Domingo, 30 de Maio de 2010

Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo IV

Etapa 2, de Alverca à Azambuja

Primeira parte: de Alverca ao Carregado

Somos chegados ao triste desembarcadoiro de Vila Nova da Rainha, que é o mais feio pedaço de terra aluvial em que ainda poisei os pés. O sol arde como ainda não ardeu este ano.

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra

Todos os técnicos da caminhada insistem nesta regra: nenhum caminhante deve transportar mais de dez por cento do seu peso. Ora eu, com um metro e cinquenta e sete de altura, raro ultrapasso os quarenta e sete quilos. Não convém por conseguinte levar mais de quatro quilos e meio, o que transforma a escolha de uma mochila num problema de resolução complexa: as mais ergonómicas e práticas, com bolsas múltiplas e fechos em todas as direcções, chegam a pesar dois quilos e meio... Após ensaios demorados e dilemas duvidosos, optei por uma muito simples, um saco impermeável com duas alças e um cinto para o prender nas ancas, ganhando no peso, perdendo na funcionalidade pois, quando preciso de algo, água, maçã, protector solar, tenho que tirar a mochila, poisá-la, abri-la e procurar. Para facilitar esta busca, reparti a impedimenta em quatro embalagens de plástico, de cores distintas, a roupa, a higiene, a comida, o saco-cama, o que reduz o risco de os objectos, como é seu costume, se camuflarem no fundo da mochila no instante em que são com urgência necessários... Tenho, para além disto, uma bolsa-cinto onde coloco lenços, telemóvel, caneta, bloco (minúsculo), mapa (dobrado)... Não é o ideal mas paciência: adapto-me.


Saio de casa às seis horas de quinta-feira 24 de Setembro e, logo à saída do prédio, recebo um sinal do Espírito Santo, que me desliza pelo cabelo e é aparado pelo braço direito. A primeira reacção é de repugnância, malditos pombos, apanho alguma salmonela, vale não vale a pena voltar a casa, limpo o braço, apalpo o cabelo, que não parece sujo, opto por prosseguir. Sinal fasto ou nefasto? Rio-me. Sinto-me leve, apesar da mochila. E bem disposta.

Apanho o comboio para Alverca, ponto final da primeira etapa, atravesso a localidade, passo uma escola, um estádio, sucessivas zonas industriais. O percurso torna-se agradável a partir de Alhandra graças a um habitante que, vendo-me avançar na direcção da N10, me aconselha o Caminho Ribeirinho para Vila Franca – um espaço magnífico à beira do Tejo, quatro quilómetros que parecem curtos, Tejo, ar, luz, plantas, a ponte, ciclistas, corredores e muitos caminhantes. Um francês ter-me-ia olhado sem reagir, vai para a N10, estúpida opção, o problema é dela; este homem, que me chama para indicar o melhor caminho, manifesta uma das facetas que mais aprecio nos portugueses. Tal qualidade corre, no entanto, o risco desaparecer por via da crescente violência urbana; e, desde que comecei as minhas viagens, aprendi já a medir a insegurança na proporção inversa deste civismo.

Chego às dez horas a Vila Franca, começo a sentir o peso da mochila, sento-me no parque, entre o rio e a estação, à sombra, para refrescar, o calor chega já aos trinta graus, parece-me, como uma sanduíche, nozes, figos, uma banana, bolachas vitaminadas: o movimento abriu-me o apetite. Falta-me caminhar quase vinte quilómetros até à Azambuja. Saindo de Vila Franca encontro-me, uma vez mais, numa zona semi-rural, semi-industrial, sem urbanismo nem urbanidade, lixo, fábricas, vacas a pastar, caminho à beira da estrada, não há passeio, uma vez mais, contudo, poucos metros adiante, vejo casas com paredes brancas, roupa estendida, vasos de flores, humanidade teimosa num mundo de brutos, continua a não haver passeio, que municipalidades são estas, apenas uma ponte aérea para os peões não serem todos os dias espalmados, acabo por chegar a uma estrada mais calma, entalada entre a zona industrial, um esgoto malcheiroso e a linha do caminho de ferro. Passo a estação de Castanheira do Ribatejo, chego à do Carregado. Faz cada vez mais calor. No primeiro restaurante como uma sopa de feijão verde – deliciosa. Compro outra garrafa de água. E continuo.

O objectivo é seguir na direcção de Vila Nova da Rainha para chegar à Azambuja pela N3. Interessa-me ver Vila Nova da Rainha, onde Almeida Garrett desembarcou, vindo num vapor do Terreiro do Paço; e presumo que seja possível caminhar à beira da N3. Pois... Não sei como é, leitor perplexo, talvez consequência do calor, que me atordoa, do decorrente cansaço, que me surpreende, qualquer lei da física estabelecerá a relação entre a temperatura do ar e o peso das mochilas, o da minha, embora eu tenha bebido os dois litros de água, parece aumentar, devia encontrar uma ponte que não vejo, pergunto a sucessivos passantes, a Azambuja é por ali, vire à direita, sempre em frente, perdi as setas amarelas do Caminho de Santiago, encontro-me à beira de uma estrada sem berma, devera retornar, procurar as setas, alguma falhei, o calor e a mochila comprimem-me a inteligência, voltar atrás, redobrar a caminhada, teimo pensando que será assim durante alguns metros, mais adiante voltarei a encontrá-las, todavia quanto mais avanço, maior o perigo, há meio metro entre o muro e os camiões, não me atrevo a atravessar, avançar é loucura certa, recuar também, por que diabos me meti nisto, a minha terra perdeu a brandura, a cortesia, afabilidade do caminhar, devera eu seguir o Caminho francês, de Le Puy-en-Velay a Santiago de Compostela, mil e seiscentos quilómetros turísticos, protegidos e acompanhados.

Como é que eu vou sair daqui?
publicado por Carlos Loures às 10:00
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Reviravolta nos modos de ser e fazer

António Mão de Ferro

Ainda não há muito tempo que a integração na comunidade era feita através da família.

Quando se fala nisso recorda-se esse tempo com agrado, amargura ou saudade, mas normalmente com emoção. Essa transmissão de usos e costumes permitia a interiorização de valores socialmente aceites e a sua submissão a eles. A família nuclear era a base da primeira acção formativa.

Neste momento assistimos a uma desagregação da família e a acção que se verificava, está a diluir-se. Será isso preocupante? Penso que não.

Não raras vezes, no seio da família nuclear, o chefe de família, “cabeça de casal”, punha em situação de dependência e submissão a mulher e os filhos. O controlo que era exercido e o conceito de honra, limitavam o acesso a outras formas de cultura, dificultando a inovação e a criatividade, desde que não se coadunassem com as regras que a família veiculasse.

Talvez isto explique o facto de muitas empresas ainda funcionarem na base dos mesmos princípios da família nuclear tradicional e, como tal refugiarem-se na segurança de um sistema fechado, cujas verdades são defendidas como uma espécie de porta estandarte. Esse modo de funcionamento dificulta o desenvolvimento dos colaboradores e a sua capacidade de adaptação porque os alicerces em que assenta acabam por ruir.

O importante nos dias que correm não é acatar uns tantos conceitos, umas tantas normas. O fundamental é ter capacidade para raciocinar, para fazer coisas. Não raciocinar é o mesmo que ter os olhos fechados sem fazer esforço para os abrir. É preciso duvidar das certezas, eliminar a apatia e provocar uma reviravolta nos modos de ser e de fazer.
publicado por Carlos Loures às 09:00
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Entre nós e as portas trancadas

Ethel Feldman


Entre nós e as palavras preguiçosas

de noites idas passadas em prosa

Entre nós e as portas trancadas

meninos vadios a rimarem com escória

Entre nós e os ais perdidos

escuto a raiva silenciosa

Entre nós e as palavras mudas

Existe a vida vestida de prosa
publicado por Carlos Loures às 08:00
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Sábado, 29 de Maio de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 12

Carlos Leça da Veiga

É uma realidade indesmentível, que desde a derrota ianque no Vietname, o poder económico daquele capitalismo comandado pelos chamados estados ocidentais, ao invés daquele outro dos emergentes, volteou num descendo irreversível razão bastante para nunca dever ter-se-lhes dado, no pós-25 de Abril, quaisquer ligações preferenciais.

Para Portugal havia uma alternativa política internacional reconhecidamente meritória, o Movimento dos Não-Alinhados, que foi recusada por interesses ideológicos e vantagens interesseiras dos possidentes. A população portuguesa, por força da subserviência aos ditames políticos do exterior, que as forças partidárias dominantes nunca deixaram de perfilhar, foi obrigada a ligar-se preferencialmente, numa subserviência exagerada, aos estados ocidentais quando, na verdade mais autentica, já estavam em franca decadência económica.

Por erro indesculpável, os dirigentes nacionais portugueses não optaram, como deviam, em estabelecer ligações preferenciais com aqueles estados em franca e declarada emergência económica que, também, muito positivo, tinham assento no Movimento dos Países Não-Alinhados. Os resultados, estão à vista!

Em 1974, entre vários dos Países que constituíam o Movimento dos Países Não-Alinhados, já era uma realidade irrecusável que as suas emergências económicas estavam em vias de fazer uma carreira muito promissora e francamente sustentada, razão suficiente para terem constituído a melhor opção política para Portugal e, acrescente-se, um opção que jamais limitaria os convívios estreitos com todos os Estados mundiais.


A crise chamada financeira mas que, na realidade, é económica não é nada mais que o acme duma evolução política e económica mundial que acabaria de atingir quem, no mais essencial, sempre viveu da exploração dos mercados colonizados e não levou em linha de conta que iria perdê-los uma vez que as Independências Nacionais começassem a assentar arraiais, criar raízes, ganhar fôlego e os novos estados iniciassem o seu desenvolvimento económico. No pós-25 de Abril essa situação já era, de todo, muito evidente; ignorá-la deliberadamente foi coisa imperdoável.

Com efeito, espalhado por todos os Continentes, séculos a fio, houve um mundo extremamente rico porém desprovido dos saberes e dos meios mais necessários, por exacto como o próprio imperialismo, para melhor explorá-lo, conseguiu manter e fazê-lo de tal modo que os oprimidos, em quaisquer circunstâncias, não e nunca conseguissem dar passos em frente, muito menos ganhassem aptidões técnico-cientificas para, por si próprias, terem acesso à exploração das suas riquezas territoriais.

O enriquecimento à custa das deficiências alheias, por muito que as repressões de feição colonialista trabalhassem no sentido de mantê-las, mais tarde ou mais cedo, haveria de começar a caminhar para o fim anunciado. Se o fim da aventura colonialista dos ocidentais começou a ruir com o nascer, no fim da Segunda Guerra Mundial, de múltiplas Independências africanas e asiáticas, a data mais significativa para o retrocesso crucial do imperialismo da chamada civilização ocidental teve o seu acme na derrota dos ianques no Vietname. De então para cá, só quem não quis é que não viu que os imensos milhões de Homens e Mulheres, dos quatro cantos do mundo, ao ganharem, reforçarem ou reformularem as suas Independências Nacionais – com maior ou menor sucesso, com maior ou menor lisura – fosse como fosse, começaram a deixar de ser, sucessivamente, não só compradores de tudo como, pelo inverso, passassem a ser eles exportadores privilegiados, com presença mundial, constante e altamente competitiva.

Os centro-europeus e os ianques passaram a ter de contar, e muito bem, com, pelo menos, a força das economias chamadas emergentes cujas, por direito próprio e justiça inteira, alcançaram um nível económico bastante para que as suas populações, um número imenso de Homens e de Mulheres, de importadores tradicionais de tudo quanto ao ocidente melhor aprouvesse e aproveitasse, ao invés, passassem não só a deixar de sê-lo, como até, embora com uma riqueza interna muito mal distribuída, passassem a beneficiar com o fruto do seu país abandonar a total dependência e a passar a ser um exportador com grande projecção.

Se Portugal perdeu os seus mercados coloniais muito compensadores e fáceis de desfrutar e se, com isso, sofreu um forte abalo económico, cultural e social, então, os demais estados deste mundo dito ocidental, salvaguardadas as proporções de grandeza, de poderio e dum neocolonialismo evidente que Portugal não teve, mais tarde ou mais cedo, não iriam passar por circunstâncias semelhantes? Se não passaram com a mesma celeridade de Portugal, isso ficou a dever-se ao facto das suas descolonizações, por terem sido feitas num tempo mais devido, terem, por isso mesmo, conseguido assegurar a manutenção indesejável dum certo, vantajoso e proveitoso grau de neocolonialismo que se, por vários anos salvaguardou muito do património dos colonizadores, acabou, por fim, por começar a claudicar.

Nessas circunstâncias a competitividade ocidental, uma vez perdida a sua fácil exploração colonial, passou a ver-se abraços com a queda avantajada das suas mais valias. Quem, agora, precisa de comprar à Europa? De facto, o que é que a Europa faz que tenha compradores?

A seu tempo, a escolha política mais acertada estava no Movimento dos Países Não-Alinhados.
publicado por Carlos Loures às 21:00
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A Social - Democracia Europeia

Luís Moreira

Há muita gente na Europa que critica o sistema em que vive, vendo nele um conjunto de erros e injustiças sem cuidar de ver as suas qualidades.

A primeira qualidade é que nunca houve antes um sistema que tenha mantido por tanto tempo, tantos milhões de pessoas a viverem em paz, em democracia e com um modelo de apoio tão eficaz à família, à doença e à velhice.

A primeira causa,para este resultado, é que este sistema tem assegurado um nível sustentado de criação de riqueza que mais nenhum outro sistema conseguiu. Ora, este nível de criação de riqueza tem permitido que todos os cidadãos, melhorem o seu nível de vida, embora com profundos desequilibrios. Mas, no essencial, a vida das pessoas tem melhorado mais nos últimos cincoenta anos que nos dois séculos anteriores.

Este sistema, conseguiu criar uma rede de segurança social que abarca milhões de pessoas, os mais desprotegidos; uma rede pública universal de escolas que assegura a educação básica para milhões de seres humanos;e, providenciou, uma rede universal de cuidados médicos que assegura a saúde a milhões de pessoas que há cincoenta anos morriam por não terem água tratada.


Imperfeito, injusto e sem conseguir criar igualdade de oportunidades para todos, o sistema capitalista, como forma de criar riqueza, não tem paralelo, pelo que enquanto não aparecer um modelo de sociedade que consiga manter este nível de vida, nunca será substituído. Pode e deve ser aperfeiçoado, mas não pode ser substituído, pelo simples facto que ninguem está disposto a regredir no seu nível de vida. É uma falácia dizer que bastaria uma melhor repartição da riqueza para que a pobreza fosse erradicada.Aqui, já estamos a falar de homens melhores, mais generosos, mas que sistema nenhum,só por si, consegue criar.

Sou reformista, no sentido que quero partir de uma base sólida para um patamar mais elevado, à custa de mais e melhor justiça social, mas dentro de um quadro onde coexistam o Estado de Direito, a economia social de mercado e a democracia de tipo parlamentar.

Todas as experiências assentes em sistemas diferentes ruiram ou foram incapazes de provar melhor.




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publicado por Luis Moreira às 18:00
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Mis Camelias - notas de pié de página 1-19

[1] Achunchado, con vergüenza. Es un chilenismo derivado de la lengua Tupi, Etnia Guarani, de las hoy Repúblicas de Uruguay y Paraguay. El comentario encontrado es: Yo creo que los chilenos somos demasiado únicos, no nos parecemos a nadie, somos enrollados e intensos, cariñosos e indiferentes, así mismo achunchados y prepotentes... somos bastante freak, hay que decirlo. Retirado del sitio:

http://es.wiktionary.org/wiki/achunchado

[2] Judith Hart fue miembro activo del Partido Laborista, Ministro y Condecorada, como digo a seguir, sin perder la ligación a otras informaciones sobre la Política del Partido Laborista, que tanto ayudó a los chilenos exiliados: a British Labour Party politician: http://en.wikipedia.org/wiki/Judith_Hart

Su vida puede ser leída en: http://www.google.pt/#hl=pt-PT&source=hp&q=Judith+Hart&btnG=Pesquisa+do+Google&aq=f&aqi=g3&aql=&oq=Judith+Hart&gs_rfai=&fp=f6b80cce6b5828c1

Christened Constance Mary Judith Ridehalgh, she was educated at Clitheroe Royal Grammar School, the London School of Economics and the University of London. She married Anthony Bernard Hart in 1946. She was a lecturer at a teacher training college. She was a member of the Fabian Society and a branch secretary of the Association of Scientific Workers.

Hart was unsuccessful Labour candidate for Bournemouth West in 1951, and Aberdeen South in 1955. She was elected as member for Lanark in 1959, holding the seat until 1983. Thereafter she sat for Clydesdale until 1987.

[3] Judith Hart, como relato en otro libro mío, me había llamado por teléfono a Cambridge para pedir consejo de cómo no otorgar un crédito solicitado por Allende, cuando era Presidente, y que ahora iría a los bolsillos de le Dictadura Chilena. Mi respuesta fue simple: "Dr.Hart", pero fui interrumpido por ella y dijo "I am Judith, Professor", a lo que respondí, "If that is your wish, Minister, I am Raúl". Sean los que fueran los motivos de su llamado personal desde su Ministerio de Overseas Development, tuvo la simpatía de preguntar por mi familia doméstica. De inmediato le conté que no la dejaban salir y ella dijo: "Well, that it"s my concern now". Tres semanas después, estaba en este Gatwick que cuento en esta parte del texto, a la espera de la familia toda. Judith Hart está referida no sitio Internet: , página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Judith_Hart , fue creada baronesa por sus servicios prestados a la corona, como refiere la página web citada, fallecida muy nueva aún en 1991. Su muerte fue anunciada por su hijo y aparece el relato en la página web: http://www.google.pt/#hl=pt-PT&q=Judith+Hart+fallece&aq=&aqi=&aql=&oq=Judith+Hart+fallece&gs_rfai=&fp=732a3314d26e39e6 , muerta de cáncer que dice: Judith Hart, Baroness Hart of South Lanark DBE PC (18 September 1924 - 8 December 1991) was a British Labour Party politician.

Christened Constance Mary Judith Ridehalgh, she was educated at Clitheroe Royal Grammar School, the London School of Economics and the University of London. She married Anthony Bernard Hart in 1946. She was a lecturer at a teacher training college. She was a member of the Fabian Society and a branch secretary of the Association of Scientific Workers.

Hart was unsuccessful Labour candidate for Bournemouth West in 1951 and Aberdeen South in 1955. She was elected as member for Lanark in 1959, holding the seat until 1983. Thereafter she sat for Clydesdale until 1987.

She held ministerial office as joint Parliamentary Under-Secretary of State for Scotland from 1964-66, Minister of State, Commonwealth Office 1966-67, Minister of Social Security from 1967-68, Paymaster-General (with a seat in the Cabinet) from 1968-69, Minister of Overseas Development from 1969-70 and from 1974-75, and as Minister for Overseas Development from 1977-79. In so doing, Hart became the fifth woman ever to have been included in a government cabinet in the history of Britain.

In opposition, Hart was front bench spokesman on overseas aid, 1979-80. Govt Co-Chairman of the Women's National Commission, 1969-70. Within the Labour Party she was a member of the National Executive Committee, 1969-83, latterly as Vice-Chairman in 1980-81 and as Chairman in 1981-82.

She was appointed a Privy Counselor in 1967 and appointed a DBE. In 1988 she was created a Life peer, as Baroness Hart of South Lanark, of Lanark in the County of Lanark. Por haber sido importante en nuestras vidas, narro su historia casi toda. Sin Judith, que también organizó Academics for Chile, nunca habría conocido a Camila, ella a Felix y no habríamos sido tan felices como hemos sido.

[4] http://en.wikipedia.org/wiki/Holyrood_Palace , que dice, entre otras ideas: The Palace of Holyroodhouse, or informally Holyrood Palace, founded as a monastery by David I of Scotland in 1128, has served as the principal residence of the Kings and Queens of Scotland since the 15th century. The Palace stands in Edinburgh at the bottom of the Royal Mile. The Palace of Holyroodhouse is the official residence in Scotland of Queen Elizabeth II, who spends time at the Palace at the beginning of the summer.

Holyrood is an anglicisation of the Scots Haly Ruid (Holy Cross).

The ruined Augustinian Abbey that is placed in the grounds was built in 1128 at the order of King David I of Scotland. It has been the site of many royal coronations and marriage ceremonies. The roof of the abbey collapsed in the 18th century, leaving it as it currently stands a ruin.

The Abbey was adapted as a Chapel for the Order of the Thistle by King James VII (and II of England), but was subsequently destroyed by a mob. In 1691 the then-new Kirk of the Canongate replaced the Abbey as the local parish church, where today the Queen attends services when in residence at the Palace. No traduzco para no perder ligaciones a otros textos.

[5] El Diccionario de la Real Academia Española, DRAE, dice: ojeado, da.

(Del part. de ojear1).

1. adj. Hond. y Ur. Dicho de una persona o de una cría de animal: Que ha sido objeto de mal de ojo.

2. f. Mirada pronta y ligera que se da a algo o hacia alguien.

Puede ser leído en el sitio Internet: http://buscon.rae.es/draeI/SrvltConsulta?TIPO_BUS=3&LEMA=ojeada

En el caso de Chile, mal de ojo es una creencia de que algo anda mal por ser mal visto por alguien. Está en todas las entradas Internet: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Creencia+Chilena+Mal+de+ojo&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente en: Has oído sobre el mal de ojo? TE ha sucedido, que dicen que muchas personas poseen mirada fuerte y eso afecta muchas veces a los bebes que si los miran le causan mal. Retirado del blog Yahoo respuestas, para el público opinar: http://mx.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080421204943AA20I4c&show=7

En Colombia es muy popular esa creencia en algunos sectores de la población, y buscan curanderos que les miden creo que las palmas de las manos a los niños o los pies, y los voltean teniéndolos de los pies y así los curan dicen, hasta hay diferentes clases de ojos, el secador el que los deja mudos el que paraliza y a muchos niños les ponen azabaches o corales en las muñecas o en los talones para protegerlos de eso. Y dicen que cuando se sabe quien le hizo ojo al niño lo deben de llevar donde esa persona y ella lo debe de cargar todo el día. Información del blog Yahoo ya citado.

[6] Freud, Sigmund, escribió en 1905: On Sexuality, publicado en Viena de Austria en lengua alemana, y más tarde, en 1965 en Gran Bretaña, en 1953, por la Editora Pelican Books de Londres, donde el autor se había refugiado de la persecución Nazi, referido en: http://en.wikipedia.org/wiki/Three_Essays_on_the_Theory_of_Sexuality#_ref-0 En Castellano, está editado por Alianza Editorial, con el título de Sexualidad Infantil y Neurosis, en 2004: http://www.casadellibro.com/fichas/fichabiblio/0,3060,2900000973039,00.html?codigo=2900000973039&ca=1085

[7] El libro de Bion, discípulo inglés de Freud y Klein, que refiero, es el de 1962: Learning from experience, William Hainemann Medical Books, Londres. Citado en el sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Wilfred+Bion+Learning+from+experience&btnG=Pesquisar&meta= y en especial, en la página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Wilfred_Bion

[8] Klein, Melanie, discípula separada de Freud, está referida no sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=M%C3%A9lanie+Klein%2C+Envy+and+gratitude&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente en la página web: http://books.google.pt/books?ct=title&q=Envy+and+gratitude+published+by&btnG=Pesquisar+livros El texto referido fue publicado por la primera vez en 1946 en lengua húngara, y en inglés en 1975. La obra está en la Editorial Brasileña, escrita en lengua de Brasil, Imago, Volumen III: Inveja e gratidão, de 1985, pp. 205-267

[9] Iturra, Raúl, 2000: O Saber Sexual das Crianças. Desejo-te porque te amo, está referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+O+Saber+Sexual+das+Crian%C3%A7as&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web: http://www.freipedro.pt/tb/290600/soc9.htm , texto que comienza com la frase: "A criança é um ser humano com desejos", frase del diário Terras da Beira, del 29 de Junio de 2000.

[10] El original está retirado del volumen cuarto de las obras de Klein, publicados por la Editora Imago, de Río de Janeiro, 1ª edición 1975, la que uso está referida en la Internet y de la 2ª Edición en formato de papel, 4 Volúmenes, de 1985. El trozo citado, traducido por mí, dice: el yo de la crianza es muy inmaduro y el superego muy débil como para establecer un proceso psicoanalíco. El analista debe adoptar el papel de guía para apoyar el yo y para fortalecer el superyo. "Melanie Klein sustentava que o superego de uma criança é mais perseguidor e rude do que nas fases posteriores do desenvolvimento, e assim o papel do analista seria diminuir a severidade do superego, permitindo com isso que o ego se desenvolva mais livremente. Esta questão, bem como outros aspectos teóricos da obra de Melanie Klein, levantaram contra ela forte oposição nos meios psicoanalíticos, tendo sido mesmo proposta, em 1945, a exclusão dos kleinianos da Sociedade Britânica de Psicanálise". Texto escrito en lengua luso brasileña, posible de leer en la página web: http://www.bvs-psi.org.br/psilivros/us_resenha.asp?id_livro=749

[11] El lector puede encontrar ideas en la página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wilfred_Bion , y en el sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Wilfred+Bion++Learning+from+Experience&btnG=Pesquisar&meta=

[12] Spock, Benjamin, 1946 1ª Edición, la nuestra era de los años 60: El sentido común de cómo criar un bebé, o, como era denominado: Los cuidados del bebé y su infancia, cuyo título en inglés es: The Common Sense Book of Baby and Child Care, que se puede encontrar en la página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Spock#Books y en el sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Dr+Benjamin+Spock&btnG=Pesquisar&meta=

[13] Niña high, fue adoptado por la lengua Castellana Chilena, al ser exhibido el famoso filme High Society, de Charles Walters, con Grace Kelly, Frank Sinatra y Bing Crosby, entre otros, en 1956. Quien esté interesado, puede visitar las varias entradas de la página electrónica: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=High+Society%2C+Film&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Esa película un re-make de otra de 1940, The Philadelphia Story, de Joseph Manckiewics, con Katharine Hepbiurn, Cary Grant e James Stewart. Filme adoptado para referir a las personas elegantes y muy cursis en su manera de ser. Ni siempre es un elogio, pero, como siempre detesté los debates y las malas lenguas, entendía como una manera bonita de referirse a nuestra hija, que adorábamos. Para quién se interese, puede leer las diversas entradas de: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=The+Philadelphia+Story%2C+Film&btnG=Pesquisar&meta=

[14] La Isla de Cairu, es una de las que es referida, enfrente de San Salvador de la Bahía, Brasil, en el sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ilha+de+Cair%C3%BA%2C+S%C3%A3o+Salvador+da+Bahia%2C+Brasil&btnG=Pesquisar&meta= y en la página web: http://www.morrodesaopaulobrasil.com.br/portugues/geografia.htm, que dice: Morro de São Paulo está situado no extremo norte da ilha de Tinharé, ilha que compõe, junto com Boipeba, Cairú e outras 23 pequenas ilhas, o Arquipélago de Tinharé. O arquipélago fica a cerca de 60 quilómetros ao sul de Salvador, próximo á cidade de Valença. Cairu é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população estimada em 2004 era de 9.457 habitantes.

Cairu é o único município-arquipélago brasileiro (formado por 26 ilhas).

O município foi criado em 1608 com o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. Foi fundado depois da guerra contra os Aimorés, provavelmente em 1610, nasceu também com sua fortaleza.

O Arquipélago de Tinharé é também o único município-arquipélago do Brasil, o município de Cairú, com sede na ilha de mesmo nome. O texto original es en lengua lusa del Brasil, no son faltas mías al escribir. No traduzco para no perder ligaciones a otroa textos relacionados con los árboles y con las actividades de nuestra hija Camila en Cairu.y en San Salvador de Bahia.

[15] Camila Iturra está referida en el sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Camila+Iturra&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= y el comentario, en la página web: http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/story/2003/07/printable/030724_pinelmp .shtml , que tiene este título: Britânicos fazem concerto para proteger árvores brasileiras

O que árvore tem a ver com música? Muita coisa. Isto porque mais de 200 espécies diferentes de árvores são utilizadas para fabricar instrumentos musicais - e 70 delas estão ameaçadas de extinção.

[16] Tonto, es un adjetivo chileno, retirado de las formas nativas de hablar en Mapudungun o lengua de los Mapuche, importada a España por los colonizadores y que significa una persona que no entiende, que no sabe, que le es imposible comprender el sentido de lo que acontece o de lo que está dentro de un texto o de las palabras. También se emplea de forma cariñosa, cuando se responde con ironía a lo que otra persona propone. También el diminutivo, es símbolo de afecto. Hay otro significado en las varias entradas que voy a citar: Es también la persona que no quiere saber la verdad. El texto, en luso brasileño, dice así: Estas personas no quieren saber la verdad. Es posible leerlo en: www.brasilblogs.com.br/busca/tonto Hay un artículo extenso, de 1999, de la autoría de la académica Dense Salim Santos, cuyo título es: DEIXE O POVO FALAR

ARTIFÍCIOS LEXICAIS NO DISCURSO LITERARIO

DE JOÃO UBALDO RIBEIRO.

Retirado de http://www.filologia.org.br/viiicnlf/resumos/deixeopovofalar.htm

También hay otros significados que aparecen en películas, como: Tonto is a fictional character, the Native American assistant of The Lone Ranger, a popular American Western character created by Fran Striker. He has appeared in radio and television series and other presentations of the characters' adventures righting wrongs in 19th century western America.

Para saber más, puede ver la enciclopedia libre Wikipédia, página net: http://en.wikipedia.org/wiki/Tonto

También hay otros significados que sente ou tem tonturas.

idiota; bobo, alienado, ingenuo.

(Regionalismo - Brasil) embriagado. En: http://pt.wiktionary.org/wiki/tonto#Adjectivo,

También, como sustantivito en portugués: aquele que sente ou tem tonturas.

aquele que é idiota, bobo.

aquele que é alienado.

Aquele que é ingénuo retirado de la misma enciclopédia: http://pt.wiktionary.org/wiki/tonto , donde hay má informaciones.

[17] Extraño, en Castellano, quiere decir, o define personas que queremos y no están con nosotros. Era nuestra realidad, vivíamos pendientes de la familia que nos faltaba, vivíamos entre extraños. Debe ser por eso que la familia Vio de esos tiempos, y más tarde mi hermana Blanquita, nuestro Cuñado Miguel y nuestra sobrina Alejandra, eran personas de nuestra intimidad, en conjunto con la familia de Gonzalo y Consuelo Tapia, que nos habían cogido a nuestra llegada a Inglaterra. Para no tener dudas, busque una definición fuera de mi, y encontre esta: Uma palavra que parece muito com saudade em espanhol é a palavra (verbo) "extrañar", que significa notar a falta de uma pessoa, ou sentir que alguém não está. La definición está en la página web: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061110182646AA9ug3 , del sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Significado+Palavra+Extra%C3%B1o+Espa%C3%B1ol&btnG=Pesquisar&meta=

[18] Id es un concepto definido por Freud en su teoría sobre el análisis del inconsciente, uno de los lugares del cuerpo humano más difíciles de investigar, que requiere mucho entrenamiento por parte del analista. Una de las definiciones encontradas, es derivada de las teorías de Lacan: "A fronteira para além da qual se desintegra a nossa identidade humana está traçada dentro de nós, e não sabemos onde". Retirado del sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Defini%C3%A7%C3%A3o+Conceito+Psicoanalista+de+Id&btnG=Pesquisar&meta= , específicamente del espacio net: www.psicoanalisisenelsur.org/num3_articulo2.htm - , definición del analista Vitor Igor Lobão, cuyo texto está en el lugar net referido, intitulado: "Do espírito do feiticismo á lógica a-crítica do consumismo.Freud define así: "O id (isso) é o termo usado para designar uma das três instâncias apresentada na segunda tópica das obras de Freud. Possui equivalência topográfica com o inconsciente da primeira tópica embora, no decorrer da obra de Freud, os dois conceitos: id e inconsciente apresentem sentidos diferenciados.

Constitui o reservatório da energia psíquica, onde se "localizam" as pulsões. Faz parte do aparelho psíquico da psicanálise freudiana de que ainda fazem parte o ego (eu) e o superego (Supereu). Escrito en lengua luso brasileña, e retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Id . También es necessário sintetizar la teoría Freudiana, para entender esta idea de andar entre extraños: O id representa os processos primitivos do pensamento e constitui, segundo Freud, o reservatório das pulsões, dessa forma toda energia envolvida na actividade humana seria advinda do id e, portanto, de origem sexual. O id é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas.

O ego, permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. é a instância na que se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se á realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cômoda para o id e o superego.

O superego, a parte que contra-age ao id, representa os pensamentos morais e éticos internalizados. Retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud#Divis.C3.A3o_do_Inconsciente . Por lo que, cuando refiero Id en el texto, estoy a hablar de la regresión que hacemos cuando nuestra identidad es perdida al ser transferidos, como seres humanos, a otra cultura que no es nuestro, sin estar con los nuestros, nuestra lengua, nuestros hábitos y nuestras propiedades. Cuando perdemos todo eso, en mi análisis, tornamos a un proceso infantil, hay que comenzar todo de nuevo, con el efecto agravante de tener hijos pequeños, que necesitan de la protección de sus padres activos y que entienden una realidad que puede ser explicada. Sin embargo, y por causa de estar en otra cultura, esos adultos han, entretanto, vuelto a la infancia, al estar a tentar entender otros conceptos de otras lenguas.

[19] Mariana está referida, con la profesión que tiene hoy en día, de Bibliotecaria Especializada, en el sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Odepa+Mariana+Giacaman+Valle&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente en la página web: http://www.odepa.gob.cl/transparencia/honorarios.html
publicado por Carlos Loures às 15:00
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Sobre Arsénio Mota


António Gomes Marques

No passado dia 21 de Maio, a Sociedade Portuguesa de Autores, dentro das comemorações do seu 85.º aniversário e o Dia do Autor Português, entregou as Medalhas de Honra da SPA a alguns dos cooperadores «que se encontram em fase avançada da sua carreira, sendo uma forma de reconhecimento pelo trabalho realizado em diversas áreas criativas.» Entre os galardoados com esta medalha encontra-se o meu amigo Arsénio Mota, que já vai nos 55 anos de escrita. Ora, há cerca de 5 anos, a Campo das Letras, com o patrocínio da Fundação Eng.º António de Almeida, publicou «Arsénio Mota – 50 anos de escrita», para cuja edição contribuí com o texto que se segue:

PARA O MEU AMIGO ARSÉNIO

Como é que se pode falar de um amigo, sobretudo quando se pretende que outros leiam o que dele pensamos? Será talvez voltando ao início de tudo o que vivemos em conjunto nestes últimos 30 anos.

Recordemos então.

Tudo começou em 1975, quando o Luís, da Livraria Ler, em Campo de Ourique-Lisboa, me disse: «Vou publicar um livro de que vais gostar.» Tratava-se de Um País de Pequenos Burgueses, de um tal Arsénio Mota, de quem eu tinha ouvido falar vagamente, sempre o associando ao jornalismo e, especialmente, ao «Jornal do Fundão».

O Luís tinha razão, gostei mesmo do livro! E de tal maneira gostei que me apressei a telefonar ao autor, pedindo-lhe um encontro, a que ele acedeu de imediato, levando-me a, mais uma vez, rumar à, para mim, querida cidade do Porto.

Na altura estava eu embrenhado, com outros companheiros, em mais uma ilusão, criada por aquele tempo maravilhoso que vivemos a seguir ao 25 de Abril. Pensávamos então que seria possível pôr os trabalhadores deste nosso Portugal a ler obras que tivessem a ver com a construção do seu (nosso) futuro, se essas obras lhes chegassem a preços módicos e através das estruturas de trabalhadores. Algumas obras se publicaram, nomeadamente dois livros para crianças com co-autoria do Arsénio. As obras lá se foram vendendo, mas os únicos trabalhadores por conta de outrem que os adquiriram tinham suficiente poder de compra para o fazer e tinham já hábitos de leitura.

Mas voltemos ao Porto, aonde me dirigi, com um outro parceiro da ilusão e com as nossas companheiras, ao encontro do Arsénio. Conversámos e o Arsénio não quis tirar-nos as ilusões, apoiando mesmo a ideia, embora a sua experiência em projectos semelhantes lhe tivesse saído financeiramente muito cara. Claro que o 25 de Abril também lhe tinha aumentado as esperanças e o seu apoio logo nos foi disponibilizado.

Houve um outro facto que nos fez olhar para o Arsénio com uma grande empatia: não aceitou que ficássemos num hotel, cedeu-nos duas camas no apartamento que então tinha na Rua de Monsanto. Lembremos que apenas tínhamos contactado pelo telefone e que, pessoalmente, foi a primeira vez que falámos! Nasceu assim uma amizade que perdura, cada vez mais forte.

A sua generosidade logo ali ficou demonstrada, generosidade essa de que sempre deu provas ao longo de todos estes anos, nomeadamente ao chamar a atenção para os poetas e outras figuras das artes e das letras da sua terra de origem, a sua querida Bairrada.

Às vezes surgem discordâncias nas nossas discussões, onde a sua casmurrice é mais constante do que a minha, naturalmente por eu, nas discussões, ser bem mais dialéctico do que ele, mas no fim lá acabamos por nos entender.

Os encontros tornaram-se constantes, em Lisboa e no Porto, e em algumas viagens por esse Mundo também tivemos a sua companhia.

A leitura da sua obra tornou-se um hábito, não só por desejo de a conhecer, mas também por o Arsénio me passar a enviar os seus livros, à medida que foram sendo publicados.

É o Arsénio detentor de uma linguagem clara, cheia de luz, de uma linguagem que sentimos estar-nos próxima, direi mesmo de uma linguagem que sentimos familiar. Sentimo-lo na ficção, mas sobretudo na crónica, de que o Arsénio é um dos excelentes cultores, cronista atento ao seu e nosso tempo, cronista que nos chama a atenção para os pormenores que nos vão escapando e que, se mais atentos a eles estivéssemos, melhor saberíamos viver as oportunidades que a vida nos vai possibilitando. A título de exemplo, leia-se o Som de Origem. Desta opinião, a sua excelência no cultivo da crónica, não partilha o Arsénio, naturalmente por gostar de ser mais considerado como autor de ficção e, especialmente, de livros para a infância e juventude, que ele tem cultivado com êxito, mas que é também uma parte da sua obra, significativa é certo, que não me sinto capaz de criticar. Vejamos porquê:

Um dia, o Arsénio enviou-me o livro de contos A Última Aposta e o livro para os jovens Os Segredos do Subterrâneo, dactilografados, pedindo a minha opinião. Do primeiro disse o melhor; do segundo fui talvez exageradamente crítico, ou seja, não gostei. Mais tarde, foram ambos publicados, mas Os Segredos do Subterrâneo receberam o prémio do «Ano Internacional da Juventude», 1986, o que me retirou todas as veleidades, se algum dia as tive, de vir a ser crítico de obras para a infância e juventude.

A terminar, pois já esgotei o espaço que me deram, direi ainda que na obra de Arsénio Mota se sente a realidade do nosso tempo, o que faz dele, hoje, um dos autores vivos da literatura portuguesa.
publicado por Luis Moreira às 13:00
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No ano do centenário de Ricardo Carvalho Calero

Carlos Loures


Comemora-se este ano o centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero. (Ferrol, 1910 — Compostela, 1990). Figura cimeira da intelectualidade galega do século XX, escritor, filólogo e primeiro Catedrático de Língua e Literatura Galegas. Foi o principal teórico da corrente reintegracionista, ou seja, dos que defendem que o galego e o português se devem voltar a unir, pois são duas formas dialectais do mesmo idioma, como defenderam Carolina Michaëlis e Manuel Rodrigues Lapa, entre outros.  Porém, apesar da grande importância que a sua obra assumiu, sobretudo na última fase dos seus trabalhos, Carvalho Calero não teve nem tem em Portugal a ampla divulgação que se justificava pela transcendência da sua obra.

Estrolabio, depois de ter dedicado a sua edição de 17 de Maio ao Dia das Letras Galegas, vai consagrar a esta grande figura do universo cultural da lusofonia uma série de textos de divulgação da sua obra em prol de um galego genuíno e liberto dos constrangimentos que o sufocam e pretendem reduzir à condição de dialecto do castelhano. E a edição de 30 de Outubro, dia do centenário, será inteiramente dedicada à língua e à literatura galegas, particularmente à figura e à obra do Professor Ricardo Carvalho Calero.  Entretanto, num dos próximos dias, comentaremos importantes declarações do Professor Elias Torres e de Carlos Quiroga, da Associação Galega da Língua.


 
publicado por Carlos Loures às 12:00
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Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo III

Etapa 1, até Vila Franca de Xira
Segunda parte: Do Parque das Nações a Alverca

Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes.
Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra


Devera apanhar o metro e voltar para casa, sensato seria, pensa o leitor e tem razão, porém eu sou filha de uma obstinada, duplamente obstinada, por ela e por mim; e uma optimista. Por conseguinte teimo: é impossível estas botas fazerem bolhas nos pés, a forma e a função, os materiais estudados em laboratórios, logo, posso estar enganada, ilusão psicossomática, contradição inconfessada, desejo mas também temo lançar-me nesta aventura.

Ora bem... Quatro quilómetros e meio para Sacavém. Sete para Alpriate. Dois e meio para a Póvoa de Santa Iria – onde há uma estação. Então não hei-de caminhar treze quilómetros? Com umas botas, não de sete léguas mas, garante o folheto que as acompanhava, tecnologicamente adaptadas? Os peregrinos da Idade Média iam menos bem calçados. Avanço, portanto. A ponte Vasco da Gama, sua beleza alada. O Passeio do Tejo, o Passeio do Sapal. Caminho num tabuado. Ao meu lado direito, areia, ervas, lama e gaivotas: o referido sapal. Chego ao extremo do Parque das Nações; circulam ainda por aqui alguns ciclistas. Passo a um caminho de areia, atravesso um parque de estacionamento, viro costas ao Tejo, encontro-me à beira do rio Trancão, numa zona bem cuidada, com madressilva e outras plantas, atravesso uma esplanada, avisto uma igreja, tenho à direita o Trancão, atravessado por uma ponte semicircular, paro num cruzamento, antes de atravessar a outra ponte que, parece-me, pelo mapa, separa Sacavém da Bobadela. Sabendo que, a partir de agora, entro num território sem cafés, lembro-me de comprar duas sanduíches e outra garrafa de água, um pouco inquieta, que qualidade encontrarei, devera trazer o necessário, pensei nisto em casa, não me apetecia pão rijo, comprado ontem, entro num café, assusto-me à entrada, quase recuo, azulejos e chocalhos, lixo no chão, em França que horrores me venderiam neste sítio, se acaso existisse, aqui os bolos têm contudo bom aspecto, peço para ver o pão, parece-me também bom, propõem sandes com presunto, demasiado salgado, paio e queijo flamengo, pode ser, inquiro se há queijo alentejano, não há, da ilha podem arranjar, é um instante, suplico que não ponham manteiga, vendo a embalagem de margarina já aberta. Atravesso a ponte com o saco mais pesado. Graças às setas amarelas do Caminho de Santiago e à sinalização azul do Caminho de Fátima, encontro um atalho arenoso por onde sigo, o qual contorna o parque de estacionamento de uma empresa, passa debaixo de uma conduta verde, fura através do vale, estreito mas vasto, paralelo aqui à auto-estrada. Sou agora a única caminhante. Eu a pé em baixo, através do sapal, à beira do rio Trancão, a auto-estrada lá em cima. Doem-me os pés, sinto calor; nenhum destes desconfortos diminui a euforia da liberdade e da descoberta. Acelerem lá em cima, como vos aprouver, deixem-me este espaço – mesmo tão degradado.

O cheiro do rio é espesso. Vejo um monte de entulho, um camião abandonado. Passam aviões com ruído. Apesar disto tudo, alheia a isto tudo, a vegetação cresce. Viçosa. Oiço cigarras, rãs, gaivotas, toda uma vida teimosa. Há juncos, canas e, à medida que avanço pelo vale, dou-me conta de não ser a única utente deste espaço. Muito mais discretas do que eu, quase camufladas em ruínas ou em construções que, por vezes, fazem pensar em gaiolas, meia dúzia de ripas, um oleado, entaladas entre o sapal e a encosta que conduz à auto-estrada, escondem-se ali vidas clandestinas. Não vejo ninguém mas oiço cães ladrar, galos cantar, ovelhas balir – e sobretudo vejo as hortas quase suspensas cultivadas entre a zona alagadiça e a encosta a pique: couve, alface, tomate. Vidas paralelas ao mundo lá de cima, cujos acessos sinuosos distingo agora através da encosta: como é que, mesmo no Verão, conseguem descer sem escorregar? E como é que aqui chegam? Atravessarão a auto-estrada? Avisto nos píncaros os telhados de algumas casas – haverá ruas? Meios de transporte?... São os abandonados de todos, excepto de eles próprios: provam-no estas hortas que lhes dão dignidade.

O sol queima. Decido-me a comer o que resta do chocolate; já derretido. Acabo de beber a primeira garrafa de água – tão quente que pudera fazer chá. Lamento não trazer dois ou três sacos com as apetecidas folhas.

Quando saio do caminho entre o Trancão e a encosta, encontro-me numa paisagem diferente. Enquanto tudo ali era verde e vivo, tudo aqui parece amarelo e morto por falta de água. Único elemento activo: as moscas. Picam tanto que utilizo o mapa como leque: para me defender. Sucedem-se as antigas casas rurais, abandonadas e em ruínas; sucedem-se os montes de lixo, sofás, móveis, entulho, sanitas... A polícia e as autoridades camarárias fazem parte do mundo lá de cima: o da auto-estrada que continuo por vezes a avistar.

Todos os roteiros do caminho de Santiago aconselham a posse de um bordão. Para os caminhantes se defenderem dos cães. Bem... Eu prefiro ter as mãos livres para pegar no mapa, na garrafa de água, na máquina fotográfica... E também prefiro manter uma aparência discreta, confundir-me, o mais possível, com a paisagem; a minha mascote de andarilha é o camaleão. Compra um bordão telescópico, podes dobrá-lo, aconselhou o meu irmão. O mesmo aconselharia o leitor prudente... Não comprei. Pensei que não fosse necessário. De súbito, passado um lugar chamado Granja, junto a uma zona industrial: sou atacada por dois cães. Tento defender-me aos pontapés mas eles são dois e ferozes. Eu berro, as feras ladram, corre um homem, lança-lhes para cima o que tem na mão – calhou ser uma corrente. Os cães afastam-se. Toda eu tremo. Parece-me que, desde Sacavém, não avistei dez pessoas... Se este homem não tivesse surgido, naquele espaço tão deserto – eu tinha sido devorada. Atravesso um mundo sem autoridades, em que cada um se defende como pode; por isso tenho visto e ouvido mais cães do que homens. Os cães aqui servem para proteger. E para atacar.

Quando chego a Alpriate já bebi dois litros e meio de água. Quente, claro. Cada vez mais quente. A minha camisola começa a ter grandes manchas brancas nos ombros e no peito: o sal da transpiração. Compro mais litro e meio de água no único café-restaurante.

Os meus pés continuam a doer. Resisto à tentação de me sentar ao fresco: se me sento, sou incapaz de prosseguir. Sinto fome. Como as bolachas vitaminadas. Como as nozes. Como alguns figos que, com a sede, me parecem demasiado doces. Mais adiante, logo que encontrar uma sombra, sento-me um pouco, para descansar e comer uma sanduíche.

À saída de Alpriate vejo-me à beira de uma estrada, sem berma, com camiões a circular nos dois sentidos – por aqui não é possível sobreviver a cinco minutos de caminhada. Volto para trás. Descubro com alívio que me enganei no caminho, uma seta amarela indica o desvio da estrada, num caminho que passa através dos canaviais. Montes de lixo. O lixo é a constante deste espaço fora da lei. Vou até à Póvoa de Santa Iria sem poder poisar-me num sítio apetecível – tudo me parece demasiado sujo.

Apanho, não apanho o comboio? Estou a seis quilómetros de Alverca, por um caminho sem dúvida bonito, através de uma antiga zona de extracção de sal. Não resisto: continuo. E pode ser que encontre por lá a tal sombra onde possa poisar e comer a sanduíche. Atravesso por cima da linha do comboio. E de um esgoto como só na Índia e na China eu julgava poderem existir – por os ter visto. Pois...

Entro noutra zona vasta e desértica. De um lado, lá longe, à minha esquerda, as indústrias, do outro esta extensão plana. Não há árvores, só canaviais – portanto, sombras: nada. Como a sanduíche a caminhar. Cada vez mais exausta. Cada vez mais sequiosa. Incapaz de apreciar a beleza da paisagem. Devera ter comprado mais um litro de água. Urinei pela última vez no Parque das Nações, há mais de cinco horas, tornei-me um regador, tudo o que bebo sai na transpiração. Não tenho a camisola húmida mas parece, cada vez mais, que me despejaram uma lata de tinta branca pela camisola. O sol queima de maneira inquietante: vesti uma camisola de manga comprida, pus um boné e um lenço à volta do pescoço, besuntei-me com protector solar, contudo a cara e pescoço ardem. A meteorologia previu trinta e cinco graus em Lisboa – quantos haverá aqui? Sinto o coração a bater. Cansaço? Insolação? Devo parar e descansar? Ao sol? Mais vale avançar. Em Alverca encontrarei sombra e comboios.

Avanço.

Entro na estação de Alverca – vejo mesas e cadeiras. Miragem?... Não! Sento-me. Peço uma Água das Pedras. Fresca. Com a rodela de limão.

Bebo.

Peço a segunda.

Nunca provei bebida tão divina.

Recupero progressivamente a faculdade de pensar. Vejamos... Percorri dois terços do caminho, faltam menos de dez quilómetros para chegar a Vila Franca de Xira, não é grande distância, porém os meus pés, cujo estado quero por ora ignorar, não me permitem prosseguir: atingi o limite das minhas forças. Em vez de uma insolação, prefiro apanhar o comboio para Moscavide. Começarei a próxima etapa nesta refrescante estação de Alverca – com uma Água das Pedras.

Sinto-me quase escandalizada quando a máquina da estação me pede menos de euro e meio pelo bilhete. Tão pouco para tanto? Compreendo só naquele instante a que ponto o trajecto da ida não corresponde ao da volta. O comboio, o automóvel, o avião, distorcem-nos a percepção do espaço: ganhamos velocidade, perdemos visão. Eu hoje, através da caminhada, acedi a territórios e perspectivas que, de outra maneira, continuaria a ignorar. Os quilómetros que andei não correspondem aos quilómetros de um carro: não passam pelos mesmos lugares, não mostram as mesmas paisagens, não atingem as mesmas realidades, não produzem as mesmas sensações... Entrei noutra realidade.

E a ela quero voltar.
publicado por Carlos Loures às 10:00
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Salvar a Pátria!


Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010, por Henrique Monteiro


Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado ‘rico’ e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser ‘rico’… Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e – de uma forma inovadora – pagando mais impostos.
Enquanto a pátria era salva, taxando ‘ricos’ como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda… por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.
E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não – como mais uma vez é feito – aumentar as receitas à nossa custa.
Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.





    publicado por Luis Moreira às 09:00
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    Sonhei que te abracei

    Ethel Feldman



    Sonhei que te abracei num dia sem fim

    sonhei que eras todos sendo nenhum

    sonhei com esta época todos os dias

    sonhei connosco sorrindo



    desejando sem desejar

    esta época todos os dias
    publicado por Carlos Loures às 08:00
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    Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

    Carta de Carlos Leça da Veiga a Carlos Matos Gomes

    Há dias, no Estrolábio, numa sua mensagem dirigida ao Carlos Loures, fez alguns comentários a propósito dum texto de minha autoria.

    Agradeço a atenção que fez o favor de dispensar-me mas, sem querer polemizar sinto-me obrigado a considerá-los, apenas e sobretudo, como subentendidos deduzidos – mas mal – do meu texto sobre a, para mim, muito desejável Independência da Galiza.

    No meu escrito não há nenhuma referência a Liberdade, a associação de nacionalismo com liberdade nem, tão pouco, a base religiosa e étnica.

    Para quê entrar nesses terrenos. Falei de Independência Nacional, de Direitos Humanos e de Democracia. Há terrenos que não pisei pelo que, para lá, não devo ser empurrado. Se lá tivesse estado – e nunca estive – pelo certo, retirar-me-ia, porém, sem espírito de recuo. São áreas demasiado especulativas para as minhas capacidades.

    “Tenho um conceito de Liberdade – escreve o Matos Gomes – que não se sente ameaçada, nem ofendida por a Galiza não ser independente”. Não consigo acompanhá-lo mas o que está em causa é saber se o conceito de Democracia (Democracia e Liberdade não são sinónimos) está ameaçado e ofendido. Para mim está e está definitivamente. Pode haver Liberdade e não haver Democracia. Em Portugal, por exemplo, há Liberdade (isto é, a Constituição reconhece e codifica as Liberdades políticas) mas, em minha opinião – e estou bem acompanhado – não há Democracia. A Constituição não permite chegar a tanto, excepto se o modelo conceptual constitucional, velho de milénios, for julgado como uma boa resposta. Para os possidentes, é.

    No caso do estado espanhol até pode haver todas as liberdades políticas mas se há – como há – Nacionalidades oprimidas, então, não há Democracia. E, antes do demais, é isso que está em causa.

    Haverá Democracia num Estado – o tal Estado-Nação – em que há Nacionalidades oprimidas? A partir da nossa fronteira terrestre, por essa Europa fora, são imensas.

    Para o Matos Gomes há dificuldade em definir o que é uma Nacionalidade o que, em meu entender, só pode decorrer da confusão imposta pelos Estados expansionistas que inventaram o tal conceito de Estado-Nação.

    O que é, por exemplo, um espanhol? Um alemão? Um italiano? Um russo?


    Os R eis Católicos, Napoleão, Cavour, Bismarck e Ivan III, cada qual na sua modalidade, inventaram os Estados-Nação. Por cá não se chegou a falar dum Portugal do Minho a Timor? A Inglaterra, sob a designação Reino Unido, coloniza a Escócia, a Irlanda do Norte e o País de Gales e, sem propriedade mas astúcia vai ao ponto de chamar-lhes britânicos; rouba-lhes a indicação da nacionalidade em favor daquela da insularidade!

    Tentar definir o que é uma Nacionalidade não pode ser feito em função das designações que os Estados-Nação a si mesmo deram mas sim em respeito pelas designações históricas que, sucessivamente, foram submetidas e esbulhadas das suas autonomias políticas. Dever-se-á contemporizar com os crimes de usurpação? Aceita-se a sua prescrição?

    Um alsaciano ou um loreno, como exemplos bem frisantes, têm sido, sucessivamente, alemães e franceses, quando, afinal, só devem ser alsacianos e lorenos, estes últimos só incorporados no reino francês, em 1738.

    No meu texto sobre a Independência da Galiza não há qualquer sugestão de fazer substituições dos múltiplos invasores que proliferam na Europa por qualquer religião ou qualquer etnia (uma designação sem qualquer sentido) tal como nada de semelhante é preconizado em relação a qualquer Estado doutros continentes. O que haverá no meu texto que justifique haver tais referências, ou inferências? Quem o ler como irá situar-me? Não gosto.

    A Ordem Internacional é justa? Não deve ser contrariada?

    Só os portugueses é que não podiam ter colónias? Os outros têm outros direitos?

    O Matos Gomes fala do grande sucesso dos Estados-Nação porém, se as coisas forem bem medidas e melhor avaliadas, os seus resultados mais influente foram e têm sido muito prejudiciais, tudo por força dos efeitos dos seus vários expansionismos – os seus imperialismos – que vivem em contradição constante com os seus tão apregoados equilíbrios estratégicos.

    Um dia conversaremos.

    Um abraço do

    Carlos Leça da Veiga
    publicado por Carlos Loures às 21:00
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    10 minutos de viagem, 60 minutos de atraso...



    Luís Moreira

    Somos um país moderno, pensamos em grande, grandes autoestradas, as pontes maiores da Europa, o TGV, o aeroporto “HUB” à volta do qual vão cirandar os aviões de todas as companhias…

    Eu, no sábado, comprei um bilhete no Pendular para ir ao Porto, paguei o que me pediram, aliás não há concorrência, se quiseres escolhe, podes ir de carro ou de avião, mas de comboio é mesmo aquele, aí vou eu todo contente, adoro andar de comboio, já dei uma volta à Europa de comboio, e nos países escandinavos acordei no mar alto dentro de um comboio que por sua vez estava dentro de um barco, e o horário é cumprido ao minuto.

    Pois, no sábado, ao fim de 10 minutos de viagem o comboio parou, trabalhos na linha, quando me venderam o bilhete (trata-se, para todos os efeitos, de um contrato) já sabiam que não podiam cumprir a parte deles que era colocarem-me em Campanhã em 2 horas e 45 minutos depois. Estivemos parados 60 minutos ou perto disso, cheguei ao destino com duas horas de atraso, diz-me o revisor do comboio que apanhei de ligação para Pinhão, não é este o comboio era o anterior, pois era, digo eu…
    publicado por Luis Moreira às 18:00
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    Mis Camelias - 9

    Raúl Iturra

    La flor crece y brota.

    Había dejado a Camila en su crecimiento normal, con algunas ideas de su vida adulta, que fue necesario adelantar para explicar su crecimiento y sus deseos de reivindicar lo que le parecía injusto. No he abandonado a Eugenia que tenía otras maneras de reivindicar. Nuestras dos Camelias eran especiales. No estoy seguro si llamarlas Camelias [177] o Orquídeas [178], esas dos lindas flores que tengo en mi estufa fría, o pequeña casa para guardar las flores y protegerlas de sol y de la lluvia. Como el lector puede entender, es una metáfora [179] porque son las flores más lindas del mundo, y nuestras hijas, son las niñas más lindas del mundo, para nosotros y para muchas personas. Si desvío los ojos para la izquierda de mi secretaria, donde escribo, veo una foto de Camila, una foto linda que le fue tirada un día cualquier, por una señora de una revista inglesa, en la ciudad de Brighton, cuando ella cursaba Ecología en la Universidad de Sussex. Ella preguntó por qué quería tomar una foto de ella, y la señora respondió, porque es linda y tiene aire de princesa, ese mismo aire con que era reconocida por la familia de mi amiga del alma y colega en el Laboratorio de Antropología del Collége de France, Marie-Elisabeth Handman, en Paris. Es verdad, tiene un andar muy seguro, un porte altivo y es de una grande amabilidad con todas las personas. Esa foto de los años 90 del Siglo XX, nunca me ha abandonado, como todas las otras de mi familia pequeña y de mi familia extensa. Así como colecciono flores para me distraer, voy guardando también fotos para recordar. Para recordar lo que amo a mi familia, que está lejos de mí, pero que vive en mis sentimientos y en las visitas que me hacen o que yo hago a todas ellas. La metáfora de Mis Camelias, viene del nombre de Camila, escogido por mi mujer cuando estábamos en Londres, con Eugenia, otra vez en el hospital, por haberse alimentado con comida que estaba fuera del plazo de validad. Más una enseñanza de nuestras hijas para sus papás, que no tenían la experiencia de ser progenitores. Había un bebé, por nombre, Camila. Gloria quedó tan prendada de la niña, que decidió poner Camila a su próxima hija, que aún no estaba creada, pero ¡acertó de lleno! Como es habitual en ella. Siempre sabe y, tengo la impresión, de que nunca se equivoca. No estoy a honrar a la madre de mis hijas, es apenas mi experiencia a lo largo de los años en que hemos estado unidos, porque nos amábamos y, después, por las hijas que tuvimos y por los hijos que perdimos y, más tarde, por los nietos, vivos o muertos. Es lo que yo llamaría una mujer llena de fortaleza, serenidad y emprendimiento. Como se dice en Chile: una mujer con agallas [180]. He buscado todas estas alternativas porque no solo la madre de mis hijas es una mujer con agallas, nuestras hijas también lo son, y con mucha fortaleza. Supieron vivir bien el mundo sin familia que teníamos y lucharon tenazmente para conquistar lo que son hoy en día, cada una en lo suyo, que voy a narrar. Sin dejar de hacer un comentario antes. Los hombres latinos no sabemos confrontar mujeres con agallas, mujeres fuertes, como las que he tenido en mi familia: mi suegra Amanda, mi mujer, nuestras hijas. Rápidamente entramos, por así decir, en coma.


    Este hecho de mujer con agallas, es muy típico de Eugenia. Nunca olvido el día de Navidad, cuando ya estudiaba ciencias para prepararse para ser psicóloga, en su preparación preuniversitaria, denominado Hills Road Sixth Form College [181], paso previo para entrar, con saber especializado, a la Universidad de Sheffield, en el Norte de Inglaterra. Tenía la fiesta de fin de año, a la cual debía asistir de traje largo y oscuro, era una fiesta de etiqueta. Era una fiesta elegante. Pero como éramos, en ese tiempo, exilados sin recursos, ella tuvo que hacer el vestido, convertir un traje antiguo adquirido en lo que se denomina una feria libre o jumble sale, para vestir un traje adecuado. Era Navidad, la familia junta celebrando la fiesta ritual en nuestra casa de Cambridge. Cuando acabó de remodelar su vestido, faltaba una hora para ir. Vendría a buscarla, de automóvil, su compañero de fiesta, un colega de aulas. Estaba muy cansada ya: estudiaba y preparaba sus estudios en casa y hacía su ropa también. A pesar de todo, danzó toda la noche: quería divertirse, lo menos que podía querer una niña púber que trabajaba tanto. Durante el baile, su compañero le pisó el vestido, que cayó y dejó la parte alta del cuerpo... ¡al descubierto! Ella no se avergonzó, subió el vestido como si nada hubiera pasado y continuó su danza. La mejor defensa para quién, sin querer, comete una gafe... como si nada hubiera pasado. Se moría de la risa cuando lo contó al día siguiente. Claro que el precio fue caro: ella iba al baile con uno de los jóvenes que más admiraba, el mejor de su clase, ¡y lo perdió! Pero ganó otros, tantos, que perdí la cuenta. Nuestra hija Eugenia era una mujer de agallas. Pasábamos horas del día a dictarle textos desde un libro, para ella aprender a escribir sin faltas de ortografía.

     Cotejábamos texto oído y escrito por ella, con el libro que yo había leído, y corregía sus fallas, faltas que no siempre eran muchas, pero que existían. Era evidente que existían, porque se estaba a formar y no sabía todo. Si supiera, era poco necesario ir a la educación de enseñanza superior. Estas instituciones han sido pensadas para preparar a los jóvenes para ser ciudadanos de saber intelectual y entregar alguna contribución a la sociedad civil. Eugenia estaba decidida a ser Psicóloga Clínica, para lo cual debía asistir, después de los tres años en la Educación Superior, a estudiar solo Psicología en la Universidad de Sheffield, escogida por ella. Había sido aceptada en varias Universidades que tenían Psicología en sus planes curriculares. Me preguntó si debía ir a todas las entrevistas, mi respuesta fue rápida y sintética: Hija, a todas. Así aprendes lo que son las entrevistas, comienza por la que te parece menos importante, comparas los currículos, aprendes a decir lo que ellos pretenden de ti y te preparas para la que te parezca mejor. Normalmente, los jóvenes británicos hacen un interludio entre la preparación para la Universidad y su entrada en ella. En 1989, Eugenia lo hizo y se transfirió a Chile, como miembro de Amnistía Internacional, para visitar a sus primos consanguíneos, presos por la dictadura que había en Chile en esos años, como he narrado en otros textos míos. Lo que vio no le agradó y fue lo que la impulsó, como última decisión para prepararse para la profesión de psicóloga. Así lo hizo, fue entrevistada por todas las Universidades, como he dicho antes, fue aceptada en todas y ella escogió Sheffield [182], por dos motivos. El primero, me pareció emotivo: estaba lejos de casa... de la cual ya estaba aburrida. El segundo y, para mí, el más plausible y lógico, era el de ser la Universidad más experta en Psicología Clínica de la Infancia, su vocación. Había un año común para las varias especialidades, y dos de especialización en Clínica, años en los cuales comenzaba ya a tratar de clientes, o pacientes como son llamados por las ciencias que curan las persona, física o emocionalmente. Palabra que siempre tengo luchado en contra, por ser una palabra que coloca al ser humano en una situación especial, descatalogado de entre los otros. O, también, subyugadora de las personas hipocondríacas [183], que siempre adoran estar enfermas siempre enfermas, y que sus conversaciones giran siempre en torno de sus enfermedades y de lo bueno que son sus médicos, cuál la mejor receta y cómo ésta le había hecho tan bien. Normalmente, los peritos en cuidados de seres humanos, recetan placebos [184], esas píldoras que están hechas de... azúcar, pero que el hipocondríaco piensa que es lo mejor que hay, los clínicos las recomiendan y ellos sanan… Personas que piensan que el centro de la vida es su salud siempre deteriorada. Hasta donde mi larga experiencia me dice, son seres humanos que nada más tienen que hacer en el mundo, excepto estar siempre preocupados de ellos y cuentan y cuentan sus enfermedades hasta el cansancio de los que oímos. Normalmente, personas que no saben trabajar por sentirse enfermas: las persona habilidosas, nunca dejan de trabajar, aún cuándo tenga gripe, no se quejan y se distraen con lo que hacen, hasta mejorar.

    No tengo abandonado a Eugenia. Todo lo que tengo escrito hasta ahora, está relacionado con su vida profesional. En mi sentimiento de papá, creo que, hasta el día de hoy, hay otros factores que llevaran a nuestra hija a formarse en Psicología. Quizás, el primero sea su creencia de que yo las había abandonado a una edad muy temprana. Lógicamente ella sabe que no es así, pero emocionalmente aún vive el castigo que se ha dado a sí propia cuando pensó, en sus quince años, que me habría ido de casa porque ella y su hermana pedían mucho y yo tenía que trabajar más para satisfacer sus pedidos. En esa edad hizo una crisis de anorexia [185], esa enfermedad material, real, fabricada para llamar la atención cuando una persona se siente traicionada o abandonada. Quien la ayudó a pasar esa etapa emotiva de su vida, fue mi cuñado, el psicólogo Miguel Toro, exilado también en Gran Bretaña, que trabajaba como investigador clínico en la Universidad de Southampton, marido de mi hermana Diplomada en Análisis Psiquiátrico, con grande éxito también en su actividad de profesora de esa Universidad. Puede ser también, el hecho de que nunca fue abandonada por mí, estaba siempre con ellas en los intervalos de la vida académica, vacaciones y fiestas. Los dos salvaran a nuestra hija, quien, hasta el día en que escribo estas palabras, piensa que la dejé sola. Siempre me ha dicho que la casa conmigo, era otra cosa: llena de gente, con juegos de mojarnos con agua que llevábamos del baño a las escaleras de los tres pisos, esos días que Gloria no gustaba por ensuciar la casa que ella debía limpiar con nuestra ayuda. Mi respuesta era siempre la misma: ¡Mujer, así adelantamos trabajo, es solo secar y queda limpio! Limpieza que hacíamos nosotros, más bien yo, nuestras hijas eran muy mimadas, siempre que estaba con ellas, hacía la comida, limpiaba las alfombras, lavaba las paredes. Hasta que inventé el juego de las competencias: quién hacía todo más rápido, dejaba la casa más limpia y las paredes blancas. Todo lo que era juego, era un placer para ellas, especialmente con el papá, que las divertía, mientras la mamá, que a veces jugaba, imponía el orden que yo no sabía organizar dentro de casa: para las cosas serias, estaba el Departamento, mis estudiantes. Para mí, estar en la casa era sólo alegría, adoraba jugar con nuestras hijas. Gloria imponía el orden, yo hacía oídos sordos.

    En el tiempo que Eugenia, años después, comenzó con su bulimia se exhibía, una de las características de esta disfunción alimentar-social. Tenía el placer de mostrarme como comía apenas pan con lechuga y vinagre, muy raramente. Comía y reía cuando lo hacía enfrente de mí, para mostrarme que era una persona importante e interesante. Fue mi mayor tristeza que así pensara y sintiera, tristeza que tuve que curar en un prolongado psicoanálisis de diez años, por causa de su enfermedad, entre otras tristezas de la vida. Sea Eugenia, sea yo, quedamos curados. Sin embargo, me cuenta las horas que yo llamo, las veces y solo puedo hablar con sus hijos cuando tiene gusto y gana. ¡Paciencia! La vida no es ni ha sido una felicidad eterna y pago por mis culpas atribuidas, ya narradas.

    Acabada la Universidad de Sheffield, se trasladó a Portugal para hacer un Diploma en Psicología Clínica en el Instituto Superior de Psicología Aplicada, el I.S.P.A., que era lo que ella más quería. Estuvo conmigo casi tres años, mi mujer la visitaba y Camila también. Acabado el Diploma, comenzó a ejercer su profesión en el puesto clínico estatal del barrio lisboeta de Miraflores, donde trataba pacientes drogados bajo la orientación de, en esos tiempos, mi amigo Alfredo Frade [186], y su mujer Lurdes. Tuve que pagar un precio por los favores hechos a Eugenia, al orientar la tesis de Licenciatura para el I.S.P.A., de su nueva mujer, Lurdes. Alfredo Frade trataba a personas drogadas, que no era lo que Eugenia quería. Por eso, más tarde, cambió para trabajar para el Estado portugués en el denominado barrio de lata Casal Ventoso, en el cuál ella entraba cómo y cuándo quería. Era una niña joven y sin miedo. Yo quería saber cómo era ese famoso Casal Ventoso, donde la droga era traficada, ese tráfico con la complicidad de la policía, del cual vivía la población. Fue en ese sitio donde Eugenia encontró su camino dentro de la Psicología, era la que trataba de los niños abandonados por sus padres. Como hace hoy, ya casada y con hijos, en el Hospital de Utrecht, después de haber trabajado en el de Ámsterdam. Eugenia trabaja con hijos de inmigrantes y tiene especial cuidado en habituarlos a vivir dentro de una cultura tan diferente a la suya.

    Pero eso fue después. Cuando observé que Eugenia se comportaba como los portugueses, le pedí que se fuera para el sitio que quisiera y buscara lo que fuera más conveniente. Así fue que la fleté desde Portugal y paró en Holanda. Hasta el día de hoy.

    Un día, en Ámsterdam, en la casa que compartía con su colega de universidad, el economista Stephan van Rhee, leíamos los periódicos en inglés en busca de trabajo para ella. Aparecía un aviso del Hospital de Ámsterdam de que necesitaban una psicóloga, de preferencia sin mucha experiencia, para ser formada en el Hospital, en cuánto atendía a sus pacientes. Eugenia decía, voy o no. De inmediato su colega y yo saltamos y dijimos: no vale la pena esperar, es mejor ir, si resulta, tienes trabajo, si no resulta, continuas a trabajar en tu proyecto estatal contra la droga [187], que era un proyecto que le ocupaba apenas parte de su tiempo, ganaba poco, podía estudiar e ir a sus clases, todas dictadas en Neerlandés, o Holandés, como es llamado comúnmente. Eugenia estaba poco animada y dijo: yo voy, si el papá me acompaña. Dije que sí, fui con ella ese mismo día, pero su naturaleza autónoma la llevó a decirme que era mejor ir sola y que yo la esperara en la estación de trenes. Como padre muy interesado en el crecimiento de sus hijas, de inmediato dije que sí, si así ella lo quería y no di ninguna instrucción, porque ya era una mujer adulta. En mi entender, ella sabía lo que hacía y si no quería que el papá estuviera en todos los sitios, como es evidente me quedé en la estación. Dijo que en media hora estaba de vuelta, me sonreí y respondí que seguro que iba a ser más tiempo. Como es habitual en mí, pedí en inglés - el Neerlandés lo vendría a balbucear más tarde, cuando Eugenia casó y ella y su marido [188], nos dieran dos hermosos nietos Tomas Mauro, hoy con diez años, y Maira Rose, con siete en esta fecha. Ese día, como yo estaba cierto, esa premonición que tenemos los padres de hijos en crecimiento, pasaron casi dos horas y Eugenia no volvía. Bebí otro carioca de limón, con la receta de su confección explicada por mí, en inglés, hasta que a las cinco de la tarde, desde la dos y media que yo esperaba, Eugenia apareció toda contenta y muerta de la risa. Reía tanto, que no podía hablar contar como había sido la entrevista. La entrevista había sido, pero muy amable, casi una chacota [189]... Esa palabra castellana, muy usada en Chile que significa divertirse.

    En Utrecht [190], solo se hablaba de familia, para, como dice ella, no ensuciar la casa con problemas de trabajo. Además, yo pagaba su matrícula en las Universidades, pero ella pagaba sus estudios con su trabajo en el Hospital, más una mujer de agallas, como ya he definido antes, dentro de la familia. Eugenia no sabe lo que me hace falta, lo que la necesito, el placer que me da hablar con ellos. En mi caso, me he encontrado una excelente madre, con la cual solo puede hablar cuándo no interrumpo su vida familiar, lo que me parece muy razonable. Gloria hace lo mismo, solo habla con Eugenia cuándo ella la llama por teléfono. Esa excelente madre, solo me permite hablar durante el fin de semana, con ella o nuestros nietos. Es el problema de las culturas diferentes: yo soy latino, un padre que gusta cobijar, como las gallinas, a sus hijos y nietos bajo sus alas, porque necesita de sus hijos y nietos. Ella, antes muy británica y hoy, muy holandesa, solo permite hablar durante el fin de semana, y no estando ella, nuestros nietos tienen la orden de no atender el teléfono.

    La vida no está hecha de quejas, también de alegría y saber. Especialmente cuando se tiene una familia tan delicada y dedicada, como nuestra pequeña familia. Este orgullo de hija, estudió lo que quería en dos Universidades de Holanda, que he aprendido a llamar Neederlands [191].

    Una de las Universidades en las que estudió Sicología Clínica, fue la denominada Vrije Universiteit[192], que en Castellano sería la Universidad Libre o Liberta de ataduras que orienten su currículo, como comenta en la nota al pié de página que existe en Ámsterdam y Bruselas. Los estudios están basados en las descubiertas de Burrhus Frederick Skinner [193], el creador de la teoría analítica del conductismo, que experimentó primero con palomas, antes de aplicar su teoría en seres humanos. La idea de Skinner es que la conducta humana está condicionada por la cultura, la educación, el medio ambiente, la lengua que se habla y otros factores, enseñados en la Universidad Libre, y que están citados en la nota al pié de página. En síntesis, la teoría de Skinner, que he aplicado varias veces en mi vida de Etnopsicólogo, define el comportamiento humano como resultado de un condicionamiento conductual, lo que probó durmiendo en una tina de baño dos horas, acostándose siempre a las 10 de la noche, durmiendo tres horas, trabajaba otra vez a las tres de la mañana y adormecía a las cinco de la madrugada, a las diez de la mañana otra vez, y así durante el día todo. Su triunfo era que el ser humano podía controlar su mente, condicionándola. Así vivió hasta los 86 años, con una mente lúcida y activa, abatida por la enfermedad terminal de leucemia. Skinner no tuvo muchos seguidores porque no trataba de las emociones, pieza fundamental de las teorías de Freud y Lacan, para el psicoanalices.

    Fue este tipo de teoría que nuestra Eugenia estudió, durante su crecimiento y que aplica a todo ser humano, incluyendo su familia en casa y los lazos externos, como sus padres, y tíos. Es por eso que el día en que me llamó fuera del horario estipulado para anunciarme el problema de Camila y su bebé en útero, dijo: Dad siéntate primero (Dad, sit down, please) lo que yo no hice, porque de inmediato tuve una premonición, resultado de mi propio condicionamiento: Camila embarazada, Eugenia a llamar en un día de semana, dije de inmediato: Is about Camila, isn"t it? Intrigada, preguntó cómo es que yo sabía. Le dije que saber, nada sabía, pero que ser papá da una premonición. Ella relató el caso brevemente, llamé de inmediato a Gloria que estaba en Chile para que no fuera a llegar sin estar advertida. Pero, ella ya sabía, como me contó mi cuñada María Eugenia. Camila había llamado a la mamá esa mañana para advertir que no todo estaba bien con su embarazo. Gloria no sabía los detalles, por lo que, al día siguiente, calculé las horas, la llamé y le conté la historia, que ya sabía porque Camila y Felix estaban con ella. Los comportamientos condicionados tienen límites, que se llaman devoción, amor, cariño, dedicación, amistad, pasión, todos los afectos que Skinner tuvo casi de gratuidad[194]. Esa forma de vida que, entiendo, todos pueden tener, si son disciplinados en su trabajo y tratan su cuerpo como es mejor, tengan o no sus propios medios para vivir una vida sana y organizada.

    Así entiendo a nuestras hijas, especialmente a Eugenia, quién, en mi observación, tiene solo tres amores en su vida: su marido, que no es conductista pero es holandés, es decir, disciplinado por el hábitat luterano y calvinista en que vive, y sus dos hijos, que han aprendido otra forma de vida con sus padres. No piensan en sus padres, nosotros, los abuelos, que somos de una generación diferente y de una cultura latina, el reverso de la medalla de los europeos del Norte. Tuvieron la suerte de tener padres disciplinados, nosotros, los abuelos, que sabemos tratar de nosotros como adultos mayores que somos. También el conductismo ha servido a nuestra hija Camila y a su marido Felix Ilsley para aliviar el dolor que les ha causado, en su crecimiento, la entrada en la eternidad de su primer hijo. Suerte de ellos también, porque los abuelos disciplinados no han querido interferir en las vidas de ellos. Debo confesar, sin embargo, que siempre estuve al lado de ellos y a saber sus noticias, por mis amigos de toda la vida, Leonardo Castillo y Patricia Burns. Con Gloria no podía contar porque decía no saber nada, especialmente el día de la operación de nuestra hija. Allí las teorías de Skinner fallan. Patricia decía que no iba a llamar a Camila y no llamó, aun cuando estaba muerta de deseos de apoyar, pero ella misma reconoció que el mejor apoyo, en este nuevo crecimiento de Camila, era dejarla sola con el padre de su hijo y con Gloria, que de forma recatada y silenciosa, iba a casa de ellos, cansada como estaba por no haber entrado aún en el huso horario de Europa, después de seis meses en Chile en el huso horario chileno. Otro aspecto dónde falla la teoría, es en la relación de marido y mujer, Eugenia decide, pero siempre pregunta antes a su hombre, quién está siempre de acuerdo con ella. La vida de ellos es de harmonía y paz. Es por eso que no soy muy bien recibido en casa de ellos, porque deshago la disciplina conductista de Tomas y Maira, nuestros nietos. Es casi como ver la relación entre el hijo de una enamorada del carácter Jerry MacGuire [195] y el hijo de su enamorada. Enamorada que criaba a su hijo por los dictados de Skinner, teoría muy popular en los Estados Unidos. Alivia el peso de la carga de trabajo al levantarse a las seis de la mañana, trabajar hasta las tres de la tarde y dedicar su tiempo a su familia después, o a actividades culturales y deportivas.

    Eugenia tuvo que aprender las teorías del conductismo, que era la base del Departamento de la vrije Universiteit, base de sus estudios. Como no estaba agradada, pasó al existencialismo, referido en la nota al pié de página al final del libro, y de allí, a las teorías de la del Desenvolvimiento. Pero su experiencia con el conductismo la marcó para siempre, por lo que he podido observar. Sin embargo, un regalo que me hizo en Diciembre de 1999 en la casa de Cambridge, donde fue con su enamorado Cristan, muestra que su formación en Psicología del Desarrollo, marcó mucho su saber clínico.

    Por causa de cambiar las leyes, la Universidad Libre no daba títulos válidos. Fue necesario que Eugenia, quién ya había hecho un Maestrado en la Universidad Libre, hiciera otro en la Universidad oficial de Ámsterdam[196], esos maestrados que duran mucho tiempo entre clases y tesis, pero que Eugenia hizo en tres meses, porque ya sabía mucho e hizo aplicar una ley que reconociera que sus estudios en su primera universidad de Holanda, fueran convalidados por la de Ámsterdam. Fue necesario contratar una Señora Abogada, con quién hasta hablé al teléfono desde nuestra casa en Portugal y, con toda simpatía, aceptó, después de todas las escaramuzas por las que ella había pasado.

    Como parte de su formación, Eugenia debía realizar una terapia en psicoanalices con una de sus profesoras y pagar por eso. La terapia no puede ser gratis, si no se paga, lo que es lo más difícil cuando falta el dinero, la terapia no se siente como propia, como una inversión en nuestro cuerpo y mente. Parte de la terapia era llevar a la familia para oír a los padres y hermana, lo que aconteció con nosotros. La familia toda se desplazó desde Cambridge y Lisboa, para asistir a una sesión de terapia de grupo. La terapia consistía en que ella llevara a la familia a su costo. Pero como la familia estaba muy lejos y era muy caro para Eugenia pagar todo, en silencio le di el dinero y así pretender que ella había pagado todo. Estaba a romper las reglas del analices, pero era peor si ella no llevara a la familia. Nada dije, ella a nadie lo refirió, es la primera vez que lo hago público. a quedar bien peor el asunto. Referí apenas que estábamos donde estábamos, por mi causa, por haber sido expulsado de nuestro país y ser parte de los socialistas de campo de concentración. Que mi hija cuando me había visto de vuelta del campo de detenidos, pensaba que yo era otra persona y que durante muchos años, así lo había creído: yo estaba muerto y la persona al frente de ella, era otra con la cara del papá, como hacían en las películas que siempre veía, esa de Misión Imposible. La terapeuta, holandesa judía y que había estado presa también durante la guerra, dijo que era importante lo que yo había narrado para la salud psicológica de Eugenia. Al acabar la sesión, salimos todos, excepto Eugenia, que tenía que hacer una síntesis con su terapeuta y pagar la sesión. Esta vez, pagó de su propio bolsillo. Para alegrar un poco la vida, cuando todos salimos en bicicleta para casa de Eugenia, le compré a todas un grande ramo de flores, se lo ofrecí a Gloria, quien no lo aceptó, se lo di a las niñas, quienes pasaron partes del ramo a la mamá. Para alegrar más la vida aún, las convidé a andar de barco por los canales de Ámsterdam y a contar la historia de Ana Frank.

    Lo más lindo, es lo que tengo en mis manos: el certificado de post doctorado de Eugenia, donde puedo leer en Neerlandés: los abajo firmado, reconocen que Eugenia E. Iturra ha pasado, de forma notable, sus exámenes para ser analista, con el título de Post Doctora en Psicología del Desarrollo, certificado firmado por el Decano de la Facultad y el Secretario de la misma, el primero Catedrático con Doctorado y post doctorado, el segundo, con su primer Doctorado.

    Eugenia había trabajado, costeado sus estudios, pasó todas las barreras, especialmente la más importante: la del amor. Había encontrado al hombre de su vida, Magíster en Museología, pintor de lindos cuadros, que cuestan muy caros, en euros o guineas en aquel tiempo, y que coronó su vida, por ahora, al ser normado Director de un Museo en Utrecht y supervisor de varios. Lo mejor de nuestro yerno es que dedica mucho tiempo a su familia, les ha hecho una casa muy grande, y aún tiene tiempo para leer.

    Hemos ganado dos Camelias, con sus brotes: sus hombres y los hijos que han tenido, que han juntado, de nuevo, a la familia. Nunca olvido el matrimonio de Eugenia, en ese 8 de septiembre de 2001, cuando la llevé del brazo al altar y la entregué a su novio. Era una comitiva, como he narrado en otros libros

    Así es que han crecido y brotado nuestras Camelias. Los brotes aún vendrán de toda nuestra descendencia, especialmente de parte de Camila y Felix, que después de Ben, tuvieron a su segundo vástago, mi nieta May Malen I Isley, hoy en día, de apenas tres meses y cinco días…. Puedo morir en paz: mi familia está... bien cuidada.

    10 de abril de 2008
    publicado por Carlos Loures às 15:00
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    Edoardo Sanguineti

    Sílvio Castro

    A morte de Sanguineti, ocorrida na passada terça-feira, 18 de maio de 2010, além de uma grande, marcante perda para a poesia italiana, também se fez um episódio de crônica judiciária Sofrendo há mais de um ano de problemas cardíacos, complicados nos últimos meses por uma queda de uma escada na qual subira para uma arrumação de livros da sua biblioteca, na véspera da morte se sentira muito mal. Levado para o pronto soccorro do hospital público de Génova, ali foi constatada uma lesão da aorta, entre o tórax e o abdome: um aneurisma pregresso. Do setor de pronto socorro passa para a sala operatória. Sanguineti morre logo após terminada a operação. A mulher do escritor, Luciana, contou como tudo aconteceu: “Esperamos no pronto socorro por duas horas, sabe-se como vão essas coisas. ... ... Eu dizia aos médicos de não apertar-lhe a barriga porque ele está com um aneurisma que se vê mesmo de fora. Mas aqueles não me davam atenção.“ (Como consequência da morte pós-operatória do escritor genovês, o Tribunal da cidade de Genoa abriu um fascículo indagativo no qual vem hipotizado homicídio culposo).

    Eduardo Sanguineti estava por completar 80 anos aos 9 de dezembro próximo. Intelectual de grande empenho social e político, ele foi inicialmente membro-conselheiro da câmera municipal de Genoa e depois deputado, sempre como comunista independente. Professor universitário, titular de Literatura italiana na Faculdade de Letras da Universidade genovesa.

    Além de poeta, Sanguinete foi um profunfo crítico e ensaísta, com uma vasta bibliografia específica, que vai desde seus estudos sobre Dante, até as análises sobre o período final da literatura oitocentista e aquela do Novecentos. Como bibliografia essencial do ensaista podemos colocar: Interpretazione di Malebolge, Florença, 1961; Tra liberty e Crepuscolarismo, Milão, 1961; La missione del critico, Génova, 1987; Ideologia e linguaggio (3ª. ed., ampliada), Milão, 2001.

    A grande cultura literária do autor genovês, desenvolvida a partir de uma marcada relação entre os exemplos literários do passado e aqueles modernos, depois informará uma das características de sua produção de poesia, tudo a partir de sua “tese de láurea” sobre Dante.

    Sanguineti cultivou igualmente o gênero teatral, o Romance, bem como se dedicou a elaborar textos para música, nesse sentido colaborando com compositores como Luciano Berio e Andrea Liberovici. Para Berio recordamos, particularmente, “L’espressività gestuale della voce tra suono e senso”; per Liberovici, “Rap”.


    O poeta Sanguineti foi uma das grandes vozes da Geração de ‘61, depois expressa no “Gruppo 63”. Esta geração da neo-vanguarda poética italiana, além da pressante afirmação dos valores da melhor tradição da poesia nacional colocada ao lado da preocupação por uma revolução da linguagem poética, se caracteriza igualmente pela preocupação em unir as heranças da tradição lírica do hermetismo com a defesa da necessidade de absoluta clareza e revolução da escritura. Nesse ponto Sanguineti partia sempre da sua grande admiração pela poesia de Montale, daí trabalhando sempre para a melhor complementação de sua linguagem como poeta neovanguardista. Como participante do Grupo 63, ele se apresentava naturalmente como o máximo crítico e intérprete de sua geração. Isto ainda que o seu maior rival de Geração, Alfredo Giuliani, afirmasse sempre a impossibilidade programática da existência de um líder do Grupo: “La neoavanguardia non ha avuto nessun capo carismatico. Qualcuno, all’esterno, ha creduto di identificarlo in Sanguineti, quanto meno come ‘capofila’. In realtà Sanguineti non ‘capofilava’ un bel niente, anche se aveva il sul bravo prestigio. … C’era una specie di collettivo informale, tenuto insieme, più che altro, dalla reciproca convinzione che, a dispetto dei dissensi, si andava tutti contro la Letteratura Costituita.”

    Para afirmar as características inovadoras e as marcantes qualidades criativas do poeta apenas falecido, trascrevemos traduzimos de Sanguineti um dos poemas da série “Corollario”, aquele de número 9.

    “Corollario”

    9
    tutto sommato (scrisse), l’esistente, in generale (siamo nel ’26:


    siamo nel mese di aprile), è una modesta imperfezione:


    (modesta,


    certo, a paragone dell’immenso non esistente, del puro e semplice


    niente): è una irregolarità, una mostruosità:


    la voce mia, così, la mia


    scrittura, orribilmente deturpano, lo so (per poco ancora) la suprema


    armonia dell’agrafia, dell’afasia:


    (già rinuncio, dislessico, a rileggermi):


    / ottobre 1993 /

    (Corollario – 9 // tradução de Sílvio Castro)

    ao fim das contas, (escrevi), o existente, geralmente,


    / (estamos em 1926:


    estamos no mês de abril), é uma modesta imperfeição:


    (modesta,


    certamente, comparada com o imenso inexistente,


    / com o puro e simples


    nada): é um irregularidade, uma monstruosidade:


    a minha voz, assim como a minha


    escritura, deturpam horrivelmente, eu o sei (ainda por pouco)


    / a suprema


    harmonia da agrafia, da afasia:


    (desde já renuncio, disléxico, a me reler):


    / outubro de 1993 /
    publicado por Carlos Loures às 13:30
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