Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

A eterna questão do livro – 11 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

(Continuação) 

 

Mais do que ter razão nas minhas convicções sobre esta eterna questão, gostaria que chegássemos a algumas conclusões consensuais Por isso, nesta série, vou dar a palavra a outras opiniões. O meu texto de hoje é inteiramente baseado em palavras de Gilberto Dimenstein prestigiado escritor e jornalista brasileiro, publicadas na  Folha de S.Paulo, em 10 de Abril passado. - O livro de papel já morreu? - Com esta pergunta, começava um texto do qual faço uma adaptação sintetizada.    Quem quiser ler o texto original e pormenores dos projectos referidos, poderá encontrá-los em www.catracalivre.com.br. Eis, embora por palavras um pouco diferentes, o que diz Dimenstein:

 

A proliferação dos e-books, deu lugar a um mercado paralelo legal e clandestino de distribuição de arquivos. Usando as novas ferramentas de comunicação, um grupo de professores da África do Sul inovou a produção de livros didácticos, numa experiência seguida por diversos centros de tecnologia do mundo. Espalhados pelo país, escrevem colectivamente numa página da internet, livros sobre as matérias curriculares. Cada professor adapta o conteúdo à realidade local pelo que o mesmo livro pode ter centenas de versões.

 

Num recente encontro de especialistas em inovações tecnológicas e educação dos EUA, este projecto foi discutido, pois leva a uma reflexão sobre o futuro da produção e distribuição do conhecimento em geral e dos livros e escritores em particular. O fim do livro de papel é tido como uma questão de tempo. As livrarias vão desaparecer? Para quem frequenta livrarias e gosta de sentir o papel, é uma pergunta incómoda.

 

Acontece com os escritores o mesmo que com os músicos, quando surgiu o Napster, programa de partilha de arquivos em rede P2P que motivou a primeira grande luta jurídica entre a indústria fonográfica e as redes de partilha de música na net. Partilhando, sobretudo, arquivos de música no formato MP3, o Napster permitia o download de um arquivo directamente do computador de um ou mais utentes de maneira descentralizada, uma vez que cada computador ligado à sua rede desempenhava as funções de servidor  e as de cliente.

 

Após muita luta por causa da troca clandestina de arquivos,  foi criado um novo modelo de negócios. Mas cada vez se ganha menos dinheiro vendendo CDs aliás, quase ninguém já vende CDs. Os mais jovens já não usam relógios de pulso, nem e-mail. A onda de aplicativos vai tornando obsoleta a própria internet do www. Os músicos podem compensar a perda de rendimento fazendo shows. Os escritores, o que devem fazer? Palestras remuneradas?

 

Podemos não gostar quando uma mudança tecnológica nos afecta, mas aproveitamos todas as vantagens que ela nos traz – por exemplo, falar pelo Skype sem pagar a ligação telefónica. O desafio atinge as escolas – os conteúdos das matérias já podem ser encontrados na internet, por vezes com recursos mais interessantes e apelativos do que os dados nas salas de aula. O Media Lab, do MIT, desenvolveu uma plataforma (Scratch) em que as próprias crianças fazem seus jogos e intercambiam essas criações pelo mundo. O MIT desenvolveu conteúdos gratuitos só para o ensino médio. Como a transmissão do conhecimento não para de crescer, os modelos de negócio são recriados, gerando perdedores e ganhadores. Alguém poderia imaginar que jornais pagariam parte dos salários dos jornalistas com base no número de cliques nas páginas ou matérias na internet? Estudos mostram que, após a onda provocada pelo Napster, não diminuiu a produção musical pelo mundo e a produção de aplicativos foi estimulada.

 

Os desafios da sustentabilidade são enormes, mas as oportunidades são maiores ainda. Em Harvard ganha força um ambicioso projecto para criar a maior biblioteca digital do mundo, acessível a todos. A pretensão é nada menos do que seleccionar todo o conhecimento já
produzido pela humanidade. Uma das inspirações é a Europeana, na qual se encontra 15 milhões de versões digitais de livros e obras de arte. Além de Harvard, vão aderindo ao projecto as maiores universidades americanas com seus monumentais acervos de livros, além da biblioteca do Congresso americano. A Apple, Microsoft e Google participam nos encontros. Os livros de papel, os CDs e até as escolas tradicionais podem morrer. Mas o conhecimento está cada vez acessível.

 

Foi a opinião de Gilberto Dimenstein, um credenciado jornalista brasileiro. Deixo-vos com um vídeo sobre o projecto Siyavula.

 

(Continua)

publicado por Carlos Loures às 21:00
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