Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

Algo que podemos dizer com certeza: A Economia cheira muito mal ! - por Arianna Huffington

enviado por Júlio Marques Mota

 

Algo que podemos dizer com certeza: A Economia cheira muito mal !

Há pelo menos uma coisa boa que é publicada nestes tempos sombrios:  os  números do emprego do mês de Maio  divulgados  na semana passada: a equipa  para a reeleição do actual  presidente Obama decidiu  assumir o  frágil estado da economia real como fazendo parte de sua mensagem de campanha.

Em primeiro lugar, os números agora conhecidos: a economia criou um total líquido de 54 mil empregos em Maio, cerca de 100 mil a menos do que se esperava. Isto vem na  sequência da taxa de crescimento do PIB igualmente desanimadora  , cerca de  1,8 por cento no primeiro trimestre,  . Além do mais, os números de emprego do mês de Março e Abril foram revistos para valores mais  baixos, para  39 mil. Infelizmente, é tarde demais para rever em alta a intensidade da resposta do governo Obama para a crise do emprego dos últimos dois anos.

Em vez disso, a Casa Branca perdeu um tempo precioso apontando fantasmagóricos rebentos de esperança, e juntou  os dirigentes de ambos os partidos deslocando a partir daí a atenção da Nação  do problema  da criação de empregos  para que o grande problema a enfrentar  seja  agora a redução do défice - ignorando deliberadamente o sofrimento que está a acontecer por todo o país.
Mas agora os números são de tal forma maus - e Novembro de 2012 está  tão perto - que os organizadores da campanha de Obama decidiram  que se deve, como Carrie Budoff Thrush Glenn Brown publicitá-los e  "  temperar muito do optimismo de “Morning-in-América  que  estava a atravessar toda a América   "

Isto é verdadeiramente chocante. Não é que a equipa do presidente conceba e utilize uma campanha do tipo  "Morning in-América"  mas o desfile sob esta bandeira é sempre considerado em primeiro lugar. Mesmo que os números quanto a postos de trabalho tivesse sido o que se esperava, cerca de  150.000 - ou mesmo se eles viessem melhores do que o que se esperava , digamos, 200.000, e ficassem  a este nível durante vários meses, continuaríamos muito perto da ideologia de “ Morning-in- América“, de estar a sonhar sem nada que o justifique. Mas infelizmente, muito do país parece estar mais perto de um pesadelo permanente.
 
Como o nosso  Editor Peter Goodman afirma, as condições subjacentes a esses números são "já familiares para além da esfera dos  economistas profissionais e dos decisores políticos." Isto é o que a maioria dos americanos, Goodman escreve, "sente na própria pele, não a partir de relatórios do governo e de  reflexões abstratas dos economistas, mas a partir dos medos que os acompanham todos os dias ao olharem  para os livros de cheques  e para os seus últimos cartões de crédito : não há nenhum  alívio à vista . Ninguém está em posição de conseguir modificar  este quadro deprimente, ninguém está disponível para gastar as suas reais energias para tentar melhorar este mesmo quadro , e muito menos dentro da Casa Branca, onde a liderança é fundamental. "

Em vez disso, a Casa Branca aceitou a mensagem do Great Old Party para quem  o défice é um problema bem maior que o do  emprego, cortando as pernas à   sua capacidade para criar outras formas capazes de estimular a economia. E agora o presidente e sua equipa  afirmam calmamente que não há muito que possam  fazer. Mas o que eles não mencionam é a forma como eles foram cúmplices na criação de condições que não os deixam agora fazer  grande coisa  Eles entregaram todas as munições  e agora invocam a sua incapacidade em modificar esta situação por falta de munições.

A sabedoria convencional é que "não há nenhuma vontade  no Congresso" para medidas adicionais  de estímulo à economia.  Mas, na verdade, os membros do Congresso têm  vontade de fazer o  que os seus eleitores têm vontade. E há meses, o povo americano tem vindo a ouvir o presidente concordar com o Partido Republicano que o défice é o maior problema no país. Tivesse  a Casa Branca dito  a verdade - que a falta de empregos e de crescimento económico muito  fraco são ameaças muito maiores para o país - as pessoas estariam muito mais abertas para as  propostas de criação de emprego.

Em vez disso, o presidente, ainda na esteira do mais recente conjunto de números  deprimentes, fica estranhamente passivo. "A economia teve um grande sucesso", disse ele na sexta feira passada. "É como se cada um de nós tenha ficado gravemente doente  por ter sido  atropelado  por um camião e  se levante para ir consertar o veículo."

 

Ser atropelado por um camião  não é uma má metáfora - mas desta fica  alguma coisa. Se um de nós  for atingido por um camião, é levado para  um hospital para ser sujeito às  intervenções  que forem necessárias.  Quando cada um de nós está  na cadeira de rodas e entra pela  portas de emergência é colocado numa  maca, as pessoas reagem, movem-se com determinação e rapidez, há máquinas que se deslocam ; medidas desesperadas são tomadas.  Mas  não é nada disto que aconteceu com a economia.  Em vez disso, a economia foi atropelada por um camião, foi rebocada por um  pronto-socorro, e os responsáveis, na sua  maior parte, deixaram o paciente sózinho para se curar por conta própria, enquanto eles foram para uma sala  nas traseiras  para falarem  sobre o plano de construção  a  longo prazo de um novo hospital. E, de vez em quando, eles saem para virem dizer ao paciente: ". Lembre-se, foi atropelado por um camião.  Vai levar muito tempo a recuperar ."
 
Será que cada um de nós sabe que pode ajudar a acelerar a que se faça o tratamento necessário? Cirurgia.
Pelo menos agora o espectro de 2012, está a  forçá-los a concentrarem-se sobre o paciente. Jared Bernstein, antigo principal conselheiro económico  do actual vice-Presidente Biden, escreve no The Huffington Post que a administração deve mudar de comportamento  e muito rapidamente : "Com base em novas informações", Bernstein sugere que a  Casa Branca deve dizer à nação, "temos estado a tomar como o grande objectivo  a redução dos défices , vamos passar a tomar com o objectivo prioritário aumentar o volume de empregos. ! "

Jarred Bernstein  recomenda a utilização  de uma das ferramentas que ainda continua à disposição da administração: um pacote de medidas fiscais, Bernstein prefere o projecto laborado por Alice Rivlin e Domenici Pete porque "é de uma grandeza  significativa, o primeiro nome da comissão que o propõe é" bipartidária ", este projecto  reduz os custos do trabalho para os empregadores e aumenta os  salários dos trabalhadores, que vão gastar o dinheiro  e estes gastos  geram por sua vez  efeitos de arrasto ou repercussão  de segunda ordem ".

Por seu lado, Paul Krugman sugere "programas do tipo WPA ( programa do tempo de Roosevelt)  que colocam   os desempregados a trabalhar fazendo coisas úteis, como exemplo a  reparação de estradas," ou um "programa sério de modificação das  hipotecas actuais."
Este último é especialmente importante, já que, como o New York Times explicou recentemente, o desemprego - e não os empréstimos subprime - é agora o principal motor das execuções de hipotecas . Infelizmente, o programa do governo HAMP foi criado principalmente para ajudar aqueles que  assumiram empréstimos “subprime”, e como tal este programa não tem sido particularmente eficaz na  abordagem feita sobre  a catástrofe imobiliária em curso.

Aqui, novamente, o governo está finalmente a parecer estar a   reconhecer o problema, mas sem reconhecer o seu papel em ter permitido  que este se degradasse ainda mais. Como Zach Carter e Jennifer Bendery num HuffPost nos informaram  na semana passada, o presidente, numa reunião à  porta fechada  com os democratas da Câmara, avisou que a crise imobiliária pode conduzir  a economia para uma recessão ainda maior, levando os democratas a queixarem-se de que   Obama ", disse que o sector do imobiliário  era a principal causa da pressão que estava a aumentar a recessão na economia americana enquanto que  Geithner declarava solenemente que se tinha feito tudo o que era  humanamente possível durante os últimos 27 meses para corrigir o mercado imobiliário. "

Para a administração ser credível em ser capaz de conceber  uma perspectiva  de empregos para o futuro tem de ser  credível quanto ao seu  reconhecimento do que realmente aconteceu no passado. E o seu plano terá de ir para além de simplesmente estar a culpar os seus antecessores. "Poderia ter sido pior! "Isto não  é na verdade  um  grito de guerra. Para continuar a metáfora de Obama, imagine o médico dizendo: "Ei, eu sei que não se fez  muito para o ajudar , mas, pelo menos, mantivemos os médicos realmente maus bem longe de lhe poderem  mexer e de ficar ainda pior."

O democrática Stan Greenberg divulgou recentemente um relatório no qual ele alertou o governo de que, como se publicou num post HuffPost escrito por  Mark Blumenthal, " mensagens da campanha viradas para questões como a de querer saber de  quem é a culpa da recessão ou questões sobre se os esforços de recuperação estão a ser  bem sucedidos estão elas sujeitas  ao fracasso. "O que os eleitores querem, de acordo com Greenberg, são soluções reais que "levem os  mais ricos a pagar a sua justa parcela de impostos," que se invista  em "educação e em  inovação" e que se "enfrente  o poder do dinheiro e os grupos de pressão ."  E continua: "Existe uma economia real a mostrar que não está a mudar ."

E ainda aqui  Austan Goolsbee, na ABC  e no programa This week  afirma  que os últimos números quanto a  empregos não significam muito, porque eles são "altamente variáveis". Isto pode ser assim, mas a miséria causada por essa economia tem sido conatntemente uma desgraça autêntica . Para utilizar uma frase que ouvimos no noticiário desta  tarde, não interessa se  houve ou não variabilidade nos números económicos apresentados, pois nós podemos "dizer com toda a certeza" que esta economia cheira mesmo muito mal.
 
É por isso que já não é suficiente para que o presidente nos venha assegurar  "que vai levar tempo para a consertar." A  inércia da Administração quanto ao emprego  e a sua cedência absoluta aos republicanos sobre a prioridade dos  défices, criou um vácuo - a permitir  que Mitt Romney se lance  na campanha para 2012 a partir de  New Hampshire e, sem ter ele próprio plano um plano pessoal  venha a acusar   Obama de ter levado a  " América  a falhar "e de não se poder  rir da situação do estado da Nação.  Claro, é uma afirmação oca. Mas se a posição da pessoa que é suposto preocupar-se com a questão dos empregos estiver também ela vazia,  o povo americano vai ter que encontrar alguém capaz de a preencher.  

publicado por Luis Moreira às 20:00
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