Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

Na Galiza, os novos não se deixam enganar - por Carlos Loures

 

Carlos Durão, o nosso colaborador, no seu blogue A Nossa Língua (http://anossalingua.forum-livre.com/t90p50-estrolabio#1716) , entre outras amáveis referências ao Estrolabio e ao "Sempre Galiza!", do Pedro Godinho, responde à questão que ontem eu colocava à Real Academia Galega - por que motivo aquela instituição ignora sistematicamente, ano após ano, Ricardo Carvalho Calero, não o homenageando no Dia da Letras Galegas. Carlos Durão, diz-me o seguinte:

«Pois é; eu não sei se serei malicioso de mais, mas não me parece casualidade que a RAG (a "real" academia presidida por um marxista) ignore Carvalho Calero, como também ignora Guerra da Cal, que têm em comum, além dum claríssimo posicionamento linguístico que derruba toda a "filoloxía" galega instaurada pelo franquismo na nossa Terra, mas ambém o facto de terem empunhado as armas contra o fascismo espanhol aquando a insurreição militar-fascista do 1936; Lois Pereiro, cujos méritos não nego, naturalmente, foi, em palavras de quase todos os seus apologetas, um "punkie"; será então que ao Estado Espanhol não faz mal um punkie mas sim um reintegracionista?

Dá para pensar... em todo o caso, mais uma vez obrigado e feliz Dia das Letras Galegas (há por toda a Terra actos de homenagem a Carvalho Calero e Guerra da Cal: afinal, os novos não se deixam enganar)»

 

Agradeço a Durão a sua esclarecedora resposta. Grosso modo, ela coicide com o que penso sobre o assunto. Porque ao fazer a pergunta à Real Academia Galega, não tenho qualquer esperança de que tão importante instituição me responda - e para não perder o sono, tenho a resposta à pergunta que fiz. Há quem diga que só devemos fazer perguntas para as quais temos, pelo menos, uma solução. Ricardo Carvalho Calero e Ernesto Guerra da Cal, defendendo para o seu povo a recuperação de um idioma que nasceu na Galiza, prejudicam os interesses políticos e económicos de quem prefere adoptar o castrapo e, com ele, aceitar ordens de Madrid - de governos, partidos e sindicatos que, de direita ou de esquerda, estão centralizados em Madrid. E que dão as suas ordens em castrapo ou em castelhano, já que afinal o primeiro é um dialecto do segundo.

 

Sempre houve gente assim. E continua a haver. Também cá os temos em Portugal - afinal o estimável José Saramago e o banqueiro Ricardo Salgado, de sinais ideológicos opostos, não coincidiam na ideia de que Portugal e Espanha se deviam fundir num só estado? Os motivos de um e de outro seriam diferentes. Saramago aduziu argumentos que pouco além iam do (falso) pressuposto da inevitabilidade da absorção. Salgado entrava em pormenores, apesar de tudo mais consistentes - a integração permitiria ao banco de Salgado expandir-se nas áreas metropolitanas de Madrid e Barcelona. O realismo, o pragmatismo, o despir as nossas convicções do manto de utopia que às vezes as envolve - o «sejamos realistas» - leva, por vezes, a que atraiçoemos o que de melhor em nós existe - a capacidade de acreditar que o difícil pode ser conseguido. Que as utopias de hoje podem ser a realidade de amanhã.

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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3 comentários:
De Isabel Rei a 18 de Maio de 2011
Ótimo diálogo entre Carlos...! Parabéns!
De Pedro Godinho a 4 de Junho de 2011
Carvalho Calero volta a ser preterido pela RAG para o próximo Dia das Letras Galegas. A escolha para o próximo ano recaíu em Valentim Paz Andrade.

«Diário Liberdade - Nom houvo surpresas. A Real Academia Galega (RAG) voltou a descartar Ricardo Carvalho Calero, contra o que é um clamor no mundo cultural e normalizador.

Tal como "anunciárom", sucessivamente, diferentes representantes do mundo cultural oficialista ligados ao isolacionismo militante, Ricardo Carvalho Calero, primeiro catedrático de Língua e Literatura Galega, militante republicano de esquerda, defensor da soberania nacional e lingüística galega, voltou a ser "punido" pola entidade que preside Xosé Luís Mendes Ferrim. O último a atacar o autor ferrolano, polo seu compromisso reintegracionista, foi Ramón Lorenzo, que, com o maior descaramento, o acusou de ter feito "muito mal à língua", por assumir e defender o ideário histórico do nosso nacionalismo em matéria lingüística.

De facto, e como melhor prova do que afirmamos, o protagonista do próximo 17 de Maio vai ser Valentim Paz Andrade, representante do pensamento tradicional galeguista, defensor de umha orientaçom reintegracionista para o galego. É complicado para a Real Academia Galega de Mendes Ferrim e Ramón Lorenzo, cada vez que tenhem que eleger protagonista para o Dia das Letras Galegas, evitar personalidades reintegracionistas no mundo cultural e literário tradicional galego.»
De Carlos Loures a 5 de Junho de 2011
Ricardo Carvalho Calero nunca será escolhido. A explicação dada pelo Carlos Durão é suficiente para se compreender o que é a Real Academia Galega. Começo a pensar que seria uma ofensa para a memória de Ricardo Carvalho Calero ser escolhido por «esta» Academia.

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