Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

A Literatura Americana - I, por João Machado

 

 

 

 

 

 

A melhor maneira de conhecer um povo é estudando a sua cultura. E a sua literatura pode revelar-nos os aspectos mais diversos da sua vida, da sua história e das maneiras de ser das suas gentes. Estudando-a ao longo dos tempos, conseguimos chegar a uma ideia dos valores desse povo, das suas ambições, dos seus sofrimentos e do caminho que percorreu.

 

O Professor Norman Foerster no seu livro Image of America, de 1962, traduzido no Brasil por Lúcia Carvalho Alves, para a Editora Lidador, do Rio de Janeiro (colecção Mimesis), com o título A Literatura como Imagem, distingue cinco fases na história da literatura dos Estados Unidos.

 

A Época Puritana.

 

Em 1620 um grupo de puritanos, que fugiam das perseguições em Inglaterra, fundaram Plymouth, em Massachusetts. Depoisvieram vagas sucessivas de emigrantes. Deram à Nova Inglaterra uma carácter especial, que, em alguns aspectos, perdurou até hoje. William Bradford (1590 – 1657), que governou a colónia de Plymouth durante mais de trinta anos, escreveu a History of Plymouth Plantation, onde conta a história do seu grupo de peregrinos e as razões porque viajaram até à América. Foerster assinala que a colónia era governada pelo clero, cujos elementos eram pessoas conhecedoras de teologia, hebreu e grego. E os puritanos eram ingleses, fortemente marcados pela cultura inglesa, e desejosos de assim continuar, transmitindo aos seus filhos a cultura que lhes fora legada. Escreveram sobretudo biografias e autobiografias, sermões e outros textos muito enformados pelo espírito religioso. A maior figura desta época terá sido Jonathan Edwards (1703 -1758), pregador revivalista, defensor do calvinismo.

 

A Idade Neoclássica

 

Foerster chama a atenção para que o século XVIII já não foi dedicado à religião mas à ciência e à política. Nesta fase a ficção continuou num lugar secundário nas letras norte-americanas. Liam-se, é verdade, escritores ingleses como os romancistas Defoe, Fielding, Sterne, poetas como Alexander Pope, e também Jonathan Swift, o Dr. Johnson e outros. Mas os escritores locais mais lidos eram, sem dúvida Benjamin Franklin (1706 – 1790) e Thomas Jefferson (1743 – 1826), o presidente da comissão que redigiu a Declaração da Independência. Os escritos políticos eram numerosos, como o Common Sense e The American Crisis, de Thomas Paine (1737 – 1809). Deu-se grande ênfase ao estudo dos autores clássicos. Data de 1789 The Power of Sympathy, de William Hill Brown, a primeira novela americana, segundo nos informa Foerster. Em 1767 tinha sido representada em Filadélfia (o maior centro cultural do país na época) The Prince of Parthia, uma peça de Thomas Godfrey, a primeira a ser encenada por uma companhia profissional. Philip Morin Freneau (1752 – 1832) foi o principal poeta da época.

 

O Movimento Romântico

 

A América entrou numa fase de expansão rápida, sobretudo depois da guerra com a Inglaterra de 1812, e do fim das guerras napoleónicas. A população aumentou, a expansão para o oeste abriu novos horizontes. As diferenças regionais, em meados do século XIX, eram enormes. Houve como que uma recuperação do espírito religioso. Na Europa irrompeu o romantismo, curiosamente alimentado também pela epopeia americana. Em 1820, diz-nos Foerster, alguém perguntava: “Quem lê um livro americano?”. Esta pergunta, pouco tempo depois, deixou de ter razão de ser. Em Nova Iorqueapareceu a Escola Knickerbocker, uma associação de escritores, que está na origem do Movimento Romântico norte-americano. As suas figuras principais foram Washington Irving (1783–1859), James Fenimore Cooper (1789–1851) e William Cullen Bryant (1794-1878). Em Setembro de 1836, forma-se o grupo de Concord (uma vila perto de Boston), cujas figuras mais notáveis terão sido Ralph Waldo Emerson (1803-1882) e Henry David Thoreau (1817-1862). Edgar Allan Poe (1809-1849), poeta, contista, crítico literário, figura maior da literatura mundial, tem como tema dominante a procura da beleza que a tudo supera, e procura aliar-lhe o culto pelo exótico. Nathaniel Hawthorne (1804-1864) escreve The Scarlet Letter, sobre os efeitos do pecado e da sua ocultação. Herman Melville (1819-1891), ao contrário dos outros românticos norte-americanos, vira-se para temas mundiais e contemporâneos, e tem como obra máxima Moby Dick. Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882) era o poeta mais lido na altura. James Russell Lowell (1819-1891) escreveu The Biglow Papers. Walt Whitman (1819-1892) é considerado como o maior poeta norte-americano do século XIX. E muitos outros nomes acompanham estes, passando a literatura norte-americana para a primeira linha mundial.

 

(Continua)

publicado por João Machado às 15:00
link | favorito
Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Este grupo de CYBER GURUS ajudou minha família a c...
VOCÊ ESTÁ PROCURANDO HACKERS ON-LINE? AMIGOS SE DE...
Palavras não são suficientes para expressar o níve...
VOCÊ ESTÁ PROCURANDO HACKERS ON-LINE? AMIGOS SE DE...
Eles são hackers formidáveis, compostos por hacker...
Eles são hackers formidáveis, compostos por hacker...
VOCÊ ESTÁ PROCURANDO HACKERS ON-LINE? AMIGOS SE DE...
Eles são hackers formidáveis, compostos por hacker...
VOCÊ ESTÁ PROCURANDO HACKERS ON-LINE? AMIGOS SE DE...
Eu realmente quero agradecer o micro-financiamento...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links