Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

O 5 de Outubro em Vila Real - de Elísio Amaral Neves - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

Há pequenas frases que, sintetizando conceitos profundos ou situações históricas complexas, ganham foros de axiomas - são assim os preceitos religiosos, as palavras de ordem políticas, os clichés jornalísticos, os slogans publicitários. Não sendo necessariamente mentiras, são verdades incompletas - e sabemos como uma verdade incompleta corresponde muitas vezes a uma mentira. Quando João Chagas previu que a República, triunfando em Lisboa,  seria proclamada por telégrafo no resto do País, disse-o, salvo erro, num artigo jornalístico de onde a frase foi respigada e rapidamente passou a ser a indiscutível definição de um facto histórico  que tem sido objecto de centenas de livros. Basta seguir  aqui no Estrolabio o levantamento que o historiador José Brandão realizou sobre a bibliografia da República – A República nos livros de ontem nos livros de hoje – depressa se compreenderá que o aquilo que ocorreu em Portugal no dia 5 de Outubro de 1910, não cabe numa frase. Mas as pessoas em geral gostam destas sínteses que lhes poupam o trabalho de aprofundar assuntos. A frase resolve-lhes o problema, evita-lhes leituras e deixa tempo livre para coisas verdadeiramente úteis - ver telenovelas, por exemplo.

 

Vasco Pulido Valente diz que “a 20 km de Lisboa e a 10 km do Porto os republicanos rareavam. A 50 km só se encontravam por acaso”  (A “República Velha”). É uma frase espirituosa, mas não espelha a verdade. Que o ideário republicano estivesse mais entranhado nas populações urbanas, particularmente em Lisboa e Porto, do que nas rurais e que, impregnada a consciência nacional da propaganda
republicana, ajudada pela inépcia dos políticos monárquicos, é facto que não se discute. Que, como disse Pulido Valente, só houvesse republicanos em Lisboa a Porto, não é verdade. O próprio reconhece que no que respeita ao braço militar da organização revolucionária, Refere Vasco Pulido Valente que, “o papel decisivo pertenceu aos sargentos, cabos e soldados”. (O Poder e o Povo).


Elísio Amaral Neves reuniu num volume editado nos Cadernos Culturais do Grémio Literário Vila-Realense

(com o apoio da Câmara

Municipal), uma série de textos sob o título O 5 de Outubro em Vila Real, Saiu recentemente a segunda edição. Neste pequeno volume se apresentam  alguns textos colhidos na imprensa regional da época, além de um prefácio do antologiador e de um estudo sobre a projectada visita de D. Manuel à cidade por António Manuel Pires Cabral.  Há um texto muito interessante de Teixeira de Sousa, líder do Partido Regenerador, presidente do último gabinete da monarquia constitucional, precisamente aquele que a Revolução de 5 de Outubro depôs. Nesse artigo, António Teixeira de Sousa, de convicções monárquicas, obviamente,  fala também sobre o projecto da viagem do rei à sua cidade natal.

 

 

Em dois outros textos antologiados, é dada a palavra a outro transmontano, Alberto de Sousa Costa (1879-1961), formado em Direito, grande camilianista, escritor, foi num dos primeiros governos da República, o criador da Tutoria da Infância. Numa linguagem viva, colorida, confirma que em Vila Real há poucos republicanos, mas diz-nos também que a queda da instituição monárquica não provoca grande tristeza.

 

Textos de jornais locais – O Povo do Norte e o Villarealense completam aos nossos olhos o quadro do que foi a mudança de regime em Vila Real. Poucos republicanos, de facto, mas uma boa organização no interior da unidade militar sediada na cidade, o Regimento de Infantaria nº 13. Na foto que vemos acima, sargentos homenageiam António Granjo no dia 10 de Novembro de 1910. Granjo, que, sendo chefe do Governo, viria a ser assassinado em 20 de Outubro de 1921,  an chamada Noite Sangrenta. 

 

 Uma obra muito interessante, que ajuda a compreender o que se passou em Vila Real em 5 de Outubro de 1910 e nos dias seguintes. Chamo a atenção do historiador José Brandão - mais um livro a integrar na sua obra.

publicado por Carlos Loures às 12:00
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