Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Nobel da economia defende bancos do Estado



Luís Moreira


Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia defende que se os bancos não emprestam à economia real, Pequenas e Médias Empresas e famílias, então os estados deveriam criar os seus próprios bancos. "Nos Estados Unidos entregamos à banca 700 mil milhões de dólares.Se tivéssemos investido na criação de um novo banco teríamos todos os empréstimos necessários"

Isto faz-me lembrar a nossa Caixa Geral de Depósitos que, em vez de andar nos negócios especulativos e nas grandes empresas do regime, deveria ser o motor da economia financiando as empresas que asseguram 80% do emprego e 70% da riqueza , que produzem bens e serviços transaccionáveis e viradas para a exportação.

Na verdade não há razão nenhuma, e ainda menos, depois desta crise e da imensa culpa que os bancos tiveram no seu desenvolvimento, que os Estados não tenham nas suas mãos instrumentos de "padronização" da actividade bancária ( e para isso é preciso controlar uma parte importante do sistema financeiro) e uma regulação muito eficaz. Aqui em Portugal, o dinheiro que falta na economia foi entregue ao BPP, ao BNP e ao BCP, nada se sabendo quanto ao destino final desse dinheiro.

Serviu para pagar empréstimos ao estrangeiro e salvar amigos de apertos? Convinha esclarecer!
publicado por Luis Moreira às 16:30
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Ontem e hoje: o crescimento das crianças (5)

Raúl Iturra





O crescimento das crianças de hoje, é fundamentalmente diferente ao crescimento de ontem. O de ontem, tinha um objectivo centralizador da actividade familiar, obter terra por meios para todos iguais. Os de ontem, são criados no derrube de um sistema da aristocracia, que eles têm que reconstruir outra vez na base da sua própria força. Os de hoje, têm um objectivo igual, mas que dispersa e tira do elo estruturador antigo, a propriedade rural. O capital é o objectivo individual e autónomo. Como diz o Presidente do Sindicato de Agricultores da Extensão Agrária Galega, há muita gente no campo e é preciso limpar e redistribui-los pelas outras tarefas, encher as cidades e as habilitações, as industrias e a poupança. Fazer de cada um, uma força empresarial. Que já existe na sua mentalidade.

Embora Victoria, Pilar e Anabela continuem na ideologia ocidental cristã, esta ideologia não é outra que a que se adapta á exploração do consumo e da procura. Há que ter bens para vender e dinheiro para comprar. E a União Europeia encarrega - se de que o gasto, exista. Dívidas como créditos, que, enquanto mais tarde se paguem, é melhor. O crescimento das crianças modifica a aliança reprodutiva. Não é suficiente desejar, não é suficiente a paixão. A pessoa parceira deve é ter terra ou industria ou emprego para investir dinheiro no futuro lucro. Lucro que sintetiza o contexto dentro do qual crescem hoje as crianças. Com o prazer de se divertir. Como a Bertita, que enquanto é professora primaria, também faz música. Ou o seu irmão Pedro, que desenha e de esse desenho técnico, tira prazer e vive. Ião querer trabalhar no campo?


Quando o campo era esse sitio divertido para andar de cavalo, com a vizinha estrangeira, nos porcos da matança, denominados em esse tempo Juan Carlos e Sofia. Vizinha estrangeira que hoje acumula graus doutorais para analisar seres humanos, longe do sítio do qual falo. Vizinha estrangeira que, como Beatriz, José Gregório, Carlos Varela, Berta, Pedro, António o traste, Pilar, Anabela, Victoria, têm a sua casa própria por eles comprada, para alem das herdadas. Em tanto os pais suam e continuam a tentar entender o mundo com a teoria da pós-modernidade. Porque a teoria que nos tem levado a África, a América Latina, a certas Europas de hoje, já não é aplicável. Mesmo que, vários de nos, as vamos adaptando, à Chaplin, a estes tempos modernos. Que são os da expansão do capital, aceite por todos e não apenas pelos que crescem enquanto produzem riqueza. É o que tem levado a Anthony Giddens (1991) a falar de identidade e a defini-la da forma invocada antes, como a pertença a um grupo que é sabido que é o nosso. Porque o grupo largo, é demasiado igual universalmente para poder falar de Nacionalidade. Como defende Ramón Maiz (1997), e não acaba de entender Xosé Manuel Beiras (1984).

Em Portugal, defendem os citados Sousa Santos, Ferreira de Almeida, Madureira Pinto, Steven Stoer, Luiza Cortesão, Fernanda Rodrigues. E que eu tento defender desde a voz meio apagada da Antropologia. Como continua a fazer Jack Goody (1993) e Eric Hobsbawm (1994), adaptados á modernidade nos seus oitenta e muitos anos. O crescimento das crianças e o seu contexto, é o que deve ser compreendido pelos educadores, a epistemologia coordenada que é produzida pelo respeito ao passado cultural e as normas do mercado. A experiência é a base do experimento. O experimento é já conhecido, a experiência, fica para nos observar e dizer e sermos ouvidos. Ouvidos de diferente forma em diferentes tempos do ciclo do tempo de saber das pessoas. Quando as crianças nascem, são fruto da paixão dos progenitores, que as amam por elas e pelo amor que existe entre eles. É o típico caso de Victoria, cujos irmãos foram resultado da paixão de Clodomiro e Yeyé. Ou o caso de Pilar, quando a filha nasce pelo amor que o pai tem a mãe e que faz a ele casar, emigrar, investir, desenvolver o grupo doméstico. Ou o caso de Anabela, donde o amor de António por Fernanda, convence a Fernanda de ser seduzida, casar e ter filhos. Para todos ele, o matrimónio é parte da procriação. Todos eles casam já com a gravidez das mães ad porta.

António O Ferreirinho, é um caso mais, bem como vários dos seus filhos. Em uma primeira etapa, esses filhos são o resultado do desejo do homem pela mulher e ao contrário. Mas, o tempo vai passando, as obrigações aumentando e os cuidados passam a ser mais complexos. Os filhos entram na etapa da inclusão do relacionamento social, da escola, dos livros e materiais de trabalho, dos rituais com os que a sociedade demonstra de que a criançada não é só dos pais que as fazem. Os ancestrais vem o incremento de cuidados ser complexo, indicações, orientações, as roupas, os amigos que vêm de fora de casa, os primeiros segredos da pequenada que os pais querem descobrir e acautelar. Como se o tempo de escolha entre eles, não tiver começado ainda. E, no entanto, há mais do que uma escolha de que a criançada que cresce, faz longe dos pais. Mesmo, a selecção dos namoros, das amizades, do tipo de hobby que desejam, a iniciação na vida adulta. Os adultos, pensam que podem dominar o afazer deles, sempre. E tentam. E a criançada, como diz Roy Lewis (1960), tem que comer ao pai, tem que passar pela etapa em que se liberta das ideias que os pais estão a impingir. Embora não saibam farelo pela sua falta de experiência na vida. O crescimento das crianças é muito feito pelo grupo social mais pequeno, de que eles vão-se rodeando. E que os pais vigiam, ainda que não possam sempre intervir. O mito que Robertson Smith (1885) tem estudado e Freud (1920) analisado para o ocidente, passa muito por fagositar ao pai, por comer ao pai. De uma forma metafórica. Mas, socialmente, certa. Até formarem a sua autonomia e independência. Autonomia e independência que os leva a formar o seu lar, a produzir a sua própria descendência. Idade e tempo no qual vão solicitar colaboração outra vez colaboração aos ancestrais que ficaram em casa. Especialmente a família da mulher, que tem mais abertura com a sua própria mãe, que com a mãe do seu homem.

E é assim que os filhos voltam a casa. E que o crescimento passa por uma etapa de educação da filiação e acumulação do saber pela experiência que se adquire, e de dinheiro, para resolver os gastos que devem aparecer. E um terceiro período da relação de crescimento, quando os pais já são os avós que, ainda novos, podem receber filhos e netos em casa e visitar netos, ou ficar com eles, quando for preciso. Desde que começa a paixão entre dois, começa um processo de mudanças no detalhe da interacção. Um processo de elo de ligação cíclica de saber a traves do tempo. Que é como as crianças crescem em contextos diferentes, ontem e hoje.
publicado por Carlos Loures às 15:00
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Potências emergentes - ou como a bola é redonda como o mundo

Pedro Godinho



Agora que parece que o mundo gira em torno do mundial de futebol, decidi, também eu, dar uns chutos na matéria.

Há quem leia nas estrelas, as folhas do chá ou as borras do café, as entranhas do animal sacrificado, o voo das aves, a bola de cristal, quem deite as cartas ou lance os búzios, eu antevejo o futuro pelas voltas que a bola dá.

É a ciência da metáfora do futebol como espelho do panorama mundial.

Cuja importância não deve ser menosprezada, porque como se vê pelo espaço e tempo que todos os media (dizer assim poupa palavras e faz-nos parecer mais cultos, até latim sabemos) dão aos assuntos e estudiosos da redonda tudo o que com ela se relacione, de perto ou de longe, é magna questão.

Assim, depois de visionar os primeiros encontros, posso confirmar-vos o declínio da Europa e a ascensão das potências de novas geografias.

Esqueçam a filosofia, a história ou a sociologia, a única análise certeira das relações internacionais é ver como a bola vai rodando.

E o que ela nos mostra é que as antigas potências europeias já não se aguentam nas canetas e não levam a melhor sobre as colónias e geografias antes dominadas.

Foram-se os tempos em que a Europa era a dona da bola e decidia a formação das equipas e quem jogava.

Da Ásia, das Américas e até, embora em menor grau, de África surge um novo jogo, ao qual é melhor que a mui civilizada Europa se vá habituando porque ele veio para ficar, e de caminho se acostume a que terá de partilhar com outros o que até aqui era a sua riqueza.

Querem ver que vamos ter uma final e campeão terceiro-mundista?
publicado por Carlos Loures às 13:30
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Manuel Rodrigues Lapa e a Galiza (1)

Carlos Loures

Nas comemorações do centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, não podia deixar de recordar um dos seus amigos portugueses – Manuel Rodrigues Lapa, um dos homens que, do lado de cá da fronteira mais se empenhou na reabilitação do galego e na sua reintegração no tronco comum do galego-português. Em Agosto de 1932 fez a sua primeira viagem à Galiza para participar numa homenagem a Castelão. Foi um marco importante da vida de Rodrigues Lapa, pois o seu amor por aquela nação irmã, acompanhá-lo-ia para sempre. Em Junho de 1981, fez uma última viagem à «sua» Galiza. Foi a Santiago de Compostela para participar no lançamento de um livro de Carvalho Calero - Problemas da Língua Galega. A ligação ao berço do idioma, foi uma constante na sua vida: «Nunca deixei de me ocupar da Galiza, que é para mim um vício e uma necessidade»., disse. A Galiza foi uma das maiores paixões da sua vida. Façamos, pois, uma síntese da sua biografia e dessas relações com os irmãos do Norte.

Manuel Rodrigues Lapa, nasceu em 22 de Abril de 1897 na Anadia, no extremo Sul do antigo reino da Galiza. Em 1919 licenciou-se em Filologia Românica e em 1929 entrou no corpo docente da Faculdade de Letras de Lisboa como assistente, indicado por José Leite de Vasconcelos. Bolseiro em Paris (1929-1930), doutorou-se com a dissertação Das origens da poesia lírica em Portugal na Idade Média. Em 15 de Fevereiro de 1933, proferiu no Salão da Ilustração Portuguesa, uma conferência que daria brado e iria marcar para sempre a sua vida – A política do idioma e as Universidades. O texto da palestra foi publicado na Seara Nova. Para entender a celeuma provocada, é preciso que nos situemos historicamente.


Como uma cobra que despisse a pele, a Ditadura Nacional ia dando lugar ao Estado Novo. Em Março, conciliando as diversas correntes de opinião coexistentes no seio da Ditadura, realizou-se um plebiscito para aprovar a Constituição da República. Com «vitória» neste plebiscito, onde a liberdade de expressão e de voto estiveram ausentes, ficou consolidado o edifício jurídico-institucional que, com uma ou outra mudança de pormenor, iria vigorar por mais de quatro décadas. Por isso, as críticas de Manuel não passaram em claro – foi afastado da docência universitária e – vitória da sabujice – o Conselho Escolar aprovou por unanimidade uma censura às suas palavras. Porém, nem tudo era cinzento – a juventude reagiu: 74 alunos prestaram-lhe homenagem junto de sua casa. No Ministério da Instrução Pública, os jovens entregaram um protesto pelo afastamento «do insigne medievalista que é o Prof. Rodrigues Lapa». Nove alunos foram suspensos.

Salazar continuava a montar o seu sistema. Em Agosto foi criada a Polícia de Vigilância do Estado, PVDE,  antecessora directa da PIDE. No mês seguinte, surgiu outro importante instrumento do regime – o Secretariado de Propaganda Nacional, dirigido por António Ferro. Porém, apesar de o clima repressivo se ir adensando, Manuel não desarmou e repetiu a sua polémica conferência na Associação dos Artistas, em Coimbra. Em Outubro, voltou a dar aulas num liceu, desta vez no de Viseu. No mês seguinte, prestou provas para professor auxiliar (com o Livro de Falcoaria de Pero Menino), sendo aprovado por unanimidade. Em Dezembro, saiu no Diário do Governo, o decreto da sua nomeação. No dia 30 recomeçou a leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa, de onde fora irradiado meses antes.

Em 1934 foi editada uma das suas mais emblemáticas obras – Lições de Literatura Portuguesa: época medieval – com dez edições até 1981.. A sua actividade como publicista prosseguiu – recensões, ensaios, iam sendo publicados em jornais e revistas de Portugal e do estrangeiro. As coisas pareciam tomar um ritmo normal. Porém, Salazar estava atento e desencadeou uma das primeiras grandes purgas – Em Maio de 1935, demitiu compulsivamente Rodrigues Lapa, impedindo-o (por decreto-lei) de aceder a qualquer cargo público. Na mesma altura outros 32 funcionários civis e militares foram demitidos, entre eles, Norton de Matos, Abel Salazar, Carvalhão Duarte. A carreira universitária de Manuel em Portugal chegara ao fim.

Na Universidade, Hernâni Cidade defendeu Rodrigues Lapa, lamentando a «perda de uma colaboração utilíssima». Em Outubro, voltou ao ensino, leccionando agora no Colégio Ulissiponense, em Lisboa. No mês seguinte começou a dirigir o semanário cultural O Diabo, substituindo Ferreira de Castro. Em Julho de 1936, eclodia a Guerra Civil de Espanha, facto a que Rodrigues Lapa não poderia ser alheio. Vejamos este vídeo:



Em Fevereiro de 1937 iniciou a publicação da colecção Clássicos Sá da Costa. Dirigiu também a colecção de Textos Literários da Seara Nova. Em Julho, Salazar escapou de um atentado à bomba, levado a cabo por anarquistas. Em consequência desse atentado e também devido à Guerra Civil espanhola, a repressão acentuou-se. Porém, Manuel prosseguiu a sua tarefa de ensaísta, em prol da língua portuguesa e dos direitos de cidadania. Em 1939, traduziu e apresentou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em 1941, Manuel continuou dirigindo as colecções da Sá da Costa e da Seara Nova. Em Janeiro, morreu o seu mestre José Leite de Vasconcelos e, em Abril, Salazar proferiu o famoso discurso Todos não somos demais para continuar Portugal. Em Maio, foi a vez de falecer Raul Proença. Em 1945 publicou na Seara Nova a sua obra de maior êxito editorial – Estilística da Língua Portuguesa (até 1984 foram publicadas oito edições em Portugal e três no Brasil). Em 1949: o general Norton de Matos candidatou-se pela Oposição democrática às eleições para a presidência da República. Manuel, numa entrevista ao Diário de Lisboa, não teve papas na língua - «É chegada a oportunidade de acabar, sem sobressalto, com este estado de coisas, que nos envergonha como europeus»: referindo-se, obviamente, à ditadura salazarista. No dia seguinte foi preso em sua casa. Esteve sete dias detido no Aljube «ouvindo bimbalhar os sinos da Sé de Lisboa e vendo as pombas revoar livremente no céu azul.» Passados dias foi solto, mediante caução – a ficha da PIDE diz que foi preso «por atentar contra o brio e decoro nacionais e injúrias ao Governo da Nação» - Manuel não se atemorizou – em O Estado de São Paulo publicou uma série de seis artigos sob o título genérico de Em prol da democracia.

(Continua)
publicado por Carlos Loures às 12:00
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Apresentando Pedro Godinho

O Pedro envou-nos uma "Apresentação ao correr da pena" que vamos transcrever.


Da fornada de 60, o 25 de Abril apanhou-me à beira dos 14 anos, com as hormonas a começarem a dar sinal.

E que melhor momento para uma explosão de energia que o de um período revolucionário, a descobrir, com milhares de outras pessoas, a liberdade e a procura da felicidade.

Com muita asneira de permeio, foram dias inesquecíveis em que me descobri cidadão, antes de ser homem. Encontrei pessoas e amizade, ideias e boa vontade.

De tal modo nos entregávamos, com paixão, à construção de um novo mundo que só mais tarde compreendemos que também na generosidade podia haver desigualdade e que havia alguns que, calculistas, manipulavam, tratavam da vidinha e vendiam a alma ao diabo mais prometedor.

De crente a agnóstico da Revolução, a da maiúscula, com o tempo lambi as feridas da desilusão na leitura (regressando também à literatura), no cinema e na música (sem ter de ser de intervenção), nas viagens (a ver mundo para além da ideologia), nas ideias (sem rótulos apriorísticos), no tempo e conversa com os amigos (não necessariamente camaradas), no amor duma mulher, filhos e família para uma vida.

Ainda me indigno com a desigualdade e a injustiça, mas estou mais maldizente que militante, à espera do meu Godot, por não me reconhecer nas forças organizadas.

As letras, sobretudo, confortam-me e poupam-me a terapia.

Ligação com o Estrolabio? O Carlos e outros amigos que ele, também, arrastou.

E aqui estou, por amizade, a rabiscar uns esquiços para o blogue.

E esta apresentação, sem foto, ao contrário do pedido; para parecer bem posso alegar que em protesto, snobe, com um império da imagem na comunicação, ou para não ser reconhecido e importunado na rua quando o Carlos tornar o Estrolabio um blogueseller, ou tão só pela pretensão de fazer diferente ou pela simples vaidade de não gostar de me ver em photomaton.

Ficam as palavras, e a amizade.
publicado por Carlos Loures às 11:00
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Força Portugal!






Esta terça-feira, dia 29, projectamos o jogo de Portugal contra Espanha no centro social para animar aos nossos irmaos do Sul. Será às 20h30.
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Nota: Com os nossos agradecimentos, transcrevemos do blogue da Sociedade Cultural Mádia este anúncio ao jogo de logo, às 19:30, com a selecção do estado espanhol. Como se diz nesse blogue «A Sociedade Cultural Mádia leva! é um projecto comprometido com a lingua e a cultura galega, assim mesmo também trabalhamos por impulsionar a organizaçom do povo, a democracia participativa, a defesa da Terra e a luita pela autodeterminaçom da GALIZA».
madialeva.gz@gmail.com



publicado por Carlos Loures às 10:46
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Portugal/Espanha

Carlos Godinho (Na África do Sul com a Selecção)


No início das actividades da Selecção Nacional a larga maioria dos jogos realizavam-se contra a Espanha. As dificuldades de transportes eram grandes e optava-se por jogar com os nossos vizinhos. Com o decorrer dos tempos foram acontecendo cada vez menos jogos entre o nosso país e Espanha. Ultimamente têm sido mesmo muito esporádicos os confrontos entre os dois países. Portugal defrontou a Espanha em 35 jogos, nos quais obteve 7 vitórias, 12 empates e 16 derrotas. O último encontro teve lugar em 2004, no durante a fase de grupos do Euro e realizou-se no Estádio de Alvalade. O resultado foi-nos favorável por 1/0, com golo de Nuno Gomes, e deu lugar à eliminação dos espanhóis. Que tudo se mantenha como então é o meu, nosso, desejo!
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publicado por Carlos Loures às 10:45
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Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo XXXIII

Passeio pelos museus:

Museu da Cidade e Museu Rafael Bordalo Pinheiro


No Museu da Cidade, aponto Felicitas Julia Olisipo, o nome latino de Lisboa e a frase de Estrabão (Geografia, livro 3°, primeira parte): o rio é muito rico em peixe e abundante em ostras. Tomo aliás nota desta descrição cada vez que venho ao museu... E até a cito num romance. Agora, olhando para uma litografia do século XIX que representa o Palácio das Necessidades, no largo do qual passam vários cavaleiros, ocorre-me que seriam hoje ciclistas – vemos cada vez mais por Lisboa, não é?... E um quadro de Albertino Guimarães, Largo da Senhora da Saúde, pintado em 1839, mostra uma rua da Mouraria que não reconheço: resta a igreja. Mas, de então para cá, ganhámos a tão bela calçada representando a projecção da sombra da igreja. E... também ganhámos o centro comercial da Mouraria com o que lá dentro se passa. (Esta frase não é apenas irónica: gosto de deambular por este espaço heteróclito, de aqui comprar quiabos, lentilhas e chá indiano.)

Vejo a exposição que assinala os cem anos do Museu da Cidade: Lisboa tem histórias. Aponto os versos de Bocage sobre a estanqueira do Loreto, célebre pelo tamanho do nariz: Disse-lhe um sério taful / Que tabaco lhe comprara: / A sua loja é pequena; / Por que não vende na cara? / Deu a estanqueira um espirro / Gritam os vizinhos seus, / Julgando ser terramoto: / Misericórdia, meu Deus! A fotografia da jovem peixeira Ilda Fernandes, eleita Rainha dos Mercados em 1929, aos dezasseis anos, ajuda-me compreender alguns fados (A Rosinha dos Limões, por exemplo; cuja letra, como os leitores se recordam, se conclui com um engraçado atalho narrativo: ...fico pensando / Que, qualquer dia, por graça / Vou comprar limões à praça / E depois caso com ela). Na mesma exposição, uma imagem legendada Pretas calhandreiras leva-me a recordar uma palavra que ouvi, em várias ocasiões, a minha mãe empregar a propósito de um ou outro maldizente: é um calhandreiro. Uma metáfora eficaz pela pestilência que evoca, sendo o calhandro um pote para o qual se despejavam os bacios; cabia aos mais pobres, não raro escravos, irem despejar, com frequência para o rio, aquela sujidade: os calhandreiros, portanto. Ora, como todos sabemos, os maldizentes arrastam matérias não menos fedorentas...


No Museu Rafael Bordalo Pinheiro encho uma página com palavras e frases. A que eu prefiro: o arola. Para Rafael Bordalo Pinheiro arola é o português que voltou rico do Brasil e se quer dar ares; mas podemos modernizá-lo. Encontramos por aí diversas espécies de arolas, algumas internacionais, as outras não... O arola automobilista. O arola africano. O arola da Portugália. Casta lusitana: a arola do balcão. Por ser nativa desta zona social, só temos a dificuldade da escolha. Caracteriza-se pela insolência no trato com os fracos que ali se expõem, utentes ou clientes. Podemos indicar a subespécie: arola ao balcão da Air Portugal, arola ao balcão da segurança social... Uma arola rara em França, país que tem, em contrapartida, outra variedade muito feia, o revisor gallicus: o arola revisor nos transportes públicos. Em Portugal, pelo contrário, esta variedade parece rara: no que me toca, nunca encontrei nenhum, só funcionários amáveis – é um prazer apresentar-lhes o bilhete. Cabe aos leitores estabelecerem as suas próprias listas e, se tiverem paciência para isso, comunicar-mas... para eu me rir.

Passo duas horas acompanhando as desventuras do Zé Povinho com a albarda, o manguito e a moleza. (Mais obscura do que ele: a Maria da Paciência.) Legenda de O Zé Povinho na História: “Nunca se levanta que se não deite” (Comédia Portuguesa, 23 de Julho de 1903).

Comove-me a auto-caricatura na qual um Rafael Bordalo Ribeiro, curvado e pesado, com a luneta caída, pede ao Rafael Bordalo Pinheiro jovem, perspicaz e insolente: “Por favor, empresta-me o seu lume?”
publicado por Carlos Loures às 10:00
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Caetano José da Silva Souto-Maior, um alentejano na corte de D.João V e uma figura popular de Lisboa - 4

Carlos Luna

Simples curiosidade histórica: sonetos completos - os 22 sobreviventes do oliventino Caetano José da Silva Souto-Maior, o "Camões do Rossio" (1694-1739):

Soneto dedicado à mártir cristã Santa Bárbara, quando era despida pelos seus algozes


Virgem bela, não julgues tirania
ser despojada desse adorno insano;
não se cobre um planeta mais que humano
e despido aparece à luz do dia.

Toda espírito o orbe te advertia,
e o decreto infalível do tirano,
mostrou que em ti, com raro desengano,
no mortal o imortal não se encobria.


A beleza, em que o véu ditas apura
desprezando essas galas infelices (*),
brilha triunfante, resplandece pura.


Jesus foi, não violento que existisses
sem manchas no esplendor da formosura,
porque vestido o Sol padece eclipses.
___________

(*) -Forma moderna: infelizes


Soneto a D. João V (o Rei !), mandando celebrar exéquias do Papa Clemente XI

Túmulo excelso a régia potestade
na morte erige do Pastor Romano,
qu`o afecto do Monarca Lusitano
excede a vida, e chega à eternidade.

No sentimento empenha a majestade,
pois vendo que da Parca o raio insano
profanou o alto Sólio Vaticano
a obediência converte hoje em piedade.


Das cinzas frias à memória rara,
na funesta, magnífica estrutura,
Triunfo, ´inda que fúnebre, prepara.


Pois nesse altivo mausoléu procura
que pareça o respeito da tiara
ornato, e não despojo, à sepultura.

Soneto dirigido ao príncipe, por ocasião do beija-mão

Da Líbia ardente o morador adusto
teme o ver-me, senhor, de vós honrado,
pois nessa mão se admira vinculado
de Lísia (*) o bem, da Mauritânia o susto.

Receia que esse braço, sempre augusto,
dos portugueses todos adorado
seja com vaticínio antecipado
pródigo de valor triunfante, e justo.


Conhece que os turbantes orgulhosos
cheguem, senhor, a ter tantos perigos
quantos tendes agrados decorosos.


Publique a minha dita os seus castigos,
que a mão, que fez vassalos venturosos
é o mais certo terror dos inimigos.
___________

(*) figura mitológica greco-latina

Soneto a uma Senhora nobre que fugiu para Espanha com um Marquês,
tendo-se depois arrependido e recolhido a um Convento

Esse claustro, em sagrada penitência,
pio te esconda, oh bela criminosa,
econverta-se em sombra a luz formosa
que ardeu nos sacrifícios da indecência.


Tolera da prisão toda a violência,
perdida já a nobreza generosa,
fique ainda entre a culpa indecorosa,
benemérita, ao menos a paciência.


Principia a morrer nessa clausura,
encobrindo um descrédito infinito
no antecipado horror da morte obscura.


Mas, oh!, se em ti, por último conflito,
como vai sendo a vida sepultura,
chegasse a ser cadáver o delito!


(Continua)
publicado por Carlos Loures às 09:00
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Rui Veloso e Nancy Vieira no Terreiro da Lusofonia

Palavras, sons e cores do universo lusófono, foi o que prometemos.
Hoje trazemos palavras e, sobretudo, sons. Uma composição de Rui Veloso e de Carlos Tê, "Canção de Alterne", interpretada por Nancy Vieira e por Rui Veloso. Nancy Vieira é uma cantora cabo-verdiana, nascida na Guiné-Bissau (em 1975). É uma bonita canção, achamos nós.

publicado por Carlos Loures às 08:00
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

Limpeza

Ethel Feldman

As prateleiras escuras não ajudam a disfarçar as camadas de poeira que devagar se instalam. Não sei dizer se o ritmo é diário. Faz uma semana que acordo cansada. Sento-me junto à mesa da sala. Se meu olhar descansar no chão vejo o pó a pairar quase no ar. Inverto a viagem e tento o tecto, mas a cervical queixa-se da postura inadequada. Uma vassoura, uma pá, em seguida um balde encharcado de detergente e uma esfregona deixariam no ar o cheiro de uma casa asseada. Faz uma semana que acordo cansada. Saio de casa apressada, tanta coisa a limpar do lado de fora!

Na rua uma casca de banana perdida. Curvo-me para apanhá-la e coloco-a no lixo.

A dona Albertina deve estar a chegar. Vai deixar a minha casa toda limpa. Se eu não estivesse assim tão cansada...
publicado por Carlos Loures às 23:55
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Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 41

Carlos Leça da Veiga

Haverá interessados numa Terceira República?


Se não podem haver dúvidas sobre o benefício da chegada a Portugal dos primeiros iluminados já o mesmo não será possível dizer-se sobre quantos, por cá, pretenderam seguir-lhe e continuar-lhes as passadas.

Ainda hoje, com resultados muito insatisfatórios, continua a fazer sentir-se a influência dessas gerações de continuadores que, entre nós, passaram a ter presença um tanto influente para – quantos sem merecimento – alcançarem uma posição avassaladora e decisiva na sua intervenção cultural que, como a História no-lo demonstrou, não teve reflexo à altura do que era mais necessário à população nacional e, também – terá de reconhecer-se – foi muito mal sucedida na sua contribuição, chame-se-lhe, de feição política.

Na verdade, assim aconteceu tanto no período da Monarquia constitucional como naquele da Primeira República em que, uns atrás dos outros, tanto os idealismo dos reaccionários como os dos jacobinismos destemperados, com os seus erros políticos em acumulação crescente, haveriam de vir a descambar na ditadura do salazarismo fradesco, uma particularidade amarga que levou o país para cinquenta anos dum absolutismo neomiguelista cujos resquícios lamentáveis, de novo – digam o que disserem – vivem, a lume brando, numa lenta mas paulatina emergência. Mais uma vez, importa tentar contrariá-los.


Na Segunda República, esta em que vivemos, os herdeiros políticos dessas castas política e intelectualmente dominantes são, hoje em dia – evolução a quanto obrigas – os proprietários possidónios duma pequenez mental digna de nota que só têm sabido colocar os portugueses perante uma democracia viciada, um regime de compadrios e nepotismo, um dia a dia de ilegalidades e de desconchavos, tudo sem qualquer sanção jurídica e, forte vergonha, numa despropositada submissão ao expansionismo despótico dos interesses políticos, económicos e militares tanto da OTAN/EUAN (recorde-se o salazarismo) como duma EU, esta, em evolução para o IV Reich.

Foi à custa substancial dessa racionalidade importada do centro europeu – uma zona europeia com percursos e interesses históricos completamente distintos do português – que a tal “modernização” por cá tem estado a ser imposta, alcançou ganhar um estatuto saliente, gerou iniquidades, distribuiu benesses, provocou pobreza, desemprego e precariedade para, a todo o instante – tenha para isso uma oportunidade política – à custa de manobras propagandistas e, por igual, dum pessoal político bem adestrado saber apresentar-se como sendo e tendo a melhor resposta política e económica para Portugal que, como reafirmam – tal a sobranceria exibida – é a única resposta para o que designam como as inquestionáveis necessidades nacionais.

Trata-se duma versão recente daquela muito querida por uma certa intelectualidade – se o foi e se o é – que, desde há cerca de duzentos e cinquenta anos, com uma fidelidade canina, prossegue na cópia de regras, hábitos, costumes, revoluções e perspectivas importadas do estrangeiro. De facto, para as figuras públicas mais proeminentes – os verdadeiros chefes de fila e os indutores efectivos da opinião pública – é indiferente, por completo, saberem para que serve o que mandam vir de fora, desde que as suas carreiras pessoais, as suas apetências ideológicas, as suas vivências mundanas e os seus patrimónios prossigam com destaque social. Para tanto basta-lhes que a sua linha política interventiva deve sujeição, aliás bem favorecida, às determinações do exterior sejam às da OTAN/EUAN, sejam às da UE, organizações que, uma e outra, são pródigas em facultar-lhes toda a protecção política e social necessárias.

Por muito que seja dito o contrário, qualquer destas organizações internacionais, anos a fio, mantêm uma encenação política que reafirmam ser democrática, porém, a verdade manda dizê-lo, repleta de aparências enganadoras que, contra toda a evidência, minuto a minuto, é muito elogiada, pelos próceres portugueses, esses morgadelhos de arribação. São organizações internacionais que, bem feitas as contas, só têm prejudicado a imensa maioria da população portuguesa, como disso é-nos dado conta, por serem elucidativos, não só os maus indicadores económicos, sucessivamente produzidos como, também, os envolvimentos disparatados em quezílias internacionais em tudo estranhas aos interesses e tradições nacionais.

(Continua)
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Mário Soares entre o PS e Fernando Nobre


Luís Moreira

Mário Soares esteve ontem numa manifestação de amigos em Arcos de Valdevez onde se encontrou com Fernando Nobre.Estes encontros nunca são fortuitos, são calculados e é assim que deve ser analizado como um apoio a quem se propõe candidatar a Presidente da Republica.

Mário Soares não perdoa a humilhação de há quatro anos quando foi derrotado sem apelo por Alegre, apesar de apoiado pelo PS.Agora, perante o apoio envergonhado do PS a Alegre, Mário Soares é a face visivel de quem, dentro do PS, não apoia Alegre, o que o leva a gerir o tempo e apoios.

Na altura própria manifestará esse apoio a Alegre, mas com um capital político na mão suficiente para o jogar dentro do partido, na altura da substituição de Sócrates como secretário-geral do PS.
publicado por Luis Moreira às 19:30
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República nos livros de ontem nos livros de hoje - 42 e 43 (José Brandão)


Em Defesa da Verdade

Carlos Ferrão

Editorial Século, 1961

Durante mais de trinta anos, os monárquicos portugueses caluniaram e afrontaram os seus adversários políticos lançando sobro a República e os republicanos uma torrente de agravos e cientes falsidades. Esse procedimento cujas dolorosas consequências se fizeram sentir no rebaixamento do nível cívico da Nação e ao desaparecimento de todas as manifestações de convívio entre indivíduos nascidos na mesma Pátria e cidadãos sujeitos à mesma lei, só foi possível graças à impunidade de que gozaram. Ao mesmo tempo que desenvolveram uma campanha de ódio e injúrias na Imprensa e em reuniões públicas, no desempenho de funções diversas procederam, com uma sem-cerimónia

completa e uma ama ausência de escrúpulos inquietante, à revisão da História segundo os seus cânones e objectivos transparentes. Graças aos seus esforços esta acabou por se transformar numa contrafacção da verdade e numa caricatura que era a negação dos factos averiguados.

_________________________________
 
 

Em Plena República

António Cabral

Lisboa, 1932

Nas lutas aspérrimas da política brava, conservei-me sempre do mesmo lado da barricada. Nunca transigi ou colaborei com adversários da Monarquia, como, a pretexto do bem público ou nacional, encobridor de interesses e conveniências pessoais, fazem aqueles que de monárquicos só têm o nome. Falei sempre aos Reis, que servi, com acatamento, sim, mas com dignidade, também, e fiquei na brecha, correndo perigos e desprezando comodidades, para lhes defender os direitos feridos e postergados. É convicção minha, arreigada e firme, que só um Rei, chefe permanente, rodeado por homens bons e dedicados, pode salvar o país da ruína e da perdição. Por isso, quero, de novo, um Rei em Portugal.

Quem assim pensa, ao escrever acerca da república, é possível e até provável que seja tido em conta de parcial, apaixonado e injusto, Será assim? – Não sei. O leitor dirá.
publicado por Carlos Loures às 18:00
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Ontem e hoje: o crescimento das crianças (4)

Raúl Iturra




Como acontece com Victoria e a sua família, embora seja o Picunche um grupo que fica nas antípodas e muito insular e isolado, Chile e a Cordillera de Los Andes. Anabela também é testemunha do que a família tem feito e que já não precisa. Ela própria é uma criança que resulta de emigração dos seus pais. Mas sabe que dentro do País há já possibilidades económicas de vida. Que ela observa nos seus contemporâneos e na geração ainda mais nova do que ela. Em Portugal não existe a lei que governa a Galiza, como País Autônomo do Estado Espanhol; em Portugal há outra a so Morfadio, semelhante a do Patucio..

Leis que António Montoto e o seu tio Hermínio, bem conhecem e sofrem. É a lei que mencionara antes em outro ensaio sobre galegos, portugueses e picunche Lei que começa logo com o tratado de adesão à Comunidade Europeia em 1987. O crescimento das crianças é feito dentro de essa possibilidade de alto risco liberal, de necessidade de investimento sistemático em bens de produção de lucro. Dissem bem os vizinhos, de que na Espanha, houve um grande investimento na agricultura de centos de milhares de pesetas por casa. Como na indústria, também por casa, outros centos de milhares de numerário. Dinheiro que é uma ajuda e uma redistribuição socialista, que logo muda para se concentrar nos jovens industriais e agricultores. E porque esse investimento é nos nos jovens? Porque do que se trata é de melhorar e modernizar os meios de produção e de investir esses meios em eles. Com a condição de que se habilitem escolarmente, melhorem a casa que habitam, e que concentrem a agricultura tão dividida e espalhada a traves dos anos e dos sistemas de herança.


Não é mais uma orientação a reunir dinheiro por casa para comprar meios de trabalho e tecnologia, com o corpo e a separação familiar. Do que se trata é de criar um País industrial. E para industrializar, é preciso concentrar. Concentrar na habilitação, na indústria, no campo. Eis o uso do estímulo dinheiro, ao qual os jovens, homens e mulheres, casados ou solteiros, aderem rapidamente. Geração em crescimento que tem estado submetida a uma autoridade matriarcal no doméstico, e patriarcal na direcção do trabalho. Mais interessante ainda, a uma subordinação que tem a ver com quem será a pessoa proprietária do único bem que fornecia ajuda reprodutiva até os anos oitenta, a terra e as industrias dos proprietários do capital. Do que tratar, é de distribuir a produção do lucro, não a produção da riqueza. A riqueza virá quando o lucro investido for suficiente como para fazer de todos, pessoas a gerir a economia. Industriais, no campo ou na cidade, tanto faz. A lei de 1995 prevê de que em cada casa fique só um jovem a comandar. As casas em transição, têm um esquema ainda intermédio para o dia da riqueza a produzir, chegar. É o caso do Pepe de Tabuada, de quem falara antes.Esse que eu conheci quando moço e cortava lenha para o Cura da Igreja Luís Vázquez, esse Pepe tem um filho com 18 anos, a estudar. Idade ainda não plena, para entrar no sistema económico. Nem preparado está para o mesmo. Pepe, com sabedoria, aposentasse por invalidez aos 49 anos, entrega a propriedade a sua mulher de 40, com a qual tinha casado por amor de vizinhança. È agora o matrimónio, um investimento que eles sabem aproveitar e ensinam a sogra Carmen Cela, a destinar a sua filha solteira, a contrair matrimónio com um agricultor sem terra, o irmão de agricultores únicos, que ficam com a terra.

E a sogra Carmen, entrega a terra a sua filha Inês, a este jovem. Há um filho, David, que é industrial e comerciante na cidade de Silleda e que nada quer da agricultura. Até porque a terra de Carmen Cela é vizinha da terra de José Tabuada, o meu amigo Pepe, e acrescentam já a produção e o trabalho e o investimento para industrializar o que há. E esse filho David, que sabe que ou corre a outro posto de trabalho ou fica sem nada para o seu futuro, voa a praticar as suas técnicas superiores em Silleda. Surpreendente foi para mim, quando andava em procura de Flora Dobarro Medela de Tabuada, a mãe do Pepe e filha de Manuel Medela, encontrar a Carmen Cela na rua e ela, calada e de olhos brilhantes, endereça-me em pessoa até o rio, onde a família toda cegava erva. Nem tinha eu pensado das trocas por conveniência feitas hoje em dia. Nem o domínio legal que a dita conveniência dá as pessoas. Como o caso não mencionado do Santiago o Padeiro, esse outro meu amigo de Vilatuxe, Santiago Penteado Pumpin, de quem falo em detalhe no meus textos de 1979 e de 1988: o primeiro a levar um tractor a aldeia e a ter um público que nos anos sessenta, não acreditava em máquinas, nem acreditava em armazenar erva em silos, porque apodrecia. Eduardo Fernández, meu amigo pessoal, quando em esses anos levávamos erva fresca as vacas em carros de mão e as alimentávamos, Eduardo dizia que Santiago era bom para fazer o pão com Felicitas a sua mulher. Mas que para vacas, era tolo. No entanto, foi o primeiro em adquirir um tractor para trabalhar as suas terras e a dos seus vizinhos, criar o silo, atar as vacas, que depois foram imitados pelo pai da hoje enfermeira, Josefina, e pelo próprio Eduardo.

Que ficou obrigado a se modernizar a correr, e a correr no tractor que teve que comprar, a casar a sua filha com um eventual agricultor, e a expulsar de casa ao seu filho, abastado comerciante casado com uma professora primária. Esse Eduardo, fica sem herdeiros, em quanto Santiago não se habitua as formas novas e mata-se depois de ter transferido a propriedade ao seu filho José Luís, esse que casara com outra colega de turma, essa Maria que eu sentava nos meus joelhos e fazia festinhas e ensinava a ler. Esse José Luís que, morto o pai, fica sem orientação e usa o tractor para se matar ele próprio, nos seus 26 anos. E a propriedade passa a filha mais nova, que é levada a casar com um possível agricultor, um jovem que está na forja. Proprietária agora de terras que, de certeza, serão absorvidas pelo Pepe ou por Neves Arca, que tem casado a sua filha Teresa com outro agricultor. Da mesma forma que os Arca de Gondoriz Pequeno, esse tios de Neves antes, esse sobrinhos agora, casam a filha do irmão de Neves, Guillermo Arca, com o neto do meu velho Eladio Fernández Ferradas, Manuel. Esse que diz que aprendeu matemática comigo. O único descendente de um Eladio morto hoje aos seus 99 anos, que emigrara com esse grupo a USA, para comprar terras, é esse Manuel o único que as terá. O resto dos seus descendentes, profissionais em Silleda, gestores de cooperativas, bêbado o filho Luís que morou com ele até hoje. Esta inovação legal, refaz toda estratégia matrimonial, como virá a refaze-la em Portugal quando fique regionalizado conforme a política produtiva de que se fala. E como em Pencahue se faz desde a época Picunche, para juntar terras, amem-se os parceiros ou não. Não interessa.

O que interessa é fazer filhos viáveis para a terra e a indústria e para o lucro nacional. Que traz riqueza conjuntural ao jovem trabalhador do dinheiro. Eis porque António Montoto e a sua nora Beatriz e o seu filho José Gregório, diversificam tanto os investimentos, enquanto os filhos de Hermínio os concentram. António e Emérita estão felizes porque José Gregório casa com um nome, com um pergaminho que, para alem de todo, é rica, carinhosa e da netos, dentro dessa ordenação legal nova de hoje em dia. António ouve, vê e cala e trabalha para o traste familiar. Traste familiar que é António filho, que casou com uma rapariga basca e que já tem dois filhos e não trabalha. Trabalha, é a mulher. Esse António com 27 anos, que parece ter herdado o senhorio dos Medela do século dez e oito. Eis porque também, o café em casa, o transporte escolar, Emérita no café e no transporte. A diversificação dos investimentos. Em todos os sítios.

Anabela em Vila Ruiva faz o mesmo. O seu pai diversificou actividades, que acabou por concentrar no comércio. Anabela se faz professora, trabalha no banco nos verões, compra o seu carro para ir de Cinfães a Vila Ruiva, e forma o seu grupo de amigos e projecta os estudos, ano por ano, e enquanto trabalha, para o Mestrado em Ciências da Educação. Como conta na sua história de vida, como tenho observado. As aldeias de ontem mudam rapidamente e a diferença entre uma geração e outra é tão grande, que parece não haver continuidade. Essa continuidade que houve quando a agricultura era o centro do esforço de todos e a base reprodutiva de todos. António não faz agricultura, sempre trabalhou para a agricultura. Beatriz e José Gregório não fazem agricultura, têm um quinteiro. Hermínio, o seu cunhado Amado, Eduardo, Luís de Eládio, não fazem agricultura. Só procuram não perder os seus objectivos de vida. Os seus filhos, não fazem agricultura. O irmão de Anabela, Luís, esse Gestor que nunca quis fazer agricultura, até compra uma casa em Mangualde, na terra da sua mulher em Penalva do Castelo e vive dos negócios. Todo feito, fora do olhar do pai, que controla. Tenta controlar uma geração que fugiu das nossas mãos quando nos somos ainda novos e estamos no poder. Mas no poder, só na medida de que entendamos que a geração muda rápida e urgentemente pelos tratados da União Europeia. A geração do século vinte e um, será ainda dominada pela juventude actual, porque vão todos crescer dentro das mesmas urgências de investir para a riqueza que leva ao lucro. Talvez, podia pensar como Jack Goody fez para a Ghana em 1963, quando pertencia ao Partido do Povo que libertou a Ghana do colonialismo inglês.

Quando tentou entender a situação do País com os conceitos ocidentais de Feudalismo e escreve o seu texto Feudalism In Africa?, que depois passa a ser o livro de l971, Technology, tradition and the State In Africa, onde tenta perceber a continuidade política que for capaz de guardar a continuidade entre gerações que vivem uma diferente experiência. Mas a sua reflexão, que continua em Production and Reproduction, 1976, não ajuda ao País que é iletrado e que tem as suas próprias continuidades e descontinuidades, que faz estalar a guerra., que tem as suas próprias literacias em signos não escritos, entendidos por eles e não multilingues. Essas guerras já vividas pelos Picunche e Espanhóis, pelos Galegos nos séculos dezanove e vinte. Pelos portugueses, nos mesmos séculos, até acabarem Espanha e Portugal em vias pacíficas para a igualdade subsumida ao capital. E o Chile, numa desigualdade esfomeada também pelo capital subdesenvolvido.
publicado por Carlos Loures às 15:00
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