Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Na saúde é a ética e os padrões profissionais que contam - por Luis Moreira

É natural e legítimo o direito à escolha de um hospital, como é legítimo e natural, na escola ? (Areia dos Dias)
 

Pessoalmente julgo que não. A relação do hospital com o doente não pode ser convertida numa relação racional, isto é, na maioria das vezes o doente não está em condições de poder escolher, ou porque está doente, ou porque ficou subitamente doente ou porque é idoso e alguém tem que tomar essa decisão por ele.  Ora, numa situação de livre escolha na saúde, a capacidade de decisão passa em grande parte para as seguradoras e, serão elas, segundo os seus interesses que escolhem.

 

A livre escolha na saúde implica que os cuidados prestados sejam profundamente condicionados pela apólice de seguro de doença que cada cidadão possa assegurar. Se um de nós tiver um plafond elevado a tendência é efectuar exames caros e , na mais das vezes, desnecessários. O contrário também é verdade, não há plafond não há exames, mesmo que necessários.

 

O que se passa nos US é um exemplo que deixa poucas dúvidas, a saúde não é, nem pode ser objecto de comércio. Apesar de os US gastarem bem acima do que gastam os serviços de saúde dos países da UE, as estatísticas internacionais mostram que os cidadãos europeus gozam de padrões de saúde bem melhores que o cidadão comum dos US.

 

O que está em causa na saúde são os valores éticos e os elevados padrões profisssionais que garantam um elevado nível de serviço e, que, ao mesmo tempo, racionalize os custos e torne sustentável a prazo o sistema de serviço público. É, por isso, que o Sistema Nacional de Saúde deve ser

administrado de forma global, quanto ao nível de utilização dos equipamentos, recursos humanos e instalações. Não podemos ter filas de espera de meses numa dada região e na região seguinte essa lista existe mas noutra especialidade .

 

O resultado é que temos listas de espera em todas as especialidades conforme as regiões e , ao mesmo tempo, temos instalações e equipamentos subutilizados. São a ética e os elevados padrões profissionais dos serviços prestados em todos os hospitais que devem influênciar a escolha, por forma a que seja feita segundo os recursos concentrados num determinado hospital que o torna o mais adequado numa dada situação.Mas esse conhecimento não é do domínio público, é e será sempre o sistema a fazer a escolha.

 

A não ser que pelo meio se encontrem os interesses vorazes das seguradoras!

 

Mas as parcerias público-privadas de que é o mais recente exemplo o hospital de Cascais vai abrindo o caminho à privada pela mão de José Sócrates que, no negócio de milhões da saúde, não tem rebuço em o entregar aos interesses do lucro, mas no negócio do ensino ( cem vezes mais reduzido que a saúde) clama contra a liberdade de escolha.

 

A coerência não é o forte desta gente. Definitivamente!

 

PS: a saúde é, a seguir ao negócio de armas, tráfico de drogas e petróleo o mais lucrativo dos negócios.(dito em directo na TV por uma administradora da saúde de um dos grupos privados)

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
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2 comentários:
De ethel feldman a 16 de Maio de 2011
não sei se percebi bem o que é a livre escolha do hospital. sei que, relativamente aos doentes seropositivos, estes devem ter a possibilidade de não serem atentidos no hospital de residência, para preservarem o anonimato desta doença, agora crónica, mas que a discriminação mata.
Estamos a viver uma situação, cada vez mais preocupante. Por conta, dos supostos enxugamentos e contenções há hospitais a negarem atender os doentes seropositivos, para poderem apresentar melhores números. Assim encaminham para outros hospitais - o que é ilegal.
O doente seropositivo, vulnerável, tem dificuldade em responder, desconhecendo os seus direitos. quando aquelas que supostamente deveriam ser as pessoas que ajudam,tratam e apoiam, maltratam - estamos em maus lençois.
De Luis Moreira a 16 de Maio de 2011
Não creio que a livre escolha no hospital seja sequer uma hipótese, pelas razões apontadas. E a existência de hospitais contratados com o estado podem levar a situações como as que descreves. Os "maus " doentes serem empurrados para o hospital público.

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