de artes e ofícios, com a morte do ensino profissional?

Em portugal a existência de um estado central poderoso , por vezes déspota, quase sempre ignorante e indisciplinado, mas suficientemente hábil para se servir a si próprio e para permitir, ao mesmo tempo, a satisfação dos interesses dos grupos sociais mais poderosos, sempre impediu, ao longo dos séculos, a diversificação da economia, da mesma forma que evitou crises necessárias e mudanças renovadoras, no momento em que estas teriam sido úteis. A descolonização feita tarde e a más horas é outro exemplo recente."

E quanto aos nossos empresários, à sua qualidade, à sua renúncia ao risco, sem conhecimentos de gestão, cujas empresas fogem dos impostos e caminham sem estratégia? A verdade é que em Portugal existiam em 1999, 259 641 empresas,logo muitos arriscam, a não ser assim não existiriam aquelas empresas, cheias de problemas burocráticos levantados pelo estado, muitas delas concorrem nos mercados internacionais com sucesso.

A verdade é que representam 60% do PIB, 70% das exportações e 80% do emprego! Já algum de nós deu conta que são uma prioridade para o governo seja ele qual for? E porque é que os portugueses têm sucesso lá fora? E porque é que as empresas estrangeiras passam a vida a queixar-se dos constrangimentos impostos pelo estado, embora tendo capacidades muito diferentes para os tornear porque são empresas multicionais?

Trata-se de criar riqueza, é esse a mãe de todos os problemas! E quem cria riqueza é a iniciativa privada, os cidadãos com coragem para arriscar e prosseguir objectivos, bens e serviços que se vendem na exportação e substituem importações. E, como se vê, pelos últimos dados, é a exportação das PMEs que está a puxar pela economia, com grande júbilo do governo que até há dois meses atrás apostava nas grandes obras públicas.

Enquanto o estado for esta pessoa de "má - fé", incompetente, anafado e gastador o país não sairá da miséria. Um Estado que tem como objectivo encher o país de funcionários!

Não resisto a contar-vos uma história passada comigo em Manchester, no Reino Unido. Numa reunião com empresários Ingleses interessados em vir para Portugal para aproveitar a modernização do nosso parque hospitalar, então em grande força, um dos empresários, pediu a palavra para dizer. Meus senhores, eu já investi em Portugal.Tive um problema empresarial que me obrigou a recorrer aos Tribunais. Meti a acção há cinco anos e, desde então, que estou à espera de uma comunicação do tribunal. Nunca recebi resposta nenhuma.É assim que se trabalha em Portugal. Boa tarde e muito obrigado! Saíu pela porta fora.

As poderosas corporações que mandam no estado, que não reportam a ninguém, que não são avaliadas, em que ganham todos o mesmo sem que se aprecie o mérito, são os inimigos da modernização do nosso país.

O igualitarismo empurra os estados para a mediocridade, nunca se nivela por cima, nivela-se por baixo, chegamos todos ao topo da carreira, como se o trabalho fosse igual e os resultados os mesmos. Não são! E, depois, aparecem uns senhores que ganham mais que o Governador do Banco Central dos Estados Unidos! No meio da bagunça "uns são mais iguais que outros"!

E a questão, quanto à dívida, é a capacidade de a pagar,países que crescem, sistematicamente, a 4% não têm o mesmo problema de outros que, como o nosso, cresce abaixo dos 1% e, nos últimos cinco anos, a taxa de crescimento acumulada foi mesmo negativa..

Pagamos a dívida, empobrecendo.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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