Quarta-feira, 6 de Julho de 2011

Sótão desarrumado (ALEGORIA) - por Adriano Pacheco

SÓTÃO DESARRUMADO

                                                                                            (ALEGORIA)

 

 

 

 

O sótão esconso junto às águas-furtadas havia anos que estava fechado sem qualquer visita que lhe pudesse dar de alguma utilidade. Estava fechado. Tão fechado que as teias de aranha faziam o rendilhado dos cantos, cujo adorno mais se parecia com a casa dos fantasmas a condizer com aquele desarrumo de caixotes que por ali se quedavam. Era estranho e não deixava de ser inquietante.

 

Olinda que entretanto chegara de longa viagem, decidiu entrar naquele espaço com a ideia de lhe dar alguma arrumação. À entrada ia perdendo a coragem com tal desalinho. Era o caos. Desarrumo que não tinha ponta por onde se pegasse. Mas como gostava de desafios e nunca entendera por que razão, ou ideia, tinha ficado tanto tempo abandonado, decidiu pôr mãos à obra e, com todo o carinho, deu-lhe alguma ordem de modo a que a luz das clarabóias iluminassem os cantos mais escuros. Ficou mais airoso e acolhedor

 

Aos poucos e poucos, Olinda passou a frequentar aquele sótão que, entretanto, ficara mais habitável com os caixotes alinhadinhos, em corredores bem definidos, onde o ar e as ideias podiam fluir com a clareza que se pode adivinhar. Ela própria passou a ser visita assídua daquele espaço.

 

 

 

 

 

VENS DO OUTRO LADO

 

 

 

Vens desse espaço etéreo

Sem corpo nem tamanho

Como forma duma ideia

Sublimada no desenho

Da semente que se semeia

 

 

 

Mas vens sempre reluzente

Nas manhãs de densa neblina

Mas airosa e brilhante

Tão radiosa e cintilante

 

Tão segura quanto perdida

braço depois o teu espaço

como quem envolve o universo

Como quem olha o infinito

Erguendo o mundo num só grito

Na rima infinda dum só verso

 

 

Vens sempre de sorriso aberto

E vacilas na rima dum só verso

 

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 15:30
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3 comentários:
De adriano pacheco a 6 de Julho de 2011
Caro Luis Moreira, o poema está incompleto, falta uma estrofe. É regra ou ficou esquecido?

Que pena!...

Adriano
De Luis Moreira a 6 de Julho de 2011
Mande que eu junto.

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