Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
Nota de trabalho sobre eleições - por Júlio Marques Mota

Nota de trabalho sobre eleições

O governo caiu e a seguir marcaram-se as eleições. As eleições para quê? Para decidir o quê? Para decidir, não, para escolher quem vai cumprir um programa que alguém de fora nos veio cá, pela força, estabelecer. As eleições, alguém as venceu, mas pela parte que me toca continuo a achar que foi o povo que para já estas perdeu.

 

O povo perdeu-as por uma simples razão:

 

Perdeu-as, porque foi obrigado a aceitar que não tinha nada por onde optar, pois estava já tudo decidido bem antes e em seu nome.
Perdeu-as, porque depois foi votar para bem poder escolher e também aqui é que opção não tinha nenhuma a fazer.
Perdeu-as, porque tinha que escolher entre dois pratos rigorosamente iguais, um prato a ser servido por alguém de cabeça vazia de ideias quanto a projectos nacionais, mas com alguns sentimentos pessoais sérios pelo meio, e falo de Passos Coelho; o outro prato a ser servido por alguém cuja arte de fingimento é tal que até capaz é, e bem, de se passar por vítima do sistema que milimetricamente realizou e aplicou com muita arte; certamente fingir-se-á de vítima e é capaz de o fazer com tanta arte que até das mãos do povo o prato é capaz de fazer desaparecer, e este segundo dá pelo nome de Sócrates.
 

Perdeu-as, porque tinha de escolher entre a simplicidade de um que nada tem para oferecer, Passos Coelho, e o espectáculo da magia do outro, Sócrates, mas para nada deste vir a receber,  e assim não  há aqui verdadeiramente nenhuma opção.
….
Estes dois candidatos para servir o mesmo prato confeccionado pela Troika, desde longa data e numa fábrica chamada neoliberalismo, têm ambos de comum o serem licenciados mas de segunda ou terceira ordem, de uma Universidade que quase pode ser uma qualquer com um diploma adquirido com um fim-de-semana ou de horas vagas talvez, que à noite os cursos superiores por esta via também se fazem em Portugal, desde que se pague para lhes validarem as competências, o que bem acontece desde o governo de um dos beneficiários e sob a tutela de Mariano Gago. Não é por acaso que se torna muito mais difícil trabalhar do que um qualquer curso poder naquelas condições vir a tirar. Fica tudo, ficam todos ao mesmo nível.

 

Aprenderam de modo equivalente, servirão à mesa de modo não muito diferente

 

Mas quem de imediato não fica melhor é o povo português que entretanto votou para lhe continuarem a dar cabo da vida como o têm feito até agora. A consequência é portanto que o próximo governo terá rapidamente que cair e é isso que o povro vgerdadeiramente quer.

 

Poder-me-ão dizer ou contra-argumentar que com estas eleições se trata mais de um acto de resistência do nosso povo que estaria consciente da não opção que lhe levaram a escolher, do que de uma derrota, um pouco a lembrar uma história que se conta de Niels Bohr, um dos maiores físicos do século XX, um dos pais da física moderna, da física quântica. Hipótese que posso aceitar e até defender. E esta história que deste cientista se conta é simples e cada um que dela faça a  leitura que quiser. Um dia, um cientista seu amigo foi visitá-lo à sua casa de campo. Toca a campainha. Niels Bohr abre-lhe a porta. Entra, diz. Mas o amigo, por necessidade da nossa história e para evidenciar o caricato da mesma, não deixava de estar imóvel, especado, à porta. Então não entras, pergunta Niels Bohr. Não, por causa desse amuleto contra os maus espíritos e aponta para uma ferradura fixa, pregada, na porta. Como é possível, tu, um grande físico, diz-lhe este seu amigo, cientista também ele, acreditares nestas patranhas? Oh homem, está aqui, por acaso, eu não acredito nisto. Se não acreditas, porque é que está aqui, diz-me, oh, Niels? Olha, se calhar, porque me disseram que isto funciona, mesmo que a gente não acredite nisso. Talvez por isso mesmo, nem sequer sei bem.

 

Ninguém de bom senso vai acreditar que Niels Bohr acreditava nos maus espíritos, que acreditava que o amuleto funcionava mesmo que ele não acreditasse em amuletos. Estava lá, se calhar, porque …. E eu diria, se calhar estava lá porque era moda na época e naquela região decorar a porta com coisas deste tipo, ou estava lá, porque quando comprou a casa, já lá estava, ou porque queria ironizar com aqueles que nestes feitiços acreditam.

 

Com as nossas eleições e com o povo português, poderemos admitir que temos uma situação equivalente à ferradura da porta de Niels Bohr. O povo, este foi votar para não se demitir das suas funções, foi votar para escolher o governo mesmo sabendo que, neste caso, não teria escolha, mas assim confirmou que não abdica de, logo que possa, poder decidir e votar em verdadeira liberdade, liberdade esta futura e não presente que podia estar a arriscar se não fosse votar. E da mesma forma que Niels Bohr que não acreditava em amuletos, mas que o deixa lá estar para a porta não ter que estragar, também o povo português que não acredita nestas eleições, vai votar, porque elas funcionam, mesmo que não acredite nelas. Como?

 

Note-se que o povo português obviamente, dentro dos seus quadros mentais não se sentia, não se sente livre, pois não há liberdade, onde acha que não há opções a escolher. Se nada há para escolher é-se então livre em quê? Em não ser livre! Nem isso. Sabia-o, sabe-o, o povo sabia e sabe que se não fosse votar, a abstenção maciça, a futura liberdade de escolher bem podia estar a comprometer. É nesse sentido que entendemos estes resultados e nesse sentido, o povo ganhou e são os políticos vencedores que afinal, as próximas vão perder. E o próximo governo que venha então rapidamente a cair, é pois a necessária e urgente solução.

 

E como sou professor de vocação estou consciente de que o governo Sócrates destruiu completamente a estrutura do ensino, pedra a pedra, do primário ao secundário, do secundário ao superior, como se por tudo isto tenha passado um tsunami, seja no superior com Mariano Gago, a formar licenciados não empregáveis sequer, seja no ensino secundário com as reformas da “santa” Maria de Lurdes Rodrigues ou de Isabel Alçada, sua clone disfarçada, a formar os analfabetos, futuros diplomados em ignorância, amanhã, Estou consciente de tudo isto, mas como sou um eterno crédulo daqui mando dois bilhetes postais, dois posts, na linguagem de hoje, para aqueles que destas áreas de ensino se hão-de encarregar, dois bilhetes escritos por gente seriamente no terreno, a ilustrar e a criticar o caminho pelo qual os futuros responsáveis do ensino em Portugal não podem nem devem caminhar: e a estes responsáveis, apetece-me dizer-lhes, depois de os lerem, dizer-lhes bem alto: oh, estúpidos, olhem que é sobre o futuro que a juventude terá que ser capaz de vir a fazer que, oh futuros ministros, vos estou agora a escrever .


Bilhete Postal n.º1: Ensino de base

 

Cuidado, a escola está ficar com menos meios
Thibault Gajdos
Le Monde

Entre 1985 e 1989, 11.500 alunos de escolas primários de Tennessee e os seus professores foram aleatoriamente repartidos em classes normais (22 alunos) ou de reduzidos efectivos (15 alunos), no âmbito do projecto STAR (Student Teacher Achievement Ratio).

Dimensão das classes, qualidade dos professores e resultados de desempenho

Estes alunos foram avaliados todos os anos em matemáticas e em leitura. Estes dados foram objecto de numerosos estudos, que mostram que a dimensão das classes e a qualidade dos professores têm uma influência sensível sobre o desempenho dos alunos nos testes.

 

Este efeito tende contudo a degradar-se com o tempo e apenas ficam fracos vestígios quando os alunos deixam o colégio.

 

Mas, contudo, o papel da escola não é o de melhorar os resultados dos alunos aos testes estandardizados, mas é sim o de contribuir para tornar melhor a sua vida de adulto.

 

A Raj Chetty e aos seus co-autores por conseguinte colocou-se-lhes uma questão bem simples: será que observam diferenças entre os participantes ao projecto STAR quando se tornam adultos, em função das turmas nas quais tinham sido colocados?

 

Os resultados são espectaculares. Em primeiro lugar, os alunos colocados em turnos de menos alunos têm mais possibilidades que os outros de entrarem na Universidade, de pouparem para a sua reforma, de se virem a casar, de viverem num ambiente favorecido e de serem proprietários do seu apartamento. A qualidade dos professores é igualmente determinante.

 

Um aluno que tenha tido, durante um ano, um professor entre os 25% mais experientes, perceberá durante a sua vida 16.000 dólares a mais do que se tivesse tido um professor entre os 25% professores menos experientes.

 

Por último, os investigadores construíram uma medida da qualidade intrínseca das turmas, que dá conta da alquimia específica que se pode criar entre alunos e professores. A qualidade das turmas tem um efeito significativo, mas limitado no tempo, sobre os resultados aos testes.

Efeitos sobre os rendimentos

Tem em contrapartida efeitos consideráveis e persistentes sobre todos os aspectos medidos das suas vidas de adultos (rendimentos, probabilidade de prosseguir estudos superiores, de se casar, de ser proprietário do seu alojamento, etc.).
A qualidade e a dimensão das turmas assim como a experiência dos professores contribuem para forjar capacidades (esforço, iniciativa, participação, etc.), cuja influência sobre os testes é limitada, mas que tem efeitos consideráveis a longo prazo.
É por conseguinte na escola primária que se joga o futuro das nossas crianças; é aí que se formam e se perpetuam as desigualdades, as mais fundamentais.
Entre 2000 e 2009, o esforço realizado pela colectividade nacional (Estado, autarquias locais, empresas, famílias) na educação passou, em França, de 7,3% para 6,9% do produto interno bruto (PIB). A escola não deve, não pode, pagar os custos deste ajustamento orçamental.

Le Monde, “Attention, école en perte de moyens”, 1 de Junho de 2011.

Nota: Aqui, de Portugal, de Coimbra até, e não de Portugal profundo somente, apelo a que se tenha respeito por todas as crianças que frequentam as primárias deste país, pois que pela política suicida que antes dos PEC I, II, III; IV, …V….o governo de Sócrates criou, com turmas completamente a abarrotar e de longas distâncias por vezes a caminhar corremos o riscos de filhos ter que nem sequer saberão escrever, quanto mais do resto virem a saber.


Bilhete Postal n.º2: Quando a demasiada avaliação mata a própria avaliação

Anne Fraïsse

A Agência de Avaliação da Investigação e do Ensino Superior de França (AERES) acaba de publicar um pequeno resumo das suas avaliações sobre as licenciaturas das Universidades que uma vez mais está centrado na classificação dos estabelecimentos escolares: palmarés das universidades para os 16 tipos de licenciaturas que obtiveram A+, lista de percentagens de A.

 

Nesta escalada permanente, para quando uma publicação assente sobre o modelo da cadeia de televisão TF1: as 30 mais bonitas histórias de Universidades, os 30 diplomas mais arriscados de França, os 30 maiores acidentes de percursos (com um final feliz evidentemente)? Eu sublinho, antes de continuar esta nota de bom humor que a minha universidade fez parte das 10 vencedoras que obtiveram pelo menos um A+, para evitar a objecção habitual segundo a qual os que criticam fazem-no porque estão mal classificados.

 

O que me preocupa neste artigo, como noutros dado que isto está a tornar-se numa moda entre uma sondagem política (não falarei sobre a sua precisão) e as notas atribuídas aos desportistas à saída de um jogo, é o aspecto definitivo e peremptório dos julgamentos e das classificações cujos métodos estão ainda mal definidos e pouco fiáveis. É esta urgência e esta necessidade de classificação como um imperativo absoluto, esta espécie de evidência da qual não se compreende nem o interesse nem o objectivo que me parecem particularmente perniciosas. Tudo isto dá ao leitor uma confiança nascida do hábito que acaba com todo o seu espírito crítico e para os estabelecimentos uma cansativa corrida não à melhoria mas à melhoria da sua classificação, e estas são, na realidade, duas coisas fundamentalmente diferentes.

 

Dado que é a AERES que hoje se deixa arrastar por esta facilidade perigosa, é sobre ela que incidirei as minhas notas sobre as suas contradições, sem animosidade do resto dado que as observações quem se seguem já foram objecto de correcção e que a oferta de formação a partir de agora examinada de acordo com um outro processo. Mas uma razão adicional, dado que a AERES estava alertada e consciente da fraqueza desta avaliação, para não dever publicar, como indicadores fiáveis, os resultados que sabe que são, pelo menos, discutíveis.

 

A leitura do relatório de avaliação de AERES pela European Associação for Quality Assurance in Higher Education (ENQA), ou seja a avaliação europeia da agência de avaliação francesa é deste ponto de vista muito significativa. A AERES aí declara ter por objectivo “prestar uma ajuda às entidades avaliadas para o conjunto da sua actividade assim de melhorar a sua governança, a sua investigação e sua oferta de formação, identificar os seus pontos fortes e fracos e lhes propor vias de melhoria” e indica aliás que ela “coloca o estabelecimento no centro processo de avaliação. Esta tem por objectivo ajudar o estabelecimento escolar a inscrever-se numa lógica de melhoria contínua na perspectiva de um melhor controlo da sua estratégia no âmbito do desenvolvimento da sua autonomia. A avaliação está ao serviço do estabelecimentos escolar para lhe permitir melhor situar-se relativamente aos objectivos que se fixaram num quadro nacional e internacional”.

Ora, o que é que observa no processo escolhido para a avaliação das formações?

A avaliação das licenciaturas é confiada a um único perito, unicamente sobre a análise de um dossier sem qualquer visita ao estabelecimento escolar, sem diálogo contraditório, sem se ter em conta as observações do próprio estabelecimento mesmo quando se trata de erros factuais.

 

Encontram-se estas críticas expressamente formuladas num relatório do Comité de ENQA que “exprime reservas relativamente à avaliação da qualidade das licenciaturas e dos masters” e “nota que os estabelecimentos não têm a possibilidade de reagir ao relatório antes que este seja considerado concluído.

 

A AERES teria interesse em apresentar mais cedo os seus relatórios de avaliação aos avaliados que poderiam deste modo referenciar os erros de interpretação”.

Anne Fraïsse, Presidente da Universidade Paul-Valéry – Montpellier III, 23 de Maio de 2011.

Nota 1: agora que a última aula já dei, por oposição a um ministro e a um sistema que a todos os estudantes quer qualificar como os empregados de servir o prato elaborado pela Troika acima referido, que haja alguém mais que diga publicamente que por este caminho o estudante diplomado em ciências de gestão nem uma fracção virá a saber o que é e que, portanto, mesmo diplomado com um curso superior que certifique a sua incapacidade, nem para empregado de balcão de um banco pode servir. Serve para quê, então? Não chegou a denúncia do Jornal O Público porque das desgraças que estão a fazer os nossos ministros disso não querem sequer saber. Uma pergunta estranha, muito estranha, aqui vos deixo hoje, nesta noite de não futuro, nesta noite que se segue a um dia de ataque à democracia com estas eleições de programas impostos antecipadamente por forças estranhas a quem está a votar, que valem as notas de licenciatura entre os dez e os 12 valores, hoje? O senhor Ministro Mariano Gago é capaz de me responder? Alguém me diz? Eu apenas digo que são muitas as classificações neste intervalo.

Nota 2: Como um programa de televisão, como um inquérito à saída de um jogo de futebol, como uma corrida a Pequim para tentar subir no índice de Xangai, como uma corrida ao lugar vago determinado pela classificação teremos obrigatoriamente os docentes a verem-se como adversários uns dos outros e como num filme de terror e numa trajectória de simulações, teremos escolas e docentes, como se assinala acima na nota de bom humor da Presidente da Universidade de Montpellier, numa “ cansativa corrida não à melhoria mas à melhoria da sua classificação, e estas são, na realidade, duas coisas fundamentalmente diferentes” à espera do aluno disputado, do posto de trabalho também assim conquistado.
Aos visitantes de estrolábio, é tudo.

Coimbra 5 de Junho de 2011



publicado por Luis Moreira às 11:00
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